segunda-feira, 19 de julho de 2010

Conselho aos Rapazes

Presidente Boyd K. Packer
Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos

A certeza das verdades do evangelho, uma vez que as compreendamos, ajuda-nos a vencer as dificuldades.

Presidente Boyd K. PackerOs rapazes falam sobre o futuro porque não têm passado, e os homens mais velhos falam do passado porque não têm futuro. Sou um homem mais velho, mas vou falar aos rapazes do Sacerdócio Aarônico sobre o futuro deles.

O Sacerdócio Aarônico que vocês possuem foi restaurado por um mensageiro angelical. “A ordenação foi feita pelas mãos de um anjo que se anunciou como João, o mesmo que é chamado João Batista no Novo Testamento. O anjo explicou estar agindo sob a direção de Pedro, Tiago e João, os Apóstolos antigos que possuíam as chaves do sacerdócio maior, o qual era chamado Sacerdócio de Melquisedeque.”1

“O poder e autoridade do menor, ou seja, do Sacerdócio Aarônico, é possuir as chaves do ministério de anjos e administrar as ordenanças exteriores, a letra do evangelho, o batismo de arrependimento para remissão de pecados, conforme os convênios e mandamentos”.2

Vocês foram ordenados a um ofício no sacerdócio de Deus e receberam autoridade divina que reis, magistrados e grandes homens deste mundo não possuem nem podem possuir a menos que se humilhem e entrem pela porta que leva à vida eterna.

Existem muitos relatos nas escrituras sobre rapazes que prestaram serviço. Samuel serviu no tabernáculo com Eli.3 Davi era um rapaz quando enfrentou Golias.4 Mórmon começou a servir quando tinha 10 anos.5 Joseph Smith tinha 14 anos quando teve a Primeira Visão.6 E Cristo tinha 12 anos quando ensinou os sábios no templo.7

Paulo disse ao jovem Timóteo: “Ninguém despreze a tua mocidade”.8

Quando comecei a carreira de professor, o Presidente J. Reuben Clark Jr., Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, havia falado aos professores. Suas palavras penetraram meu coração e têm-me influenciado desde aquela ocasião.

O Presidente Clark descreveu a juventude como sendo “[ávida] por aprender o evangelho”. Ele disse: “Querem recebê-lo sem rodeios, em toda sua pureza”. Querem conhecer “(nossas crenças); querem conseguir o testemunho de que são verdadeiros. Não é que duvidem, mas são inquiridores, estão em busca da verdade”.

O Presidente Clark continuou: “Não precisam chegar de mansinho, por trás desses jovens espiritualmente experientes e sussurrar religião aos seus ouvidos. Podem ser diretos e falar com eles face a face. (…) podem apresentar-lhes essas verdades abertamente. (…) Não há necessidade alguma de uma abordagem gradual”.9

Desde aquela época, venho ensinando os jovens da mesma maneira que ensino os adultos.

Há algumas coisas que vocês precisam compreender.

O sacerdócio não é algo que possam ver, ouvir ou tocar, mas é uma autoridade real e um poder real.

Quando eu tinha cinco anos, fiquei muito doente. Descobriram que eu tinha poliomielite, doença completamente desconhecida para o médico da minha pequena cidade. Fiquei deitado por semanas em uma cama de campanha no quarto da frente, ao lado de um fogareiro a carvão. Depois, eu não conseguia andar. Lembro-me claramente de deslizar pelo piso de linóleo e de me esticar para subir nas cadeiras e, de reaprender a andar. Tive mais sorte do que outros. Um amigo meu continuou usando muletas e aparelhos ortopédicos por toda vida.

Quando comecei a frequentar a escola, percebi que meus músculos eram muito frágeis. Eu tinha plena consciência de que nunca poderia ser um atleta.

Não me ajudou nada a história que li a respeito do homem que foi ao médico em busca de cura para seu complexo de inferioridade. Depois de examinar o homem, o médico lhe disse: “Você não tem complexo de inferioridade. Você é inferior!”

Com esse tipo de estímulo, prossegui com a vida, determinado a compensar a deficiência de alguma forma.

Encontrei esperança em minha bênção patriarcal. O patriarca, que eu nunca vira antes, deu-me razão para confirmar que os patriarcas têm mesmo visão profética. Ele disse que eu tive o desejo de vir à Terra e estava disposto a enfrentar os desafios que a vida terrena apresentasse a este corpo mortal. Disse ainda que eu recebera um corpo de proporções físicas e habilidades apropriadas ao funcionamento do meu espírito, sem dificuldades anatômicas impeditivas. Essas palavras me deram ânimo.

Aprendi que devemos sempre cuidar do nosso corpo. Nunca permitam que entre em seu organismo nada que o prejudique, como nos aconselha a Palavra de Sabedoria: chá, café, álcool, fumo ou qualquer coisa que crie dependência, vicie ou cause danos.

Leiam a seção 89 de Doutrina e Convênios. Nela se encontram grandes promessas: “Todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos;

E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos;

E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão”.

Então vem esta promessa: “E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará”.10

Talvez vocês pensem que outras pessoas têm um corpo mais perfeito do que o seu. Não caiam na armadilha de sentirem-se inadequados por causa da sua altura, do peso ou das suas características, nem pela cor da pele ou pela raça.

Vocês são filhos de Deus. Cada um, individualmente, viveu no mundo pré-mortal como filho espiritual de pais celestes. Quando nasceram, receberam um corpo mortal de carne, sangue e ossos com o qual passarão pelas experiências da vida terrena. Vocês serão testados durante a preparação para voltar à presença do Pai Celestial.

Faço-lhes a mesma pergunta que Paulo dirigiu aos Coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”11

O sexo, masculino ou feminino, foi determinado na existência pré-mortal. Vocês nasceram homens. Devem apreciar e proteger a sua natureza masculina. E devem ter consideração e respeito por todas as mulheres e moças, e protegê-las.

Não abusem de si mesmos. Nunca permitam que outros toquem seu corpo de maneira indigna e não toquem em ninguém indignamente.

Evitem o veneno mortal da pornografia e dos narcóticos. Se já experimentaram, cuidado! Se continuarem usando, essas coisas destruirão vocês. Conversem com seus pais e com seu bispo. Eles saberão como ajudá-los.

Não enfeitem seu corpo com tatuagens, nem o perfurem com piercings. Afastem-se dessas coisas.

Não andem com amigos que preocupem seus pais.

Por todo lado está presente a influência de Lúcifer e de sua legião de anjos. Eles tentam vocês para que façam ou digam coisas destrutivas, ou que pensem nelas. Resistam a qualquer impulso que perturbe seu espírito.12

Vocês não devem temer. O Profeta Joseph Smith ensinou que “todos os seres com corpos possuem domínio sobre os que não os têm”.13 E Leí ensinou que “os homens são ensinados suficientemente para distinguirem o bem do mal”.14 Lembrem-se: o poder que seu espírito encontra na oração os protegerá.

Lembro-me de quando fui “[batizado] por imersão para a remissão de pecados”.15 Aquilo foi convidativo. Entendi que todos os meus erros passados haviam sido lavados e que, se eu nunca mais errasse na vida, continuaria limpo. Foi o que resolvi fazer, mas não funcionou como eu pensava. Descobri que cometia erros; sem intenção, mas os cometia. Cheguei a pensar erroneamente que fora batizado cedo demais. Eu não compreendia que a ordenança do sacramento, administrada por vocês do Sacerdócio Aarônico é, de fato, a renovação do convênio do batismo e a reinstituição das bênçãos ligadas a ele. Não percebia, como nos informa a revelação, que eu poderia “[conservar] a remissão de [meus] pecados”.16

Se cometeram pecado ou mal, devem saber mais sobre o poder da Expiação: como ela atua. E com um arrependimento profundo e sincero, poderão dar vazão a esse poder. Ele é capaz de lavar os pequenos erros, e esfregando-os e lavando-os bem, é capaz de limpar as transgressões graves. Não existe nada de que não possa ser perdoado.

O Espírito Santo estará sempre com vocês, pois lhes foi conferido por ocasião do batismo e da confirmação.

Eu era sacerdote no Sacerdócio Aarônico, quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Fui ordenado Élder quando todos estávamos sendo enviados para a guerra.

Eu sonhava em seguir o exemplo do meu irmão, Leon, que na época pilotava bombardeiros B-24 na Batalha da Grã-Bretanha. Apresentei-me como voluntário para o treinamento de pilotos da força aérea.

Por um ponto, fui reprovado no exame escrito. Mas o sargento se lembrou que havia várias perguntas de dois pontos e que se eu tivesse meio ponto em duas delas, eu passaria.

Parte da prova era de múltipla escolha. Uma pergunta dizia: “Para que serve o etilenoglicol?” Se não tivesse trabalhado no posto de gasolina do meu pai, não saberia que ele é usado como anticongelante em automóveis. Então passei raspando.

Orei para passar no exame médico. Acabou sendo um exame rotineiro.

Vocês, rapazes, não devem reclamar dos estudos. Não se envolvam tanto com os aspectos técnicos a ponto de deixar de aprender coisas práticas. Tudo de prático que puderem aprender — em casa, na cozinha, no quintal — será benéfico a vocês. Nunca reclamem dos estudos. Estudem muito e frequentem as aulas.

“A glória de Deus é inteligência ou, em outras palavras, luz e verdade”.17

“Qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.18

Devemos aprender sobre “coisas que estão no alto e coisas que estão em baixo, coisas que estão dentro da terra e sobre a terra e nos céus”.19

Podem aprender a consertar e pintar as coisas, e mesmo a serrar e exercer qualquer outra atividade prática. Vale a pena. Se não for útil a você especificamente, será benéfico quando estiverem servindo os outros.

Acabei indo para o Oriente como piloto do mesmo tipo de avião que meu irmão pilotava na Inglaterra. Minha missão, então, foi a de ensinar o evangelho no Japão, como militar.

Talvez o desafio mais difícil da guerra seja viver com a incerteza, sem saber como terminará ou se prosseguiremos com a vida.

Recebi um pequeno exemplar do Livro de Mórmon para soldados, que cabia no bolso. Eu o levava por todo lado; lia-o sempre, e ele tornou-se parte de mim. As perguntas que eu tinha se transformaram em certeza.

A certeza das verdades do evangelho, uma vez que as compreendamos, ajuda-nos a vencer as dificuldades.

Levou quatro anos para podermos voltar à vida normal. Mas eu havia aprendido e tinha um firme testemunho de que Deus é nosso Pai, que somos Seus filhos, e que o evangelho restaurado de Jesus Cristo é verdadeiro.

A sua geração está cheia de incertezas. A vida de diversão, de jogos e de brinquedos caros terminou abruptamente. Passamos de uma geração de conforto e diversão para uma geração de trabalho árduo e responsabilidade. Não sabemos quanto tempo isso vai durar.

A realidade da vida agora faz parte de suas responsabilidades do sacerdócio. Não lhes fará mal passar sem algo que desejam. O amadurecimento e a disciplina serão benéficos a vocês. Isso lhes assegurará uma vida bem-sucedida e uma família feliz. Tais provações vêm com a responsabilidade do sacerdócio.

Alguns de vocês moram em países em que o que comem e o que vestem depende do que a sua família é capaz de produzir. Pode ser até que a sua contribuição faça diferença para que o aluguel seja pago ou haja alimento e abrigo para sua família. Aprendam a trabalhar e a ajudar.

O próprio alicerce da vida humana, de toda a sociedade, é a família, estabelecida pelo primeiro mandamento dado a Adão e Eva, nossos primeiros pais: “Multiplicai-vos, e enchei a terra”.20

Daí proveio o mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.21

Que cada um seja um membro responsável da família. Cuidem do que têm — suas roupas, seus pertences. Não sejam esbanjadores. Aprendam a se contentar com o que têm.

Pode parecer que o mundo esteja em convulsão, e realmente está! Pode parecer que há guerras e rumores de guerras; e há! Pode parecer que o futuro trará provações e dificuldades para vocês; e ele trará! No entanto, o temor é o oposto da fé. Não tenham medo. Eu não tenho.

Ao meio-dia de hoje, quatro netos foram visitar-nos. Três deles tinham belas jovens a seu lado — um falou sobre o casamento que se aproximava, dois contaram sobre seu noivado, e o que estava só, falou de seu chamado missionário para o Japão. Conversamos com eles sobre o fato de que um dia cada um de vocês levará uma filha pura e preciosa de nosso Pai Celestial ao templo para serem selados para esta vida e para toda a eternidade. Esses netos devem saber o que Alma ensinou: que o plano do evangelho é “o grande plano de felicidade”22 e que a felicidade é o objetivo de nossa existência. Disso presto testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas

1. Cabeçalho D&C 13.

2. D&C 107:20.

3. Ver I Samuel 1 :24–28.

4. Ver I Samuel 17.

5. Ver Mórmon 1:2.

6. Ver Joseph Smith — História 1:7.

7. Ver Lucas 2:41–52.

8. I Timóteo 4:12.

9. J. Reuben Clark, Jr., O Curso Traçado para a Igreja nos Assuntos Educacionais (discurso aos líderes do seminário e instituto de religião, em Aspen Grove, Utah, em 8 de agosto de 1938, livreto, 2004), pp. 3, 9–10.

10. D&C 89:18–21.

11. I Coríntios 6:19.

12. Ver Morôni 7:17.

13. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (curso de estudos do Sacerdócio de Melquisedeque e da Sociedade de Socorro, 2007), p. 220.

14. 2 Néfi 2:5.

15. Regras de Fé 1:4.

16. Mosias 4:12.

17. D&C 93:36.

18. D&C 130:18.

19. D&C 101:34.

20. Gênesis 1:28; Abraão 4:28.

21. Êxodo 20:12.

22. Alma 42:8.

sábado, 17 de julho de 2010

Tenham Coragem

Presidente Thomas S. Monson

Minha sincera oração é que tenham a coragem exigida para não julgar as pessoas, a coragem para ser castas e virtuosas, e a coragem para defender firmemente a verdade e a retidão.

Presidente Thomas S. Monson. Minhas queridas jovens irmãs, que visão gloriosa vocês são. Sei que, além das que estão neste magnífico Centro de Conferências, outras milhares estão reunidas em capelas e outros lugares espalhados pelo mundo inteiro. Rogo a ajuda do céu durante a oportunidade de falar para vocês.

Ouvimos mensagens oportunas e inspiradoras de suas líderes gerais das Moças. Elas são mulheres especiais, chamadas e designadas para guiá-las e ensiná-las. Elas amam vocês, e eu também.

Vocês vieram a esta Terra numa época gloriosa. As oportunidades que têm diante de vocês são quase ilimitadas. Muitas de vocês moram em casas confortáveis, com uma família amorosa, tendo alimento e roupas adequados e suficientes. Além disso, a maioria de vocês tem acesso a incríveis avanços tecnológicos. Vocês se comunicam por meio de telefones celulares, mensagens de texto, mensagens instantâneas, e-mails, blogs, sites da Internet e outros meios como esses. Ouvem música em seus iPods e MP3 players. Essa lista, é claro, representa apenas algumas das inovações tecnológicas a seu dispor.

Tudo isso é um pouco assustador para alguém como eu, que fui criado numa época em que os rádios eram geralmente um grande móvel de sala, em que não havia televisão, e muito menos computadores ou celulares. Na verdade, quando eu tinha sua idade, as linhas telefônicas eram quase todas compartilhadas. Em nossa família, se quiséssemos ligar para alguém, tínhamos que pegar o telefone e ver se não havia outra família usando a linha, porque várias famílias compartilhavam a mesma linha.

Eu poderia passar a noite inteira falando das diferenças entre a minha geração e a sua. Basta dizer que muito mudou desde a época em que eu tinha sua idade até hoje.

Embora este seja um período notável, com oportunidades abundantes, vocês também enfrentam desafios que só existem hoje. Por exemplo: os próprios dispositivos tecnológicos que mencionei dão ao adversário a chance de tentá-las e enredá-las em sua teia de falsidades, esperando tomar posse de seu destino.

Ao contemplar tudo o que vocês enfrentam no mundo atual, uma palavra me vem à mente. Ela descreve um atributo necessário a todos nós, mas do qual vocês, particularmente nesta época de sua vida e neste mundo, precisam muito. Esse atributo é a coragem.

Gostaria hoje de falar-lhes da coragem que precisarão ter em três aspectos de sua vida:

• Primeiro, a coragem de não julgar as outras pessoas;
• Segundo, a coragem de ser castas e virtuosas; e
• Terceiro, a coragem de defender firmemente a verdade e a retidão.

Quero falar primeiro sobre a coragem de não julgar as outras pessoas. Ah, vocês podem perguntar: Será que isso realmente exige coragem? Eu responderia que acredito haver muitas ocasiões em que se abster de julgar — ou falar mal ou criticar, que de certa forma se assemelham a um julgamento — exige um ato de coragem.

Infelizmente, há pessoas que têm necessidade de criticar e menosprezar os outros. Sem dúvida, vocês já estiveram com pessoas assim, e hão de estar no futuro. Minhas queridas jovens amigas, não precisamos perguntar-nos qual deve ser nossa conduta nessas situações. No Sermão da Montanha, o Salvador declarou: “Não julgueis”.1 Mais tarde, Ele advertiu: “Cessai de achar faltas uns nos outros”.2 Será preciso coragem de verdade, quando estiverem rodeadas de colegas e se sentirem pressionadas a participar dessas críticas e julgamentos, para que não se unam a elas.

Ouso dizer que há moças a seu redor que, devido a comentários maldosos e críticas de vocês, frequentemente são deixadas de lado. Parece ser um padrão, particularmente nesta época de sua vida, evitar moças que são consideradas diferentes ou ser rude com as que não se encaixam no modelo daquilo que nós ou outras pessoas acham que deveria ser o ideal.

O Salvador disse:

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros. (…)

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.3

Madre Teresa, uma freira católica que trabalhou entre os pobres da Índia durante a maior parte de sua vida, declarou esta verdade: “Se você julgar as pessoas, não terá tempo para amá-las”.

Uma amiga me contou uma experiência que teve há muitos anos, quando era adolescente. Em sua ala havia uma moça chamada Sandra, que tinha sofrido uma lesão ao nascer, que a deixara com certa deficiência mental. Sandra queria muito ser aceita no grupo das outras moças, mas tinha aparência de deficiente, agia como deficiente e suas roupas sempre estavam desarrumadas. Às vezes, fazia comentários indevidos. Embora Sandra participasse das atividades da Mutual, era sempre responsabilidade da professora fazer-lhe companhia e procurar fazê-la sentir-se bem-vinda e valorizada, já que as outras moças não o faziam.

Então, algo aconteceu: uma nova moça da mesma idade mudou-se para a ala. Nancy era uma moça bonita, ruiva, segura de si e popular, que facilmente se dava bem com todos. Todas as moças queriam ser suas amigas, mas Nancy não restringia suas amizades. Na verdade, ela fez de tudo para ser amiga de Sandra e procurou fazê-la sentir-se incluída em tudo. Nancy parecia gostar genuinamente de Sandra.

Evidentemente as outras moças perceberam e começaram a se perguntar por que não tinham feito amizade com Sandra. Aquilo parecia então uma coisa não apenas aceitável, mas desejável. Por fim, começaram a perceber o que Nancy, com seu exemplo, estava ensinando para elas: que Sandra era uma filha preciosa de nosso Pai Celestial, que tinha uma contribuição a fazer e que merecia ser tratada com amor, bondade e atenção positiva.

Quando Nancy e sua família mudaram-se do bairro, mais ou menos um ano depois, Sandra era membro permanente do grupo das moças. Minha amiga disse que depois disso, ela e as outras moças sempre cuidavam que nenhuma fosse deixada de lado, não importando o que a tornasse diferente das outras. Uma lição valiosa e eterna fora aprendida.

O verdadeiro amor pode modificar vidas humanas e mudar a sua natureza.

Minhas preciosas jovens irmãs, peço que tenham a coragem de não julgar ou criticar as pessoas a seu redor, bem como a coragem de assegurar que todas se sintam incluídas, amadas e valorizadas.

Em seguida, falarei da coragem que precisarão ter para ser castas e virtuosas. Vocês vivem num mundo em que os valores morais foram, em grande parte, deixados de lado, no qual o pecado está sendo escandalosamente exibido, em que vocês estão cercadas de tentações para que saiam do caminho estreito e apertado. Muitos são os que lhes dizem que vocês são muito antiquadas ou que há algo errado com vocês por ainda acreditarem na existência de alguma coisa como comportamento imoral.

Isaías declarou: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas”.4

Grande coragem lhes será exigida para permanecerem castas e virtuosas em meio ao modo de pensar aceito nesta época.

Na visão do mundo atual, pouco importa se os rapazes e as moças permanecem moralmente puros e limpos antes do casamento. Isso faz com que o comportamento imoral se torne aceitável? De modo nenhum!

Os mandamentos de nosso Pai Celestial não são negociáveis!

O comentarista Ted Koppel, que por muitos anos foi apresentador do programa Nightline da ABC, fez esta declaração incisiva:

“Na verdade nos convencemos de que nossos slogans vão-nos salvar. ‘Injete drogas, se precisar, mas use uma agulha limpa. Faça sexo quando ou com quem quiser, mas proteja-se…’

Não. A resposta é não. É dizer ‘não’, não porque isso seja bobagem ou não seja bem-visto, nem porque podemos acabar na cadeia ou morrer numa ala de aidéticos do hospital. A resposta é ‘não’, porque isso é errado (…).

O que Moisés trouxe do monte Sinai não foram Dez Sugestões, mas sim, foram Mandamentos. Foram, e ainda são!”5

Minhas queridas jovens irmãs, mantenham uma perspectiva eterna. Estejam alertas contra tudo o que lhes roube as bênçãos da eternidade.

A ajuda para manter a devida perspectiva nesses tempos permissivos pode vir de muitas fontes. Um recurso valioso é sua bênção patriarcal. Leiam-na com frequência. Estudem-na cuidadosamente. Sejam guiadas por suas advertências. Vivam para merecer suas promessas. Se ainda não tiverem recebido sua bênção patriarcal, planejem-se para recebê-la e, depois, valorizem-na.

Se houver alguém que tropeçou em sua jornada, há um caminho de volta. O processo é chamado arrependimento. Nosso Salvador morreu para prover-nos essa dádiva abençoada. O caminho pode ser difícil, mas a promessa é real: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve”.6 “E nunca mais me lembrarei [deles].”7

Há alguns anos, a Primeira Presidência fez uma declaração, e a Primeira Presidência atual repete a advertência. Vou citar: “ (…) rogamos aos jovens que mantenham sua vida limpa, porque uma vida impura só conduz ao sofrimento, tristeza e dor, e é física e espiritualmente o caminho para a destruição. Quão gloriosa e próxima dos anjos é a juventude que é limpa. Ela terá alegria indescritível nesta vida e felicidade eterna na vida futura.A pureza sexual é o que os jovens têm de mais precioso, é o alicerce de toda retidão”.8

Que vocês tenham a coragem de ser castas e virtuosas.

Minha última admoestação nesta noite é a de que tenham coragem de defender firmemente a verdade e a retidão. Como a tendência da sociedade atual é afastar-se dos valores e princípios que o Senhor nos deu, vocês quase certamente terão que defender as coisas em que acreditam. A menos que as raízes de seu testemunho estejam firmemente plantadas, será difícil para vocês suportarem o escárnio das pessoas que desafiam sua fé. Se estiver firmemente plantado, seu testemunho do evangelho, do Salvador e de nosso Pai Celestial vai influenciar tudo o que fizerem na vida. Tudo o que o adversário deseja é que vocês permitam que zombaria e críticas à Igreja façam com que vocês questionem e duvidem. Seu testemunho, se for constantemente nutrido, vai mantê-las em segurança.

Relembrem comigo a visão que Leí teve da árvore da vida. Ele viu muitos que se agarraram à barra de ferro e caminharam por entre as névoas de escuridão, chegando por fim à arvore da vida e comendo do seu fruto; então “olharam em redor como se estivessem envergonhados”.9 Leí se perguntou qual seria o motivo de sua vergonha. Ao olhar em volta, ele “[viu], na outra margem do rio de água, um grande e espaçoso edifício (…).

E estava cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua atitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que (…) comiam do fruto”.10

O grande e espaçoso edifício da visão de Leí representa as pessoas do mundo que zombam da palavra de Deus e ridicularizam os que a aceitam, que amam o Salvador e cumprem os mandamentos. O que sucede àqueles que se envergonham quando a zombaria acontece? Leí nos diz: “E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se”.11

Minhas queridas jovens irmãs, com a coragem de sua convicção, declarem como o Apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação”.12

Para que não se sintam incapazes de cumprir a tarefa à frente, lembro-lhes outra declaração vigorosa do Apóstolo Paulo que pode lhes dar coragem: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”.13

Para terminar, quero compartilhar com vocês o relato de uma corajosa jovem cuja experiência pessoal atravessou eras como um exemplo de coragem para defender a verdade e a retidão.

A maioria de vocês conhece a história de Ester, que se encontra no Velho Testamento. É um relato muito interessante e inspirador sobre uma bela jovem judia, cujos pais haviam morrido, deixando-a para ser criada por um primo mais velho, Mardoqueu, e sua esposa.

Mardoqueu trabalhava para o rei da Pérsia, e quando o rei procurou para si uma rainha, Mardoqueu levou Ester ao palácio e a apresentou como candidata, advertindo-a para que não revelasse que era judia. O rei se agradou de Ester mais do que de todas as outras, e fez dela sua rainha.

Hamã, o mais importante príncipe da corte do rei, ficou cada vez mais irado com Mardoqueu, porque ele não se curvava para honrá-lo. Por esse motivo, Hamã convenceu o rei, de modo bem ardiloso, de que havia “um povo” em todas as 127 províncias do reino cujas leis eram diferentes, que não obedecia às leis do rei e que devia ser destruído.14 Sem dizer ao rei quem era esse povo, Hamã se referia, claro, aos judeus, inclusive Mardoqueu.

Ao receber permissão do rei para lidar com a questão, Hamã enviou cartas aos governadores de todas as províncias, instruindo-os para que “destruíssem, matassem, e fizessem perecer a todos os judeus, desde o jovem até ao velho, crianças e mulheres, (…) a treze do duodécimo mês”.15

Por meio de um servo, Mardoqueu avisou Ester do decreto contra os judeus, pedindo que ela fosse até o rei para suplicar por seu povo. Ester relutou, a princípio, lembrando a Mardoqueu que era proibido por lei que qualquer pessoa entrasse no pátio interior da casa do rei sem ser convidada. O castigo era a morte, a menos que o rei apontasse seu cetro de ouro, permitindo que a pessoa vivesse.

A resposta de Mardoqueu à hesitação de Ester foi bem direta. Ele escreveu para ela:

“Não imagines (…) que por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus.

Porque, se de todo te calares neste tempo, (…) tu e a casa de teu pai perecereis”.16

E então, acrescentou esta pergunta pungente: “Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”17

Em resposta, Ester pediu a Mardoqueu que reunisse todos os judeus que conseguisse e pedisse que jejuassem por ela durante três dias, e disse que ela e suas servas fariam o mesmo. Ela disse: “Irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci”.18 Ester exerceu sua coragem e permaneceu firme e inamovível naquilo que era certo.

Estando física, emocional e espiritualmente preparada, Ester entrou no pátio interior da casa do rei. Quando o rei a viu, ergueu o cetro de ouro, dizendo que lhe daria tudo o que ela pedisse. Ela convidou o rei para um banquete que lhe havia preparado e, durante o banquete, revelou que era judia. Também denunciou o traiçoeiro estratagema de Hamã para exterminar todos os judeus do reino. O rei atendeu à súplica de Ester para que ela e seu povo fossem salvos.19

Ester, por meio de jejum, fé e coragem, salvou uma nação.

Provavelmente, não lhes será exigido que arrisquem a vida, como fez Ester, para defender suas crenças. É mais provável, porém, que se vejam em situações em que lhes será exigida muita coragem para defender com firmeza a verdade e a retidão.

Novamente, minhas queridas jovens irmãs, embora sempre tenha havido desafios no mundo, muitos dos que vocês enfrentam, só existem hoje. Mas vocês estão entre os filhos mais fortes do Pai Celestial, e Ele as reservou para virem à Terra em “tal tempo como este”.20 Com a ajuda Dele, vocês terão a coragem para enfrentar tudo o que surgir. Embora o mundo às vezes pareça sombrio, vocês terão a luz do evangelho como facho para guiar seu caminho.

Minha sincera oração é que tenham a coragem exigida para não julgar as pessoas, a coragem para ser castas e virtuosas, e a coragem para defender firmemente a verdade e a retidão. Ao fazer isso, vocês serão “o exemplo dos fiéis”21 e sua vida será cheia da amor, paz e alegria. Que assim seja, minhas amadas jovens irmãs, eu oro, em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.
Notas

1. Mateus 7:1.

2. D&C 88:124.

3. João 13:34–35.

4. Isaías 5:20.

5. Ted Koppel, discurso de formatura da Universidade Duke, 1987.

6. Isaías 1:18.

7. Jeremias 31:34.

8. Primeira Presidência, Conference Report, 6 de abril de 1942, p. 89.

9. 1 Néfi 8:25.

10. 1 Néfi 8:26–27.

11. 1 Néfi 8:28.

12. Romanos 1:16.

13. II Timóteo 1:7.

14. Ester 3:8.

15. Ester 3:13.

16. Ester 4:13–14.

17. Ester 4:14.

18. Ester 4:16.

19. Ver Ester, capítulos 5 a 8.

20. Ester 4:14.

21. Ver I Timóteo 4:12.

domingo, 11 de julho de 2010

Para os Rapazes e para os Homens

Presidente Gordon B. Hinckley

Meus irmãos, é uma imensa oportunidade e uma assombrosa responsabilidade falar a vocês.

Quero dirigir-me primeiramente aos rapazes que estão hoje aqui. Obrigado por sua presença, onde quer que estejam reunidos. Obrigado por freqüentarem o seminário, bem como as reuniões dominicais. Louvo-os por seu desejo de aprenderem o evangelho, de aprofundarem seu conhecimento estudando a palavra do Senhor. Obrigado pelo desejo que têm em seu coração de servirem como missionários. Obrigado por seus sonhos de casarem-se no templo e de criarem sua própria família de modo honrado.

Vocês não são "garotos perdidos". Não estão desperdiçando a vida vagando sem rumo. Vocês têm um propósito. Têm objetivos. Têm planos que só podem conduzi-los ao crescimento e fortalecimento.

Se utilizarem a energia que possuem e concentrarem seus sonhos em um objetivo, muitas coisas maravilhosas irão acontecer. Recebi recentemente a proclamação de um grupo de rapazes SUD da área norte da Califórnia. Eles pertencem a 19 estacas diferentes. Quando se reuniram nas montanhas, visitaram o local em que ocorreu uma tragédia na época dos pioneiros. Enquanto os rapazes meditavam sobre o que tinham visto e as recordações de seu legado, foram convidados a assinar a Proclamação do Acampamento Escoteiro da Trilha Mórmon. Gostaria de ler essa promessa para vocês.

"Declaramos a todos que somos escoteiros e portadores do Sacerdócio Aarônico de Deus. Juramos fidelidade aos valores e princípios que guiaram os soldados do Batalhão Mórmon e os homens e mulheres, Pioneiros Santos dos Últimos Dias, que ajudaram a estabelecer este estado da Califórnia. Como seus filhos agradecidos, regozijamo-nos em nosso legado de serviço ao próximo.

Neste dia, 18 de julho de 1998, assumimos o compromisso de converter-nos ao evangelho de Jesus Cristo. Estudaremos as escrituras. Oraremos pedindo forças para obedecer. Trabalharemos. Empenhar-nos-emos de todo o coração em seguir o exemplo de Jesus.

Magnificaremos o sacerdócio que nos foi concedido, servindo ao próximo. Manter-nos-emos dignos de abençoar o sacramento da Ceia do Senhor. Sempre que houver necessidade de ajuda, da mesma forma que nossos antepassados, seremos voluntários.

Provar-nos-emos dignos do Sacerdócio Maior, de Melquisedeque. Comprometemo-nos a integrar o exército do Senhor e seguir adiante como missionários de tempo integral para convidar todas as pessoas a achegarem-se a Cristo.

Somos os jovens do convênio. Preparar-nos-emos para receber o convênio do casamento eterno. Oramos para que tenhamos uma esposa e filhos dignos, a quem honraremos e protegeremos com nossa própria vida.

Declaramos que, sejam quais forem os riscos, tentações ou condições do mundo a nosso redor, tal como nossos antepassados foram fiéis, também o seremos. Tal como os que viveram antes de nós, não procuraremos nosso próprio engrandecimento e renunciaremos a vantagens pessoais para construir uma sociedade pacífica, governada por Deus.

Seremos fiéis a esse nosso juramento em todos os momentos e em todos os lugares."

Quero cumprimentar todos os rapazes que assinaram esse juramento. Oro para que nenhum deles deixe de cumprir a promessa que fez a si mesmo, à Igreja e ao Senhor.

Quão diferente seria este mundo se todo rapaz pudesse e quisesse assinar uma promessa como essa. Não haveria vidas devastadas pela droga. Não haveria gangues, com crianças matando outras e rapazes seguindo por um caminho que irá conduzi-los à prisão ou à morte. A educação seria um prêmio digno de ser conquistado. O serviço na Igreja seria uma oportunidade apreciada. Haveria mais paz e amor no lar. Não haveria pornografia nem livros imorais. Vocês honrariam e respeitariam as moças de seu convívio, e elas nunca teriam medo de estar em sua companhia em qualquer situação. Seria como se os valentes guerreiros de Helamã tivessem recrutado os jovens de todo o mundo para o seu estilo de vida.

É claro que a missão deve fazer parte de seus planos. Vocês devem servir com alegria em qualquer lugar a que sejam enviados para fazer o trabalho do Senhor, dedicando todo o seu tempo, atenção, força, energia e amor a esse serviço.

Gostaria de ler para vocês alguns trechos da carta de um rapaz que está servindo missão. Ela foi escrita para sua família, e espero não estar sendo indiscreto ao lê-la para esta grande congregação. Não mencionarei o nome do remetente nem a missão em que está.

Ele escreve: "O ano que passou foi extraordinário! Fui transferido do escritório da missão e designado para um pequeno ramo. Minha vida mudou drasticamente desde a última transferência. Nos últimos meses aprendi o que realmente importa na vida. Aprendi o que realmente tem valor. Aprendi a esquecer-me de mim mesmo. Aprendi a trabalhar de modo eficaz. Aprendi a amar as pessoas. Aprendi que Deus me ama e que eu O amo. Em resumo, aprendi a viver de acordo com minhas crenças. ( . . . )

Aprendi a respeito das pessoas e das coisas. Vi lágrimas de alegria no rosto daqueles que nunca tiveram o conhecimento de que eram filhos de Deus. Vi as orações dos arrependidos serem atendidas. Vi as pessoas absorverem o evangelho de Jesus Cristo e desejarem tornar-se uma nova pessoa, tudo isso por causa de algo que sentiram. ( . . . )

Sonho freqüentemente com o plano de salvação. Penso na obra maravilhosa e um assombro que foram realizados. Penso no poder e na força dos anjos que estão entre nós. Imagino quantos deles estão à minha volta ajudando-me a prestar testemunho em uma língua que nunca pensei que seria capaz de compreender plenamente.

Medito nas coisas pacíficas de glória imortal que Enoque viu em sua visão. ( . . . ) Sou grato a Deus por ser quem sou. Minha maior bênção na vida é estar vivo e a serviço de nosso Deus. Nisso encontro grande paz e alegria".

Meus queridos jovens amigos, espero que todos vocês estejam almejando o serviço missionário. Não posso prometer que será divertido. Não posso prometer facilidade e conforto. Não posso prometer que não terão de passar por momentos de desânimo, temor ou mesmo angústia. Mas posso prometer que crescerão como nunca o fizeram em um período de tempo equivalente em toda a sua vida. Prometo-lhes uma felicidade que será ímpar, maravilhosa e duradoura. Posso prometer que vocês reavaliarão sua vida, estabelecerão novas prioridades, viverão mais perto do Senhor, e que a oração se tornará uma experiência real e maravilhosa, que vocês andarão na fé proveniente das boas coisas que fizerem.

Deus os abençoe, rapazes e meninos desta Sua grande Igreja. Que cada um de vocês se decida com mais determinação a ser um santo dos últimos dias em todos os sentidos do termo. Que a realização, o sucesso e o serviço sejam sua recompensa na fascinante e maravilhosa vida que têm à sua frente.

Gostaria agora de dirigir-me aos homens mais velhos, esperando que parte da lição sirva para os jovens também.

Quero falar-lhes a respeito de assuntos materiais.

Para alicerçar o que vou dizer, gostaria de ler alguns versículos do capítulo 41 de Gênesis:

Faraó, o rei do Egito, teve sonhos que o deixaram muito perturbado. Os sábios de sua corte não foram capazes de interpretá-los. José foi, então, levado à sua presença: "Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio,

E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado.

E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne. ( . . . )

E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; ( . . . )

Depois vi em meu sonho ( . . . ) que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas;

E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas.

E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. ( . . . )

Então disse José a Faraó: ( . . . ) O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. ( . . . )

O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.

E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, ( . . . ) e Deus se apressa em [fazê-lo]". (Ver Gênesis 41:17­32)

Irmãos, quero deixar bem claro que não estou profetizando. Não estou prevendo sete anos de fome no futuro. Mas estou sugerindo que chegou o momento de colocar nossa casa em ordem.

Existem muitos entre nós que estão vivendo no limite de suas rendas. De fato, alguns estão vivendo com dinheiro emprestado.

Testemunhamos, nas últimas semanas, algumas mudanças bruscas e atemorizadoras nas bolsas de valores de todo o mundo. A economia é algo muito frágil. Uma queda na economia de Jacarta ou de Moscou pode imediatamente afetar o mundo inteiro. Ela pode afetar cada um de nós como indivíduos. Existem indicações de que haverá tempos difíceis à frente, para os quais seria prudente que nos preparássemos.

Espero sinceramente que não voltemos a passar por uma crise mundial. Sou testemunha da Grande Depressão da década de trinta. Terminei a universidade em 1932, quando o índice de desemprego nesta região estava acima de 33 por cento.

Meu pai, naquela época, era o presidente da maior estaca da Igreja neste vale. Isso foi antes da criação de nosso atual sistema de bem-estar. Ele andava de um lado para o outro, preocupado com o povo de sua estaca. Juntamente com outras pessoas, montou um grande projeto de corte de lenha para alimentar o sistema de aquecimento das casas a fim de manter as pessoas aquecidas no inverno. Elas não tinham dinheiro para comprar carvão. Homens que tiveram posses estavam entre aqueles que cortavam lenha.

Gostaria de repetir que espero que nunca mais tenhamos de enfrentar outra crise assim. Mas fico preocupado com a imensa dívida que as pessoas deste país, inclusive muitos membros da Igreja, estão assumindo nos sistemas de crediário. Em março de 1997, essa dívida chegou a 1,2 trilhões de dólares, o que representa um aumento de 7 por cento em relação ao ano anterior.

Em dezembro de 1997, entre 55 e 60 milhões de famílias nos Estados Unidos tinham dívidas no cartão de crédito. A média das dívidas era de sete mil dólares e representava uma despesa de mil dólares por ano em juros e taxas. A dívida no cartão de crédito em relação à renda líquida subiu de 16,3 por cento, em 1993, para 19,3 por cento, em 1996.

Todos sabem que cada dólar emprestado carrega consigo o peso dos juros. Quando não se consegue pagar a dívida, vem a falência. Houve 1.350.118 falências nos Estados Unidos no ano passado. Isso representa um aumento de 50 por cento em relação a 1992. No segundo trimestre deste ano, quase 362.000 pessoas entraram com pedido de falência, um número recorde para um único trimestre.

Somos enganados por propagandas sedutoras. A televisão mostra ofertas tentadoras de empréstimos que chegam a 125 por cento do valor da casa da pessoa. Mas não se faz menção aos juros cobrados.

O Presidente Reuben Clark Jr., na reunião do sacerdócio da conferência de 1938, disse deste púlpito: "Ao assumir uma dívida, os juros tornam-se seu companheiro dia e noite; você não pode evitá-los ou escapar deles; não pode despedi-los; eles permanecem indiferentes a súplicas, solicitações ou ordens; e se você cruzar seu caminho ou deixar de atender suas solicitações, eles o esmagarão". (Conference Report, abril de 1938, p. 103.)

Reconheço que talvez haja necessidade de se fazer um empréstimo para a compra da casa própria. No entanto, compremos uma casa que possamos pagar, reduzindo dessa forma as parcelas que nos serão constantemente cobradas, sem misericórdia ou descanso, pelo período de até 30 anos.

Ninguém sabe quando haverá uma emergência. Fiquei sabendo de um homem que era extremamente bem-sucedido em sua profissão. Ele vivia muito bem. Construiu uma casa muito grande. Então, certo dia, sofreu um grave acidente. Instantaneamente, sem qualquer aviso, quase perdeu a vida. Ficou inválido. Toda a sua capacidade de trabalho ficou inutilizada. Ele precisou pagar uma fortuna em despesas médicas, além de outros pagamentos que tinha para fazer. Ficou à mercê de seus credores.

Desde o início da Igreja, o Senhor tem-Se manifestado a respeito das dívidas. Para Martin Harris, por revelação, Ele disse: "Paga a dívida contraída com o impressor. Livra-te da servidão". (D&C 19:35)

O Presidente Heber J. Grant utilizou este púlpito muitas vezes para falar a respeito desse assunto. Ele disse: "Se existe uma coisa que trará paz e alegria ao coração humano e à família é viver dentro dos recursos disponíveis. E se existe algo doloroso, desanimador e desencorajador são as dívidas e as obrigações que não podem ser pagas". (Heber J. Grant, Gospel Standards, 1941, G. Homer Durham (comp.), p. 111.)

Estamos proclamando a mensagem de auto-suficiência por toda a Igreja. A auto-suficiência não pode ser alcançada se grandes dívidas pesarem sobre a família. Nunca teremos independência nem liberdade se estivermos devendo alguma coisa a alguém.

Ao administrar os negócios da Igreja, tentamos ser um exemplo. Temos por norma, a qual seguimos estritamente, separar a cada ano uma porcentagem das rendas da Igreja de modo a estarmos preparados para uma possível necessidade futura.

Sou grato por poder dizer que a Igreja, em todos os seus negócios, empreendimentos e departamentos, é capaz de funcionar sem fazer empréstimos. Quando não temos condições de realizar alguma coisa, fazemos cortes em nossos programas. Reduzimos as despesas para que se mantenham dentro de nossas rendas. Nunca fazemos empréstimos.

Um dos dias mais felizes da vida do Presidente Joseph F. Smith foi aquele em que a Igreja pagou as dívidas antigas que tinha. Ela nunca mais teve dívidas desde aquela época.

Que sensação maravilhosa é estar livre de dívidas e ter um pouco de dinheiro guardado para alguma emergência e que poderá ser usado quando necessário.

O Presidente Faust provavelmente não lhes contaria o que vou relatar, pode ser que fique bravo comigo depois. Ele tinha uma dívida do financiamento de sua casa que lhe cobrava 4 por cento de juros. As pessoas diziam-lhe que seria tolo saldar a dívida, já que os juros eram tão baixos. Mas na primeira oportunidade que teve de conseguir algum dinheiro, ele e a esposa decidiram quitá-la. Desde aquela época, ficou livre de dívidas. É por isso que ele sempre tem um sorriso no rosto e assobia enquanto trabalha.

Rogo-lhes, irmãos, que analisem sua situação financeira. Rogo-lhes que sejam comedidos em suas despesas, controlem-se no que se refere a compras, que evitem ao máximo as dívidas, que as paguem assim que possível e se livrem da servidão.

Isso faz parte do evangelho secular em que acreditamos. Que o Senhor os abençoe, meus amados irmãos, para que coloquem sua casa em ordem. Se já pagaram suas dívidas, se têm uma reserva, mesmo que seja pequena, mesmo que chegue a tempestade, terão abrigo para sua esposa e filhos e paz no coração. Não tenho mais nada a dizer quanto a esse assunto, mas saliento ao máximo o que disse.

Deixo-lhes meu testemunho da divindade desta obra e meu amor a cada um de vocês, em nome do Redentor, o Senhor Jesus Cristo. Amém.

sábado, 10 de julho de 2010

Jovens de Nobre Estirpe

Élder L. Tom Perry
Quórum dos Doze Apóstolos

A única alegria e felicidade duradoura que encontrarão durante a experiência mortal será fruto de seguirem o Salvador.


Todos os anos, tiramos férias com a família e vamos para o Lago Bear. É uma semana empolgante em que tenho a oportunidade de conhecer melhor os meus netos. Nos últimos anos, ouvi-os falar de suas oportunidades e obstáculos. Eles falam-me a respeito da crescente pressão que é estar no mundo sem ser do mundo. O cinema, a televisão, a Internet, as roupas da moda, os estilos extravagantes, as atividades inadequadas ao dia do Senhor, etc. aumentam o efeito das tentações que enfrentam. Além do mais, a pressão dos amigos leva à difícil decisão entre fazer o que a maioria está fazendo ou defender os princípios ensinados pelos convertidos e dedicados pais e a Igreja.

Este ano, decidi ser um pouco mais incisivo em meus conselhos a meus netos. Eu queria dar-lhes uma base para que resistissem às tentações e se desenvolvessem no complexo mundo de hoje. Nossas férias no lago duram quatro dias, assim decidi comprar uma pasta para cada um deles e inserir um tópico de discussão para cada dia. Para cada assunto havia algumas referências de escrituras e citações, que deveriam ser utilizadas para iniciar discussões proveitosas entre as gerações.

No primeiro dia, as discussões não despertaram muito interesse, mas a cada dia parecia haver mais participação. A experiência teve tanto sucesso que hoje eu gostaria de fazer de conta que sou o avô de todos os jovens que estão me ouvindo para ver se conseguimos estimular algumas discussões importantes em casa com seus pais.

1º Tópico: Gratidão pela Terra em que vivemos. Durante uma das primeiras conferências da Igreja, realizada em 2 de janeiro de 1831, o Senhor, por meio de revelação, deu ao Profeta Joseph Smith a visão de como Ele preza a Terra que criou para Seus filhos. Em Doutrina e Convênios 38:17­20, lemos:

"E fiz rica a Terra e eis que é o meu escabelo; portanto sobre ela tornarei a ficar de pé.

E agora vos ofereço e considero apropriado dar-vos maiores riquezas, sim, uma terra de promissão, uma terra que mana leite e mel, sobre a qual não haverá maldição quando o Senhor vier;

E dá-la-ei a vós, como terra de vossa herança, se a buscardes de todo o coração.

E este será meu convênio convosco: Vós a recebereis como terra de vossa herança e como herança de vossos filhos para sempre, enquanto a Terra durar; e tornareis a possuí-la na eternidade, para não mais passar."

O Senhor abençoou-nos com terras de promissão para que as desfrutássemos durante nossa provação mortal. Se as nações da Terra seguissem o caminho do Senhor continuamente, seriam uma bênção para Seus filhos aqui. De vocês jovens filhos e filhas especiais de Deus, Ele certamente espera que sejam gratos pelas ricas bênçãos que têm recebido Dele.

Com as bênçãos, obviamente, vêm as responsabilidades. Espera-se que demonstremos submissão a reis, presidentes, governantes e magistrados e obedeçamos, honremos e mantenhamos a lei. (Ver Regras de Fé 1:12.) Para obedecer, honrar e manter a lei, precisamos conhecê-la e vivê-la. Devemos ser bons cidadãos na Igreja, na escola, na comunidade. Devemos estar preparados para dar nossa contribuição prestando serviço ao próximo.

A melhor maneira que conheço para dar uma contribuição ao país em que vivemos é estarmos preparados para o futuro. O Senhor prometeu que se estivermos preparados, não precisaremos temer. Se nos esforçarmos para adquirir o máximo de instrução a nosso alcance, estaremos em melhores condições de ser auto-suficientes, e não ser um fardo para a sociedade em que vivemos.

Li no jornal algumas semanas atrás sobre a relação entre salário e grau de instrução. A diferença entre os ganhos de alguém que não se formou no curso secundário e alguém que se formou é de 38%. Entre uma pessoa que concluiu o curso secundário e outra que freqüentou parte de um curso superior, o aumento é de 20%, e entre quem tem diploma de curso secundário e quem tem diploma universitário, o aumento é de 56%. É, a educação realmente compensa. Nunca é cedo demais para determinar a direção que vocês desejam tomar em sua preparação. Não esperem até a hora de fazer a matrícula na faculdade para decidirem o que querem estudar. É um desperdício de tempo e dinheiro dedicar-se a uma área de estudos sem ter uma meta definida.

2º Tópico: Auto-estima. No oitavo salmo de Davi, ele deu-nos uma visão do que somos e de nossas oportunidades eternas. Disse ele:

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus! ( . . . )

Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;

Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?

Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.

Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: ( . . . )

Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!" (Salmos 8:1, 3­6, 9)

Já se imaginaram alguma vez como um anjo menor coroado de honra e glória? Todos os filhos do nosso Pai Celestial são de grande valor à Sua vista. Se o Senhor vê grandeza em vocês, então de que forma vocês devem ver a si mesmos? Todos fomos abençoados com muitos talentos e habilidades. Alguns foram abençoados com o talento de cantar, outros de pintar, de falar, de dançar, de criar belos objetos com as mãos e outros de prestar serviço solidário. Certas pessoas podem ter muitos desses talentos, outras, só alguns. Não importa o tamanho ou a quantidade, e sim o esforço que fazemos para desenvolver os talentos e as habilidades que recebemos. Vocês não estão competindo com outras pessoas. Estão competindo apenas consigo mesmos, para fazer o melhor com o que quer que tenham recebido. Cada talento desenvolvido será de grande valia e lhes dará um formidável sentimento de satisfação e realização no decorrer da vida.

O dom quase universal que todos podemos desenvolver é o de uma atitude agradável, um temperamento tranqüilo. Isso lhes abrirá mais portas e trará mais oportunidades do que qualquer outra característica que eu consiga lembrar.

Lembrem-se também da promessa do Senhor relativa ao cuidado de nosso corpo físico. Se o mantivermos limpo, nutrindo-o corretamente, tendo o repouso adequado, encontraremos "sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos". Nós "[correremos] e não [nos cansaremos], [caminharemos] e não [desfaleceremos]". (D&C 89:19­20)

Acima de tudo, devemos viver com esperança. No livro de Éter, no Livro de Mórmon, Morôni lembrou-nos:

"E também me lembro de que tu disseste haver preparado para o homem uma casa, sim, entre as mansões de teu Pai, na qual o homem pode ter uma esperança mais excelente; portanto o homem deve ter esperança; caso contrário não poderá receber uma herança no lugar que tu preparaste." (Éter 12:32)

Vivam com a esperança de que poderão conquistar, aperfeiçoar e desenvolver os grandiosos dons que o nosso Pai Celestial lhes concedeu e um dia "receber uma herança" entre as mansões do Pai.

3º Tópico: Amor à família. As palavras que o Profeta Joseph Smith registrou da extraordinária visita que recebeu do anjo Morôni na noite de 21 de setembro de 1823 incluem uma promessa especial feita às famílias:

"Eis que vos revelarei o Sacerdócio pela mão de Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor.

E ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais e o coração dos filhos voltar-se-á para seus pais.

Se assim não fosse, toda a Terra seria completamente destruída na sua vinda." (D&C 2:1­3)

Essa grandiosa visão dada ao Profeta Joseph Smith reestabeleceu a doutrina das unidades familiares eternas. A família eterna é algo central no evangelho de nosso Salvador. Não haveria razão para Ele retornar à Terra para governar e dirigir Seu reino a menos que a unidade familiar eterna fosse estabelecida para os filhos do Pai Celestial. Quando entendemos o papel eterno da família, a formação e o fortalecimento de laços familiares sólidos assumem um significado ainda maior.

Acompanhei com grande interesse a chegada de mais uma neta à nossa família. Percebi a formação de um vínculo instantâneo entre ela e seus dois irmãos. Eles seguravam-na com grande cuidado, amor e carinho.

É muito importante que aprendam a valorizar o significado de pertencer a uma família eterna. Lembrem-se: vocês fazem parte de uma unidade eterna que exige o máximo de seu empenho. Tenham certeza de contribuir com cordialidade, bondade, compreensão, consideração e muito amor à sua família eterna.

O último tópico que incluí na pasta tinha como título "Amor a Deus". Nas revelações que o Profeta Joseph Smith recebeu em 1831, lemos:

"Portanto dou-lhes um mandamento que diz assim: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu poder, mente e força; e em nome de Jesus Cristo servi-lo-ás." (D&C 59:5)

O Senhor usou o coração como forma de descrever a natureza mais íntima de Seus filhos. As escrituras estão repletas de referências ao coração, tais como puro de coração, abundância no coração, coração feliz e assim por diante. Em I Samuel, lemos:

"( . . . ) Porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração." (I Samuel 16:7)

Temos no coração um sentimento de gratidão e devoção ao Pai? Somos unos de coração com Ele a quem devemos tudo? O teste de nossa devoção ao Senhor parece ser a maneira pela qual O servimos.

Temos bem fixado na alma o desejo de ser livres. O Senhor sabia disso quando nos concedeu a provação mortal. Com essa liberdade, contudo, vem a responsabilidade. Somos instruídos a não desperdiçar nosso tempo nem enterrar nosso talento, sem usá-lo. É esperado de nós que tornemos nossa vida melhor por meio de nossa própria iniciativa e nossos esforços. Cabe a nós desenvolver nossa relação com nosso Pai Eterno. Precisamos adquirir nosso próprio testemunho. Precisamos decidir se vamos moldar nossa vida pelos padrões do Senhor. Precisamos escolher como Josué quando disse: "Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor". (Josué 24:15)

Li recentemente um artigo que afirmava que se os empregadores não contratarem hoje jovens brilhantes na faixa dos dezesseis anos, com seu aguçado entendimento e sensibilidade para a tecnologia, sua empresa estará ultrapassada na próxima década. Que idade maravilhosa vocês estão vivendo. Junto com o aumento de suas oportunidades, contudo, vem o desafio de permanecerem perto do Senhor e serem obedientes à Sua lei. Essa é a forma de se conservarem fortes e capazes de resistir às inúmeras pressões do mundo.

A última folha da pasta que presenteei a meus netos continha meu testemunho pessoal da veracidade do evangelho de nosso Senhor e Salvador. Deixo meu testemunho com cada um de vocês, jovens maravilhosos, de que sei que Deus vive e guia Sua obra entre Seus filhos aqui na Terra. Sei que Ele enviou Seu Filho ao mundo como sacrifício expiatório por toda a humanidade, e os que abraçarem Seu evangelho e O seguirem terão a vida eterna, o maior dom que Deus concedeu a Seus filhos. Sei que Ele dirigiu a restauração do evangelho aqui na Terra por meio do ministério do Profeta Joseph Smith. Sei que a única alegria e felicidade duradoura que encontrarão durante a experiência mortal será fruto de seguirem o Salvador, obedecerem Sua lei e guardarem Seus mandamentos. Esse é meu testemunho a vocês, que são jovens excelentes, em nome de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Amém.

Viver de Modo a Serem Dignos da Moça com quem Se Casarão

Por Presidente Gordon B. Hinckley

Tornem-se dignos da melhor moça do mundo. Mantenham-se dignos durante todos os dias de sua vida


Há uma semana o Presidente Faust e a presidência geral das Moças falaram às moças da Igreja neste Tabernáculo.

Contemplando esse grupo de belas moças uma pergunta passou por minha mente: "Estamos criando uma geração de rapazes dignos delas?"

Essas moças são tão vivazes e vibrantes! São lindas, são brilhantes, são capazes, são fiéis, são virtuosas, são verdadeiras. São moças simplesmente maravilhosas e encantadoras.

Desse modo, esta noite, nesta grande reunião do sacerdócio, quero falar a vocês, rapazes, seus pares. O título de meu discurso é: "Viver de Modo a Serem Dignos da Moça com Quem Se Casarão".

A moça com quem vocês se casarão estará arriscando muito ao se casar com você. Ela dará tudo de si para o rapaz com quem se casar. Em grande parte, ele determinará o restante da vida dela. Ela abrirá mão até do nome em favor do nome dele.

Como declarou Adão no Jardim do Éden: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne ( . . . ) Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. (Gênesis 2:23­24)

Sendo membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sendo rapazes que portam o sacerdócio de Deus, vocês têm uma obrigação imensa para com a moça com quem se casarem. Talvez não estejam muito preocupados com isso agora, mas muito em breve estarão, e agora é o momento de prepararem-se para o dia mais importante de sua vida em que tomarão para si uma esposa e companheira considerada sua igual perante o Senhor.

A primeira obrigação é a da lealdade absoluta. Como diz a antiga cerimônia da Igreja Anglicana, você estará casado com ela "na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza". Ela será sua e de mais ninguém, a despeito das condições em que vivam. Você será dela e de mais ninguém. Não devem ter olhos para nenhuma outra. Tem de haver lealdade absoluta, lealdade imutável um para com o outro. Espera-se que você se case com ela para a eternidade, na casa do Senhor, por meio da autoridade do sacerdócio eterno. Durante todos os dias de sua vida, sua fidelidade um ao outro deve ser tão constante quanto a estrela polar.

A moça com quem se casarão tem o direito de esperar que cheguem ao altar do casamento completamente puros. Tem o direito de esperar que sejam rapazes virtuosos em pensamentos, palavras e ações.

Esta noite, imploro a vocês, rapazes, que se mantenham livres das manchas do mundo. Não se permitam participar de conversas levianas na escolha. Não contem piadas sujas. Não fiquem perdendo tempo na Internet procurando pornografia. Não liguem para serviços telefônicos para ouvir coisas imundas. Não aluguem vídeos que contenham qualquer tipo de pornografia. Essas coisas sexualmente excitantes não são para vocês. Evitem a pornografia como se fosse uma doença grave. Ela é igualmente destrutiva. Torna-se um vício e os que se permitem envolver-se com ela não conseguem abandoná-la. Pornografia vicia.

Para quem a produz, é um negócio bilionário. Eles, melhor que ninguém, fazem com que ela pareça divertida e atraente. Ela destrói suas vítimas. Está em todos os lugares, está à nossa volta. Rogo a vocês, rapazes, que não se envolvam com ela. Vocês não se podem dar a esse capricho.

A moça com quem se casarão merece um marido cuja vida não tenha sido manchada por esse material pernicioso e corrosivo.

Encarem a Palavra de Sabedoria como sendo mais do que algo trivial. Eu a considero o mais importante texto que conheço a respeito de saúde. Foi dado ao Profeta Joseph Smith em 1833, quando sabia-se relativamente pouco a respeito de hábitos alimentares. Agora, quanto mais se fazem pesquisas científicas, mais incontestáveis os princípios da Palavra de Sabedoria provam ser. As provas contra o fumo são esmagadoras e mesmo assim vemos o número de rapazes e moças que fumam aumentar tremendamente. As provas contra o álcool são igualmente incontestáveis.

Para mim, é uma ironia que postos de gasolina vendam cerveja. A cerveja pode embebedar tanto quanto outras bebidas, tornando os motoristas igualmente perigosos. É meramente uma questão do quanto se bebe. É totalmente incoerente que um posto de gasolina, onde abastecemos o carro para dirigir, também venda a cerveja que nos pode levar a dirigir alcoolizados e transformar em uma ameaça na estrada.

Evitem isso. Não lhes fará nenhum bem e pode causar-lhes danos irreparáveis. Imaginem se bebessem, dirigissem e causassem a morte de alguém. Seria algo que não superariam enquanto vivessem. Seria algo que os assombraria noite e dia. O mais sensato a fazer é não beber.

Evitem, também, o uso de drogas. Podem destruí-los completamente. Tiram-lhes a capacidade de raciocinar. Elas irão escravizá-los de um modo perverso e terrível. Destruirão sua mente e corpo, farão com que tenham desejos tão intensos que serão capazes de tudo para satisfazê-los.

Será que alguma moça em sã consciência desejaria se casar com um rapaz viciado em drogas, escravizado pelo álcool ou viciado em pornografia?

Evitem dizer palavrões. Na escola, eles cercam vocês. Os jovens parecem orgulhar-se de utilizar palavras sujas e obscenas, bem como de dizer palavrões e tomar o nome do Senhor em vão. Isso torna-se um hábito que, se permitido durante a juventude, não os deixará durante o resto da vida. Quem gostaria de se casar com um homem cuja linguagem está cheia de sujeira e palavrões?

Há outra coisa grave em que muitos rapazes podem se viciar: a raiva. Diante da menor provocação explodem em acessos de raiva incontrolável. É triste ver alguém tão fraco. Entretanto, ainda pior é que eles sejam tão propensos a perder todo o bom senso e fazer coisas de que depois se arrependerão.

Ultimamente, ouvimos falar muito da raiva descontrolada no trânsito. Os motoristas se exaltam por pouca coisa. Ficam tão raivosos que chegam a matar. Isso resulta em uma vida de remorso.

Como disse o escritor dos Provérbios: "Melhor é o que tarda a irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu ânimo do que aquele que toma uma cidade". (Provérbios 16:32)

Se vocês são geniosos, agora é a hora de aprenderem a controlarem-se. Quanto mais cedo aprenderem a fazê-lo, mais fácil será para vocês. Que nenhum membro da Igreja se descontrole de modo tão maléfico e inútil. Que tenham palavras de paz e serenidade no casamento.

Sempre lido com casos de membros da Igreja que se casaram no templo e depois se divorciam e solicitam o cancelamento do selamento no templo. No início do casamento, estão cheios de esperanças e vivem em felicidade. Contudo, as flores do amor murcham em um ambiente de críticas e reclamações contínuas, de palavras grosseiras e acessos de raiva. O amor escapa pela janela quando a contenda entra em cena. Repito, meus irmãos, se qualquer de vocês, rapazes, tem problemas para controlar o gênio, rogo-lhes que comecem agora a se emendar. Senão, causarão apenas lágrimas e tristeza à família que formarão um dia. No Livro de Mórmon, Jacó reprova seu povo pela iniqüidade no casamento. Ele diz: "Eis que haveis praticado maiores iniqüidades que os lamanitas, nossos irmãos. Haveis quebrantado o coração de vossas ternas esposas e perdido a confiança de vossos filhos, por causa de vossos maus exemplos diante deles; e os soluços do coração deles sobem a Deus contra vós. E por causa da severidade da palavra de Deus, que desce contra vós, muitos corações pereceram, traspassados por profundas feridas". (Jacó 2:35)

Empenhem-se nos estudos. Estudem o máximo que puderem. O mundo irá pagar-lhes o quanto achar que merecem. Paulo não usou de eufemismos quando escreveu a Timóteo: "Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel". (I Timóteo 5:8)

Sua obrigação primordial é sustentar sua família.

Será bom para sua mulher não ter de competir no mercado de trabalho. Será muito mais abençoada se puder ficar em casa enquanto vocês se tornam o provedor da família.

Os estudos são essenciais para as boas oportunidades financeiras. O Senhor deu-nos o mandamento de que, como povo, procurássemos conhecimento "pelo estudo e também pela fé". (D&C 109:14) Com certeza, vocês serão melhores provedores se estiverem treinados física e mentalmente para fazer algo de útil na sociedade à qual pertencerão.

Sejam moderados em seus desejos. Vocês não precisam de uma casa grande e de uma prestação cara no início de sua vida juntos. Podem e devem evitar grandes dívidas. Não há nada que gere maior tensão no casamento que a opressão de uma dívida que os torne escravos dos credores. Talvez, precisem fazer um empréstimo para começarem a comprar uma casa. Entretanto, não escolham uma casa cuja prestação seja tão cara que os preocupe noite e dia.

Quando me casei, meu pai, em sua sabedoria, disse: "Compre uma casa modesta e pague-a logo, para que se houverem crises econômicas sua mulher e filhos tenham um teto para abrigá-los".

A moça que se casar com você não há de querer um sovina para marido. Também não há de querer um esbanjador. Ela tem o direito de estar a par de tudo nas finanças da família. Ela será sua parceira. A menos que, nesse assunto, o entendimento entre você e sua mulher seja total, provavelmente haverá mal-entendidos e suspeitas que criarão problemas que podem levar a problemas ainda maiores.

Ela há de querer casar-se com alguém que a ame, que confie nela, esteja a seu lado, que seja o seu melhor amigo e companheiro. Há de querer casar-se com alguém que incentive sua participação na Igreja e nas atividades comunitárias que a ajudem a desenvolver os talentos e a melhor contribuir para a sociedade. Há de querer casar-se com alguém, que tenha o espírito de serviço ao próximo, que esteja disposto a colaborar com a Igreja e com outras boas causas. Há de querer casar-se com alguém que ame o Senhor e se empenhe em fazer Sua vontade. Portanto, é bom que cada um de vocês, rapazes, façam planos de servir missão, de, sem egoísmo, dar ao Pai Celestial o dízimo de sua vida, sair com espírito de total abnegação para pregar o evangelho da paz ao mundo, não importando o local para onde sejam chamados. Se forem bons missionários, voltarão para casa com o desejo de continuarem a servir ao Senhor, guardar os Seus mandamentos e fazer a Sua vontade. Esse comportamento contribuirá imensamente para a felicidade de seu casamento.

Como eu disse, vocês terão o desejo de casarem-se em um lugar, e em nenhum outro: na Casa do Senhor. Não há maior presente que possam dar à sua companheira do que o casamento na casa santa do Senhor, sob a influência protetora do convênio de selamento do casamento eterno. Não há substituto adequado para isso. Para vocês, não deveria haver outro caminho.

Escolham com cuidado e sabedoria. A moça com que se casarão será sua para sempre. Vocês a amarão e ela os amará apesar dos altos e baixos, alegrias e problemas. Ela se tornará a mãe de seus filhos. O que pode haver de mais importante no mundo que se tornar o pai de um filho precioso de Deus, nosso Pai Celestial sobre quem nos são concedidos os direitos e responsabilidades da mordomia terrena?

Como um bebê é precioso! Que maravilha é uma criança! Que maravilha é a família! Vivam de modo a serem dignos de tornarem-se pais que inspirem orgulho à mulher e aos filhos.

O Senhor ordenou que nos casássemos, que vivêssemos juntos em amor, paz e harmonia, que tivéssemos filhos e os criássemos em Seus santos caminhos.

Sendo assim, caros rapazes, pode ser que não pensem seriamente no assunto agora, mas chegará a hora em que se apaixonarão. Isso tomará conta de seu pensamento e de seus sonhos. Tornem-se dignos da melhor moça do mundo. Mantenham-se dignos durante todos os dias de sua vida. Sejam bons, fiéis e gentis um com o outro. Há muita amargura no mundo. Tanto sofrimento e tristeza são causados por palavras iradas! Tantas lágrimas são causadas pela infidelidade! Contudo, pode haver tanta felicidade, se houver empenho em agradarmos e um desejo ardente de fazermos nossa companheira sentir-se bem e feliz.

Afinal, é disso que trata o evangelho. A família é uma criação de Deus. É a criação fundamental. A solução para fortalecer a nação é fortalecer as famílias.

Estou certo de que se buscássemos as virtudes uns dos outros, e não as faltas, haveria muito mais felicidade nas famílias de nosso povo. Haveria um número bem menor de divórcios e de infidelidade, muito menos raiva, rancor e brigas. Haveria mais perdão, mais amor, paz e felicidade. É assim que o Senhor quer que seja.

Rapazes, este é o momento de prepararem-se para o futuro. Nesse futuro, para a maioria de vocês há uma bela moça cujo maior anseio é unir-se a vocês em um relacionamento eterno.

Para vocês, não haverá felicidade maior do que a que têm em casa. Não haverá dever mais importante do que os que têm em casa. O sinal mais genuíno de seu sucesso na vida será a qualidade de seu casamento.

Que Deus os abençoe, queridos rapazes. Não há nada mais maravilhoso que eu possa desejar-lhes do que o amor, o amor absoluto e total, de uma companheira de quem sejam dignos em todos os aspectos e que se orgulhe de você. Esta decisão será a mais importante de sua vida. Oro para que suas escolhas sejam aprovadas nos céus e que sejam guiados, que vivam sem remorso. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

domingo, 27 de junho de 2010

Deixar um Legado

Élder Carlos A. Godoy - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Junho/2010)


Por Élder Carlos A. Godoy

Recentemente fui a uma conferência de estaca onde pude presenciar o poder de influência que os pais exercem em seus filhos. Neste caso específico, o pai já havia falecido, mas os filhos ainda lembravam com carinho de seus ensinamentos e principalmente de seu exemplo em viver o evangelho.

Uma experiência narrada por um dos filhos me tocou bastante. Ele, agora pai de seus próprios filhos, lembrou que, quando ele e seus irmãos começaram a estudar à noite, imaginaram que teriam uma boa desculpa para não participarem das noites familiares, pois estariam chegando muito tarde em casa. Não demorou muito para descobrirem que o pai não pensava da mesma maneira. Ao chegar em casa após as aulas, ele lembra que encontrava os hinários em cima da mesa da cozinha, sinal claro de que a reunião familiar ainda estava na agenda do dia.

Os filhos não lembram qual foi a mensagem dada ou as escrituras lidas, mas não esquecem a maior mensagem passada pelos pais: a reunião familiar é importante para nós. Pequenos atos como esse marcam a memória de nossos filhos e se tornam parte de um legado que deixamos para as gerações futuras.

Lembro de situação semelhante, quando servia como presidente de missão. No jantar de despedida de alguns missionários em nossa casa, presenciamos outro exemplo de como pequenas coisas se tornam marcantes para nossos filhos. Neste caso, um dos élderes ao prestar testemunho disse que aprendeu a dar valor às escrituras, em especial ao Livro de Mórmon, graças a sua mãe. A mãe, que estava presente nesse jantar com o esposo, pois tinham viajado até a missão para buscar o filho, ficou muito surpresa com o comentário feito. Ela não se dera conta de como tinha influenciado o testemunho do filho a respeito do Livro de Mórmon.

O élder então explicou que, quando pequeno, era acordado junto com os irmãos bem cedinho pela mãe para tomar o desjejum na cozinha. Cada um dos irmãos se acomodava na mesa, mais ocupados em continuar a dormir do que em comer ou ler as escrituras. A mãe então fritava bacon em uma frigideira, com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o Livro de Mórmon com a outra, e lia. Ele disse que não lembra o que a mãe lia, mas não consegue esquecer aquela imagem da mãe todas as manhãs, segurando o livro em uma mão e a frigideira na outra. Talvez a mãe estivesse até se sentindo frustrada, ao ver que os filhos não estavam prestando atenção - estavam mais dormindo na mesa do que ouvindo sua leitura; mas, sem perceber, estava passando uma mensagem poderosa aos seus pequenos filhos: o Livro de Mórmon é importante para nós. O testemunho se fortaleceu nos anos que se seguiram, graças ao exemplo deixado pela mãe nas manhãs de sua infância.

Em D&C 93:39-40 o Senhor nos alerta: E vem o ser maligno e tira a luz e verdade dos filhos dos homens pela desobediência e por causa da tradição de seus pais. Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade. Como pais, somos responsáveis por plantar em nossos filhos tradições que os protejam e ajudem em seu dia a dia e em seus desafios futuros. Quando fazemos nossas orações familiares, reuniões familiares e leitura das escrituras em família, por exemplo, estamos iniciando (ou mantendo) uma tradição que abençoará não somente eles, mas seus filhos e os filhos de seus filhos. Nossos netos serão beneficiados por esse legado. Como disse o Élder David A. Bednar, em seu discurso na conferência de outubro de 2009, Nossa constância em fazer coisas aparentemente pequenas pode levar a resultados espiritualmente significativos (Mais Diligentes e Interessados em Casa, A Liahona, novembro de 2009, p. 20).

Um legado é construído pouco a pouco, ano após ano, com (talvez) pequenas, mas poderosas ações. Podem ser hinários nos esperando à noite após as aulas ou frigideiras e Livros de Mórmon no desjejum. O mais importante é que estarão fortalecendo as gerações futuras, e estas, por sua vez, também acabarão por passar esse legado adiante.

Portanto não canseis de fazer o bem, pois estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande (D&C 64:33).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Homem Integral

Quais são as características que definem o homem integral?

Poderíamos dizer que o homem integral é o indivíduo que desenvolveu ao máximo as suas três faculdades essenciais:

A faculdade de pensar, a de sentir e a de querer, ou a razão, o sentimento e a vontade.

O pensar e o querer são as faculdades ativas do homem integral, o sentir é a faculdade passiva. Nesse sentido, podemos dizer que o pensar e o querer partem do homem, o sentir acontece nele.

Em geral, sempre se considerou a razão como o patrimônio maior, e talvez único, da inteligência.

Por isso, desenvolver a inteligência significava quase que exclusivamente o desenvolvimento da razão ou do pensar.

O homem inteligente é aquele que sabe pensar. É preciso ensinar a pensar, se diz freqüentemente. Fomos levados a acreditar que o papel mais importante do educador é ensinar a pensar.

Nos dias atuais, entretanto, a inteligência emocional também tem sido difundida. Muito se tem falado da relevância dos aspectos emocionais no desenvolvimento da inteligência.

O ensinar a sentir passou a fazer parte do vocabulário dos educadores, embora não com a mesma força do ensinar a pensar.

Pouco, no entanto, tem sido dito da inteligência volitiva, ou inteligência associada à vontade. O papel desta inteligência na formação integral do homem precisa ser melhor explorado.

E a razão é simples. Nunca, como agora, os valores éticos e políticos se tornaram tão necessários.

A sociedade moderna, no plano nacional e mesmo internacional, reconhece a importância dos valores éticos na conquista de uma vida mais justa.

Aliás, direito e justiça resultam do uso adequado da vontade, ou do querer. Portanto, são frutos de uma inteligência volitiva bem desenvolvida.

Ousamos afirmar que a sociedade moderna padece as conseqüências de não ter dado a devida importância ao desenvolvimento da inteligência volitiva.

Educadores, em geral, preocupados com a construção de uma sociedade mais justa, deverão assumir, como compromisso inadiável, a tarefa de desenvolver a inteligência volitiva.

Uma educação para o desenvolvimento harmônico das inteligências racional, emocional e volitiva deve ser um dos mais importantes objetivos de uma instituição de ensino e de todo educador.

Os valores do sentimento e da moral sempre ficaram em segundo plano. Sempre foram considerados como pertencentes aos homens fracos e menos espertos.

E esse desprezo trouxe sérias conseqüências, pois muitas das conquistas da ciência viraram instrumento de violência e submissão.

A violência e a guerra ganharam em requinte e sofisticação. O homem atual sabe muito, mas sofre e é infeliz.

Sem o sentimento e a vontade para conduzir adequadamente a razão, o homem moderno caminha como um viajante num deserto sem oásis.

Sabe para onde ir, mas não encontra a água para matar a sede; sede de paz e de justiça; sede de amor e de liberdade.

Para reverter esse estado de coisas, é fundamental voltar nossos olhos para o desenvolvimento das inteligências emocional e volitiva. Sem as conquistas do sentimento e da vontade o homem continuará sedento.

É comum encontrar pessoas que desenvolveram muito apenas o pensar e que, dominadas pelo orgulho, tornaram-se arrogantes e presunçosas.

Carecem da virtude mais importante na caracterização do homem sábio: a humildade. Sem a humildade perdem boas oportunidades de continuar aprendendo. Pensam que já sabem tudo.

Existem indivíduos muito inteligentes e com grande habilidade de decisão, mas vingativos e perversos, verdadeiros déspotas.

Por outro lado, encontramos indivíduos com bons sentimentos, mas que não conseguem tomar decisões corretas. São, com freqüência, iludidos, enganados pelos mais espertos.

O homem integral, portanto, é aquele que logrou o desenvolvimento harmônico do pensar, do sentir e do querer.

O indivíduo que é senhor do próprio pensamento, dos sentimentos e da vontade, pode ser considerado um homem virtuoso, um homem integral.

Pensemos nisso, e acionemos a vontade para conquistar essa meta.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no texto "Educação Integral", do Prof. Cosme Bastos Massi, disponível no site: Http://www.educacional.com.br/articulistas/cosme0001.asp

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...