sexta-feira, 23 de julho de 2010

Os Filhos e a Família

Élder W. Eugene Hansen
Da Presidência dos Setenta

Não se conseguem laços familiares fortes por acaso. Para isso, é preciso tempo. É preciso assumir o compromisso, é preciso orar e é preciso trabalho.


Élder W. Eugene Hansen

Nas escrituras, é visível o amor do Senhor pelas crianças. Não é para menos, pois "os filhos são herança do Senhor". (Salmos 127:3)

No Novo Testamento, o Senhor deixa bem claro que qualquer pessoa que faça mal ou ofenda esses "pequeninos" incorre em grave erro. Como está em Mateus, "melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar". (Mateus 18:6)

Uma das cenas mais tocantes do Livro de Mórmon, que é outro testamento de Jesus Cristo, aconteceu quando o Senhor ressuscitado apareceu ao povo nefita que habitava o hemisfério ocidental na época em que o Salvador estava na Terra. Nessa aparição, Ele ensinou as criancinhas com muito carinho.

Lemos que Ele ficou no meio da multidão, ordenou às pessoas que Lhe trouxessem as criancinhas, ajoelhou-Se no meio delas e orou ao Pai por elas. As palavras que disse foram tão sagradas que não puderam ser escritas. Ele chorou, pegou as criancinhas uma a uma e abençoou-as.

Quando a multidão olhou para cima, viu os céus abertos e anjos descendo. As crianças foram rodeadas por fogo e os anjos ministraram a elas.

Ao reconhecermos o amor do Senhor pelas criancinhas, não nos admiramos com o fato de os representantes do Senhor aqui na Terra terem falado tão clara e vigorosamente sobre a responsabilidade dos pais para com os filhos.

Refiro-me ao documento emitido pela Primeira Presidência e o Conselho dos Doze Apóstolos intitulado "A Família Proclamação ao Mundo". Nesse documento, lemos:

"O marido e a mulher têm a solene responsabilidade de amar-se mutuamente e amar os filhos, e de cuidar um do outro e dos filhos. 'Os filhos são herança do Senhor.' (Salmos 127:3) Os pais têm o sagrado dever de criar os filhos com amor e retidão, atender a suas necessidades físicas e espirituais, ensiná-los a amar e servir uns aos outros, guardar os mandamentos de Deus e ser cidadãos cumpridores da lei, onde quer que morem. O marido e a mulher o pai e a mãe serão considerados responsáveis perante Deus pelo cumprimento dessas obrigações." (A Liahona, janeiro de 1996, p. 114.)

Essas são palavras sérias e sensatas, particularmente em face do ataque incessante do adversário aos valores tradicionais e do efeito que isso tem sobre a família. Tornou-se evidente que há muito o que fazer para reverter as tendências que continuam a colocar a família em risco.

Em desespero, a sociedade volta-se para saídas seculares. Organizam-se programas sociais, exigem-se do governo dinheiro público e projetos, numa tentativa de mudar as tendências destrutivas.

Embora se alcance algum sucesso aqui e ali, no geral, a tendência permanece alarmante. Proponho que, se alguma mudança verdadeira e permanente estiver para ocorrer, ela virá somente com o retorno a nossas raízes espirituais. Precisamos estar constantemente seguindo os conselhos dos profetas. De novo, cito a revelação atual sobre a família:

"A família foi ordenada por Deus. ( . . . ) Os filhos têm o direito de nascer dentro dos laços do matrimônio e de ser criados por pai e mãe que honrem os votos matrimoniais com total fidelidade. A felicidade da vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo.

O casamento e a família bem-sucedidos são estabelecidos e mantidos sob os princípios da fé, da oração, do arrependimento, do respeito, do amor, da compaixão, do trabalho e de atividades recreativas salutares.

Segundo o modelo divino, o pai deve presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los. A responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos. Nessas atribuições sagradas, o pai e a mãe têm a obrigação de ajudar-se mutuamente, como parceiros iguais. Enfermidades, falecimentos ou outras circunstâncias podem exigir adaptações específicas. Outros parentes devem oferecer ajuda quando necessário."

Ponderando essas palavras inspiradas reveladas em nossa época, reconheço a bênção de ter crescido num bom lar, um lar onde os pais estavam mais preocupados com os filhos que Deus lhes deu do que com alcançar a fama ou adquirir bens materiais.

Sou o segundo de um total de oito irmãos. Morávamos numa pequena fazenda no norte de Utah. O dinheiro era escasso e, assim, fui abençoado com a necessidade de aprender a trabalhar desde jovem. De fato, nossa limitada renda exigia que todos os filhos fossem econômicos e ajudassem nas finanças da família tão logo tivessem idade suficiente. A respeito de ficar à toa, meu pai costumava dizer: "Não há nada mais aborrecido que ficar à toa, porque não se pode parar para descansar".

Apesar de os tempos haverem mudado, os princípios permanecem os mesmos. Atualmente, os pais precisam dar a cada um dos filhos a oportunidade de contribuir para o bem-estar da família. Em uma família assim, os filhos são mais felizes e há um espírito de amor e união no lar.

Nessa pequena fazenda, aprendi que o dinheiro e os bens materiais não são a chave para a felicidade e o sucesso. É claro que deve haver o suficiente para as necessidades básicas, mas o dinheiro em si mesmo raramente, ou talvez nunca, resulta em felicidade.

Nossa fazenda também deu-nos a oportunidade de aprendermos a ser humildes. Se tínhamos uma boa plantação e os preços estavam altos, uma geada fora de hora ou uma tempestade de granizo conseguia cortar nossa renda ao ponto de termos apenas o suficiente para nossa subsistência.

Ouvi meu pai comentar mais de uma vez: "Não me importo de cursar a escola da vida da pior maneira; os meus freqüentes cursos de recuperação é que são difíceis".

Mesmo com as constantes dificuldades financeiras, tínhamos uma vida boa. Havia amor no lar. Nosso lar era o local onde queríamos estar. Foi bom para nós termos que passar sem algumas das coisas que desejávamos para que a necessidade de algum outro membro da família fosse atendida.

Os móveis de nossa sala de estar jamais serviriam para a capa de qualquer dessas revistas de decoração, mas tínhamos duas peças de mobília realmente importantes: um piano e uma estante de livros. Hoje vejo como esses dois bens, embora simples, foram significativos no desenvolvimento de talentos e interesses construtivos nos anos de nossa mocidade.

A influência da boa música e dos bons livros já atingiu a geração seguinte. Nem mesmo a televisão substituiu o piano e a estante de livros na vida de nossa família.

Também fomos abençoados com pais que trabalhavam como parceiros iguais na séria responsabilidade de criar os filhos. Aprendi muito observando meus pais ensinarem os filhos da maneira mais eficiente: pelo exemplo.

Meu pai ensinou-me:

# A importância do dever e da caridade, pois em várias ocasiões, vi-o deixar seu trabalho e ir ajudar membros da ala.

# A fé, por meio das orações que o ouvi fazer e das bênçãos do sacerdócio que dava aos membros da família e a outras pessoas.

# O amor, pois vi o carinho com que cuidava dos pais, que estavam idosos.

# A ter padrões, utilizando nossas experiências e os acontecimentos do dia-a-dia para ensinar-me qual era o caminho que esperava que eu seguisse.

# Responsabilidade, pois deu-me um despertador e cinco vacas para ordenhar e cuidar, de manhãzinha e à noite, durante meus anos no curso secundário.

Ensinou-me integridade, já que posso dizer com certeza que nunca o vi fazer algo desonesto.

Minha mãe também ensinou-me muitas coisas. Ela ensinou-me:

# A ser econômico, praticando o espírito do provérbio pioneiro: "Use até o fim tudo o que tem, faça funcionar ou passe sem".

# O sacrifício, pois muitas vezes a vi privar-se de algo em favor dos filhos.

# A castidade, pois, desde cedo, ela deixou bem claro que esperava que os filhos fossem moralmente limpos.

# A amar, pois eu via e sentia o amor materno em casa.

# A bondade, pois posso dizer com certeza que nunca a vi ser rude.

Agradeço ao Senhor pelos pais amorosos que me ensinaram valores espirituais e morais e que deixaram claro que na vida há certas regras absolutas, entre elas freqüência à Igreja, pagamento do dízimo, leitura das escrituras e respeito pelos pais e líderes da Igreja. E, mais importante, eles ensinaram pelo que faziam e não só pelo que diziam.

É crucial para o fortalecimento da família que se perceba que não se conseguem laços familiares fortes por acaso. Para isso, é preciso tempo. É preciso assumir o compromisso, é preciso orar e é preciso trabalho. Os pais têm de perceber qual é sua responsabilidade e estar dispostos a assumi-la. A alegria e felicidade que resultarão disso são indescritíveis.

Nosso querido profeta, o Presidente Gordon B. Hinckley, aconselhou: "Continuem a cuidar de seus filhos e a amá-los. ( . . . ) Dentre todos os seus bens, não há nada tão valioso quanto seus filhos". (Citado no Church News de 3 de fevereiro de 1996, p. 2.)

Deixo com vocês meu testemunho de que a proclamação sobre a família, a qual fiz referência anteriormente, é uma revelação moderna, que nos foi dada pelo Senhor por intermédio de Seus atuais profetas.

Deus vive, Jesus é o Cristo, esta é Sua Igreja dirigida por um profeta vivo. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

“Tem Bom Ânimo”

Ann M. Dibb
Segunda Conselheira na Presidência Geral das Moças

[As] diretrizes tiradas do livro de Josué vão contribuir conjuntamente para proporcionar a mais vigorosa fonte de coragem e força que existe: a fé em nosso Pai Celestial e em Seu Filho Jesus Cristo.

Ann M. Dibb. Muitas vezes, quando as Autoridades Gerais se dirigem aos irmãos do sacerdócio na conferência geral, normalmente começam dizendo que se sentem como se estivessem falando a um “poderoso exército” de vigorosos líderes do sacerdócio. Hoje, sinto-me como se estivesse diante de um “poderoso exército” de filhas eleitas de Deus. Vocês foram escolhidas para seguir adiante, ao lado desses valorosos portadores do sacerdócio, em retidão, nestes últimos dias. A visão que tenho de vocês é inspiradora e bela.

Gostaria de começar meu discurso analisando brevemente o contexto histórico de nosso tema, Josué 1:9: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares”.

Moisés foi o poderoso profeta que conduziu os filhos de Israel para fora da terra do Egito, onde eles tinham sido escravos e foram influenciados pela adoração de deuses falsos. Após 40 anos de provação no deserto, estavam mais próximos do que nunca de seu novo lar, onde poderiam ser livres para adorar o Deus verdadeiro e vivo. Quando Moisés morreu, Josué foi chamado por Deus para ser o profeta que completaria aquela jornada milagrosa.

Josué era um líder influente. O Bible Dictionary diz que ele era “o melhor exemplo de guerreiro devoto” e explica que seu nome significa “Deus é a salvação” (Bible Dictionary, “Joshua”). Sua liderança inspirada era muito necessária, porque ainda havia muitos rios a cruzar e batalhas a vencer, antes que tudo aquilo que o Senhor havia prometido aos filhos de Israel pudesse ser realizado e obtido.

O Senhor sabia que o profeta Josué e os filhos de Israel precisariam de muita coragem naquela época. No primeiro capítulo do livro de Josué, o Senhor disse várias vezes a ele: “Esforça-te, e tem bom ânimo”. A palavra “ânimo” ou coragem é definida como “força mental ou moral para perseverar e suportar o perigo, o medo ou as dificuldades” (“courage”, Webster’s Collegiate, 11ª ed., 2003, “courage”; grifo do autor). Por meio de sua coragem e obediência, Josué e os filhos de Israel conseguiram entrar na terra prometida e encontrar alegria nas bênçãos do Senhor.

Josué e os filhos de Israel viveram há muito e muito tempo, mas em nossos dias, também nos esforçamos para entrar numa “terra prometida”. Nossa maior meta é alcançar a vida eterna com nosso Pai Celestial. No primeiro capítulo do livro de Josué, encontramos quatro diretrizes seguras para ajudar-nos a vencer nossos obstáculos, completar nossa jornada e desfrutar as bênçãos do Senhor em nossa “terra prometida”.

Primeiro, no versículo 5, o Senhor promete a Josué: “Não te deixarei nem te desampararei”. Adquirimos coragem e força nessa promessa de que o Senhor estará sempre ao nosso lado e que nunca nos abandonará. Foi-nos ensinado que o Pai Celestial conhece e ama cada um de Seus filhos. Como uma de Suas preciosas filhas, você tem acesso a Seu consolo e Sua orientação por meio do poder da oração. Em Doutrina e Convênios lemos: “Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações”(D&C 112:10).

Creio nessas palavras e afirmo a vocês que o Pai Celestial realmente ouve e responde nossas orações, mas geralmente é preciso paciência enquanto “[esperamos] no Senhor” (Isaías 40:31). Ao ter que esperar, talvez comecemos a acreditar que fomos abandonadas, ou que nossas orações não foram ouvidas ou ainda que não somos dignas de obter resposta. Não é verdade. Adoro as palavras consoladoras do rei Davi: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmos 40:1).

Não importa o que você possa enfrentar em sua jornada pessoal, a primeira diretriz encontrada em Josué nos orienta a orar, a ser pacientes e a lembrar a promessa de Deus: “Não te deixarei nem te desampararei” (Josué 1:5).

A segunda diretriz se encontra no versículo 7, quando o Senhor diz a Josué: “[Tem] o cuidado de fazer conforme a toda a lei (…) dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares”. O Senhor instruiu Josué a ser estritamente obediente aos mandamentos e a não se desviar do caminho do Senhor. O Presidente Howard W. Hunter ensinou: “Josué sabia que sua obediência lhe proporcionaria sucesso e, embora não soubesse exatamente como teria sucesso, ele passou a ter confiança no resultado”. Certamente, as experiências dos grandes profetas, presentes nas escrituras, foram registradas — e preservadas — para ajudar-nos a compreender a importância de escolher o caminho da estrita obediência (“Commitment to God”, Ensign, novembro de 1982, pp. 57–58).

Há um mês, conversei com um grupo de moças. Perguntei às garotas mais velhas que conselho dariam a uma nova Abelhinha para ajudá-la a permanecer fiel e virtuosa em toda e qualquer situação. Uma moça disse: “Quando percorrer os corredores de sua escola, pode ser que você veja, com o canto dos olhos, algo que chame sua atenção, algo que não pareça correto. Você pode ficar curiosa e querer olhar. Meu conselho é: Não olhe. Garanto-lhe que vai arrepender-se caso o faça. Acredite em mim, simplesmente olhe para frente”.

Ao ouvir aquela moça, eu sabia que estava ouvindo o conselho que o Senhor deu a Josué — “Não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda” (Josué 1:7) — ser aplicado a uma situação atual do dia a dia. Moças, fujam das tentações que as cercam seguindo estritamente os mandamentos. Olhem diretamente para frente, para sua meta eterna. A segunda diretriz nos lembra que, se fizerem isso, serão protegidas e prudentemente conduzidas por onde quer que andarem (ver Josué 1:7).

No versículo 8, encontramos nossa terceira diretriz. Ali, o Senhor Se refere a um “livro [da] lei” e ordena Josué a “[meditar] nele dia e noite, para que [tenha] cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; (…) e serás bem-sucedido”. O Senhor instruiu Josué, e todos nós, a ler as escrituras. O estudo diário das escrituras, especialmente do Livro de Mórmon, estabelece um firme alicerce para o desenvolvimento do testemunho de Jesus Cristo e de Seu evangelho. Proporciona a presença do Espírito em sua vida. O Presidente Harold B. Lee aconselhou: “Se não lermos as escrituras diariamente, nosso testemunho se enfraquecerá e nossa espiritualidade não se aprofundará” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, 2000, p. 66).

Nas páginas das escrituras há inúmeras instruções, promessas, soluções e muitos lembretes que vão ajudar-nos em nossa jornada para a “terra prometida”. A terceira diretriz instrui-nos a ler as escrituras e meditar sobre elas diariamente para que alcancemos prosperidade e sucesso.

Depois que o Senhor terminou de falar com ele, Josué dirigiu-se aos filhos de Israel. Ao término de seu discurso, no versículo 16, os filhos de Israel responderam às palavras dele e nos proporcionaram nossa quarta diretriz. Disseram: “Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos”.

Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, temos a oportunidade de assumir esse mesmo compromisso de seguir nosso profeta, o Presidente Thomas S. Monson, que está aqui conosco. Por meio da oração e da confirmação do Espírito, cada uma de nós pode adquirir nosso próprio testemunho pessoal do profeta vivo. Esse testemunho cresce à medida que ouvimos, seguimos e temos a coragem de aplicar seus ensinamentos em nossa vida diária.

Ouvir o profeta e obedecer a seus conselhos permite que tenhamos acesso a bênçãos especiais. Ouçam algumas promessas proféticas que o Presidente Monson nos fez em nossa última conferência: “Que Deus os abençoe. Que a paz que Ele prometeu esteja com vocês agora e sempre” (“Comentários Finais”, A Liahona, novembro de 2009, p.110). “Grandes promessas nos aguardam se formos leais e fiéis” (“Amansa Teu Temperamento”, A Liahona, novembro de 2009, p. 69). “Invoco as bênçãos do céu sobre cada um de vocês” (A Liahona, novembro de 2009, p. 110).

Na semana que vem, na conferência geral, convido-as a ouvir as instruções e promessas que serão dadas por intermédio de nosso profeta e apóstolos. Depois, apliquem a quarta diretriz, assumindo o compromisso de seguir o conselho do profeta e reafirmando que “tudo quanto nos [ordenar] faremos, e onde quer que nos [enviar] iremos” (Josué 1:16).

Neste momento, essas quatro diretrizes: oração, obediência aos mandamentos de Deus, estudo diário das escrituras e o compromisso de seguir o profeta vivo podem parecer coisas pequenas e simples. Quero lembrar-lhes a escritura encontrada em Alma: “Eis que te digo que é por meio de coisas pequenas e simples que as grandes são realizadas” (Alma 37:6). Se as aplicarmos em nossa vida diária, essas quatro “pequenas e simples” diretrizes tiradas do livro de Josué vão contribuir conjuntamente para proporcionar a mais vigorosa fonte de coragem e força que existe: a fé em nosso Pai Celestial e em Seu Filho Jesus Cristo.

O Pai Celestial sabe que nossa jornada individual não é fácil. Enfrentamos todos os dias situações que exigem coragem e força. Um artigo publicado recentemente no jornal Church News confirma essa verdade:

“Há alguns meses, uma professora do curso médio começou a aula, certo dia, pedindo aos alunos que apoiavam determinada questão política que ficassem de um lado da sala, e os que se opunham a ela que ficassem do outro lado.

Depois que os alunos se colocaram em seus respectivos lados, a professora colocou-se entre os que se opunham. Escolhendo uma jovem do lado dos que apoiavam, a professora começou a atacar a moça e seus colegas, criticando o ponto de vista deles.

A jovem, que era uma Menina Moça em sua ala, absorveu os ataques contra suas crenças.

Permaneceu calma frente a um ataque público desferido por alguém que tinha autoridade” (“What Youth Need”, Church News, 6 de março de 2010, última capa).

Aquela moça demonstrou uma coragem extraordinária em seu próprio campo de batalha, que naquele dia acabou sendo a sala de aula de sua escola. Onde quer que estejam, seja o que for que enfrentem, espero que tirem vantagem das diretrizes encontradas no livro de Josué, para que possam confiar na promessa do Senhor: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares” (Josué 1:9).

Quero deixar com vocês meu testemunho de que o Pai Celestial conhece e ama cada uma de vocês. Ao se voltarem para Ele, Ele não as abandonará! Ele as abençoará com a força e a coragem necessárias para completarem sua jornada de volta à presença Dele. Tenho gratidão pelas escrituras e por exemplos vigorosos como o do profeta Josué. Sinto-me grata pelo Presidente Monson, que se empenha em guiar-nos em segurança de volta para nosso Pai Celestial. Oro para que, tal como os filhos de Israel, todas entremos em nossa “terra prometida” e encontremos alegria nas bênçãos do Senhor. Digo essas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nosso Dever Sagrado de Honrar as Mulheres

Élder Russell M. Nelson
Quórum dos Doze Apóstolos

Agradeçam ao Senhor por essas irmãs que nos amam, como o Pai Celestial, não somente pelo que somos, mas pelo que podemos ser.

Élder Russell M. Nelson. É uma alegria estar com vocês esta noite, irmãos, e é maravilhoso ver tantos rapazes com os pais. Estamos reunidos devido ao nosso desejo de escutar os líderes da Igreja. Mas esta congregação é única. Não vejo mães aqui, mas nenhum de nós poderia estar neste lugar sem uma mãe; contudo estamos todos aqui, sem nossa mãe.

Vim a esta reunião com um filho, genros e netos. Onde estão as mães? Reunidas na cozinha de nossa casa! O que estão fazendo? Assando várias fornadas de pãezinhos! Quando voltarmos para casa, teremos um delicioso lanche à nossa espera! Enquanto comermos, essas mães, irmãs e filhas ouvirão atentamente relatarmos as coisas que aprendemos aqui esta noite. É uma boa tradição familiar, simbolizando que tudo o que aprendemos e fazemos como portadores do sacerdócio deve abençoar nossa família.1

Falemos sobre nossas irmãs, essas mulheres dignas e maravilhosas, principalmente nossa mãe, e ponderemos nosso sagrado dever de honrá-las.

Quando eu era um jovem estudante universitário, um de nossos colegas implorou a alguns de nós, seus amigos da Igreja, que doassem sangue à sua mãe que estava com uma forte hemorragia. Fomos diretamente ao hospital para verificar nosso tipo sangüíneo e fazer alguns testes. Nunca esquecerei o choque que tivemos quando nos disseram que um dos doadores em potencial não estava apto a doar sangue por ser portador de uma doença venérea. O sangue infectado era o do rapaz que nos pedira a doação! Felizmente, sua mãe sobreviveu, mas jamais esquecerei a tristeza que aquele jovem sentiu e como foi duradoura. Teve que carregar a culpa de saber que sua imoralidade o impedira de prestar o auxílio necessário à mãe e aumentara sua tristeza. Aprendi uma grande lição: se alguém desonra os mandamentos de Deus, desonra a mãe e se alguém desonra a mãe, desonra os mandamentos de Deus.2

HONRAR A MATERNIDADE

Durante minha carreira profissional como médico, perguntaram-me algumas vezes por que eu havia escolhido um trabalho tão difícil. Respondi, dando minha opinião de que o mais importante e nobre trabalho desta vida é o trabalho de uma mãe. Como eu não dispunha dessa opção, pensei que cuidar dos doentes era o que mais se aproximava disso. Tentei cuidar dos meus pacientes com o mesmo carinho e competência com que minha mãe cuidou de mim.

Há muitos anos, a Primeira Presidência fez uma declaração que exerceu uma profunda e duradoura influência em minha vida. "A maternidade está a um passo da divindade. É o mais alto e sagrado serviço a ser realizado pela humanidade. Ela coloca a mulher que honra seu santo chamado e serviço ao lado dos anjos."3

Como as mães são essenciais ao grande plano de felicidade de Deus, seu santo trabalho enfrenta a oposição de Satanás, que deseja destruir a família e degradar o valor das mulheres.

Vocês, jovens, precisam saber que dificilmente conseguirão atingir seu mais alto potencial sem a influência de mulheres de bem, especialmente de sua mãe, e em poucos anos, de uma boa esposa. Aprendam agora a mostrar respeito e gratidão. Lembrem-se de que sua mãe é sua mãe. Ela não precisa dar ordens. Seu desejo, sua esperança, sua sugestão, devem servir-lhes de guia e vocês devem honrá-los. Agradeçam a ela e mostrem-lhe seu amor. Se ela estiver tentando criá-los sem o pai, é mais um motivo para honrá-la.

A influência de sua mãe irá abençoá-los por toda a vida, principalmente quando forem missionários. Há muitos anos, o Élder Frank Croft serviu no Estado do Alabama. Enquanto pregava o evangelho, foi capturado por uma gang de viciados para ser chicoteado nas costas. Mandaram que o Élder Croft tirasse o casaco e a camisa antes de ser amarrado a uma árvore. Ao fazê-lo, uma carta que recebera recentemente da mãe caiu de seu bolso. O desprezível líder da gang apanhou a carta. O Élder Croft fechou os olhos e orou silenciosamente. O ofensor, então, leu a carta da mãe do Élder Croft. Citarei um trecho:

"Meu amado filho, ( . . . ) lembre-se das palavras do Salvador quando disse: ( . . . ) 'Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.' Lembre-se também do Salvador na cruz que, enquanto sofria pelos pecados do mundo, proferiu estas palavras imortais: 'Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.' Com certeza, meu filho, aqueles que o estão maltratando ( . . . ) não sabem o que fazem ou não o fariam. Algum dia, em algum lugar, eles entenderão e sentirão vergonha do ato que praticaram e honrarão você pelo glorioso trabalho que está fazendo. Então, seja paciente, meu filho; ame os que o maltratam e dizem todo mal contra você, pois o Senhor o abençoará e magnificará. ( . . . ) Lembre-se também, meu filho, de que sua mãe ora por você dia e noite."

Enquanto aquele homem odioso lia a carta era observado pelo Élder Croft, lia uma ou duas linhas, depois, sentava-se e ponderava. O homem levantou-se, aproximou-se do prisioneiro e disse: "Companheiro, você deve ter uma mãe maravilhosa. Sabe, eu também tive uma." Depois, dirigindo-se à gang disse: "Homens, depois de ler a carta dessa mãe mórmon, simplesmente não posso ir em frente com isso. Talvez seja melhor soltá-lo". O Élder Croft foi solto sem um arranhão sequer.4

Somos imensamente gratos pelas mães e pais fiéis de nossos missionários maravilhosos. O amor que têm aos filhos é sublime.

HONRAR AS IRMÃS

Nós que possuímos o santo sacerdócio temos o sagrado dever de honrar as irmãs. Somos suficientemente crescidos para saber que é errado irritá-las. Nós respeitamos as irmãs, não somente em nossa família, mas todas as irmãs maravilhosas de nossa vida. Como filhas de Deus, o potencial delas é divino. Sem elas, a vida eterna seria impossível. Nossa grande preocupação por elas deveria ser fruto de nosso amor a Deus e da consciência do nobre papel que desempenham em Seu grande eterno plano.

Portanto, admoesto-os com relação à pornografia. Ela degrada as mulheres; é maléfica, contagiosa, destrutiva e viciante. O corpo possui meios de purificar-se dos efeitos nocivos de bebidas e alimentos contaminados, mas não pode vomitar o veneno da pornografia. Uma vez registrada, estará sempre sujeita à lembrança, emitindo flashes de imagens pervertidas na mente, com poder para desviá-los das coisas saudáveis da vida. Evitem-na como se fosse uma praga!

HONRAR A ESPOSA

Vocês, que ainda não são casados; pensem no futuro casamento. Escolham bem sua companheira. Lembrem-se das escrituras que ensinam a importância do casamento no templo:

"Na glória celestial há três céus ou graus;

E para obter o mais elevado, um homem precisa entrar nesta ordem do sacerdócio [que significa o novo e eterno convênio do casamento];

E se não o fizer, não poderá obtê-lo."5

As mais elevadas ordenanças da casa do Senhor são dadas ao marido e à mulher juntos e igualmente, do contrário, nada recebem!

Voltando ao passado, acho que o dia mais importante de minha vida foi o dia em que minha querida Dantzel e eu nos casamos no templo santo. Sem ela, eu não poderia receber as mais elevadas e duradouras bênçãos do sacerdócio. Sem ela, eu não seria o pai de nossos filhos maravilhosos e avô de nossos preciosos netos.

Como pais, nosso amor pela mãe de nossos filhos deve ser ilimitado. Devemos dar a ela a gratidão, o respeito e o louvor que ela merece. Maridos, para manter vivo o romance em seu casamento, tenham consideração por sua mulher e sejam bondosos com ela na terna intimidade de sua vida conjugal. Que seus pensamentos e ações inspirem confiança e fé. Que sua linguagem seja limpa e o tempo que passam juntos, edificante. Não deixem que nada na vida tenha prioridade sobre sua esposa -- nem seu trabalho, seu lazer ou hobby.

O casamento ideal constitui-se de uma verdadeira parceria entre duas pessoas imperfeitas, cada um tentando complementar o outro, guardar os mandamentos e fazer a vontade do Senhor.

OS PAIS PRESIDEM A FAMÍLIA COM AMOR

A família é a unidade mais importante da sociedade e da Igreja. É ordenada por Deus e é a parte central de Seu plano para o destino eterno de Seus filhos.6 "Deus estabeleceu as famílias para proporcionar alegria a Seus filhos, para permitir que aprendam princípios corretos numa atmosfera de amor e para prepará-los para a vida eterna."7

Os pais têm a responsabilidade pelo bem-estar dos filhos.8 A Igreja não substitui a responsabilidade dos pais. Idealmente, a família SUD é presidida por um homem digno que seja portador do sacerdócio. Essa autoridade patriarcal tem sido honrada pelo povo de Deus em todas as dispensações. Sua origem é divina e essa união, quando selada pela autoridade adequada, continuará por toda a eternidade. Aquele que é Pai de todos nós e a fonte dessa autoridade ordena que o governo do lar seja feito com amor e retidão.9

Vocês, pais, podem ajudar a lavar os pratos, a cuidar de um bebê que chora e a trocar uma fralda, e que tal se num domingo desses, aprontassem as crianças e sua mulher fosse para o carro e ficasse buzinando.

"Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela."10 Com esse tipo de amor, irmãos, seremos maridos e pais melhores, líderes mais amorosos e espirituais. Será mais provável conseguir a felicidade no lar se as ações das pessoas estiverem alicerçadas nos ensinamentos de Jesus Cristo.11 A responsabilidade de garantir que a oração familiar, o estudo das escrituras e a noite familiar sejam feitos é nossa. A responsabilidade de preparar nossos filhos para receberem as ordenanças da salvação e exaltação e as bênçãos prometidas aos que pagam o dízimo também é nossa. É nosso privilégio dar bênçãos do sacerdócio, (de cura, consolo e orientação).

O lar é um grande laboratório de amor. Nele os ingredientes químicos puros do egoísmo e da cobiça são derretidos no cadinho da cooperação para produzir a genuína solicitude e amor de uns pelos outros.12

Honrem as irmãs que tenham um papel importante em sua vida, irmãos. Demonstrem o amor que têm à sua mulher, sua mãe e irmãs. Louvem-nas pela paciência com que os tratam, mesmo quando vocês não estão se comportando como deveriam. Agradeçam ao Senhor por essas irmãs que nos amam, como o Pai Celestial, não somente pelo que somos, mas pelo que podemos ser. Humildemente agradeço a Deus por minha mãe, minhas irmãs, minhas filhas, minhas netas e por minha terna e querida companheira e amiga: minha mulher!

Que o Senhor nos abençoe para que honremos cada mulher virtuosa, eu oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

NOTAS

1. Ver D&C 23:3.
2. Muitas escrituras ensinam-nos a honrar nossos pais. Ver Ex. 20:12; Deut. 5:16; Mat. 15:4; 19:19; Marcos 7:10; 10:19; Lucas 18:20; Efésios 6:2; 1 Né. 17:55; Mosias 13:20; TJS Mateus 19:19; TJS Marcos 7:12.
3. Conforme citado em A Liahona, janeiro 1998, p. 36. [James R. Clark, comp., Messages of the First Presidency of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 6 vols., (1965­1975), 6:178.] Em 1935, a Primeira Presidência declarou: "O verdadeiro espírito de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias concede à mulher a mais elevada posição de honra na vida humana." (Messages of the First Presidency, 6:5)
4. Ver Arthur M. Richardson, The Life and Ministry of John Morgan (1965), pp. 267­268.
5. D&C 131:1­3.
6. Ver "A Família: Proclamação ao Mundo", A Liahona, janeiro 1996, p.114, parágrafos 1 e 7.
7. Guia da Família, iv.
8. Ver D&C 68:25­28.
9. Ver D&C 121:41­45.10. Efésios 5:25.
11. A Liahona, janeiro 1996, p. 114.
12. Ver Mosias 4:14­15; D&C 68:25­31.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Crescer no Sacerdócio

Élder Joseph B. Wirthlin
Quórum dos Doze Apóstolos

A Expiação de Jesus Cristo deu ao Salvador o poder de ajudá-los a crescer até que se tornem o rapaz que Ele sabe que podem ser.

Élder Joseph B. Wirthlin. Sinto-me muito humilde por esta grande responsabilidade de dirigir-me a este grupo de irmãos portadores do sacerdócio de Deus. Oro sinceramente para que o Espírito do Senhor esteja conosco de modo que minhas palavras penetrem no fundo de seu coração.

Gosto muito de falar aos irmãos do sacerdócio, em especial aos jovens de nossa Igreja que possuem o Sacerdócio Aarônico. Acreditem ou não, não me parece fazer muito tempo desde que eu era um rapaz. Quando eu era diácono, começaram a surgir os primeiros sinais ameaçadores da Grande Depressão. Dezenas de milhares perderam o emprego. O dinheiro era pouco. As famílias passavam necessidades. Alguns rapazes não podiam perguntar à mãe: "O que vamos ter para o jantar?" porque sabiam muito bem que quase não havia comida em casa.

Meus pais eram muito trabalhadores. Eles faziam cada centavo valer o máximo possível. Esse provavelmente era o motivo por que tudo o que eu ganhava deles sempre era dois ou três números maior do que o meu.

Eu tinha 12 anos quando ganhei meus primeiros patins. Eles eram tão grandes que tive de enchê-los com algodão para poder usá-los.

Quando os tirei da caixa, eu disse: "Mãe, não vou conseguir patinar com eles".

"Fique grato pelo que tem, Joseph", disse ela. E depois, veio a frase que eu já me acostumara a ouvir: "Não se preocupe, você vai crescer e eles vão servir".

Um ano depois, o que eu mais queria ganhar eram ombreiras e um capacete de futebol americano. Na manhã de Natal, eu abri meus presentes e lá estavam eles: Um par de ombreiras e um capacete. Mas eram para alguém do tamanho de Golias, que por sinal, tinha 6 cúbitos, ou seja, quase três metros de altura.

"Mãe, são muito grandes", disse eu.

"Seja grato pelo que tem, Joseph", disse ela novamente. "Não se preocupe, você vai crescer e eles vão servir."

Antes de entrar para o curso secundário, eu jogava muito futebol americano no bairro. Quando vesti o novo uniforme, as ombreiras ficavam dependuradas de tal forma que praticamente a única coisa que protegiam eram meus cotovelos.

Mesmo enchendo o capacete de algodão e jornal, ele ainda ficava bambo e balançava a cada passo que eu dava. Quando eu corria, ele ia virando, virando, até que a única maneira de eu poder enxergar para onde estava indo era olhar através do buraco da orelha.

Certa vez, corri a toda velocidade com a bola para marcar um ponto e acabei dando de cara com uma árvore. Toda vez que eu era jogado ao solo, o capacete virava 180 graus, e eu levantava do chão como se minha cabeça tivesse virado junto com ele. Daí, eu tinha que recolocar o algodão e os jornais no lugar, da melhor forma que pudesse, pôr o capacete na cabeça e voltar correndo para junto dos outros.

Meu pai era um homem muito grande. Lembro-me de ter calçado um dia os seus sapatos. Fiquei impressionado com o tamanho deles. Perguntei a mim mesmo: Será que algum dia eu serei grande o suficiente para que esses sapatos me sirvam? Será que chegarei a ficar da altura do meu pai?

Relembro aqueles dias com carinho. Por estranho que pareça, também me lembro com carinho das palavras encorajadoras de minha mãe: "Não se preocupe, Joseph, você vai crescer e eles vão servir".

De modo semelhante, todos precisamos aprender como "crescer" e ficar à altura de nossas responsabilidades como portadores do sacerdócio.

AS GRANDES OPORTUNIDADES DA JUVENTUDE

Em primeiro lugar, quero dizer a vocês, rapazes, que o Senhor Se preocupa com vocês. Ele os ama. Ele os conhece. Ele conhece suas vitórias e derrotas, seus sucessos e suas tristezas.

Ele sabe que às vezes vocês talvez considerem os problemas que estejam enfrentando demasiadamente grandes para resolverem. Mas Ele está disposto e pronto a ajudá-los enquanto crescem e se tornam os homens que devem ser.

Talvez imaginem às vezes que os deveres que têm como portadores do Sacerdócio Aarônico sejam insignificantes, mas eu lhes asseguro que não são.

Tudo o que fazem no Sacerdócio Aarônico tem um propósito espiritual e é importante para o Senhor. Sempre que exercem o sacerdócio, estão a serviço do Senhor, fazendo o que Ele faria se estivesse aqui. Vocês estão atuando como Seus servos, tendo a autoridade para agir em nome Dele.

Lembro-me quando meu pai, que também era o bispo, colocou as mãos em minha cabeça para conferir-me o Sacerdócio Aarônico. Senti algo especial naquele dia. Nas semanas que se seguiram, aquele sentimento voltou quando distribuí os emblemas do sacramento para os membros de nossa ala, que eram pessoas que eu respeitava. Veio-me à mente a lembrança de que eu estava fazendo exatamente a mesma coisa que o Salvador tinha feito na Última Ceia.

Quero compartilhar com vocês cinco princípios que, se forem colocados em prática e incorporados à sua vida enquanto jovens, irão garantir felicidade e paz em toda a sua vida, sejam quais forem as provações e tentações que tiverem de enfrentar. Esses princípios foram revelados pelo Senhor como conselhos, a todos nós que estamos nos esforçando para crescer e para tornarmo-nos o tipo de homens que Ele gostaria que fôssemos.

CINCO PRINCÍPIOS PARA OS PORTADORES DO SACERDÓCIO AARÔNICO

Primeiro: Coloque o Pai Celestial em primeiro lugar na sua vida. Lembro-me das palavras de Alma a seu filho Helamã: "Oh! lembra-te, meu filho, e aprende sabedoria em tua mocidade; sim, aprende em tua mocidade a guardar os mandamentos de Deus!"1 O Salvador lembrou-nos dessa prioridade quando ensinou o primeiro e maior de todos os mandamentos: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento".2

É essencial que saibamos e compreendamos que nosso Pai Celestial nos ama como filhos Seus, porque Ele é o Pai de nosso espírito. Isso torna-nos literalmente Seus filhos, gerados espiritualmente Dele.

Como tal, herdamos o potencial de tornar-nos semelhantes a Ele. Seu maior desejo é que cresçamos na vida, linha sobre linha, e nos tornemos mais semelhantes a Ele, até que um dia possamos voltar à Sua presença. Lembrem que a obra e glória de Deus é levar a efeito a nossa imortalidade e vida eterna.3

O amor que Deus tem por nós e por toda a humanidade é completo e ilimitado.4 Ele é perfeitamente justo5, mas também é perfeitamente misericordioso.6 Ele é perfeitamente bondoso7 e compreende perfeitamente nossa situação e condições. Ele conhece-nos melhor do que nós mesmos.

Por Ele ser perfeito, podemos ter plena fé em Deus. Podemos confiar Nele. Podemos guardar Seus mandamentos, se nos esforçarmos para isso.

"Você quer dizer todos os mandamentos de Deus?" vocês poderiam perguntar. Sim! Todos eles!

Joseph Smith disse: "[Deus] jamais instituiu ou jamais instituirá uma ordenança ou dará mandamento algum a Seu povo, que em sua natureza não tenha por objetivo promover essa felicidade que Ele designou, que não resulte em maior bem e glória para aqueles que recebem Sua lei e ordenanças".8

Os mandamentos de Deus não são dados para nos limitar ou punir. São exercícios que edificam o caráter e santificam a alma. Se os desprezarmos, ficaremos espiritualmente moles, fracos e sem defesa. Se os guardarmos, iremos tornar-nos gigantes espirituais, fortes e destemidos na retidão.

Vocês reservam um tempo todos os dias para analisar com o Pai Celestial as coisas que fizeram durante o dia? Expressam a Ele o desejo de seu coração e sua gratidão pelas bênçãos que Ele lhes concede?

A obediência diária aos mandamentos de Deus é indispensável, nos protege na mortalidade e nos prepara para a incomensurável aventura que nos espera do outro lado do véu.

Segundo: acheguem-se a Cristo e sigam-No como seu Salvador e Redentor. Podemos achegar-nos a Cristo aprendendo a amá-Lo e estudando as escrituras diligentemente. Como podemos demonstrar nosso amor pelo Salvador? Ele deu-nos a resposta: "Se me amais, guardai os meus mandamentos".9

Todos vocês podem ler um pouco das escrituras todos os dias. Vocês devem passar algum tempo ponderando e estudando as escrituras. É melhor ler e ponderar um versículo que seja do que nenhum. Desafio cada rapaz a ler um pouco das escrituras todos os dias pelo restante de sua vida. Poucas coisas que venham a fazer irá lhes proporcionar mais bênçãos do que isso.

Aprendam a respeito de Seu Salvador. No Jardim do Getsêmani, Jesus Cristo sofreu mais do que podemos compreender. Voluntariamente e com grande amor, Ele tomou sobre Si não apenas os nossos pecados, mas também as dores, enfermidades e sofrimentos de toda a humanidade.10 Ele sofreu de modo semelhante na cruz, onde deu a vida para pagar o preço de nossos pecados, se nos arrependermos. E então, em Sua vitória final, Ele ressuscitou e rompeu as cadeias da morte, proporcionando a Ressurreição a todos.

A Expiação de Jesus Cristo deu ao Salvador o poder de ajudá-los a crescer até que se tornem o rapaz que Ele sabe que podem ser. É por meio do arrependimento que a Expiação tem efeito em sua vida.

Quanto mais compreenderem a Expiação e o que ela significa, é menos provável que caiam vítimas das tentações do adversário. Nenhuma outra doutrina terá maiores resultados em melhorar o comportamento e fortalecer o caráter do que a doutrina da Expiação de Jesus Cristo. Ela é o ponto central do plano de Deus e a coisa mais importante do evangelho restaurado.

Presto meu sincero testemunho como testemunha especial de que sei que Jesus é o Cristo, o Unigênito do Pai, o Criador do céu e da Terra, e nosso Senhor e Salvador.

Terceiro: Sejam dignos da companhia do Espírito Santo. O dom do Espírito Santo é um dos dons mais preciosos que podemos receber na mortalidade. O Espírito Santo pode tornar-Se a luz que orienta nossa vida. O Espírito Santo "vos mostrará todas as coisas que deveis fazer".11 O Espírito Santo pode ajudá-los em tudo o que fizerem, inclusive na escola e quando estiverem com seus amigos.

No entanto, a principal missão do Espírito Santo é prestar testemunho de nosso Pai Celestial e Seu Amado Filho, Jesus Cristo. Se forem cuidadosos no cumprimento do mandamento, o Espírito Santo irá ajudá-los a aprender mais a respeito do Pai Celestial e Jesus Cristo. Ele irá iluminar sua mente quando ponderarem e estudarem as escrituras a cada dia.

Os sussurros do Espírito Santo podem chegar até vocês como aquela voz mansa e delicada. Vocês não poderão crescer e tornar-se o homem que devem ser a menos que antes se elevem acima do mundo que clama por sua atenção. Por exemplo: Algumas das músicas do mundo são degradantes, vulgares e inadequadas e irão impossibilitá-los de ouvir os sussurros do Espírito Santo. Introduzir em seu corpo substâncias que foram proibidas pelo Senhor na Palavra de Sabedoria irá impedi-los de sentir e reconhecer os sussurros do Espírito Santo.

Deixar de viver uma vida limpa e casta é algo que abafa os sussurros do Espírito. Elevem seus pensamentos acima daquilo que é vulgar e imoral. Não assistam a programas de televisão e filmes questionáveis, não entrem em sites da Internet pecaminosos e, afastem-se de toda forma de entretenimento que mostre ou incentive a imoralidade e a violência. Fujam da pornografia como se fosse uma doença mortal e contagiosa. Vocês não podem permitir que se tornem escravos e cativos desse vício. Isso irá afastar o Espírito Santo e Sua influência de sua vida.

Quarto: Amem e respeitem Joseph Smith como o grande profeta da Restauração. Desde a minha juventude, sempre fiquei impressionado com o fato de nosso Pai Celestial e Seu Amado Filho, Jesus Cristo, terem respondido à oração sincera de um menino de quatorze anos que estava em busca da verdade. Assim como respondeu à oração de Joseph Smith, nosso Pai Celestial irá responder a suas orações, em Seu próprio tempo e à Sua própria maneira.

Ao aprenderem mais a respeito do Profeta Joseph, vocês ficarão sabendo que por meio dele a plenitude do evangelho eterno foi restaurada, inclusive as chaves do sacerdócio. Além disso, aprenderão a respeito da grandiosidade de seu espírito, da compaixão que sentia pelos que sofriam, sua compreensão dos mistérios do céu e os procedimentos de nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo para com os homens.

Quanto mais aprendo a respeito do Profeta Joseph, mais o amo, mais desejo seguir seu exemplo, mais dou valor ao que nosso Pai Celestial e Seu Filho fizeram para restaurar este evangelho que irá encher a Terra nestes últimos dias.

Quinto: Amem e sigam o profeta vivo de Deus e sejam leais a ele. O Presidente Gordon B. Hinckley é o sucessor e o portador das chaves do sacerdócio que foram restauradas ao Profeta Joseph Smith. Na mortalidade, apenas um homem por vez possui e exerce todas as chaves do sacerdócio. Atualmente, esse homem é o Presidente Gordon B. Hinckley.

Sigam os ensinamentos de nosso profeta atual. Ele é inspirado pelo Senhor a ensinar-nos as coisas de que necessitamos para viver uma vida feliz e digna.

AMOR PELOS RAPAZES DO SACERDÓCIO AARÔNICO

Meus maravilhosos jovens irmãos no evangelho, tenho muito amor e respeito por vocês! Já lhes foi dito antes e repito: Vocês são uma geração escolhida. Foram levantados pelo Senhor para levar Sua Igreja e reino adiante no século vinte e um. Foram escolhidos pelo Senhor para nascer na Terra numa época em que a iniqüidade e o mal imperam. Mas vocês estão à altura do desafio.

O Presidente Gordon B. Hinckley disse: "Tenho todo motivo para considerá-los a maior geração que já tivemos nesta Igreja, não obstante todas as tentações que enfrentam".12

Isso não significa que não terão tristezas, obstáculos e provações na vida. Desde a época em que eu enchi meus patins de algodão e vesti ombreiras e um capacete grandes demais, minha vida foi repleta de experiências e dificuldades que me pareceram demasiadamente grandes para mim. Mesmo hoje, não posso deixar de sentir ocasionalmente que o tamanho do manto que me foi pedido que vestisse talvez seja grande demais para mim.

Mas todos os dias, procuro colocar o Pai Celestial em primeiro lugar em minha vida. Procuro achegar-me a Cristo e segui-Lo como meu Salvador e Redentor. Procuro ser digno da companhia do Espírito Santo. Procuro amar e respeitar o Profeta Joseph. E procuro seguir o profeta atual de Deus. Ao fazer essas coisas, sinto-me confiante de que o Senhor irá me abençoar.

Mesmo após todos esses anos, ainda posso ouvir a voz de minha mãe, dizendo: "Seja grato pelo que tem, Joseph. Não se preocupe, você vai crescer e ficar à altura do seu chamado".

Oro para que todos possamos crescer no sacerdócio e nos tornar o tipo de homens que nosso Pai Celestial deseja que sejamos. É minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

NOTAS

1. Alma 37:35.
2. Mateus 22:37.
3. Moisés 1:39.
4. João 3:16.
5. 2 Néfi 9:17; Mosias 29:12.
6. Deuteronômio 4:31; Alma 42:15.
7. Isaías 54:8; 3 Néfi 22:8.
8. Ver Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 250.
9. João 14:15.
10. Alma 7:11­12.
11. 2 Néfi 32:5.
12. "'You Live in Greatest Age of World', Pres. Hinckley Tells Spokane Youth", Church News, 4 de setembro de 1999, p.3.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Conselho aos Rapazes

Presidente Boyd K. Packer
Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos

A certeza das verdades do evangelho, uma vez que as compreendamos, ajuda-nos a vencer as dificuldades.

Presidente Boyd K. PackerOs rapazes falam sobre o futuro porque não têm passado, e os homens mais velhos falam do passado porque não têm futuro. Sou um homem mais velho, mas vou falar aos rapazes do Sacerdócio Aarônico sobre o futuro deles.

O Sacerdócio Aarônico que vocês possuem foi restaurado por um mensageiro angelical. “A ordenação foi feita pelas mãos de um anjo que se anunciou como João, o mesmo que é chamado João Batista no Novo Testamento. O anjo explicou estar agindo sob a direção de Pedro, Tiago e João, os Apóstolos antigos que possuíam as chaves do sacerdócio maior, o qual era chamado Sacerdócio de Melquisedeque.”1

“O poder e autoridade do menor, ou seja, do Sacerdócio Aarônico, é possuir as chaves do ministério de anjos e administrar as ordenanças exteriores, a letra do evangelho, o batismo de arrependimento para remissão de pecados, conforme os convênios e mandamentos”.2

Vocês foram ordenados a um ofício no sacerdócio de Deus e receberam autoridade divina que reis, magistrados e grandes homens deste mundo não possuem nem podem possuir a menos que se humilhem e entrem pela porta que leva à vida eterna.

Existem muitos relatos nas escrituras sobre rapazes que prestaram serviço. Samuel serviu no tabernáculo com Eli.3 Davi era um rapaz quando enfrentou Golias.4 Mórmon começou a servir quando tinha 10 anos.5 Joseph Smith tinha 14 anos quando teve a Primeira Visão.6 E Cristo tinha 12 anos quando ensinou os sábios no templo.7

Paulo disse ao jovem Timóteo: “Ninguém despreze a tua mocidade”.8

Quando comecei a carreira de professor, o Presidente J. Reuben Clark Jr., Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, havia falado aos professores. Suas palavras penetraram meu coração e têm-me influenciado desde aquela ocasião.

O Presidente Clark descreveu a juventude como sendo “[ávida] por aprender o evangelho”. Ele disse: “Querem recebê-lo sem rodeios, em toda sua pureza”. Querem conhecer “(nossas crenças); querem conseguir o testemunho de que são verdadeiros. Não é que duvidem, mas são inquiridores, estão em busca da verdade”.

O Presidente Clark continuou: “Não precisam chegar de mansinho, por trás desses jovens espiritualmente experientes e sussurrar religião aos seus ouvidos. Podem ser diretos e falar com eles face a face. (…) podem apresentar-lhes essas verdades abertamente. (…) Não há necessidade alguma de uma abordagem gradual”.9

Desde aquela época, venho ensinando os jovens da mesma maneira que ensino os adultos.

Há algumas coisas que vocês precisam compreender.

O sacerdócio não é algo que possam ver, ouvir ou tocar, mas é uma autoridade real e um poder real.

Quando eu tinha cinco anos, fiquei muito doente. Descobriram que eu tinha poliomielite, doença completamente desconhecida para o médico da minha pequena cidade. Fiquei deitado por semanas em uma cama de campanha no quarto da frente, ao lado de um fogareiro a carvão. Depois, eu não conseguia andar. Lembro-me claramente de deslizar pelo piso de linóleo e de me esticar para subir nas cadeiras e, de reaprender a andar. Tive mais sorte do que outros. Um amigo meu continuou usando muletas e aparelhos ortopédicos por toda vida.

Quando comecei a frequentar a escola, percebi que meus músculos eram muito frágeis. Eu tinha plena consciência de que nunca poderia ser um atleta.

Não me ajudou nada a história que li a respeito do homem que foi ao médico em busca de cura para seu complexo de inferioridade. Depois de examinar o homem, o médico lhe disse: “Você não tem complexo de inferioridade. Você é inferior!”

Com esse tipo de estímulo, prossegui com a vida, determinado a compensar a deficiência de alguma forma.

Encontrei esperança em minha bênção patriarcal. O patriarca, que eu nunca vira antes, deu-me razão para confirmar que os patriarcas têm mesmo visão profética. Ele disse que eu tive o desejo de vir à Terra e estava disposto a enfrentar os desafios que a vida terrena apresentasse a este corpo mortal. Disse ainda que eu recebera um corpo de proporções físicas e habilidades apropriadas ao funcionamento do meu espírito, sem dificuldades anatômicas impeditivas. Essas palavras me deram ânimo.

Aprendi que devemos sempre cuidar do nosso corpo. Nunca permitam que entre em seu organismo nada que o prejudique, como nos aconselha a Palavra de Sabedoria: chá, café, álcool, fumo ou qualquer coisa que crie dependência, vicie ou cause danos.

Leiam a seção 89 de Doutrina e Convênios. Nela se encontram grandes promessas: “Todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos;

E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos;

E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão”.

Então vem esta promessa: “E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará”.10

Talvez vocês pensem que outras pessoas têm um corpo mais perfeito do que o seu. Não caiam na armadilha de sentirem-se inadequados por causa da sua altura, do peso ou das suas características, nem pela cor da pele ou pela raça.

Vocês são filhos de Deus. Cada um, individualmente, viveu no mundo pré-mortal como filho espiritual de pais celestes. Quando nasceram, receberam um corpo mortal de carne, sangue e ossos com o qual passarão pelas experiências da vida terrena. Vocês serão testados durante a preparação para voltar à presença do Pai Celestial.

Faço-lhes a mesma pergunta que Paulo dirigiu aos Coríntios: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”11

O sexo, masculino ou feminino, foi determinado na existência pré-mortal. Vocês nasceram homens. Devem apreciar e proteger a sua natureza masculina. E devem ter consideração e respeito por todas as mulheres e moças, e protegê-las.

Não abusem de si mesmos. Nunca permitam que outros toquem seu corpo de maneira indigna e não toquem em ninguém indignamente.

Evitem o veneno mortal da pornografia e dos narcóticos. Se já experimentaram, cuidado! Se continuarem usando, essas coisas destruirão vocês. Conversem com seus pais e com seu bispo. Eles saberão como ajudá-los.

Não enfeitem seu corpo com tatuagens, nem o perfurem com piercings. Afastem-se dessas coisas.

Não andem com amigos que preocupem seus pais.

Por todo lado está presente a influência de Lúcifer e de sua legião de anjos. Eles tentam vocês para que façam ou digam coisas destrutivas, ou que pensem nelas. Resistam a qualquer impulso que perturbe seu espírito.12

Vocês não devem temer. O Profeta Joseph Smith ensinou que “todos os seres com corpos possuem domínio sobre os que não os têm”.13 E Leí ensinou que “os homens são ensinados suficientemente para distinguirem o bem do mal”.14 Lembrem-se: o poder que seu espírito encontra na oração os protegerá.

Lembro-me de quando fui “[batizado] por imersão para a remissão de pecados”.15 Aquilo foi convidativo. Entendi que todos os meus erros passados haviam sido lavados e que, se eu nunca mais errasse na vida, continuaria limpo. Foi o que resolvi fazer, mas não funcionou como eu pensava. Descobri que cometia erros; sem intenção, mas os cometia. Cheguei a pensar erroneamente que fora batizado cedo demais. Eu não compreendia que a ordenança do sacramento, administrada por vocês do Sacerdócio Aarônico é, de fato, a renovação do convênio do batismo e a reinstituição das bênçãos ligadas a ele. Não percebia, como nos informa a revelação, que eu poderia “[conservar] a remissão de [meus] pecados”.16

Se cometeram pecado ou mal, devem saber mais sobre o poder da Expiação: como ela atua. E com um arrependimento profundo e sincero, poderão dar vazão a esse poder. Ele é capaz de lavar os pequenos erros, e esfregando-os e lavando-os bem, é capaz de limpar as transgressões graves. Não existe nada de que não possa ser perdoado.

O Espírito Santo estará sempre com vocês, pois lhes foi conferido por ocasião do batismo e da confirmação.

Eu era sacerdote no Sacerdócio Aarônico, quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Fui ordenado Élder quando todos estávamos sendo enviados para a guerra.

Eu sonhava em seguir o exemplo do meu irmão, Leon, que na época pilotava bombardeiros B-24 na Batalha da Grã-Bretanha. Apresentei-me como voluntário para o treinamento de pilotos da força aérea.

Por um ponto, fui reprovado no exame escrito. Mas o sargento se lembrou que havia várias perguntas de dois pontos e que se eu tivesse meio ponto em duas delas, eu passaria.

Parte da prova era de múltipla escolha. Uma pergunta dizia: “Para que serve o etilenoglicol?” Se não tivesse trabalhado no posto de gasolina do meu pai, não saberia que ele é usado como anticongelante em automóveis. Então passei raspando.

Orei para passar no exame médico. Acabou sendo um exame rotineiro.

Vocês, rapazes, não devem reclamar dos estudos. Não se envolvam tanto com os aspectos técnicos a ponto de deixar de aprender coisas práticas. Tudo de prático que puderem aprender — em casa, na cozinha, no quintal — será benéfico a vocês. Nunca reclamem dos estudos. Estudem muito e frequentem as aulas.

“A glória de Deus é inteligência ou, em outras palavras, luz e verdade”.17

“Qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.18

Devemos aprender sobre “coisas que estão no alto e coisas que estão em baixo, coisas que estão dentro da terra e sobre a terra e nos céus”.19

Podem aprender a consertar e pintar as coisas, e mesmo a serrar e exercer qualquer outra atividade prática. Vale a pena. Se não for útil a você especificamente, será benéfico quando estiverem servindo os outros.

Acabei indo para o Oriente como piloto do mesmo tipo de avião que meu irmão pilotava na Inglaterra. Minha missão, então, foi a de ensinar o evangelho no Japão, como militar.

Talvez o desafio mais difícil da guerra seja viver com a incerteza, sem saber como terminará ou se prosseguiremos com a vida.

Recebi um pequeno exemplar do Livro de Mórmon para soldados, que cabia no bolso. Eu o levava por todo lado; lia-o sempre, e ele tornou-se parte de mim. As perguntas que eu tinha se transformaram em certeza.

A certeza das verdades do evangelho, uma vez que as compreendamos, ajuda-nos a vencer as dificuldades.

Levou quatro anos para podermos voltar à vida normal. Mas eu havia aprendido e tinha um firme testemunho de que Deus é nosso Pai, que somos Seus filhos, e que o evangelho restaurado de Jesus Cristo é verdadeiro.

A sua geração está cheia de incertezas. A vida de diversão, de jogos e de brinquedos caros terminou abruptamente. Passamos de uma geração de conforto e diversão para uma geração de trabalho árduo e responsabilidade. Não sabemos quanto tempo isso vai durar.

A realidade da vida agora faz parte de suas responsabilidades do sacerdócio. Não lhes fará mal passar sem algo que desejam. O amadurecimento e a disciplina serão benéficos a vocês. Isso lhes assegurará uma vida bem-sucedida e uma família feliz. Tais provações vêm com a responsabilidade do sacerdócio.

Alguns de vocês moram em países em que o que comem e o que vestem depende do que a sua família é capaz de produzir. Pode ser até que a sua contribuição faça diferença para que o aluguel seja pago ou haja alimento e abrigo para sua família. Aprendam a trabalhar e a ajudar.

O próprio alicerce da vida humana, de toda a sociedade, é a família, estabelecida pelo primeiro mandamento dado a Adão e Eva, nossos primeiros pais: “Multiplicai-vos, e enchei a terra”.20

Daí proveio o mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.21

Que cada um seja um membro responsável da família. Cuidem do que têm — suas roupas, seus pertences. Não sejam esbanjadores. Aprendam a se contentar com o que têm.

Pode parecer que o mundo esteja em convulsão, e realmente está! Pode parecer que há guerras e rumores de guerras; e há! Pode parecer que o futuro trará provações e dificuldades para vocês; e ele trará! No entanto, o temor é o oposto da fé. Não tenham medo. Eu não tenho.

Ao meio-dia de hoje, quatro netos foram visitar-nos. Três deles tinham belas jovens a seu lado — um falou sobre o casamento que se aproximava, dois contaram sobre seu noivado, e o que estava só, falou de seu chamado missionário para o Japão. Conversamos com eles sobre o fato de que um dia cada um de vocês levará uma filha pura e preciosa de nosso Pai Celestial ao templo para serem selados para esta vida e para toda a eternidade. Esses netos devem saber o que Alma ensinou: que o plano do evangelho é “o grande plano de felicidade”22 e que a felicidade é o objetivo de nossa existência. Disso presto testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas

1. Cabeçalho D&C 13.

2. D&C 107:20.

3. Ver I Samuel 1 :24–28.

4. Ver I Samuel 17.

5. Ver Mórmon 1:2.

6. Ver Joseph Smith — História 1:7.

7. Ver Lucas 2:41–52.

8. I Timóteo 4:12.

9. J. Reuben Clark, Jr., O Curso Traçado para a Igreja nos Assuntos Educacionais (discurso aos líderes do seminário e instituto de religião, em Aspen Grove, Utah, em 8 de agosto de 1938, livreto, 2004), pp. 3, 9–10.

10. D&C 89:18–21.

11. I Coríntios 6:19.

12. Ver Morôni 7:17.

13. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (curso de estudos do Sacerdócio de Melquisedeque e da Sociedade de Socorro, 2007), p. 220.

14. 2 Néfi 2:5.

15. Regras de Fé 1:4.

16. Mosias 4:12.

17. D&C 93:36.

18. D&C 130:18.

19. D&C 101:34.

20. Gênesis 1:28; Abraão 4:28.

21. Êxodo 20:12.

22. Alma 42:8.

sábado, 17 de julho de 2010

Tenham Coragem

Presidente Thomas S. Monson

Minha sincera oração é que tenham a coragem exigida para não julgar as pessoas, a coragem para ser castas e virtuosas, e a coragem para defender firmemente a verdade e a retidão.

Presidente Thomas S. Monson. Minhas queridas jovens irmãs, que visão gloriosa vocês são. Sei que, além das que estão neste magnífico Centro de Conferências, outras milhares estão reunidas em capelas e outros lugares espalhados pelo mundo inteiro. Rogo a ajuda do céu durante a oportunidade de falar para vocês.

Ouvimos mensagens oportunas e inspiradoras de suas líderes gerais das Moças. Elas são mulheres especiais, chamadas e designadas para guiá-las e ensiná-las. Elas amam vocês, e eu também.

Vocês vieram a esta Terra numa época gloriosa. As oportunidades que têm diante de vocês são quase ilimitadas. Muitas de vocês moram em casas confortáveis, com uma família amorosa, tendo alimento e roupas adequados e suficientes. Além disso, a maioria de vocês tem acesso a incríveis avanços tecnológicos. Vocês se comunicam por meio de telefones celulares, mensagens de texto, mensagens instantâneas, e-mails, blogs, sites da Internet e outros meios como esses. Ouvem música em seus iPods e MP3 players. Essa lista, é claro, representa apenas algumas das inovações tecnológicas a seu dispor.

Tudo isso é um pouco assustador para alguém como eu, que fui criado numa época em que os rádios eram geralmente um grande móvel de sala, em que não havia televisão, e muito menos computadores ou celulares. Na verdade, quando eu tinha sua idade, as linhas telefônicas eram quase todas compartilhadas. Em nossa família, se quiséssemos ligar para alguém, tínhamos que pegar o telefone e ver se não havia outra família usando a linha, porque várias famílias compartilhavam a mesma linha.

Eu poderia passar a noite inteira falando das diferenças entre a minha geração e a sua. Basta dizer que muito mudou desde a época em que eu tinha sua idade até hoje.

Embora este seja um período notável, com oportunidades abundantes, vocês também enfrentam desafios que só existem hoje. Por exemplo: os próprios dispositivos tecnológicos que mencionei dão ao adversário a chance de tentá-las e enredá-las em sua teia de falsidades, esperando tomar posse de seu destino.

Ao contemplar tudo o que vocês enfrentam no mundo atual, uma palavra me vem à mente. Ela descreve um atributo necessário a todos nós, mas do qual vocês, particularmente nesta época de sua vida e neste mundo, precisam muito. Esse atributo é a coragem.

Gostaria hoje de falar-lhes da coragem que precisarão ter em três aspectos de sua vida:

• Primeiro, a coragem de não julgar as outras pessoas;
• Segundo, a coragem de ser castas e virtuosas; e
• Terceiro, a coragem de defender firmemente a verdade e a retidão.

Quero falar primeiro sobre a coragem de não julgar as outras pessoas. Ah, vocês podem perguntar: Será que isso realmente exige coragem? Eu responderia que acredito haver muitas ocasiões em que se abster de julgar — ou falar mal ou criticar, que de certa forma se assemelham a um julgamento — exige um ato de coragem.

Infelizmente, há pessoas que têm necessidade de criticar e menosprezar os outros. Sem dúvida, vocês já estiveram com pessoas assim, e hão de estar no futuro. Minhas queridas jovens amigas, não precisamos perguntar-nos qual deve ser nossa conduta nessas situações. No Sermão da Montanha, o Salvador declarou: “Não julgueis”.1 Mais tarde, Ele advertiu: “Cessai de achar faltas uns nos outros”.2 Será preciso coragem de verdade, quando estiverem rodeadas de colegas e se sentirem pressionadas a participar dessas críticas e julgamentos, para que não se unam a elas.

Ouso dizer que há moças a seu redor que, devido a comentários maldosos e críticas de vocês, frequentemente são deixadas de lado. Parece ser um padrão, particularmente nesta época de sua vida, evitar moças que são consideradas diferentes ou ser rude com as que não se encaixam no modelo daquilo que nós ou outras pessoas acham que deveria ser o ideal.

O Salvador disse:

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros. (…)

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.3

Madre Teresa, uma freira católica que trabalhou entre os pobres da Índia durante a maior parte de sua vida, declarou esta verdade: “Se você julgar as pessoas, não terá tempo para amá-las”.

Uma amiga me contou uma experiência que teve há muitos anos, quando era adolescente. Em sua ala havia uma moça chamada Sandra, que tinha sofrido uma lesão ao nascer, que a deixara com certa deficiência mental. Sandra queria muito ser aceita no grupo das outras moças, mas tinha aparência de deficiente, agia como deficiente e suas roupas sempre estavam desarrumadas. Às vezes, fazia comentários indevidos. Embora Sandra participasse das atividades da Mutual, era sempre responsabilidade da professora fazer-lhe companhia e procurar fazê-la sentir-se bem-vinda e valorizada, já que as outras moças não o faziam.

Então, algo aconteceu: uma nova moça da mesma idade mudou-se para a ala. Nancy era uma moça bonita, ruiva, segura de si e popular, que facilmente se dava bem com todos. Todas as moças queriam ser suas amigas, mas Nancy não restringia suas amizades. Na verdade, ela fez de tudo para ser amiga de Sandra e procurou fazê-la sentir-se incluída em tudo. Nancy parecia gostar genuinamente de Sandra.

Evidentemente as outras moças perceberam e começaram a se perguntar por que não tinham feito amizade com Sandra. Aquilo parecia então uma coisa não apenas aceitável, mas desejável. Por fim, começaram a perceber o que Nancy, com seu exemplo, estava ensinando para elas: que Sandra era uma filha preciosa de nosso Pai Celestial, que tinha uma contribuição a fazer e que merecia ser tratada com amor, bondade e atenção positiva.

Quando Nancy e sua família mudaram-se do bairro, mais ou menos um ano depois, Sandra era membro permanente do grupo das moças. Minha amiga disse que depois disso, ela e as outras moças sempre cuidavam que nenhuma fosse deixada de lado, não importando o que a tornasse diferente das outras. Uma lição valiosa e eterna fora aprendida.

O verdadeiro amor pode modificar vidas humanas e mudar a sua natureza.

Minhas preciosas jovens irmãs, peço que tenham a coragem de não julgar ou criticar as pessoas a seu redor, bem como a coragem de assegurar que todas se sintam incluídas, amadas e valorizadas.

Em seguida, falarei da coragem que precisarão ter para ser castas e virtuosas. Vocês vivem num mundo em que os valores morais foram, em grande parte, deixados de lado, no qual o pecado está sendo escandalosamente exibido, em que vocês estão cercadas de tentações para que saiam do caminho estreito e apertado. Muitos são os que lhes dizem que vocês são muito antiquadas ou que há algo errado com vocês por ainda acreditarem na existência de alguma coisa como comportamento imoral.

Isaías declarou: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas”.4

Grande coragem lhes será exigida para permanecerem castas e virtuosas em meio ao modo de pensar aceito nesta época.

Na visão do mundo atual, pouco importa se os rapazes e as moças permanecem moralmente puros e limpos antes do casamento. Isso faz com que o comportamento imoral se torne aceitável? De modo nenhum!

Os mandamentos de nosso Pai Celestial não são negociáveis!

O comentarista Ted Koppel, que por muitos anos foi apresentador do programa Nightline da ABC, fez esta declaração incisiva:

“Na verdade nos convencemos de que nossos slogans vão-nos salvar. ‘Injete drogas, se precisar, mas use uma agulha limpa. Faça sexo quando ou com quem quiser, mas proteja-se…’

Não. A resposta é não. É dizer ‘não’, não porque isso seja bobagem ou não seja bem-visto, nem porque podemos acabar na cadeia ou morrer numa ala de aidéticos do hospital. A resposta é ‘não’, porque isso é errado (…).

O que Moisés trouxe do monte Sinai não foram Dez Sugestões, mas sim, foram Mandamentos. Foram, e ainda são!”5

Minhas queridas jovens irmãs, mantenham uma perspectiva eterna. Estejam alertas contra tudo o que lhes roube as bênçãos da eternidade.

A ajuda para manter a devida perspectiva nesses tempos permissivos pode vir de muitas fontes. Um recurso valioso é sua bênção patriarcal. Leiam-na com frequência. Estudem-na cuidadosamente. Sejam guiadas por suas advertências. Vivam para merecer suas promessas. Se ainda não tiverem recebido sua bênção patriarcal, planejem-se para recebê-la e, depois, valorizem-na.

Se houver alguém que tropeçou em sua jornada, há um caminho de volta. O processo é chamado arrependimento. Nosso Salvador morreu para prover-nos essa dádiva abençoada. O caminho pode ser difícil, mas a promessa é real: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve”.6 “E nunca mais me lembrarei [deles].”7

Há alguns anos, a Primeira Presidência fez uma declaração, e a Primeira Presidência atual repete a advertência. Vou citar: “ (…) rogamos aos jovens que mantenham sua vida limpa, porque uma vida impura só conduz ao sofrimento, tristeza e dor, e é física e espiritualmente o caminho para a destruição. Quão gloriosa e próxima dos anjos é a juventude que é limpa. Ela terá alegria indescritível nesta vida e felicidade eterna na vida futura.A pureza sexual é o que os jovens têm de mais precioso, é o alicerce de toda retidão”.8

Que vocês tenham a coragem de ser castas e virtuosas.

Minha última admoestação nesta noite é a de que tenham coragem de defender firmemente a verdade e a retidão. Como a tendência da sociedade atual é afastar-se dos valores e princípios que o Senhor nos deu, vocês quase certamente terão que defender as coisas em que acreditam. A menos que as raízes de seu testemunho estejam firmemente plantadas, será difícil para vocês suportarem o escárnio das pessoas que desafiam sua fé. Se estiver firmemente plantado, seu testemunho do evangelho, do Salvador e de nosso Pai Celestial vai influenciar tudo o que fizerem na vida. Tudo o que o adversário deseja é que vocês permitam que zombaria e críticas à Igreja façam com que vocês questionem e duvidem. Seu testemunho, se for constantemente nutrido, vai mantê-las em segurança.

Relembrem comigo a visão que Leí teve da árvore da vida. Ele viu muitos que se agarraram à barra de ferro e caminharam por entre as névoas de escuridão, chegando por fim à arvore da vida e comendo do seu fruto; então “olharam em redor como se estivessem envergonhados”.9 Leí se perguntou qual seria o motivo de sua vergonha. Ao olhar em volta, ele “[viu], na outra margem do rio de água, um grande e espaçoso edifício (…).

E estava cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua atitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que (…) comiam do fruto”.10

O grande e espaçoso edifício da visão de Leí representa as pessoas do mundo que zombam da palavra de Deus e ridicularizam os que a aceitam, que amam o Salvador e cumprem os mandamentos. O que sucede àqueles que se envergonham quando a zombaria acontece? Leí nos diz: “E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se”.11

Minhas queridas jovens irmãs, com a coragem de sua convicção, declarem como o Apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação”.12

Para que não se sintam incapazes de cumprir a tarefa à frente, lembro-lhes outra declaração vigorosa do Apóstolo Paulo que pode lhes dar coragem: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação”.13

Para terminar, quero compartilhar com vocês o relato de uma corajosa jovem cuja experiência pessoal atravessou eras como um exemplo de coragem para defender a verdade e a retidão.

A maioria de vocês conhece a história de Ester, que se encontra no Velho Testamento. É um relato muito interessante e inspirador sobre uma bela jovem judia, cujos pais haviam morrido, deixando-a para ser criada por um primo mais velho, Mardoqueu, e sua esposa.

Mardoqueu trabalhava para o rei da Pérsia, e quando o rei procurou para si uma rainha, Mardoqueu levou Ester ao palácio e a apresentou como candidata, advertindo-a para que não revelasse que era judia. O rei se agradou de Ester mais do que de todas as outras, e fez dela sua rainha.

Hamã, o mais importante príncipe da corte do rei, ficou cada vez mais irado com Mardoqueu, porque ele não se curvava para honrá-lo. Por esse motivo, Hamã convenceu o rei, de modo bem ardiloso, de que havia “um povo” em todas as 127 províncias do reino cujas leis eram diferentes, que não obedecia às leis do rei e que devia ser destruído.14 Sem dizer ao rei quem era esse povo, Hamã se referia, claro, aos judeus, inclusive Mardoqueu.

Ao receber permissão do rei para lidar com a questão, Hamã enviou cartas aos governadores de todas as províncias, instruindo-os para que “destruíssem, matassem, e fizessem perecer a todos os judeus, desde o jovem até ao velho, crianças e mulheres, (…) a treze do duodécimo mês”.15

Por meio de um servo, Mardoqueu avisou Ester do decreto contra os judeus, pedindo que ela fosse até o rei para suplicar por seu povo. Ester relutou, a princípio, lembrando a Mardoqueu que era proibido por lei que qualquer pessoa entrasse no pátio interior da casa do rei sem ser convidada. O castigo era a morte, a menos que o rei apontasse seu cetro de ouro, permitindo que a pessoa vivesse.

A resposta de Mardoqueu à hesitação de Ester foi bem direta. Ele escreveu para ela:

“Não imagines (…) que por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus.

Porque, se de todo te calares neste tempo, (…) tu e a casa de teu pai perecereis”.16

E então, acrescentou esta pergunta pungente: “Quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”17

Em resposta, Ester pediu a Mardoqueu que reunisse todos os judeus que conseguisse e pedisse que jejuassem por ela durante três dias, e disse que ela e suas servas fariam o mesmo. Ela disse: “Irei ter com o rei, ainda que não seja segundo a lei; e se perecer, pereci”.18 Ester exerceu sua coragem e permaneceu firme e inamovível naquilo que era certo.

Estando física, emocional e espiritualmente preparada, Ester entrou no pátio interior da casa do rei. Quando o rei a viu, ergueu o cetro de ouro, dizendo que lhe daria tudo o que ela pedisse. Ela convidou o rei para um banquete que lhe havia preparado e, durante o banquete, revelou que era judia. Também denunciou o traiçoeiro estratagema de Hamã para exterminar todos os judeus do reino. O rei atendeu à súplica de Ester para que ela e seu povo fossem salvos.19

Ester, por meio de jejum, fé e coragem, salvou uma nação.

Provavelmente, não lhes será exigido que arrisquem a vida, como fez Ester, para defender suas crenças. É mais provável, porém, que se vejam em situações em que lhes será exigida muita coragem para defender com firmeza a verdade e a retidão.

Novamente, minhas queridas jovens irmãs, embora sempre tenha havido desafios no mundo, muitos dos que vocês enfrentam, só existem hoje. Mas vocês estão entre os filhos mais fortes do Pai Celestial, e Ele as reservou para virem à Terra em “tal tempo como este”.20 Com a ajuda Dele, vocês terão a coragem para enfrentar tudo o que surgir. Embora o mundo às vezes pareça sombrio, vocês terão a luz do evangelho como facho para guiar seu caminho.

Minha sincera oração é que tenham a coragem exigida para não julgar as pessoas, a coragem para ser castas e virtuosas, e a coragem para defender firmemente a verdade e a retidão. Ao fazer isso, vocês serão “o exemplo dos fiéis”21 e sua vida será cheia da amor, paz e alegria. Que assim seja, minhas amadas jovens irmãs, eu oro, em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.
Notas

1. Mateus 7:1.

2. D&C 88:124.

3. João 13:34–35.

4. Isaías 5:20.

5. Ted Koppel, discurso de formatura da Universidade Duke, 1987.

6. Isaías 1:18.

7. Jeremias 31:34.

8. Primeira Presidência, Conference Report, 6 de abril de 1942, p. 89.

9. 1 Néfi 8:25.

10. 1 Néfi 8:26–27.

11. 1 Néfi 8:28.

12. Romanos 1:16.

13. II Timóteo 1:7.

14. Ester 3:8.

15. Ester 3:13.

16. Ester 4:13–14.

17. Ester 4:14.

18. Ester 4:16.

19. Ver Ester, capítulos 5 a 8.

20. Ester 4:14.

21. Ver I Timóteo 4:12.

domingo, 11 de julho de 2010

Para os Rapazes e para os Homens

Presidente Gordon B. Hinckley

Meus irmãos, é uma imensa oportunidade e uma assombrosa responsabilidade falar a vocês.

Quero dirigir-me primeiramente aos rapazes que estão hoje aqui. Obrigado por sua presença, onde quer que estejam reunidos. Obrigado por freqüentarem o seminário, bem como as reuniões dominicais. Louvo-os por seu desejo de aprenderem o evangelho, de aprofundarem seu conhecimento estudando a palavra do Senhor. Obrigado pelo desejo que têm em seu coração de servirem como missionários. Obrigado por seus sonhos de casarem-se no templo e de criarem sua própria família de modo honrado.

Vocês não são "garotos perdidos". Não estão desperdiçando a vida vagando sem rumo. Vocês têm um propósito. Têm objetivos. Têm planos que só podem conduzi-los ao crescimento e fortalecimento.

Se utilizarem a energia que possuem e concentrarem seus sonhos em um objetivo, muitas coisas maravilhosas irão acontecer. Recebi recentemente a proclamação de um grupo de rapazes SUD da área norte da Califórnia. Eles pertencem a 19 estacas diferentes. Quando se reuniram nas montanhas, visitaram o local em que ocorreu uma tragédia na época dos pioneiros. Enquanto os rapazes meditavam sobre o que tinham visto e as recordações de seu legado, foram convidados a assinar a Proclamação do Acampamento Escoteiro da Trilha Mórmon. Gostaria de ler essa promessa para vocês.

"Declaramos a todos que somos escoteiros e portadores do Sacerdócio Aarônico de Deus. Juramos fidelidade aos valores e princípios que guiaram os soldados do Batalhão Mórmon e os homens e mulheres, Pioneiros Santos dos Últimos Dias, que ajudaram a estabelecer este estado da Califórnia. Como seus filhos agradecidos, regozijamo-nos em nosso legado de serviço ao próximo.

Neste dia, 18 de julho de 1998, assumimos o compromisso de converter-nos ao evangelho de Jesus Cristo. Estudaremos as escrituras. Oraremos pedindo forças para obedecer. Trabalharemos. Empenhar-nos-emos de todo o coração em seguir o exemplo de Jesus.

Magnificaremos o sacerdócio que nos foi concedido, servindo ao próximo. Manter-nos-emos dignos de abençoar o sacramento da Ceia do Senhor. Sempre que houver necessidade de ajuda, da mesma forma que nossos antepassados, seremos voluntários.

Provar-nos-emos dignos do Sacerdócio Maior, de Melquisedeque. Comprometemo-nos a integrar o exército do Senhor e seguir adiante como missionários de tempo integral para convidar todas as pessoas a achegarem-se a Cristo.

Somos os jovens do convênio. Preparar-nos-emos para receber o convênio do casamento eterno. Oramos para que tenhamos uma esposa e filhos dignos, a quem honraremos e protegeremos com nossa própria vida.

Declaramos que, sejam quais forem os riscos, tentações ou condições do mundo a nosso redor, tal como nossos antepassados foram fiéis, também o seremos. Tal como os que viveram antes de nós, não procuraremos nosso próprio engrandecimento e renunciaremos a vantagens pessoais para construir uma sociedade pacífica, governada por Deus.

Seremos fiéis a esse nosso juramento em todos os momentos e em todos os lugares."

Quero cumprimentar todos os rapazes que assinaram esse juramento. Oro para que nenhum deles deixe de cumprir a promessa que fez a si mesmo, à Igreja e ao Senhor.

Quão diferente seria este mundo se todo rapaz pudesse e quisesse assinar uma promessa como essa. Não haveria vidas devastadas pela droga. Não haveria gangues, com crianças matando outras e rapazes seguindo por um caminho que irá conduzi-los à prisão ou à morte. A educação seria um prêmio digno de ser conquistado. O serviço na Igreja seria uma oportunidade apreciada. Haveria mais paz e amor no lar. Não haveria pornografia nem livros imorais. Vocês honrariam e respeitariam as moças de seu convívio, e elas nunca teriam medo de estar em sua companhia em qualquer situação. Seria como se os valentes guerreiros de Helamã tivessem recrutado os jovens de todo o mundo para o seu estilo de vida.

É claro que a missão deve fazer parte de seus planos. Vocês devem servir com alegria em qualquer lugar a que sejam enviados para fazer o trabalho do Senhor, dedicando todo o seu tempo, atenção, força, energia e amor a esse serviço.

Gostaria de ler para vocês alguns trechos da carta de um rapaz que está servindo missão. Ela foi escrita para sua família, e espero não estar sendo indiscreto ao lê-la para esta grande congregação. Não mencionarei o nome do remetente nem a missão em que está.

Ele escreve: "O ano que passou foi extraordinário! Fui transferido do escritório da missão e designado para um pequeno ramo. Minha vida mudou drasticamente desde a última transferência. Nos últimos meses aprendi o que realmente importa na vida. Aprendi o que realmente tem valor. Aprendi a esquecer-me de mim mesmo. Aprendi a trabalhar de modo eficaz. Aprendi a amar as pessoas. Aprendi que Deus me ama e que eu O amo. Em resumo, aprendi a viver de acordo com minhas crenças. ( . . . )

Aprendi a respeito das pessoas e das coisas. Vi lágrimas de alegria no rosto daqueles que nunca tiveram o conhecimento de que eram filhos de Deus. Vi as orações dos arrependidos serem atendidas. Vi as pessoas absorverem o evangelho de Jesus Cristo e desejarem tornar-se uma nova pessoa, tudo isso por causa de algo que sentiram. ( . . . )

Sonho freqüentemente com o plano de salvação. Penso na obra maravilhosa e um assombro que foram realizados. Penso no poder e na força dos anjos que estão entre nós. Imagino quantos deles estão à minha volta ajudando-me a prestar testemunho em uma língua que nunca pensei que seria capaz de compreender plenamente.

Medito nas coisas pacíficas de glória imortal que Enoque viu em sua visão. ( . . . ) Sou grato a Deus por ser quem sou. Minha maior bênção na vida é estar vivo e a serviço de nosso Deus. Nisso encontro grande paz e alegria".

Meus queridos jovens amigos, espero que todos vocês estejam almejando o serviço missionário. Não posso prometer que será divertido. Não posso prometer facilidade e conforto. Não posso prometer que não terão de passar por momentos de desânimo, temor ou mesmo angústia. Mas posso prometer que crescerão como nunca o fizeram em um período de tempo equivalente em toda a sua vida. Prometo-lhes uma felicidade que será ímpar, maravilhosa e duradoura. Posso prometer que vocês reavaliarão sua vida, estabelecerão novas prioridades, viverão mais perto do Senhor, e que a oração se tornará uma experiência real e maravilhosa, que vocês andarão na fé proveniente das boas coisas que fizerem.

Deus os abençoe, rapazes e meninos desta Sua grande Igreja. Que cada um de vocês se decida com mais determinação a ser um santo dos últimos dias em todos os sentidos do termo. Que a realização, o sucesso e o serviço sejam sua recompensa na fascinante e maravilhosa vida que têm à sua frente.

Gostaria agora de dirigir-me aos homens mais velhos, esperando que parte da lição sirva para os jovens também.

Quero falar-lhes a respeito de assuntos materiais.

Para alicerçar o que vou dizer, gostaria de ler alguns versículos do capítulo 41 de Gênesis:

Faraó, o rei do Egito, teve sonhos que o deixaram muito perturbado. Os sábios de sua corte não foram capazes de interpretá-los. José foi, então, levado à sua presença: "Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio,

E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado.

E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne. ( . . . )

E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; ( . . . )

Depois vi em meu sonho ( . . . ) que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas;

E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas.

E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. ( . . . )

Então disse José a Faraó: ( . . . ) O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. ( . . . )

O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.

E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, ( . . . ) e Deus se apressa em [fazê-lo]". (Ver Gênesis 41:17­32)

Irmãos, quero deixar bem claro que não estou profetizando. Não estou prevendo sete anos de fome no futuro. Mas estou sugerindo que chegou o momento de colocar nossa casa em ordem.

Existem muitos entre nós que estão vivendo no limite de suas rendas. De fato, alguns estão vivendo com dinheiro emprestado.

Testemunhamos, nas últimas semanas, algumas mudanças bruscas e atemorizadoras nas bolsas de valores de todo o mundo. A economia é algo muito frágil. Uma queda na economia de Jacarta ou de Moscou pode imediatamente afetar o mundo inteiro. Ela pode afetar cada um de nós como indivíduos. Existem indicações de que haverá tempos difíceis à frente, para os quais seria prudente que nos preparássemos.

Espero sinceramente que não voltemos a passar por uma crise mundial. Sou testemunha da Grande Depressão da década de trinta. Terminei a universidade em 1932, quando o índice de desemprego nesta região estava acima de 33 por cento.

Meu pai, naquela época, era o presidente da maior estaca da Igreja neste vale. Isso foi antes da criação de nosso atual sistema de bem-estar. Ele andava de um lado para o outro, preocupado com o povo de sua estaca. Juntamente com outras pessoas, montou um grande projeto de corte de lenha para alimentar o sistema de aquecimento das casas a fim de manter as pessoas aquecidas no inverno. Elas não tinham dinheiro para comprar carvão. Homens que tiveram posses estavam entre aqueles que cortavam lenha.

Gostaria de repetir que espero que nunca mais tenhamos de enfrentar outra crise assim. Mas fico preocupado com a imensa dívida que as pessoas deste país, inclusive muitos membros da Igreja, estão assumindo nos sistemas de crediário. Em março de 1997, essa dívida chegou a 1,2 trilhões de dólares, o que representa um aumento de 7 por cento em relação ao ano anterior.

Em dezembro de 1997, entre 55 e 60 milhões de famílias nos Estados Unidos tinham dívidas no cartão de crédito. A média das dívidas era de sete mil dólares e representava uma despesa de mil dólares por ano em juros e taxas. A dívida no cartão de crédito em relação à renda líquida subiu de 16,3 por cento, em 1993, para 19,3 por cento, em 1996.

Todos sabem que cada dólar emprestado carrega consigo o peso dos juros. Quando não se consegue pagar a dívida, vem a falência. Houve 1.350.118 falências nos Estados Unidos no ano passado. Isso representa um aumento de 50 por cento em relação a 1992. No segundo trimestre deste ano, quase 362.000 pessoas entraram com pedido de falência, um número recorde para um único trimestre.

Somos enganados por propagandas sedutoras. A televisão mostra ofertas tentadoras de empréstimos que chegam a 125 por cento do valor da casa da pessoa. Mas não se faz menção aos juros cobrados.

O Presidente Reuben Clark Jr., na reunião do sacerdócio da conferência de 1938, disse deste púlpito: "Ao assumir uma dívida, os juros tornam-se seu companheiro dia e noite; você não pode evitá-los ou escapar deles; não pode despedi-los; eles permanecem indiferentes a súplicas, solicitações ou ordens; e se você cruzar seu caminho ou deixar de atender suas solicitações, eles o esmagarão". (Conference Report, abril de 1938, p. 103.)

Reconheço que talvez haja necessidade de se fazer um empréstimo para a compra da casa própria. No entanto, compremos uma casa que possamos pagar, reduzindo dessa forma as parcelas que nos serão constantemente cobradas, sem misericórdia ou descanso, pelo período de até 30 anos.

Ninguém sabe quando haverá uma emergência. Fiquei sabendo de um homem que era extremamente bem-sucedido em sua profissão. Ele vivia muito bem. Construiu uma casa muito grande. Então, certo dia, sofreu um grave acidente. Instantaneamente, sem qualquer aviso, quase perdeu a vida. Ficou inválido. Toda a sua capacidade de trabalho ficou inutilizada. Ele precisou pagar uma fortuna em despesas médicas, além de outros pagamentos que tinha para fazer. Ficou à mercê de seus credores.

Desde o início da Igreja, o Senhor tem-Se manifestado a respeito das dívidas. Para Martin Harris, por revelação, Ele disse: "Paga a dívida contraída com o impressor. Livra-te da servidão". (D&C 19:35)

O Presidente Heber J. Grant utilizou este púlpito muitas vezes para falar a respeito desse assunto. Ele disse: "Se existe uma coisa que trará paz e alegria ao coração humano e à família é viver dentro dos recursos disponíveis. E se existe algo doloroso, desanimador e desencorajador são as dívidas e as obrigações que não podem ser pagas". (Heber J. Grant, Gospel Standards, 1941, G. Homer Durham (comp.), p. 111.)

Estamos proclamando a mensagem de auto-suficiência por toda a Igreja. A auto-suficiência não pode ser alcançada se grandes dívidas pesarem sobre a família. Nunca teremos independência nem liberdade se estivermos devendo alguma coisa a alguém.

Ao administrar os negócios da Igreja, tentamos ser um exemplo. Temos por norma, a qual seguimos estritamente, separar a cada ano uma porcentagem das rendas da Igreja de modo a estarmos preparados para uma possível necessidade futura.

Sou grato por poder dizer que a Igreja, em todos os seus negócios, empreendimentos e departamentos, é capaz de funcionar sem fazer empréstimos. Quando não temos condições de realizar alguma coisa, fazemos cortes em nossos programas. Reduzimos as despesas para que se mantenham dentro de nossas rendas. Nunca fazemos empréstimos.

Um dos dias mais felizes da vida do Presidente Joseph F. Smith foi aquele em que a Igreja pagou as dívidas antigas que tinha. Ela nunca mais teve dívidas desde aquela época.

Que sensação maravilhosa é estar livre de dívidas e ter um pouco de dinheiro guardado para alguma emergência e que poderá ser usado quando necessário.

O Presidente Faust provavelmente não lhes contaria o que vou relatar, pode ser que fique bravo comigo depois. Ele tinha uma dívida do financiamento de sua casa que lhe cobrava 4 por cento de juros. As pessoas diziam-lhe que seria tolo saldar a dívida, já que os juros eram tão baixos. Mas na primeira oportunidade que teve de conseguir algum dinheiro, ele e a esposa decidiram quitá-la. Desde aquela época, ficou livre de dívidas. É por isso que ele sempre tem um sorriso no rosto e assobia enquanto trabalha.

Rogo-lhes, irmãos, que analisem sua situação financeira. Rogo-lhes que sejam comedidos em suas despesas, controlem-se no que se refere a compras, que evitem ao máximo as dívidas, que as paguem assim que possível e se livrem da servidão.

Isso faz parte do evangelho secular em que acreditamos. Que o Senhor os abençoe, meus amados irmãos, para que coloquem sua casa em ordem. Se já pagaram suas dívidas, se têm uma reserva, mesmo que seja pequena, mesmo que chegue a tempestade, terão abrigo para sua esposa e filhos e paz no coração. Não tenho mais nada a dizer quanto a esse assunto, mas saliento ao máximo o que disse.

Deixo-lhes meu testemunho da divindade desta obra e meu amor a cada um de vocês, em nome do Redentor, o Senhor Jesus Cristo. Amém.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...