domingo, 15 de agosto de 2010

A Mulher Ideal

Élder Pedro J. C. Penha - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Fevereiro/2006)

"O Senhor criou todas nós com personalidades, interesses e habilidades diferentes, mas a busca da excelência é uma constante para as mulheres, principalmente para aquelas que moldam sua vida pela força da fé. O mundo já tem muitas mulheres agressivas, precisamos de mulheres ternas. (...) Há muitas mulheres ríspidas, precisamos de mulheres refinadas. Existem muitas mulheres que têm fama e fortuna, precisamos de mulheres de fé. Já existe ambição bastante, precisamos de mais bondade. Existe orgulho suficiente, precisamos de mais virtude. Já temos popularidade demais, precisamos de mais pureza" (Margaret D. Nadauld, A Liahona, janeiro de 2001, p. 18).

As idéias seguintes são alguns princípios da busca desse ideal:

A Mulher Ideal como Filha do Pai Celestial. A mulher ideal compreende sua natureza divina como filha de Deus, tem testemunho de que Jesus Cristo é o nosso Salvador e Redentor, da Restauração do Evangelho, de um Profeta vivo e busca incessantemente basear sua vida nos princípios da oração, ponderação, do estudo das escrituras, arrependimento, perdão, jejum e da lei do dízimo.

Ela desenvolve profundo amor, grande fé e imensa gratidão por Jesus Cristo, pois sabe que, por meio da Expiação, terá a oportunidade de receber sua herança divina. Nutre o desejo de viver dignamente e conta com a ajuda do Espírito Santo para alcançar esses objetivos tão nobres.

Pratica a virtude, a pureza e a caridade. Mantém boa saúde, guardando a Palavra de Sabedoria, possui autocontrole e é um exemplo nos padrões de vestimenta; usa uma linguagem edificante e sabe separar o bom humor da hilaridade.

É altruísta e cultiva o respeito e a admiração das pessoas por meio de suas atitudes positivas, aplicando o exemplo do Salvador nas circunstâncias diárias, buscando também desenvolver os talentos recebidos do Pai.

Freqüenta regularmente o templo, lembrando-se sempre dos convênios feitos naquele lugar sagrado, e faz a pesquisa genealógica em favor dos seus entes queridos.

A Mulher Ideal na Igreja e na Sociedade. A mulher ideal serve ao Senhor procurando fazer o melhor em suas designações, cumprindo com honra qualquer chamado que lhe for designado. Seu exemplo abnegado motiva as pessoas a seguirem a Cristo, sendo obediente aos seus líderes, que a aconselham: "Busque a excelência em todos os seus empreendimentos justos e em todos os aspectos de sua vida" (Presidente Spencer W. Kimball, Manual do Curso Casamento Eterno, p. 351).

A mulher ideal entende seu papel como cidadã, é um exemplo onde vive, é solidária e amorosa com todos e tem um bom relacionamento com os vizinhos, os quais vêem nela alguém com quem podem contar.

A mulher ideal busca as bênçãos do Senhor, como expressou o Presidente Kimball: "Não se esqueçam , queridas irmãs, de que as bênçãos eternas às quais vocês fazem jus como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são muito, muito superiores a quaisquer outras bênçãos que poderiam receber. Vocês não poderiam receber maior reconhecimento neste mundo do que serem conhecidas como uma mulher de Deus, que sente a genuína irmandade e sabe o que é ser esposa e mãe, além de outras tarefas que influenciam a vida para o bem" (Presidente Spencer W. Kimball, Manual do Curso Casamento Eterno, p. 351).

A Mulher Ideal como Esposa. A mulher ideal é fiel ao seu companheiro, tem alegria em confortá-lo "com palavras consoladoras, com espírito de mansidão" (D&C 25:5). Ela é humilde ao reconhecer que sua vida é guiada e abençoada pelo Senhor e pelo sacerdócio de seu esposo, tratao com respeito e busca ressaltar suas qualidades, e em seu inter-relacionamento não existe dificuldade com as palavras "obrigada", "perdão" e "por favor".

Eles oram e estudam juntos, e muitas vezes envolvem-se em ternas conversas sobre metas e filhos; ela ouve seus conselhos e busca seu apoio, procurando fortalecer diariamente o amor que os conduziu ao altar.

A mulher ideal está disposta a sacrificar-se em prol do progresso profissional de seu esposo porque entende que ele é o provedor do lar e sente-se feliz com o estilo de vida que ele lhe proporciona.

Ela está ciente das responsabilidades de seu marido, sabe quais são as suas metas, motivao em seu trabalho profissional e apóia-o em seus chamados na Igreja.

Ela reconhece sua condição mortal de que não é perfeita, algumas vezes se magoa, sente-se cansada e desanimada, porém busca a perfeição como meta e, dessa forma, supera as dificuldades, crescendo por meio delas e recebendo o carinho e apreço dos líderes, como nas palavras do Presidente Gordon B. Hinckley: "(...) Saibam o quanto apreciamos vocês. Vocês nos completam e têm grande força. Com dignidade e extrema capacidade, vocês levam adiante os notáveis programas da Sociedade de Socorro, das Moças e da Primária. Vocês dão aula na Escola Dominical. Caminhamos a seu lado como seus companheiros e irmãos, com respeito e amor, honra e grande admiração" (Presidente Gordon B. Hinckley, Ensign, novembro 1996, p. 70).

A Mulher Ideal como Mãe: A mulher ideal tem consciência do seu sagrado chamado de mãe e sabe que "a maternidade está próxima da divindade. É a maior e mais sagrada colaboração que um ser humano pode dar" (James R. Clark , comp., Messages of the First Presidency of the Church of Jesus Christ of Latterday Saints, 6 vols., Salt Lake City: Bookcraft, 1965-1975). Dessa maneira, instrui os filhos sobre reverência, honestidade, arrependimento e perdão, por meio do exemplo do Salvador, com paciência, mansidão e palavras de incentivo e apoio; com isso pratica a compaixão, o desprendimento e a dedicação de sua vida em favor da felicidade dos seus.

É carinhosa com os filhos, abraçaos e brinca com eles e, apesar de suas inúmeras responsabilidades, está sempre disposta a ouvi-los, ajudá-los e orientá-los em suas necessidades individuais, na leitura das escrituras, na participação dos programas da Igreja, no serviço em uma missão honrosa e no casamento no templo.

Seu lar é modesto, mas limpo, planta no coração de seus filhos o desejo sincero de torná-lo "uma casa de ordem", assim como o templo; ela não esmorece em seus esforços , é econômica, vivendo dentro do orçamento familiar e resistindo ao impulso de adquirir algo de que não necessite. Ela cuida da alimentação da família e oferece refeições nutritivas e balanceadas, não se esquecendo do conselho do profeta de organizar e manter um armazenamento básico de alimentos.

Seguindo os conselhos do Presidente Gordon B. Hinckley, ela está em casa para promover um ambiente espiritual de paz e tranqüilidade. A seu respeito disse o profeta: "Não podemos medir ou calcular a influência das mulheres que, de modo individual, edificam uma vida familiar estável e nutrem gerações futuras para um bem duradouro. As decisões tomadas pelas mulheres desta geração terão conseqüências eternas. Poderia sugerir que as mães hoje não possuem oportunidade maior e desafio mais sério do que fazer tudo o que puderem para fortalecer o lar" (Presidente Gordon B. Hinckley, Standing for Something, p. 152).

sábado, 7 de agosto de 2010

Uma Vez Membros, Sempre Membros

Élder Charles Didier - Presidente da Área Brasil (Dezembro/2008)

Élder Charles Didier

Acabamos de assistir à Conferência Geral, no momento em que escrevo esta mensagem, e sei que algumas pessoas devem estar-se perguntando por que as Autoridades Gerais insistem em falar as mesmas coisas, de conferência em conferência. Mas a conferência geral é um lembrete ao mundo sobre o valor inestimável dos profetas e apóstolos vivos. Para os fiéis santos dos últimos dias espalhados em vários lugares, é a ocasião de, com humildade e firme propósito, deixar de lado as coisas do mundo e ouvir as novas escrituras que nos vêm do Senhor por meio de Seus ungidos.

Um dos profetas modernos, Spencer W. Kimball, disse: “Os profetas dizem as mesmas coisas porque nos defrontamos basicamente com os mesmos problemas. A solução para esses problemas não mudou. De que adiantaria um farol, se gerasse sinais diferentes para cada navio que se aproximasse do porto? Ou, de que adiantaria um guia que, nas montanhas, conhecendo a rota segura para descer, conduzisse aqueles sob sua responsabilidade por caminhos imprevisíveis e perigosos, dos quais nenhum viajante retornasse?” (CR, Spencer W. Kimball, abril de 1976.)

Meu tema de hoje começa com uma pergunta: “O que pode ajudar você a sempre gerar um sinal claro, a ser um bom guia nas montanhas, e a ser uma luz para o mundo, como membro da Igreja?”

A resposta, não uma resposta, mas a única resposta correta, a rocha sobre a qual posso edificar minha força como membro da Igreja de Jesus Cristo, é: as escrituras — antigas e modernas — que nos são dadas por profetas e apóstolos — antigos e modernos.

Escrituras: o que são? O que significam para mim? O que devo fazer com elas, e por que devo aceitálas? Essas são perguntas comuns feitas por diversos pesquisadores.

Quanto a mim, sou converso à Igreja. Só um fato me converteu. Claro, eu gostava muito da Palavra de Sabedoria, achava que era um bom princípio; também preferia a bênção do sacramento, se comparada ao que tínhamos na nossa antiga religião. Sentia-me atraído pelo princípio do casamento eterno. Mas, a despeito de todas essas preferências, não fui batizado.

Repito, um fato, um fato extraordinário modificou minha mente, meu coração e minha alma: as escrituras. Quais escrituras? O Livro de Mórmon.

Todos os princípios que mencionei tornaram-se repentinamente verdadeiros, porque o Livro de Mórmon era verdadeiro. E se o Livro de Mórmon era verdadeiro, Joseph Smith teve mesmo uma visão. E se ele teve uma visão, havia uma fonte de onde ele recebeu as placas. Essa fonte lhe deu poder para traduzir. Se Joseph Smith recebeu revelações -— revelações modernas, fundamentadas nas escrituras — ele era um profeta. E se ele era um profeta, então com toda a certeza e lógica, a igreja que ele restaurou era uma igreja divina.

Para alguém se converter, precisa sentir o Espírito do Senhor. Antes de se converter, contudo, precisa fazer algo por si mesmo. Precisa edificar um testemunho e apresentá-lo diante do Senhor. Um testemunho de quê?

1. De que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é nosso Salvador e Redentor;
2. De que Joseph Smith é um profeta;
3. De que a Igreja é divina;

Isso constitui a mensagem da Restauração do evangelho. Isso é o que declaramos às outras pessoas. Isso é positivo. Isso é um fato. Isso é comprovado. Os céticos dirão a vocês que não é possível comprovar a veracidade de uma religião. Sinto muitíssimo desapontar essas pessoas, mas verdadeiramente e praticamente, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apresenta a prova de que o Livro de Mórmon é verdadeiro e de que o Livro de Mórmon prova que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é um profeta, e que esta Igreja é divina.

Agora, sei por mim mesmo que é assim; testifico por mim mesmo a vocês que isso é verdade. Minha vida mudou devido a esse conhecimento, mas o conhecimento, por si só, não é o bastante. Minha vida continuaria mudando, se fosse um conhecimento adquirido de uma única vez, em apenas um momento? Nosso desafio, como membros, é: primeiro, saber por nós mesmos que a mensagem da Restauração é verdadeira e, segundo, prestar testemunho aos outros de que essa mensagem é verdadeira.

Como saber isso? Falei há pouco sobre a fonte do meu conhecimento, o Livro de Mórmon — as escrituras.

“Em todas as dispensações, homens santos foram ensinados e instruídos do alto a respeito do evangelho de Jesus Cristo. Esses ensinamentos e instruções foram preservados nas escrituras, para que todos pudessem aprender a Quem deviam adorar, como deviam adorar e como deviam viver para realizar o propósito da vida e, assim, receber a recompensa prometida” (Élder Marion G. Romney, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência).

Como saberei por mim mesmo que as escrituras são essenciais em minha vida? O Presidente David O. McKay, outro profeta, disse: “Uma vez missionário, sempre missionário”. Parafraseando-o, eu lhes digo: “Uma vez membro, sempre membro”.

Jesus ensinou-nos o valor das escrituras: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).

Agora, que você sabem o valor e a importância das escrituras, o que farão com esse conhecimento? As escrituras vão ajudá-los a ir do conhecimento para a ação? As escrituras vão-se transformar em uma real motivação em sua vida?

Para estarem motivados, ou, em outras palavras, para agirem com base nas escrituras, certas coisas precisam ser feitas. Por exemplo:

1. Precisamos ler as escrituras;
2. Precisamos buscar as escrituras;
3. Precisamos viver pelas escrituras, pois elas são o meio de nos prepararmos para encontrar nosso Pai Celestial.

Nessa última conferência geral, o Élder Marcus A. Aidukaitis contou a história de seu pai, cujo título é “Porque Ele Leu o Livro de Mórmon”. Por que seu pai foi batizado? A resposta é simples, diz o Élder Aidukaitis: “Porque meu pai leu o Livro de Mórmon. Ao fazer isso, soube que a mensagem da Restauração era verdadeira. O Livro de Mórmon é uma prova de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é verdadeira”.

Aos que diriam que não há quem possa saber dessas coisas, ele disse: “Testifico que é possível, se formos humildes o bastante para fazer o que Deus, por meio de Seus profetas na Terra, disse que fizéssemos.”

Sou grato pelos missionários que um dia vieram bater à porta de minha casa e que testificaram a respeito da verdade, pois haviam lido e examinado minuciosamente as escrituras; mas acima de tudo, por viverem seus ensinamentos. Oro para que o Senhor os abençoe e os ajude a viver pelo mesmo testemunho.

As escrituras antigas, assim como as modernas, ajudarão vocês a desenvolver e preservar sua identidade genética como filhos de nosso Pai Celestial. No mundo de hoje, há tentativas cada vez mais freqüentes de despojar-nos de nossa identidade física e também espiritual. Por isso, não podemos ser membros superficiais. Nosso testemunho acerca de Jesus Cristo e de Sua Igreja deve estar firmemente edificado sobre o fundamento das escrituras, para que “uma vez membros, possamos continuar sempre sendo membros”.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Controle

Élder Robert R. Steuer - Presidente da Área Brasil Norte (Fevereiro/2005)


Élder Robert R. Steuer

O Élder David A. Bednar, novo membro do Quórum dos Doze Apóstolos, comentou recentemente que uma das lições mais decisivas da vida é que “o controle é uma ilusão” 1. Às vezes, tendemos a pensar que podemos controlar situações, acontecimentos, ou pessoas. Por exemplo: um engenheiro controla a construção de uma ponte ou de um edifício; ou um médico controla uma cirurgia, e ambos vêem bons resultados. Eles talvez se sintam tentados a concluir que foi sua perícia que garantiu o resultado. Em outras ocasiões, enfrentamos na vida situações aparentemente fora de nosso controle, como ficar gripado no dia daquela prova final mais difícil, ou sofrermos um acidente antes de uma importante entrevista. Parece que o inesperado acontece na pior hora possível.

Devido a essa aparente aleatoriedade, muitas pessoas no mundo concluem que ninguém está no controle das coisas, e mais, que ninguém pode conhecer o futuro. Mas as escrituras e os profetas afirmam que Deus não apenas é o Senhor do universo, mas “manifesta-se nas pequenas coisas” 2 e “conhece o fim desde o princípio” 3 . Ele “conhece todas as coisas, porque todas as coisas estão presentes diante de Seus olhos” 4. E Ele disse: “ que se console vosso coração (...) pois toda carne está em minhas mãos; aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” 5 . Diz-se que “O grande ato de fé ocorre quando o homem conclui que não é Deus” 6 . Quando nos damos conta disso e aceitamos os limites de nosso controle exterior, somos sustentados firmemente pela fé em Deus. Acreditamos que Ele sabe qual é o tempo certo, e depositamos nossa confiança em Seu plano.

Seu Tempo Certo


A ciência define tempo como sendo uma “variável independente”, isto é, algo que não podemos controlar e que segue seu curso inexorável. Entretanto, o Élder Neal A. Maxwell observou que “por sermos seres eternos, o tempo não é nossa dimensão natural (...) e a vida existe de modo a sentirmos constantemente o tempo (...) e sua presença incômoda” 7 . Sentimos sua presença incômoda quando circunstâncias inesperadas e indesejadas nos irritam, muito embora sejam esses acontecimentos que moldem nosso caráter. Alma descreveu a natureza do tempo a seu filho, dizendo: “ foi concedido um tempo ao homem para que se arrependesse, sim, um período probatório, um tempo para arrepender-se e servir a Deus” 8 . Talvez as situações difíceis em nossa vida nos ensinem o que podemos realmente controlar: nós mesmos --- nossos pensamentos, nossas palavras, nossas ações 9 e nossa reação aos acontecimentos inesperados da vida. O Presidente James E. Faust nos lembra: “ Não importa tanto o que acontece conosco, mas a forma como lidamos com o que acontece conosco” 10 . Reconhecer nossa responsabilidade pessoal e exercitar o autocontrole torna possível o arrependimento e fortalece o caráter.

Seu Plano

Mas qual a razão da natureza imprevisível da vida? Diz-se que “as circunstâncias não fazem o homem, mas o revelam” 11 . Cada dia testa a maneira como reagiremos a circunstâncias inesperadas, pois o mesmo conjunto de circunstâncias pode trazer ressentimento ou trazer gratidão. Outro teste pode consistir no modo como reagimos quando aqueles que não vivem os mandamentos de Deus parecem “prosperar no mundo”, enquanto nós, que nos esforçamos tanto para servir ao Senhor, aparentemente não desfrutamos de tanto sucesso material 12 . Portanto, embora possamos estabelecer metas e procedimentos, traçar planos e agir com nobreza, não controlamos os resultados imediatos. Continuamos, no entanto, a buscar o bem e a fazer o que é correto, confiando plenamente que Deus garantirá o resultado justo e misericordioso. Como concluiu o Élder David A. Bednar: “Talvez uma das grandes lições que se aprende na vida seja chegar à conclusão de que somos Dele, nós não somos donos de nós mesmos. Fomos resgatados por um preço” 13 . Que encontremos a felicidade, não importando quão difíceis sejam as circunstâncias, para que “ colhamos alegria eterna por todos os nossos sofrimentos” 14.

O Élder Robert R. Steuer serve como Presidente da Área Brasil Norte.


Notas

1 - Church News , 23 de outubro de 2004, p. 6

2 - Neal A. Maxwell, “Envoltos nos Braços de Seu Amor”, A Liahona, nov de 2002, p. 16.

3 - Abraão 2:8

4 - D&C 38:2

5 - D&C 101:16

6 - Oliver Wendell Holmes, Jr, Bartlett's Familiar Quotations [Citações Familiares de Bartlett], 15ª edição, p. 644.

7 - The Promise of Discipleship [A Promessa do Discipulado], pp. 80 — 82

8 - Alma 42:4

9 - Ver Mosias 4:30

10 - James E. Faust, “De Que Lado Devo Ficar?”, A Liahona , novembro de 2004, p. 18

11 - James Allen, Quotes list.com

12 - Ver 3 Néfi 24:13 — 18

13 - Church News , 23 de outubro de 2004, p. 6

14 - D&C 109:76

domingo, 1 de agosto de 2010

Na Direção Estabelecida pelo Senhor

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Setembro/2006)

Élder Ulisses Soares

Certa ocasião, eu estava viajando de carro para cumprir uma designação. Durante a viagem, deparei-me com um nevoeiro muito forte. Fiquei um pouco apreensivo, pois as condições de visibilidade eram muito ruins. Quase não via nada, três metros à frente. Percebi então que o único meio de manterme na direção correta era seguir as linhas brancas do chão que continham marcadores luminosos, devido a constância dos nevoeiros naquela região. Dirigindo em baixa velocidade e atento às linhas brancas, consegui chegar ao meu destino final e cumprir minha designação. Senti-me grato por ter saído um pouco mais cedo de casa e, assim, a redução de velocidade não impediu que eu chegasse àquela cidade em segurança.

Nossa experiência mortal aqui na Terra também requer que nos mantenhamos na direção certa e sigamos as diretrizes estabelecidas pelo Senhor pois, dessa maneira, poderemos chegar ao nosso destino eterno e desfrutar a companhia de nossa família na presença de Deus e de Jesus Cristo.

O Senhor estabeleceu limites a fim de que possamos chegar em segurança, se não nos desviarmos dessa direção. O Salvador ensinou: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:13–14). Os ensinamentos do Salvador são claros, pois determinam o caminho que devemos seguir para não nos perder. Mas corremos o risco de nos desviar, quando seguimos nossos próprios pensamentos de homens naturais. No Guia para Estudo das Escrituras aprendemos que o homem natural deixa-se influenciar pelas paixões, pelos desejos, apetites e impulsos da carne, em vez de buscar a inspiração do Espírito Santo. Ele só compreende as coisas físicas, não as espirituais. Todo ser humano — homem ou mulher — é carnal, ou seja, mortal, em virtude da Queda de Adão e Eva, e tem de nascer de novo pela Expiação de Jesus Cristo para deixar de ser um ser natural.

Quando não controlamos o homem natural que existe dentro de nós, começamos a colocar o nosso coração nas coisas do mundo, e isso nos distancia ainda mais do caminho. Começamos a agir de acordo com o nosso próprio pensamento e, como conseqüência, podemos nos perder no nevoeiro que se encontra à nossa frente.

Como evitar que percamos a direção, e como manter uma velocidade constante em nossa vida, a fim de chegarmos em segurança ao nosso destino eterno? As escrituras contêm muitos ensinamentos que podem ajudar-nos a vencer o homem natural. Gostaria de compartilhar algumas escrituras que me inspiram e me ajudam a voltar meus pensamentos e ações na direção estabelecida pelo Senhor.

Primeiramente gostaria de me referir ao que Néfi, filho de Leí, ensinou a seus irmãos sobre o significado da barra de ferro que seu pai tinha visto no sonho. “E eu disselhes que era a palavra de Deus; e todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem, jamais pereceriam; nem as tentações nem os ardentes dardos do adversário poderiam dominá-los até a cegueira, para levá-los à destruição” (1 Néfi 15:24). Essas palavras deixam claro que, à medida que nos apegarmos ao evangelho e o vivermos intensamente, não pereceremos, pois estaremos protegidos e seremos capazes de vencer as tentações. É a nossa vivência do evangelho que determina a direção que estamos seguindo em nossa vida.

Outra escritura que sempre me impressiona é a que está registrada em Salmos 119:105. “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Trata-se de uma lembrança constante de que o conteúdo das escrituras nos guia no caminho que nos levará de volta à presença de Nosso Pai Celestial e ilumina a direção que devemos tomar nas decisões que tomamos durante esta vida mortal. Quando estudamos as escrituras, crendo que o Senhor está pessoalmente nos guiando e iluminando nosso caminho, estaremos bem mais dispostos a aplicá-las na vida, e progrediremos com mais rapidez.

Aprecio muito o que se encontra em D&C 112:10: “Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações”. Ao orarmos diariamente, buscando a ajuda do Senhor, demonstramos nossa humildade e, apesar dos desafios que enfrentarmos, o Senhor nos conduzirá pela mão na direção que devemos seguir. Dessa maneira, nunca vamos nos perder, e receberemos os frutos de nosso sacrifício na vida mortal.

Finalmente, gostaria de mencionar o que Morôni ensinou a respeito da fé: “Portanto, se um homem tem fé, ele tem que ter esperança; porque sem fé não pode haver qualquer esperança. E novamente, eis que vos digo que ele não pode ter fé nem esperança sem que seja manso e humilde de coração. Sem isso sua fé e esperança são vãs, porque ninguém é aceitável perante Deus, a não ser os humildes e brandos de coração; e se um homem é humilde e brando de coração e confessa, pelo poder do Espírito Santo, que Jesus é o Cristo, ele precisa ter caridade; pois se não tem caridade, nada é; portanto ele precisa ter caridade. (…) Mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem” (Morôni 7:42–44, 47).

De acordo com a escritura, a fé é determinante em nossa disposição de nos tornarmos mansos, humildes, e de abençoarmos a vida de nosso próximo por meio da caridade. O Salvador foi o exemplo máximo da caridade, e demonstrou isso pela maneira com que tratava e abençoava as pessoas. Ao seguir Seu exemplo, estaremos demonstrando nossa fé em Seus ensinamentos e certamente estaremos caminhando na direção correta.

Que todos possamos gozar dos frutos do evangelho em nossa vida. Sejamos fiéis e leais aos convênios que fizemos com o Senhor. Tenhamos sempre em mente que o caminho estreito e apertado exigirá algum sacrifício; mas se nos mantivermos no limite das linhas brancas estabelecidas pelo Senhor para seguirmos pela estrada da vida, mesmo em meio às tempestades, chegaremos em segurança na presença Dele. Esse é meu testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

“Vencer a Si Mesmo”

Élder Pedro J. C. Penha - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Julho/2007)

Élder Pedro J. C. Penha

Desafios da Vida

No decorrer dos séculos, filósofos, teólogos e escritores debatem a questão da natureza humana. Em nossa vida aqui na Terra, cada um de nós enfrenta desafios que nos ajudam a determinar o quanto entendemos com clareza as provas que nos são dadas pelo Pai.

O Novo Testamento registra uma dessas provas, na história de um jovem que teve o privilégio de estar pessoalmente diante do Salvador. Esse jovem veio até Ele e perguntou-Lhe o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Se prestarmos atenção à resposta do Mestre, talvez possamos encontrar alguns elementos que nos levem à proposta do título desta mensagem, “Vencer a si mesmo”.

O Messias respondeu: “Se queres, porém, entrar na vida [eterna], guarda os mandamentos” (Mateus 19:16–17). Quero chamar sua atenção para a profundidade dessa resposta. O verdadeiro desejo e a total obediência às leis, por parte daquele jovem, foram testados. Esse foi um momento decisivo na vida dele. Ao que parece, ele obedecia a muitos mandamentos, mas não era completo. Algo lhe faltava (ver Marcos 10:21). Os anseios mais profundos de seu íntimo ainda se mostravam vazios.

Na ótica de Cristo, esse homem precisava decidir se verdadeiramente desejava a vida eterna. “A entrega de nossa vontade (desejo) a Deus é, realmente, a única coisa pessoal e ímpar que temos para depositar no altar de Deus. As muitas outras coisas que ‘damos’, irmãos e irmãs, são, na verdade, coisas que Ele já nos deu ou emprestou. No entanto, quando finalmente nos submetermos, deixando nossos desejos individuais serem absorvidos pela vontade de Deus, estaremos então realmente dando algo a Ele! É a única coisa que possuímos e que podemos, verdadeiramente, ofertar” (“Absorvido pela Vontade do Pai”, Élder Neal A. Maxwell, A Liahona, janeiro de 1996, p. 24).

Nossa atitude diante da vida se manifesta não apenas em palavras, mas na evidência de nossa aparência e de nosso espírito. O Presidente Ezra Taft Benson observou: “Assim como o homem não deseja alimento, a menos que sinta fome, tampouco anseia pela salvação de Cristo, até saber por que necessita Dele. Ninguém sabe, correta e adequadamente, por que precisa de Jesus, a menos que compreenda e aceite a doutrina da Queda e seus efeitos sobre a humanidade” (A Witness and a Warning, 1988, p. 33).

O Homem Natural


Em Mosias 3:19, o rei Benjamim ensinou que “o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão”. Após a transgressão de Adão e Eva, eles foram expulsos do Jardim do Éden e, conseqüentemente, afastados da presença de Deus. Tal separação foi tão séria, que se tornou sinônimo da morte. O Senhor consolou Adão dizendo: “Eis que te perdoei tua transgressão no Jardim do Éden”. Se analisarmos o contexto dessa declaração, aprendemos que o Filho de Deus expiou o pecado original, para que os pecados dos pais não recaiam sobre a cabeça dos filhos.

O Senhor explicou ainda mais: “Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para saber apreciar o bom” (Moisés 6:53–55).

O Presidente Benson nos ensinou que o mundo tenta moldar o comportamento humano, mas Cristo pode mudar a natureza humana. “O Senhor opera de dentro para fora. O mundo opera de fora para dentro. O mundo quer tirar as pessoas da miséria e das favelas. Cristo tira a miséria das pessoas, e então elas próprias se livram das favelas. O mundo procura moldar os homens, modificando seu meio ambiente. Cristo modifica os homens, que então transformam seu ambiente. O mundo procura modelar o comportamento humano; Cristo, porém, consegue mudar a natureza humana” (“Nascido de Deus”, A Liahona, janeiro de 1986, p. 4).

Mudar a Si Mesmo


Alma diz que depois da Queda, Adão e Eva “foram afastados tanto física como espiritualmente da presença do Senhor; e assim vemos que eles ficaram sujeitos a sua própria vontade” (Alma 42:7).

O exercício de nossa vontade poderá nos levar a pautar nossas ações nas do homem natural que há em nós, ou a buscar a harmonia entre o que desejamos e aquilo que o Senhor deseja de nós.

No processo de conhecer a vontade de Deus para nossa vida, é preciso ter a atitude que reflita a compreensão de que cada um de nós é um filho espiritual de Pais Celestiais. O Senhor sabe quem somos nós. Ele nos conhece. Sabe o que pensamos e o que sentimos, no mais profundo da nossa alma. Ele também sabe o que é melhor para nós, mesmo que, às vezes, possa gerar alguma angústia ou tristeza. Ele sabe o que melhor se reverterá em nosso benefício, pois conhece o fim desde o começo. Também sabe o tipo de ajuda que precisamos no dia-a-dia.

“Se estivermos esmorecidos, talvez necessitemos de dificuldades. Se estivermos contentes demais, talvez recebamos uma dose de descontentamento divino. A reprovação pode conter uma visão relevante. Um novo chamado tiranos das cômodas rotinas para as quais já desenvolvemos as aptidões necessárias. Podemos vir a perder o conforto material, para que o câncer do materialismo seja também removido. Talvez sejamos humilhados, para que nosso orgulho se desfaça. De um modo ou de outro, aquilo de que tivermos falta receberá atenção, e tudo de que precisarmos nos será dado” (“Absorvido pela Vontade do Pai”, Élder Neal A. Maxwell, A Liahona, janeiro de 1996, p. 24).

Cada um de nós enfrentará seus próprios desafios na vida, pois o Senhor disse: “E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar” (Abraão 3:25). Algumas das provas que enfrentaremos nessa vida serão feitas sob medida para cada um de nós. Já que o Senhor nos conhece tão profundamente, Ele sabe quais partes de nosso caráter precisam ser modificadas. Ele também conhece nossas fraquezas e sabe como nos ajudar a transformá-las em pontos fortes em nossa vida, mesmo que essas fraquezas estejam contidas em nosso âmago.

Em Salmos, lemos: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim. Muitos dizem (…): Não há salvação (…). Porém tu, Senhor, és um escudo para mim” (Salmos 3:1–3).

E Provérbios 3:5–8 afirma: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos”.

Compartilho essas reflexões na certeza de que, com Jesus Cristo ao nosso lado, podemos vencer os desafios dessa vida com fé e esperança. Não permitamos que a tristeza entre em nosso coração. O Espírito de Deus produz alegria, luz e bons sentimentos. O Espírito de Deus é um espírito de esperança. Tendo o Salvador como aliado e seu Espírito para nos inspirar, podemos vencer a nós mesmos.

sábado, 31 de julho de 2010

Uma Igreja Madura no Brasil, Segunda Nação da Igreja

Élder Stanley G. Ellis - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Outubro/2008)

Élder Stanley G. Ellis

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (I Coríntios 13:11).

O Apóstolo Paulo deu-nos um excelente conselho a respeito da maturidade. Todos nós devemos progredir em direção à maturidade em todas as áreas da vida. Ao crescer fisicamente, devemos nos esforçar para também amadurecer espiritual, emocional, intelectual e financeiramente. Quando atingimos a idade adulta, não podemos mais agir como crianças em nenhuma dessas áreas.

O mesmo se dá conosco como coletividade. Por exemplo, quanto à Igreja no Brasil, devemos amadurecer à medida que crescemos. O crescimento da Igreja aqui é maravilhoso. Com mais de 220 estacas aprovadas, 53 distritos, 27 missões e aproximadamente 2.000 alas e ramos, nós somos agora a segunda nação da Igreja! Dos 176 países do mundo onde a Igreja está estabelecida, somente os Estados Unidos têm mais do que nós. Que coisa boa!

Mas a pergunta, agora, é: estamos agindo como a segunda nação da Igreja? Estamos agindo como uma Igreja madura? Estamos nos esforçando para ser um apoio para a Igreja no mundo? Para as demais áreas do mundo, sermos um exemplo de como a Igreja deve ser? O que significa ser uma Igreja madura?

Viver o evangelho
Em uma Igreja madura, há muitos membros que vivem plenamente o evangelho. Devido a seu forte testemunho pessoal de Deus o Pai, de Seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo, eles cumprem os mandamentos e seguem os profetas e apóstolos vivos. Caminham pela fé a fim de servir em chamados, sejam quais forem, e de levar o evangelho e seu significado a outras pessoas. Devido a sua fidelidade, são exemplos para todos.

Temos feito isso no Brasil e podemos fazer ainda melhor. O Senhor nos abençoou e espera que sejamos uma luz para outras áreas do mundo, mostrando-lhes como viver plenamente o evangelho em um mundo turbulento.

Preparar missionários e líderes
Uma Igreja madura prepara missionários para servir no mundo todo. Por meio de orações individuais e em família, estudo individual e familiar das escrituras, realização da noite familiar, serviço e participação constante na Igreja e freqüência regular ao templo, pais dignos “treinam” os filhos (ver Provérbios 22:6; ver também D&C 68:25) de modo que estejam aptos para ser chamados a servir e sejam dignos de sê-lo. Eles também usam os recursos do seminário e do instituto visando fortalecer e preparar seus jovens. Assim formamos missionários dignos para servir em todo o mundo. Dessa maneira também são preparados líderes dignos e prontos para receber chamados na Igreja.

Fazemos isso no Brasil, e podemos fazer mais. Hoje, há brasileiros servindo nos Estados Unidos, no Japão, na Europa, na África e em outras partes do mundo. Irmãos brasileiros chamados como Autoridades Gerais têm designações não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, na Argentina e no Peru. Quanto melhor nos prepararmos, mais o Senhor nos chamará para abençoar a Igreja como um todo.

Ser dizimistas integrais e doar ofertas generosas
Na Igreja madura, há muitos dizimistas integrais; tantos que a Igreja tem recursos para construir templos e capelas, produzir materiais necessários, manter missões, áreas, alas e estacas, realizar conferências, etc. Se os membros pagam integralmente o dízimo, o Senhor os abençoa tanto material quanto espiritualmente. À medida que mais membros prosperam, seu dízimo integral compõe os recursos financeiros necessários para ajudar áreas em desenvolvimento.

Além de pagar o dízimo integral, esses membros fiéis são generosos em suas ofertas — tanto as de jejum quanto outras, inclusive as que se destinam à ajuda humanitária e ao fundo perpétuo de educação.

Precisamos, quanto a isso, intensificar os esforços e ocupar nosso lugar como segunda nação da Igreja. É preciso que todos paguem o dízimo integral e doem ofertas generosas. Só assim nos ergueremos como Igreja madura, suprindo as próprias necessidades e ajudando as outras 174 nações que ainda precisam de auxílio. O Senhor precisa que o Brasil ocupe seu lugar.

Abençoar nossas comunidades
Como Igreja amadurecida, muitos dos nossos membros obtêm alto grau de instrução, são bons profissionais e são líderes em sua comunidade. Nossos membros são muito bem preparados e íntegros, são executivos em negócios, líderes civis e militares, grandes cientistas, artesãos, médicos, construtores, advogados, professores, estadistas, diplomatas, etc. Eles abençoam e edificam a vida de todos a sua volta.

Membros da Igreja brasileiros ocupam cargos de liderança na sociedade. Somos respeitados pelos líderes da mídia, do meio empresarial, da política e da área da educação. Precisamos de muitos outros membros que estejam preparados e que, devido a sua fidelidade, sejam merecedores dessa confiança pública.

Maturidade
A maturidade não é uma questão de tempo, mas sim de atitude e de ação. O Presidente Monson ensinou que nós nos tornamos aquilo que escolhemos ser. Nossas escolhas determinam o nosso destino. Portanto, podemos escolher ser fiéis. Podemos escolher ser sábios. Podemos escolher viver plenamente o evangelho, preparar nossos jovens, ser dizimistas integrais e generosos em nossas ofertas, obter um bom nível de instrução e ser bons trabalhadores. Podemos ‘acabar com as coisas de menino’. Podemos escolher ser maduros. Isso se aplica tanto aos membros novos quanto aos antigos.

Que possamos intensificar nossos esforços, ser uma Igreja madura no Brasil e ocupar nosso lugar como a segunda nação da Igreja.

Deixar um Legado

Élder Carlos A. Godoy - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Junho/2010)


Élder Carlos A. Godoy

Recentemente fui a uma conferência de estaca onde pude presenciar o poder de influência que os pais exercem em seus filhos. Neste caso específico, o pai já havia falecido, mas os filhos ainda lembravam com carinho de seus ensinamentos e principalmente de seu exemplo em viver o evangelho.

Uma experiência narrada por um dos filhos me tocou bastante. Ele, agora pai de seus próprios filhos, lembrou que, quando ele e seus irmãos começaram a estudar à noite, imaginaram que teriam uma boa desculpa para não participarem das noites familiares, pois estariam chegando muito tarde em casa. Não demorou muito para descobrirem que o pai não pensava da mesma maneira. Ao chegar em casa após as aulas, ele lembra que encontrava os hinários em cima da mesa da cozinha, sinal claro de que a reunião familiar ainda estava na agenda do dia.

Os filhos não lembram qual foi a mensagem dada ou as escrituras lidas, mas não esquecem a maior mensagem passada pelos pais: a reunião familiar é importante para nós. Pequenos atos como esse marcam a memória de nossos filhos e se tornam parte de um legado que deixamos para as gerações futuras.

Lembro de situação semelhante, quando servia como presidente de missão. No jantar de despedida de alguns missionários em nossa casa, presenciamos outro exemplo de como pequenas coisas se tornam marcantes para nossos filhos. Neste caso, um dos élderes ao prestar testemunho disse que aprendeu a dar valor às escrituras, em especial ao Livro de Mórmon, graças a sua mãe. A mãe, que estava presente nesse jantar com o esposo, pois tinham viajado até a missão para buscar o filho, ficou muito surpresa com o comentário feito. Ela não se dera conta de como tinha influenciado o testemunho do filho a respeito do Livro de Mórmon.

O élder então explicou que, quando pequeno, era acordado junto com os irmãos bem cedinho pela mãe para tomar o desjejum na cozinha. Cada um dos irmãos se acomodava na mesa, mais ocupados em continuar a dormir do que em comer ou ler as escrituras. A mãe então fritava bacon em uma frigideira, com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o Livro de Mórmon com a outra, e lia. Ele disse que não lembra o que a mãe lia, mas não consegue esquecer aquela imagem da mãe todas as manhãs, segurando o livro em uma mão e a frigideira na outra. Talvez a mãe estivesse até se sentindo frustrada, ao ver que os filhos não estavam prestando atenção - estavam mais dormindo na mesa do que ouvindo sua leitura; mas, sem perceber, estava passando uma mensagem poderosa aos seus pequenos filhos: o Livro de Mórmon é importante para nós. O testemunho se fortaleceu nos anos que se seguiram, graças ao exemplo deixado pela mãe nas manhãs de sua infância.

Em D&C 93:39-40 o Senhor nos alerta: E vem o ser maligno e tira a luz e verdade dos filhos dos homens pela desobediência e por causa da tradição de seus pais. Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade. Como pais, somos responsáveis por plantar em nossos filhos tradições que os protejam e ajudem em seu dia a dia e em seus desafios futuros. Quando fazemos nossas orações familiares, reuniões familiares e leitura das escrituras em família, por exemplo, estamos iniciando (ou mantendo) uma tradição que abençoará não somente eles, mas seus filhos e os filhos de seus filhos. Nossos netos serão beneficiados por esse legado. Como disse o Élder David A. Bednar, em seu discurso na conferência de outubro de 2009, Nossa constância em fazer coisas aparentemente pequenas pode levar a resultados espiritualmente significativos (Mais Diligentes e Interessados em Casa, A Liahona, novembro de 2009, p. 20).

Um legado é construído pouco a pouco, ano após ano, com (talvez) pequenas, mas poderosas ações. Podem ser hinários nos esperando à noite após as aulas ou frigideiras e Livros de Mórmon no desjejum. O mais importante é que estarão fortalecendo as gerações futuras, e estas, por sua vez, também acabarão por passar esse legado adiante.

Portanto não canseis de fazer o bem, pois estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande (D&C 64:33).

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...