quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para os Rapazes e para os Homens

Presidente Gordon B. Hinckley

Meus irmãos, é uma imensa oportunidade e uma assombrosa responsabilidade falar a vocês.

Quero dirigir-me primeiramente aos rapazes que estão hoje aqui. Obrigado por sua presença, onde quer que estejam reunidos. Obrigado por freqüentarem o seminário, bem como as reuniões dominicais. Louvo-os por seu desejo de aprenderem o evangelho, de aprofundarem seu conhecimento estudando a palavra do Senhor. Obrigado pelo desejo que têm em seu coração de servirem como missionários. Obrigado por seus sonhos de casarem-se no templo e de criarem sua própria família de modo honrado.

Vocês não são "garotos perdidos". Não estão desperdiçando a vida vagando sem rumo. Vocês têm um propósito. Têm objetivos. Têm planos que só podem conduzi-los ao crescimento e fortalecimento.

Se utilizarem a energia que possuem e concentrarem seus sonhos em um objetivo, muitas coisas maravilhosas irão acontecer. Recebi recentemente a proclamação de um grupo de rapazes SUD da área norte da Califórnia. Eles pertencem a 19 estacas diferentes. Quando se reuniram nas montanhas, visitaram o local em que ocorreu uma tragédia na época dos pioneiros. Enquanto os rapazes meditavam sobre o que tinham visto e as recordações de seu legado, foram convidados a assinar a Proclamação do Acampamento Escoteiro da Trilha Mórmon. Gostaria de ler essa promessa para vocês.

"Declaramos a todos que somos escoteiros e portadores do Sacerdócio Aarônico de Deus. Juramos fidelidade aos valores e princípios que guiaram os soldados do Batalhão Mórmon e os homens e mulheres, Pioneiros Santos dos Últimos Dias, que ajudaram a estabelecer este estado da Califórnia. Como seus filhos agradecidos, regozijamo-nos em nosso legado de serviço ao próximo.

Neste dia, 18 de julho de 1998, assumimos o compromisso de converter-nos ao evangelho de Jesus Cristo. Estudaremos as escrituras. Oraremos pedindo forças para obedecer. Trabalharemos. Empenhar-nos-emos de todo o coração em seguir o exemplo de Jesus.

Magnificaremos o sacerdócio que nos foi concedido, servindo ao próximo. Manter-nos-emos dignos de abençoar o sacramento da Ceia do Senhor. Sempre que houver necessidade de ajuda, da mesma forma que nossos antepassados, seremos voluntários.

Provar-nos-emos dignos do Sacerdócio Maior, de Melquisedeque. Comprometemo-nos a integrar o exército do Senhor e seguir adiante como missionários de tempo integral para convidar todas as pessoas a achegarem-se a Cristo.

Somos os jovens do convênio. Preparar-nos-emos para receber o convênio do casamento eterno. Oramos para que tenhamos uma esposa e filhos dignos, a quem honraremos e protegeremos com nossa própria vida.

Declaramos que, sejam quais forem os riscos, tentações ou condições do mundo a nosso redor, tal como nossos antepassados foram fiéis, também o seremos. Tal como os que viveram antes de nós, não procuraremos nosso próprio engrandecimento e renunciaremos a vantagens pessoais para construir uma sociedade pacífica, governada por Deus.

Seremos fiéis a esse nosso juramento em todos os momentos e em todos os lugares."

Quero cumprimentar todos os rapazes que assinaram esse juramento. Oro para que nenhum deles deixe de cumprir a promessa que fez a si mesmo, à Igreja e ao Senhor.

Quão diferente seria este mundo se todo rapaz pudesse e quisesse assinar uma promessa como essa. Não haveria vidas devastadas pela droga. Não haveria gangues, com crianças matando outras e rapazes seguindo por um caminho que irá conduzi-los à prisão ou à morte. A educação seria um prêmio digno de ser conquistado. O serviço na Igreja seria uma oportunidade apreciada. Haveria mais paz e amor no lar. Não haveria pornografia nem livros imorais. Vocês honrariam e respeitariam as moças de seu convívio, e elas nunca teriam medo de estar em sua companhia em qualquer situação. Seria como se os valentes guerreiros de Helamã tivessem recrutado os jovens de todo o mundo para o seu estilo de vida.

É claro que a missão deve fazer parte de seus planos. Vocês devem servir com alegria em qualquer lugar a que sejam enviados para fazer o trabalho do Senhor, dedicando todo o seu tempo, atenção, força, energia e amor a esse serviço.

Gostaria de ler para vocês alguns trechos da carta de um rapaz que está servindo missão. Ela foi escrita para sua família, e espero não estar sendo indiscreto ao lê-la para esta grande congregação. Não mencionarei o nome do remetente nem a missão em que está.

Ele escreve: "O ano que passou foi extraordinário! Fui transferido do escritório da missão e designado para um pequeno ramo. Minha vida mudou drasticamente desde a última transferência. Nos últimos meses aprendi o que realmente importa na vida. Aprendi o que realmente tem valor. Aprendi a esquecer-me de mim mesmo. Aprendi a trabalhar de modo eficaz. Aprendi a amar as pessoas. Aprendi que Deus me ama e que eu O amo. Em resumo, aprendi a viver de acordo com minhas crenças. ( . . . )

Aprendi a respeito das pessoas e das coisas. Vi lágrimas de alegria no rosto daqueles que nunca tiveram o conhecimento de que eram filhos de Deus. Vi as orações dos arrependidos serem atendidas. Vi as pessoas absorverem o evangelho de Jesus Cristo e desejarem tornar-se uma nova pessoa, tudo isso por causa de algo que sentiram. ( . . . )

Sonho freqüentemente com o plano de salvação. Penso na obra maravilhosa e um assombro que foram realizados. Penso no poder e na força dos anjos que estão entre nós. Imagino quantos deles estão à minha volta ajudando-me a prestar testemunho em uma língua que nunca pensei que seria capaz de compreender plenamente.

Medito nas coisas pacíficas de glória imortal que Enoque viu em sua visão. ( . . . ) Sou grato a Deus por ser quem sou. Minha maior bênção na vida é estar vivo e a serviço de nosso Deus. Nisso encontro grande paz e alegria".

Meus queridos jovens amigos, espero que todos vocês estejam almejando o serviço missionário. Não posso prometer que será divertido. Não posso prometer facilidade e conforto. Não posso prometer que não terão de passar por momentos de desânimo, temor ou mesmo angústia. Mas posso prometer que crescerão como nunca o fizeram em um período de tempo equivalente em toda a sua vida. Prometo-lhes uma felicidade que será ímpar, maravilhosa e duradoura. Posso prometer que vocês reavaliarão sua vida, estabelecerão novas prioridades, viverão mais perto do Senhor, e que a oração se tornará uma experiência real e maravilhosa, que vocês andarão na fé proveniente das boas coisas que fizerem.

Deus os abençoe, rapazes e meninos desta Sua grande Igreja. Que cada um de vocês se decida com mais determinação a ser um santo dos últimos dias em todos os sentidos do termo. Que a realização, o sucesso e o serviço sejam sua recompensa na fascinante e maravilhosa vida que têm à sua frente.

Gostaria agora de dirigir-me aos homens mais velhos, esperando que parte da lição sirva para os jovens também.

Quero falar-lhes a respeito de assuntos materiais.

Para alicerçar o que vou dizer, gostaria de ler alguns versículos do capítulo 41 de Gênesis:

Faraó, o rei do Egito, teve sonhos que o deixaram muito perturbado. Os sábios de sua corte não foram capazes de interpretá-los. José foi, então, levado à sua presença: "Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio,

E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado.

E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne. ( . . . )

E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; ( . . . )

Depois vi em meu sonho ( . . . ) que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas;

E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas.

E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. ( . . . )

Então disse José a Faraó: ( . . . ) O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. ( . . . )

O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.

E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, ( . . . ) e Deus se apressa em [fazê-lo]". (Ver Gênesis 41:17­32)

Irmãos, quero deixar bem claro que não estou profetizando. Não estou prevendo sete anos de fome no futuro. Mas estou sugerindo que chegou o momento de colocar nossa casa em ordem.

Existem muitos entre nós que estão vivendo no limite de suas rendas. De fato, alguns estão vivendo com dinheiro emprestado.

Testemunhamos, nas últimas semanas, algumas mudanças bruscas e atemorizadoras nas bolsas de valores de todo o mundo. A economia é algo muito frágil. Uma queda na economia de Jacarta ou de Moscou pode imediatamente afetar o mundo inteiro. Ela pode afetar cada um de nós como indivíduos. Existem indicações de que haverá tempos difíceis à frente, para os quais seria prudente que nos preparássemos.

Espero sinceramente que não voltemos a passar por uma crise mundial. Sou testemunha da Grande Depressão da década de trinta. Terminei a universidade em 1932, quando o índice de desemprego nesta região estava acima de 33 por cento.

Meu pai, naquela época, era o presidente da maior estaca da Igreja neste vale. Isso foi antes da criação de nosso atual sistema de bem-estar. Ele andava de um lado para o outro, preocupado com o povo de sua estaca. Juntamente com outras pessoas, montou um grande projeto de corte de lenha para alimentar o sistema de aquecimento das casas a fim de manter as pessoas aquecidas no inverno. Elas não tinham dinheiro para comprar carvão. Homens que tiveram posses estavam entre aqueles que cortavam lenha.

Gostaria de repetir que espero que nunca mais tenhamos de enfrentar outra crise assim. Mas fico preocupado com a imensa dívida que as pessoas deste país, inclusive muitos membros da Igreja, estão assumindo nos sistemas de crediário. Em março de 1997, essa dívida chegou a 1,2 trilhões de dólares, o que representa um aumento de 7 por cento em relação ao ano anterior.

Em dezembro de 1997, entre 55 e 60 milhões de famílias nos Estados Unidos tinham dívidas no cartão de crédito. A média das dívidas era de sete mil dólares e representava uma despesa de mil dólares por ano em juros e taxas. A dívida no cartão de crédito em relação à renda líquida subiu de 16,3 por cento, em 1993, para 19,3 por cento, em 1996.

Todos sabem que cada dólar emprestado carrega consigo o peso dos juros. Quando não se consegue pagar a dívida, vem a falência. Houve 1.350.118 falências nos Estados Unidos no ano passado. Isso representa um aumento de 50 por cento em relação a 1992. No segundo trimestre deste ano, quase 362.000 pessoas entraram com pedido de falência, um número recorde para um único trimestre.

Somos enganados por propagandas sedutoras. A televisão mostra ofertas tentadoras de empréstimos que chegam a 125 por cento do valor da casa da pessoa. Mas não se faz menção aos juros cobrados.

O Presidente Reuben Clark Jr., na reunião do sacerdócio da conferência de 1938, disse deste púlpito: "Ao assumir uma dívida, os juros tornam-se seu companheiro dia e noite; você não pode evitá-los ou escapar deles; não pode despedi-los; eles permanecem indiferentes a súplicas, solicitações ou ordens; e se você cruzar seu caminho ou deixar de atender suas solicitações, eles o esmagarão". (Conference Report, abril de 1938, p. 103.)

Reconheço que talvez haja necessidade de se fazer um empréstimo para a compra da casa própria. No entanto, compremos uma casa que possamos pagar, reduzindo dessa forma as parcelas que nos serão constantemente cobradas, sem misericórdia ou descanso, pelo período de até 30 anos.

Ninguém sabe quando haverá uma emergência. Fiquei sabendo de um homem que era extremamente bem-sucedido em sua profissão. Ele vivia muito bem. Construiu uma casa muito grande. Então, certo dia, sofreu um grave acidente. Instantaneamente, sem qualquer aviso, quase perdeu a vida. Ficou inválido. Toda a sua capacidade de trabalho ficou inutilizada. Ele precisou pagar uma fortuna em despesas médicas, além de outros pagamentos que tinha para fazer. Ficou à mercê de seus credores.

Desde o início da Igreja, o Senhor tem-Se manifestado a respeito das dívidas. Para Martin Harris, por revelação, Ele disse: "Paga a dívida contraída com o impressor. Livra-te da servidão". (D&C 19:35)

O Presidente Heber J. Grant utilizou este púlpito muitas vezes para falar a respeito desse assunto. Ele disse: "Se existe uma coisa que trará paz e alegria ao coração humano e à família é viver dentro dos recursos disponíveis. E se existe algo doloroso, desanimador e desencorajador são as dívidas e as obrigações que não podem ser pagas". (Heber J. Grant, Gospel Standards, 1941, G. Homer Durham (comp.), p. 111.)

Estamos proclamando a mensagem de auto-suficiência por toda a Igreja. A auto-suficiência não pode ser alcançada se grandes dívidas pesarem sobre a família. Nunca teremos independência nem liberdade se estivermos devendo alguma coisa a alguém.

Ao administrar os negócios da Igreja, tentamos ser um exemplo. Temos por norma, a qual seguimos estritamente, separar a cada ano uma porcentagem das rendas da Igreja de modo a estarmos preparados para uma possível necessidade futura.

Sou grato por poder dizer que a Igreja, em todos os seus negócios, empreendimentos e departamentos, é capaz de funcionar sem fazer empréstimos. Quando não temos condições de realizar alguma coisa, fazemos cortes em nossos programas. Reduzimos as despesas para que se mantenham dentro de nossas rendas. Nunca fazemos empréstimos.

Um dos dias mais felizes da vida do Presidente Joseph F. Smith foi aquele em que a Igreja pagou as dívidas antigas que tinha. Ela nunca mais teve dívidas desde aquela época.

Que sensação maravilhosa é estar livre de dívidas e ter um pouco de dinheiro guardado para alguma emergência e que poderá ser usado quando necessário.

O Presidente Faust provavelmente não lhes contaria o que vou relatar, pode ser que fique bravo comigo depois. Ele tinha uma dívida do financiamento de sua casa que lhe cobrava 4 por cento de juros. As pessoas diziam-lhe que seria tolo saldar a dívida, já que os juros eram tão baixos. Mas na primeira oportunidade que teve de conseguir algum dinheiro, ele e a esposa decidiram quitá-la. Desde aquela época, ficou livre de dívidas. É por isso que ele sempre tem um sorriso no rosto e assobia enquanto trabalha.

Rogo-lhes, irmãos, que analisem sua situação financeira. Rogo-lhes que sejam comedidos em suas despesas, controlem-se no que se refere a compras, que evitem ao máximo as dívidas, que as paguem assim que possível e se livrem da servidão.

Isso faz parte do evangelho secular em que acreditamos. Que o Senhor os abençoe, meus amados irmãos, para que coloquem sua casa em ordem. Se já pagaram suas dívidas, se têm uma reserva, mesmo que seja pequena, mesmo que chegue a tempestade, terão abrigo para sua esposa e filhos e paz no coração. Não tenho mais nada a dizer quanto a esse assunto, mas saliento ao máximo o que disse.

Deixo-lhes meu testemunho da divindade desta obra e meu amor a cada um de vocês, em nome do Redentor, o Senhor Jesus Cristo. Amém.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Coragem para Crer

Élder Walter F. Gonzáles - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Fevereiro/2007)


Élder Walter F. Gonzáles

A Família — Proclamação ao Mundo nos ensina que “a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo”. Essa proclamação apresenta princípios e ensinamentos que nos ajudam a fundamentar nossa vida no Salvador. Um desses princípios é a fé.

No Velho Testamento, vemos a história de Elias e a viúva de Sarepta. A história mostra a coragem da viúva ao crer nas palavras do profeta. Essa coragem é um exemplo de como podemos exercitar nossa fé. A escritura diz que o profeta foi para Sarepta e, na entrada da cidade, encontrou-se com a viúva que estava apanhando lenha. Elias “a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, num vaso um pouco de água que beba. E, indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me agora também um bocado de pão na tua mão”.

O pedido era demasiado para ela, que respondeu explicando a sua situação: “Vive o Senhor teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos”. O profeta respondeu com um pedido e uma promessa: “Não temais; vai, faze conforme à tua palavra; porém faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui; depois farás para ti e para teu filho.” Então ele fez a promessa: “Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra”.

Imaginem como nós reagiríamos, face a uma circunstância semelhante. Será que acreditaríamos nas palavras do profeta e nas promessas de Deus? Teríamos coragem para crer? A viúva teve. O relato bíblico diz que ela fez conforme fora instruída pelo profeta e, com isso, também aprendemos que as promessas se cumpriram. “E assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do Senhor, que ele falara pelo ministério de Elias” (I Reis 17:10-16).

Com a restauração do evangelho, temos o conhecimento da doutrina e dos princípios que os antigos também conheceram. Uma das coisas que conhecemos de Deus é que Ele não pode mentir. Mahonri Moriancumer conhecia esse atributo de Deus. Quando o Senhor lhe perguntou: “Crês nas palavras que eu direi? [E] ele respondeu: Sim, Senhor, eu sei que falas a verdade, porque és um Deus de verdade e não podes mentir”. Em Doutrina e Convênios, o próprio Senhor declarou: “Eu, o Senhor, prometo aos fiéis e não posso mentir” (D&C 62:6). Isso significa que quando o Senhor faz uma promessa, vai cumpri-la. Nós precisamos ter coragem para crer, tal como fez a viúva de Sarepta.

O temor muitas vezes priva o cumprimento de promessas feitas. Em D&C 67:3 aprendemos: “Esforçastes-vos para crer que receberíeis a bênção que vos fora oferecida; mas eis que em verdade vos digo que havia temores em vosso coração e, em verdade, esta é a razão por que não a recebestes”. Para vencer esses temores, temos de ter coragem para crer.

As ordenanças, a palavra de Deus proferida pelos profetas nas escrituras e pelos profetas vivos, bem como os convênios que fazemos estão cheios de promessas. Temos coragem para crer nessas promessas? Podemos demonstrar essa coragem pagando os dízimos integralmente, seguindo os conselhos do Presidente da Igreja e cumprindo muitos outros princípios. Por exemplo, os jovens acreditam na promessa de adquirir sabedoria buscando o maior grau de escolaridade possível. O Presidente Gordon B. Hinckley declarou: “Vocês pertencem a uma Igreja que prega a importância da educação. Vocês receberam o mandamento do Senhor de educar a mente, o coração e as mãos (…) Ele deseja que vocês treinem a mente e as mãos para que sejam uma influência positiva ao longo da vida. E ao fazerem isso, ao agirem com honradez e excelência”, o profeta de Deus promete, “trarão honra para a Igreja, pois serão respeitados como homens ou mulheres de integridade, capacidade e competência. Sejam inteligentes. Não sejam tolos. Vocês não podem enganar nem iludir as pessoas nem a si mesmos” (“Conselhos e Oração do Profeta para os Jovens”, A Liahona, abril de 2001, p. 34).

Finalmente, poderíamos evidenciar se temos coragem para crer nas promessas feitas pelo Salvador em Seu grande sacrifício expiatório. Muitas pessoas acham que já fizeram de tudo para serem perdoadas, mas de alguma forma ainda não sentem esse perdão. Alma, o filho, é um exemplo de como a Expiação é o meio pelo qual o peso do fardo é retirado de cada um de nós. Realmente temos coragem para crer na Expiação e em seus efeitos, em todos os dias de nossa vida? Alma sentiu que “estava sendo assim atormentado e (…) estava perturbado pela lembrança de tantos pecados”. Nesse momento, ele relata: “Eis que me lembrei também de ter ouvido meu pai profetizar ao povo sobre a vinda de um Jesus Cristo, o Filho de Deus, para expiar os pecados do mundo” (Alma 36:17).

Ao lembrar os ensinamentos que tinha recebido, Alma teve coragem para crer. Ele acreditou nos ensinamentos sobre a Expiação, fazendo dela uma coisa real em sua vida. “Ora, tendo fixado a mente nesse pensamento, clamei em meu coração: Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim que estou no fel da amargura e rodeado pelas eternas correntes da morte” (Alma 36:18).

Ao fazer da Expiação uma realidade em sua vida, Alma recebeu os benefícios das promessas contidas na doutrina de como o Salvador pode ajudar-nos, dia após dia. Ele contou a seu filho Helamã: “E então, eis que quando pensei isto, já não me lembrei de minhas dores; sim, já não fui atormentado pela lembrança de meus pecados”. E, então, a promessa aconteceu: “E oh! que alegria e que luz maravilhosa contemplei! Sim, minha alma encheu-se de tanta alegria quanta havia sido minha dor” (Alma 36:19–20).

Ter coragem para crer, tal como no episódio da viúva de Sarepta, pode fazer uma grande diferença em nossa vida. O Salvador ensinou-nos que ter coragem para crer é um mandamento, ao indicar ao principal da sinagoga: “Não temas, crê somente” (Marcos 5:36).

Eu sei que o Salvador é um Deus que não pode mentir, e que as Suas promessas sempre se cumprem, “seja pela [Sua própria] voz ou pela de [Seus] servos, é o mesmo” (D&C 1:37–38).

É uma grande benção termos o evangelho da esperança, que possibilita que nossa vida seja grandemente abençoada, para sermos cada vez melhores diante dos olhos do Senhor.

domingo, 21 de novembro de 2010

Uma Perspectiva Correta Que Conduz à Felicidade

Élder Adhemar Damiani - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Junho/2005)

Élder Adhemar Damiani

O que é mais importante para mim? A família? A Igreja? O trabalho? O estudo? O que deve ter prioridade? Essas são questões fundamentais que precisamos responder adequadamente para podermos ter paz e alegria.

O Presidente Gordon B. Hinckley disse: “Cada um de nós tem quatro responsabilidades. Primeiro, somos responsáveis por nossa família. Segundo, temos uma responsabilidade para com o nosso emprego. Terceiro, temos a responsabilidade de fazer o trabalho do Senhor. Quarto, temos uma responsabilidade em relação a nós mesmos”.1

Essas instruções dadas aos líderes do sacerdócio aplicam-se perfeitamente a cada um de nós, sejamos líderes ou não, casados ou não, jovens ou adultos.

A Família
Ele disse: “Primeiro, é fundamental que não negligenciem sua família. Nada que vocês possuam
é mais precioso. (…) No final de tudo, é o relacionamento familiar que levaremos para além desta vida. Parafraseando as escrituras: ‘Pois que aproveita ao homem servir fielmente na Igreja e perder sua própria família?’ (Ver Marcos 8:36.) Determinem junto com eles quanto tempo vocês passarão com eles e quando. E depois cumpram o combinado. Não deixem que nada interfira nisso. Considerem-no algo sagrado. Considerem-no um compromisso a ser cumprido. Considerem-no um merecido momento a ser desfrutado. Considerem a noite de segunda-feira sagrada para a reunião familiar. Reservem uma noite para estarem sozinhos com sua esposa. Programem umas férias com toda a família”.1

Como está o meu relacionamento com minha (meu) esposa (o)? Como está meu relacionamento com meus filhos? Eles confiam em mim? Compartilham comigo seus desafios pessoais? Como está meu relacionamento com meus pais e irmãos? Tenho dedicado tempo adequado a eles? Tenho tido alegria em minha família? Tenho feito reuniões familiares a cada semana? Tenho feito conselhos de família regularmente, para juntos decidirmos o que é melhor para nossa família? Tenho saído semanalmente com minha (meu) esposa (o) para namorar, sonhar, visualizar nosso futuro? Tenho tido um tempo semanal com minha família para nos divertir? Tenho entrevistado regularmente cada um de meus filhos?

O Emprego ou Trabalho
O Presidente Hinckley disse: “Em segundo lugar, seu emprego, ou seu patrão. Sejam honestos com seu empregador. Não façam o trabalho da Igreja no horário de serviço. Sejam leais a ele. Ele os remunera e espera resultados de vocês. Vocês precisam de seu emprego para cuidar de sua família. Sem ele, não poderão trabalhar eficazmente na Igreja”.1

Atualmente está cada vez mais difícil conseguir um emprego ou manter-se nele. O que estou fazendo para meu aperfeiçoamento profissional? O que tenho feito para preparar-me para situações de desemprego? Estou procurando aprender coisas novas a cada dia? Minha preocupação é ter um emprego ou ter um trabalho digno? Tenho sido honesto para com o Senhor, devolvendo a Ele o dízimo de tudo o que Ele me concede?

A Igreja
“Terceiro, o Senhor e Sua Obra. Programem seu horário para cuidar de suas responsabilidades na Igreja.” 1

Vejo meu chamado como uma oportunidade para servir? Ou para ser servido? Estou sempre pronto para servir ao próximo? Como estou servindo ao Senhor? Na Igreja não importa onde servimos, mas sim como servimos.

Crescimento Pessoal
“Quarto, todo líder da Igreja tem uma obrigação para consigo mesmo. Ele precisa de repouso e exercícios. Precisa de um pouco de recreação (…) precisa ler as escrituras. Precisa de tempo para ponderar, meditar e pensar sozinho. Sempre que possível, ele precisa ir com sua esposa ao templo.”

Tenho cuidado adequadamente de minha saúde? Estou estudando regularmente as escrituras? Ou estou simplesmente lendo? Estou aplicando os princípios em minha vida pessoal? Tenho ido regularmente ao templo?

Um Tempo para Tudo
Vivemos num mundo atribulado e com muitos desafios. Muitas pessoas e acontecimentos requerem simultaneamente a nossa atenção. Somos tentados a negligenciar uma ou mais de nossas principais responsabilidades.

O conselho de nosso profeta é: “Com ponderada reflexão e cuidadoso planejamento, podemos programar nosso horário para atender a todas elas. Não devemos, irmãos, não podemos negligenciar nenhuma delas. O Senhor não espera que sejamos super-homens. Mas se nos colocarmos em Suas mãos, se suplicarmos a Ele em oração, Ele nos inspirará e ajudará. Ele magnificará nossa capacidade e nos colocará à altura de nossa responsabilidade”.1

Estou buscando a orientação do Senhor em tudo o que faço? O uso de meu tempo está de acordo com as prioridades estabelecidas pelo Senhor? O que estou fazendo está unindo e fortalecendo minha família? O que estou fazendo para ser totalmente auto-suficiente financeira, espiritual e emocionalmente?

Ser Feliz
Muitas vezes nos sentimos frustrados e infelizes com tanto a fazer e com tão pouco tempo. Fazemos muito e nos sentimos culpados por não podermos fazer tudo o que pensamos que deveríamos fazer. Nessas ocasiões geralmente deixamos de lado as coisas que realmente são importantes.

O conselho do profeta é: “Irmãos, se vocês estão sempre reclamando que têm muito o que fazer, então vocês têm mesmo muito o que fazer. Precisam livrar-se de parte dessas coisas, porque um líder descontente é um mau líder. Irmãos, quero pedirlhes que sejam felizes em seu trabalho. Tenham um sorriso no rosto e um hino no coração ao servirem ao Senhor. Sou um homem velho agora. Simplesmente não tenho mais a energia que tinha no passado. Mas não me permitirei sentir-me infeliz ao fazer o que posso fazer”.

“As exigências são muito grandes. (…) Quero fazer melhor, quero que as coisas melhorem. Mas sei que não posso fazer isso sozinho. (…) Tenho a grande bênção da oração. E o mesmo acontece com cada um de vocês. Tenho a oportunidade de ajoelhar-me e pedir ao Senhor que me mostre o caminho e me dê forças e o desejo e a sabedoria para cumprir o que Ele quer que seja feito.” 1

Estou feliz com minha situação atual? Demonstro que sou uma pessoa feliz? O que estou fazendo, que não deveria fazer? O que deveria fazer, que realmente é importante? O que estou fazendo, que me levará à vida eterna e exaltação?

Fazer o Melhor
“Nenhum de nós realizará tudo o que desejar. Mas façamos o melhor que pudermos. Tenho certeza de que o Redentor então dirá: ‘Bem está, servo bom e fiel’ (Mateus 25:21).”

Haverá etapas em nossa vida nas quais precisaremos dedicar mais tempo e mais atenção a nossa família. Em outras ocasiões, a prioridade será o estudo, ou o trabalho, ou a Igreja.

O Senhor disse: “Façamos alegremente todas as coisas que estiverem a nosso alcance; e depois aguardemos, com extrema segurança, para ver a salvação de Deus e a revelação de seu braço”. 2

O que o Senhor espera de nós? Fazer, não ficar parado reclamando. Fazer com alegria, não ficar desanimado. Fazer tudo o que está ao nosso alcance. Só nós e o Senhor sabemos o que está ao nosso alcance neste momento. Depois, confiar plenamente no Senhor. Então, Ele fará os milagres necessários em nossa vida.

Quando temos uma vida equilibrada, quando fazemos com alegria tudo o que está ao nosso alcance, e quando seguimos as prioridades estabelecidas pelo Senhor, (1º.) família, (2º.) trabalho, (3º.) Igreja e (4º.) crescimento pessoal, então temos paz, e somos felizes.

Notas:
1. Presidente Gordon B. Hinckley — Reunião Mundial de Treinamento da Liderança, em 21 de junho de 2003.
2. D&C 123:17.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Reflexões sobre uma Vida Consagrada

D. Todd Christofferson
Do Quórum dos Doze Apóstolos

O verdadeiro sucesso nesta vida advém da consagração de nossa vida — ou seja, de nosso tempo e escolhas — aos propósitos de Deus

Elder D. Todd ChristoffersonQuando jovem, visitei a Feira Mundial de 1964 na Cidade de Nova York. Um de meus estandes favoritos era o pavilhão da Igreja SUD, com sua impressionante réplica das torres do templo de Salt Lake. Foi lá que vi pela primeira vez o filme O Homem em Busca da Felicidade. A exposição do plano de salvação mostrada no filme, que era narrada pelo Élder Richard L. Evans, teve uma influência marcante na vida de muitos visitantes, inclusive na minha. Entre outras coisas, o Élder Evans dizia:

“A vida lhe oferece duas dádivas preciosas — uma é o tempo e, a outra, a liberdade de escolha — a liberdade de comprar com seu tempo o que você quiser. Você é livre para investir seu tempo na busca de emoções. Na gratificação de desejos vis. Pode investi-lo em ganância. (…)

Você tem a liberdade de escolha. Mas não serão uma boa troca, porque nelas você não terá uma satisfação duradoura.

Chegará o momento em que você terá de prestar contas de cada dia, cada hora, cada minuto de sua vida mortal. E é nesta vida que você caminha pela fé e prova que é capaz de escolher o bem em vez do mal, o certo em vez do errado, a felicidade duradoura em vez da mera diversão. E sua recompensa eterna será de acordo com suas escolhas.

Um profeta de Deus disse: ‘O homem existe para que tenha alegria’ — uma alegria que inclui uma vida plena, uma vida dedicada ao serviço, ao amor e à harmonia no lar, aos frutos do trabalho honesto e a aceitação do evangelho de Jesus Cristo, seus requisitos e mandamentos.

Somente nessas coisas você encontrará a verdadeira felicidade, uma felicidade que não se dissipa com as luzes, a música e as multidões”.1

Essas declarações expressam a realidade de que nossa vida na Terra é uma mordomia de tempo e escolhas que nos foi concedida por nosso Criador. A palavra mordomia nos traz à mente a lei da consagração do Senhor (ver, por exemplo, D&C 42:32, 53), que tem um aspecto financeiro porém, mais que isso, é uma aplicação da lei celestial à vida aqui na Terra (ver D&C 105:5). Consagrar significa separar ou dedicar algo para que se torne sagrado, dedicado a propósitos santos. O verdadeiro sucesso nesta vida advém da consagração de nossa vida — ou seja, de nosso tempo e escolhas — aos propósitos de Deus (ver João 17:1, 4; D&C 19:19). Ao fazê-lo, permitimos que Ele nos erga até o nosso destino mais elevado.

Gostaria de abordar com vocês cinco dos aspectos de uma vida consagrada: a pureza, o trabalho, o respeito pelo corpo físico, o serviço e a integridade.

Conforme demonstrou o Salvador, uma vida consagrada é uma vida pura. Embora Jesus tenha sido o único a levar uma vida sem pecados, aqueles que se achegam a Ele e tomam o Seu fardo sobre si têm direito a Sua graça, que os tornará como Ele é: sem culpa e sem mancha. Com profundo amor, o Senhor nos encoraja com estas palavras: “Arrependei-vos todos vós, confins da Terra; vinde a mim e sede batizados em meu nome, a fim de que sejais santificados, recebendo o Espírito Santo, para comparecerdes sem mancha perante mim no último dia” (3 Néfi 27:20).

Consagração, portanto, significa arrependimento. A teimosia, a rebelião e a racionalização precisam ser abandonadas, sendo substituídas pela submissão, pelo desejo de ser corrigido e pela aceitação de tudo o que o Senhor exigir. Foi isso que o rei Benjamim chamou de despojar-se do homem natural, ceder aos influxos do Santo Espírito e tornar-se “santo pela expiação de Cristo, o Senhor” (Mosias 3:19). Ao fazermos isso recebemos a promessa da presença constante do Santo Espírito, uma promessa que é relembrada e renovada cada vez que uma alma penitente toma o sacramento da ceia do Senhor (ver D&C 20:77, 79).

O Élder B. H. Roberts explicou esse processo da seguinte forma: “O homem que anda na luz, na sabedoria e no poder de Deus acabará, pela própria força da associação, fazendo com que essa luz, sabedoria e poder de Deus se tornem seus, tecendo com esses raios brilhantes uma corrente divina, que o une a Deus e Deus a ele para sempre. Essa [é] a essência das místicas palavras do Messias, ‘tu, ó Pai, em mim, e eu em ti’, que é a condição mais elevada que um homem pode alcançar”.2

Uma vida consagrada é uma vida de trabalho árduo. Desde bem cedo em Sua vida, Jesus cuidou dos assuntos de Seu Pai (ver Lucas 2:48–49). O próprio Deus é glorificado por Sua obra de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos (ver Moisés 1:39). É natural que desejemos participar com Ele de Sua obra, e ao fazê-lo, devemos reconhecer que todo trabalho honesto é a obra de Deus. Nas palavras de Thomas Carlyle: “Todo Trabalho verdadeiro é sagrado; em todo Trabalho verdadeiro, ainda que seja apenas um trabalho braçal, há algo de divino. O trabalho árduo, amplo como a Terra, tem seu ponto culminante no Céu”. 3

Deus determinou que esta existência mortal exija um esforço quase constante. Vêm-me à mente esta simples declaração do Profeta Joseph Smith: “Trabalhando continuamente, conseguíamos viver de maneira confortável” (Joseph Smith — História 1:55) Por meio do trabalho sustentamos e enriquecemos a vida. Ele nos permite sobreviver às frustrações e tragédias da vida mortal. Uma realização alcançada arduamente proporciona um sentimento de valor próprio. O trabalho edifica e refina o caráter, cria beleza e é o instrumento de nosso serviço ao próximo e a Deus. Uma vida consagrada é cheia de trabalho, às vezes repetitivo, às vezes braçal, às vezes pouco reconhecido, mas sempre um trabalho que melhora, que organiza, que sustém, que eleva, que ministra e que aprimora.

Depois de louvar o trabalho, tenho também de falar algo de bom sobre o lazer. Assim como o labor honesto torna o descanso agradável, a recreação sadia é a amiga e constante companheira do trabalho. A música, a literatura, as artes, a dança, o teatro, os esportes — tudo isso pode prover entretenimento para enriquecer a vida e consagrá-la ainda mais. Por outro lado, nem é preciso dizer que grande parte do que se considera entretenimento hoje em dia são coisas vulgares, degradantes, violentas, alienantes e que desperdiçam nosso tempo. Ironicamente, muitas vezes é preciso trabalho árduo para encontrar um lazer sadio. Quando o entretenimento passa da virtude ao vício, ele se torna um destruidor da vida consagrada. “Portanto tende cuidado (…) a fim de que não julgueis ser de Deus o que é mau” (Morôni 7:14).

Uma vida consagrada respeita a incomparável dádiva do corpo físico, uma criação divina feita à própria imagem de Deus. O propósito principal da vida mortal é o de que todo espírito receba um corpo assim, e aprenda a exercer o arbítrio moral em um tabernáculo de carne. O corpo físico também é essencial à exaltação, que somente é alcançada pela combinação perfeita do físico com o espiritual, como vemos em nosso amado Salvador ressuscitado. Neste mundo decaído, alguns terão uma vida dolorosamente curta; outros terão um corpo deformado, débil ou pouco adequado para manter a vida; mas a duração da vida será suficientemente longa para cada espírito, e cada corpo terá direito à ressurreição.

Aqueles que acreditam que nosso corpo nada mais é do que o resultado de uma evolução aleatória não sentem que devem prestar contas a Deus, ou a qualquer outra pessoa, pelo que fazem com o próprio corpo. Nós, que temos um testemunho da realidade mais ampla da eternidade pré-mortal, mortal e pós-mortal, porém, precisamos reconhecer que temos um dever para com Deus em relação a essa sublime realização de Sua criação física. Nas palavras de Paulo:

“ Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Coríntios 6:19–20).

Se reconhecermos essas verdades e a orientação do Presidente Thomas S. Monson dadas na última conferência geral de abril, certamente não vamos desfigurar o corpo, com tatuagens; nem o debilitar, com drogas; nem o desonrar, com fornicação, adultério ou falta de recato.4 Por ser o instrumento de nosso espírito, é vital que cuidemos deste corpo da melhor forma possível. Devemos consagrar seus poderes para servir e levar adiante o trabalho de Cristo. Paulo disse: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12:1).

Jesus mostrou que uma vida consagrada é uma vida de serviço. Horas antes do início da agonia de Sua Expiação, o Senhor humildemente lavou os pés de Seus discípulos, dizendo-lhes:

“Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.

Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou (João 13:14–16).

Aqueles que discreta e prestativamente fazem o bem são um exemplo de consagração. Ninguém em nossos dias demonstra de modo mais perfeito essa característica na vida diária do que o Presidente Thomas S. Monson. Ele desenvolveu um ouvido que sabe ouvir, para poder discernir até o mais suave sussurro do Espírito que lhe sinaliza as necessidades de alguém que ele pode alcançar e ajudar. Geralmente são atos simples que confirmam o amor e a preocupação divinos, mas Thomas Monson sempre — sempre — atende à inspiração.

Encontrei na vida de meu avô e de minha avó, Alexander DeWitt e Louise Vickery Christofferson, um exemplo dessa consagração. Vovô era um homem forte e sabia tosquiar ovelhas muito bem, antes da época dos tosquiadores elétricos. Era tão bom nisso, que contava: “Certo dia, tosquiei 287 ovelhas, e poderia ter tosquiado mais de 300, mas não havia tantas assim”. Em 1919, ele tosquiou mais de 12.000 ovelhas, ganhando com isso cerca de dois mil dólares. Poderia ter usado o dinheiro para aumentar significativamente sua fazenda e reformar a casa, mas recebeu dos líderes da Igreja um chamado para servir na Missão dos Estados do Sul e, com todo o apoio de Louise, ele o aceitou. Deixou a mulher (que estava grávida do primeiro filho, meu pai) e as três filhas com o dinheiro da tosquia das ovelhas. Em seu feliz retorno, dois anos depois, ele comentou: “Nossas economias nos sustentaram durante os dois anos, e ainda nos restaram 29 dólares”.

Uma vida consagrada é uma vida íntegra. Vemos isso no marido e na mulher “que [honram] os votos matrimoniais com total fidelidade”.5 Vemos isso no pai e na mãe cuja prioridade é comprovadamente nutrir seu casamento e garantir o bem-estar físico e espiritual dos filhos. Vemos isso nos que são honestos.

Há vários anos, conheci duas famílias que estavam no processo de dissolução de um empreendimento comercial conjunto. Os dois diretores, que eram amigos e membros da mesma congregação cristã, haviam criado a empresa vários anos antes. De modo geral, tiveram um relacionamento harmonioso como sócios, mas à medida que foram envelhecendo e a nova geração começou a participar dos negócios, surgiram conflitos. Por fim, as duas partes decidiram que seria melhor dividir os ativos e seguir rumos separados. Um dos sócios originais elaborou um estratagema com seus advogados que lhe garantiu uma significativa vantagem financeira na dissolução, em detrimento do outro sócio e dos filhos. Numa reunião dos sócios, um dos filhos reclamou do modo injusto como haviam sido tratados e apelou para a honra e as crenças cristãs do primeiro sócio. “Você sabe que isso não está certo”, disse ele. “Como é que pode tirar vantagem de alguém dessa maneira, especialmente de um irmão da mesma igreja?” O advogado do primeiro sócio replicou: “Ora, veja se cresce! Como pode ser tão ingênuo?”

Integridade não é ingenuidade. Ingênuo é quem acha que não teremos de prestar contas a Deus. O Salvador declarou: “Meu Pai enviou-me para que eu fosse levantado na cruz (…) [e], assim como fui levantado pelos homens, assim sejam os homens levantados pelo Pai, para comparecerem perante mim a fim de serem julgados por suas obras, sejam elas boas ou más” (3 Néfi 27:14). Quem vive uma vida consagrada não busca tirar vantagem dos outros, mas oferece a outra face e, se lhe exigirem que entregue a túnica, dá a capa também (ver Mateus 5:39–40). As mais severas reprimendas do Salvador foram para os hipócritas. A hipocrisia é terrivelmente destrutiva, não apenas para quem é hipócrita, mas também para todos os que observam ou conhecem sua conduta, especialmente os filhos. Ela destrói a fé, ao passo que a honra é o rico solo no qual a semente da fé viceja.

Uma vida consagrada é uma coisa bela. Sua força e serenidade são “como uma árvore muito frutífera, plantada em terra fértil junto a um riacho de água pura, que produz muitos frutos preciosos” (D&C 97:9). É de especial importância a influência que um homem [ou mulher] consagrado tem sobre as pessoas, particularmente as mais próximas e queridas. A consagração de muitos que nos antecederam, assim como a de outros que vivem entre nós, ajudou a estabelecer o alicerce de nossa felicidade. De igual maneira, as gerações futuras serão encorajadas por nossa vida consagrada, reconhecendo a dívida que têm para conosco pela posse de tudo o que realmente importa. Que nos consagremos como filhos e filhas de Deus, para “que quando ele aparecer, sejamos como ele, porque o veremos como ele é; que tenhamos esta esperança” (Morôni 7:48; ver também I João 3:2). É minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. Man’s Search for Happiness , (folheto, 1969), pp. 4–5.
2. B. H. Roberts, “Brigham Young: A Character Sketch”, Improvement Era, junho de 1903, p. 574.
3. Thomas Carlyle, Past and Present, 1843, p. 251.
4. Ver Thomas S. Monson, “A Preparação Traz Bênçãos”, A Liahona e Ensign, maio de 2010, pp. 64–67.
5. “A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, última contra capa; Ensign, novembro de 1995, p.102.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Decisões

Élder Robert R. Steuer - Presidente da Área Brasil Norte (Setembro/2005)

Muitas decisões não são fáceis e, às vezes, achamos que seremos mais livres e não teremos obrigação alguma, se simplesmente não nos decidirmos. Mas o fato de ser ambíguos, de evitar decisões ou tomá-las com indiferença desvia-nos da verdade e do progresso individual. Reconhecer e seguir a verdade é o caminho da integridade e da verdadeira liberdade pessoal. E é com base nessa verdade, sobre a qual Jesus disse que nos tornaria livres, que o Senhor quer que tomemos decisões sábias e que assumamos compromissos. Conforme Ele disse a João, o Revelador: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz. (…) Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. (…) Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”1

Há momentos em que muitos gostariam de acreditar que só existem verdades “relativas”. O Élder Russell M. Nelson disse: “É claro que a verdade não é ‘relativa’. Só a compreensão humana da verdade é ‘relativa’. Mas a verdade proclamada pela Deidade é tão absoluta quanto a própria Deidade, que definiu tal verdade como sendo o ‘conhecimento das coisas como elas são, como foram e como serão’” 2. As verdades não podem ser discutidas, redefinidas nem corrigidas. O Presidente Spencer W. Kimball observou: “Se os quatro bilhões de pessoas no mundo acreditassem que ele [o mundo] é plano, estariam erradas. Essa é uma verdade absoluta e nem todas as discussões do mundo a mudariam” 3. Ao falar sobre os Dez Mandamentos, o Élder Neal A. Maxwell explicou: “Somos, evidentemente, livres para obedecer — ou não — a esses mandamentos. Não temos liberdade para tentar corrigi-los, por exemplo: ‘Não cometerás adultério, exceto se for entre adultos de comum acordo’. (…) É preferível que queiramos as conseqüências daquilo em que acreditamos ou não acreditamos, porque as conseqüências certamente virão” 4. Há recompensas por nossa obediência e punições por nossa desobediência ou “(…) Deus deixaria de ser Deus” 5.

O Apóstolo Paulo descreveu nossa época assim: “Nos últimos dias (…) haverá homens amantes de si mesmos. (…) Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” 6. Aprender sempre pode ser interessante, mas não podemos experimentar cada canto intrigante da vida. Somos lembrados de que não é uma questão de se aceitaremos a verdade divina, mas sim uma questão de quando 7. Aprendemos que “(…) se dobre todo o joelho (…) e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor (…)” 8, e que não há nenhum outro caminho ou meio pelo qual a salvação seja concedida aos homens 9.

Quando compreendemos e aceitamos os princípios verdadeiros, nossas decisões se tornam mais claras e menos confusas. Mas é importante saber que “(…) os tesouros tanto do conhecimento secular quanto do espiritual estão escondidos (…) escondidos daqueles que não o buscam nem se esforçam por encontrá-los da maneira apropriada. (…) O conhecimento espiritual não fica à disposição se simplesmente for pedido; nem mesmo orações serão suficientes. Ele requer persistência e dedicação na vida da pessoa (…)” 10. Ponderação, exame, inspeção, estudo, experimentação e reflexão11 também fazem parte do preço a ser pago para encontrar esse conhecimento espiritual. Quando descobrimos esses tesouros, só então reconhecemos e valorizamos corretamente a inspiração do Senhor em nossa vida, o que nos motiva ainda mais. Como disse o Élder Russell M. Nelson: “Existem poucas recompensas tão estimulantes quanto a descoberta da verdade” 12.

Assim, a aceitação das verdades pode tornar-nos livres 13: livres da ambivalência, da ambigüidade, das tentativas, desculpas e da ignorância. Aceitar as verdades exige a obediência aos sentimentos do Espírito, autodisciplina e coragem para viver o que é certo. “Exigirá o mesmo tipo de coragem que os espartanos demonstraram, quando tenazmente defenderam um desfiladeiro na montanha contra um número esmagador de persas. Foi dito aos espartanos que se não desistissem, os arqueiros do exército persa, que eram muitos, escureceriam os céus com suas flechas. Diante do ultimato, os espartanos disseram simplesmente: ‘Quanto mais, melhor: lutaremos no escuro!’” 14

Com esse tipo de coragem, podemos aceitar um princípio verdadeiro como ele realmente é: “É o que é”, sem debates, sem evasivas nem hesitação. Dessa maneira, ao seguirmos a inspiração do Espírito Santo, encontraremos soluções 15 e utilizaremos sabiamente nosso precioso dom do tempo. O poder na verdade confere compromisso total a nossa vida, e clareza para nossas decisões, dando-nos a certeza de que o curso de nossa vida está de acordo com a vontade de Deus 16.

NOTAS
1. Apocalipse 3:13–16.
2. Russell M. Nelson, “Truth—and More”, Ensign, janeiro de 1986, p. 69.
3. Spencer W. Kimball, “Absolute Truth”, Ensign, setembro de 1978, p. 3.
4. Neal A. Maxwell, “The Prohibitive Costs of a Value-free Society”, Ensign, outubro de 1978, p. 52.
5. Ver Alma 42:16–22.
6. II Timóteo 3:1–7.
7. Spencer W. Kimball, “Absolute Truth”, Ensign, setembro de 1978, p. 3.
8. Ver Filipenses 2:10–11.
9. Ver Mosias 3:17.
10. The Teachings of Spencer W. Kimball, pp. 389–390.
11. Richard G. Scott, “Acquiring Spiritual Knowledge”, Ensign, novembro de 1993, p. 86.
12. Russell M. Nelson, “Truth—and More”, Ensign, janeiro de 1986, p. 69.
13. Ver João 8:32.
14. Neal A. Maxwell, “The Prohibitive Costs of a Value-free Society”, Ensign, outubro de 1978, p. 52.
15. Ver Morôni 10:5.
16. Joseph Smith, comp. de Lectures on Faith, [2000], p. 39.

Artigo extraido de http://www.lds.org.br/brz_mn_show.asp?v_section=5&v_codi=7&v_mask=AKLPORDART

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Maneira do Senhor É Melhor que a Maneira do Mundo

Élder Stanley G. Ellis - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Outubro/2009)

Há muitos que querem e tentam ajudar os necessitados. Pessoas de boa vontade e generosidade dedicam tempo e dinheiro nesse empenho. Muitas fundações gastam milhões, e governos estabelecem impostos e orçamentos para acabar com a pobreza. A maioria das igrejas inclui atividades caritativas em seu programa. Por fim, bilhões e bilhões são gastos para aliviar o sofrimento.

O rei Benjamim, no Livro de Mórmon, ensinou-nos que devemos, todos nós, ser generosos com o que Deus nos deu e ajudar os necessitados. Ele nos admoestou que é importante “(…) para [conservarmos] a remissão de [nossos] pecados, dia a dia (…) que [repartamos nossos] bens com os pobres, cada um de acordo com o que possui (…) E [vejamos] que todas estas coisas sejam feitas com sabedoria e ordem (…) (Mosias 4:26–27).

As escrituras nos trazem o relato de períodos em que o povo teve grande sucesso em cuidar dos necessitados, como o da Cidade de Enoque: “E o Senhor chamou seu povo Sião, porque eram unos de coração e vontade e viviam em retidão; e não havia pobres entre eles” (Moisés 7:18; ver também 4 Néfi 1:2–3).

O que significa “coisas feitas com sabedoria e ordem”? Qual é o segredo de doar de modo a alcançar sucesso? Existe alguma forma de cuidar dos necessitados “em retidão”, à maneira do Senhor?

A Lei do Jejum
A maneira do Senhor se baseia na Lei do Jejum. O jejum, na verdade, fortalece-nos fisicamente. Faz bem para o corpo. No mundo moderno, tendemos a ser um povo glutão: comemos em demasia. O jejum também nos ajuda a desenvolver mais autocontrole.

Somos fortalecidos espiritualmente pelo jejum. Isaías nos ensinou que o Senhor escolheu o jejum que “solte as ligaduras da impiedade, que desfaça as ataduras do jugo e que deixe livres os oprimidos, e despedace todo o jugo”. E logo a seguir, o Senhor promete: “Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eisme aqui” (Isaías 58:6, 8–9).

O Salvador ensinou a Seus discípulos que o jejum acrescenta poder a suas orações ao terem de lidar contra o mal (ver Mateus 17:21). Foi o jejum que deu mais poder e autoridade aos filhos de Mosias durante sua missão entre os lamanitas (ver Alma 17:2–3).

As Ofertas de Jejum Proveem aos Necessitados
Na Igreja do Senhor, jejuamos uma vez por mês no “Domingo de Jejum”, deixando de comer e de beber por duas refeições (24 horas). Então, fazemos a doação à Igreja no valor correspondente a essas duas refeições, como oferta de jejum. O fundo assim composto é usado pelo bispo ou pelo presidente do ramo para ajudar os pobres e necessitados, à maneira do Senhor. Uma vez que só doamos aquilo que economizamos por não ter comido duas refeições, a oferta de jejum não nos acrescenta nenhum gasto extra. Dessa forma, todos podem e devem participar da doação das ofertas de jejum.

Mesmo o membro que tem poucas posses pode ajudar outras pessoas doando somente o valor que teria gastado. Ajudar os necessitados gera um bom sentimento. Os membros que têm mais condição podem fazer ofertas mais generosas (o Presidente Kimball sugeriu “muito mais” para aqueles que têm mais recursos). Aqui no Brasil, deveríamos ter 100% de participação na doação de ofertas de jejum.

O fundo das ofertas de jejum, destinado a ajudar os necessitados, é usado exclusivamente para dar assistência. Não há despesas administrativas, não é gerado nenhum gasto administrativo. Que modo maravilhoso de prover o necessitado! Os que doam são abençoados física e espiritualmente por jejuar, sem nenhuma despesa extra. Quando os que recebem são ajudados à maneira do Senhor, são abençoados com sustância, o essencial para a vida, mas também com mais esperança, fé, confiança e amor por seu Senhor e pelos santos ao seu redor.

À Maneira do Senhor
Quando fazemos as coisas à maneira do Senhor, todos os envolvidos são abençoados. Se isso é feito de outra maneira, não temos promessa alguma. Nesse contexto, o alicerce para a maneira do Senhor é que cada um de nós seja material e espiritualmente autossuficiente. A autossuficiência é definida como a capacidade, compromisso e esforço de suprir as nossas necessidades vitais e as de nossa família.
Élder Stanley G. Ellis - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Outubro/2009)

Podemos ser autossuficientes. Para isso, precisamos assumir o controle de nossos rendimentos e de nossos gastos. No lado dos rendimentos, o Senhor declarou “(…) há bastante e de sobra (…) (D&C 104:17; ver também 14–18). No Brasil, a maior economia da América Latina e uma das maiores do mundo, há trabalho honesto para aqueles que trabalham com afinco e estão sempre aprendendo, estudando e se aperfeiçoando. Ao recebermos uma quantia, primeiro pagamos nosso dízimo honestamente e fazemos nossa generosa oferta de jejum, a fim de que o Senhor nos abençoe para recebermos mais.

Do lado dos gastos ou despesas, precisamos “disciplinar nossos sentimentos” quanto ao que é desejo e ao que é necessidade. O padrão do Senhor é “suficiente para nossas necessidades” e é descrito pelo Élder Robert D. Hales como viver previdente — viver dentro de nosso orçamento (gastar menos do que recebemos), preparando-nos para os altos e baixos da vida economizando para emergências, usando os recursos sabiamente e não sendo perdulários, evitando dívidas em excesso e contentando-nos com o que temos. A Primeira Presidência enfatizou recentemente esses princípios e deu-nos como referência os livretos “Preparar Todas as Coisas Necessárias”.

Nenhuma dessas coisas é fácil. Na verdade, são difíceis. O Senhor nunca nos prometeu que seria fácil, mas sim que seria possível e que valeria a pena.

Ajudar à Maneira do Senhor
Finalmente, o bispo ou o presidente do ramo deve auxiliar os necessitados à maneira do Senhor, também. O princípio básico é ajudarmos as pessoas a ajudar-se a si mesmas. Elas devem assumir a responsabilidade de fazer tudo o que puderem com a ajuda da própria família. Os líderes ajudam a manter a vida, não o estilo de vida. A ajuda das ofertas de jejum é temporária. Aos que recebem ajuda é dada a oportunidade de trabalhar pelo que estão recebendo, dentro de sua capacidade. Dessa forma, o necessitado é fortalecido e capacitado.

O Presidente Ezra Taft Benson comparou, certa vez, a maneira do Senhor à maneira do mundo. “O mundo age de fora para dentro; o Senhor age de dentro para fora. O mundo procura tirar as pessoas da favela; Cristo tira a favela das pessoas e, depois, elas mesmas se retiram da favela. O mundo molda os homens modificando seu ambiente; Cristo modifica os homens, que por sua vez, modificam seu ambiente. O mundo molda o comportamento humano, mas Cristo pode mudar a natureza humana”.

O Presidente J. Reuben Clark disse que o objetivo de longo prazo do plano de bem-estar (do Senhor) é a edificação do caráter nos membros da Igreja, doadores e recebedores (citado em Providing in the Lord’s Way, prefácio).

Como testemunha especial, testifico-lhes que a maneira do Senhor é melhor que a maneira do mundo. A maneira do Senhor abençoa todos os envolvidos. Se isso for feito de outra maneira, não temos promessa alguma.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...