segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perseverar na Fé

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Janeiro/2006)

Gosto muito de ler sobre a história da Igreja. Essas histórias nos ensinam a respeito da fé e da coragem para enfrentar desafios. Os primeiros santos da Igreja tiveram de demonstrar grande fé para seguir a Cristo. Depois que o Sacerdócio foi restaurado, os santos começaram a ser perseguidos de tal forma que foram expulsos de sua casa e perderam seus bens e até mesmo membros de sua família. Os que perseveraram na fé foram abençoados com o conforto de que por meio de provações o Senhor nos redime de nossos erros e somos grandemente abençoados.

Segundo Brigham Young, "somos um povo mais feliz quando temos o que chamamos de provações, pois o Espírito de Deus é mais abundantemente derramado sobre os fiéis". Ele ainda acrescenta: "Irmãos, quero dizer-lhes que temos passado por muitas tribulações, mas não creio que um homem ou uma mulher que desfruta do espírito de nossa religião realmente passe pelo que chamamos de provações; mas aqueles que tentam viver de acordo com o evangelho do Filho de Deus e ao mesmo tempo se apegam às coisas do mundo, sofrem provações e tristezas, agudas e insuportáveis, e isso continuamente. Lançai fora o jugo do inimigo e tomai sobre vós o de Cristo, e direis que seu fardo é leve e seu jugo é suave."

As dolorosas experiências pelas quais os pioneiros passaram desenvolveram neles uma fé inabalável em Deus. Além da herança de fé deixada por aqueles que atravessaram as planícies, também ficou um grande legado de amor: amor a Deus e à humanidade. É um legado de temperança, independência, trabalho árduo, padrões de Deus e lealdade àqueles a quem Deus chamou para guiar Seu povo. É um legado de abandono do pecado.

Queridos irmãos e irmãs, não posso deixar de imaginar por que esses intrépidos pioneiros precisaram pagar um preço tão terrível de agonia e sofrimento por sua fé. Acredito que a vida deles foi consagrada a um propósito superior, por meio do sofrimento. O amor que sentiam pelo Salvador ficou gravado profundamente em sua alma, na alma de seus filhos e na dos filhos de seus filhos. A motivação de sua vida era fruto de uma conversão real dentro de cada um.

O Presidente Gordon B. Hinckley disse, certa vez: "Quando pulsa no coração de um santo dos últimos dias um testemunho imenso e vital da veracidade deste trabalho, ele cumpre suas responsabilidades na Igreja". Na verdade, é assim que nos tornamos pioneiros modernos: fazendo e cumprindo aquilo a que somos designados na Igreja, dando a melhor oferta de nosso coração. Agimos como pioneiros quando tranqüila e humildemente mantemos a fé e perseveramos até o fim.

Perseverar na fé é uma evidência de nossa disposição de sacrificarmos tudo o que possuímos em prol do evangelho. Nos dias atuais, nossos líderes nos pedem que sejamos obedientes a suas instruções e cumpramos os mandamentos. Pedem-nos também que sejamos honestos, paguemos o dízimo integralmente, que sejamos dignos de uma recomendação para o templo, cumpramos nossas designações na Igreja, sejamos bons vizinhos e, acima de tudo, que amemos nosso próximo. À medida que seguirmos todas essas determinações, tornar-nos-emos semelhantes àqueles pioneiros do início da Restauração.

O nosso sofrimento não é corporal, mas é muito sutil. Quando passamos pelos testes sutis do dia-adia, perseverando em nossa fé, tornamo-nos verdadeiros santos dos últimos dias.

Certa ocasião, observei como um rio desemboca no mar. Normalmente, as águas do rio vêm com muita força e, ao encontraremse com as águas do mar, formam-se grandes ondas. Mas o rio segue seu curso e mistura-se com o mar, como determinado pela natureza. Assim como o rio segue seu curso, precisamos seguir o curso de nossa vida de tal maneira que voltemos à presença de nosso Pai Celestial. Muitas vezes, enfrentamos grandes ondas de desafios, mas ao manter o curso de nossa fé, seremos merecedores da coroa da salvação.

Em Doutrina e Convênios 58:2-3, lemos o seguinte: "Pois em verdade vos digo: Bem-aventurado é o que guarda meus mandamentos, seja na vida ou na morte; e o que é fiel nas tribulações recebe maior recompensa no reino do céu. Por agora não podeis, com vossos olhos naturais, ver o desígnio de vosso Deus com respeito às coisas que virão mais tarde nem a glória que se seguirá depois de muitas tribulações".

Oro para que Deus nos abençoe com fé para seguirmos o curso de nossa vida e sermos fiéis aos Seus mandamentos. Assim, Ele nos abençoará grandemente, e herdaremos a vida eterna que é o maior de todos os dons de Deus.

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Lugar Mormon: APOIO MÓRMON AO BRASIL
Todos os missionários da ...
: "APOIO MÓRMON AO BRASIL Todos os missionários da Igreja que servem na região afetada estão bem.125 membros da Igreja perderam as suas casas..."

sábado, 1 de janeiro de 2011

Na Direção Estabelecida pelo Senhor

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Setembro/2006)

Certa ocasião, eu estava viajando de carro para cumprir uma designação. Durante a viagem, deparei-me com um nevoeiro muito forte. Fiquei um pouco apreensivo, pois as condições de visibilidade eram muito ruins. Quase não via nada, três metros à frente. Percebi então que o único meio de manterme na direção correta era seguir as linhas brancas do chão que continham marcadores luminosos, devido a constância dos nevoeiros naquela região. Dirigindo em baixa velocidade e atento às linhas brancas, consegui chegar ao meu destino final e cumprir minha designação. Senti-me grato por ter saído um pouco mais cedo de casa e, assim, a redução de velocidade não impediu que eu chegasse àquela cidade em segurança.

Nossa experiência mortal aqui na Terra também requer que nos mantenhamos na direção certa e sigamos as diretrizes estabelecidas pelo Senhor pois, dessa maneira, poderemos chegar ao nosso destino eterno e desfrutar a companhia de nossa família na presença de Deus e de Jesus Cristo.

O Senhor estabeleceu limites a fim de que possamos chegar em segurança, se não nos desviarmos dessa direção. O Salvador ensinou: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:13–14). Os ensinamentos do Salvador são claros, pois determinam o caminho que devemos seguir para não nos perder. Mas corremos o risco de nos desviar, quando seguimos nossos próprios pensamentos de homens naturais. No Guia para Estudo das Escrituras aprendemos que o homem natural deixa-se influenciar pelas paixões, pelos desejos, apetites e impulsos da carne, em vez de buscar a inspiração do Espírito Santo. Ele só compreende as coisas físicas, não as espirituais. Todo ser humano — homem ou mulher — é carnal, ou seja, mortal, em virtude da Queda de Adão e Eva, e tem de nascer de novo pela Expiação de Jesus Cristo para deixar de ser um ser natural.

Quando não controlamos o homem natural que existe dentro de nós, começamos a colocar o nosso coração nas coisas do mundo, e isso nos distancia ainda mais do caminho. Começamos a agir de acordo com o nosso próprio pensamento e, como conseqüência, podemos nos perder no nevoeiro que se encontra à nossa frente.

Como evitar que percamos a direção, e como manter uma velocidade constante em nossa vida, a fim de chegarmos em segurança ao nosso destino eterno? As escrituras contêm muitos ensinamentos que podem ajudar-nos a vencer o homem natural. Gostaria de compartilhar algumas escrituras que me inspiram e me ajudam a voltar meus pensamentos e ações na direção estabelecida pelo Senhor.

Primeiramente gostaria de me referir ao que Néfi, filho de Leí, ensinou a seus irmãos sobre o significado da barra de ferro que seu pai tinha visto no sonho. “E eu disselhes que era a palavra de Deus; e todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem, jamais pereceriam; nem as tentações nem os ardentes dardos do adversário poderiam dominá-los até a cegueira, para levá-los à destruição” (1 Néfi 15:24). Essas palavras deixam claro que, à medida que nos apegarmos ao evangelho e o vivermos intensamente, não pereceremos, pois estaremos protegidos e seremos capazes de vencer as tentações. É a nossa vivência do evangelho que determina a direção que estamos seguindo em nossa vida.

Outra escritura que sempre me impressiona é a que está registrada em Salmos 119:105. “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Trata-se de uma lembrança constante de que o conteúdo das escrituras nos guia no caminho que nos levará de volta à presença de Nosso Pai Celestial e ilumina a direção que devemos tomar nas decisões que tomamos durante esta vida mortal. Quando estudamos as escrituras, crendo que o Senhor está pessoalmente nos guiando e iluminando nosso caminho, estaremos bem mais dispostos a aplicá-las na vida, e progrediremos com mais rapidez.

Aprecio muito o que se encontra em D&C 112:10: “Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações”. Ao orarmos diariamente, buscando a ajuda do Senhor, demonstramos nossa humildade e, apesar dos desafios que enfrentarmos, o Senhor nos conduzirá pela mão na direção que devemos seguir. Dessa maneira, nunca vamos nos perder, e receberemos os frutos de nosso sacrifício na vida mortal.

Finalmente, gostaria de mencionar o que Morôni ensinou a respeito da fé: “Portanto, se um homem tem fé, ele tem que ter esperança; porque sem fé não pode haver qualquer esperança. E novamente, eis que vos digo que ele não pode ter fé nem esperança sem que seja manso e humilde de coração. Sem isso sua fé e esperança são vãs, porque ninguém é aceitável perante Deus, a não ser os humildes e brandos de coração; e se um homem é humilde e brando de coração e confessa, pelo poder do Espírito Santo, que Jesus é o Cristo, ele precisa ter caridade; pois se não tem caridade, nada é; portanto ele precisa ter caridade. (…) Mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem” (Morôni 7:42–44, 47).

De acordo com a escritura, a fé é determinante em nossa disposição de nos tornarmos mansos, humildes, e de abençoarmos a vida de nosso próximo por meio da caridade. O Salvador foi o exemplo máximo da caridade, e demonstrou isso pela maneira com que tratava e abençoava as pessoas. Ao seguir Seu exemplo, estaremos demonstrando nossa fé em Seus ensinamentos e certamente estaremos caminhando na direção correta.

Que todos possamos gozar dos frutos do evangelho em nossa vida. Sejamos fiéis e leais aos convênios que fizemos com o Senhor. Tenhamos sempre em mente que o caminho estreito e apertado exigirá algum sacrifício; mas se nos mantivermos no limite das linhas brancas estabelecidas pelo Senhor para seguirmos pela estrada da vida, mesmo em meio às tempestades, chegaremos em segurança na presença Dele. Esse é meu testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal da Primeira Presidência da Igreja

A Primeira Presidência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias difundiu a mensagem de Natal 2010.

Por Relações Públicas

Ao celebrarmos o nascimento do Senhor Jesus Cristo os nossos pensamentos voltam-se para a sagrada ocasião quando Ele nasceu como o "Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).

Ele prometeu: “Aquele que me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Em verdade, Jesus Cristo é o nosso Salvador e Redentor que foi “trespassado pelas nossas transgressões e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5).

A nossa oração neste época de Natal é a de que a luz e o testemunho da missão divina do Salvador possam entrar em nossos corações e ser reflectidas nas nossas vidas e nos nossos lares.

Que cada um de nós possa ser abençoado, não só nesta época natalícia, mas também ao longo de todo o ano vindouro. Que a nossa fé em Jesus Cristo possa aumentar ao seguirmos o Seu exemplo em tudo o que fazemos e dizemos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nunca O Deixem

Neil L. Andersen
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Se decidirem não ficar ofendidos ou envergonhados, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação. Saberão que estão tornando-se mais semelhantes a Ele.

Elder Neil L. AndersenAmados irmãos e irmãs de todo o mundo, expresso minha profunda admiração pela fé e coragem que vejo em sua vida. Vivemos em uma época notável — mas também desafiadora.
O Senhor Alerta-nos sobre os Perigos Futuros

O Senhor não nos deixou sozinhos em nossa jornada de volta a Sua presença. Escutem Suas palavras de advertência sobre os perigos que enfrentaremos: “Olhai, vigiai e orai”.1 “Acautelai-vos para que não vos enganem”.2 “[Sede] diligentes e cuidadosos”.3 “Guardai-vos [para] que [não] (…) descaiais da vossa firmeza”.4

Nenhum de nós está imune às influências do mundo. O Senhor nos aconselha a estarmos atentos.

Lembrem-se do que aconteceu a Jesus em Cafarnaum, quando os discípulos que seguiam o Salvador deixaram de aceitá-Lo como Filho de Deus. Lemos nas escrituras: “Desde então muitos dos seus discípulos (…) já não andavam com ele”.5

Jesus voltou-Se aos Doze e perguntou: “Quereis vós também retirar-vos?”6
Quereis Vós Também Retirar-vos?

Em minha mente, respondi àquela pergunta muitas vezes: “De modo algum! Eu não! Jamais O deixarei! Estou contigo para sempre!” Sei que vocês responderam da mesma forma.

Mas a pergunta “Quereis vós também retirar-vos?” faz-nos pensar em nossa própria vulnerabilidade. A vida não é fácil. As palavras dos Apóstolos proferidas em outra ocasião, vêm-nos então à mente: “Porventura sou eu, Senhor?”7

Entramos nas águas do batismo com alegria e entusiasmo. O Salvador nos convida, dizendo “[vinde] a mim”,8 e aceitamos o convite com fé Nele, tomando sobre nós o Seu nome. Nenhum de nós deseja que essa jornada seja um breve flerte com a espiritualidade ou mesmo um capítulo extraordinário, porém finito. A trilha do discípulo não é para os que são espiritualmente tímidos. Jesus disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.9 “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me”. 10

Seguir o Salvador, sem dúvida, traz consigo muitos desafios. Encaradas com fé, tais experiências refinam nosso espírito e aprofundam nossa conversão à realidade do Salvador. Encaradas à maneira do mundo, essas mesmas experiências nos ofuscam a visão e enfraquecem nossa decisão. Alguns que amamos e admiramos se desviam do caminho estreito e apertado e “já não [andam] com ele”.
Como Permanecer Fiéis?

Como podemos manter-nos fiéis ao Salvador, a Seu evangelho e às ordenanças de Seu sacerdócio? Como podemos desenvolver a fé e a força para nunca deixá-Lo?

Jesus disse: “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”.11Precisamos do humilde coração de uma criança.

Por meio do poder de Sua Expiação, temos que nos tornar “como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-[nos] a tudo quanto o Senhor achar que [nos] deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”.12 Essa é a vigorosa mudança no coração.13

Logo percebemos por que essa mudança no coração é tão necessária. Duas palavras sinalizam o perigo à frente: As palavras são ofendido e envergonhado.
Decidir Não Se Sentir Ofendido

Aos que questionavam a divindade do Salvador, Jesus perguntou: “Isto escandaliza-vos?”14Na parábola do semeador, Jesus advertiu: “[Ele persevera por algum tempo, porém], chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende”.15

A ofensa vem com muitos disfarces e sempre consegue entrar em cena. As pessoas em quem acreditávamos nos decepcionam. Temos dificuldades imprevistas. Nossa vida não é exatamente o que esperávamos. Cometemos erros, sentimo-nos indignos e perguntamo-nos se seremos perdoados. Temos dúvidas em relação a uma doutrina. Ouvimos algo que foi dito em um púlpito da Igreja há 150 anos e que nos deixa perturbados. Nossos filhos são tratados de modo injusto. Somos ignorados ou menosprezados. Podem ser mil coisas, todas muito reais para nós no momento em que acontecem.16

Em nossos momentos de fraqueza, o adversário procura despojar-nos de nossas promessas espirituais. Se não estivermos atentos, nosso espírito magoado e ingênuo voltará para dentro da couraça escura e fria do antigo ego inflado, deixando para trás a cálida e consoladora luz do Salvador.

Em 1835, quando Parley P. Pratt foi julgado injustamente, trazendo desonra para si e para sua família, o Profeta Joseph Smith aconselhou: “[Parley], (…) ignora essas coisas (…) [e] o Deus Todo-Poderoso estará contigo”.17

Outro exemplo: em 1830, Frederick G. Williams, um médico preeminente, foi batizado. Ele imediatamente dedicou seus talentos e sua prosperidade para a Igreja. Tornou-se um líder na Igreja. Doou propriedades para o Templo de Kirtland. Em 1837, na esteira das dificuldades ocorridas na época, Frederick G. Williams cometeu graves erros. O Senhor declarou em uma revelação dada em 1838 que “em consequência de [suas] transgressões, [sua] posição anterior [na liderança da Igreja] foi tirada [dele]”.18

A bela lição que aprendemos com Frederick G. Williams foi a de que “quaisquer que tenham sido suas fraquezas pessoais, ele teve força de caráter para [renovar] sua lealdade com o [Senhor], com o Profeta e (…) com a Igreja, quando teria sido muito fácil entregar-se ao ressentimento”.19 Na primavera de 1840, ele compareceu a uma conferência geral pedindo humildemente perdão por sua conduta anterior e expressando sua determinação de fazer a vontade de Deus no futuro. Seu caso foi apresentado por Hyrum Smith, e ele foi inteiramente perdoado. Faleceu como membro fiel da Igreja.

Conheci recentemente o presidente do Templo de Recife Brasil, que se chama Frederick G. Williams. Ele contou como a nobre decisão de seu trisavô abençoou a família e centenas de pessoas da sua posteridade.
Decidir Não Se Sentir Envergonhado

Ofendido tem um companheiro destrutivo chamado envergonhado.

No Livro de Mórmon, lemos sobre a visão de Leí da árvore da vida. A visão fala das nobres almas que “[avançaram com esforço] (…) através da névoa de escuridão, [apegadas] à barra de ferro, até que chegaram e comeram do fruto da árvore”.20

Néfi descreveu a árvore como o “amor de Deus”,21 dando frutos que “[enchiam] a alma de imensa alegria”.22

Depois de provar do fruto, Leí viu “um grande e espaçoso edifício (…) cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua atitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que (…) comiam do fruto”.23 O anjo explicou que a zombaria e a atitude de escárnio representavam o orgulho e a sabedoria do mundo.24

Néfi declarou simplesmente: “Não lhes demos atenção”.25

Infelizmente, houve quem perdesse a coragem. Lemos nas escrituras: “E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se”.26

Em muitos aspectos, como discípulos de Cristo, somos diferentes do mundo. Há momentos em que nos sentimos incomodados com a atitude de escárnio e desprezo por coisas que nos são sagradas.27 O Presidente Thomas S. Monson advertiu-nos: “A menos que as raízes de seu testemunho estejam firmemente plantadas, será difícil para vocês suportarem o escárnio das pessoas que desafiam sua fé”.28 Néfi disse: “Não lhes demos atenção”.29 Paulo admoestou: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor (…). Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor”30 Nunca O deixaremos.

Enquanto acompanhava o Presidente Dieter F. Uchtdorf em sua viagem à Europa Oriental, no ano passado, maravilhei-me com a fé e a coragem dos santos. Um líder do sacerdócio da Ucrânia nos contou que foi chamado para presidente de ramo na primavera de 1994, apenas seis meses após seu batismo. Isso exigiu que ele tornasse sua religião de conhecimento público e ajudasse a registrar a Igreja na Cidade de Dnipropetrovs’k. Era uma época de incertezas na Ucrânia, e o fato de ele expressar publicamente sua fé em Cristo e no evangelho restaurado poderia resultar em problemas, inclusive a perda de seu emprego como piloto.

O líder do sacerdócio nos contou: “Orei e orei. Eu tinha um testemunho e havia feito um convênio. Eu sabia o que o Senhor queria que eu fizesse”.31Com coragem, ele e a esposa foram adiante, sem envergonhar-se do evangelho de Jesus Cristo.
A Quem Muito É Dado, Muito É Requerido

Alguns podem perguntar: “Tenho que ser tão diferente dos outros?” “Não posso ser discípulo de Cristo e não pensar tanto em meu comportamento?” “Não posso amar Cristo sem cumprir a lei da castidade?” “Não posso amá-Lo e fazer o que eu quiser no domingo?” Jesus deu uma resposta bem simples: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”.32

Alguns podem perguntar: “Não há muitas pessoas de outras religiões que amam a Cristo?” É claro que sim! Contudo, como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tendo o testemunho de Sua realidade, não apenas da Bíblia, mas também do Livro de Mórmon, sabendo que Seu evangelho foi restaurado na Terra, tendo feito convênios sagrados de segui-Lo e tendo recebido o dom do Espírito Santo, tendo sido investidos com poder em Seu santo templo e fazendo parte dos preparativos para Seu glorioso retorno à Terra, não podemos comparar o que devemos ser com o que devem ser aqueles que ainda não receberam essas verdades: “Porque a quem muito é dado, muito é exigido”.33

O Senhor disse: “Podes escolher segundo tua vontade”.34

Prometo-lhes que, se decidirem não ficar ofendidos ou envergonhados, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação. Saberão que estão tornando-se mais semelhantes a Ele.35

Será que compreenderemos todas as coisas? É claro que não. Deixaremos algumas questões de lado para serem compreendidas mais tarde.

Tudo será justo? Não será. Aceitaremos algumas coisas que não podemos consertar e perdoaremos as pessoas mesmo quando for difícil.

Será que em algumas ocasiões nos sentiremos isolados dos outros ao nosso redor? Sem dúvida alguma.

Será que às vezes ficaremos atônitos com a raiva que uns poucos sentem pela Igreja do Senhor e com o empenho deles em destruir a fé hesitante daqueles que estão fracos?36Ficaremos, sim. Mas isso não atrapalhará o crescimento ou o destino da Igreja, tampouco impedirá o progresso espiritual de cada um de nós, como discípulos do Senhor Jesus Cristo.
Nunca Deixá-Lo

Adoro a letra de um hino que amamos:

“A alma que em Cristo confiante repousar,

A seus inimigos não há de se entregar.

Embora o inferno a queira destruir

Deus nunca, oh, nunca, Deus nunca, oh, nunca,

Deus nunca, oh, nunca, o há de permitir.”37

A perfeição não é alcançada nesta vida, mas exercemos fé no Senhor Jesus Cristo e guardamos nossos convênios. O Presidente Monson prometeu: “Seu testemunho, se for constantemente nutrido, vai mantê-[los] em segurança”.38Aprofundamos nossas raízes espirituais ao banquetear-nos diariamente nas palavras de Cristo que estão nas escrituras. Confiamos nas palavras dos profetas vivos, que foram colocados diante de nós para mostrar-nos o caminho. Oramos e oramos, e ouvimos a serena voz do Espírito Santo que nos conduz e nos traz paz à alma. Sejam quais forem os desafios, nunca, oh, nunca O deixaremos.

O Salvador perguntou a Seus Apóstolos: “Quereis vós também retirar-vos?”39

Pedro respondeu:

“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”.40

Eu também tenho esse testemunho, do qual testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. Marcos 13:33.
2. Doutrina e Convênios 46:8.
3. Doutrina e Convênios 42:76.
4. II Pedro 3:17.
5. João 6:66.
6. João 6:67.
7. Mateus 26:22.
8. 3 Néfi 9:14.
9. Mateus 22:37.
10. Marcos 8:34.
11. Mateus 18:3; ver também Marcos 10:15; Lucas 18:17; 3 Néfi 9:22; 11:37–38.
12. Mosias 3:19.
13. Ver Alma 5:14.
14. João 6:61.
15. Mateus 13:21.
16. Ver David A. Bednar, “E para Eles Não Há Tropeço”, A Liahona, novembro de 2006, p. 89.
17. Joseph Smith, em Autobiography of Parley P. Pratt, ed. Parley P. Pratt Jr., 1938, p. 118.
18. History of the Church, vol. 3, p. 46, nota de rodapé.
19. Frederick G. Williams, “Frederick Granger Williams of the First Presidency of the Church”, BYU Studies, vol. 12, nº 3, 1972, p. 261.
20. 1 Néfi 8:24.
21. 1 Néfi 11:25.
22. 1 Néfi 8:12.
23. 1 Néfi 8:26–27; ver também v. 33.
24. Ver 1 Néfi 11:35–36; 12:18–19.
25. 1 Néfi 8:33.
26. 1 Néfi 8:28; grifo do autor.
27. O Presidente Boyd K. Packer disse: “Em boa parte por causa da televisão [e da Internet], em vez de estarmos olhando de fora para aquele edifício espaçoso, na verdade estamos morando dentro dele” (Boyd K. Packer, A Liahona, agosto de 2010, p. 27).
28. No mesmo discurso, o Presidente Thomas S. Monson disse: “O grande e espaçoso edifício da visão de Leí representa as pessoas do mundo que zombam da palavra de Deus e ridicularizam os que a aceitam, que amam o Salvador e cumprem os mandamentos” (Thomas S. Monson, “Tenham Coragem”, A Liahona, maio de 2009, p. 123).
29. 1 Néfi 8:33.
30. II Timóteo 1:7–8.
31. De uma conversa pessoal e de um trecho traduzido da história pessoal contada por Alexander Davydov, gravado em 16 de julho de 2010.
32. João 14:15.
33. Doutrina e Convênios 82:3.
34. Moisés 3:17.
35. Ver 1 Néfi 19:9.
36. Ver 2 Néfi 28:20.
37. “Que Firme Alicerce”, Hinos, nº 42
38. Thomas S. Monson, A Liahona, maio de 2009, p. 126.
39. João 6:67.
40. João 6:68–69.

Arbítrio: Essencial ao Plano de Vida

Robert D. Hales
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Sempre que escolhermos vir a Cristo, tomar seu nome sobre nós e seguir Seus servos, progredimos no caminho rumo à vida eterna.

Elder Robert D. Hales Recebi recentemente uma carta de um amigo de mais de 50 anos, que não é membro de nossa Igreja. Eu havia enviado a ele alguns artigos sobre o evangelho, sobre os quais ele comentou: “Inicialmente foi difícil para eu entender o significado do típico jargão mórmon, como o termo arbítrio. Provavelmente um pequeno glossário seria útil”.

Fiquei surpreso por ele não compreender o significado da palavra arbítrio. Consultei um dicionário on-line. Das dez definições e usos da palavra arbítrio, nenhuma delas expressava a ideia de fazer escolhas para agir. Ensinamos que arbítrio é a capacidade e o privilégio que Deus nos dá de escolher e agir por nós mesmos e não de recebermos a ação 1. Ter arbítrio é agir com comprometimento e ter responsabilidade por nossas ações. Nosso arbítrio é essencial ao plano de salvação. Com ele, somos “livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para [escolher] o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo”.2

As palavras de um hino conhecido ensinam claramente esse princípio:

A Alma é livre para agir

E seu destino decidir;

Suprema lei deixou-nos Deus

Não forçará os fihos seus.3

Respondendo à pergunta de meu amigo, e às perguntas dos bons homens e mulheres do mundo inteiro, gostaria de compartilhar com vocês um pouco mais do que sabemos sobre o arbítrio.

Antes de virmos a esta Terra, o Pai Celestial apresentou um plano de salvação: o plano de virmos à Terra e recebermos um corpo, escolhermos o bem ou o mal, e progredirmos para tornar-nos semelhantes a Ele e viver com Ele para sempre.

Nosso arbítrio — nossa capacidade de decidir por nós mesmos — era um elemento essencial desse plano. Sem o arbítrio, não poderíamos fazer escolhas corretas e progredir. No entanto, com o arbítrio poderíamos fazer escolhas erradas, cometer pecados e perder a oportunidade de voltar a estar com o Pai Celestial. Por esse motivo, foi-nos dado um Salvador para sofrer por nossos pecados e redimir-nos, desde que nos arrependêssemos. Por Sua infinita Expiação, Ele efetua “o plano de misericórdia, para satisfazer os requisitos da justiça”.4

Depois que o Pai Celestial apresentou Seu plano, Lúcifer se adiantou, dizendo: “Envia-me (…) e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma [sequer] se perca (…) ; portanto dá-me a tua honra”. 5 Este plano foi rejeitado por nosso Pai, pois negava-nos o arbítrio. Na verdade, era um plano de rebelião.

Então Jesus Cristo, o Filho Amado e Escolhido do Pai desde o princípio, exerceu Seu arbítrio, dizendo: “Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre”. 6 Ele seria nosso Salvador — o Salvador do mundo.

Por causa da rebelião de Lúcifer, houve uma grande batalha espiritual. Cada um dos filhos do Pai Celestial teve a oportunidade de exercer o arbítrio que Ele lhes dera. Decidimos ter fé no Salvador Jesus Cristo — achegar-nos a Ele, segui-Lo e aceitar o plano que o Pai Celestial apresentou para nosso bem. Mas um terço dos filhos do Pai Celestial não teve fé para seguir o Salvador e decidiu, em vez disso, seguir Lúcifer, ou Satanás.7

E Deus disse: “Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera (…), fiz com que ele fosse expulso”.8 Aqueles que seguiram Satanás perderam a oportunidade de receber um corpo mortal, de viver na Terra e de progredir. Pelo modo como usaram seu arbítrio, perderam esse mesmo arbítrio.

Hoje, o que Satanás e seus seguidores podem fazer é tentar-nos e provar-nos. Sua única alegria é a de tornar-nos “tão miseráveis como [eles próprios]”.9 Sua única felicidade acontece quando somos desobedientes aos mandamentos.

Mas pensem nisto: em nosso estado pré-mortal decidimos seguir o Salvador Jesus Cristo! E por termos feito isso, foi-nos permitido vir à Terra. Testifico que se tomarmos essa mesma decisão de seguir o Salvador agora, enquanto estivermos aqui na Terra, obteremos uma bênção ainda maior na eternidade. Mas, para que todos saibam: precisamos continuar a escolher seguir o Salvador. A eternidade está em jogo, e nosso sábio uso do arbítrio e nossas ações são essenciais para que tenhamos vida eterna.

Durante toda a Sua vida, nosso Salvador mostrou-nos como usar o arbítrio. Quando menino, em Jerusalém, Ele deliberadamente decidiu “tratar dos negócios de [Seu] Pai”. 10 Em Seu ministério, decidiu obedientemente “fazer a vontade de [Seu] Pai”. 11 No Getsêmani, decidiu sofrer todas as coisas, dizendo: “Não se faça a minha vontade, mas a tua. E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia”. 12 Na cruz, Ele decidiu amar Seus inimigos, orando: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. 13 E então, para que pudesse realmente escolher por Si mesmo, foi deixado sozinho. “Deus meu, por que me desamparaste?” Perguntou Ele.14 Finalmente, exerceu Seu arbítrio de perseverar, até poder dizer: “Está consumado”. 15

Embora “como nós, em tudo foi tentado”, 16 com suas escolhas Ele assegurou o arbítrio de ser nosso Salvador para quebrar as correntes do pecado e da morte para nós. Com Sua vida perfeita, Ele nos ensinou que, quando decidimos fazer a vontade de nosso Pai Celestial, nosso arbítrio é preservado, nossas oportunidades aumentam e progredimos.

Evidências dessa verdade são encontradas nas escrituras. Jó perdeu tudo o que possuía, mas permaneceu fiel e obteve as bênçãos eternas de Deus. Maria e José decidiram ouvir o conselho do anjo e fugiram para o Egito e a vida do Salvador foi preservada. Joseph Smith escolheu seguir as instruções de Morôni, e a Restauração aconteceu conforme as profecias. Sempre que escolhermos vir a Cristo, tomar seu nome sobre nós e seguir Seus servos, progrediremos no caminho rumo à vida eterna.

Em nossa jornada mortal, é útil saber que o oposto também é verdadeiro: quando não guardamos os mandamentos nem seguimos os sussurros do Espírito Santo, nossas oportunidades se reduzem; nossa capacidade de agir e de progredir diminuem. Quando Caim, por amar a Satanás mais do que a Deus, tirou a vida de seu irmão, seu progresso espiritual foi interrompido.

Em minha juventude, aprendi uma importante lição sobre como nossas ações podem limitar nossa liberdade. Certo dia, meu pai me encarregou de envernizar um piso de madeira. Tomei a decisão de começar junto à porta e trabalhar em direção ao interior do quarto. Quando estava quase terminando, dei-me conta de que eu não deixara um meio de sair do quarto. Não havia janelas nem portas do outro lado. Havia eliminado minhas vias de acesso e não tinha como sair. Eu estava preso.

Sempre que desobedecemos, ficamos encurralados e nos tornamos reféns de nossas escolhas. Embora nos encontremos acuados espiritualmente, sempre há um caminho de volta. Tal como o arrependimento, voltar a pisar no chão que acabou de ser envernizado significa que teremos de lixá-lo e envernizá-lo de novo! Não é fácil voltar para o Senhor, mas vale a pena.

Quando compreendemos o desafio que é o arrependimento, damos valor às bênçãos do Espírito Santo para guiar nossas escolhas e também ao Pai Celestial, que nos fortalece e sustém para que escolhamos o certo. Também compreendemos como a obediência aos mandamentos, no final, protege nosso arbítrio.

Quando cumprimos a Palavra de Sabedoria, por exemplo, escapamos do cativeiro da saúde debilitada e da dependência de substâncias que literalmente nos roubam a capacidade de escolher por nós mesmos.

Quando obedecemos ao conselho de abster-nos e livrar-nos de dívidas, obtemos a liberdade de usar nossa renda disponível para ajudar e abençoar as pessoas.

Quando seguimos o conselho do profeta para realizar a noite familiar, a oração familiar e o estudo das escrituras em família, nosso lar se torna uma incubadora para o crescimento espiritual de nossos filhos. Nele lhes ensinamos o evangelho, prestamos nosso testemunho, expressamos nosso amor e os ouvimos quando eles compartilham seus sentimentos e experiências pessoais. Por meio de nossas escolhas justas, nós os libertamos da escuridão, aumentando seu arbítrio para andar na luz.

O mundo ensina muitas coisas falsas a respeito do arbítrio. Muitos acham que devemos comer, beber e divertir-nos “e se acontecer de sermos culpados, Deus nos castigará com uns poucos açoites e, ao fim, seremos salvos”. 17 Outros adotam o materialismo e negam a existência de Deus. Convencem-se de que não há “uma oposição em todas as coisas” 18 e, portanto, “nada que o homem [faça é] crime”.19 Isso “[destrói] a sabedoria de Deus e seus eternos propósitos”. 20

Contrariamente aos ensinamentos seculares, as escrituras nos ensinam que temos liberdade de escolha e que as escolhas certas sempre têm repercussões nas oportunidades que temos e na nossa capacidade de agir e de progredir eternamente.

Por exemplo: por meio do profeta Samuel o Senhor deu um mandamento bem claro ao rei Saul:

“Enviou-me o Senhor a ungir-te rei (…) ; ouve, pois, agora a voz (…)

(…) do Senhor.Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver”.21

Mas Saul não seguiu o mandamento do Senhor. Fez o que chamo de “obediência seletiva”. Confiando em sua própria sabedoria, ele poupou a vida do rei Agague e trouxe de volta o melhor das ovelhas, das vacas e de outros animais.

O Senhor revelou isso ao profeta Samuel e o enviou para depor Saul do trono real. Quando o profeta chegou, Saul disse: “Cumpri a palavra do Senhor”. 22 Mas o profeta sabia que aquilo não era verdade, e disse: “Que balido, pois, de ovelhas é este aos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?” 23

Saul se desculpou pondo a culpa em outros, dizendo que o povo tinha ficado com os animais para fazer sacrifícios ao Senhor. A resposta do profeta foi clara: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”.24

Por fim, Saul confessou, dizendo: “Pequei, porquanto tenho transgredido a ordem do Senhor e as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz”.25 Como Saul não obedeceu com exatidão — como decidiu “obedecer seletivamente” — ele perdeu a oportunidade e o arbítrio de ser rei.

Meus irmãos e irmãs, será que obedecemos com exatidão à voz do Senhor e de Seus profetas? Ou, tal como Saul, praticamos a “obediência seletiva” e tememos o juízo dos homens?

Reconheço que todos cometemos erros. As escrituras ensinam: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. 26 Para os que se encontram presos a escolhas erradas do passado, que estão sem saída, sem as bênçãos do arbítrio, queremos dizer que os amamos. Voltem! Saiam do canto escuro em que estão presos. Mesmo que tenham de pisar num chão molhado e pegajoso, vale a pena. Confiem em que “por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade [inclusive você] pode ser salva por obediência às leis e ordenanças do Evangelho”. 27

Quando se aproximava a hora da Expiação, o Salvador proferiu Sua grande Oração Intercessória e falou de cada um de nós, dizendo: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste”. 28 “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. 29

Presto meu testemunho especial de que Eles vivem. Quando exercemos nosso arbítrio em retidão, nós Os conhecemos, tornamo-nos mais semelhantes a Eles e preparamo-nos para o dia em que “todo joelho se dobrará e toda língua confessará” que Jesus é nosso Salvador.30 Que continuemos a seguir Jesus Cristo e nosso Pai Eterno, como fizemos no princípio, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. Ver 2 Néfi 2:26.
2. 2 Néfi 2:27 .
3. “A Alma é Livre para Agir”, Hinos, nº 149.
4. Alma 42:15.
5. Moisés 4:1.
6. Moisés 4:2.
7. Ver Doutrina e Convênios 29:36.
8. Moisés 4:3.
9. 2 Néfi 2:27; ver também 2 Néfi 9:9.
10. Lucas 2:49.
11. 3 Néfi 27:13.
12. Lucas 22:42–43.
13. Lucas 23:34.
14. Mateus 27:46; Marcos 15:34.
15. João 19:30.
16. Hebreus 4:15.
17. 2 Néfi 28:8.
18. 2 Néfi 2:11.
19. Alma 30:17.
20. 2 Néfi 2:12.
21. I Samuel 15:1, 3.
22. I Samuel 15:13.
23. I Samuel 15:14.
24. I Samuel 15:22.
25. I Samuel 15:24.
26. Romanos 3:23.
27. Regras de Fé 1:3.
28. João 17:24.
29. João 17:3.
30. Mosias 27:31.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...