Élder Donald L. Hallstrom
Dos Setenta
"São particularmente importantes [as tradições] que promovem o amor por Deus e união na família e entre os povos."
Sempre serei grato por ter nascido e por ter sido criado no Havaí, que fazem parte do que as escrituras freqüentemente chamam de "as ilhas do mar". Sendo muitas vezes chamado de caldeirão fervente, por causa de sua formação multi-étnica, outras pessoas usam um termo mais preciso, considerando-o um "delicioso cozido", no qual cada cultura conserva sua identidade mas mescla-se harmoniosamente ao caldo social que pode ser saboreado por todos. Além disso, por ter servido numa missão na Inglaterra, por ter morado muito tempo na parte continental dos Estados Unidos e estar agora vivendo e servindo na Ásia, há muito que me interesso pelas culturas e tradições e pela influência que elas exercem na maneira como nos vestimos, pensamos e agimos. Define-se cultura como "as crenças habituais, os padrões sociais de comportamento e ( . . . ) as tendências ( . . . ) mais comuns de um grupo". (Merriam-Webster's Collegiate Dictionary, 10th ed.) As tradições, que são aqueles padrões de comportamento estabelecidos e transmitidos de uma geração para a outra, são uma parte inerente da cultura. Nossa cultura e suas tradições ajudam-nos a estabelecer o nosso senso de identidade e atendem à nossa necessidade vital e humana de fazermos parte do grupo.
A respeito das tradições complementares ao evangelho de Jesus Cristo, Paulo admoestou aos tessalonicenses: "Estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas". (II Tessalonicenses 2:15) Na Igreja, há tradições vigorosas que nos relembram a força e o sacrifício de nossos antepassados e inspiram nosso trabalho. Entre elas estão a industriosidade, a frugalidade e a total devoção a uma causa digna. Outras são baseadas em doutrinas e padrões que podem parecer estranhos ao mundo, mas que estão em harmonia com o padrão determinado por Deus. Elas incluem a castidade, o recato no vestir, a linguagem limpa, a santificação do Dia do Senhor, o cumprimento da Palavra de Sabedoria e o pagamento do dízimo.
Mesmo em nossa cultura étnica, muitas tradições podem reafirmar padrões e princípios do evangelho. Antigamente, por exemplo, havia um costume entre os havaianos que continua a manifestar-se na vida de muitos de seus habitantes. Ao cumprimentar alguém, a pessoa coloca-se cara a cara com a outra e faz "há", chegando a expelir o hálito para que a outra pessoa o sinta. A tradução literal de "há" é "fôlego da vida". Era um modo de se oferecer à outra pessoa uma demonstração de profundo amor e consideração fraternal. Quando os primeiros estrangeiros chegaram ao Havaí, eles não demonstraram esse mesmo respeito pelas pessoas. Foram chamados de "haole", que significa "sem há".
Se existe um povo que deveria ter "há", ou seja, uma grande caridade e compaixão pelas pessoas, são os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Um verdadeiro santo dos últimos dias sente um amor pelo próximo condizente à sua crença de que todos são seus irmãos e irmãs.
As tradições inspiradoras desempenham um papel importante no processo de conduzir-nos às coisas do Espírito. São particularmente importantes aquelas que promovem o amor por Deus e união na família e entre os povos.
O poder da tradição, porém, também traz um risco considerável. Ele pode fazer com que nos esqueçamos de nossa herança celeste. Para alcançar metas eternas, precisamos reconciliar nossa cultura terrena com a doutrina do evangelho eterno. Esse processo consiste em aceitarmos tudo o que seja espiritualmente inspirador nas tradições de nossa família e sociedade, deixando de lado tudo aquilo que seja um obstáculo à nossa perspectiva e realização eternas. Precisamos deixar de ser homens e mulheres "naturais", como disse o rei Benjamim, e tornar-nos "santos" cedendo ao "influxo do Santo Espírito". (Ver Mosias 3:19.)
Alertando-nos também de seu perigo e gravidade, o Profeta Joseph Smith foi inspirado a esclarecer uma das epístolas de Paulo aos habitantes de Corinto, declarando: "E aconteceu que os filhos, tendo sido criados na sujeição à lei de Moisés, deram ouvidos às tradições de seus pais e não acreditaram no evangelho de Cristo; e nisso tornaram-se impuros". (D&C 74:4)
Não pensem que esse princípio se aplica apenas aos outros e à cultura deles; é válido para todos nós, onde quer que moremos na Terra ou sejam quais forem as condições em que viva a nossa família.
São tradições indesejáveis aquelas que nos afastam da realização das ordenanças sagradas e do cumprimento dos convênios sagrados. Nosso guia deve ser a doutrina ensinada nas escrituras e pelos profetas. As tradições que desprezam o casamento e a família, rebaixam a mulher ou não reconhecem a nobreza de seu papel ordenado por Deus, honram o sucesso material mais do que o espiritual, ou ensinam que confiar em Deus é sinal de fraqueza de caráter, todas elas, afastam-nos das verdades eternas.
De todas as tradições que devemos cultivar em nossa própria vida e no seio de nossa família, a mais importante deve ser a "tradição da retidão". As características marcantes dessa tradição são o amor inabalável por Deus e por Seu Filho Unigênito, o respeito pelos profetas e pelo poder do sacerdócio, a busca constante da companhia do Santo Espírito, e a disciplina do discipulado, que transforma as crenças em ações. Uma tradição de retidão estabelece um padrão de vida que aproxima os filhos dos pais, e a família, de Deus, fazendo com que a obediência deixe de ser um fardo e passe a ser uma bênção.
Num mundo onde as tradições freqüentemente confundem o certo com o errado:
Somos inspirados pela coragem de cada jovem que honra o Dia do Senhor, guarda a Palavra de Sabedoria e permanece casto, ao passo que a cultura popular considera o oposto disso não apenas aceitável, mas esperado de todos.
Somos inspirados pela sabedoria de que todo rapaz siga uma carreira com a qual possa sustentar devidamente a sua mais nova responsabilidade, que é a de dirigir espiritualmente a sua família, ao passo que a riqueza e o poder são altamente valorizados pelo mundo.
Somos inspirados pela nobreza de todo marido e mulher que estabeleceram um relacionamento de igualdade e bondade, quando o egoísmo e a indiferença são tão comuns.
À medida que a natureza celeste de nossa vida começar a ser entendida e vivida, não desejaremos que nada mundano interfira em nossa jornada celestial.
Sentindo-me humilde em minha responsabilidade, mas exultante com a oportunidade de pregar o evangelho e prestar testemunho em todo o mundo, afirmo meu conhecimento de verdades eternas e cultura infinita. Testifico a respeito de quinze homens com chamado profético e autoridade apostólica, e em especial de um deles, o Presidente Gordon B. Hinckley, que preside com dignidade, visão e um claro entendimento das tradições virtuosas. Mais importante que isso, presto testemunho do Salvador e Redentor da humanidade, de Sua Igreja e de Seu amor redentor, em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Disciplina Moral
Élder D. Todd Christofferson
Do Quórum dos Doze Apóstolos
A disciplina moral é o exercício consistente da liberdade de escolher o certo porque é o certo, mesmo que seja difícil.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Presidente James E. Faust, na época um jovem recruta no Exército dos Estados Unidos, candidatou-se à escola de oficiais. Ele foi sabatinado por uma banca examinadora composta do que chamou de “militares de carreira durões”. Logo as perguntas deles se voltaram para questões religiosas. As últimas perguntas foram:
“Em tempos de guerra, o código moral não deve ser menos rigoroso? O estresse da batalha não justifica que os homens façam coisas que não fariam em situações normais?”
O Presidente Faust relata:
“Percebi ali uma oportunidade de talvez causar uma boa impressão e de demonstrar uma mente aberta. Eu sabia perfeitamente que aqueles homens que me questionavam não viviam de acordo com os padrões que eu aprendera. Ocorreu-me dizer que eu tinha minhas próprias crenças, mas que não queria impô-las a outros. Mas também me passou pela mente o rosto das muitas pessoas a quem eu, como missionário, tinha ensinado a lei da castidade. No final, eu disse simplesmente: ‘Não acredito em duplo padrão de moralidade’.
Saí da entrevista convencido de que eles não haviam gostado das minhas respostas (…) e que minhas notas seriam baixas. Dias mais tarde, quando as notas foram divulgadas, verifiquei com surpresa que eu havia passado. E estava no primeiro grupo de candidatos à escola de oficiais! (…)
Essa foi uma das situações críticas da minha vida”.1
O Presidente Faust reconheceu que todos possuímos o dom do arbítrio moral concedido por Deus — o direito de fazer escolhas e a obrigação de responder por elas (ver D&C 101:78). Ele também compreendeu e demonstrou que, para obtermos resultados positivos, a liberdade moral deve ser acompanhada da disciplina moral.
Por “disciplina moral” quero dizer autodisciplina com base em padrões morais. A disciplina moral é o exercício consistente da liberdade de escolher o certo porque é o certo, mesmo que seja difícil. Essa disciplina rejeita a autoindulgência e favorece o desenvolvimento de um caráter digno de respeito e de verdadeira grandiosidade por meio de serviço cristão (ver Marcos 10:42–45). A raiz da palavra “disciplina” é a mesma de discípulo, sugerindo à mente que a conformidade com o exemplo e os ensinamentos de Jesus Cristo é a disciplina ideal que, juntamente com Sua graça, forma uma pessoa de excelente virtude e moral.
A disciplina do próprio Jesus estava enraizada em Seu discipulado ao Pai. A Seus discípulos, Ele explicou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:34). Por esse mesmo padrão, nossa disciplina moral está enraizada na lealdade e na devoção ao Pai a ao Filho. É o evangelho de Jesus Cristo que proporciona a certeza moral sobre a qual repousa a disciplina moral.
A sociedade em que muitos de nós vivemos tem falhado há várias gerações em promover a disciplina moral. A sociedade ensina que a verdade é relativa e que cada um decide por si mesmo o que é certo. Conceitos como pecado e erro têm sido condenados como “julgamentos de valor”. Conforme o Senhor descreve: “Todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus” (D&C 1:16).
Como resultado, a autodisciplina é destruída e a sociedade é obrigada a tentar manter a ordem e a civilidade por meio da repressão. A falta de controle interno nos indivíduos gera o controle externo pelo governo. Certo colunista observou que “o comportamento cavalheiresco [por exemplo, antigamente] protegia as mulheres de atitudes imorais. Hoje, espera-se que as leis contra o assédio sexual refreiem o comportamento imoral. (…)
Nem a polícia nem a justiça podem substituir costumes, tradições e valores morais como meios de regulamentação do comportamento humano. Na melhor das hipóteses, a polícia e a justiça são o último e desesperado recurso de defesa da sociedade civilizada. Nossa dependência das leis para o controle do comportamento demonstra como nos tornamos incivilizados”.2
Na maior parte do mundo vivenciamos uma recessão econômica extensa e devastadora. Ela foi causada por múltiplos fatores, mas um dos principais foi a generalização da conduta desonesta e sem ética, especialmente nos mercados de imóveis e finanças dos Estados Unidos. A reação se concentrou no aumento e na rigidez das regulamentações. Talvez essa medida possa dissuadir alguns de agir de maneira ilícita, mas outros simplesmente se valerão de meios mais criativos para burlar a lei.3 É impossível haver regras suficientes e tão bem articuladas que possam prever e cobrir cada situação; e mesmo que houvesse, sua aplicação seria demasiadamente cara e complicada. Essa abordagem conduz à restrição da liberdade de todos. Como disse de forma notável o Bispo Fulton J. Sheen: “Não quisemos aceitar o jugo de Cristo; pois agora devemos tremer sob o jugo de César”.4
Em suma, somente uma bússola moral interna em cada indivíduo pode efetivamente orientar-nos nas causas e nos sintomas originais da decadência social.A sociedade vai lutar em vão para estabelecer o bem comum, se não denunciar o pecado como pecado e se a disciplina moral não ocupar seu lugar no panteão das virtudes cívicas.5
Aprende-se a disciplina moral no lar. Embora não possamos controlar o que os outros fazem ou deixem de fazer, os santos dos últimos dias podem sem dúvida juntar forças com os que demonstram virtude na própria vida e a transmitem às novas gerações. Lembrem-se da história, no Livro de Mórmon, dos jovens que foram determinantes na vitória nefita na longa guerra entre 66 e 60 a.C. — os filhos do povo de Amon. O caráter e a disciplina deles foram descritos nestas palavras:
“Eram homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que lhes eram confiadas.
Sim, eles eram homens íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele” (Alma 53:20–21).
“Ora, eles nunca haviam lutado. Não obstante, não temiam a morte; e pensavam mais na liberdade de seus pais do que em sua própria vida; sim, eles tinham sido ensinados por suas mães que, se não duvidassem, Deus os livraria” (Alma 56:47).
“Ora, era esta a fé possuída por aqueles de quem falei; eles são jovens, de opinião firme, e depositam continuamente sua confiança em Deus” (Alma 57:27).
Eis aí um padrão para o que deveria ocorrer em nosso lar e na Igreja. Nossos ensinamentos deveriam nutrir-se da nossa fé e concentrar-se primordial e principalmente em instilar na nova geração a fé em Deus. Devemos declarar a necessidade essencial de guardar os mandamentos de Deus e de andarmos em retidão e sobriedade diante Dele ou, em outras palavras, em reverência. Cada um deve-se convencer de que o serviço e o sacrifício pelo bem-estar e felicidade de outros estão acima das mais altas prioridades do próprio conforto e de bens pessoais.
Isso exige mais do que a referência esporádica a um ou outro princípio do evangelho. Exige o ensino constante — principalmente pelo exemplo.
O Presidente Henry B. Eyring ilustrou a visão daquilo que lutamos para alcançar:
“O puro evangelho de Jesus Cristo deve penetrar o coração de [nossos filhos] pelo poder do Espírito Santo. Não será suficiente para eles ter um testemunho da verdade e desejar boas coisas no decurso da vida. Não será suficiente para eles ter esperança de serem limpos e fortalecidos no futuro. Nossa meta é que eles se convertam verdadeiramente ao evangelho restaurado de Jesus Cristo enquanto estão conosco. Dessa forma, eles terão obtido força pelo que são, não só pelo que sabem. Eles se tornarão discípulos de Cristo”.6
Já ouvi alguns pais dizerem que não querem impor o evangelho a seus filhos, mas desejam que eles decidam por si mesmos sobre o que acreditarão e seguirão. Esses pais pensam que assim estarão permitindo que os filhos exerçam seu livre-arbítrio. O que eles se esquecem é que o exercício inteligente do livre-arbítrio exige o conhecimento da verdade, das coisas como elas realmente são (ver D&C 93:24). Sem esse conhecimento, não se pode esperar que os jovens compreendam e avaliem as alternativas que se lhes apresentarem. Os pais devem levar em consideração a maneira como o adversário aborda seus filhos. O inimigo e seus seguidores não estão promovendo a objetividade, mas são vigorosos promotores multimídia do pecado e do egoísmo.
A tentativa de manter a neutralidade em relação ao evangelho é, na realidade, uma rejeição à existência de Deus e de Sua autoridade. Devemos, sim, reconhecer a Ele e Sua onisciência, se quisermos que nossos filhos enxerguem com clareza as opções na vida e sejam capazes de pensar por si mesmos. Eles não precisam aprender por experiências dolorosas que “iniquidade nunca foi felicidade” (Alma 41:10).
Posso compartilhar um simples exemplo de minha própria vida sobre o que os pais podem fazer. Quando eu tinha cinco ou seis anos de idade, eu morava em frente a uma mercearia. Certo dia, dois meninos mais velhos, chamaram-me para ir com eles à mercearia. Enquanto cobiçávamos os doces lá expostos, o menino mais velho pegou um chocolate e o colocou sorrateiramente no bolso. Ele insistiu para que o outro menino e eu fizéssemos o mesmo e depois de alguma hesitação, nós o fizemos. Depois saímos rapidamente da loja e corremos em direções diferentes. Encontrei um esconderijo em casa e abri a embalagem do chocolate. Minha mãe me flagrou com a evidência do chocolate espalhado no meu rosto e me levou de volta à mercearia. Enquanto atravessávamos a rua, me veio a certeza de que pegaria prisão perpétua. Entre soluços e lágrimas, pedi desculpas ao proprietário e paguei-lhe pelo chocolate com uma moeda que minha mãe me havia emprestado (e que tive de merecer mais tarde). O amor e a disciplina de minha mãe colocaram um fim abrupto e precoce a minha vida de crimes.
Todos nós sofremos tentações. Até mesmo o Salvador, mas Ele “não lhes deu atenção” (D&C 20:22). De modo semelhante, não temos de ceder simplesmente porque a tentação aparece. Talvez até queiramos, mas não temos de fazê-lo. Uma amiga incrédula, perguntou a uma jovem adulta determinada a viver a lei da castidade se ela nunca tinha “dormido” com ninguém. “Você não quer?”, perguntou a amiga. A jovem ficou intrigada, porque a pergunta era fora de propósito. O simples querer dificilmente seria uma orientação apropriada para a conduta moral.7
Em alguns casos, a tentação pode ter a força suplementar do vício potencial ou real. Sou grato porque a Igreja é capaz de prover, para um número cada vez maior de pessoas, ajuda terapêutica de vários tipos para auxiliá-las a evitar os vícios ou lidar com eles. Mesmo assim, embora a terapia possa dar suporte à vontade individual, ela não pode substituí-la. Sempre deverá haver o exercício da disciplina — da disciplina moral fundamentada na fé em Deus, o Pai e em Seu Filho, e no que Eles podem alcançar conosco por meio da graça expiatória de Jesus Cristo. Segundo Pedro, “sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos” (II Pedro 2:9).
Não podemos presumir que o futuro será semelhante ao passado — que as coisas e os padrões econômicos, políticos e sociais nos quais confiamos permaneçam como têm sido. Talvez a nossa disciplina moral, se a cultivarmos, venha a ser uma influência benéfica e inspiradora para que outros busquem o mesmo rumo. Poderemos assim exercer um impacto nas tendências e nos eventos futuros. No mínimo, a disciplina moral será uma ajuda imensa a nós para lidarmos com quaisquer tensões e desafios que apareçam em uma sociedade em desintegração.
Ouvimos mensagens amorosas e inspiradas durante esta conferência e, daqui a pouco, o Presidente Thomas S. Monson nos dirá suas palavras finais de admoestação. Ao considerarmos em espírito de oração o que aprendemos ou reaprendemos, creio que o Espírito derramará mais luz sobre aqueles pontos que se aplicarem a cada um de nós. Seremos fortalecidos com a disciplina moral necessária para andarmos retamente diante do Senhor e sermos um com Ele e com o Pai.
Ergo-me com estes meus irmãos e com vocês, meus irmãos e irmãs, como testemunha de que Deus é nosso Pai e de que Seu Filho, Jesus, é nosso Redentor. A lei Deles é imutável; Sua verdade é eterna e Seu amor é infinito. Em nome de Jesus Cristo, o Senhor. Amém.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
A disciplina moral é o exercício consistente da liberdade de escolher o certo porque é o certo, mesmo que seja difícil.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Presidente James E. Faust, na época um jovem recruta no Exército dos Estados Unidos, candidatou-se à escola de oficiais. Ele foi sabatinado por uma banca examinadora composta do que chamou de “militares de carreira durões”. Logo as perguntas deles se voltaram para questões religiosas. As últimas perguntas foram:
“Em tempos de guerra, o código moral não deve ser menos rigoroso? O estresse da batalha não justifica que os homens façam coisas que não fariam em situações normais?”
O Presidente Faust relata:
“Percebi ali uma oportunidade de talvez causar uma boa impressão e de demonstrar uma mente aberta. Eu sabia perfeitamente que aqueles homens que me questionavam não viviam de acordo com os padrões que eu aprendera. Ocorreu-me dizer que eu tinha minhas próprias crenças, mas que não queria impô-las a outros. Mas também me passou pela mente o rosto das muitas pessoas a quem eu, como missionário, tinha ensinado a lei da castidade. No final, eu disse simplesmente: ‘Não acredito em duplo padrão de moralidade’.
Saí da entrevista convencido de que eles não haviam gostado das minhas respostas (…) e que minhas notas seriam baixas. Dias mais tarde, quando as notas foram divulgadas, verifiquei com surpresa que eu havia passado. E estava no primeiro grupo de candidatos à escola de oficiais! (…)
Essa foi uma das situações críticas da minha vida”.1
O Presidente Faust reconheceu que todos possuímos o dom do arbítrio moral concedido por Deus — o direito de fazer escolhas e a obrigação de responder por elas (ver D&C 101:78). Ele também compreendeu e demonstrou que, para obtermos resultados positivos, a liberdade moral deve ser acompanhada da disciplina moral.
Por “disciplina moral” quero dizer autodisciplina com base em padrões morais. A disciplina moral é o exercício consistente da liberdade de escolher o certo porque é o certo, mesmo que seja difícil. Essa disciplina rejeita a autoindulgência e favorece o desenvolvimento de um caráter digno de respeito e de verdadeira grandiosidade por meio de serviço cristão (ver Marcos 10:42–45). A raiz da palavra “disciplina” é a mesma de discípulo, sugerindo à mente que a conformidade com o exemplo e os ensinamentos de Jesus Cristo é a disciplina ideal que, juntamente com Sua graça, forma uma pessoa de excelente virtude e moral.
A disciplina do próprio Jesus estava enraizada em Seu discipulado ao Pai. A Seus discípulos, Ele explicou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:34). Por esse mesmo padrão, nossa disciplina moral está enraizada na lealdade e na devoção ao Pai a ao Filho. É o evangelho de Jesus Cristo que proporciona a certeza moral sobre a qual repousa a disciplina moral.
A sociedade em que muitos de nós vivemos tem falhado há várias gerações em promover a disciplina moral. A sociedade ensina que a verdade é relativa e que cada um decide por si mesmo o que é certo. Conceitos como pecado e erro têm sido condenados como “julgamentos de valor”. Conforme o Senhor descreve: “Todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus” (D&C 1:16).
Como resultado, a autodisciplina é destruída e a sociedade é obrigada a tentar manter a ordem e a civilidade por meio da repressão. A falta de controle interno nos indivíduos gera o controle externo pelo governo. Certo colunista observou que “o comportamento cavalheiresco [por exemplo, antigamente] protegia as mulheres de atitudes imorais. Hoje, espera-se que as leis contra o assédio sexual refreiem o comportamento imoral. (…)
Nem a polícia nem a justiça podem substituir costumes, tradições e valores morais como meios de regulamentação do comportamento humano. Na melhor das hipóteses, a polícia e a justiça são o último e desesperado recurso de defesa da sociedade civilizada. Nossa dependência das leis para o controle do comportamento demonstra como nos tornamos incivilizados”.2
Na maior parte do mundo vivenciamos uma recessão econômica extensa e devastadora. Ela foi causada por múltiplos fatores, mas um dos principais foi a generalização da conduta desonesta e sem ética, especialmente nos mercados de imóveis e finanças dos Estados Unidos. A reação se concentrou no aumento e na rigidez das regulamentações. Talvez essa medida possa dissuadir alguns de agir de maneira ilícita, mas outros simplesmente se valerão de meios mais criativos para burlar a lei.3 É impossível haver regras suficientes e tão bem articuladas que possam prever e cobrir cada situação; e mesmo que houvesse, sua aplicação seria demasiadamente cara e complicada. Essa abordagem conduz à restrição da liberdade de todos. Como disse de forma notável o Bispo Fulton J. Sheen: “Não quisemos aceitar o jugo de Cristo; pois agora devemos tremer sob o jugo de César”.4
Em suma, somente uma bússola moral interna em cada indivíduo pode efetivamente orientar-nos nas causas e nos sintomas originais da decadência social.A sociedade vai lutar em vão para estabelecer o bem comum, se não denunciar o pecado como pecado e se a disciplina moral não ocupar seu lugar no panteão das virtudes cívicas.5
Aprende-se a disciplina moral no lar. Embora não possamos controlar o que os outros fazem ou deixem de fazer, os santos dos últimos dias podem sem dúvida juntar forças com os que demonstram virtude na própria vida e a transmitem às novas gerações. Lembrem-se da história, no Livro de Mórmon, dos jovens que foram determinantes na vitória nefita na longa guerra entre 66 e 60 a.C. — os filhos do povo de Amon. O caráter e a disciplina deles foram descritos nestas palavras:
“Eram homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as coisas que lhes eram confiadas.
Sim, eles eram homens íntegros e sóbrios, pois haviam aprendido a guardar os mandamentos de Deus e a andar retamente perante ele” (Alma 53:20–21).
“Ora, eles nunca haviam lutado. Não obstante, não temiam a morte; e pensavam mais na liberdade de seus pais do que em sua própria vida; sim, eles tinham sido ensinados por suas mães que, se não duvidassem, Deus os livraria” (Alma 56:47).
“Ora, era esta a fé possuída por aqueles de quem falei; eles são jovens, de opinião firme, e depositam continuamente sua confiança em Deus” (Alma 57:27).
Eis aí um padrão para o que deveria ocorrer em nosso lar e na Igreja. Nossos ensinamentos deveriam nutrir-se da nossa fé e concentrar-se primordial e principalmente em instilar na nova geração a fé em Deus. Devemos declarar a necessidade essencial de guardar os mandamentos de Deus e de andarmos em retidão e sobriedade diante Dele ou, em outras palavras, em reverência. Cada um deve-se convencer de que o serviço e o sacrifício pelo bem-estar e felicidade de outros estão acima das mais altas prioridades do próprio conforto e de bens pessoais.
Isso exige mais do que a referência esporádica a um ou outro princípio do evangelho. Exige o ensino constante — principalmente pelo exemplo.
O Presidente Henry B. Eyring ilustrou a visão daquilo que lutamos para alcançar:
“O puro evangelho de Jesus Cristo deve penetrar o coração de [nossos filhos] pelo poder do Espírito Santo. Não será suficiente para eles ter um testemunho da verdade e desejar boas coisas no decurso da vida. Não será suficiente para eles ter esperança de serem limpos e fortalecidos no futuro. Nossa meta é que eles se convertam verdadeiramente ao evangelho restaurado de Jesus Cristo enquanto estão conosco. Dessa forma, eles terão obtido força pelo que são, não só pelo que sabem. Eles se tornarão discípulos de Cristo”.6
Já ouvi alguns pais dizerem que não querem impor o evangelho a seus filhos, mas desejam que eles decidam por si mesmos sobre o que acreditarão e seguirão. Esses pais pensam que assim estarão permitindo que os filhos exerçam seu livre-arbítrio. O que eles se esquecem é que o exercício inteligente do livre-arbítrio exige o conhecimento da verdade, das coisas como elas realmente são (ver D&C 93:24). Sem esse conhecimento, não se pode esperar que os jovens compreendam e avaliem as alternativas que se lhes apresentarem. Os pais devem levar em consideração a maneira como o adversário aborda seus filhos. O inimigo e seus seguidores não estão promovendo a objetividade, mas são vigorosos promotores multimídia do pecado e do egoísmo.
A tentativa de manter a neutralidade em relação ao evangelho é, na realidade, uma rejeição à existência de Deus e de Sua autoridade. Devemos, sim, reconhecer a Ele e Sua onisciência, se quisermos que nossos filhos enxerguem com clareza as opções na vida e sejam capazes de pensar por si mesmos. Eles não precisam aprender por experiências dolorosas que “iniquidade nunca foi felicidade” (Alma 41:10).
Posso compartilhar um simples exemplo de minha própria vida sobre o que os pais podem fazer. Quando eu tinha cinco ou seis anos de idade, eu morava em frente a uma mercearia. Certo dia, dois meninos mais velhos, chamaram-me para ir com eles à mercearia. Enquanto cobiçávamos os doces lá expostos, o menino mais velho pegou um chocolate e o colocou sorrateiramente no bolso. Ele insistiu para que o outro menino e eu fizéssemos o mesmo e depois de alguma hesitação, nós o fizemos. Depois saímos rapidamente da loja e corremos em direções diferentes. Encontrei um esconderijo em casa e abri a embalagem do chocolate. Minha mãe me flagrou com a evidência do chocolate espalhado no meu rosto e me levou de volta à mercearia. Enquanto atravessávamos a rua, me veio a certeza de que pegaria prisão perpétua. Entre soluços e lágrimas, pedi desculpas ao proprietário e paguei-lhe pelo chocolate com uma moeda que minha mãe me havia emprestado (e que tive de merecer mais tarde). O amor e a disciplina de minha mãe colocaram um fim abrupto e precoce a minha vida de crimes.
Todos nós sofremos tentações. Até mesmo o Salvador, mas Ele “não lhes deu atenção” (D&C 20:22). De modo semelhante, não temos de ceder simplesmente porque a tentação aparece. Talvez até queiramos, mas não temos de fazê-lo. Uma amiga incrédula, perguntou a uma jovem adulta determinada a viver a lei da castidade se ela nunca tinha “dormido” com ninguém. “Você não quer?”, perguntou a amiga. A jovem ficou intrigada, porque a pergunta era fora de propósito. O simples querer dificilmente seria uma orientação apropriada para a conduta moral.7
Em alguns casos, a tentação pode ter a força suplementar do vício potencial ou real. Sou grato porque a Igreja é capaz de prover, para um número cada vez maior de pessoas, ajuda terapêutica de vários tipos para auxiliá-las a evitar os vícios ou lidar com eles. Mesmo assim, embora a terapia possa dar suporte à vontade individual, ela não pode substituí-la. Sempre deverá haver o exercício da disciplina — da disciplina moral fundamentada na fé em Deus, o Pai e em Seu Filho, e no que Eles podem alcançar conosco por meio da graça expiatória de Jesus Cristo. Segundo Pedro, “sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos” (II Pedro 2:9).
Não podemos presumir que o futuro será semelhante ao passado — que as coisas e os padrões econômicos, políticos e sociais nos quais confiamos permaneçam como têm sido. Talvez a nossa disciplina moral, se a cultivarmos, venha a ser uma influência benéfica e inspiradora para que outros busquem o mesmo rumo. Poderemos assim exercer um impacto nas tendências e nos eventos futuros. No mínimo, a disciplina moral será uma ajuda imensa a nós para lidarmos com quaisquer tensões e desafios que apareçam em uma sociedade em desintegração.
Ouvimos mensagens amorosas e inspiradas durante esta conferência e, daqui a pouco, o Presidente Thomas S. Monson nos dirá suas palavras finais de admoestação. Ao considerarmos em espírito de oração o que aprendemos ou reaprendemos, creio que o Espírito derramará mais luz sobre aqueles pontos que se aplicarem a cada um de nós. Seremos fortalecidos com a disciplina moral necessária para andarmos retamente diante do Senhor e sermos um com Ele e com o Pai.
Ergo-me com estes meus irmãos e com vocês, meus irmãos e irmãs, como testemunha de que Deus é nosso Pai e de que Seu Filho, Jesus, é nosso Redentor. A lei Deles é imutável; Sua verdade é eterna e Seu amor é infinito. Em nome de Jesus Cristo, o Senhor. Amém.
sábado, 21 de maio de 2011
O Amor e a Lei
Élder Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos
O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor.
Senti-me impelido a falar a respeito do amor e dos mandamentos de Deus. Minha mensagem trata do amor universal e perfeito de Deus, demonstrado em todas as bênçãos de Seu plano do evangelho, incluindo-se o fato de que Suas bênçãos mais especiais estão reservadas àqueles que obedecem Suas leis.1 Esses são os princípios eternos que devem orientar os pais em seu amor a seus filhos e nos ensinamentos que lhes proporcionam.
I.
Começo com quatro exemplos que ilustram certa confusão crucial entre o amor e a lei.
• Um jovem adulto que vive maritalmente com outra pessoa diz a seus tristes pais: “Se vocês realmente me amassem, nos aceitariam da mesma forma que aceitam seus filhos casados”.
• Um jovem reage às ordens ou pressões dos pais, declarando: “Se vocês me amassem, não me forçariam a nada”.
Nesses exemplos, uma pessoa que está violando os mandamentos afirma que o amor dos pais deve passar por cima dos mandamentos da lei divina e dos ensinamentos paternos.
Os dois próximos exemplos demonstram como os mortais se confundem a respeito da eficácia do amor de Deus.
• Certa pessoa rejeita a doutrina de que um casal deva ser casado para a eternidade, para poder usufruir os relacionamentos familiares da vida futura, declarando: “Se Deus realmente nos ama, não posso acreditar que separaria o marido de sua esposa dessa forma”.
• Outra pessoa diz que sua fé foi abalada pelo sofrimento que Deus permite que seja infligido a uma pessoa ou raça, concluindo: “Se houvesse um Deus que nos amasse, Ele não permitiria que isso ocorresse”.
Essas pessoas não acreditam nas leis eternas que consideram contrárias aos seus conceitos da eficácia do amor de Deus. Aqueles que assumem essa posição não compreendem a natureza do amor Divino ou o propósito de Suas leis e Seus mandamentos. O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor. O mesmo deveria ser verdade no que diz respeito ao amor e às regras paternos.
II.
Considerem, primeiramente, o amor de Deus, como foi descrito tão significativamente pelo Presidente Dieter F. Uchtdorf. “Quem nos separará do amor de Cristo?” perguntou o Apóstolo Paulo. Nem a tribulação; nem a perseguição; nem o perigo ou a espada (ver Romanos 8:35). “Porque estou certo de que”, concluiu ele, “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, (...) nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus” (vv. 38–39).
Não existe maior evidência do poder e da perfeição infinitos do amor de Deus do que as palavras do Apóstolo João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). Outro Apóstolo escreveu que Deus “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32). Pensem em como deve ter afligido nosso Pai Celestial enviar Seu Filho para suportar por nossos pecados um sofrimento incompreensível. Essa é a maior evidência de Seu amor a cada um de nós!
O amor que Deus tem por Seus filhos é uma realidade eterna, mas, por que Ele nos ama tanto, e por que desejamos esse amor? A resposta é encontrada no relacionamento entre o amor de Deus e as Suas leis.
Alguns parecem dar valor ao amor de Deus por esperarem que esse amor seja tão grande e tão incondicional que os dispensará misericordiosamente de obedecer a Suas leis. Ao contrário, os que compreendem o plano de Deus para Seus filhos, sabem que as leis Dele são invariáveis, e essa realidade é outra grande evidência de Seu amor por nós. A misericórdia não pode roubar a justiça2, e aqueles que obtêm misericórdia são “os que guardaram o convênio e observaram o mandamento” (D&C 54:6).
Lemos repetidamente na Bíblia e nas escrituras modernas a respeito da “indignação” de Deus com os iníquos3 e de Sua ira4 contra os que violam Suas leis. Como a indignação e a ira evidenciam Seu amor? Joseph Smith ensinou que Deus instituiu “leis por meio das quais eles poderiam ter o privilégio de progredir como Ele próprio”.5 O amor de Deus é tão perfeito, que faz com que Ele exija amorosamente que obedeçamos aos Seus mandamentos, porque Ele sabe que somente por obediência a Suas leis podemos tornar-nos perfeitos como Ele é. Por essa razão, a ira de Deus e o ardor dessa ira não constituem uma contradição de Seu amor, mas uma evidência de Seu amor. Pais e mães sabem que se pode amar total e completamente a um filho e ao mesmo tempo demonstrar criativamente sua ira e decepção com o comportamento prejudicial desse filho contra si mesmo.
O amor de Deus é tão universal que Seu plano perfeito confere muitos dons a todos os Seus filhos, mesmo àqueles que desobedecem Suas leis. A mortalidade é um desses dons, concedida a todos os que se qualificaram na Guerra nos Céus.6 Outra dádiva incondicional é a Ressurreição universal. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22). Muitos outros dons mortais não estão condicionados a nossa obediência pessoal à lei. Como ensinou Jesus, nosso Pai Celestial “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).
Se simplesmente nos dispusermos a ouvir, poderemos conhecer o amor de Deus e senti-lo, mesmo quando somos desobedientes. Uma senhora que voltou recentemente à atividade na Igreja, deu esta descrição em um discurso na reunião sacramental: “Ele sempre estava lá para atender-me, mesmo quando eu O rejeitava. Ele sempre me guiava, confortando-me com Suas ternas misericórdias, mas eu [estava] tão revoltada, que não via nem aceitava o que me ocorria e os sentimentos que eu tinha como frutos dessas ternas misericórdias”.7
III.
As mais excelentes bênçãos de Deus estão claramente condicionadas à obediência às leis e aos mandamentos de Deus. O ensino-chave encontra-se na revelação moderna:
“Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam —
E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:20–21).
Esse grande princípio nos ajuda a entender o porquê de muitas coisas, tais como a justiça e a misericórdia compensadas pela Expiação. Explica também por que Deus não impedirá o exercício do livre-arbítrio por Seus filhos. O livre-arbítrio — nossa capacidade de escolher — é fundamental para o plano do evangelho que nos trouxe à Terra. Deus não intervém para impedir as consequências das escolhas de alguns, a fim de proteger o bem-estar de outros — mesmo quando matam, ferem ou oprimem uns aos outros — isso destruiria Seu plano para nosso progresso eterno.8 Ele nos abençoará, para que suportemos as consequências das escolhas dos outros, porém não impedirá essas escolhas.9
Se uma pessoa entender os ensinamentos de Jesus, não poderá concluir razoavelmente que nosso amantíssimo Pai Celestial ou Seu divino Filho crê que Seu amor suplante Seus mandamentos. Pensem nestes exemplos.
Quando Jesus iniciou Seu ministério, Sua primeira mensagem foi sobre o arrependimento.10
Quando Ele exerceu terna misericórdia, não condenando a mulher apanhada em adultério, disse-lhe, apesar disso: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).
Jesus ensinou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).
A finalidade dos mandamentos e das leis de Deus não muda para adaptar-se ao comportamento ou aos desejos dos outros. Se alguém acha que o amor de Deus ou dos pais por uma pessoa lhe concede a licença para desobedecer à lei, não entende nem o amor nem a lei. O Senhor declarou: “Aquilo que transgride uma lei e não obedece à lei, mas procura tornar-se uma lei para si mesmo e prefere permanecer no pecado, nele permanecendo inteiramente, não pode ser santificado por lei nem por misericórdia, justiça ou julgamento. Portanto permanece imundo ainda” (D&C 88:35).
Lemos na revelação moderna: “A todos os reinos se deu uma lei” (D&C 88:36). Por exemplo:
“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino terrestre não consegue suportar uma glória terrestre.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino telestial não consegue suportar uma glória telestial” (D&C 88:22–24).
Em outras palavras, o reino de glória a que o Julgamento Final nos designar não é determinado pelo amor, mas pela lei que Deus invocou em Seu plano a fim de nos qualificar para a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7).
IV.
Ao ensinar e interagir com os filhos, os pais têm muitas oportunidades de aplicar esses princípios. Uma dessas circunstâncias tem a ver com os dons que os pais conferem aos filhos. Assim como Deus conferiu alguns dons a todos os Seus filhos mortais, sem lhes exigir obediência pessoal a Suas leis, os pais concedem muitos benefícios como teto e alimento, mesmo que seus filhos não estejam em total harmonia com todos os requisitos paternos. Mas, seguindo o exemplo de um Pai Celestial plenamente sábio e amoroso, que deu leis e mandamentos para o benefício de Seus filhos, os pais sábios condicionam alguns dons paternos à obediência.
Se os pais têm um filho rebelde — como um adolescente que use bebidas alcoólicas ou drogas — eles enfrentam um sério problema. Será que, por amor ao filho, os pais precisam permitir que ele guarde ou use tais substâncias em casa? Ou será que, por causa da lei civil, ou da gravidade dessa conduta, ou ainda para proteger os interesses dos outros filhos, isso tem que ser proibido?
Para apresentar uma questão ainda mais séria, se um filho adulto vive maritalmente com outra pessoa, será que a gravidade das relações sexuais fora dos laços do casamento exige que esse filho sinta todo o peso da desaprovação da família e seja excluído de quaisquer contatos com a família? Ou será que o amor paterno exige que se ignore esse fato? Já vi esses dois extremos e creio que ambos são impróprios.
Quais são os limites que os pais podem impor? Essa é uma questão de sabedoria dos pais, orientada pela inspiração do Senhor. Não existe área de ação paterna em que seja mais necessária a orientação Celestial ou em que ela seja mais propensa a acontecer do que nas decisões dos pais ao educarem seus filhos e governarem sua família. Esta é a obra da eternidade.
Ao se depararem com esses problemas, os pais precisam lembrar-se do ensinamento do Senhor, de que devemos deixar as noventa e nove ovelhas e irmos para o deserto, a fim de resgatar a que está perdida.11 O Presidente Thomas S. Monson conclamou: uma cruzada amorosa para resgatar nossos irmãos e irmãs que vagueiam no deserto da apatia ou ignorância.12 Esses ensinamentos exigem uma preocupação amorosa contínua, que certamente requer associações amorosas permanentes.
Os pais devem também lembrar-se do ensino frequente do Senhor de que “o Senhor corrige o que ama” (Hebreus 12:6).13 Em seu discurso “Ensinai-nos Tolerância e Amor”, na conferência de abril de 1994, o Élder Russell M. Nelson ensinou que “o verdadeiro amor pelo pecador pode exigir uma confrontação corajosa — em vez de condescendência! O amor verdadeiro não encoraja um comportamento de autodestruição”.14
Onde quer que seja traçada a linha divisória entre o poder do amor e a força da lei, a quebra dos mandamentos causará, certamente, um impacto sobre os relacionamentos de amor da família. Jesus ensinou:
“Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;
Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.
O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe” (Lucas 12:51–53).
Esse solene ensinamento nos lembra que, quando os familiares não estão unidos no esforço para guardar os mandamentos de Deus, haverá divisões. Fazemos tudo que podemos para evitar a quebra dos relacionamentos de amor, mas às vezes isso ocorre, apesar de tudo que podemos fazer.
No meio de tal pressão, precisamos suportar a realidade de que o afastamento de nossos entes queridos diminuirá nossa felicidade, contudo, não deve diminuir nosso amor mútuo ou nossos esforços pacientes para nos unirmos, a fim de entender o amor de Deus e as leis Dele.
Testifico-lhes quanto à veracidade dessas coisas que fazem parte do plano de salvação e da doutrina de Cristo, de Quem testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor.
Senti-me impelido a falar a respeito do amor e dos mandamentos de Deus. Minha mensagem trata do amor universal e perfeito de Deus, demonstrado em todas as bênçãos de Seu plano do evangelho, incluindo-se o fato de que Suas bênçãos mais especiais estão reservadas àqueles que obedecem Suas leis.1 Esses são os princípios eternos que devem orientar os pais em seu amor a seus filhos e nos ensinamentos que lhes proporcionam.
I.
Começo com quatro exemplos que ilustram certa confusão crucial entre o amor e a lei.
• Um jovem adulto que vive maritalmente com outra pessoa diz a seus tristes pais: “Se vocês realmente me amassem, nos aceitariam da mesma forma que aceitam seus filhos casados”.
• Um jovem reage às ordens ou pressões dos pais, declarando: “Se vocês me amassem, não me forçariam a nada”.
Nesses exemplos, uma pessoa que está violando os mandamentos afirma que o amor dos pais deve passar por cima dos mandamentos da lei divina e dos ensinamentos paternos.
Os dois próximos exemplos demonstram como os mortais se confundem a respeito da eficácia do amor de Deus.
• Certa pessoa rejeita a doutrina de que um casal deva ser casado para a eternidade, para poder usufruir os relacionamentos familiares da vida futura, declarando: “Se Deus realmente nos ama, não posso acreditar que separaria o marido de sua esposa dessa forma”.
• Outra pessoa diz que sua fé foi abalada pelo sofrimento que Deus permite que seja infligido a uma pessoa ou raça, concluindo: “Se houvesse um Deus que nos amasse, Ele não permitiria que isso ocorresse”.
Essas pessoas não acreditam nas leis eternas que consideram contrárias aos seus conceitos da eficácia do amor de Deus. Aqueles que assumem essa posição não compreendem a natureza do amor Divino ou o propósito de Suas leis e Seus mandamentos. O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor. O mesmo deveria ser verdade no que diz respeito ao amor e às regras paternos.
II.
Considerem, primeiramente, o amor de Deus, como foi descrito tão significativamente pelo Presidente Dieter F. Uchtdorf. “Quem nos separará do amor de Cristo?” perguntou o Apóstolo Paulo. Nem a tribulação; nem a perseguição; nem o perigo ou a espada (ver Romanos 8:35). “Porque estou certo de que”, concluiu ele, “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, (...) nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus” (vv. 38–39).
Não existe maior evidência do poder e da perfeição infinitos do amor de Deus do que as palavras do Apóstolo João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). Outro Apóstolo escreveu que Deus “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32). Pensem em como deve ter afligido nosso Pai Celestial enviar Seu Filho para suportar por nossos pecados um sofrimento incompreensível. Essa é a maior evidência de Seu amor a cada um de nós!
O amor que Deus tem por Seus filhos é uma realidade eterna, mas, por que Ele nos ama tanto, e por que desejamos esse amor? A resposta é encontrada no relacionamento entre o amor de Deus e as Suas leis.
Alguns parecem dar valor ao amor de Deus por esperarem que esse amor seja tão grande e tão incondicional que os dispensará misericordiosamente de obedecer a Suas leis. Ao contrário, os que compreendem o plano de Deus para Seus filhos, sabem que as leis Dele são invariáveis, e essa realidade é outra grande evidência de Seu amor por nós. A misericórdia não pode roubar a justiça2, e aqueles que obtêm misericórdia são “os que guardaram o convênio e observaram o mandamento” (D&C 54:6).
Lemos repetidamente na Bíblia e nas escrituras modernas a respeito da “indignação” de Deus com os iníquos3 e de Sua ira4 contra os que violam Suas leis. Como a indignação e a ira evidenciam Seu amor? Joseph Smith ensinou que Deus instituiu “leis por meio das quais eles poderiam ter o privilégio de progredir como Ele próprio”.5 O amor de Deus é tão perfeito, que faz com que Ele exija amorosamente que obedeçamos aos Seus mandamentos, porque Ele sabe que somente por obediência a Suas leis podemos tornar-nos perfeitos como Ele é. Por essa razão, a ira de Deus e o ardor dessa ira não constituem uma contradição de Seu amor, mas uma evidência de Seu amor. Pais e mães sabem que se pode amar total e completamente a um filho e ao mesmo tempo demonstrar criativamente sua ira e decepção com o comportamento prejudicial desse filho contra si mesmo.
O amor de Deus é tão universal que Seu plano perfeito confere muitos dons a todos os Seus filhos, mesmo àqueles que desobedecem Suas leis. A mortalidade é um desses dons, concedida a todos os que se qualificaram na Guerra nos Céus.6 Outra dádiva incondicional é a Ressurreição universal. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22). Muitos outros dons mortais não estão condicionados a nossa obediência pessoal à lei. Como ensinou Jesus, nosso Pai Celestial “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).
Se simplesmente nos dispusermos a ouvir, poderemos conhecer o amor de Deus e senti-lo, mesmo quando somos desobedientes. Uma senhora que voltou recentemente à atividade na Igreja, deu esta descrição em um discurso na reunião sacramental: “Ele sempre estava lá para atender-me, mesmo quando eu O rejeitava. Ele sempre me guiava, confortando-me com Suas ternas misericórdias, mas eu [estava] tão revoltada, que não via nem aceitava o que me ocorria e os sentimentos que eu tinha como frutos dessas ternas misericórdias”.7
III.
As mais excelentes bênçãos de Deus estão claramente condicionadas à obediência às leis e aos mandamentos de Deus. O ensino-chave encontra-se na revelação moderna:
“Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam —
E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:20–21).
Esse grande princípio nos ajuda a entender o porquê de muitas coisas, tais como a justiça e a misericórdia compensadas pela Expiação. Explica também por que Deus não impedirá o exercício do livre-arbítrio por Seus filhos. O livre-arbítrio — nossa capacidade de escolher — é fundamental para o plano do evangelho que nos trouxe à Terra. Deus não intervém para impedir as consequências das escolhas de alguns, a fim de proteger o bem-estar de outros — mesmo quando matam, ferem ou oprimem uns aos outros — isso destruiria Seu plano para nosso progresso eterno.8 Ele nos abençoará, para que suportemos as consequências das escolhas dos outros, porém não impedirá essas escolhas.9
Se uma pessoa entender os ensinamentos de Jesus, não poderá concluir razoavelmente que nosso amantíssimo Pai Celestial ou Seu divino Filho crê que Seu amor suplante Seus mandamentos. Pensem nestes exemplos.
Quando Jesus iniciou Seu ministério, Sua primeira mensagem foi sobre o arrependimento.10
Quando Ele exerceu terna misericórdia, não condenando a mulher apanhada em adultério, disse-lhe, apesar disso: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).
Jesus ensinou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).
A finalidade dos mandamentos e das leis de Deus não muda para adaptar-se ao comportamento ou aos desejos dos outros. Se alguém acha que o amor de Deus ou dos pais por uma pessoa lhe concede a licença para desobedecer à lei, não entende nem o amor nem a lei. O Senhor declarou: “Aquilo que transgride uma lei e não obedece à lei, mas procura tornar-se uma lei para si mesmo e prefere permanecer no pecado, nele permanecendo inteiramente, não pode ser santificado por lei nem por misericórdia, justiça ou julgamento. Portanto permanece imundo ainda” (D&C 88:35).
Lemos na revelação moderna: “A todos os reinos se deu uma lei” (D&C 88:36). Por exemplo:
“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino terrestre não consegue suportar uma glória terrestre.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino telestial não consegue suportar uma glória telestial” (D&C 88:22–24).
Em outras palavras, o reino de glória a que o Julgamento Final nos designar não é determinado pelo amor, mas pela lei que Deus invocou em Seu plano a fim de nos qualificar para a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7).
IV.
Ao ensinar e interagir com os filhos, os pais têm muitas oportunidades de aplicar esses princípios. Uma dessas circunstâncias tem a ver com os dons que os pais conferem aos filhos. Assim como Deus conferiu alguns dons a todos os Seus filhos mortais, sem lhes exigir obediência pessoal a Suas leis, os pais concedem muitos benefícios como teto e alimento, mesmo que seus filhos não estejam em total harmonia com todos os requisitos paternos. Mas, seguindo o exemplo de um Pai Celestial plenamente sábio e amoroso, que deu leis e mandamentos para o benefício de Seus filhos, os pais sábios condicionam alguns dons paternos à obediência.
Se os pais têm um filho rebelde — como um adolescente que use bebidas alcoólicas ou drogas — eles enfrentam um sério problema. Será que, por amor ao filho, os pais precisam permitir que ele guarde ou use tais substâncias em casa? Ou será que, por causa da lei civil, ou da gravidade dessa conduta, ou ainda para proteger os interesses dos outros filhos, isso tem que ser proibido?
Para apresentar uma questão ainda mais séria, se um filho adulto vive maritalmente com outra pessoa, será que a gravidade das relações sexuais fora dos laços do casamento exige que esse filho sinta todo o peso da desaprovação da família e seja excluído de quaisquer contatos com a família? Ou será que o amor paterno exige que se ignore esse fato? Já vi esses dois extremos e creio que ambos são impróprios.
Quais são os limites que os pais podem impor? Essa é uma questão de sabedoria dos pais, orientada pela inspiração do Senhor. Não existe área de ação paterna em que seja mais necessária a orientação Celestial ou em que ela seja mais propensa a acontecer do que nas decisões dos pais ao educarem seus filhos e governarem sua família. Esta é a obra da eternidade.
Ao se depararem com esses problemas, os pais precisam lembrar-se do ensinamento do Senhor, de que devemos deixar as noventa e nove ovelhas e irmos para o deserto, a fim de resgatar a que está perdida.11 O Presidente Thomas S. Monson conclamou: uma cruzada amorosa para resgatar nossos irmãos e irmãs que vagueiam no deserto da apatia ou ignorância.12 Esses ensinamentos exigem uma preocupação amorosa contínua, que certamente requer associações amorosas permanentes.
Os pais devem também lembrar-se do ensino frequente do Senhor de que “o Senhor corrige o que ama” (Hebreus 12:6).13 Em seu discurso “Ensinai-nos Tolerância e Amor”, na conferência de abril de 1994, o Élder Russell M. Nelson ensinou que “o verdadeiro amor pelo pecador pode exigir uma confrontação corajosa — em vez de condescendência! O amor verdadeiro não encoraja um comportamento de autodestruição”.14
Onde quer que seja traçada a linha divisória entre o poder do amor e a força da lei, a quebra dos mandamentos causará, certamente, um impacto sobre os relacionamentos de amor da família. Jesus ensinou:
“Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;
Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.
O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe” (Lucas 12:51–53).
Esse solene ensinamento nos lembra que, quando os familiares não estão unidos no esforço para guardar os mandamentos de Deus, haverá divisões. Fazemos tudo que podemos para evitar a quebra dos relacionamentos de amor, mas às vezes isso ocorre, apesar de tudo que podemos fazer.
No meio de tal pressão, precisamos suportar a realidade de que o afastamento de nossos entes queridos diminuirá nossa felicidade, contudo, não deve diminuir nosso amor mútuo ou nossos esforços pacientes para nos unirmos, a fim de entender o amor de Deus e as leis Dele.
Testifico-lhes quanto à veracidade dessas coisas que fazem parte do plano de salvação e da doutrina de Cristo, de Quem testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Receber Orientação Espiritual
Élder Richard G. Scott
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual.
Ao longo dos séculos, muitos conseguiram obter orientação útil para enfrentar os desafios da própria vida, ao seguir o exemplo de outras pessoas respeitáveis que resolveram problemas semelhantes. Hoje, as condições de vida mudam com tal rapidez que essa estratégia nem sempre se torna possível.
Pessoalmente, regozijo-me com essa realidade, porque ela cria uma condição na qual, necessariamente, ficamos mais dependentes do Espírito para nos guiar em meio às vicissitudes da vida. Dessa forma, somos levados a buscar inspiração pessoal para as decisões importantes da vida.
O que você pode fazer a fim de ampliar sua capacidade de ser orientado para tomar decisões corretas na vida? Quais são os princípios dos quais depende a comunicação espiritual? Quais são as barreiras em potencial que você deve evitar para obter essa comunicação?
O Presidente John Taylor escreveu: “Joseph Smith, há mais de quarenta anos, disse-me: ‘Irmão Taylor, você recebeu o Espírito Santo. Agora, siga a influência desse Espírito e Ele o guiará a toda verdade, até que, aos poucos, ela se tornará em você um princípio de revelação’. Em seguida, disse-me para nunca começar o dia sem curvar-me diante do Senhor e dedicar-me a Ele durante esse dia”.1
O Pai Celestial sabia que você enfrentaria desafios e que deveria tomar certas decisões cujas alternativas corretas estariam além da sua capacidade de discernir. Em Seu plano de felicidade, Ele incluiu o recurso que lhe permite receber ajuda em tais desafios e decisões durante sua vida mortal. Essa ajuda lhe chegará por meio do Espírito Santo, como orientação espiritual. É um poder além de sua capacidade, que o amoroso Pai Celestial deseja que você utilize de maneira consistente para ter paz e felicidade.
Tenho a convicção de que não existe uma fórmula ou técnica simples que, de imediato, permita-lhe dominar a capacidade de ser orientado pela voz do Espírito. Nosso Pai espera que você aprenda a obter essa ajuda divina pelo exercício da fé Nele e em Seu Santo Filho, Jesus Cristo. Se você recebesse orientação inspirada só por pedir, ficaria fraco e cada vez mais dependente Deles. Eles sabem que o crescimento pessoal essencial virá à medida que você aprenda a ser guiado pelo Espírito.
O que, a princípio, parece ser uma tarefa temerária, torna-se muito mais fácil com o tempo, se você se esforçar consistentemente para reconhecer e seguir os sentimentos propiciados pelo Espírito. Sua confiança na orientação recebida do Espírito Santo também se fortalecerá. Testifico-lhe que, à medida que ganhar experiência e for bem-sucedido ao ser orientado pelo Espírito, sua confiança nesses sussurros se tornará maior do que sua dependência daquilo que você vê ou ouve.
A espiritualidade gera dois frutos. O primeiro é a inspiração, saber o que fazer. O segundo é o poder, ou a capacidade de fazê-lo. Essas duas habilidades vêm juntas. É por isso que Néfi pôde dizer: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.2 Ele conhecia as leis espirituais nas quais se baseiam a inspiração e o poder. Sim, Deus responde às orações e dá-nos orientação espiritual quando somos obedientes e exercemos a necessária fé Nele.
Quero compartilhar uma experiência que me ensinou uma forma de receber orientação espiritual. Certo domingo, assisti à reunião do sacerdócio em um ramo hispânico na Cidade do México. Lembro-me claramente de como o humilde líder do sacerdócio, um mexicano, esforçava-se para comunicar as verdades do evangelho contidas na lição. Observei o desejo intenso que ele tinha de compartilhar com os membros de seu quórum aqueles princípios que ele valorizava tanto. Ele reconhecia que eram de grande valia para os irmãos presentes. Em seus modos havia uma evidência do puro amor do Salvador e do amor por aqueles a quem ensinava.
Sua sinceridade, pureza de propósito e amor permitiram que uma força espiritual envolvesse a classe. Fiquei profundamente comovido. Logo comecei a receber impressões pessoais como extensão dos princípios ensinados por aquele humilde instrutor. Era inspiração pessoal, relacionada a minhas responsabilidades na área. Era a resposta por meus esforços prolongados, em espírito de oração, para aprender.
À medida que cada impressão chegava, eu as anotava fielmente. Nesse processo, recebi verdades preciosas das quais eu muito necessitava para ser um servo mais eficaz do Senhor. Os detalhes dessa comunicação são sagrados e, como uma bênção patriarcal, foram para o meu próprio benefício. Recebi orientações e instruções específicas, além de promessas condicionais que alteraram o curso da minha vida para melhor.
Pouco tempo depois, assisti à aula da Escola Dominical de nossa ala, em que um visitante muito culto deu a aula. Essa experiência foi um contraste chocante com aquela que eu havia desfrutado na reunião do sacerdócio. Pareceu-me que o instrutor tinha, propositalmente, escolhido referências obscuras e exemplos incomuns para ilustrar os princípios da lição. Tive a nítida sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade de ensino para impressionar a classe com seu vasto acervo de conhecimento. De qualquer forma, ele não parecia ter a intenção de comunicar princípios, como havia feito o humilde líder do sacerdócio.
Naquelas circunstâncias, fortes impressões começaram a fluir para mim de novo. Eu as anotei. A mensagem incluía conselhos específicos sobre como me tornar um instrumento mais eficaz nas mãos do Senhor. Recebi tal influxo de impressões — tão pessoais — que senti não ser apropriado registrá-las em meio a uma aula da Escola Dominical. Procurei um lugar mais sossegado e continuei a anotar tão fielmente quanto possível os sentimentos que inundaram minha mente e meu coração. Depois de registrar cada vigorosa impressão, ponderei sobre os sentimentos que tivera, a fim de determinar se os tinha expressado por escrito com precisão. Depois de ponderar, fiz algumas pequenas alterações no que tinha escrito. Em seguida, estudei o significado e a aplicação delas em minha própria vida.
Orei, depois, repassando com o Senhor o que eu achava que me havia sido ensinado pelo Espírito. Quando me sobreveio um sentimento de paz, agradeci a Ele pela orientação dada. Senti então que devia perguntar-Lhe se ainda havia mais a caminho. Recebi outras impressões e repeti o processo de escrevê-las, de ponderar sobre elas e orar por confirmação. Mais uma vez fui levado a perguntar: “Há algo mais que eu deva saber?” E havia. Ao encerrar-se aquela última e sagrada experiência, eu havia recebido algumas das orientações mais preciosas, específicas e pessoais que alguém poderia esperar receber nesta vida. Se eu não tivesse dado ouvidos às primeiras impressões, se não as tivesse registrado, não teria recebido a última e mais preciosa orientação.
O que descrevi não é uma experiência isolada. Ela engloba vários princípios verdadeiros relacionados à comunicação entre o Senhor e Seus filhos aqui na Terra. Creio que você pode deixar de ouvir a orientação mais preciosa e pessoal do Espírito se não der ouvidos, se não registrar nem aplicar as inspirações que lhe vierem.
As impressões do Espírito podem vir em resposta a uma oração urgente ou até sem serem pedidas, quando há necessidade. Às vezes o Senhor lhe revela uma verdade, apesar de não a estar buscando ativamente, como quando você está em perigo sem o saber. No entanto, o Senhor não o forçará a aprender. Você deve exercer seu livre-arbítrio para autorizar o Espírito a lhe ensinar. Ao tornar isso um hábito na vida, você ficará mais perceptivo aos sentimentos que acompanham a orientação espiritual. Assim, quando a orientação chega — às vezes, quando você menos espera — você a reconhece com mais facilidade.
A influência inspiradora do Espírito Santo pode ser abafada ou mascarada por emoções fortes como a raiva, o ódio, a paixão, o medo ou o orgulho. Quando essas influências se apresentam, é o mesmo que procurar saborear o delicado sabor de uma uva tendo na boca uma forte pimenta. Ambos os sabores estão presentes, mas um se sobrepõe completamente ao outro. Semelhantemente, as emoções fortes sobrepõem-se aos delicados sussurros do Espírito Santo.
O pecado vicia, degenera e leva a outros tipos de corrupção, amortecendo a espiritualidade, a consciência e a razão, cegando-nos para a realidade. É contagioso, destrói a mente, o corpo e o espírito. O pecado é espiritualmente corrosivo. Se não for contido, ele nos consome. Ele é vencido pelo arrependimento e pela retidão.
Faço-lhe uma advertência. Satanás é perito em bloquear a comunicação espiritual. Ele induz as pessoas, por meio da tentação, a violar as leis sobre as quais se fundamenta a comunicação espiritual. Ele é capaz de convencer alguns de que são incapazes de receber tais orientações do Senhor.
Satanás tornou-se mestre no uso do poder viciante da pornografia a fim de limitar a capacidade de as pessoas serem guiadas pelo Espírito. O ataque da pornografia sob todas as suas formas doentias, malignas e corrosivas tem causado muito sofrimento, dor, angústia e tem destruído casamentos. Ela é uma das mais danosas influências na Terra. Tanto em páginas impressas, no cinema, na televisão, nas músicas com letras obscenas e nos serviços telefônicos, quanto nas telas do computador, a pornografia é incrivelmente viciante e terrivelmente destrutiva. Essa possante ferramenta de Lúcifer degrada a mente, o coração e a alma de qualquer um que a use. Todos os que caem em sua rede tentadora e tormentosa e ali permanecem acabarão viciados nessa influência imoral e destruidora. Muitos não conseguem livrar-se desse vício sem ajuda. A trágica sequência é conhecida. Começa com a curiosidade, incentivada pelo estímulo que apresenta, e se justifica pela falsa premissa de que, em particular, não prejudica mais ninguém. Para os que são atraídos por essa mentira, a experimentação avança, com estímulos mais fortes, até que a armadilha se fecha e um hábito terrivelmente imoral e viciante assume o controle.
A participação em pornografia, sob qualquer de suas formas sinistras, é demonstração de egoísmo sem limites. Como é possível que um homem, especialmente um portador do sacerdócio, não pense no dano emocional e espiritual causado às mulheres, principalmente à esposa, por esse hábito degradante?
Bem disse o inspirado Néfi: “E [o diabo os] (…) pacificará e acalentará com segurança carnal, (…) e assim [ele] engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”.3
Se você caiu na armadilha da pornografia, assuma integralmente o compromisso de abandoná-la. Encontre um lugar calmo e ore urgentemente pedindo auxílio e apoio. Seja paciente e obediente. Não desista.
Pais: saibam que o vício da pornografia pode começar bem cedo nos jovens. Tomem medidas preventivas para evitar essa tragédia. Presidentes de estaca e bispos, façam um alerta contra esse mal. Convidem todos os que vocês considerem presas desse mal a procurar ajuda com vocês.
A pessoa com padrões sedimentados e um comprometimento duradouro de obediência não será facilmente desviada. Aquele que, cada vez mais, repele o grave pecado e exerce autocontrole sem influência humana externa, possui firmeza de caráter. O arrependimento será mais efetivo para essa pessoa. O remorso após o erro é solo fértil em que o arrependimento pode florescer.
Seja paciente, à medida que aperfeiçoa sua capacidade de ser guiado pelo Espírito. Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual. Presto testemunho de que o Senhor, por meio do Espírito Santo, pode falar a nossa mente e ao nosso coração. Às vezes, essas impressões são apenas sentimentos genéricos. Outras vezes, o direcionamento vem com tal clareza e certeza que pode até ser escrito, como um ditado espiritual.4
Presto solene testemunho de que, ao orar com fervor na alma, com humildade e gratidão, você poderá aprender a ser guiado de maneira consistente pelo Espírito Santo em todos os aspectos da vida. Já confirmei a verdade desse princípio no momento mais difícil de minha vida. Testifico que você pode aprender a controlar pessoalmente os princípios que lhe permitem ser guiado pelo Espírito. Dessa maneira, o Salvador poderá guiá-lo para vencer os desafios da vida e desfrutar grande paz e felicidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas
1. John Taylor, The Gospel Kingdom, ed. G. Homer Durham (1943), pp. 43–44.
2. 1 Néfi 3:7.
3. 2 Néfi 28:21.
4. Ver D&C 8:2.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual.
Ao longo dos séculos, muitos conseguiram obter orientação útil para enfrentar os desafios da própria vida, ao seguir o exemplo de outras pessoas respeitáveis que resolveram problemas semelhantes. Hoje, as condições de vida mudam com tal rapidez que essa estratégia nem sempre se torna possível.
Pessoalmente, regozijo-me com essa realidade, porque ela cria uma condição na qual, necessariamente, ficamos mais dependentes do Espírito para nos guiar em meio às vicissitudes da vida. Dessa forma, somos levados a buscar inspiração pessoal para as decisões importantes da vida.
O que você pode fazer a fim de ampliar sua capacidade de ser orientado para tomar decisões corretas na vida? Quais são os princípios dos quais depende a comunicação espiritual? Quais são as barreiras em potencial que você deve evitar para obter essa comunicação?
O Presidente John Taylor escreveu: “Joseph Smith, há mais de quarenta anos, disse-me: ‘Irmão Taylor, você recebeu o Espírito Santo. Agora, siga a influência desse Espírito e Ele o guiará a toda verdade, até que, aos poucos, ela se tornará em você um princípio de revelação’. Em seguida, disse-me para nunca começar o dia sem curvar-me diante do Senhor e dedicar-me a Ele durante esse dia”.1
O Pai Celestial sabia que você enfrentaria desafios e que deveria tomar certas decisões cujas alternativas corretas estariam além da sua capacidade de discernir. Em Seu plano de felicidade, Ele incluiu o recurso que lhe permite receber ajuda em tais desafios e decisões durante sua vida mortal. Essa ajuda lhe chegará por meio do Espírito Santo, como orientação espiritual. É um poder além de sua capacidade, que o amoroso Pai Celestial deseja que você utilize de maneira consistente para ter paz e felicidade.
Tenho a convicção de que não existe uma fórmula ou técnica simples que, de imediato, permita-lhe dominar a capacidade de ser orientado pela voz do Espírito. Nosso Pai espera que você aprenda a obter essa ajuda divina pelo exercício da fé Nele e em Seu Santo Filho, Jesus Cristo. Se você recebesse orientação inspirada só por pedir, ficaria fraco e cada vez mais dependente Deles. Eles sabem que o crescimento pessoal essencial virá à medida que você aprenda a ser guiado pelo Espírito.
O que, a princípio, parece ser uma tarefa temerária, torna-se muito mais fácil com o tempo, se você se esforçar consistentemente para reconhecer e seguir os sentimentos propiciados pelo Espírito. Sua confiança na orientação recebida do Espírito Santo também se fortalecerá. Testifico-lhe que, à medida que ganhar experiência e for bem-sucedido ao ser orientado pelo Espírito, sua confiança nesses sussurros se tornará maior do que sua dependência daquilo que você vê ou ouve.
A espiritualidade gera dois frutos. O primeiro é a inspiração, saber o que fazer. O segundo é o poder, ou a capacidade de fazê-lo. Essas duas habilidades vêm juntas. É por isso que Néfi pôde dizer: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.2 Ele conhecia as leis espirituais nas quais se baseiam a inspiração e o poder. Sim, Deus responde às orações e dá-nos orientação espiritual quando somos obedientes e exercemos a necessária fé Nele.
Quero compartilhar uma experiência que me ensinou uma forma de receber orientação espiritual. Certo domingo, assisti à reunião do sacerdócio em um ramo hispânico na Cidade do México. Lembro-me claramente de como o humilde líder do sacerdócio, um mexicano, esforçava-se para comunicar as verdades do evangelho contidas na lição. Observei o desejo intenso que ele tinha de compartilhar com os membros de seu quórum aqueles princípios que ele valorizava tanto. Ele reconhecia que eram de grande valia para os irmãos presentes. Em seus modos havia uma evidência do puro amor do Salvador e do amor por aqueles a quem ensinava.
Sua sinceridade, pureza de propósito e amor permitiram que uma força espiritual envolvesse a classe. Fiquei profundamente comovido. Logo comecei a receber impressões pessoais como extensão dos princípios ensinados por aquele humilde instrutor. Era inspiração pessoal, relacionada a minhas responsabilidades na área. Era a resposta por meus esforços prolongados, em espírito de oração, para aprender.
À medida que cada impressão chegava, eu as anotava fielmente. Nesse processo, recebi verdades preciosas das quais eu muito necessitava para ser um servo mais eficaz do Senhor. Os detalhes dessa comunicação são sagrados e, como uma bênção patriarcal, foram para o meu próprio benefício. Recebi orientações e instruções específicas, além de promessas condicionais que alteraram o curso da minha vida para melhor.
Pouco tempo depois, assisti à aula da Escola Dominical de nossa ala, em que um visitante muito culto deu a aula. Essa experiência foi um contraste chocante com aquela que eu havia desfrutado na reunião do sacerdócio. Pareceu-me que o instrutor tinha, propositalmente, escolhido referências obscuras e exemplos incomuns para ilustrar os princípios da lição. Tive a nítida sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade de ensino para impressionar a classe com seu vasto acervo de conhecimento. De qualquer forma, ele não parecia ter a intenção de comunicar princípios, como havia feito o humilde líder do sacerdócio.
Naquelas circunstâncias, fortes impressões começaram a fluir para mim de novo. Eu as anotei. A mensagem incluía conselhos específicos sobre como me tornar um instrumento mais eficaz nas mãos do Senhor. Recebi tal influxo de impressões — tão pessoais — que senti não ser apropriado registrá-las em meio a uma aula da Escola Dominical. Procurei um lugar mais sossegado e continuei a anotar tão fielmente quanto possível os sentimentos que inundaram minha mente e meu coração. Depois de registrar cada vigorosa impressão, ponderei sobre os sentimentos que tivera, a fim de determinar se os tinha expressado por escrito com precisão. Depois de ponderar, fiz algumas pequenas alterações no que tinha escrito. Em seguida, estudei o significado e a aplicação delas em minha própria vida.
Orei, depois, repassando com o Senhor o que eu achava que me havia sido ensinado pelo Espírito. Quando me sobreveio um sentimento de paz, agradeci a Ele pela orientação dada. Senti então que devia perguntar-Lhe se ainda havia mais a caminho. Recebi outras impressões e repeti o processo de escrevê-las, de ponderar sobre elas e orar por confirmação. Mais uma vez fui levado a perguntar: “Há algo mais que eu deva saber?” E havia. Ao encerrar-se aquela última e sagrada experiência, eu havia recebido algumas das orientações mais preciosas, específicas e pessoais que alguém poderia esperar receber nesta vida. Se eu não tivesse dado ouvidos às primeiras impressões, se não as tivesse registrado, não teria recebido a última e mais preciosa orientação.
O que descrevi não é uma experiência isolada. Ela engloba vários princípios verdadeiros relacionados à comunicação entre o Senhor e Seus filhos aqui na Terra. Creio que você pode deixar de ouvir a orientação mais preciosa e pessoal do Espírito se não der ouvidos, se não registrar nem aplicar as inspirações que lhe vierem.
As impressões do Espírito podem vir em resposta a uma oração urgente ou até sem serem pedidas, quando há necessidade. Às vezes o Senhor lhe revela uma verdade, apesar de não a estar buscando ativamente, como quando você está em perigo sem o saber. No entanto, o Senhor não o forçará a aprender. Você deve exercer seu livre-arbítrio para autorizar o Espírito a lhe ensinar. Ao tornar isso um hábito na vida, você ficará mais perceptivo aos sentimentos que acompanham a orientação espiritual. Assim, quando a orientação chega — às vezes, quando você menos espera — você a reconhece com mais facilidade.
A influência inspiradora do Espírito Santo pode ser abafada ou mascarada por emoções fortes como a raiva, o ódio, a paixão, o medo ou o orgulho. Quando essas influências se apresentam, é o mesmo que procurar saborear o delicado sabor de uma uva tendo na boca uma forte pimenta. Ambos os sabores estão presentes, mas um se sobrepõe completamente ao outro. Semelhantemente, as emoções fortes sobrepõem-se aos delicados sussurros do Espírito Santo.
O pecado vicia, degenera e leva a outros tipos de corrupção, amortecendo a espiritualidade, a consciência e a razão, cegando-nos para a realidade. É contagioso, destrói a mente, o corpo e o espírito. O pecado é espiritualmente corrosivo. Se não for contido, ele nos consome. Ele é vencido pelo arrependimento e pela retidão.
Faço-lhe uma advertência. Satanás é perito em bloquear a comunicação espiritual. Ele induz as pessoas, por meio da tentação, a violar as leis sobre as quais se fundamenta a comunicação espiritual. Ele é capaz de convencer alguns de que são incapazes de receber tais orientações do Senhor.
Satanás tornou-se mestre no uso do poder viciante da pornografia a fim de limitar a capacidade de as pessoas serem guiadas pelo Espírito. O ataque da pornografia sob todas as suas formas doentias, malignas e corrosivas tem causado muito sofrimento, dor, angústia e tem destruído casamentos. Ela é uma das mais danosas influências na Terra. Tanto em páginas impressas, no cinema, na televisão, nas músicas com letras obscenas e nos serviços telefônicos, quanto nas telas do computador, a pornografia é incrivelmente viciante e terrivelmente destrutiva. Essa possante ferramenta de Lúcifer degrada a mente, o coração e a alma de qualquer um que a use. Todos os que caem em sua rede tentadora e tormentosa e ali permanecem acabarão viciados nessa influência imoral e destruidora. Muitos não conseguem livrar-se desse vício sem ajuda. A trágica sequência é conhecida. Começa com a curiosidade, incentivada pelo estímulo que apresenta, e se justifica pela falsa premissa de que, em particular, não prejudica mais ninguém. Para os que são atraídos por essa mentira, a experimentação avança, com estímulos mais fortes, até que a armadilha se fecha e um hábito terrivelmente imoral e viciante assume o controle.
A participação em pornografia, sob qualquer de suas formas sinistras, é demonstração de egoísmo sem limites. Como é possível que um homem, especialmente um portador do sacerdócio, não pense no dano emocional e espiritual causado às mulheres, principalmente à esposa, por esse hábito degradante?
Bem disse o inspirado Néfi: “E [o diabo os] (…) pacificará e acalentará com segurança carnal, (…) e assim [ele] engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”.3
Se você caiu na armadilha da pornografia, assuma integralmente o compromisso de abandoná-la. Encontre um lugar calmo e ore urgentemente pedindo auxílio e apoio. Seja paciente e obediente. Não desista.
Pais: saibam que o vício da pornografia pode começar bem cedo nos jovens. Tomem medidas preventivas para evitar essa tragédia. Presidentes de estaca e bispos, façam um alerta contra esse mal. Convidem todos os que vocês considerem presas desse mal a procurar ajuda com vocês.
A pessoa com padrões sedimentados e um comprometimento duradouro de obediência não será facilmente desviada. Aquele que, cada vez mais, repele o grave pecado e exerce autocontrole sem influência humana externa, possui firmeza de caráter. O arrependimento será mais efetivo para essa pessoa. O remorso após o erro é solo fértil em que o arrependimento pode florescer.
Seja paciente, à medida que aperfeiçoa sua capacidade de ser guiado pelo Espírito. Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual. Presto testemunho de que o Senhor, por meio do Espírito Santo, pode falar a nossa mente e ao nosso coração. Às vezes, essas impressões são apenas sentimentos genéricos. Outras vezes, o direcionamento vem com tal clareza e certeza que pode até ser escrito, como um ditado espiritual.4
Presto solene testemunho de que, ao orar com fervor na alma, com humildade e gratidão, você poderá aprender a ser guiado de maneira consistente pelo Espírito Santo em todos os aspectos da vida. Já confirmei a verdade desse princípio no momento mais difícil de minha vida. Testifico que você pode aprender a controlar pessoalmente os princípios que lhe permitem ser guiado pelo Espírito. Dessa maneira, o Salvador poderá guiá-lo para vencer os desafios da vida e desfrutar grande paz e felicidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas
1. John Taylor, The Gospel Kingdom, ed. G. Homer Durham (1943), pp. 43–44.
2. 1 Néfi 3:7.
3. 2 Néfi 28:21.
4. Ver D&C 8:2.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Duas Linhas de Comunicação
Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal.
O Senhor deu a Seus filhos duas linhas para comunicar-nos com Ele, que poderíamos chamar de linha pessoal e linha do sacerdócio. Todos nós devemos conhecer e ser guiados por essas duas linhas de comunicação essenciais.
I A Linha Pessoal
Na linha pessoal, oramos diretamente ao Pai Celestial, e Ele nos responde pelos canais que estabeleceu, sem nenhum intermediário mortal. Oramos a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, e Ele nos responde por intermédio de Seu Santo Espírito e de outras maneiras. A missão do Espírito Santo é prestar testemunho do Pai e do Filho (ver João 15:26; 2 Néfi 31:18; 3 Néfi 28:11), guiar-nos À verdade (ver João 14:26; 16:13), e mostrar-nos todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:5). Essa linha pessoal de comunicação com nosso Pai Celestial por intermédio de Seu Santo Espírito é a fonte de nosso testemunho da verdade, de nosso conhecimento e de nossa orientação pessoal pelo amoroso Pai Celestial. É um elemento essencial de Seu maravilhoso plano do evangelho, que permite a cada um de Seus filhos receber um testemunho pessoal de sua veracidade.
O canal pessoal e direto de comunicação com nosso Pai Celestial por meio do Espírito Santo baseia-se na dignidade, e é tão essencial que recebemos o mandamento de renovar nossos convênios tomando o sacramento a cada dia do Senhor. Desse modo, tornamo-nos dignos da promessa de ter sempre conosco Seu Espírito para guiar-nos.
E nessa linha pessoal de comunicação com o Senhor, nossas crenças e práticas são semelhantes às dos cristãos que pregam que não são necessários mediadores humanos entre Deus e o homem, porque todos temos acesso direto a Deus, segundo o princípio apoiado por Martinho Lutero, atualmente conhecido como “o sacerdócio de todos os crentes”. Falarei mais a esse respeito daqui a pouco.
A linha pessoal é de suprema importância nas decisões pessoais e no governo da família. Infelizmente, alguns membros de nossa Igreja subestimam a necessidade dessa linha direta e pessoal. Respondendo à indubitável importância da liderança profética — a linha do sacerdócio, que funciona principalmente para governar a comunicação celeste nos assuntos da Igreja — alguns procuram fazer com que seus líderes do sacerdócio tomem as decisões pessoais por eles, decisões essas que deveriam tomar por si mesmos por inspiração, por meio de sua linha pessoal. As decisões pessoais e o governo da família são primordialmente um assunto para a linha pessoal.
Sinto que devo acrescentar outros cuidados que devemos tomar em relação a essa preciosa linha direta de comunicação com o Pai Celestial.
Em primeiro lugar, em sua plenitude, a linha pessoal não funciona independentemente da linha do sacerdócio. O Dom do Espírito Santo — meio de comunicação entre Deus e o homem — é conferido pela autoridade do sacerdócio, quando autorizado por aqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Não vem simplesmente por desejo ou crença. E o direito da companhia constante do Espírito precisa ser confirmado a cada dia do Senhor, ao tomarmos dignamente o sacramento e renovarmos nossos convênios batismais de obediência e serviço.
Semelhantemente, não podemos comunicar-nos de modo confiável por meio da linha direta pessoal se formos desobedientes ou se estivermos em desarmonia com a linha do sacerdócio. O Senhor declarou que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão” (D&C 121:36). Infelizmente, é comum que pessoas que violam os mandamentos de Deus ou são desobedientes aos conselhos de seus líderes do sacerdócio declararem que Deus lhes revelou que não precisam obedecer a alguns mandamentos ou seguir certos conselhos. Essas pessoas podem receber revelação ou inspiração, mas não da fonte que supõem. O diabo é o pai das mentiras e está sempre ansioso por frustrar o trabalho de Deus com suas imitações astutas.
II. A Linha do Sacerdócio
Diferentemente da linha pessoal, na qual nosso Pai Celestial Se comunica conosco diretamente por meio do Espírito Santo, a linha de comunicação do sacerdócio tem como intermediários adicionais e necessários nosso Salvador Jesus Cristo, Sua Igreja e Seus líderes designados.
Devido ao que Ele realizou por meio de Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo tem o poder de determinar as condições que precisamos cumprir para qualificar-nos para as bênçãos de Sua Expiação. É por isso que temos mandamentos e ordenanças. É por isso que fazemos convênios. É assim que nos qualificamos para as bênçãos prometidas. Tudo isso vem por intermédio da misericórdia e graça do Santo de Israel “depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).
Durante Seu ministério terreno, Jesus Cristo conferiu a autoridade do sacerdócio que leva Seu nome e estabeleceu uma Igreja, que também leva o Seu nome. Nesta última dispensação, Sua autoridade do sacerdócio foi restaurada e Sua Igreja foi restabelecida por meio de ministração celeste ao Profeta Joseph Smith. Esse sacerdócio restaurado e essa Igreja restabelecida estão no cerne da linha do sacerdócio.
A linha do sacerdócio é o canal pelo qual Deus falou a Seus filhos por meio das escrituras no passado. E é essa linha pela qual Ele fala atualmente por meio dos ensinamentos e conselhos dos profetas e apóstolos vivos e de outros líderes inspirados. Esse é o meio pelo qual recebemos as ordenanças necessárias. Esse é o meio pelo qual recebemos chamados para servir em Sua Igreja. Sua Igreja é o meio e Seu sacerdócio é o poder por meio do qual temos o privilégio de participar de atividades cooperativas que são essenciais para a realização da obra do Senhor. Elas incluem a pregação do evangelho, a construção de templos e capelas, e o auxílio aos pobres.
No tocante a essa linha do sacerdócio, nossas crenças e práticas são semelhantes às de alguns cristãos que pregam que as ordenanças autorizadas (sacramentos) são essenciais e precisam ser realizadas por alguém que tenha sido autorizado e comissionado por Jesus Cristo (ver João 15:16). Também cremos nisso, mas evidentemente divergimos de outros cristãos em relação a como essa autoridade chega até nós.
Alguns membros e ex-membros de nossa Igreja não reconhecem a importância da linha do sacerdócio. Subestimam a importância da Igreja e de seus líderes e programas. Confiam inteiramente na linha pessoal, seguem seu próprio caminho, propondo-se a definir doutrinas e a dirigir organizações concorrentes que pregam coisas contrárias aos ensinamentos dos líderes–profetas. Nisso, espelham a atual hostilidade àquela que é depreciativamente chamada de “religião organizada”. Aqueles que rejeitam a necessidade de uma religião organizada rejeitam a obra do Mestre, que estabeleceu Sua Igreja e seus líderes no meridiano dos tempos e que os restabeleceu em tempos modernos.
A religião organizada, estabelecida por autoridade divina, é essencial, conforme ensinou o Apóstolo Paulo:
“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).
Todos devemos nos lembrar da declaração do Senhor na revelação moderna de que a voz dos servos do Senhor é a voz do Senhor (ver D&C 1:38; 21:5; 68:4).
Sinto que devo acrescentar duas advertências que devemos lembrar em relação à confiança na linha vital do sacerdócio.
Em primeiro lugar, a linha do sacerdócio não elimina a necessidade da linha pessoal. Todos nós precisamos de um testemunho pessoal da verdade. À medida que nossa fé se desenvolve, precisamos confiar na fé e nas palavras de outras pessoas, como nossos pais, professores ou líderes do sacerdócio (ver D&C 46:14). Mas, se dependermos unicamente de um determinado líder do sacerdócio ou de um professor para nosso testemunho pessoal da verdade, em vez de obtermos esse testemunho por meio da linha pessoal, estaremos sempre vulneráveis a desapontamentos causados pelas ações dessa pessoa. No tocante a um conhecimento amadurecido ou testemunho da verdade, não devemos depender de um mediador mortal que se interponha entre nós e o Pai Celestial.
Em segundo lugar, tal como na linha pessoal, a linha do sacerdócio não pode funcionar plena e devidamente em nosso benefício a não ser que sejamos dignos e obedientes. Muitas escrituras ensinam que, se alguém persistir na violação grave dos mandamentos de Deus, será “afastado de sua presença” (Alma 38:1). Quando isso acontece, o Senhor e Seus servos ficam grandemente limitados para dar-nos auxílio espiritual, e não podemos obtê-lo por nós mesmos.
A história nos fornece um exemplo vívido da importância de que os servos do Senhor estejam em sintonia com o Espírito. O jovem Profeta Joseph Smith não conseguia traduzir quando estava zangado ou perturbado.
David Whitmer relembrou: “Certa manhã, quando ele estava-se aprontando para continuar a tradução, houve um problema em sua casa que o deixou irritado. Foi algo que sua esposa Emma fizera. Oliver e eu subimos ao andar de cima, e Joseph logo chegou para continuar a tradução, mas não conseguiu fazer nada. Não conseguia traduzir uma única sílaba. Desceu as escadas, foi ao pomar e suplicou ao Senhor. Ficou ali por uma hora, voltou para casa, pediu perdão a Emma e, então, subiu as escadas para onde estávamos, e a tradução prosseguiu sem problemas. Ele não conseguia fazer nada, a menos que fosse humilde e fiel.”1
III. A Necessidade de Ambas as Linhas
Concluirei com mais alguns exemplos da necessidade que temos de ambas as linhas que o Pai Celestial estabeleceu para a comunicação com Seus filhos. Ambas são essenciais para o cumprimento de Seu propósito de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos. Um antigo relato das escrituras sobre essa necessidade é o conselho dado a Moisés por seu sogro, Jetro, de que não deveria fazer tantas coisas. As pessoas esperavam diante de seu líder do sacerdócio de manhã até a noite para “consultar a Deus” (Êxodo 18:15) e também para “[julgar] entre um e outro” (v. 16). Sempre mencionamos como Jetro aconselhou Moisés a nomear juízes para lidar com os conflitos das pessoas (ver vv. 21–22). Mas Jetro também deu a Moisés um conselho que ilustra a importância da linha pessoal: “E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que [eles] devem fazer” (v. 20; grifo do autor).
Em outras palavras, ele deveria ensinar os filhos de Israel a não levarem todas as questões ao seu líder do sacerdócio. Eles deveriam conhecer os mandamentos e buscar inspiração para resolver por si mesmos os seus problemas.
Acontecimentos recentes no Chile ilustram a necessidade das duas linhas. Houve um terremoto devastador no Chile. Muitos de nossos membros perderam a casa, alguns perderam familiares. Muitos perderam a confiança. Mas — como nossa Igreja está preparada para atender a esses desastres — rapidamente foram enviados suprimentos, abrigos e outros auxílios materiais. Os santos do Chile ouviram a voz do Senhor por meio de Sua Igreja e de seus líderes, e atenderam a suas necessidades materiais. Mas, por melhor que funcionasse a linha do sacerdócio, não era o suficiente. Cada membro precisou buscar o Senhor em oração e receber a mensagem direta de consolo e orientação que vem por intermédio do Santo Espírito aos que buscam e ouvem.
Nosso trabalho missionário é outro exemplo da necessidade das duas linhas. Os homens e as mulheres que são chamados como missionários são dignos e dispostos graças aos ensinamentos que receberam por meio da linha do sacerdócio e do testemunho que receberam por meio da linha pessoal. São chamados por meio da linha do sacerdócio. Então, como representantes do Senhor e sob a direção de Sua linha do sacerdócio, eles ensinam os pesquisadores. Aqueles que buscam sinceramente a verdade ouvem a mensagem, e os missionários os incentivam a orar para saber se é verdadeira, por eles mesmos, por meio da linha pessoal.
Um último exemplo aplica esses princípios à questão da autoridade do sacerdócio na família e na Igreja.2 Toda autoridade do sacerdócio na Igreja funciona sob a direção daquele que possui as devidas chaves do sacerdócio. Essa é a linha do sacerdócio. Mas a autoridade que preside na família — seja o pai, ou a mãe que cria os filhos sozinha — funciona nos assuntos familiares sem a necessidade da autorização de alguém que possua as chaves do sacerdócio. É como a linha pessoal. Ambas as linhas precisam funcionar em nossa vida familiar e em nossa vida pessoal, se quisermos crescer e alcançar o propósito explicado no plano de nosso Pai Celestial para Seus filhos.
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal. Se a prática religiosa pessoal depender unicamente da linha pessoal, o individualismo apaga a importância da autoridade divina. Se a prática religiosa pessoal depender demasiadamente da linha do sacerdócio, o crescimento individual fica prejudicado. Os filhos de Deus precisam de ambas as linhas para alcançar seu destino eterno. O evangelho restaurado ensina as duas, e a Igreja restaurada oferece as duas.
Testifico-lhes do profeta do Senhor, o Presidente Thomas S. Monson, que possui as chaves que governam a linha do sacerdócio. Testifico do Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence esta Igreja. E testifico do evangelho restaurado, cuja verdade está à disposição de cada um de nós por meio da preciosa ligação pessoal com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal.
O Senhor deu a Seus filhos duas linhas para comunicar-nos com Ele, que poderíamos chamar de linha pessoal e linha do sacerdócio. Todos nós devemos conhecer e ser guiados por essas duas linhas de comunicação essenciais.
I A Linha Pessoal
Na linha pessoal, oramos diretamente ao Pai Celestial, e Ele nos responde pelos canais que estabeleceu, sem nenhum intermediário mortal. Oramos a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, e Ele nos responde por intermédio de Seu Santo Espírito e de outras maneiras. A missão do Espírito Santo é prestar testemunho do Pai e do Filho (ver João 15:26; 2 Néfi 31:18; 3 Néfi 28:11), guiar-nos À verdade (ver João 14:26; 16:13), e mostrar-nos todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:5). Essa linha pessoal de comunicação com nosso Pai Celestial por intermédio de Seu Santo Espírito é a fonte de nosso testemunho da verdade, de nosso conhecimento e de nossa orientação pessoal pelo amoroso Pai Celestial. É um elemento essencial de Seu maravilhoso plano do evangelho, que permite a cada um de Seus filhos receber um testemunho pessoal de sua veracidade.
O canal pessoal e direto de comunicação com nosso Pai Celestial por meio do Espírito Santo baseia-se na dignidade, e é tão essencial que recebemos o mandamento de renovar nossos convênios tomando o sacramento a cada dia do Senhor. Desse modo, tornamo-nos dignos da promessa de ter sempre conosco Seu Espírito para guiar-nos.
E nessa linha pessoal de comunicação com o Senhor, nossas crenças e práticas são semelhantes às dos cristãos que pregam que não são necessários mediadores humanos entre Deus e o homem, porque todos temos acesso direto a Deus, segundo o princípio apoiado por Martinho Lutero, atualmente conhecido como “o sacerdócio de todos os crentes”. Falarei mais a esse respeito daqui a pouco.
A linha pessoal é de suprema importância nas decisões pessoais e no governo da família. Infelizmente, alguns membros de nossa Igreja subestimam a necessidade dessa linha direta e pessoal. Respondendo à indubitável importância da liderança profética — a linha do sacerdócio, que funciona principalmente para governar a comunicação celeste nos assuntos da Igreja — alguns procuram fazer com que seus líderes do sacerdócio tomem as decisões pessoais por eles, decisões essas que deveriam tomar por si mesmos por inspiração, por meio de sua linha pessoal. As decisões pessoais e o governo da família são primordialmente um assunto para a linha pessoal.
Sinto que devo acrescentar outros cuidados que devemos tomar em relação a essa preciosa linha direta de comunicação com o Pai Celestial.
Em primeiro lugar, em sua plenitude, a linha pessoal não funciona independentemente da linha do sacerdócio. O Dom do Espírito Santo — meio de comunicação entre Deus e o homem — é conferido pela autoridade do sacerdócio, quando autorizado por aqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Não vem simplesmente por desejo ou crença. E o direito da companhia constante do Espírito precisa ser confirmado a cada dia do Senhor, ao tomarmos dignamente o sacramento e renovarmos nossos convênios batismais de obediência e serviço.
Semelhantemente, não podemos comunicar-nos de modo confiável por meio da linha direta pessoal se formos desobedientes ou se estivermos em desarmonia com a linha do sacerdócio. O Senhor declarou que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão” (D&C 121:36). Infelizmente, é comum que pessoas que violam os mandamentos de Deus ou são desobedientes aos conselhos de seus líderes do sacerdócio declararem que Deus lhes revelou que não precisam obedecer a alguns mandamentos ou seguir certos conselhos. Essas pessoas podem receber revelação ou inspiração, mas não da fonte que supõem. O diabo é o pai das mentiras e está sempre ansioso por frustrar o trabalho de Deus com suas imitações astutas.
II. A Linha do Sacerdócio
Diferentemente da linha pessoal, na qual nosso Pai Celestial Se comunica conosco diretamente por meio do Espírito Santo, a linha de comunicação do sacerdócio tem como intermediários adicionais e necessários nosso Salvador Jesus Cristo, Sua Igreja e Seus líderes designados.
Devido ao que Ele realizou por meio de Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo tem o poder de determinar as condições que precisamos cumprir para qualificar-nos para as bênçãos de Sua Expiação. É por isso que temos mandamentos e ordenanças. É por isso que fazemos convênios. É assim que nos qualificamos para as bênçãos prometidas. Tudo isso vem por intermédio da misericórdia e graça do Santo de Israel “depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).
Durante Seu ministério terreno, Jesus Cristo conferiu a autoridade do sacerdócio que leva Seu nome e estabeleceu uma Igreja, que também leva o Seu nome. Nesta última dispensação, Sua autoridade do sacerdócio foi restaurada e Sua Igreja foi restabelecida por meio de ministração celeste ao Profeta Joseph Smith. Esse sacerdócio restaurado e essa Igreja restabelecida estão no cerne da linha do sacerdócio.
A linha do sacerdócio é o canal pelo qual Deus falou a Seus filhos por meio das escrituras no passado. E é essa linha pela qual Ele fala atualmente por meio dos ensinamentos e conselhos dos profetas e apóstolos vivos e de outros líderes inspirados. Esse é o meio pelo qual recebemos as ordenanças necessárias. Esse é o meio pelo qual recebemos chamados para servir em Sua Igreja. Sua Igreja é o meio e Seu sacerdócio é o poder por meio do qual temos o privilégio de participar de atividades cooperativas que são essenciais para a realização da obra do Senhor. Elas incluem a pregação do evangelho, a construção de templos e capelas, e o auxílio aos pobres.
No tocante a essa linha do sacerdócio, nossas crenças e práticas são semelhantes às de alguns cristãos que pregam que as ordenanças autorizadas (sacramentos) são essenciais e precisam ser realizadas por alguém que tenha sido autorizado e comissionado por Jesus Cristo (ver João 15:16). Também cremos nisso, mas evidentemente divergimos de outros cristãos em relação a como essa autoridade chega até nós.
Alguns membros e ex-membros de nossa Igreja não reconhecem a importância da linha do sacerdócio. Subestimam a importância da Igreja e de seus líderes e programas. Confiam inteiramente na linha pessoal, seguem seu próprio caminho, propondo-se a definir doutrinas e a dirigir organizações concorrentes que pregam coisas contrárias aos ensinamentos dos líderes–profetas. Nisso, espelham a atual hostilidade àquela que é depreciativamente chamada de “religião organizada”. Aqueles que rejeitam a necessidade de uma religião organizada rejeitam a obra do Mestre, que estabeleceu Sua Igreja e seus líderes no meridiano dos tempos e que os restabeleceu em tempos modernos.
A religião organizada, estabelecida por autoridade divina, é essencial, conforme ensinou o Apóstolo Paulo:
“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).
Todos devemos nos lembrar da declaração do Senhor na revelação moderna de que a voz dos servos do Senhor é a voz do Senhor (ver D&C 1:38; 21:5; 68:4).
Sinto que devo acrescentar duas advertências que devemos lembrar em relação à confiança na linha vital do sacerdócio.
Em primeiro lugar, a linha do sacerdócio não elimina a necessidade da linha pessoal. Todos nós precisamos de um testemunho pessoal da verdade. À medida que nossa fé se desenvolve, precisamos confiar na fé e nas palavras de outras pessoas, como nossos pais, professores ou líderes do sacerdócio (ver D&C 46:14). Mas, se dependermos unicamente de um determinado líder do sacerdócio ou de um professor para nosso testemunho pessoal da verdade, em vez de obtermos esse testemunho por meio da linha pessoal, estaremos sempre vulneráveis a desapontamentos causados pelas ações dessa pessoa. No tocante a um conhecimento amadurecido ou testemunho da verdade, não devemos depender de um mediador mortal que se interponha entre nós e o Pai Celestial.
Em segundo lugar, tal como na linha pessoal, a linha do sacerdócio não pode funcionar plena e devidamente em nosso benefício a não ser que sejamos dignos e obedientes. Muitas escrituras ensinam que, se alguém persistir na violação grave dos mandamentos de Deus, será “afastado de sua presença” (Alma 38:1). Quando isso acontece, o Senhor e Seus servos ficam grandemente limitados para dar-nos auxílio espiritual, e não podemos obtê-lo por nós mesmos.
A história nos fornece um exemplo vívido da importância de que os servos do Senhor estejam em sintonia com o Espírito. O jovem Profeta Joseph Smith não conseguia traduzir quando estava zangado ou perturbado.
David Whitmer relembrou: “Certa manhã, quando ele estava-se aprontando para continuar a tradução, houve um problema em sua casa que o deixou irritado. Foi algo que sua esposa Emma fizera. Oliver e eu subimos ao andar de cima, e Joseph logo chegou para continuar a tradução, mas não conseguiu fazer nada. Não conseguia traduzir uma única sílaba. Desceu as escadas, foi ao pomar e suplicou ao Senhor. Ficou ali por uma hora, voltou para casa, pediu perdão a Emma e, então, subiu as escadas para onde estávamos, e a tradução prosseguiu sem problemas. Ele não conseguia fazer nada, a menos que fosse humilde e fiel.”1
III. A Necessidade de Ambas as Linhas
Concluirei com mais alguns exemplos da necessidade que temos de ambas as linhas que o Pai Celestial estabeleceu para a comunicação com Seus filhos. Ambas são essenciais para o cumprimento de Seu propósito de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos. Um antigo relato das escrituras sobre essa necessidade é o conselho dado a Moisés por seu sogro, Jetro, de que não deveria fazer tantas coisas. As pessoas esperavam diante de seu líder do sacerdócio de manhã até a noite para “consultar a Deus” (Êxodo 18:15) e também para “[julgar] entre um e outro” (v. 16). Sempre mencionamos como Jetro aconselhou Moisés a nomear juízes para lidar com os conflitos das pessoas (ver vv. 21–22). Mas Jetro também deu a Moisés um conselho que ilustra a importância da linha pessoal: “E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que [eles] devem fazer” (v. 20; grifo do autor).
Em outras palavras, ele deveria ensinar os filhos de Israel a não levarem todas as questões ao seu líder do sacerdócio. Eles deveriam conhecer os mandamentos e buscar inspiração para resolver por si mesmos os seus problemas.
Acontecimentos recentes no Chile ilustram a necessidade das duas linhas. Houve um terremoto devastador no Chile. Muitos de nossos membros perderam a casa, alguns perderam familiares. Muitos perderam a confiança. Mas — como nossa Igreja está preparada para atender a esses desastres — rapidamente foram enviados suprimentos, abrigos e outros auxílios materiais. Os santos do Chile ouviram a voz do Senhor por meio de Sua Igreja e de seus líderes, e atenderam a suas necessidades materiais. Mas, por melhor que funcionasse a linha do sacerdócio, não era o suficiente. Cada membro precisou buscar o Senhor em oração e receber a mensagem direta de consolo e orientação que vem por intermédio do Santo Espírito aos que buscam e ouvem.
Nosso trabalho missionário é outro exemplo da necessidade das duas linhas. Os homens e as mulheres que são chamados como missionários são dignos e dispostos graças aos ensinamentos que receberam por meio da linha do sacerdócio e do testemunho que receberam por meio da linha pessoal. São chamados por meio da linha do sacerdócio. Então, como representantes do Senhor e sob a direção de Sua linha do sacerdócio, eles ensinam os pesquisadores. Aqueles que buscam sinceramente a verdade ouvem a mensagem, e os missionários os incentivam a orar para saber se é verdadeira, por eles mesmos, por meio da linha pessoal.
Um último exemplo aplica esses princípios à questão da autoridade do sacerdócio na família e na Igreja.2 Toda autoridade do sacerdócio na Igreja funciona sob a direção daquele que possui as devidas chaves do sacerdócio. Essa é a linha do sacerdócio. Mas a autoridade que preside na família — seja o pai, ou a mãe que cria os filhos sozinha — funciona nos assuntos familiares sem a necessidade da autorização de alguém que possua as chaves do sacerdócio. É como a linha pessoal. Ambas as linhas precisam funcionar em nossa vida familiar e em nossa vida pessoal, se quisermos crescer e alcançar o propósito explicado no plano de nosso Pai Celestial para Seus filhos.
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal. Se a prática religiosa pessoal depender unicamente da linha pessoal, o individualismo apaga a importância da autoridade divina. Se a prática religiosa pessoal depender demasiadamente da linha do sacerdócio, o crescimento individual fica prejudicado. Os filhos de Deus precisam de ambas as linhas para alcançar seu destino eterno. O evangelho restaurado ensina as duas, e a Igreja restaurada oferece as duas.
Testifico-lhes do profeta do Senhor, o Presidente Thomas S. Monson, que possui as chaves que governam a linha do sacerdócio. Testifico do Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence esta Igreja. E testifico do evangelho restaurado, cuja verdade está à disposição de cada um de nós por meio da preciosa ligação pessoal com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 24 de abril de 2011
“Vinde a Mim com Toda a Sinceridade de Coração e Eu Irei Curá-los”
Patrick Kearon
Dos Setenta
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado.
Gostaria hoje de transmitir uma mensagem de consolo e cura para todos os que se sentem solitários e abandonados, que não têm paz na mente nem no coração, ou que sentem que jogaram fora sua última chance. A cura e a paz completas podem ser encontradas aos pés do Salvador.
Quando eu tinha sete anos de idade e morava na Península Arábica, meus pais me diziam constantemente para usar sapatos sempre, e eu sabia o motivo. Sabia que os sapatos protegeriam meus pés das ameaças que existiam no deserto: cobras, escorpiões, espinhos e outras coisas. Certa manhã, depois de acampar à noite, no deserto, eu quis explorar o local, mas não senti vontade de calçar os sapatos. Racionalizei, dizendo que seria só uma pequena caminhada e que ficaria perto do acampamento. Em vez de sapatos, calcei chinelos de dedo. Convenci a mim mesmo que os chinelos eram — afinal — uma espécie de sapato. De qualquer forma, o que poderia acontecer?
Ao caminhar pela areia fria, com meus chinelos de dedo, senti algo parecido com um espinho picar-me o pé. Olhei para baixo e não vi um espinho, mas sim, um escorpião. Quando minha mente registrou o escorpião e dei-me conta do que havia acontecido, a dor da picada começou a subir do pé para a perna. Apertei a parte de cima da perna tentando estancar a dor lancinante e gritei pedindo ajuda. Meus pais saíram correndo da tenda em minha direção.
Enquanto meu pai matava o escorpião com uma pá, um amigo adulto que estava acampado conosco tentou heroicamente sugar o veneno do meu pé. Naquele momento, achei que ia morrer. Eu soluçava quando meus pais me puseram no carro e partimos pelo deserto a toda velocidade, rumo ao hospital mais próximo, que ficava a duas horas de viagem. A dor na perna era excruciante e, durante toda a viagem, achei que estava morrendo.
Quando finalmente chegamos ao hospital, porém, o médico nos garantiu que apenas crianças muito pequenas e pessoas muito desnutridas correm o risco de morrer com a picada daquele tipo de escorpião. Ele me aplicou um anestésico, que me deixou a perna amortecida, eliminando a sensação de dor. Em 24 horas, eu já não sentia os efeitos da picada do escorpião. Mas aprendi uma grande lição.
Eu sabia que, quando meus pais me disseram para calçar sapatos, eles não queriam dizer chinelos de dedo. Eu tinha idade suficiente para saber que os chinelos não ofereceriam a mesma proteção que a de um par de sapatos. Mas naquela manhã no deserto, não dei importância ao que sabia ser certo. Ignorei o que meus pais me ensinaram muitas vezes. Fui preguiçoso e até um pouco rebelde, e paguei o preço por isso.
Ao dirigir-me a vocês, jovens valentes, seus pais, professores, líderes, amigos e eu prestamos tributo a todos os que estão-se esforçando diligentemente para tornar-se o que o Senhor necessita — e quer — que vocês se tornem. Mas testifico, por experiência própria, como menino e como homem que, se desprezarmos aquilo que sabemos ser o certo, por preguiça ou por rebelião, isso sempre trará consequências indesejáveis e espiritualmente prejudiciais. Não, o escorpião, afinal, não foi uma ameaça a minha vida, mas causou extrema dor e aflição, tanto para mim quanto para meus pais. No tocante ao modo como vivemos o evangelho, não podemos agir com preguiça ou rebelião.
Como membros da Igreja de Jesus Cristo e como portadores do sacerdócio, conhecemos os mandamentos e padrões que prometemos guardar por convênio. Quando escolhemos caminhos diferentes daquele que sabemos ser o certo, conforme nos foi ensinado por nossos pais e líderes e confirmado em nosso coração pelo Espírito Santo, é como se andássemos pelo deserto com chinelos de dedo, em vez de sapatos. Tentamos, então, justificar nosso comportamento preguiçoso ou rebelde. Dizemos a nós mesmos que não estamos fazendo nada de errado, que aquilo não importa realmente, e que nada de mal vai acontecer por largarmos só um pouquinho a barra de ferro. Talvez nos consolemos com o pensamento de que todos os outros estão fazendo isso — ou pior — e que não seremos afetados negativamente no final. De alguma forma, convencemo-nos de que somos uma exceção à regra e, portanto, somos imunes às consequências da violação. Recusamo-nos, às vezes deliberadamente, a ser “totalmente obediente[s]”1 — como diz o manual Pregar Meu Evangelho — e retemos parte do nosso coração [em vez de dedicá-lo] ao Senhor. Então, somos picados.
As escrituras ensinam que “o Senhor requer o coração”2, e recebemos o mandamento de amar e servir ao Senhor “de todo o [nosso] coração”.3 A promessa é que poderemos “[nos apresentar] sem culpa perante Deus no último dia” e retornar a Sua presença.4
Os ânti-néfi-leítas, no Livro de Mórmon, depuseram suas armas de guerra e as enterraram profundamente na terra, fazendo o convênio de jamais pegar em armas novamente contra seus irmãos. Mas fizeram mais que isso. “Tornaram-se um povo justo”, porque “depuseram as armas de sua rebelião, para não mais lutarem contra Deus”.5 Sua conversão foi tão completa e tão profunda que “nunca apostataram”.6
Mas antes dessa conversão, lembram-se de qual era sua condição? Eles viviam como as escrituras descrevem “[rebelando-se] abertamente contra Deus”.7 Seu coração rebelde os condenou a viver “num estado contrário à natureza da felicidade”, porque “seguiram caminhos contrários à natureza de Deus”.8
Quando depuseram suas armas de rebelião, tornaram-se dignos da cura e da paz do Senhor, que também podemos obter. O Salvador assegura: “Se não endurecerem o coração e não enrijecerem a cerviz contra mim, serão convertidos e curá-los-ei.”9 Você e eu podemos aceitar Seu convite de “voltar e [arrepender-nos] e vir a [Ele] com toda a sinceridade de coração e [Ele irá curar-nos]”.10
Comparem essa cura milagrosa com o que acontece “quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho [ou] nossa vã ambição. (…) Os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa” e ficamos sozinhos “para recalcitrar contra os aguilhões (…) e lutar contra Deus”.11
Irmãos, só encontramos cura e alívio quando nos colocamos aos pés do Grande Médico, nosso Salvador, Jesus Cristo. Precisamos depor nossas armas de rebelião (e cada um sabe quais são). Precisamos abandonar nosso pecado, nossa vaidade e nosso orgulho. Precisamos despojar-nos do desejo de seguir o mundo e de ser lisonjeados e louvados pelo mundo. Temos de parar de lutar contra Deus e, em vez disso, entregar todo nosso coração a Ele, sem reter nada. Só então, Ele poderá curar-nos; Ele poderá purificar-nos da picada venenosa do pecado.
“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”12
O Presidente James E. Faust ensinou:
“Quando fazemos da obediência a nossa meta, ela deixa de ser algo exasperante. Em vez de ser uma pedra de tropeço, ela se torna um tijolo de nosso edifício. (…)
A obediência conduz-nos à verdadeira liberdade. Quanto mais obedecemos à verdade revelada, mais livres seremos”.13
Conheci recentemente um homem de 92 anos de idade que participou de várias campanhas militares importantes na Segunda Guerra Mundial. Ele sobreviveu a três ferimentos, um dos quais foi causado pela explosão de uma mina que destruiu o jipe em que ele estava, matando o motorista. Ele descobriu que, para sobreviver em um campo minado, é preciso seguir exatamente a trilha deixada pelo veículo à frente. Qualquer desvio para a direita ou para a esquerda pode ser fatal — como realmente foi.
Nossos profetas e apóstolos, líderes e pais, apontam continuamente a trilha que precisamos seguir, se quisermos evitar um golpe destrutivo para nossa alma. Eles conhecem o caminho livre de minas (ou de escorpiões), e nos convidam incansavelmente a segui-los. Há muitas armadilhas devastadoras a nos tentar ao longo do caminho. Se nos desviarmos para as drogas, para as bebidas alcoólicas, para a pornografia ou o comportamento imoral, na Internet ou em um videogame, isso vai levar-nos diretamente para a explosão. Um desvio para a direita ou para a esquerda da trilha segura, seja por preguiça ou por rebeldia, pode ser fatal para nossa vida espiritual. Não há exceções para essa regra.
Se já nos desviamos do caminho, podemos mudar; podemos voltar; podemos reconquistar nossa alegria e nossa paz interior. Descobriremos que a volta ao caminho do qual as minas foram retiradas é um imenso alívio.
Ninguém tem paz num campo minado.
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado e do veneno do orgulho, e transformar nosso coração rebelde em um coração do convênio. Sua Expiação é infinita e abrange todos nós.
O convite feito aos nefitas quando Ele lhes ministrou como o Cristo ressuscitado ainda é válido para cada um de nós: “Tendes enfermos entre vós? Trazei-os aqui. Há entre vós coxos ou cegos ou aleijados ou mutilados ou leprosos ou atrofiados ou surdos ou pessoas que estejam aflitas de algum modo? Trazei-os aqui e eu os curarei.”14
Nenhum de vocês jogou fora suas chances. Vocês podem mudar, podem voltar, podem reivindicar Sua misericórdia. Venham para o Único que pode curar, e encontrarão paz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Dos Setenta
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado.
Gostaria hoje de transmitir uma mensagem de consolo e cura para todos os que se sentem solitários e abandonados, que não têm paz na mente nem no coração, ou que sentem que jogaram fora sua última chance. A cura e a paz completas podem ser encontradas aos pés do Salvador.
Quando eu tinha sete anos de idade e morava na Península Arábica, meus pais me diziam constantemente para usar sapatos sempre, e eu sabia o motivo. Sabia que os sapatos protegeriam meus pés das ameaças que existiam no deserto: cobras, escorpiões, espinhos e outras coisas. Certa manhã, depois de acampar à noite, no deserto, eu quis explorar o local, mas não senti vontade de calçar os sapatos. Racionalizei, dizendo que seria só uma pequena caminhada e que ficaria perto do acampamento. Em vez de sapatos, calcei chinelos de dedo. Convenci a mim mesmo que os chinelos eram — afinal — uma espécie de sapato. De qualquer forma, o que poderia acontecer?
Ao caminhar pela areia fria, com meus chinelos de dedo, senti algo parecido com um espinho picar-me o pé. Olhei para baixo e não vi um espinho, mas sim, um escorpião. Quando minha mente registrou o escorpião e dei-me conta do que havia acontecido, a dor da picada começou a subir do pé para a perna. Apertei a parte de cima da perna tentando estancar a dor lancinante e gritei pedindo ajuda. Meus pais saíram correndo da tenda em minha direção.
Enquanto meu pai matava o escorpião com uma pá, um amigo adulto que estava acampado conosco tentou heroicamente sugar o veneno do meu pé. Naquele momento, achei que ia morrer. Eu soluçava quando meus pais me puseram no carro e partimos pelo deserto a toda velocidade, rumo ao hospital mais próximo, que ficava a duas horas de viagem. A dor na perna era excruciante e, durante toda a viagem, achei que estava morrendo.
Quando finalmente chegamos ao hospital, porém, o médico nos garantiu que apenas crianças muito pequenas e pessoas muito desnutridas correm o risco de morrer com a picada daquele tipo de escorpião. Ele me aplicou um anestésico, que me deixou a perna amortecida, eliminando a sensação de dor. Em 24 horas, eu já não sentia os efeitos da picada do escorpião. Mas aprendi uma grande lição.
Eu sabia que, quando meus pais me disseram para calçar sapatos, eles não queriam dizer chinelos de dedo. Eu tinha idade suficiente para saber que os chinelos não ofereceriam a mesma proteção que a de um par de sapatos. Mas naquela manhã no deserto, não dei importância ao que sabia ser certo. Ignorei o que meus pais me ensinaram muitas vezes. Fui preguiçoso e até um pouco rebelde, e paguei o preço por isso.
Ao dirigir-me a vocês, jovens valentes, seus pais, professores, líderes, amigos e eu prestamos tributo a todos os que estão-se esforçando diligentemente para tornar-se o que o Senhor necessita — e quer — que vocês se tornem. Mas testifico, por experiência própria, como menino e como homem que, se desprezarmos aquilo que sabemos ser o certo, por preguiça ou por rebelião, isso sempre trará consequências indesejáveis e espiritualmente prejudiciais. Não, o escorpião, afinal, não foi uma ameaça a minha vida, mas causou extrema dor e aflição, tanto para mim quanto para meus pais. No tocante ao modo como vivemos o evangelho, não podemos agir com preguiça ou rebelião.
Como membros da Igreja de Jesus Cristo e como portadores do sacerdócio, conhecemos os mandamentos e padrões que prometemos guardar por convênio. Quando escolhemos caminhos diferentes daquele que sabemos ser o certo, conforme nos foi ensinado por nossos pais e líderes e confirmado em nosso coração pelo Espírito Santo, é como se andássemos pelo deserto com chinelos de dedo, em vez de sapatos. Tentamos, então, justificar nosso comportamento preguiçoso ou rebelde. Dizemos a nós mesmos que não estamos fazendo nada de errado, que aquilo não importa realmente, e que nada de mal vai acontecer por largarmos só um pouquinho a barra de ferro. Talvez nos consolemos com o pensamento de que todos os outros estão fazendo isso — ou pior — e que não seremos afetados negativamente no final. De alguma forma, convencemo-nos de que somos uma exceção à regra e, portanto, somos imunes às consequências da violação. Recusamo-nos, às vezes deliberadamente, a ser “totalmente obediente[s]”1 — como diz o manual Pregar Meu Evangelho — e retemos parte do nosso coração [em vez de dedicá-lo] ao Senhor. Então, somos picados.
As escrituras ensinam que “o Senhor requer o coração”2, e recebemos o mandamento de amar e servir ao Senhor “de todo o [nosso] coração”.3 A promessa é que poderemos “[nos apresentar] sem culpa perante Deus no último dia” e retornar a Sua presença.4
Os ânti-néfi-leítas, no Livro de Mórmon, depuseram suas armas de guerra e as enterraram profundamente na terra, fazendo o convênio de jamais pegar em armas novamente contra seus irmãos. Mas fizeram mais que isso. “Tornaram-se um povo justo”, porque “depuseram as armas de sua rebelião, para não mais lutarem contra Deus”.5 Sua conversão foi tão completa e tão profunda que “nunca apostataram”.6
Mas antes dessa conversão, lembram-se de qual era sua condição? Eles viviam como as escrituras descrevem “[rebelando-se] abertamente contra Deus”.7 Seu coração rebelde os condenou a viver “num estado contrário à natureza da felicidade”, porque “seguiram caminhos contrários à natureza de Deus”.8
Quando depuseram suas armas de rebelião, tornaram-se dignos da cura e da paz do Senhor, que também podemos obter. O Salvador assegura: “Se não endurecerem o coração e não enrijecerem a cerviz contra mim, serão convertidos e curá-los-ei.”9 Você e eu podemos aceitar Seu convite de “voltar e [arrepender-nos] e vir a [Ele] com toda a sinceridade de coração e [Ele irá curar-nos]”.10
Comparem essa cura milagrosa com o que acontece “quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho [ou] nossa vã ambição. (…) Os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa” e ficamos sozinhos “para recalcitrar contra os aguilhões (…) e lutar contra Deus”.11
Irmãos, só encontramos cura e alívio quando nos colocamos aos pés do Grande Médico, nosso Salvador, Jesus Cristo. Precisamos depor nossas armas de rebelião (e cada um sabe quais são). Precisamos abandonar nosso pecado, nossa vaidade e nosso orgulho. Precisamos despojar-nos do desejo de seguir o mundo e de ser lisonjeados e louvados pelo mundo. Temos de parar de lutar contra Deus e, em vez disso, entregar todo nosso coração a Ele, sem reter nada. Só então, Ele poderá curar-nos; Ele poderá purificar-nos da picada venenosa do pecado.
“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”12
O Presidente James E. Faust ensinou:
“Quando fazemos da obediência a nossa meta, ela deixa de ser algo exasperante. Em vez de ser uma pedra de tropeço, ela se torna um tijolo de nosso edifício. (…)
A obediência conduz-nos à verdadeira liberdade. Quanto mais obedecemos à verdade revelada, mais livres seremos”.13
Conheci recentemente um homem de 92 anos de idade que participou de várias campanhas militares importantes na Segunda Guerra Mundial. Ele sobreviveu a três ferimentos, um dos quais foi causado pela explosão de uma mina que destruiu o jipe em que ele estava, matando o motorista. Ele descobriu que, para sobreviver em um campo minado, é preciso seguir exatamente a trilha deixada pelo veículo à frente. Qualquer desvio para a direita ou para a esquerda pode ser fatal — como realmente foi.
Nossos profetas e apóstolos, líderes e pais, apontam continuamente a trilha que precisamos seguir, se quisermos evitar um golpe destrutivo para nossa alma. Eles conhecem o caminho livre de minas (ou de escorpiões), e nos convidam incansavelmente a segui-los. Há muitas armadilhas devastadoras a nos tentar ao longo do caminho. Se nos desviarmos para as drogas, para as bebidas alcoólicas, para a pornografia ou o comportamento imoral, na Internet ou em um videogame, isso vai levar-nos diretamente para a explosão. Um desvio para a direita ou para a esquerda da trilha segura, seja por preguiça ou por rebeldia, pode ser fatal para nossa vida espiritual. Não há exceções para essa regra.
Se já nos desviamos do caminho, podemos mudar; podemos voltar; podemos reconquistar nossa alegria e nossa paz interior. Descobriremos que a volta ao caminho do qual as minas foram retiradas é um imenso alívio.
Ninguém tem paz num campo minado.
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado e do veneno do orgulho, e transformar nosso coração rebelde em um coração do convênio. Sua Expiação é infinita e abrange todos nós.
O convite feito aos nefitas quando Ele lhes ministrou como o Cristo ressuscitado ainda é válido para cada um de nós: “Tendes enfermos entre vós? Trazei-os aqui. Há entre vós coxos ou cegos ou aleijados ou mutilados ou leprosos ou atrofiados ou surdos ou pessoas que estejam aflitas de algum modo? Trazei-os aqui e eu os curarei.”14
Nenhum de vocês jogou fora suas chances. Vocês podem mudar, podem voltar, podem reivindicar Sua misericórdia. Venham para o Único que pode curar, e encontrarão paz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 10 de abril de 2011
Um Coração Quebrantado e Mãos que Ajudam
Bispo H. David Burton
Bispado Presidente
A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão.
Ontem à noite a irmã Burton e eu saboreávamos uma comida chinesa. Dentro do meu biscoitinho da sorte li a mensagem: “O estresse que você sente muito em breve desaparecerá”. De fato.
Certo dia, um grupo de homens conversava com o Profeta Joseph Smith, quando chegou a notícia de que a casa de um pobre irmão que vivia a certa distância da cidade fora incendiada. Cada um expressou tristeza pelo que acontecera. O Profeta ouviu por um momento e, em seguida, enfiou a mão no bolso, pegou cinco dólares e disse: “Estou sentido pelo que houve com esse irmão pelo valor de cinco dólares. O quanto cada um de vocês (...) está sentido [por ele]?”1 A resposta imediata do Profeta é significativa. No ano passado, milhões de vocês demonstraram sua compaixão pelos outros, com seus recursos, corações quebrantados e mãos que ajudam. Muito obrigado pela maravilhosa medida de sua generosidade.
A compaixão pelos outros sempre foi uma característica fundamental dos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O profeta Alma disse:
“Desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves; sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo”.2
O Salvador nos pede que “[socorramos] os fracos, [ergamos] as mãos que pendem e [fortaleçamos] os joelhos enfraquecidos.”3
Tenho testemunhado em primeira mão o comprometimento dos santos dos últimos dias e de pessoas de outras denominações, que têm corações quebrantados e mãos que ajudam, que “levam as cargas uns dos outros.”4 Minha tristeza tem sido profunda ao ver grandes devastações e visitar vítimas desesperadas.
Nos últimos anos, a Mãe Natureza exibiu toda sua violência e supremacia de modo incomum e poderoso. Em dezembro de 2004, um terrível terremoto atingiu a costa da Indonésia e criou um tsunami gigantesco que matou milhares de pessoas e destruiu a vida dos que ficaram para trás. Sob a direção dos líderes locais do sacerdócio e de casais missionários, a ajuda mobilizou-se imediatamente, oferecendo assistência urgente a hospitais, socorristas e a comunidades na Indonésia, no Sri Lanka, na Índia e na Tailândia.
Em um curto espaço de tempo, vários membros da Igreja foram para uma das áreas mais atingidas — a região de Aseh, no norte da Sumatra. A irmã Bertha Suranto, presidente das Moças no Distrito de Jacarta, Indonésia, e algumas amigas dirigiram caminhões cheios de itens essenciais que salvaram vidas e proveram consolo àqueles que tanto perderam.
“Sempre que entrávamos em uma aldeia”, disse Bertha, “as pessoas nos rodeavam e ofereciam alimentos para distribuirmos — mesmo que eles próprios não tivessem mais que uma porção de arroz e alguns peixes que apanhavam no mar. Das mesquitas, os líderes comunitários anunciavam que outra doação da Igreja de Jesus havia chegado.”
Assim que as necessidades imediatas eram satisfeitas, iniciavam-se os projetos de prazos mais longos. Foram implementados os planos de assistência para a construção de mais de mil casas e a restauração de hospitais e escolas. Os moradores receberam ajuda para substituir barcos e redes de pesca. Teares e máquinas de costura foram distribuídos para as famílias recuperarem sua auto-suficiência.
A área do norte do Paquistão e da Índia sofreu o maior terremoto dos últimos cem anos, que ceifou milhares de vidas e deixou multidões desabrigadas. Devido à severidade do inverno naquela região, a preocupação não se limitava apenas aos feridos, mas estendia-se também aos desabrigados.
Quatro dias após o terremoto, a Agência Islâmica de Bem-Estar enviou-nos um Boeing 747 de carga que logo carregamos com cobertores, barracas, kits de higiene, suprimentos médicos, sacos de dormir, agasalhos e lonas, doados pelos armazéns dos bispos. Enviamos vários contêineres por ar, terra e mar com outros suprimentos e barracas de inverno suficientes para abrigar mais de 75 mil pessoas.
Quando enchentes se abateram sobre a América Central, as capelas foram abertas para servirem de abrigo provisório aos flagelados. Em áreas aonde os veículos não conseguiam chegar, os membros da Igreja amarravam suprimentos às costas e atravessavam terrenos alagados e perigosos para levar alívio aos que sofriam.
Depois de um período de agitação civil no Sudão, mais de um milhão de pessoas haviam abandonado seu lar e aldeia, em busca de segurança. Muitos refugiados caminharam centenas de milhas por terreno hostil para chegar aos campos de desabrigados, tentando reencontrar os parentes e recuperar a saúde.
O Atmit, composto alimentar vitamínico que já mostrou sua eficácia salvando a vida de crianças e idosos subnutridos, foi-lhes fornecido. Suprimentos médicos e milhares de kits de higiene e kits para recém-nascidos também foram enviados.
A Igreja uniu-se a outras importantes organizações de solidariedade não governamentais para ajudar a vacinar milhões de crianças na África, em uma campanha de erradicação do sarampo. Dois mil membros fiéis africanos da Igreja doaram muitas horas de trabalho voluntário para divulgar a campanha, reunir as crianças e ajudar durante a vacinação.
A temporada de furacões de 2005 no sul dos Estados Unidos e no Caribe ocidental foi a mais devastadora e a que causou mais prejuízo em toda a história. Tempestades se sucediam, destruindo lares e empresas de Honduras até a Flórida. Sempre que um furacão surgia, milhares de voluntários sob a direção do sacerdócio estavam presentes provendo o essencial para a preservação da vida. Kits de higiene e de limpeza, alimentos, água, panelas, roupas de cama e outros artigos ajudaram a limpar as moradias e organizar os abrigos temporários.
O irmão Michael Kagle levou um comboio de caminhões carregados de equipamentos de sua própria empresa para o Mississipi. Muitos funcionários, de outras denominações religiosas, ofereceram-se para ir com ele todos os fins de semana para levar ajuda às áreas atingidas pelas tempestades. No trajeto, comunicavam-se por rádio. O líder do grupo dos sumos sacerdotes de Mike, que dirigia uma pick-up no meio do comboio, conta que os nós dos dedos já estavam inchados pelo esforço de dirigir tão velozmente. Tentando diminuir a marcha do comboio, pegou o rádio e disse: “Senhores, percebem que estamos indo a 130 km por hora?” Um dos motoristas entrou no ar e replicou: “Bem, você deve entender que isso é o máximo que esses ‘donos de estrada’ podem dar. Não há como ir mais rápido!”
Recebemos centenas de cartas de agradecimento. Uma enfermeira no Mississipi escreveu: “Eu não tinha palavras. Teria Deus respondido a minhas orações tão rapidamente? Lágrimas rolaram por minha face quando vi homens de capacete e botas, munidos de serras elétricas de todos os tamanhos e formas, aparecerem por entre os escombros. Foi, sem dúvida, um dos maiores sacrifícios que já presenciei em toda minha vida”.
Quero agradecer pelos dedos ágeis que produziram milhares de belos cobertores, e um agradecimento especial pelos dedos não tão ágeis de nossas irmãs mais idosas que teceram aquelas belas colchas tão bem-vindas. Certa bisavó de 92 anos confeccionou várias centenas de cobertores. No caso dela, tanto a doadora quanto os beneficiários foram abençoados. Quando seu filho admirava seu trabalho, ela perguntou: “Será que alguém vai usar um dos meus cobertores?” A carta de uma jovem mãe da Louisiana responde a essa pergunta:
“Moro na Louisiana e levo meus filhos sempre ao centro de saúde local. Enquanto estava lá, deram-me algumas roupas, fraldas, lenços umedecidos e dois belos cobertores para bebê. Um deles tem o verso amarelo, com pés e mãos estampados na frente. O outro cobertor é dourado e tem zebras estampadas. São lindos. Meu filho de 4 anos adora o que tem zebras e, é claro, o de 7 meses não consegue dizer nada. Só queria agradecer a vocês e aos membros da sua Igreja por sua generosidade. Que Deus abençoe vocês e sua família.”
Em resposta aos recentes deslizamentos de terra nas Filipinas, os santos na área montaram kits de higiene e caixas de alimentos, distribuindo-os com cobertores aos necessitados.
Princípios de bem-estar como trabalho e auto-suficiência são mantidos e ensinados enquanto a ajuda é levada ao mundo inteiro. Durante 2005, muitas aldeias receberam água potável graças a poços novos. Os habitantes aprenderam a cavar poços, instalar as bombas e fazer reparos, se necessário.
O treinamento e os equipamentos levados pelos voluntários locais e os sempre devotados casais missionários permitem que as famílias suplementem sua dieta com alimentos nutritivos cultivados em casa.
Muitas cadeiras de rodas distribuídas devolveram a autonomia aos deficientes. Milhares de profissionais médicos foram treinados para salvar a vida de recém-nascidos. Oftalmologistas realizaram gratuitamente cirurgias de catarata, devolvendo a visão a muitos. No mundo inteiro, os Serviços às Famílias SUD aconselham quanto a assuntos delicados.
Pontes de compreensão e de respeito são edificadas em muitas nações, ao colaborarmos com órgãos já bem conhecidos e confiáveis.
O Dr. Simbi Mubako, ex-embaixador africano na ONU, declarou: “O trabalho da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é ainda mais significativo porque não se limita a atender aos membros da Igreja, mas estende-se a todos os seres humanos de diferentes culturas e religiões, porque [eles] vêem em cada pessoa a imagem de Jesus Cristo”.
Nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley tem trabalhado ativamente no desenvolvimento dessa grande obra humanitária. “Precisamos estender a mão para toda a humanidade”, disse ele. “Todos são filhos e filhas de Deus, nosso Pai Eterno, e Ele nos considerará responsáveis pelo que fizermos em relação a eles. (...) Que abençoemos a humanidade estendendo a mão para todos, erguendo os que estão abatidos e oprimidos, vestindo e alimentando o necessitado e o faminto, expressando amor e companheirismo para aqueles à nossa volta que porventura não façam parte desta Igreja.”5
Esse esforço humanitário moderno é uma manifestação maravilhosa da caridade que arde na alma de pessoas cujo coração é quebrantado e cujas mãos estão prontas para ajudar. Esse serviço altruísta demonstra realmente o puro amor de Cristo.
O Salvador promete grandes bênçãos aos que dão de si mesmos. “Dai, e ser-vos-á dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”6
O que falei hoje não é nem a centésima parte do que está acontecendo nas aldeias e nações do mundo todo. Aonde quer que eu vá, recebo expressões da mais profunda gratidão. Em nome da Primeira Presidência, do Quórum dos Doze e do Comitê Executivo de Bem-Estar da Igreja, cuja designação é dirigir esta obra, desejo expressar nosso sincero apreço e admiração.
É impossível encontrar palavras adequadas para exprimir os sagrados e cálidos sentimentos de minha alma. Um simples “obrigado” nunca será suficiente. A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão. Invoco sobre vocês e sua família as mais seletas bênçãos do Senhor, ao continuarem se lembrando daqueles cujo coração está aflito e cujas mãos pendem. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Bispado Presidente
A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão.
Ontem à noite a irmã Burton e eu saboreávamos uma comida chinesa. Dentro do meu biscoitinho da sorte li a mensagem: “O estresse que você sente muito em breve desaparecerá”. De fato.
Certo dia, um grupo de homens conversava com o Profeta Joseph Smith, quando chegou a notícia de que a casa de um pobre irmão que vivia a certa distância da cidade fora incendiada. Cada um expressou tristeza pelo que acontecera. O Profeta ouviu por um momento e, em seguida, enfiou a mão no bolso, pegou cinco dólares e disse: “Estou sentido pelo que houve com esse irmão pelo valor de cinco dólares. O quanto cada um de vocês (...) está sentido [por ele]?”1 A resposta imediata do Profeta é significativa. No ano passado, milhões de vocês demonstraram sua compaixão pelos outros, com seus recursos, corações quebrantados e mãos que ajudam. Muito obrigado pela maravilhosa medida de sua generosidade.
A compaixão pelos outros sempre foi uma característica fundamental dos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O profeta Alma disse:
“Desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves; sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo”.2
O Salvador nos pede que “[socorramos] os fracos, [ergamos] as mãos que pendem e [fortaleçamos] os joelhos enfraquecidos.”3
Tenho testemunhado em primeira mão o comprometimento dos santos dos últimos dias e de pessoas de outras denominações, que têm corações quebrantados e mãos que ajudam, que “levam as cargas uns dos outros.”4 Minha tristeza tem sido profunda ao ver grandes devastações e visitar vítimas desesperadas.
Nos últimos anos, a Mãe Natureza exibiu toda sua violência e supremacia de modo incomum e poderoso. Em dezembro de 2004, um terrível terremoto atingiu a costa da Indonésia e criou um tsunami gigantesco que matou milhares de pessoas e destruiu a vida dos que ficaram para trás. Sob a direção dos líderes locais do sacerdócio e de casais missionários, a ajuda mobilizou-se imediatamente, oferecendo assistência urgente a hospitais, socorristas e a comunidades na Indonésia, no Sri Lanka, na Índia e na Tailândia.
Em um curto espaço de tempo, vários membros da Igreja foram para uma das áreas mais atingidas — a região de Aseh, no norte da Sumatra. A irmã Bertha Suranto, presidente das Moças no Distrito de Jacarta, Indonésia, e algumas amigas dirigiram caminhões cheios de itens essenciais que salvaram vidas e proveram consolo àqueles que tanto perderam.
“Sempre que entrávamos em uma aldeia”, disse Bertha, “as pessoas nos rodeavam e ofereciam alimentos para distribuirmos — mesmo que eles próprios não tivessem mais que uma porção de arroz e alguns peixes que apanhavam no mar. Das mesquitas, os líderes comunitários anunciavam que outra doação da Igreja de Jesus havia chegado.”
Assim que as necessidades imediatas eram satisfeitas, iniciavam-se os projetos de prazos mais longos. Foram implementados os planos de assistência para a construção de mais de mil casas e a restauração de hospitais e escolas. Os moradores receberam ajuda para substituir barcos e redes de pesca. Teares e máquinas de costura foram distribuídos para as famílias recuperarem sua auto-suficiência.
A área do norte do Paquistão e da Índia sofreu o maior terremoto dos últimos cem anos, que ceifou milhares de vidas e deixou multidões desabrigadas. Devido à severidade do inverno naquela região, a preocupação não se limitava apenas aos feridos, mas estendia-se também aos desabrigados.
Quatro dias após o terremoto, a Agência Islâmica de Bem-Estar enviou-nos um Boeing 747 de carga que logo carregamos com cobertores, barracas, kits de higiene, suprimentos médicos, sacos de dormir, agasalhos e lonas, doados pelos armazéns dos bispos. Enviamos vários contêineres por ar, terra e mar com outros suprimentos e barracas de inverno suficientes para abrigar mais de 75 mil pessoas.
Quando enchentes se abateram sobre a América Central, as capelas foram abertas para servirem de abrigo provisório aos flagelados. Em áreas aonde os veículos não conseguiam chegar, os membros da Igreja amarravam suprimentos às costas e atravessavam terrenos alagados e perigosos para levar alívio aos que sofriam.
Depois de um período de agitação civil no Sudão, mais de um milhão de pessoas haviam abandonado seu lar e aldeia, em busca de segurança. Muitos refugiados caminharam centenas de milhas por terreno hostil para chegar aos campos de desabrigados, tentando reencontrar os parentes e recuperar a saúde.
O Atmit, composto alimentar vitamínico que já mostrou sua eficácia salvando a vida de crianças e idosos subnutridos, foi-lhes fornecido. Suprimentos médicos e milhares de kits de higiene e kits para recém-nascidos também foram enviados.
A Igreja uniu-se a outras importantes organizações de solidariedade não governamentais para ajudar a vacinar milhões de crianças na África, em uma campanha de erradicação do sarampo. Dois mil membros fiéis africanos da Igreja doaram muitas horas de trabalho voluntário para divulgar a campanha, reunir as crianças e ajudar durante a vacinação.
A temporada de furacões de 2005 no sul dos Estados Unidos e no Caribe ocidental foi a mais devastadora e a que causou mais prejuízo em toda a história. Tempestades se sucediam, destruindo lares e empresas de Honduras até a Flórida. Sempre que um furacão surgia, milhares de voluntários sob a direção do sacerdócio estavam presentes provendo o essencial para a preservação da vida. Kits de higiene e de limpeza, alimentos, água, panelas, roupas de cama e outros artigos ajudaram a limpar as moradias e organizar os abrigos temporários.
O irmão Michael Kagle levou um comboio de caminhões carregados de equipamentos de sua própria empresa para o Mississipi. Muitos funcionários, de outras denominações religiosas, ofereceram-se para ir com ele todos os fins de semana para levar ajuda às áreas atingidas pelas tempestades. No trajeto, comunicavam-se por rádio. O líder do grupo dos sumos sacerdotes de Mike, que dirigia uma pick-up no meio do comboio, conta que os nós dos dedos já estavam inchados pelo esforço de dirigir tão velozmente. Tentando diminuir a marcha do comboio, pegou o rádio e disse: “Senhores, percebem que estamos indo a 130 km por hora?” Um dos motoristas entrou no ar e replicou: “Bem, você deve entender que isso é o máximo que esses ‘donos de estrada’ podem dar. Não há como ir mais rápido!”
Recebemos centenas de cartas de agradecimento. Uma enfermeira no Mississipi escreveu: “Eu não tinha palavras. Teria Deus respondido a minhas orações tão rapidamente? Lágrimas rolaram por minha face quando vi homens de capacete e botas, munidos de serras elétricas de todos os tamanhos e formas, aparecerem por entre os escombros. Foi, sem dúvida, um dos maiores sacrifícios que já presenciei em toda minha vida”.
Quero agradecer pelos dedos ágeis que produziram milhares de belos cobertores, e um agradecimento especial pelos dedos não tão ágeis de nossas irmãs mais idosas que teceram aquelas belas colchas tão bem-vindas. Certa bisavó de 92 anos confeccionou várias centenas de cobertores. No caso dela, tanto a doadora quanto os beneficiários foram abençoados. Quando seu filho admirava seu trabalho, ela perguntou: “Será que alguém vai usar um dos meus cobertores?” A carta de uma jovem mãe da Louisiana responde a essa pergunta:
“Moro na Louisiana e levo meus filhos sempre ao centro de saúde local. Enquanto estava lá, deram-me algumas roupas, fraldas, lenços umedecidos e dois belos cobertores para bebê. Um deles tem o verso amarelo, com pés e mãos estampados na frente. O outro cobertor é dourado e tem zebras estampadas. São lindos. Meu filho de 4 anos adora o que tem zebras e, é claro, o de 7 meses não consegue dizer nada. Só queria agradecer a vocês e aos membros da sua Igreja por sua generosidade. Que Deus abençoe vocês e sua família.”
Em resposta aos recentes deslizamentos de terra nas Filipinas, os santos na área montaram kits de higiene e caixas de alimentos, distribuindo-os com cobertores aos necessitados.
Princípios de bem-estar como trabalho e auto-suficiência são mantidos e ensinados enquanto a ajuda é levada ao mundo inteiro. Durante 2005, muitas aldeias receberam água potável graças a poços novos. Os habitantes aprenderam a cavar poços, instalar as bombas e fazer reparos, se necessário.
O treinamento e os equipamentos levados pelos voluntários locais e os sempre devotados casais missionários permitem que as famílias suplementem sua dieta com alimentos nutritivos cultivados em casa.
Muitas cadeiras de rodas distribuídas devolveram a autonomia aos deficientes. Milhares de profissionais médicos foram treinados para salvar a vida de recém-nascidos. Oftalmologistas realizaram gratuitamente cirurgias de catarata, devolvendo a visão a muitos. No mundo inteiro, os Serviços às Famílias SUD aconselham quanto a assuntos delicados.
Pontes de compreensão e de respeito são edificadas em muitas nações, ao colaborarmos com órgãos já bem conhecidos e confiáveis.
O Dr. Simbi Mubako, ex-embaixador africano na ONU, declarou: “O trabalho da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é ainda mais significativo porque não se limita a atender aos membros da Igreja, mas estende-se a todos os seres humanos de diferentes culturas e religiões, porque [eles] vêem em cada pessoa a imagem de Jesus Cristo”.
Nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley tem trabalhado ativamente no desenvolvimento dessa grande obra humanitária. “Precisamos estender a mão para toda a humanidade”, disse ele. “Todos são filhos e filhas de Deus, nosso Pai Eterno, e Ele nos considerará responsáveis pelo que fizermos em relação a eles. (...) Que abençoemos a humanidade estendendo a mão para todos, erguendo os que estão abatidos e oprimidos, vestindo e alimentando o necessitado e o faminto, expressando amor e companheirismo para aqueles à nossa volta que porventura não façam parte desta Igreja.”5
Esse esforço humanitário moderno é uma manifestação maravilhosa da caridade que arde na alma de pessoas cujo coração é quebrantado e cujas mãos estão prontas para ajudar. Esse serviço altruísta demonstra realmente o puro amor de Cristo.
O Salvador promete grandes bênçãos aos que dão de si mesmos. “Dai, e ser-vos-á dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”6
O que falei hoje não é nem a centésima parte do que está acontecendo nas aldeias e nações do mundo todo. Aonde quer que eu vá, recebo expressões da mais profunda gratidão. Em nome da Primeira Presidência, do Quórum dos Doze e do Comitê Executivo de Bem-Estar da Igreja, cuja designação é dirigir esta obra, desejo expressar nosso sincero apreço e admiração.
É impossível encontrar palavras adequadas para exprimir os sagrados e cálidos sentimentos de minha alma. Um simples “obrigado” nunca será suficiente. A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão. Invoco sobre vocês e sua família as mais seletas bênçãos do Senhor, ao continuarem se lembrando daqueles cujo coração está aflito e cujas mãos pendem. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
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