Márcio Antônio
Membro da Ala Alvorada/RS
Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de me assustar?
No periodo de minhas férias do trabalho, comecei como de costume a entregar-me a alguns entretenimentos domésticos, como assistir filmes até tarde da noite no dvd, dormir mais do que o necessário no dia seguinte... e aos poucos fui perdendo o controle de minhas atividades. Muitos no trabalho diziam me para descansar bastante, pois logo acabariam as férias e eu teria que voltar para a correria do dia a dia. Tudo bem... pensei, nos primeiros dez dias foi uma maravilha, acordava tarde, dormia tarde, comia mau e sem horario definido, comecei a ganhar peso, tentava ficar acordado o máximo de horas do dia que antecedeu a noite em claro e cada vez mais sentia sobre os ombros o peso da desobediência. Estava literalmente quebrando um mandamento vindo diretamente de Deus para a manutenção física, mas isso nem me passava pela cabeça.
No décimo Quinto dia de férias, mais uma vez não consegui dormir e sai de casa bem cedo para caminhar ao sol, fazer alguns exercicios com uma ideia inconsciente de desintoxixação alimentar. Sentei aos pés de uma palmeira que ficava na parte mais alta de meu bairro, um local em que era possível enxergar todo o vale que se apresenta aos pés do Morro Santana, para quem é de Porto Alegre, o conhece, pois é o mais elevado da região metropolitana. Estava observando o verde intenso dos campos, os passaros de variadas espécies que cantavam perto, voavam a minha frente e o azul intenso do céu. O sol da primavera tornavam as cores mais brilhantes e vibrantes num verdadeiro espetáculo da natureza. Embora cansado e com os olhos ardendo de sono, consegui até a agradecer a Deus poraquele belo dia. O Pai fez sua Parte nos dando este presente, mas será que eu estava fazendo? Esta pergunta não encontrou uma resposta afirmativa em minha consciencia, mas mesmo assim, contemplava aquele belo amanhecer.
Em um determinado momento, em meio a minha meditação, percebi ao longe, bem acima do cume do morro, uma barreira de neblina que começava a avançar lentamente sobre os campos banhados de sol, de um branco intenso pela radiação, foi ficando acinzentado com o aumento de sua intensidade. Perdi completamente a visão dos 100 metros, dos 50, dos 10... até que fui envolvido pela forte cerração. Do cinza veio a escuridão, a camada de nevoeiro foi se intensificando até ao ponto do breu total. Fiquei alí, quieto, não me atrevendo nem mesmo pensar. A escuridão provocada pela neblina espessa era medonha, quase sufocante, senti até um leve cheiro de temporal se aproximando, mas este não veio. O sol desapareceu as 9:45 da manhã.
Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de assustar?
Enfim consegui compreender e aprender uma lição: A neblina representava, naquele momento, o pecado de quebrar a Palavra de sabedoria, que me impedia de vislumbrar a beleza da vida. Esta elucidação veio naquele momento mesmo em que esta na escuridão
Quando comecei a raciocinar, tudo ficou claro para mim. A Palavra de sabedoria não se restringe apenas no que está registrado nas escrituras sagradas ou nas revelações modernas, mas sim, está também relacionado ao estilo de vida que adotamos, se for saudavel, a vida será bela, pois o dom vem pelo esforço e merecimento, se não for, as intensas neblinas te impediram de ver as bençãos que tornam a vida um espetáculo da existência. Deus está sempre conosco e as ferramentas do sucesso estão ao nosso alcance, basta fazer como o Mestre, que pela plena certeza e conhecimento de Deus, recolheu os elementos do ambiente e os juntou a água para fazer o melhor dos vinhos.
Quando a neblina daquele dia desapareceu, o sol voltou a brilhar como antes. Ao retornar para casa totalmente revigorado pelo que aprendi, ouvi algumas pessoas na rua comentarem que na direção de onde eu vinha, tinha ido um bandido armado em fuga. Pela rua indicada, pude perceber que o meliante tinha passado a uns 10 metros de mim... Mais uma vez agradeci ao Pai pela união dos elementos que me ensinaram e me protegeram, pois se o dia estivesse claro, o bandido teria me visto.
Esta história marcante, Eu compartilho em Nome de Jesus Cristo, Amém
terça-feira, 18 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Dois Princípios para Quaisquer Condições Econômicas
Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
Frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.
Nas viagens, quando visitamos membros da Igreja do mundo inteiro e também por meio dos canais do sacerdócio, somos informados em primeira mão das condições e dos problemas de nossos membros. Há muitos anos os membros vêm sendo atingidos em todo o mundo por catástrofes, tanto naturais como causadas pelo homem. Sabemos também que muitas famílias tiveram de apertar o cinto e estão preocupadas, sem saber se conseguirão suportar estes tempos difíceis.
Irmãos, sentimo-nos muito próximos de vocês. Nós os amamos e oramos por vocês. Já vi muitos altos e baixos na vida e sei que o inverno sem dúvida dá lugar ao calor e à esperança de uma nova primavera. Vejo o futuro com otimismo. De nossa parte, irmãos, precisamos permanecer firmes na esperança, trabalhar com todo o vigor e confiar em Deus.
Ultimamente, tenho pensado numa época de minha vida em que o peso das preocupações com um futuro incerto parecia sempre presente. Eu tinha onze anos e morava com minha família no sótão de uma casa de fazenda, perto de Frankfurt, Alemanha. Éramos refugiados pela segunda vez em um período de apenas alguns anos e estávamos tendo dificuldade para estabelecer-nos em um novo lugar bem distante de onde morávamos antes. Dizer que éramos pobres seria um eufemismo. Dormíamos todos em um quarto tão pequeno que mal tínhamos espaço para andar por entre as camas. Em outra salinha, havia alguns móveis simples e um fogão em que mamãe cozinhava. Para ir de um cômodo ao outro, tínhamos que passar por um depósito onde o dono da fazenda guardava equipamentos agrícolas e ferramentas, e também armazenava carnes e linguiças penduradas nas vigas. O aroma sempre me deixava com muita fome. Não tínhamos banheiro, mas havia uma casinha com latrina fora da casa, descendo as escadas, a uma distância de uns quinze metros, e que parecia ficar muito mais longe no inverno.
Como eu era refugiado e por causa do meu sotaque da Alemanha Oriental, muitas vezes as outras crianças zombavam de mim e me colocavam apelidos que me magoavam profundamente. Em toda a minha juventude, creio que aquela foi a época mais desanimadora.
Agora, décadas depois, posso rever aqueles dias através do filtro amenizador da experiência. Embora ainda me lembre da mágoa e do desespero, percebo agora o que não conseguia ver na época: foi uma época de grande crescimento pessoal. Durante aquele período, minha família tornou-se mais unida. Observei meus pais e aprendi com eles. Admirei sua determinação e seu otimismo. Com eles aprendi que a adversidade pode ser superada, se a enfrentarmos com fé, coragem e tenacidade.
Sabendo que alguns de vocês estão passando por seu próprio período de ansiedade e desespero, quero falar hoje sobre dois princípios importantes que me ampararam durante aquela época de formação.
O Primeiro Princípio: Trabalhar
Até hoje, fico muito impressionado com o quanto minha família trabalhou depois de ter perdido tudo durante a Segunda Guerra Mundial! Lembro que meu pai — um funcionário público por formação e experiência — aceitou vários empregos difíceis, entre os quais o de minerador de carvão e de urânio, mecânico e motorista de caminhão. Para sustentar nossa família, ele saía bem cedo e geralmente voltava tarde da noite. Minha mãe abriu uma lavanderia e trabalhava inúmeras horas fazendo trabalho braçal. Ela colocou minha irmã e eu para trabalharmos com ela. Com minha bicicleta, tornei-me apanhador e entregador de roupas. Senti-me bem por poder ajudar um pouquinho a família e, embora não o soubesse na época, esse exercício físico foi excelente para minha saúde também.
Não foi fácil, mas o trabalho nos impediu de pensar demais nas dificuldades que enfrentávamos. Embora nossa situação não tenha mudado da noite para o dia, ela acabou mudando. É assim que funciona o trabalho: se simplesmente continuarmos a trabalhar com firmeza e constância, as coisas certamente vão melhorar.
Como admiro os homens, as mulheres e as crianças que sabem trabalhar! Como o Senhor ama o trabalhador! Ele disse: “No suor do teu rosto comerás o teu pão”1 e “o trabalhador é digno de seu salário”.2 Ele também prometeu: “Lança a foice com toda a tua alma e teus pecados te são perdoados”.3 Todos os que não têm medo de arregaçar as mangas e dedicar-se de corpo e alma a alcançar metas louváveis são uma bênção para a família, a comunidade, a nação e a Igreja.
O Senhor não espera que trabalhemos mais do que somos capazes. Ele não compara (e tampouco devemos nós comparar) os nossos esforços com os de outras pessoas. O Pai Celestial pede apenas que façamos o melhor possível: que trabalhemos de acordo com nossa plena capacidade, por maior ou menor que ela seja.
O trabalho é o antídoto para a ansiedade, um bálsamo para a tristeza e um portal para as possibilidades. Sejam quais forem nossas condições de vida, meus queridos irmãos, façamos tudo o que pudermos e cultivemos uma reputação de excelência em tudo o que fizermos. Vamos deixar a mente e o corpo prontos para a gloriosa oportunidade de trabalho que cada novo dia nos apresenta.
Quando nosso carroção fica atolado na lama, é mais provável que Deus ajude o homem que desce e o empurra do que o homem que apenas ergue a voz em oração, por mais eloquente que seja. O Presidente Thomas S. Monson disse o seguinte: “Não basta termos o desejo de realizar o esforço e dizermos que o faremos. (…) É na prática, e não só nas palavras, que concretizamos nossas aspirações. Se adiarmos constantemente as nossas metas, nunca as veremos realizadas”.4
O trabalho pode-nos enobrecer e dar um sentimento de realização, mas lembrem-se da advertência de Jacó: “Não despendais (…) vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer”.5 Se nos dedicarmos à busca de riquezas materiais e do brilho do reconhecimento público à custa de nossa família e de nosso crescimento espiritual, em breve descobriremos que bancamos os tolos. O trabalho honroso que fazemos em nossa própria casa é extremamente sagrado. Seus benefícios são eternos. Ele não pode ser delegado. É o alicerce de nosso trabalho como portadores do sacerdócio.
Lembrem-se, somos apenas viajantes de passagem por este mundo. Não dediquemos os talentos e energias que recebemos de Deus só para forjar âncoras terrenas, mas passemos nossos dias desenvolvendo asas espirituais. Porque, como filhos do Deus Altíssimo, fomos criados para alçar voo para novos horizontes.
Agora, uma palavra para nós que somos mais experientes: a aposentadoria não faz parte do plano de felicidade do Senhor. Não há licença-prêmio nem programa de aposentadoria das responsabilidades do sacerdócio, seja qual for a idade ou a capacidade física. Embora a frase “já fiz isso” ou “já passei dessa fase” possa servir de desculpa para não termos que andar de skate, para recusar um convite para andar de motocicleta ou para dispensar a pimenta ardida no restaurante, não é uma desculpa aceitável para fugirmos da responsabilidade que assumimos por convênio: a de consagrar nosso tempo, nossos talentos e recursos a serviço do reino de Deus.
Pode haver aqueles que, após muitos anos de serviço na Igreja, acreditem ter direito a um período de descanso enquanto os outros carregam os fardos. Em termos bem claros e diretos, irmãos, esse tipo de pensamento não condiz com um discípulo de Cristo. Grande parte de nosso trabalho nesta Terra é perseverar até o fim, com alegria, todos os dias de nossa vida.
Agora, uma palavra para nossos irmãos mais novos do Sacerdócio de Melquisedeque que estão procurando alcançar a meta justa de adquirir instrução e encontrar uma companheira eterna. Essas são boas metas, meus irmãos, mas lembrem-se: trabalhar diligentemente na vinha do Senhor melhora muito seu currículo e aumenta muito a probabilidade de sucesso nesses dois empreendimentos louváveis.
Seja você o mais jovem diácono ou o mais idoso sumo sacerdote, há trabalho a ser feito!
O Segundo Princípio: Aprender
Nas difíceis condições econômicas da Alemanha do pós-guerra, as oportunidades de estudo não eram tão fartas quanto hoje, mas a despeito das opções limitadas, sempre tive avidez em aprender. Lembro-me que um dia, quando estava fazendo entregas na minha bicicleta, entrei na casa de um colega da escola. Em um dos cômodos, havia duas pequenas escrivaninhas encostadas na parede. Que visão maravilhosa foi aquela! Como aquelas crianças eram afortunadas por terem suas próprias escrivaninhas! Eu os imaginei ali sentados com os livros abertos, estudando as lições e fazendo os deveres de casa. Pareceu-me que ter a minha própria escrivaninha seria a coisa mais maravilhosa do mundo.
Tive que esperar muito para que esse desejo se realizasse. Anos depois, consegui um emprego numa instituição de pesquisa que possuía uma grande biblioteca. Lembro-me de que passava grande parte de meu tempo livre naquela biblioteca. Ali, pude finalmente sentar-me em uma escrivaninha, sozinho, e banquetear-me com as informações e conhecimento que os livros proporcionavam. Como eu gostava de ler e aprender! Naqueles dias, compreendi por experiência própria uma antiga frase que diz: “a instrução não é como encher um balde, mas sim, como acender uma chama”.
Para os membros da Igreja, a instrução não é apenas uma boa ideia: é um mandamento. Devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro”.6
Joseph Smith adorava aprender, embora tenham sido poucas suas oportunidades de adquirir instrução formal. Em seus diários, ele falava com alegria dos dias que passava estudando e sempre expressava seu amor pelo aprendizado.7
Joseph ensinou aos santos que o conhecimento era uma parte necessária de nossa jornada mortal, porque “o homem só pode ser salvo à medida que [adquire] conhecimento”,8 e “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.9 Nos momentos difíceis, é ainda mais importante aprender. O Profeta Joseph ensinou que “o conhecimento afasta as trevas, [a ansiedade] e a dúvida, porque essas coisas não podem existir onde há conhecimento”.10
Irmãos, vocês têm o dever de aprender o máximo que puderem. Peço-lhes que incentivem sua família, os membros do seu quórum e todas as pessoas a aprender e adquirir mais instrução. Mesmo onde não houver como receber instrução formal, não permitam que isso os impeça de adquirir todo o conhecimento que puderem. Nessas circunstâncias, os melhores livros, de certa forma, podem tornar-se sua “universidade” — uma sala de aula que está sempre aberta e admite todos os interessados. Empenhem-se em aumentar seu conhecimento de tudo o que for “[virtuoso], amável, de boa fama ou louvável”.11 Busquem conhecimento “pelo estudo e também pela fé”.12 Busquem com humildade e com um coração contrito.13 Se aplicarem a dimensão espiritual de sua fé ao estudo, mesmo de coisas seculares, vocês conseguirão aumentar sua capacidade intelectual, porque “se vossos olhos estiverem fitos [na glória de Deus], todo o vosso corpo se encherá de luz e (…) [compreenderá] todas as coisas”.14
Em nosso aprendizado, não negligenciemos a fonte da revelação. As escrituras e as palavras dos apóstolos e profetas modernos são fontes de sabedoria, conhecimento divino e revelação pessoal para ajudar-nos a encontrar resposta a todos os desafios da vida. Aprendamos com Cristo. Busquemos o conhecimento que nos conduz à paz, à verdade e aos sublimes mistérios da eternidade.15
Conclusão
Irmãos, lembro-me daquele menino de onze anos, em Frankfurt, Alemanha, que se preocupava com o futuro e sentia a dor pungente de comentários maldosos. Lembro-me daqueles dias com certa ternura e tristeza. Embora não esteja ávido para reviver aqueles dias de provações e problemas, não tenho dúvida de que as lições que aprendi foram uma preparação necessária para as oportunidades futuras. Agora, muitos anos depois, sei com certeza o seguinte: frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.
Oro para que nos próximos meses e anos preenchamos nossas horas e dias com trabalho louvável. Oro para que busquemos aprender e refinar a mente e o coração, bebendo abundantemente das puras fontes da verdade. Deixo com vocês meu amor e minhas bênçãos, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
Frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.
Nas viagens, quando visitamos membros da Igreja do mundo inteiro e também por meio dos canais do sacerdócio, somos informados em primeira mão das condições e dos problemas de nossos membros. Há muitos anos os membros vêm sendo atingidos em todo o mundo por catástrofes, tanto naturais como causadas pelo homem. Sabemos também que muitas famílias tiveram de apertar o cinto e estão preocupadas, sem saber se conseguirão suportar estes tempos difíceis.
Irmãos, sentimo-nos muito próximos de vocês. Nós os amamos e oramos por vocês. Já vi muitos altos e baixos na vida e sei que o inverno sem dúvida dá lugar ao calor e à esperança de uma nova primavera. Vejo o futuro com otimismo. De nossa parte, irmãos, precisamos permanecer firmes na esperança, trabalhar com todo o vigor e confiar em Deus.
Ultimamente, tenho pensado numa época de minha vida em que o peso das preocupações com um futuro incerto parecia sempre presente. Eu tinha onze anos e morava com minha família no sótão de uma casa de fazenda, perto de Frankfurt, Alemanha. Éramos refugiados pela segunda vez em um período de apenas alguns anos e estávamos tendo dificuldade para estabelecer-nos em um novo lugar bem distante de onde morávamos antes. Dizer que éramos pobres seria um eufemismo. Dormíamos todos em um quarto tão pequeno que mal tínhamos espaço para andar por entre as camas. Em outra salinha, havia alguns móveis simples e um fogão em que mamãe cozinhava. Para ir de um cômodo ao outro, tínhamos que passar por um depósito onde o dono da fazenda guardava equipamentos agrícolas e ferramentas, e também armazenava carnes e linguiças penduradas nas vigas. O aroma sempre me deixava com muita fome. Não tínhamos banheiro, mas havia uma casinha com latrina fora da casa, descendo as escadas, a uma distância de uns quinze metros, e que parecia ficar muito mais longe no inverno.
Como eu era refugiado e por causa do meu sotaque da Alemanha Oriental, muitas vezes as outras crianças zombavam de mim e me colocavam apelidos que me magoavam profundamente. Em toda a minha juventude, creio que aquela foi a época mais desanimadora.
Agora, décadas depois, posso rever aqueles dias através do filtro amenizador da experiência. Embora ainda me lembre da mágoa e do desespero, percebo agora o que não conseguia ver na época: foi uma época de grande crescimento pessoal. Durante aquele período, minha família tornou-se mais unida. Observei meus pais e aprendi com eles. Admirei sua determinação e seu otimismo. Com eles aprendi que a adversidade pode ser superada, se a enfrentarmos com fé, coragem e tenacidade.
Sabendo que alguns de vocês estão passando por seu próprio período de ansiedade e desespero, quero falar hoje sobre dois princípios importantes que me ampararam durante aquela época de formação.
O Primeiro Princípio: Trabalhar
Até hoje, fico muito impressionado com o quanto minha família trabalhou depois de ter perdido tudo durante a Segunda Guerra Mundial! Lembro que meu pai — um funcionário público por formação e experiência — aceitou vários empregos difíceis, entre os quais o de minerador de carvão e de urânio, mecânico e motorista de caminhão. Para sustentar nossa família, ele saía bem cedo e geralmente voltava tarde da noite. Minha mãe abriu uma lavanderia e trabalhava inúmeras horas fazendo trabalho braçal. Ela colocou minha irmã e eu para trabalharmos com ela. Com minha bicicleta, tornei-me apanhador e entregador de roupas. Senti-me bem por poder ajudar um pouquinho a família e, embora não o soubesse na época, esse exercício físico foi excelente para minha saúde também.
Não foi fácil, mas o trabalho nos impediu de pensar demais nas dificuldades que enfrentávamos. Embora nossa situação não tenha mudado da noite para o dia, ela acabou mudando. É assim que funciona o trabalho: se simplesmente continuarmos a trabalhar com firmeza e constância, as coisas certamente vão melhorar.
Como admiro os homens, as mulheres e as crianças que sabem trabalhar! Como o Senhor ama o trabalhador! Ele disse: “No suor do teu rosto comerás o teu pão”1 e “o trabalhador é digno de seu salário”.2 Ele também prometeu: “Lança a foice com toda a tua alma e teus pecados te são perdoados”.3 Todos os que não têm medo de arregaçar as mangas e dedicar-se de corpo e alma a alcançar metas louváveis são uma bênção para a família, a comunidade, a nação e a Igreja.
O Senhor não espera que trabalhemos mais do que somos capazes. Ele não compara (e tampouco devemos nós comparar) os nossos esforços com os de outras pessoas. O Pai Celestial pede apenas que façamos o melhor possível: que trabalhemos de acordo com nossa plena capacidade, por maior ou menor que ela seja.
O trabalho é o antídoto para a ansiedade, um bálsamo para a tristeza e um portal para as possibilidades. Sejam quais forem nossas condições de vida, meus queridos irmãos, façamos tudo o que pudermos e cultivemos uma reputação de excelência em tudo o que fizermos. Vamos deixar a mente e o corpo prontos para a gloriosa oportunidade de trabalho que cada novo dia nos apresenta.
Quando nosso carroção fica atolado na lama, é mais provável que Deus ajude o homem que desce e o empurra do que o homem que apenas ergue a voz em oração, por mais eloquente que seja. O Presidente Thomas S. Monson disse o seguinte: “Não basta termos o desejo de realizar o esforço e dizermos que o faremos. (…) É na prática, e não só nas palavras, que concretizamos nossas aspirações. Se adiarmos constantemente as nossas metas, nunca as veremos realizadas”.4
O trabalho pode-nos enobrecer e dar um sentimento de realização, mas lembrem-se da advertência de Jacó: “Não despendais (…) vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer”.5 Se nos dedicarmos à busca de riquezas materiais e do brilho do reconhecimento público à custa de nossa família e de nosso crescimento espiritual, em breve descobriremos que bancamos os tolos. O trabalho honroso que fazemos em nossa própria casa é extremamente sagrado. Seus benefícios são eternos. Ele não pode ser delegado. É o alicerce de nosso trabalho como portadores do sacerdócio.
Lembrem-se, somos apenas viajantes de passagem por este mundo. Não dediquemos os talentos e energias que recebemos de Deus só para forjar âncoras terrenas, mas passemos nossos dias desenvolvendo asas espirituais. Porque, como filhos do Deus Altíssimo, fomos criados para alçar voo para novos horizontes.
Agora, uma palavra para nós que somos mais experientes: a aposentadoria não faz parte do plano de felicidade do Senhor. Não há licença-prêmio nem programa de aposentadoria das responsabilidades do sacerdócio, seja qual for a idade ou a capacidade física. Embora a frase “já fiz isso” ou “já passei dessa fase” possa servir de desculpa para não termos que andar de skate, para recusar um convite para andar de motocicleta ou para dispensar a pimenta ardida no restaurante, não é uma desculpa aceitável para fugirmos da responsabilidade que assumimos por convênio: a de consagrar nosso tempo, nossos talentos e recursos a serviço do reino de Deus.
Pode haver aqueles que, após muitos anos de serviço na Igreja, acreditem ter direito a um período de descanso enquanto os outros carregam os fardos. Em termos bem claros e diretos, irmãos, esse tipo de pensamento não condiz com um discípulo de Cristo. Grande parte de nosso trabalho nesta Terra é perseverar até o fim, com alegria, todos os dias de nossa vida.
Agora, uma palavra para nossos irmãos mais novos do Sacerdócio de Melquisedeque que estão procurando alcançar a meta justa de adquirir instrução e encontrar uma companheira eterna. Essas são boas metas, meus irmãos, mas lembrem-se: trabalhar diligentemente na vinha do Senhor melhora muito seu currículo e aumenta muito a probabilidade de sucesso nesses dois empreendimentos louváveis.
Seja você o mais jovem diácono ou o mais idoso sumo sacerdote, há trabalho a ser feito!
O Segundo Princípio: Aprender
Nas difíceis condições econômicas da Alemanha do pós-guerra, as oportunidades de estudo não eram tão fartas quanto hoje, mas a despeito das opções limitadas, sempre tive avidez em aprender. Lembro-me que um dia, quando estava fazendo entregas na minha bicicleta, entrei na casa de um colega da escola. Em um dos cômodos, havia duas pequenas escrivaninhas encostadas na parede. Que visão maravilhosa foi aquela! Como aquelas crianças eram afortunadas por terem suas próprias escrivaninhas! Eu os imaginei ali sentados com os livros abertos, estudando as lições e fazendo os deveres de casa. Pareceu-me que ter a minha própria escrivaninha seria a coisa mais maravilhosa do mundo.
Tive que esperar muito para que esse desejo se realizasse. Anos depois, consegui um emprego numa instituição de pesquisa que possuía uma grande biblioteca. Lembro-me de que passava grande parte de meu tempo livre naquela biblioteca. Ali, pude finalmente sentar-me em uma escrivaninha, sozinho, e banquetear-me com as informações e conhecimento que os livros proporcionavam. Como eu gostava de ler e aprender! Naqueles dias, compreendi por experiência própria uma antiga frase que diz: “a instrução não é como encher um balde, mas sim, como acender uma chama”.
Para os membros da Igreja, a instrução não é apenas uma boa ideia: é um mandamento. Devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro”.6
Joseph Smith adorava aprender, embora tenham sido poucas suas oportunidades de adquirir instrução formal. Em seus diários, ele falava com alegria dos dias que passava estudando e sempre expressava seu amor pelo aprendizado.7
Joseph ensinou aos santos que o conhecimento era uma parte necessária de nossa jornada mortal, porque “o homem só pode ser salvo à medida que [adquire] conhecimento”,8 e “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.9 Nos momentos difíceis, é ainda mais importante aprender. O Profeta Joseph ensinou que “o conhecimento afasta as trevas, [a ansiedade] e a dúvida, porque essas coisas não podem existir onde há conhecimento”.10
Irmãos, vocês têm o dever de aprender o máximo que puderem. Peço-lhes que incentivem sua família, os membros do seu quórum e todas as pessoas a aprender e adquirir mais instrução. Mesmo onde não houver como receber instrução formal, não permitam que isso os impeça de adquirir todo o conhecimento que puderem. Nessas circunstâncias, os melhores livros, de certa forma, podem tornar-se sua “universidade” — uma sala de aula que está sempre aberta e admite todos os interessados. Empenhem-se em aumentar seu conhecimento de tudo o que for “[virtuoso], amável, de boa fama ou louvável”.11 Busquem conhecimento “pelo estudo e também pela fé”.12 Busquem com humildade e com um coração contrito.13 Se aplicarem a dimensão espiritual de sua fé ao estudo, mesmo de coisas seculares, vocês conseguirão aumentar sua capacidade intelectual, porque “se vossos olhos estiverem fitos [na glória de Deus], todo o vosso corpo se encherá de luz e (…) [compreenderá] todas as coisas”.14
Em nosso aprendizado, não negligenciemos a fonte da revelação. As escrituras e as palavras dos apóstolos e profetas modernos são fontes de sabedoria, conhecimento divino e revelação pessoal para ajudar-nos a encontrar resposta a todos os desafios da vida. Aprendamos com Cristo. Busquemos o conhecimento que nos conduz à paz, à verdade e aos sublimes mistérios da eternidade.15
Conclusão
Irmãos, lembro-me daquele menino de onze anos, em Frankfurt, Alemanha, que se preocupava com o futuro e sentia a dor pungente de comentários maldosos. Lembro-me daqueles dias com certa ternura e tristeza. Embora não esteja ávido para reviver aqueles dias de provações e problemas, não tenho dúvida de que as lições que aprendi foram uma preparação necessária para as oportunidades futuras. Agora, muitos anos depois, sei com certeza o seguinte: frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.
Oro para que nos próximos meses e anos preenchamos nossas horas e dias com trabalho louvável. Oro para que busquemos aprender e refinar a mente e o coração, bebendo abundantemente das puras fontes da verdade. Deixo com vocês meu amor e minhas bênçãos, em nome de Jesus Cristo. Amém.
sábado, 1 de outubro de 2011
MODERAÇÃO EM TODAS AS COISAS
Élder Kent D. Watson
Dos Setenta
A moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo
Em resposta à pergunta do Profeta Joseph Smith, o Senhor instruiu: “E ninguém pode participar desta obra, a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas, em tudo o que lhe for confiado”.1
A instrução de ter moderação em todas as coisas se aplica a cada um de nós. O que é moderação e por que o Senhor deseja que sejamos moderados? Uma definição restrita pode ser a de que devemos ser comedidos ao comer e ao beber. De fato, esse significado da moderação pode ser uma boa receita para o cumprimento da Palavra de Sabedoria. Às vezes, a moderação pode ser definida como abster-nos da ira, ou seja, não perder a paciência. Essas definições, contudo, são um subgrupo do uso dessa palavra nas escrituras.
Num sentido espiritual, a moderação é um atributo divino de Jesus Cristo. Ele deseja que cada um de nós desenvolva esse atributo. Aprender a ter moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo.
Quando o Apóstolo Paulo descreveu os frutos do Espírito em sua epístola aos gálatas, ele falou de “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão [e] temperança”.2
Quando Paulo escreveu a Tito, descrevendo os atributos que seriam necessários a um bispo para auxiliar nessa obra, ele disse que o bispo não podia ser “soberbo, nem iracundo (…) [mas] temperante”.3 A temperança significa usar de moderação em todas as coisas ou exercer autocontrole.
Quando Alma, o filho, ensinou na terra de Gideão, ele disse:
“Espero que não estejais com o coração cheio de orgulho; sim, espero que não tenhais posto o coração nas riquezas e coisas vãs do mundo (…).
Quisera que fôsseis humildes e submissos e mansos; fáceis de persuadir, cheios de paciência e longanimidade; sendo moderados em todas as coisas.”4
Numa mensagem posterior, Alma instruiu seu filho, Siblom, e indiretamente cada um nós, a “não ser orgulhoso”,5 mas a ser “diligente e moderado em todas as coisas”.6 Ser moderado significa analisar cuidadosamente nossos desejos e expectativas para sermos diligentes e pacientes na busca de objetivos dignos.
Há poucos anos, eu voltava de carro do trabalho para casa, quando uma grande caminhonete, que vinha em direção contrária, perdeu um de seus pneus duplos. O pneu voou por cima do canteiro que separava as pistas e veio pulando para o meu lado da via expressa. Havia carros desviando para todos os lados, porque os motoristas não sabiam para que direção o pneu pularia em seguida. Desviei para a esquerda, quando deveria ter desviado para a direita, e o pneu acabou acertando o canto direito do meu parabrisa.
Um amigo ligou para minha mulher para informá-la do acidente. Ela me disse, depois, que a primeira coisa que lhe veio à mente foram os ferimentos causados pelo vidro estilhaçado. De fato, fiquei coberto de pedacinhos de vidro, mas não sofri um único arranhão. Isso absolutamente não se deu por causa das minhas grandes habilidades como motorista, mas sim, porque o parabrisa de meu carro era feito de vidro temperado.
O vidro temperado, tal como o aço temperado, passa por um processo bem controlado de aquecimento que aumenta sua resistência. Por isso, quando o vidro temperado sofre pressão, não se quebra facilmente em estilhaços afiados que podem ferir.
Da mesma forma, uma alma temperada, que é humilde e cheia de amor, também é uma pessoa com maior força espiritual. Com essa força, somos capazes de desenvolver o autocontrole e viver com moderação. Aprendemos a controlar ou moderar nossa raiva, nossa vaidade e nosso orgulho. Com maior força espiritual, podemos proteger-nos dos excessos perigosos e dos vícios destrutivos do mundo atual.
Todos nós buscamos paz de consciência e desejamos segurança e felicidade para nossa família. Se procurarmos ver os pontos positivos da crise econômica do ano passado, talvez algumas provações que enfrentamos tenham-nos ensinado que a paz de consciência, a segurança e a felicidade não decorrem da compra de uma casa ou do acúmulo de posses cuja dívida seja maior do que o que podemos pagar com nossas economias ou nossa renda.
Vivemos num mundo impaciente e sem moderação, cheio de incertezas e contendas. É como a comunidade de conversos de várias religiões na qual Joseph Smith vivia, quando era um rapaz de quatorze anos que buscava respostas para suas dúvidas. O jovem Joseph disse: “Todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões”.7
A segurança para nossa família advém de aprendermos o autocontrole, de evitarmos os excessos deste mundo e de sermos moderados em todas as coisas. A paz de consciência advém de uma fé mais forte em Jesus Cristo. A felicidade advém de sermos diligentes no cumprimento dos convênios feitos no batismo e nos templos sagrados do Senhor.
Que melhor exemplo de moderação podemos ter que o de nosso Salvador Jesus Cristo?
O Salvador ensinou que, quando sentirmos o coração incitado à ira por disputas e contendas, devemos “arrepender-[nos] e tornar-[nos] como uma criancinha”.8 Devemos reconciliar-nos com nosso irmão e achegar-nos ao Salvador com pleno propósito de coração.9
Quando as pessoas forem rudes, Jesus ensinou que “a minha benignidade não se desviará de ti”.10
Quando enfrentarmos aflições, Ele disse: “Sê paciente nas aflições, não injuries os que te injuriarem. Governa tua casa com mansidão e sê firme”.11
Quando formos oprimidos, podemos consolar-nos por saber que “Ele foi oprimido e ele foi afligido, mas não abriu a boca”.12 “Certamente ele tomou sobre si nossas dores e carregou nossos pesares.”13
Quando Jesus Cristo, o maior de todos, sofreu por nós a ponto de sangrar por todos os poros, Ele não expressou raiva ou proferiu impropérios por causa de Seu sofrimento. Com insuperável autodomínio — ou moderação — não pensou em Si mesmo, mas em cada um de nós. E então, com humildade e imenso amor, Ele disse: “Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens”.14
No ano passado, tive o privilégio de prestar testemunho da realidade de nosso Salvador e da Restauração do evangelho para os santos e amigos de toda a Ásia. A maioria é da primeira geração de santos dos últimos dias, que vivem em lugares onde a Igreja é muito nova. Esses santos modernos, em sua esfera, empreendem uma jornada que nos lembra as experiências dos primeiros santos dos últimos dias.
No maravilhoso mundo de diversidade da Ásia, em que os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são uma mera fração de um por cento da imensa população, adquiri maior apreço pelo atributo cristão da moderação. Amo e honro esses santos que me ensinaram pelo exemplo o que significa ser humilde e cheio de amor, ser “temperante em todas as coisas, em tudo o que [nos] for confiado”.15 Graças a eles, compreendi melhor o amor que Deus tem por todos os Seus filhos.
Deixo com vocês meu testemunho de que nosso Redentor vive e que Seu dom divino da moderação está ao alcance de todos os filhos de Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Dos Setenta
A moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo
Em resposta à pergunta do Profeta Joseph Smith, o Senhor instruiu: “E ninguém pode participar desta obra, a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas, em tudo o que lhe for confiado”.1
A instrução de ter moderação em todas as coisas se aplica a cada um de nós. O que é moderação e por que o Senhor deseja que sejamos moderados? Uma definição restrita pode ser a de que devemos ser comedidos ao comer e ao beber. De fato, esse significado da moderação pode ser uma boa receita para o cumprimento da Palavra de Sabedoria. Às vezes, a moderação pode ser definida como abster-nos da ira, ou seja, não perder a paciência. Essas definições, contudo, são um subgrupo do uso dessa palavra nas escrituras.
Num sentido espiritual, a moderação é um atributo divino de Jesus Cristo. Ele deseja que cada um de nós desenvolva esse atributo. Aprender a ter moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo.
Quando o Apóstolo Paulo descreveu os frutos do Espírito em sua epístola aos gálatas, ele falou de “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão [e] temperança”.2
Quando Paulo escreveu a Tito, descrevendo os atributos que seriam necessários a um bispo para auxiliar nessa obra, ele disse que o bispo não podia ser “soberbo, nem iracundo (…) [mas] temperante”.3 A temperança significa usar de moderação em todas as coisas ou exercer autocontrole.
Quando Alma, o filho, ensinou na terra de Gideão, ele disse:
“Espero que não estejais com o coração cheio de orgulho; sim, espero que não tenhais posto o coração nas riquezas e coisas vãs do mundo (…).
Quisera que fôsseis humildes e submissos e mansos; fáceis de persuadir, cheios de paciência e longanimidade; sendo moderados em todas as coisas.”4
Numa mensagem posterior, Alma instruiu seu filho, Siblom, e indiretamente cada um nós, a “não ser orgulhoso”,5 mas a ser “diligente e moderado em todas as coisas”.6 Ser moderado significa analisar cuidadosamente nossos desejos e expectativas para sermos diligentes e pacientes na busca de objetivos dignos.
Há poucos anos, eu voltava de carro do trabalho para casa, quando uma grande caminhonete, que vinha em direção contrária, perdeu um de seus pneus duplos. O pneu voou por cima do canteiro que separava as pistas e veio pulando para o meu lado da via expressa. Havia carros desviando para todos os lados, porque os motoristas não sabiam para que direção o pneu pularia em seguida. Desviei para a esquerda, quando deveria ter desviado para a direita, e o pneu acabou acertando o canto direito do meu parabrisa.
Um amigo ligou para minha mulher para informá-la do acidente. Ela me disse, depois, que a primeira coisa que lhe veio à mente foram os ferimentos causados pelo vidro estilhaçado. De fato, fiquei coberto de pedacinhos de vidro, mas não sofri um único arranhão. Isso absolutamente não se deu por causa das minhas grandes habilidades como motorista, mas sim, porque o parabrisa de meu carro era feito de vidro temperado.
O vidro temperado, tal como o aço temperado, passa por um processo bem controlado de aquecimento que aumenta sua resistência. Por isso, quando o vidro temperado sofre pressão, não se quebra facilmente em estilhaços afiados que podem ferir.
Da mesma forma, uma alma temperada, que é humilde e cheia de amor, também é uma pessoa com maior força espiritual. Com essa força, somos capazes de desenvolver o autocontrole e viver com moderação. Aprendemos a controlar ou moderar nossa raiva, nossa vaidade e nosso orgulho. Com maior força espiritual, podemos proteger-nos dos excessos perigosos e dos vícios destrutivos do mundo atual.
Todos nós buscamos paz de consciência e desejamos segurança e felicidade para nossa família. Se procurarmos ver os pontos positivos da crise econômica do ano passado, talvez algumas provações que enfrentamos tenham-nos ensinado que a paz de consciência, a segurança e a felicidade não decorrem da compra de uma casa ou do acúmulo de posses cuja dívida seja maior do que o que podemos pagar com nossas economias ou nossa renda.
Vivemos num mundo impaciente e sem moderação, cheio de incertezas e contendas. É como a comunidade de conversos de várias religiões na qual Joseph Smith vivia, quando era um rapaz de quatorze anos que buscava respostas para suas dúvidas. O jovem Joseph disse: “Todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões”.7
A segurança para nossa família advém de aprendermos o autocontrole, de evitarmos os excessos deste mundo e de sermos moderados em todas as coisas. A paz de consciência advém de uma fé mais forte em Jesus Cristo. A felicidade advém de sermos diligentes no cumprimento dos convênios feitos no batismo e nos templos sagrados do Senhor.
Que melhor exemplo de moderação podemos ter que o de nosso Salvador Jesus Cristo?
O Salvador ensinou que, quando sentirmos o coração incitado à ira por disputas e contendas, devemos “arrepender-[nos] e tornar-[nos] como uma criancinha”.8 Devemos reconciliar-nos com nosso irmão e achegar-nos ao Salvador com pleno propósito de coração.9
Quando as pessoas forem rudes, Jesus ensinou que “a minha benignidade não se desviará de ti”.10
Quando enfrentarmos aflições, Ele disse: “Sê paciente nas aflições, não injuries os que te injuriarem. Governa tua casa com mansidão e sê firme”.11
Quando formos oprimidos, podemos consolar-nos por saber que “Ele foi oprimido e ele foi afligido, mas não abriu a boca”.12 “Certamente ele tomou sobre si nossas dores e carregou nossos pesares.”13
Quando Jesus Cristo, o maior de todos, sofreu por nós a ponto de sangrar por todos os poros, Ele não expressou raiva ou proferiu impropérios por causa de Seu sofrimento. Com insuperável autodomínio — ou moderação — não pensou em Si mesmo, mas em cada um de nós. E então, com humildade e imenso amor, Ele disse: “Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens”.14
No ano passado, tive o privilégio de prestar testemunho da realidade de nosso Salvador e da Restauração do evangelho para os santos e amigos de toda a Ásia. A maioria é da primeira geração de santos dos últimos dias, que vivem em lugares onde a Igreja é muito nova. Esses santos modernos, em sua esfera, empreendem uma jornada que nos lembra as experiências dos primeiros santos dos últimos dias.
No maravilhoso mundo de diversidade da Ásia, em que os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são uma mera fração de um por cento da imensa população, adquiri maior apreço pelo atributo cristão da moderação. Amo e honro esses santos que me ensinaram pelo exemplo o que significa ser humilde e cheio de amor, ser “temperante em todas as coisas, em tudo o que [nos] for confiado”.15 Graças a eles, compreendi melhor o amor que Deus tem por todos os Seus filhos.
Deixo com vocês meu testemunho de que nosso Redentor vive e que Seu dom divino da moderação está ao alcance de todos os filhos de Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Tempos Trabalhosos
ÉLDER CECIL O. SAMUELSON JR.
Dos Setenta
Quão grato sou, nestes tempos trabalhosos, pela proteção e orientação que nos são dadas pela sagrada certeza de que Jesus Cristo vive hoje.
É ao mesmo tempo consolador e potencialmente preocupante saber que vivemos numa era e num tempo que foi não apenas predito pelos profetas das dispensações anteriores, mas também foi claramente um foco de suas preocupações e aspirações. O Apóstolo Paulo disse: “Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (II Timóteo 3:1), e prosseguiu com uma lista e descrição incrivelmente precisas de muito do que vemos atualmente na mídia, nas propagandas de entretenimentos e em quase todo lugar do mundo a nosso redor. Por mais cuidadosos que sejamos e devamos ser, é muito difícil e freqüentemente quase impossível evitar completamente grande parte do perigo que parece estar nos envolvendo.
Felizmente, não estamos sem esperança ou apoio espiritual em nosso empenho como indivíduos e como famílias em cumprir os sagrados propósitos da vida mortal, para os quais viemos a esta provação terrena. A situação de cada pessoa é única e especial. Viemos literalmente dos quatro cantos da Terra, tendo diferenças imensas em relação às nossas famílias, formação, desafios, oportunidades, experiências, triunfos e desapontamentos.
Por outro lado, temos muito em comum com toda a família humana, somos todos progênie de nosso amoroso Pai Celestial e compartilhamos de uma imensa congruência em nosso DNA, ou nossa composição física genética, bem como nas universalmente possíveis e prometidas bênçãos e características que identificam nosso parentesco divino e nosso potencial espiritual. É essa mistura de nossas origens e características comuns e também de nossos atributos e experiências individuais e desafios específicos que faz de cada um de nós quem e o que somos. Embora tenhamos diferenças em relação ao que é especialmente perigoso para cada um de nós individualmente, compartilhamos muitas das coisas que tornam a descrição “tempos trabalhosos” adequada para todos nós.
Paulo, ao descrever nossos “tempos trabalhosos” não prometeu que as coisas ficariam mais fáceis ou necessariamente melhores. Contudo, ele deixou conselhos para os que procuram consolo e segurança ao se verem diante das condições cada vez mais difíceis de nossos dias. Assim como as profecias ou predições foram claramente precisas, as suas instruções para nós também são extraordinariamente relevantes. Ele disse: “Permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”. (II Timóteo 3:14)
Nesta Conferência Geral, de modo condizente com o padrão que tem sido seguido em toda a história da Igreja, aprendemos e aprenderemos a respeito da Restauração do evangelho em nossos dias; da notável clareza do Livro de Mórmon e do testemunho do Senhor Jesus Cristo nele encontrado; da missão e contribuições do Profeta Joseph Smith e de seus sucessores na presidência da Igreja, incluindo, em especial, o Presidente Gordon B. Hinckley, que ensina e testifica com extraordinário vigor, espiritualidade e lucidez; e da força, consolo e bênçãos que resultam da presença de outros apóstolos e profetas vivos em nosso meio. Não apenas aprendemos essas coisas, mas temos a certeza de que são verdadeiras, sabendo, como disse Paulo, “de quem [as aprendemos]”.
Outro que sabia e tinha autoridade para dar certeza aos que ele ministrava foi Alma. Ao expressar sua satisfação pelo privilégio de ensinar e testificar ao povo de Gideão, ele foi direto e claro em seu testemunho do Senhor Jesus Cristo, que ainda estava para vir em Seu ministério terreno. Alma expressou seu deleite pela fé e fidelidade da maior parte daquele grupo de boas pessoas e prometeu-lhes que receberiam “muitas coisas [que estavam] para vir”. (Alma 7:7) No meio de seu discurso em que descrevia as coisas que ainda iriam acontecer, ele disse: “Eis que há uma coisa mais importante que todas as outras—(…) não está longe o tempo em que o Redentor viverá e estará no meio de seu povo”. (Alma 7:7)
Em sua época, Alma estava falando especificamente a respeito dos eventos de algumas décadas mais tarde, quando o Salvador nasceria na mortalidade. Passaram-se séculos, e as profecias de Alma foram quase todas cumpridas, mas o ponto central de sua avaliação do que era mais importante do que tudo no mundo continua sendo absolutamente verdadeiro, totalmente relevante e fundamentalmente essencial também para nós, no mundo atual. Esse ponto central é o fato de que “o Redentor vive”.
Portanto, da mesma forma que Alma e “todos os profetas que profetizaram desde o princípio do mundo” (Mosias 13:33) ensinaram e testificaram a respeito da vinda do Messias e Sua missão de redimir Seu povo, acrescentamos nosso testemunho Dele e de Sua sagrada obra de “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. (Moisés 1:39) Sem dúvida quando começamos a compreender a magnitude de Seu sacrifício e serviço por nós, individual e coletivamente, não podemos pensar em nada que seja mais importante ou que se aproxime de Seu significado em nossa vida.
Para a maioria de nós, essa plena compreensão não é adquirida de uma vez e provavelmente não estará plenamente completa em nossa jornada terrena. Sabemos, contudo, que ao aprendermos linha sobre linha, nosso apreço pelas contribuições do Salvador continuará a aumentar e nosso conhecimento e a certeza de sua veracidade crescerão.
O Apóstolo Paulo foi enérgico e franco em grande parte de seu ensino e pregação. Ouçam estas palavras conhecidas que descrevem a maioria de nós em nosso esforço e progresso, mas nos deixam conselhos, incentivos e testemunhos de que todos tanto precisamos.
“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” (I Coríntios 13:11–12)
Há muitos anos, o Élder James E. Faust deu este conselho aos que estão tendo dificuldade em adquirir uma plena convicção em seu testemunho de Jesus Cristo e Sua sagrada missão e promessas. Ele disse:
“Para aqueles que sinceramente têm dúvidas, ouçamos o que as testemunhas oculares têm a dizer a respeito de Jesus de Nazaré. Os antigos apóstolos estavam lá. Eles viram tudo. Participaram do que aconteceu. Ninguém é mais digno de confiança do que eles. Pedro disse: ‘Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade’. (II Pedro 1:16) João disse: ‘Porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo’. (João 4:42) Joseph Smith e Sidney Rigdon, testemunhas modernas, declararam: ‘Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai’. (D&C 76:23)” (“A Personal Relationship with the Savior,” Ensign, Nov. 1976, 59).
Em nossos próprios dias, recebemos a promessa de que o Senhor tem muitas dádivas reservadas para aqueles “que [O] amam e guardam todos os [Seus] mandamentos” e aqueles “que procuram assim fazer”. (D&C 46:9) Embora nem todos os dons de Deus sejam concedidos a todas as pessoas, temos a garantia de que “a cada [pessoa] é dado um dom pelo Espírito de Deus”. (D&C 46:11)
Ouçam as palavras da seção 46 de Doutrina e Convênios que falam da coisa ou dádiva mais importante de todas.
“A alguns é dado saber, pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que foi crucificado pelos pecados do mundo.
A outros é dado crer nas palavras deles, para que tenham também vida eterna se permanecerem fiéis.” (D&C 46:13–14)
É esse conhecimento e testemunho do Cristo vivo que nos permitem estar constantemente receptivos ao conselho de Pedro, que disse que precisamos estar sempre “preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (I Pedro 3:15)
Quando começamos a sentir realmente que essa esperança é real e que está de fato centralizada em Jesus, sendo possível por causa de Seu amor por nós e especialmente por Seu amor pelo Pai, então poderemos individualmente proclamar com gratidão, usando as palavras de um hino favorito: “Assombro me causa o amor que me dá Jesus”. (Hinos no 112) De igual modo, à medida que nossa compreensão cresce, somos levados a exclamar: “Canta minha alma, então a ti, Senhor, Grandioso és tu, grandioso és tu!” (Hinos, no 43)
Quão grato sou, nestes tempos trabalhosos, pela proteção e orientação que nos são dadas pela sagrada certeza de que Jesus Cristo vive hoje, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Dos Setenta
Quão grato sou, nestes tempos trabalhosos, pela proteção e orientação que nos são dadas pela sagrada certeza de que Jesus Cristo vive hoje.
É ao mesmo tempo consolador e potencialmente preocupante saber que vivemos numa era e num tempo que foi não apenas predito pelos profetas das dispensações anteriores, mas também foi claramente um foco de suas preocupações e aspirações. O Apóstolo Paulo disse: “Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (II Timóteo 3:1), e prosseguiu com uma lista e descrição incrivelmente precisas de muito do que vemos atualmente na mídia, nas propagandas de entretenimentos e em quase todo lugar do mundo a nosso redor. Por mais cuidadosos que sejamos e devamos ser, é muito difícil e freqüentemente quase impossível evitar completamente grande parte do perigo que parece estar nos envolvendo.
Felizmente, não estamos sem esperança ou apoio espiritual em nosso empenho como indivíduos e como famílias em cumprir os sagrados propósitos da vida mortal, para os quais viemos a esta provação terrena. A situação de cada pessoa é única e especial. Viemos literalmente dos quatro cantos da Terra, tendo diferenças imensas em relação às nossas famílias, formação, desafios, oportunidades, experiências, triunfos e desapontamentos.
Por outro lado, temos muito em comum com toda a família humana, somos todos progênie de nosso amoroso Pai Celestial e compartilhamos de uma imensa congruência em nosso DNA, ou nossa composição física genética, bem como nas universalmente possíveis e prometidas bênçãos e características que identificam nosso parentesco divino e nosso potencial espiritual. É essa mistura de nossas origens e características comuns e também de nossos atributos e experiências individuais e desafios específicos que faz de cada um de nós quem e o que somos. Embora tenhamos diferenças em relação ao que é especialmente perigoso para cada um de nós individualmente, compartilhamos muitas das coisas que tornam a descrição “tempos trabalhosos” adequada para todos nós.
Paulo, ao descrever nossos “tempos trabalhosos” não prometeu que as coisas ficariam mais fáceis ou necessariamente melhores. Contudo, ele deixou conselhos para os que procuram consolo e segurança ao se verem diante das condições cada vez mais difíceis de nossos dias. Assim como as profecias ou predições foram claramente precisas, as suas instruções para nós também são extraordinariamente relevantes. Ele disse: “Permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”. (II Timóteo 3:14)
Nesta Conferência Geral, de modo condizente com o padrão que tem sido seguido em toda a história da Igreja, aprendemos e aprenderemos a respeito da Restauração do evangelho em nossos dias; da notável clareza do Livro de Mórmon e do testemunho do Senhor Jesus Cristo nele encontrado; da missão e contribuições do Profeta Joseph Smith e de seus sucessores na presidência da Igreja, incluindo, em especial, o Presidente Gordon B. Hinckley, que ensina e testifica com extraordinário vigor, espiritualidade e lucidez; e da força, consolo e bênçãos que resultam da presença de outros apóstolos e profetas vivos em nosso meio. Não apenas aprendemos essas coisas, mas temos a certeza de que são verdadeiras, sabendo, como disse Paulo, “de quem [as aprendemos]”.
Outro que sabia e tinha autoridade para dar certeza aos que ele ministrava foi Alma. Ao expressar sua satisfação pelo privilégio de ensinar e testificar ao povo de Gideão, ele foi direto e claro em seu testemunho do Senhor Jesus Cristo, que ainda estava para vir em Seu ministério terreno. Alma expressou seu deleite pela fé e fidelidade da maior parte daquele grupo de boas pessoas e prometeu-lhes que receberiam “muitas coisas [que estavam] para vir”. (Alma 7:7) No meio de seu discurso em que descrevia as coisas que ainda iriam acontecer, ele disse: “Eis que há uma coisa mais importante que todas as outras—(…) não está longe o tempo em que o Redentor viverá e estará no meio de seu povo”. (Alma 7:7)
Em sua época, Alma estava falando especificamente a respeito dos eventos de algumas décadas mais tarde, quando o Salvador nasceria na mortalidade. Passaram-se séculos, e as profecias de Alma foram quase todas cumpridas, mas o ponto central de sua avaliação do que era mais importante do que tudo no mundo continua sendo absolutamente verdadeiro, totalmente relevante e fundamentalmente essencial também para nós, no mundo atual. Esse ponto central é o fato de que “o Redentor vive”.
Portanto, da mesma forma que Alma e “todos os profetas que profetizaram desde o princípio do mundo” (Mosias 13:33) ensinaram e testificaram a respeito da vinda do Messias e Sua missão de redimir Seu povo, acrescentamos nosso testemunho Dele e de Sua sagrada obra de “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. (Moisés 1:39) Sem dúvida quando começamos a compreender a magnitude de Seu sacrifício e serviço por nós, individual e coletivamente, não podemos pensar em nada que seja mais importante ou que se aproxime de Seu significado em nossa vida.
Para a maioria de nós, essa plena compreensão não é adquirida de uma vez e provavelmente não estará plenamente completa em nossa jornada terrena. Sabemos, contudo, que ao aprendermos linha sobre linha, nosso apreço pelas contribuições do Salvador continuará a aumentar e nosso conhecimento e a certeza de sua veracidade crescerão.
O Apóstolo Paulo foi enérgico e franco em grande parte de seu ensino e pregação. Ouçam estas palavras conhecidas que descrevem a maioria de nós em nosso esforço e progresso, mas nos deixam conselhos, incentivos e testemunhos de que todos tanto precisamos.
“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” (I Coríntios 13:11–12)
Há muitos anos, o Élder James E. Faust deu este conselho aos que estão tendo dificuldade em adquirir uma plena convicção em seu testemunho de Jesus Cristo e Sua sagrada missão e promessas. Ele disse:
“Para aqueles que sinceramente têm dúvidas, ouçamos o que as testemunhas oculares têm a dizer a respeito de Jesus de Nazaré. Os antigos apóstolos estavam lá. Eles viram tudo. Participaram do que aconteceu. Ninguém é mais digno de confiança do que eles. Pedro disse: ‘Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade’. (II Pedro 1:16) João disse: ‘Porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo’. (João 4:42) Joseph Smith e Sidney Rigdon, testemunhas modernas, declararam: ‘Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai’. (D&C 76:23)” (“A Personal Relationship with the Savior,” Ensign, Nov. 1976, 59).
Em nossos próprios dias, recebemos a promessa de que o Senhor tem muitas dádivas reservadas para aqueles “que [O] amam e guardam todos os [Seus] mandamentos” e aqueles “que procuram assim fazer”. (D&C 46:9) Embora nem todos os dons de Deus sejam concedidos a todas as pessoas, temos a garantia de que “a cada [pessoa] é dado um dom pelo Espírito de Deus”. (D&C 46:11)
Ouçam as palavras da seção 46 de Doutrina e Convênios que falam da coisa ou dádiva mais importante de todas.
“A alguns é dado saber, pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que foi crucificado pelos pecados do mundo.
A outros é dado crer nas palavras deles, para que tenham também vida eterna se permanecerem fiéis.” (D&C 46:13–14)
É esse conhecimento e testemunho do Cristo vivo que nos permitem estar constantemente receptivos ao conselho de Pedro, que disse que precisamos estar sempre “preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (I Pedro 3:15)
Quando começamos a sentir realmente que essa esperança é real e que está de fato centralizada em Jesus, sendo possível por causa de Seu amor por nós e especialmente por Seu amor pelo Pai, então poderemos individualmente proclamar com gratidão, usando as palavras de um hino favorito: “Assombro me causa o amor que me dá Jesus”. (Hinos no 112) De igual modo, à medida que nossa compreensão cresce, somos levados a exclamar: “Canta minha alma, então a ti, Senhor, Grandioso és tu, grandioso és tu!” (Hinos, no 43)
Quão grato sou, nestes tempos trabalhosos, pela proteção e orientação que nos são dadas pela sagrada certeza de que Jesus Cristo vive hoje, em nome de Jesus Cristo. Amém.
sábado, 10 de setembro de 2011
Convite à Coragem
PRESIDENTE THOMAS S. MONSON
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência
Tenhamos coragem de discordar do consenso geral, a coragem de manter nossos princípios. A coragem, e não as concessões, recebe o sorriso de aprovação de Deus.
Irmãos, vocês são uma visão inspiradora. É assombroso lembrar que em milhares de capelas espalhadas pelo mundo inteiro neste instante, outros portadores do sacerdócio de Deus como vocês estão recebendo esta transmissão via satélite. Vocês têm nacionalidades diferentes e diversos idiomas, mas um laço comum nos une. Foi-nos confiado o sacerdócio para agirmos em nome de Deus. Temos uma responsabilidade sagrada. Muito é esperado de nós.
Há muito tempo, o renomado escritor Charles Dickens escreveu a respeito das oportunidades que nos aguardam. Em sua obra clássica intitulada As Grandes Esperanças, Dickens descreve um rapaz chamado Philip Pirrip, mais conhecido como “Pip”. Pip nasceu em circunstâncias incomuns. Ele é órfão. Desejava de todo o coração ter estudos e ser um cavalheiro. Mas todas as suas ambições e esperanças pareciam destinadas ao fracasso. Será que vocês, rapazes, às vezes se sentem assim? Será que alguns dos mais idosos também têm esse mesmo tipo de pensamento?
Então, certo dia, um advogado de Londres chamado Jaggers procurou o pequeno Pip e disse que um benfeitor desconhecido lhe deixara uma fortuna. O advogado colocou os braços em torno dos ombros de Pip e disse: “Meu rapaz, grandes coisas o aguardam”.
Nesta noite, ao olhar para vocês, rapazes, e dar-me conta de quem vocês são e o que podem vir a ser, declaro: “Grandes coisas os aguardam”. Não como resultado do legado de um benfeitor desconhecido, mas de um Benfeitor conhecido, sim, o nosso Pai Celestial, e espera-se grandes coisas de vocês.
A jornada da vida não é uma via expressa livre de obstáculos, armadilhas e ciladas. Na verdade, ela é um caminho marcado por encruzilhadas e retornos. Temos constantemente que tomar decisões. Para fazê-lo de modo sábio, precisamos de coragem: A coragem de dizer “não”, a coragem de dizer “sim”. As decisões determinam nosso futuro.
Somos constantemente conclamados a ter coragem. Sempre foi assim, e sempre será assim.
A coragem de um líder militar foi registrada por um jovem oficial da infantaria que vestia o uniforme cinza da Confederação, durante a Guerra Civil Americana. Ele descreve a influência do General J. E. B. Stuart com as seguintes palavras:
“Num momento crítico da batalha, ele apontou a mão para o inimigo e gritou: ‘Em frente, homens. Em frente! Venham atrás de mim!’
Com coragem e determinação eles [o seguiram] como uma torrente violenta, e o objetivo foi conquistado e mantido”.1
Antes disso, numa terra distante, outro líder fez o mesmo pedido: “Vinde após mim”.2 Ele não era um general do exército. Na verdade, Ele era o Príncipe da Paz, o Filho de Deus. Aqueles que O seguiram na época e aqueles que O seguem hoje conquistam uma vitória muito mais importante, que tem conseqüências eternas. A necessidade de coragem é constante.
As santas escrituras retratam a evidência dessa verdade. José, o filho de Jacó, o mesmo que foi vendido para o Egito, mostrou a firme resolução da coragem quando estava diante da mulher de Potifar, que tentara seduzi-lo, declarando: “Como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? E não lhe dando ele ouvidos (…) saiu para fora”.3
Em nossos dias, um pai aplicou esse exemplo de coragem à vida de seus filhos, declarando: “Se perceberem que estão onde não deviam estar, saiam dali!”
Como podemos deixar de sentir-nos inspirados pela vida dos 2.000 jovens guerreiros de Helamã que ensinaram e demonstraram a necessidade da coragem para seguirem os ensinamentos dos pais, a coragem de serem castos e puros?4
Talvez todos esses relatos culminem com o exemplo de Morôni, que teve a coragem de perseverar até o fim em retidão.5
Todos somos fortalecidos pelas palavras de Moisés: “Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, (…) porque o Senhor teu Deus é o que vai contigo; não te deixará nem te desamparará”.6 Ele não os deixou. Não os desamparou. Não os abandonou. E também não nos desamparará.
Essa doce certeza pode guiar todos nós em nossa época, em nossos dias, em nossa vida. Evidentemente teremos que enfrentar o temor, a ridicularização e a oposição. Tenhamos coragem de discordar do consenso geral, a coragem de manter nossos princípios. A coragem, e não as concessões, recebe o sorriso de aprovação de Deus. A coragem se torna uma virtude viva e atraente se for considerada não apenas como a disposição de morrer com honra, mas a determinação de viver decentemente. Um covarde moral é aquele que tem medo de fazer o que acha que é certo porque os outros irão desaprovar ou rir dele. Lembrem-se de que todos os homens têm seus medos, mas aqueles que enfrentam o temor com dignidade também são corajosos.
Gostaria de compartilhar um exemplo do serviço militar tirado da minha cronologia pessoal de coragem.
Entrar na Marinha dos Estados Unidos nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial foi uma experiência difícil para mim. Fiquei sabendo de atos de bravura e exemplos de coragem. Um dos mais memoráveis foi a serena coragem de um marinheiro de dezoito anos que não era da nossa Igreja e não era orgulhoso demais para orar. Dentre os 250 homens da companhia, ele era o único que se ajoelhava todas as noites ao lado de sua cama, muitas vezes em meio às zombarias dos curiosos e descrentes, e inclinava a cabeça para orar a Deus. Ele nunca deixou de fazê-lo. Nunca vacilou. Ele tinha coragem.
Gosto muito das palavras da poetisa Ella Wheeler Wilcox:
É muito fácil ser alegre
Quando a vida flui como uma canção,
Mas o homem de valor é aquele que sorri
Quando tudo dá errado na vida.7
Um homem assim foi Paul Tingey. Há apenas um mês estive em seu funeral aqui em Salt Lake City. Paul foi criado num excelente lar SUD e serviu em uma missão honrosa para o Senhor, na Alemanha. O Élder Bruce D. Porter, do Primeiro Quórum dos Setenta foi companheiro dele no campo missionário. O Élder Porter descreveu o Élder Tingey como um dos mais dedicados e bem-sucedidos missionários que ele conheceu.
Ao terminar a missão, o Élder Tingey voltou para casa, concluiu seus estudos na universidade, casou-se com sua namorada e juntos criaram sua família. Ele serviu como bispo e teve sucesso em sua carreira profissional.
Então, sem aviso, os sintomas de uma terrível doença acometeram seu sistema nervoso: a esclerose múltipla. Incapacitado pela enfermidade, Paul Tingey lutou valentemente, mas acabou confinado a uma casa de repouso pelo resto de sua vida. Lá ele animava os tristes e fazia todos sentirem-se felizes.8 Sempre que assisti uma reunião da Igreja ali, Paul elevou meu espírito, como fazia com todos.
Quando as Olimpíadas foram realizadas em Salt Lake City, em 2002, Paul foi escolhido para carregar a tocha olímpica por uma distância especificada. Quando isso foi anunciado na casa de repouso, ouviram-se aplausos dos pacientes ali reunidos ecoando vigorosamente por todo o prédio. Quando fui cumprimentar o Paul, ele disse com sua fala dificultada: “Espero que eu não derrube a tocha!”
Irmãos, Paul Tingey não derrubou a tocha olímpica. E mais, ele carregou bravamente a tocha que lhe foi entregue em sua vida, fazendo isso até o dia de sua morte.
Espiritualidade, fé, determinação, coragem: Paul Tingey tinha tudo isso.
Alguém disse que a coragem não é não termos medo, mas, sim, dominarmos esse medo.9 Às vezes, precisamos de coragem para erguer-nos do fracasso e tentar de novo.
Quando eu era adolescente, participei de um jogo de basquete na Igreja. Quando não se sabia quem ganharia o jogo, o técnico me mandou para a quadra, logo após o início do segundo tempo. Peguei um passe, driblei a bola até o garrafão e fiz um arremesso. Assim que a bola saiu da minha mão, dei-me conta de que os jogadores adversários não tentaram impedir a minha jogada: Eu estava arremessando para a cesta errada! Fiz uma oração em silêncio. “Por favor, Pai, não deixe que a bola entre.” A bola circundou o aro e caiu para fora.
Ouviu-se então a torcida gritar: “Queremos Monson, queremos Monson, queremos Monson — fora do jogo!” O técnico fez a vontade da torcida.
Muitos anos depois, como membro do Conselho dos Doze, acompanhei outras Autoridades Gerais numa visita a uma capela recém-construída na qual, como experiência, estávamos instalando um tipo de carpete no piso da quadra de esportes.
Enquanto várias pessoas estavam examinando o piso, o Bispo J. Richard Clarke, que na época estava servindo no Bispado Presidente, jogou de repente a bola de basquete para mim e lançou-me um desafio: “Acho que você não consegue acertar a cesta de onde você está!”
Eu estava um pouco atrás de onde hoje ficaria a linha dos três pontos num jogo profissional. Nunca tinha acertado uma cesta daquela distância em toda a minha vida. O Élder Mark E. Petersen, do Quórum dos Doze, disse para os outros: “Acho que ele consegue!”
Meus pensamentos se voltaram para a vergonha que passei quando jovem, ao arremessar a bola para a cesta errada. Mesmo assim, mirei a cesta e fiz meu arremesso. E acertei!
Jogando a bola na minha direção, o Bispo Clarke lançou-me outro desafio: “Acho que você não consegue fazer isso de novo!”
O Élder Peterson então disse: “É claro que ele consegue!”
As palavras do poeta ecoaram em meu coração: “Conduz-nos, oh conduz-nos, Grande Moldador de homens; para fora das trevas a fim de nos esforçarmos novamente”.10 Arremessei a bola. Ela subiu bem alto e caiu bem no meio da cesta.
Isso concluiu a visita de inspeção.
No almoço, o Élder Petersen me disse: “Sabe, você poderia ter sido um atleta da NBA”.
Vencer ou perder no basquete é algo que perde a importância ao contemplarmos nossos deveres como portadores do sacerdócio de Deus, tanto o Sacerdócio Aarônico quanto o de Melquisedeque. Temos o solene dever de preparar-nos pelo cumprimento dos mandamentos do Senhor e de atender aos chamados que recebemos para servi-Lo.
Nós, que fomos ordenados ao sacerdócio de Deus, podemos fazer coisas que terão conseqüências eternas. Se nos qualificarmos para receber a ajuda do Senhor, podemos educar rapazes, aperfeiçoar homens e realizar milagres em Seu santo serviço. Nossas oportunidades são ilimitadas.
Embora nossa tarefa pareça muito grande, somos fortalecidos por esta verdade: “A maior potência deste mundo atual é o poder de Deus agindo por meio do homem”. Se estivermos cumprindo aquilo que o Senhor nos ordenou, temos o direito de receber Sua ajuda. Esse auxílio divino, contudo, depende de nossa dignidade. Para navegarmos nos mares da mortalidade, para realizarmos uma missão de resgate de vidas humanas, precisamos da orientação Daquele eterno homem do mar, sim, o grande Jeová. Precisamos erguer os olhos e estender as mãos para o alto para recebermos auxílio do céu.
Será que as mãos que estendemos estão limpas? Será que nosso coração ansioso está puro? Revendo as páginas da história, encontramos uma lição sobre dignidade nas palavras do rei Dario em seu leito de morte. De acordo com os devidos ritos, Dario tinha sido reconhecido como o legítimo rei do Egito. Seu rival, Alexandre, o Grande, tinha sido declarado filho legítimo de Amon. Ele também era Faraó. Quando Alexandre encontrou Dario às portas da morte, colocou as mãos sobre a cabeça dele para curá-lo, ordenando que se erguesse e assumisse o seu poder real, dizendo: “Juro-te, Dario, por todos os deuses que faço estas coisas com sinceridade e sem falsidade”. Dario respondeu com uma gentil repreensão: “Alexandre, meu rapaz, (…) achas que podes tocar o céu com essas tuas mãos?”11
Irmãos, à medida que aprendermos nosso dever e magnificarmos os chamados que recebemos, o Senhor irá guiar-nos em nosso trabalho e tocar o coração das pessoas a quem servimos.
Há muitos anos, quando eu visitava uma viúva idosa chamada Mattie, que eu conhecia havia muito tempo, tendo sido seu bispo, meu coração se encheu de tristeza ao vê-la tão solitária. Um filho querido que morava muito longe não visitava a mãe há vários anos. Mattie passava longas horas em solitária vigília junto à janela da frente. Por trás de uma cortina entreaberta, aquela mãe desapontada dizia para si mesma: “O Dick virá; o Dick virá”.
Mas o Dick não veio. Os anos foram se passando. Então, como se um raio de sol tivesse entrado na vida de Dick, que tinha sido um de meus rapazes do Sacerdócio Aarônico, ele voltou a ser ativo na Igreja quando foi morar em Houston, Texas, bem longe de sua mãe. Ele viajou até Salt Lake para falar comigo. Telefonou-me quando chegou e com muito entusiasmo contou-me como sua vida tinha mudado. Perguntou-me se eu teria tempo de recebê-lo se fosse diretamente para meu escritório. Minha resposta foi cheia de alegria. Mas eu disse: “Dick, vá visitar sua mãe primeiro e depois venha me ver”. Ele atendeu alegremente o meu pedido.
Antes que ele chegasse a meu escritório, recebi um telefonema de Mattie, a mãe dele. Com o coração cheio de alegria ela disse, em meio às lágrimas: “Bispo, eu sabia que Dick viria. Eu lhe disse que ele viria. Eu o vi pela janela”.
Há poucos anos, no funeral de Mattie, Dick e eu conversamos ternamente sobre aquela ocasião. Tínhamos testemunhado um pequeno vislumbre do poder curativo de Deus através da janela da fé que uma mãe tinha em seu filho.
O tempo segue sua marcha. O dever acompanha essa marcha. O dever não diminui com o tempo. Conflitos catastróficos vêm e vão, mas a guerra pela alma dos homens prossegue sem cessar. Como um chamado de trombeta a palavra do Senhor vem a todos nós, portadores do sacerdócio: “Portanto agora todo homem aprenda seu dever e a agir no ofício para o qual for designado com toda diligência”.12
Que tenhamos a coragem de fazer isso, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência
Tenhamos coragem de discordar do consenso geral, a coragem de manter nossos princípios. A coragem, e não as concessões, recebe o sorriso de aprovação de Deus.
Irmãos, vocês são uma visão inspiradora. É assombroso lembrar que em milhares de capelas espalhadas pelo mundo inteiro neste instante, outros portadores do sacerdócio de Deus como vocês estão recebendo esta transmissão via satélite. Vocês têm nacionalidades diferentes e diversos idiomas, mas um laço comum nos une. Foi-nos confiado o sacerdócio para agirmos em nome de Deus. Temos uma responsabilidade sagrada. Muito é esperado de nós.
Há muito tempo, o renomado escritor Charles Dickens escreveu a respeito das oportunidades que nos aguardam. Em sua obra clássica intitulada As Grandes Esperanças, Dickens descreve um rapaz chamado Philip Pirrip, mais conhecido como “Pip”. Pip nasceu em circunstâncias incomuns. Ele é órfão. Desejava de todo o coração ter estudos e ser um cavalheiro. Mas todas as suas ambições e esperanças pareciam destinadas ao fracasso. Será que vocês, rapazes, às vezes se sentem assim? Será que alguns dos mais idosos também têm esse mesmo tipo de pensamento?
Então, certo dia, um advogado de Londres chamado Jaggers procurou o pequeno Pip e disse que um benfeitor desconhecido lhe deixara uma fortuna. O advogado colocou os braços em torno dos ombros de Pip e disse: “Meu rapaz, grandes coisas o aguardam”.
Nesta noite, ao olhar para vocês, rapazes, e dar-me conta de quem vocês são e o que podem vir a ser, declaro: “Grandes coisas os aguardam”. Não como resultado do legado de um benfeitor desconhecido, mas de um Benfeitor conhecido, sim, o nosso Pai Celestial, e espera-se grandes coisas de vocês.
A jornada da vida não é uma via expressa livre de obstáculos, armadilhas e ciladas. Na verdade, ela é um caminho marcado por encruzilhadas e retornos. Temos constantemente que tomar decisões. Para fazê-lo de modo sábio, precisamos de coragem: A coragem de dizer “não”, a coragem de dizer “sim”. As decisões determinam nosso futuro.
Somos constantemente conclamados a ter coragem. Sempre foi assim, e sempre será assim.
A coragem de um líder militar foi registrada por um jovem oficial da infantaria que vestia o uniforme cinza da Confederação, durante a Guerra Civil Americana. Ele descreve a influência do General J. E. B. Stuart com as seguintes palavras:
“Num momento crítico da batalha, ele apontou a mão para o inimigo e gritou: ‘Em frente, homens. Em frente! Venham atrás de mim!’
Com coragem e determinação eles [o seguiram] como uma torrente violenta, e o objetivo foi conquistado e mantido”.1
Antes disso, numa terra distante, outro líder fez o mesmo pedido: “Vinde após mim”.2 Ele não era um general do exército. Na verdade, Ele era o Príncipe da Paz, o Filho de Deus. Aqueles que O seguiram na época e aqueles que O seguem hoje conquistam uma vitória muito mais importante, que tem conseqüências eternas. A necessidade de coragem é constante.
As santas escrituras retratam a evidência dessa verdade. José, o filho de Jacó, o mesmo que foi vendido para o Egito, mostrou a firme resolução da coragem quando estava diante da mulher de Potifar, que tentara seduzi-lo, declarando: “Como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? E não lhe dando ele ouvidos (…) saiu para fora”.3
Em nossos dias, um pai aplicou esse exemplo de coragem à vida de seus filhos, declarando: “Se perceberem que estão onde não deviam estar, saiam dali!”
Como podemos deixar de sentir-nos inspirados pela vida dos 2.000 jovens guerreiros de Helamã que ensinaram e demonstraram a necessidade da coragem para seguirem os ensinamentos dos pais, a coragem de serem castos e puros?4
Talvez todos esses relatos culminem com o exemplo de Morôni, que teve a coragem de perseverar até o fim em retidão.5
Todos somos fortalecidos pelas palavras de Moisés: “Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, (…) porque o Senhor teu Deus é o que vai contigo; não te deixará nem te desamparará”.6 Ele não os deixou. Não os desamparou. Não os abandonou. E também não nos desamparará.
Essa doce certeza pode guiar todos nós em nossa época, em nossos dias, em nossa vida. Evidentemente teremos que enfrentar o temor, a ridicularização e a oposição. Tenhamos coragem de discordar do consenso geral, a coragem de manter nossos princípios. A coragem, e não as concessões, recebe o sorriso de aprovação de Deus. A coragem se torna uma virtude viva e atraente se for considerada não apenas como a disposição de morrer com honra, mas a determinação de viver decentemente. Um covarde moral é aquele que tem medo de fazer o que acha que é certo porque os outros irão desaprovar ou rir dele. Lembrem-se de que todos os homens têm seus medos, mas aqueles que enfrentam o temor com dignidade também são corajosos.
Gostaria de compartilhar um exemplo do serviço militar tirado da minha cronologia pessoal de coragem.
Entrar na Marinha dos Estados Unidos nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial foi uma experiência difícil para mim. Fiquei sabendo de atos de bravura e exemplos de coragem. Um dos mais memoráveis foi a serena coragem de um marinheiro de dezoito anos que não era da nossa Igreja e não era orgulhoso demais para orar. Dentre os 250 homens da companhia, ele era o único que se ajoelhava todas as noites ao lado de sua cama, muitas vezes em meio às zombarias dos curiosos e descrentes, e inclinava a cabeça para orar a Deus. Ele nunca deixou de fazê-lo. Nunca vacilou. Ele tinha coragem.
Gosto muito das palavras da poetisa Ella Wheeler Wilcox:
É muito fácil ser alegre
Quando a vida flui como uma canção,
Mas o homem de valor é aquele que sorri
Quando tudo dá errado na vida.7
Um homem assim foi Paul Tingey. Há apenas um mês estive em seu funeral aqui em Salt Lake City. Paul foi criado num excelente lar SUD e serviu em uma missão honrosa para o Senhor, na Alemanha. O Élder Bruce D. Porter, do Primeiro Quórum dos Setenta foi companheiro dele no campo missionário. O Élder Porter descreveu o Élder Tingey como um dos mais dedicados e bem-sucedidos missionários que ele conheceu.
Ao terminar a missão, o Élder Tingey voltou para casa, concluiu seus estudos na universidade, casou-se com sua namorada e juntos criaram sua família. Ele serviu como bispo e teve sucesso em sua carreira profissional.
Então, sem aviso, os sintomas de uma terrível doença acometeram seu sistema nervoso: a esclerose múltipla. Incapacitado pela enfermidade, Paul Tingey lutou valentemente, mas acabou confinado a uma casa de repouso pelo resto de sua vida. Lá ele animava os tristes e fazia todos sentirem-se felizes.8 Sempre que assisti uma reunião da Igreja ali, Paul elevou meu espírito, como fazia com todos.
Quando as Olimpíadas foram realizadas em Salt Lake City, em 2002, Paul foi escolhido para carregar a tocha olímpica por uma distância especificada. Quando isso foi anunciado na casa de repouso, ouviram-se aplausos dos pacientes ali reunidos ecoando vigorosamente por todo o prédio. Quando fui cumprimentar o Paul, ele disse com sua fala dificultada: “Espero que eu não derrube a tocha!”
Irmãos, Paul Tingey não derrubou a tocha olímpica. E mais, ele carregou bravamente a tocha que lhe foi entregue em sua vida, fazendo isso até o dia de sua morte.
Espiritualidade, fé, determinação, coragem: Paul Tingey tinha tudo isso.
Alguém disse que a coragem não é não termos medo, mas, sim, dominarmos esse medo.9 Às vezes, precisamos de coragem para erguer-nos do fracasso e tentar de novo.
Quando eu era adolescente, participei de um jogo de basquete na Igreja. Quando não se sabia quem ganharia o jogo, o técnico me mandou para a quadra, logo após o início do segundo tempo. Peguei um passe, driblei a bola até o garrafão e fiz um arremesso. Assim que a bola saiu da minha mão, dei-me conta de que os jogadores adversários não tentaram impedir a minha jogada: Eu estava arremessando para a cesta errada! Fiz uma oração em silêncio. “Por favor, Pai, não deixe que a bola entre.” A bola circundou o aro e caiu para fora.
Ouviu-se então a torcida gritar: “Queremos Monson, queremos Monson, queremos Monson — fora do jogo!” O técnico fez a vontade da torcida.
Muitos anos depois, como membro do Conselho dos Doze, acompanhei outras Autoridades Gerais numa visita a uma capela recém-construída na qual, como experiência, estávamos instalando um tipo de carpete no piso da quadra de esportes.
Enquanto várias pessoas estavam examinando o piso, o Bispo J. Richard Clarke, que na época estava servindo no Bispado Presidente, jogou de repente a bola de basquete para mim e lançou-me um desafio: “Acho que você não consegue acertar a cesta de onde você está!”
Eu estava um pouco atrás de onde hoje ficaria a linha dos três pontos num jogo profissional. Nunca tinha acertado uma cesta daquela distância em toda a minha vida. O Élder Mark E. Petersen, do Quórum dos Doze, disse para os outros: “Acho que ele consegue!”
Meus pensamentos se voltaram para a vergonha que passei quando jovem, ao arremessar a bola para a cesta errada. Mesmo assim, mirei a cesta e fiz meu arremesso. E acertei!
Jogando a bola na minha direção, o Bispo Clarke lançou-me outro desafio: “Acho que você não consegue fazer isso de novo!”
O Élder Peterson então disse: “É claro que ele consegue!”
As palavras do poeta ecoaram em meu coração: “Conduz-nos, oh conduz-nos, Grande Moldador de homens; para fora das trevas a fim de nos esforçarmos novamente”.10 Arremessei a bola. Ela subiu bem alto e caiu bem no meio da cesta.
Isso concluiu a visita de inspeção.
No almoço, o Élder Petersen me disse: “Sabe, você poderia ter sido um atleta da NBA”.
Vencer ou perder no basquete é algo que perde a importância ao contemplarmos nossos deveres como portadores do sacerdócio de Deus, tanto o Sacerdócio Aarônico quanto o de Melquisedeque. Temos o solene dever de preparar-nos pelo cumprimento dos mandamentos do Senhor e de atender aos chamados que recebemos para servi-Lo.
Nós, que fomos ordenados ao sacerdócio de Deus, podemos fazer coisas que terão conseqüências eternas. Se nos qualificarmos para receber a ajuda do Senhor, podemos educar rapazes, aperfeiçoar homens e realizar milagres em Seu santo serviço. Nossas oportunidades são ilimitadas.
Embora nossa tarefa pareça muito grande, somos fortalecidos por esta verdade: “A maior potência deste mundo atual é o poder de Deus agindo por meio do homem”. Se estivermos cumprindo aquilo que o Senhor nos ordenou, temos o direito de receber Sua ajuda. Esse auxílio divino, contudo, depende de nossa dignidade. Para navegarmos nos mares da mortalidade, para realizarmos uma missão de resgate de vidas humanas, precisamos da orientação Daquele eterno homem do mar, sim, o grande Jeová. Precisamos erguer os olhos e estender as mãos para o alto para recebermos auxílio do céu.
Será que as mãos que estendemos estão limpas? Será que nosso coração ansioso está puro? Revendo as páginas da história, encontramos uma lição sobre dignidade nas palavras do rei Dario em seu leito de morte. De acordo com os devidos ritos, Dario tinha sido reconhecido como o legítimo rei do Egito. Seu rival, Alexandre, o Grande, tinha sido declarado filho legítimo de Amon. Ele também era Faraó. Quando Alexandre encontrou Dario às portas da morte, colocou as mãos sobre a cabeça dele para curá-lo, ordenando que se erguesse e assumisse o seu poder real, dizendo: “Juro-te, Dario, por todos os deuses que faço estas coisas com sinceridade e sem falsidade”. Dario respondeu com uma gentil repreensão: “Alexandre, meu rapaz, (…) achas que podes tocar o céu com essas tuas mãos?”11
Irmãos, à medida que aprendermos nosso dever e magnificarmos os chamados que recebemos, o Senhor irá guiar-nos em nosso trabalho e tocar o coração das pessoas a quem servimos.
Há muitos anos, quando eu visitava uma viúva idosa chamada Mattie, que eu conhecia havia muito tempo, tendo sido seu bispo, meu coração se encheu de tristeza ao vê-la tão solitária. Um filho querido que morava muito longe não visitava a mãe há vários anos. Mattie passava longas horas em solitária vigília junto à janela da frente. Por trás de uma cortina entreaberta, aquela mãe desapontada dizia para si mesma: “O Dick virá; o Dick virá”.
Mas o Dick não veio. Os anos foram se passando. Então, como se um raio de sol tivesse entrado na vida de Dick, que tinha sido um de meus rapazes do Sacerdócio Aarônico, ele voltou a ser ativo na Igreja quando foi morar em Houston, Texas, bem longe de sua mãe. Ele viajou até Salt Lake para falar comigo. Telefonou-me quando chegou e com muito entusiasmo contou-me como sua vida tinha mudado. Perguntou-me se eu teria tempo de recebê-lo se fosse diretamente para meu escritório. Minha resposta foi cheia de alegria. Mas eu disse: “Dick, vá visitar sua mãe primeiro e depois venha me ver”. Ele atendeu alegremente o meu pedido.
Antes que ele chegasse a meu escritório, recebi um telefonema de Mattie, a mãe dele. Com o coração cheio de alegria ela disse, em meio às lágrimas: “Bispo, eu sabia que Dick viria. Eu lhe disse que ele viria. Eu o vi pela janela”.
Há poucos anos, no funeral de Mattie, Dick e eu conversamos ternamente sobre aquela ocasião. Tínhamos testemunhado um pequeno vislumbre do poder curativo de Deus através da janela da fé que uma mãe tinha em seu filho.
O tempo segue sua marcha. O dever acompanha essa marcha. O dever não diminui com o tempo. Conflitos catastróficos vêm e vão, mas a guerra pela alma dos homens prossegue sem cessar. Como um chamado de trombeta a palavra do Senhor vem a todos nós, portadores do sacerdócio: “Portanto agora todo homem aprenda seu dever e a agir no ofício para o qual for designado com toda diligência”.12
Que tenhamos a coragem de fazer isso, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
A Busca do Homem pela Verdade Divina
Élder Charles Didier
Da Presidência dos Setenta
Seguir o padrão do Senhor de ouvir e atender à verdade divina os ajudará a edificar um alicerce espiritual pessoal e a determinar o que vocês se tornarão.
Nesta imensa congregação, esta noite, há três convidados especiais — três velhos e queridos amigos de escola. Eles fizeram a longa viagem desde a Bélgica, meu país natal, para estar aqui e comemorar os cinqüenta anos de nossa formatura no ensino médio e participar desta conferência. A eles, a vocês portadores do sacerdócio, e especialmente a vocês rapazes, que estão-se preparando para ser missionários, dedico esta mensagem. Ela refere-se à busca do homem pela verdade divina. Uma vez encontrada, ela deve ser colocada em prática neste mundo, onde há cada vez mais confusão religiosa e decadência moral. Ela precisa tornar-se o nosso alicerce espiritual pessoal que nos levará a viver de acordo com os princípios da retidão. Tal como disse o Senhor: “Em retidão serás estabelecida” (3 Néfi 22:14).
Onde encontrar a verdade divina? Ela está em “ouvir a voz do Senhor, ouvir a voz de seus servos e atender às palavras dos profetas e apóstolos” (ver D&C 1:14). Ouvir e atender. Ouvir é relativamente simples. Atender e colocar em prática o que foi ouvido é o constante desafio da vida.
Em primeiro lugar, ouçam a voz do Senhor. A comunicação do Senhor referente à verdade divina ou conhecimento espiritual se encontra nas escrituras. Chama-se revelação, que significa literalmente “tornar conhecido ou descobrir” (Bible Dictionary, “Revelation”, p. 762). Ela é dada para que “compreendamos e saibamos como adorar e saibamos o que adorar” (ver D&C 93:19). O Élder Neal A. Maxwell disse: “Somente com revelação podemos fazer o trabalho do Senhor de acordo com a vontade Dele, à maneira Dele e de acordo com a escolha Dele do momento certo” (“Revelação”, Primeira Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, janeiro de 2003, p. 5). “Sem revelação, tudo seriam conjecturas, trevas e confusão” (Bible Dictionary, p. 762).
Em segundo lugar, ouçam a voz de Seus servos. A revelação ou a verdade divina é transmitida pela vontade do Senhor a Seus servos, de diversas maneiras e em diferentes ocasiões, e também se encontra nas escrituras. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Em terceiro lugar, atendam às palavras dos profetas e apóstolos. Atender é prestar especial atenção. É ouvir aqueles que foram chamados por Deus para serem testemunhas especiais vivas de Jesus Cristo em nossos dias. Significa reconhecermos o papel dos profetas, recebermos uma resposta referente ao convite feito por eles, termos a confirmação espiritual pessoal da verdade de seus ensinamentos e assumirmos o compromisso de segui-los.
Em resumo, o Senhor tem um padrão para transmitir a verdade divina aos profetas para guiar-nos e abençoar-nos em meio aos desafios e males da vida: Ouvir e atender. Nosso alicerce espiritual pessoal precisa ser edificado sobre esse padrão, se quisermos desfrutar as bênçãos do Senhor. Portanto, não é suficiente examinar as escrituras para conhecer a mente do Senhor. Isso precisa ser seguido de um ato de fé em que aceitamos fazer a vontade do Senhor pela obediência a Seus mandamentos, antes de podermos desfrutar as bênçãos que Ele nos dá. A confirmação espiritual pessoal desse processo, em que pedimos e acreditamos que receberemos, é a oração mais importante de nossa vida.
Na verdade, a comunicação da verdade divina pode ser resumida em três palavras: revelação, mandamentos e bênçãos. Contudo, será um desafio para toda a vida ouvir primeiro e depois atender a voz do Senhor e de Seus servos. Por quê? “Porque o homem natural é inimigo de Deus (…) e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito” (Mosias 3:19). A preparação espiritual é um pré-requisito para recebermos impressões espirituais pessoais. O restante do versículo diz que precisamos tornar-nos “santo[s] pela expiação de Cristo, o Senhor”, e também tornar-nos “como uma criança”, submissos, mansos, humildes, pacientes, cheios de amor, dispostos a submeter-nos à vontade do Senhor, ou seja, a Seus mandamentos. Então, o Senhor disse que: “quando recebemos uma bênção (…), é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:21).
Procuremos compreender esse padrão por meio de um exemplo recente do processo de ouvir e depois atender às palavras dos profetas e apóstolos de nossos dias. A Primeira Presidência recentemente convidou todos os membros da Igreja a lerem, antes do fim do ano, o Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo, O desafio terminou com uma promessa: “[Vocês] serão abençoados com mais do Espírito do Senhor, uma determinação mais firme de obedecer a Seus mandamentos e um testemunho mais forte da realidade viva do Filho de Deus” (Carta da Primeira Presidência, 25 de julho de 2005).
Por que precisamos aumentar nosso testemunho da realidade viva do Filho de Deus como se encontra no Livro de Mórmon? Existe hoje muita confusão no mundo cristão a respeito da doutrina de Cristo — não apenas sobre Sua natureza divina, mas até sobre a Expiação e Ressurreição, o evangelho e especialmente os mandamentos relacionados ao evangelho. O resultado é a crença num Cristo criado pelo homem, um Cristo popular e um Cristo calado e crucificado. Crenças religiosas erradas conduzem a um comportamento religioso errado.
Um alicerce espiritual pessoal pode e precisa depender de uma confirmação espiritual pessoal dada pelo Espírito Santo da realidade viva de Jesus Cristo, dos profetas e das escrituras que contêm as revelações do Senhor. Mais especificamente, a realidade viva de Cristo está associada à Restauração de Seu evangelho e sua mensagem de que “Jesus Cristo é o Salvador do mundo, que Joseph Smith é o seu revelador e profeta nestes últimos dias e que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o reino do Senhor restabelecido na Terra” (Introdução do Livro de Mórmon).
Essa confirmação espiritual pelo poder do Espírito Santo é dada de acordo com as condições do Senhor a todos que estejam dispostos a pedir com fé, acreditando que podem receber uma resposta por meio desse poder. Começa quando ouvimos a voz do Senhor, de Seus Servos, Seus profetas e apóstolos, e continua quando atendemos às palavras deles. O conhecimento espiritual da Restauração é uma questão de fé.
Gostaria de contar como foi minha própria experiência como converso, para exemplificar esse processo espiritual. Quando os missionários chegaram à nossa casa, tive o desejo de ouvir a mensagem da Restauração do evangelho. Fui motivado acima de tudo pela curiosidade. Ao ir para a Igreja, ouvi e recebi mais conhecimento espiritual. Foi interessante e gostei do que ouvi, mas faltava o essencial: Atender. Tive que edificar um alicerce espiritual pessoal sobre a viva realidade de Cristo e a confirmação de que Joseph Smith foi o profeta da Restauração. Essa confirmação só chegou quando atendi e coloquei a fé à prova que começava a ter no Livro de Mórmon, a prova física da revelação moderna.
Contudo, não foi suficiente adquirir esse conhecimento; foi preciso então o compromisso de transformar minha fé em certeza de que o Livro de Mórmon era verdadeiro e que, portanto, Joseph Smith era um profeta. Nunca questionei minha fé em Cristo. Eu confiava no Senhor e em Suas promessas. Uma paz em minha mente, uma paz interior foi a resposta — não houve mais dúvidas. O alicerce espiritual foi estabelecido e seguiu-se um compromisso de aceitar no coração o convênio do batismo. Depois, veio o dom do Espírito Santo para guiar-me e ajudar-me a tomar decisões dignas para perseverar até o fim. Daí em diante, passei a saber o que fazer de meu futuro nesta vida mortal.
Coloquem a revelação divina à prova. Ouçam a voz do Senhor. Ela é real, pessoal e verdadeira. A razão não substitui nem pode substituir a revelação. Citando o Presidente James E. Faust: “Não deixem que suas dúvidas pessoais os afastem da fonte divina de conhecimento” (“Eu Creio, Senhor! Ajuda a Minha Incredulidade”, A Liahona, novembro de 2003, p. 22).
Coloquem à prova e sintam em sua mente o vigoroso efeito da palavra de Deus, como proferida pelos servos do Senhor (ver Alma 31:5).
Testem, peçam e recebam com fé, depois atendam às palavras dos profetas e apóstolos, e então vocês “receberão uma coroa de vida eterna” (D&C 20:14).
Para terminar, lembrem-se de que seguir o padrão do Senhor de ouvir e atender à verdade divina os ajudará a edificar um alicerce espiritual pessoal e a determinar o que vocês se tornarão nesta vida e na vida futura.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Da Presidência dos Setenta
Seguir o padrão do Senhor de ouvir e atender à verdade divina os ajudará a edificar um alicerce espiritual pessoal e a determinar o que vocês se tornarão.
Nesta imensa congregação, esta noite, há três convidados especiais — três velhos e queridos amigos de escola. Eles fizeram a longa viagem desde a Bélgica, meu país natal, para estar aqui e comemorar os cinqüenta anos de nossa formatura no ensino médio e participar desta conferência. A eles, a vocês portadores do sacerdócio, e especialmente a vocês rapazes, que estão-se preparando para ser missionários, dedico esta mensagem. Ela refere-se à busca do homem pela verdade divina. Uma vez encontrada, ela deve ser colocada em prática neste mundo, onde há cada vez mais confusão religiosa e decadência moral. Ela precisa tornar-se o nosso alicerce espiritual pessoal que nos levará a viver de acordo com os princípios da retidão. Tal como disse o Senhor: “Em retidão serás estabelecida” (3 Néfi 22:14).
Onde encontrar a verdade divina? Ela está em “ouvir a voz do Senhor, ouvir a voz de seus servos e atender às palavras dos profetas e apóstolos” (ver D&C 1:14). Ouvir e atender. Ouvir é relativamente simples. Atender e colocar em prática o que foi ouvido é o constante desafio da vida.
Em primeiro lugar, ouçam a voz do Senhor. A comunicação do Senhor referente à verdade divina ou conhecimento espiritual se encontra nas escrituras. Chama-se revelação, que significa literalmente “tornar conhecido ou descobrir” (Bible Dictionary, “Revelation”, p. 762). Ela é dada para que “compreendamos e saibamos como adorar e saibamos o que adorar” (ver D&C 93:19). O Élder Neal A. Maxwell disse: “Somente com revelação podemos fazer o trabalho do Senhor de acordo com a vontade Dele, à maneira Dele e de acordo com a escolha Dele do momento certo” (“Revelação”, Primeira Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, janeiro de 2003, p. 5). “Sem revelação, tudo seriam conjecturas, trevas e confusão” (Bible Dictionary, p. 762).
Em segundo lugar, ouçam a voz de Seus servos. A revelação ou a verdade divina é transmitida pela vontade do Senhor a Seus servos, de diversas maneiras e em diferentes ocasiões, e também se encontra nas escrituras. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Em terceiro lugar, atendam às palavras dos profetas e apóstolos. Atender é prestar especial atenção. É ouvir aqueles que foram chamados por Deus para serem testemunhas especiais vivas de Jesus Cristo em nossos dias. Significa reconhecermos o papel dos profetas, recebermos uma resposta referente ao convite feito por eles, termos a confirmação espiritual pessoal da verdade de seus ensinamentos e assumirmos o compromisso de segui-los.
Em resumo, o Senhor tem um padrão para transmitir a verdade divina aos profetas para guiar-nos e abençoar-nos em meio aos desafios e males da vida: Ouvir e atender. Nosso alicerce espiritual pessoal precisa ser edificado sobre esse padrão, se quisermos desfrutar as bênçãos do Senhor. Portanto, não é suficiente examinar as escrituras para conhecer a mente do Senhor. Isso precisa ser seguido de um ato de fé em que aceitamos fazer a vontade do Senhor pela obediência a Seus mandamentos, antes de podermos desfrutar as bênçãos que Ele nos dá. A confirmação espiritual pessoal desse processo, em que pedimos e acreditamos que receberemos, é a oração mais importante de nossa vida.
Na verdade, a comunicação da verdade divina pode ser resumida em três palavras: revelação, mandamentos e bênçãos. Contudo, será um desafio para toda a vida ouvir primeiro e depois atender a voz do Senhor e de Seus servos. Por quê? “Porque o homem natural é inimigo de Deus (…) e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito” (Mosias 3:19). A preparação espiritual é um pré-requisito para recebermos impressões espirituais pessoais. O restante do versículo diz que precisamos tornar-nos “santo[s] pela expiação de Cristo, o Senhor”, e também tornar-nos “como uma criança”, submissos, mansos, humildes, pacientes, cheios de amor, dispostos a submeter-nos à vontade do Senhor, ou seja, a Seus mandamentos. Então, o Senhor disse que: “quando recebemos uma bênção (…), é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:21).
Procuremos compreender esse padrão por meio de um exemplo recente do processo de ouvir e depois atender às palavras dos profetas e apóstolos de nossos dias. A Primeira Presidência recentemente convidou todos os membros da Igreja a lerem, antes do fim do ano, o Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo, O desafio terminou com uma promessa: “[Vocês] serão abençoados com mais do Espírito do Senhor, uma determinação mais firme de obedecer a Seus mandamentos e um testemunho mais forte da realidade viva do Filho de Deus” (Carta da Primeira Presidência, 25 de julho de 2005).
Por que precisamos aumentar nosso testemunho da realidade viva do Filho de Deus como se encontra no Livro de Mórmon? Existe hoje muita confusão no mundo cristão a respeito da doutrina de Cristo — não apenas sobre Sua natureza divina, mas até sobre a Expiação e Ressurreição, o evangelho e especialmente os mandamentos relacionados ao evangelho. O resultado é a crença num Cristo criado pelo homem, um Cristo popular e um Cristo calado e crucificado. Crenças religiosas erradas conduzem a um comportamento religioso errado.
Um alicerce espiritual pessoal pode e precisa depender de uma confirmação espiritual pessoal dada pelo Espírito Santo da realidade viva de Jesus Cristo, dos profetas e das escrituras que contêm as revelações do Senhor. Mais especificamente, a realidade viva de Cristo está associada à Restauração de Seu evangelho e sua mensagem de que “Jesus Cristo é o Salvador do mundo, que Joseph Smith é o seu revelador e profeta nestes últimos dias e que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o reino do Senhor restabelecido na Terra” (Introdução do Livro de Mórmon).
Essa confirmação espiritual pelo poder do Espírito Santo é dada de acordo com as condições do Senhor a todos que estejam dispostos a pedir com fé, acreditando que podem receber uma resposta por meio desse poder. Começa quando ouvimos a voz do Senhor, de Seus Servos, Seus profetas e apóstolos, e continua quando atendemos às palavras deles. O conhecimento espiritual da Restauração é uma questão de fé.
Gostaria de contar como foi minha própria experiência como converso, para exemplificar esse processo espiritual. Quando os missionários chegaram à nossa casa, tive o desejo de ouvir a mensagem da Restauração do evangelho. Fui motivado acima de tudo pela curiosidade. Ao ir para a Igreja, ouvi e recebi mais conhecimento espiritual. Foi interessante e gostei do que ouvi, mas faltava o essencial: Atender. Tive que edificar um alicerce espiritual pessoal sobre a viva realidade de Cristo e a confirmação de que Joseph Smith foi o profeta da Restauração. Essa confirmação só chegou quando atendi e coloquei a fé à prova que começava a ter no Livro de Mórmon, a prova física da revelação moderna.
Contudo, não foi suficiente adquirir esse conhecimento; foi preciso então o compromisso de transformar minha fé em certeza de que o Livro de Mórmon era verdadeiro e que, portanto, Joseph Smith era um profeta. Nunca questionei minha fé em Cristo. Eu confiava no Senhor e em Suas promessas. Uma paz em minha mente, uma paz interior foi a resposta — não houve mais dúvidas. O alicerce espiritual foi estabelecido e seguiu-se um compromisso de aceitar no coração o convênio do batismo. Depois, veio o dom do Espírito Santo para guiar-me e ajudar-me a tomar decisões dignas para perseverar até o fim. Daí em diante, passei a saber o que fazer de meu futuro nesta vida mortal.
Coloquem a revelação divina à prova. Ouçam a voz do Senhor. Ela é real, pessoal e verdadeira. A razão não substitui nem pode substituir a revelação. Citando o Presidente James E. Faust: “Não deixem que suas dúvidas pessoais os afastem da fonte divina de conhecimento” (“Eu Creio, Senhor! Ajuda a Minha Incredulidade”, A Liahona, novembro de 2003, p. 22).
Coloquem à prova e sintam em sua mente o vigoroso efeito da palavra de Deus, como proferida pelos servos do Senhor (ver Alma 31:5).
Testem, peçam e recebam com fé, depois atendam às palavras dos profetas e apóstolos, e então vocês “receberão uma coroa de vida eterna” (D&C 20:14).
Para terminar, lembrem-se de que seguir o padrão do Senhor de ouvir e atender à verdade divina os ajudará a edificar um alicerce espiritual pessoal e a determinar o que vocês se tornarão nesta vida e na vida futura.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.
sábado, 3 de setembro de 2011
Você Sabe o Suficiente
Élder Neil L. Andersen
Da Presidência dos Setenta
Somos discípulos do Senhor Jesus Cristo e, por isso, temos enormes reservas espirituais de luz e verdade a nosso dispor. (…) Em nossos momentos de dificuldade, escolhemos o caminho da fé.
Regozijo-me com vocês por ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Enquanto o Presidente Monson nos dava a maravilhosa notícia de que teremos cinco novos templos, pensei em como no mundo todo, em todos os continentes, nas grandes cidades e pequenas aldeias, somos uma grande família de fiéis. Juntos, começamos a marchar rumo à vida eterna. É a maior de todas as jornadas. Prosseguimos tomando sobre nós “o nome de Cristo, com a firme resolução de servi-lo até o fim”.1
Embora tenhamos muitas experiências como a que temos hoje, cheia de vigor e confirmação espirituais, também haverá dias em que nos sentiremos incapazes e despreparados, em que teremos dúvidas e confusão no espírito, em que teremos dificuldade para encontrar nosso apoio espiritual. Parte de nossa vitória como discípulos de Cristo está no que fazemos quando temos esses sentimentos.
Há quase 40 anos, quando enfrentava o desafio de uma missão, sentia-me muito incapaz e despreparado. Lembro-me de ter orado: “Pai Celestial, como posso servir em uma missão, se sei tão pouco?” Eu acreditava na Igreja, mas sentia que meu conhecimento espiritual era muito limitado. Enquanto orava, tive este sentimento: “Você não sabe tudo, mas sabe o suficiente!” Essa confirmação me deu coragem de dar o passo seguinte para entrar no campo missionário.
Nossa jornada espiritual é um processo de toda uma vida. Não sabemos tudo no começo, ou mesmo durante o caminho. Nossa conversão vem passo a passo, linha sobre linha. Edificamos, primeiro, um alicerce de fé no Senhor Jesus Cristo. Entesouramos os princípios e as ordenanças do arrependimento, batismo e recebimento do dom do Espírito Santo. Incluímos o constante compromisso de orar, a disposição de ser obedientes e um testemunho contínuo do Livro de Mórmon. (O Livro de Mórmon é um poderoso nutriente espiritual.)
Então, continuamos firmes e pacientes, enquanto progredimos através da mortalidade. Às vezes, a resposta do Senhor será: você não sabe tudo, mas sabe o suficiente — o suficiente para guardar os mandamentos e fazer o que é certo. Lembre-se das palavras de Néfi: “Sei que ele ama seus filhos; não conheço, no entanto, o significado de todas as coisas”.2
Certa vez, visitei uma missão no sul da Europa. Cheguei no dia em que um novo missionário estava se preparando para voltar para casa por insistência própria. Sua passagem era para viajar no dia seguinte.
Sentamo-nos juntos na casa do presidente da missão. O missionário me contou sobre sua infância difícil, sua dificuldade para aprender, sua mudança de uma família para outra. Falou sinceramente sobre sua incapacidade de aprender um novo idioma e de se adaptar a uma nova cultura. Depois, acrescentou: “Irmão Andersen, nem sequer sei se Deus me ama”. Quando ele disse essas palavras, tive um sentimento muito forte e seguro em meu espírito: “Ele sabe que Eu o amo. Ele sabe disso”.
Deixei que ele continuasse falando por mais alguns minutos e, então, eu disse: “Élder, compreendo tudo o que você disse, mas preciso corrigir uma coisa: você sabe que Deus o ama. Você sabe que sim”.
Quando eu disse essas palavras para ele, o mesmo Espírito que falara comigo, falou com ele. Ele abaixou a cabeça e começou a chorar. Pediu desculpas. “Irmão Andersen”, disse ele. “Sei que Deus me ama, eu sei que sim.” Ele não sabia tudo, mas sabia o suficiente. Ele sabia que Deus o amava. Aquele precioso conhecimento foi suficiente para que suas dúvidas fossem substituídas pela fé. Ele encontrou forças para permanecer na missão.
Irmãos e irmãs, todos nós temos momentos de força espiritual, momentos de inspiração e de revelação. Precisamos fazer com que eles penetrem profundamente em nossa alma. Ao fazermos isso, preparamos nosso armazenamento espiritual para as horas de dificuldades pessoais. Jesus disse: “Decidi em vosso coração que fareis as coisas que vos ensinarei e ordenarei”.3
Há vários anos, a filha de um amigo morreu num trágico acidente. Esperanças e sonhos foram destruídos. Meu amigo sofreu uma dor insuportável. Começou a questionar as coisas que havia aprendido e as que tinha ensinado como missionário. A mãe do meu amigo escreveu-me uma carta e perguntou se eu poderia dar-lhe uma bênção. Quando impus as mãos sobre sua cabeça, senti-me inspirado a dizer-lhe algo que nunca me ocorrera exatamente daquela maneira antes. A inspiração que tive foi: fé não é apenas um sentimento, é uma decisão. Ele precisava decidir ter fé.
Meu amigo não sabia tudo, mas sabia o suficiente. Ele escolheu o caminho da fé e da obediência. Caiu de joelhos. Seu equilíbrio espiritual foi recuperado.
Já se passaram vários anos desde aquele dia. Há pouco tempo, recebi uma carta do filho dele, que agora está servindo como missionário. Era cheia de convicção e testemunho. Quando li sua bela carta, vi como a decisão de um pai de ter fé num momento muito difícil havia abençoado profundamente a geração seguinte.
Desafios, dificuldades, dúvidas, incertezas — tudo isso faz parte da mortalidade. Mas não estamos sós. Somos discípulos do Senhor Jesus Cristo e, por isso, temos enormes reservas espirituais de luz e verdade a nosso dispor. É impossível existir temor e fé em nosso coração ao mesmo tempo! Em nossos momentos de dificuldade, escolhemos o caminho da fé. Jesus disse: “Não temas, crê somente”.4
Ao longo dos anos, repetimos esses importantes passos espirituais muitas e muitas vezes. Começamos a ver que “aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito”.5 Nossas dúvidas e incertezas são resolvidas ou se tornam menos preocupantes para nós. Nossa fé se torna simples e pura. Passamos a saber o que já sabíamos.
Jesus disse: “Se não (…) vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”.6
Hadley Peay tem, hoje, sete anos de idade. Ela nasceu com uma grave deficiência auditiva que exigiu muitas cirurgias para lhe garantir apenas uma audição limitada. Os pais trabalharam incansavelmente para ajudá-la a aprender a falar. Hadley e sua família adaptaram-se com bom ânimo ao desafio de sua surdez.
Certa vez, quando tinha quatro anos, Hadley estava na fila da mercearia com a mãe. Olhou para trás e viu um menino numa cadeira de rodas. Percebeu que o menino não tinha pernas.
Embora Hadley tivesse aprendido a falar, tinha dificuldade em controlar o volume da voz. Falando bem alto, perguntou à mãe por que o menino não tinha pernas.
A mãe explicou serena e simplesmente a Hadley que “o Pai Celestial criou todos os Seus filhos diferentes uns dos outros”. “Está bem”, respondeu Hadley.
Então, inesperadamente, Hadley virou-se para o menino e disse: “Sabia que, quando o Pai Celestial me criou, meus ouvidos não funcionavam? Isso me torna especial. Ele fez você sem pernas, e isso torna você especial. Quando Jesus voltar, vou poder ouvir, e você terá suas pernas. Jesus consertará todas as coisas”.
“Se não (…) vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.”
Hadley sabia o suficiente.
Jesus é o Cristo. Ele ressuscitou. Ele é nosso Salvador e Redentor. Tudo ficará bem quando Ele voltar. Esta é Sua santa obra. Por meio do Profeta Joseph Smith, Seu sacerdócio foi restaurado na Terra, e Seu profeta hoje é o Presidente Thomas S. Monson. Presto testemunho disso, em nome de Jesus Cristo. Amém.
Da Presidência dos Setenta
Somos discípulos do Senhor Jesus Cristo e, por isso, temos enormes reservas espirituais de luz e verdade a nosso dispor. (…) Em nossos momentos de dificuldade, escolhemos o caminho da fé.
Regozijo-me com vocês por ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Enquanto o Presidente Monson nos dava a maravilhosa notícia de que teremos cinco novos templos, pensei em como no mundo todo, em todos os continentes, nas grandes cidades e pequenas aldeias, somos uma grande família de fiéis. Juntos, começamos a marchar rumo à vida eterna. É a maior de todas as jornadas. Prosseguimos tomando sobre nós “o nome de Cristo, com a firme resolução de servi-lo até o fim”.1
Embora tenhamos muitas experiências como a que temos hoje, cheia de vigor e confirmação espirituais, também haverá dias em que nos sentiremos incapazes e despreparados, em que teremos dúvidas e confusão no espírito, em que teremos dificuldade para encontrar nosso apoio espiritual. Parte de nossa vitória como discípulos de Cristo está no que fazemos quando temos esses sentimentos.
Há quase 40 anos, quando enfrentava o desafio de uma missão, sentia-me muito incapaz e despreparado. Lembro-me de ter orado: “Pai Celestial, como posso servir em uma missão, se sei tão pouco?” Eu acreditava na Igreja, mas sentia que meu conhecimento espiritual era muito limitado. Enquanto orava, tive este sentimento: “Você não sabe tudo, mas sabe o suficiente!” Essa confirmação me deu coragem de dar o passo seguinte para entrar no campo missionário.
Nossa jornada espiritual é um processo de toda uma vida. Não sabemos tudo no começo, ou mesmo durante o caminho. Nossa conversão vem passo a passo, linha sobre linha. Edificamos, primeiro, um alicerce de fé no Senhor Jesus Cristo. Entesouramos os princípios e as ordenanças do arrependimento, batismo e recebimento do dom do Espírito Santo. Incluímos o constante compromisso de orar, a disposição de ser obedientes e um testemunho contínuo do Livro de Mórmon. (O Livro de Mórmon é um poderoso nutriente espiritual.)
Então, continuamos firmes e pacientes, enquanto progredimos através da mortalidade. Às vezes, a resposta do Senhor será: você não sabe tudo, mas sabe o suficiente — o suficiente para guardar os mandamentos e fazer o que é certo. Lembre-se das palavras de Néfi: “Sei que ele ama seus filhos; não conheço, no entanto, o significado de todas as coisas”.2
Certa vez, visitei uma missão no sul da Europa. Cheguei no dia em que um novo missionário estava se preparando para voltar para casa por insistência própria. Sua passagem era para viajar no dia seguinte.
Sentamo-nos juntos na casa do presidente da missão. O missionário me contou sobre sua infância difícil, sua dificuldade para aprender, sua mudança de uma família para outra. Falou sinceramente sobre sua incapacidade de aprender um novo idioma e de se adaptar a uma nova cultura. Depois, acrescentou: “Irmão Andersen, nem sequer sei se Deus me ama”. Quando ele disse essas palavras, tive um sentimento muito forte e seguro em meu espírito: “Ele sabe que Eu o amo. Ele sabe disso”.
Deixei que ele continuasse falando por mais alguns minutos e, então, eu disse: “Élder, compreendo tudo o que você disse, mas preciso corrigir uma coisa: você sabe que Deus o ama. Você sabe que sim”.
Quando eu disse essas palavras para ele, o mesmo Espírito que falara comigo, falou com ele. Ele abaixou a cabeça e começou a chorar. Pediu desculpas. “Irmão Andersen”, disse ele. “Sei que Deus me ama, eu sei que sim.” Ele não sabia tudo, mas sabia o suficiente. Ele sabia que Deus o amava. Aquele precioso conhecimento foi suficiente para que suas dúvidas fossem substituídas pela fé. Ele encontrou forças para permanecer na missão.
Irmãos e irmãs, todos nós temos momentos de força espiritual, momentos de inspiração e de revelação. Precisamos fazer com que eles penetrem profundamente em nossa alma. Ao fazermos isso, preparamos nosso armazenamento espiritual para as horas de dificuldades pessoais. Jesus disse: “Decidi em vosso coração que fareis as coisas que vos ensinarei e ordenarei”.3
Há vários anos, a filha de um amigo morreu num trágico acidente. Esperanças e sonhos foram destruídos. Meu amigo sofreu uma dor insuportável. Começou a questionar as coisas que havia aprendido e as que tinha ensinado como missionário. A mãe do meu amigo escreveu-me uma carta e perguntou se eu poderia dar-lhe uma bênção. Quando impus as mãos sobre sua cabeça, senti-me inspirado a dizer-lhe algo que nunca me ocorrera exatamente daquela maneira antes. A inspiração que tive foi: fé não é apenas um sentimento, é uma decisão. Ele precisava decidir ter fé.
Meu amigo não sabia tudo, mas sabia o suficiente. Ele escolheu o caminho da fé e da obediência. Caiu de joelhos. Seu equilíbrio espiritual foi recuperado.
Já se passaram vários anos desde aquele dia. Há pouco tempo, recebi uma carta do filho dele, que agora está servindo como missionário. Era cheia de convicção e testemunho. Quando li sua bela carta, vi como a decisão de um pai de ter fé num momento muito difícil havia abençoado profundamente a geração seguinte.
Desafios, dificuldades, dúvidas, incertezas — tudo isso faz parte da mortalidade. Mas não estamos sós. Somos discípulos do Senhor Jesus Cristo e, por isso, temos enormes reservas espirituais de luz e verdade a nosso dispor. É impossível existir temor e fé em nosso coração ao mesmo tempo! Em nossos momentos de dificuldade, escolhemos o caminho da fé. Jesus disse: “Não temas, crê somente”.4
Ao longo dos anos, repetimos esses importantes passos espirituais muitas e muitas vezes. Começamos a ver que “aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito”.5 Nossas dúvidas e incertezas são resolvidas ou se tornam menos preocupantes para nós. Nossa fé se torna simples e pura. Passamos a saber o que já sabíamos.
Jesus disse: “Se não (…) vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”.6
Hadley Peay tem, hoje, sete anos de idade. Ela nasceu com uma grave deficiência auditiva que exigiu muitas cirurgias para lhe garantir apenas uma audição limitada. Os pais trabalharam incansavelmente para ajudá-la a aprender a falar. Hadley e sua família adaptaram-se com bom ânimo ao desafio de sua surdez.
Certa vez, quando tinha quatro anos, Hadley estava na fila da mercearia com a mãe. Olhou para trás e viu um menino numa cadeira de rodas. Percebeu que o menino não tinha pernas.
Embora Hadley tivesse aprendido a falar, tinha dificuldade em controlar o volume da voz. Falando bem alto, perguntou à mãe por que o menino não tinha pernas.
A mãe explicou serena e simplesmente a Hadley que “o Pai Celestial criou todos os Seus filhos diferentes uns dos outros”. “Está bem”, respondeu Hadley.
Então, inesperadamente, Hadley virou-se para o menino e disse: “Sabia que, quando o Pai Celestial me criou, meus ouvidos não funcionavam? Isso me torna especial. Ele fez você sem pernas, e isso torna você especial. Quando Jesus voltar, vou poder ouvir, e você terá suas pernas. Jesus consertará todas as coisas”.
“Se não (…) vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.”
Hadley sabia o suficiente.
Jesus é o Cristo. Ele ressuscitou. Ele é nosso Salvador e Redentor. Tudo ficará bem quando Ele voltar. Esta é Sua santa obra. Por meio do Profeta Joseph Smith, Seu sacerdócio foi restaurado na Terra, e Seu profeta hoje é o Presidente Thomas S. Monson. Presto testemunho disso, em nome de Jesus Cristo. Amém.
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