sábado, 10 de dezembro de 2011

O Poder Infinito da Esperança

Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
 

Presidente Dieter F. UchtdorfEsperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis.
Meus queridos irmãos e irmãs, que dia glorioso para nós ao testemunharmos o anúncio de cinco novos templos feito pelo nosso amado profeta. Que lindo dia para todos nós!
Quase no final da Segunda Guerra Mundial, meu pai foi convocado pelo exército alemão e enviado para o front ocidental, deixando minha mãe cuidando sozinha da família. Embora eu tivesse apenas três anos de idade, ainda me lembro daquela época de medo e fome. Morávamos na Tchecoslováquia e, a cada dia, a guerra se aproximava e o perigo aumentava.
Finalmente, durante o frio inverno de 1944, minha mãe decidiu fugir para a Alemanha, onde os pais dela moravam. Ela nos reuniu e conseguiu de alguma forma nos colocar em um dos últimos trens de refugiados rumo ao ocidente. Viajar naquela época era perigoso. Onde quer que fôssemos, o som das explosões, os rostos tensos e a fome onipresente nos lembravam de que estávamos em uma zona de guerra.
Ao longo da viagem, o trem parava de vez em quando para obter víveres. Certa noite, durante uma das paradas, mamãe saiu apressadamente do trem para procurar comida para seus quatro filhos. Quando voltou, constatou com horror que o trem e as crianças haviam partido!
Sufocada pela preocupação, ela encheu o coração de preces desesperadas. Procurou freneticamente na enorme e escura estação de trens, atravessando os numerosos trilhos, sem perder as esperanças de que o trem não tivesse partido, apesar das evidências.
Talvez eu nunca venha a saber tudo o que se passou no coração e na mente de minha mãe naquela escura noite enquanto ela procurava seus filhos em uma fria estação ferroviária. Não tenho dúvida de que ela estava aterrorizada. Com certeza lhe passou pela mente que, se não encontrasse o trem, talvez nunca mais visse os filhos novamente. Sei com certeza disto: sua fé sobrepujou o medo e sua esperança sobrepujou o desespero. Ela não era uma mulher que ficaria sentada lamentando a tragédia. Ela agiu. Colocou sua fé e esperança em ação.
Assim, ela correu de trilho em trilho e de trem em trem até finalmente encontrar o nosso. Ele havia sido removido para uma área remota da estação. Lá, finalmente, ela reencontrou os filhos.
Sempre penso naquela noite e no que minha mãe deve ter passado. Se o tempo pudesse retroceder e eu me sentasse ao lado dela, perguntaria como conseguiu ir em frente apesar de todos os temores. Indagaria sobre fé e esperança e como ela sobrepujou o desespero.
Sei que isso é impossível, então, talvez hoje eu possa sentar-me ao lado de vocês ou ao lado de alguém que esteja desanimado, preocupado ou solitário. Hoje, quero falar-lhes a respeito do infinito poder da esperança.

A Importância da Esperança

A esperança é uma das pernas de um banco de três pernas, ao lado da fé e da caridade. Essas três pernas estabilizam nossa vida, qualquer que seja a aspereza ou a irregularidade das superfícies que encontrarmos na ocasião. As escrituras são claras e diretas sobre a importância da esperança. O Apóstolo Paulo ensinou que as escrituras foram escritas para que “tenhamos esperança”.1
A esperança tem o poder de preencher nossa vida com felicidade.2 Sua ausência — quando esse desejo de nosso coração é adiado — pode fazer “[desfalecer] o coração”.3
A esperança é um dom do Espírito:4 esperança de que, por meio da Expiação de Cristo e pelo poder de Sua Ressurreição, seremos elevados à vida eterna, devido a nossa fé no Salvador.5 Esse tipo de esperança é tanto um princípio com promessa quanto um mandamento6 e, como com todos os mandamentos, temos a responsabilidade de torná-la uma parte ativa em nossa vida e vencer a tentação de perder a esperança. A esperança no misericordioso plano de felicidade de nosso Pai Celestial leva à paz,7 à misericórdia,8 ao regozijo9 e à alegria.10 A esperança na salvação é como um capacete11 protetor; é o fundamento de nossa fé12 e uma âncora para nossa alma.13
Morôni, em sua solidão — mesmo depois de testemunhar a completa destruição de seu povo — acreditava na esperança. No crepúsculo da nação nefita, Morôni escreveu que, sem esperança, não podemos receber uma herança no reino de Deus.14

Mas Por Que Então Existe o Desespero?

As escrituras dizem que deve haver “oposição em todas as coisas”.15 Assim é com a fé, a esperança e a caridade. A dúvida, o desespero e o fracasso em cuidar do próximo levam-nos à tentação que nos pode fazer perder bênçãos especiais e preciosas.
O adversário usa o desespero para enlaçar nosso coração e nossa mente em sufocante escuridão. O desespero suga de nós tudo o que é vibrante e alegre e deixa um rastro de restos vazios daquilo que deveria ser a vida. O desespero aniquila a ambição, traz doenças, polui a alma e faz desfalecer o coração. O desespero pode ser comparado a uma escada que leva sempre e somente para baixo.
A esperança, por outro lado, é como um raio de sol que se ergue acima do horizonte de nossas condições atuais. Ela penetra a escuridão e traz um brilhante amanhecer. Ela nos estimula e inspira a colocar nossa confiança nos ternos braços do eterno Pai Celestial, que preparou um caminho para aqueles que buscam a verdade eterna em um mundo de relativismo, confusão e medo.

O Que É, Então, a Esperança?

As complexidades dos idiomas oferecem muitas variações e intensidades para a palavra esperança. Por exemplo, o bebê que engatinha pode esperar ganhar um telefone de brinquedo; o adolescente, o telefonema de um amigo especial; e o adulto pode apenas esperar que o telefone pare de tocar.
Quero falar hoje sobre a esperança que transcende o trivial e se concentra na Esperança de Israel,16 a grande esperança da humanidade, o nosso Redentor, Jesus Cristo.
Esperança não é conhecimento,17 mas sim confiança imutável de que o Senhor cumprirá Suas promessas a nós; é a confiança de que, se vivermos de acordo com as leis de Deus e com a palavra de Seus profetas, agora, receberemos no futuro as bênçãos desejadas.18 É crer e esperar que nossas orações serão respondidas. Ela se manifesta na confiança, no otimismo, no entusiasmo e na paciente perseverança.
Na linguagem do evangelho, essa esperança é segura, inabalável e ativa. Os profetas antigos falam de uma “firme esperança”19 e de uma “viva esperança”.20 É uma esperança que glorifica a Deus por meio de boas obras. Com a esperança, vêm a alegria e a felicidade.21 Com a esperança, podemos “ter paciência e suportar todas as nossas aflições”.22

Coisas pelas quais Esperamos Após Esta Vida e Coisas pelas quais Esperamos Nesta Vida

As coisas pelas quais esperamos são, em geral, eventos futuros. Quem nos dera ver além do horizonte da mortalidade e enxergar o que nos aguarda após esta vida! É possível imaginar um futuro mais glorioso do que aquele preparado para nós por nosso Pai Celestial? Por causa do sacrifício de Jesus Cristo, não precisamos temer, pois viveremos para sempre, para nunca mais provar a morte.23 Por causa de Sua Expiação infinita, podemos ser limpos do pecado e ficar puros e santos diante do julgamento.24 O Salvador é o Autor da Salvação.25
E qual é o tipo de existência pela qual esperamos após esta vida? Os que vêm a Cristo, arrependem-se de seus pecados e têm fé, viverão para sempre em paz. Pensem no valor desse dom eterno: rodeados pelos que amamos, conheceremos o significado da alegria suprema enquanto progredimos em conhecimento e felicidade. Por mais frio que este capítulo de nossa vida pareça hoje, podemos, devido à vida e ao sacrifício de Jesus Cristo, ter esperança e certeza de que o final do livro de nossa vida excederá nossas mais ambiciosas expectativas. “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.26
As coisas que esperamos nesta vida nos sustêm na vida diária. Elas nos amparam em nossas provações, tentações e tristezas. Todos nós já enfrentamos desânimo e dificuldades. De fato, há momentos em que a escuridão parece insuportável. É nesses momentos que os princípios divinos do evangelho restaurado em que temos esperança podem nos suster e nos carregar até que, mais uma vez, andemos na luz.
Esperamos em Jesus Cristo, na bondade de Deus, nas manifestações do Espírito Santo, no conhecimento de que as orações são ouvidas e respondidas. Por Deus ter sido fiel e cumprido Suas promessas no passado, podemos esperar, confiantes, que Deus cumprirá Suas promessas também no presente e no futuro. Em épocas de aflição, podemos agarrar-nos firmemente à esperança de que as coisas “contribuirão para o [nosso] bem”27, se seguirmos o conselho dos profetas de Deus. Esse tipo de esperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis e dá força àqueles que se sentem ameaçados pelas terríveis correntes do medo, da dúvida e do desespero.

A Esperança Leva a Boas Obras

Aprendemos a cultivar a esperança da mesma maneira que aprendemos a caminhar: um passo de cada vez. Quando estudamos as escrituras, quando conversamos com o Pai Celestial diariamente, e quando nos comprometemos a cumprir os mandamentos de Deus, como a Palavra de Sabedoria e a pagar o dízimo integral, obtemos esperança.28 Desenvolvemos nossa habilidade de “[abundar] em esperança, pela virtude do Espírito Santo”29 ao viver o evangelho “mais perfeitamente”.
Pode haver ocasiões nas quais devemos tomar uma corajosa decisão de ter esperança, mesmo quando tudo ao nosso redor contradiz essa esperança. Como o Patriarca Abraão, teremos “esperança contra a esperança”.30 Ou, como expressou certo autor: “em meio ao pior inverno, [encontramos] dentro de [nós] um verão invencível”.31
Fé, esperança e caridade completam-se mutuamente e, quando uma cresce, as outras também se desenvolvem. A esperança vem da fé32, pois, sem fé não existe a esperança.33 Semelhantemente, a fé vem da esperança, pois a fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam”.34
A esperança é essencial tanto para a fé quanto para a caridade. Quando a desobediência, a frustração e a procrastinação corroem a fé, a esperança lá está para reerguê-la. Quando a frustração e a impaciência ameaçam a caridade, a esperança toma nossa resolução e insta conosco para cuidarmos do próximo, mesmo sem esperar recompensa. Quanto mais brilhante a nossa esperança, maior a nossa fé. Quanto mais forte a nossa esperança, mais pura a nossa caridade.
As coisas pelas quais esperamos após esta vida nos levam à fé, enquanto as coisas que esperamos nesta vida nos levam à caridade. As três qualidades — fé, esperança e caridade35 — em conjunto, alicerçadas na verdade e luz do evangelho restaurado de Jesus Cristo, levam-nos à abundância de boas obras.36

A Esperança com Base na Experiência Pessoal

Toda vez que a esperança se concretiza, surge a confiança que leva a maior esperança. Lembro-me de muitos exemplos em minha vida que me ensinaram o poder da esperança. Lembro-me bem os dias de minha infância, cercado pelos horrores e pelo desespero de uma guerra mundial, da falta de oportunidades educacionais, da vida ameaçada por doenças na juventude, e das experiências financeiras difíceis e desanimadoras como refugiado. O exemplo de nossa mãe, mesmo nas piores ocasiões, de ir em frente, colocando a fé e a esperança em ação – e não só lamentando e sonhando, susteve nossa família e a mim, e deu-nos confiança de que as circunstâncias do presente conduziriam a bênçãos futuras.
Sei, com base nessas experiências, que o evangelho de Jesus Cristo e o fato de ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fortalecem a nossa fé, oferecem uma viva esperança e levam à caridade.
A esperança nos sustém em épocas de desespero. A esperança nos ensina que há razões para regozijar-nos, mesmo quando tudo são trevas ao redor.
Como Jeremias, proclamo: “Bendito o homem (…) cuja confiança é o Senhor”.37
Como Joel, testifico que “o Senhor [é] o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel”.38
Como Néfi, declaro: “[prossegui] com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e [perseverando] até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna”.39
Essa é a qualidade da esperança que devemos acalentar e desenvolver. Uma esperança tão madura vem do Salvador Jesus Cristo e por meio Dele, pois todo aquele que tem essa esperança Nele purifica-se a si mesmo, mesmo como o Salvador é puro.40
O Senhor nos deu uma revigorante mensagem de esperança: “Não temais, pequeno rebanho”.41 Deus esperará de “braços abertos para receber”42 os que abandonarem seus pecados e continuarem em fé, esperança e caridade.
E a todos os que sofrem — os que se sentem desanimados, preocupados e solitários — digo com amor e profunda preocupação por vocês: nunca desistam.
Nunca se entreguem.
Nunca deixem que o desespero sobrepuje seu espírito.
Abracem a Esperança de Israel e Nele confiem, pois o amor do Filho de Deus vence a escuridão, suaviza a tristeza e alegra cada coração.
Disso eu testifico, e deixo-lhes minha bênção, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"O Coração e uma Mente Solícita"

Élder James M. Paramore
Dos Setenta

Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.

Cumprimento o sacerdócio da Igreja aqui na Terra. É uma honra estar em sua presença nesta noite. O sacerdócio que aqui se encontra e por toda a Terra é algo maravilhoso. Há poucos meses, eu estava no saguão principal do Edifício de Administração da Igreja, esperando o elevador, quando três homens entraram e perguntaram à recepcionista do balcão de entrada: "É aqui que trabalham os irmãos?" A recepcionista sorriu, e eu pensei: "Que grande cumprimento!"
Aonde quer que formos, somos irmãos. É algo imediato e reconfortante. Volto para casa depois de cada designação agradecendo a Deus pela fraternidade, amor e boas obras que posso testemunhar. Vocês são incríveis, meus amigos.
Portadores do sacerdócio, lembro-me de uma história a respeito de uma professora que perguntou à classe que voltava das férias o que o pai de cada um havia-lhe ensinado a respeito da auto-suficiência durante as férias de verão. Depois de vários relatos terem sido feitos, ela perguntou ao Joãozinho o que seu pai havia feito. E o Joãozinho respondeu: "Meu pai ensinou-me a nadar; ele levou-me para o meio do lago Utah, jogou-me dentro da água e mandou que eu voltasse para a margem nadando". "Puxa", disse a professora, "que coragem". E o Joãozinho respondeu: "Não foi muito difícil, depois que consegui sair de dentro do saco de pano em que meu pai havia-me colocado". Bem, meus jovens amigos, a vida será difícil, mas nosso Pai Celestial deu-nos os meios pelos quais conseguiremos seguir por ela em segurança. Quero falar um pouco a esse respeito.
O Senhor deseja que vocês tenham a maior das experiências ao realizarem a sua jornada aqui na Terra. Esta pode ser uma jornada magnífica, literalmente repleta de milhares de experiências incríveis e confirmações espirituais, se vocês encontrarem o caminho certo em meio às muitas escolhas que terão durante o percurso. A estrada que o Pai Celestial lhes deu está claramente indicada, mas os padrões e os caminhos do mundo podem enganá-los. Lembrem-se, porém: "( . . . ) Sois a geração eleita, o sacerdócio real ( . . . )". (I Pedro 2:9) Vocês são o meio pelo qual a verdade, a virtude e a vida eterna serão levadas ao conhecimento do mundo. Somos todos parte disso. Conforme o Senhor disse ao Profeta Joseph Smith em 1831, todos precisamos do "coração e uma mente solícita". (D&C 64:34)
Jovens, a vida é eterna. O Senhor Jesus Cristo e Seus servos dão esperança e testemunho ao mundo de que, nesta jornada, saímos da presença de nosso Pai para vir à Terra e voltaremos a nosso lar para viver eternamente com o Pai Celestial. Todos prestamos testemunho dessa boa nova ao mundo. É a mensagem divina sobre uma vida e um relacionamento eternos, sim o casamento e a família eternos. Nada supera seu significado, valor e promessa.
Com esse conhecimento e amor, podemos ajudar a transformar as esperanças e sonhos das pessoas e ajudá-las a encontrar verdades eternas e a paz interior e segurança que elas proporcionam.
Vejam o exemplo de meu amigo Bob e os cuidados e o zelo que dispensou a um élder que fumava. Quase todas as manhãs, ele se encontrava com um companheiro de seu quórum e orava com ele para que conseguisse vencer o vício do fumo e depois dava-lhe um pacote de balas ou goma de mascar para ajudá-lo durante o dia. Mais tarde, Bob veria aquele homem e a esposa de mãos dadas sobre o altar do templo, sendo selados para toda a eternidade. O que foi que ocasionou essa mudança e ajudou a realizar tudo isso? O evangelho e "o coração e uma mente solícita".
Meus jovens, gostaria de deixar-lhes alguns pensamentos que os ajudarão a ter "o coração e uma mente solícita". Em primeiro lugar, testificamos a este mundo que existe um Deus e Ele enviou Seu Filho Amado para ensinar a importância desta jornada para a Terra e de volta a Ele. Ele proporcionou um plano para que essa jornada seja bem-sucedida. Precisamos apenas do seguinte:"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento". (Provérbios 3:5) Sempre existirão as filosofias dos homens, mas elas não têm em si a promessa de vida eterna ou sequer de paz neste mundo. Depositem toda a sua confiança no Senhor. Suas escrituras e profetas testificam a respeito Dele e mostram o caminho.
Em segundo lugar, Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, estabeleceu limites, que são os mandamentos que Ele nos deu para ajudar-nos a fazer a jornada em segurança. Quando com "o coração e a mente solícita", obedecemos a esses mandamentos, passamos por um processo de transformação que altera nosso modo de pensar, nossos sentimentos, nosso modo de vestir, nosso estilo de vida, o que comemos e bebemos e o modo pelo qual servimos as outras pessoas. Conforme Alma, o filho, disse:"E tornam-se, assim, novas criaturas". (Mosias 27:26) Esses limites nos protegem. Eles são essenciais à segurança de nossa jornada.
Quando eu tinha cinco anos de idade, minha mãe ajudava-me a aprender a respeito desses limites, dizendo-me quase todos os dias: "Jimmy, não chegue perto da areia movediça", que ficava a algumas centenas de metros de nossa casa. Bem, advinhem o que Jimmy e seus amiguinhos fizeram? Foram até lá. Quando nos aproximamos da areia movediça, um de meus amigos caminhou até aquele trecho que parecia um pouco mais escuro e úmido. Quase não havia diferença do restante da areia. A princípio seus pés não se moveram, e todos rimos. Então, eles começaram a afundar na areia movediça, e ele entrou em pânico. Não conseguia sair da areia movediça e começou a gritar. Corremos o mais rápido que conseguimos até a casa de um vaqueiro, gritando o mais alto que podíamos. Ele imediatamente apanhou um laço e correu conosco de volta até onde estava o menino, já atolado até a cintura na areia movediça. Ele rapidamente laçou o menino, e nós seguramos a corda, enquanto o vaqueiro posicionava uma tora, na qual subiu para puxar o menino para fora da areia movediça.
Aprendemos que quando cruzamos os limites estabelecidos pelo Senhor, freqüentemente nos encontramos em um tipo de areia movediça. Os caminhos do mundo freqüentemente são semelhantes à areia movediça e podem ser destrutivos. Eles procuram desviar-nos dos limites do Senhor: os Seus mandamentos. Esses caminhos do mundo (drogas, bebidas, fumo, coabitação sem casamento, certas músicas, etc.):

  • parecem muito convidativos;
  • aparentam ser a maneira normal de fazer as coisas;
  • parecem ser aceitos por todos; e
  • são exaltados na televisão, no cinema, na Internet, nas fitas de vídeo, etc. Essas coisas levam-nos para além dos limites estabelecidos pelo Senhor. Se forem seguidas, causam desespero e devastadores problemas de saúde, financeiros e outros tipos de dificuldades.
    Os limites estabelecidos pelo Senhor estão explicados no folheto Para o Vigor da Juventude, são claros e constituem uma grande bênção para todos os que os seguem. Saímos pelo mundo, como missionários e membros, para ajudar as pessoas a encontrar e valorizar os mandamentos ou limites do Senhor. Se isso for feito com "o coração e uma mente solícita" ou, em outras palavras, com avidez, alegria e entusiasmo, da mesma forma que o Presidente Hinckley viaja por todo o mundo, irá tornar-nos diferentes e gratos por toda oportunidade que encontrarmos.
    Em terceiro lugar, os jovens, e também os mais velhos, devem começar com o resultado final em mente. Onde vocês querem estar quando tiverem 19 anos de idade ou quando se aposentarem? Na missão? Tomem a decisão hoje mesmo. Prometo que ela mudará sua vida e a de outros, à medida que Deus os conduzir em sua missão. Tudo o que Ele pede é "o coração e uma mente solícita". Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.
    Em uma reunião de testemunhos na Itália, podem imaginar minha surpresa quando um jovem levantou-se e disse: "Se não fosse pelo senhor, Élder Paramore, eu não estaria aqui hoje". Ele passou então a contar como sua mãe e seus avós tinham sido encontrados em Paris, França, pelos élderes Ben Walton e James Paramore, trinta anos antes. Depois de realizarem muitas reuniões, a família foi batizada. Hoje o filho está na missão. Posteriormente descobri que ao longo dos anos mais de 170 pessoas haviam sido batizadas por essa família. Eu tive o privilégio de servir uma missão e aqueles dois anos e meio foram fundamentais para o meu testemunho. Não tenho palavras para agradecer a Deus por isso.
    Testifico que Deus vive, que Seu Filho é o Redentor desta Terra, e que este evangelho abençoará toda a humanidade em todo o mundo. Que possamos todos:
  • Confiar em Deus e em Seu Filho;
  • Viver dentro dos limites que Eles estabeleceram para nós; e
  • Começar com o resultado final em mente, com "o coração e uma mente solícita". Lembrem-se de que o Senhor disse: "( . . . ) Porque aos que me honram honrarei ( . . . )". (I Samuel 2:30) Que essa seja nossa jornada, em nome de Jesus Cristo. Amém.

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    sexta-feira, 18 de novembro de 2011

    O Perfeito Amor Lança Fora o Temor


    L.Tom Perry
    Do Quorum dos Doze Apóstolos

    Se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante

    Presidente Monson, ficamos felizes com a boa notícia desses novos templos. Em especial, para os muitos, muitos parentes que tenho no Estado do Wyoming.
    No mundo inteiro, quando um novo templo é construído, a Igreja faz algo que é uma tradição bastante comum nos Estados Unidos e no Canadá — uma visitação pública. Nas semanas que antecedem a dedicação de um novo templo, abrimos suas portas e convidamos os líderes governamentais e religiosos locais, os membros locais da Igreja e pessoas de outras religiões a virem e visitarem nosso templo recém-construído.
    São eventos maravilhosos que ajudam as pessoas que não conhecem a Igreja a saber um pouco mais a respeito dela. Quase todos os que visitam um templo novo se maravilham com sua beleza, tanto por dentro quanto por fora. Ficam impressionados com o esmero e a atenção dados a cada detalhe do templo. Além disso, muitos visitantes sentem algo especial ao visitar um templo antes da dedicação. Essas são reações comuns daqueles que participam da visitação pública, mas não é a mais comum. O que mais impressiona os visitantes, acima de tudo, são os membros da Igreja que eles encontram nessas visitações públicas. Eles saem dali com uma impressão indelével de seus anfitriões, os santos dos últimos dias.
    No mundo inteiro, a Igreja está recebendo, hoje, mais atenção do que jamais teve. A mídia escreve ou fala a respeito da Igreja todos os dias, relatando suas muitas atividades. Muitos dos canais de imprensa mais importantes dos Estados Unidos falam regularmente a respeito da Igreja ou de seus membros. Essa atenção se verifica igualmente no mundo inteiro.
    A Igreja também atrai a atenção das pessoas na Internet que, como sabem, mudou drasticamente o modo como essas pessoas compartilham informações. A qualquer hora do dia, no mundo inteiro, a Igreja e seus ensinamentos estão sendo discutidos na Internet, em blogs e redes sociais, por pessoas que nunca escreveram para um jornal ou revista. As pessoas fazem vídeos e os compartilham pela Internet. São pessoas comuns — tanto membros da Igreja quanto pessoas de outra religião — que falam sobre a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
    A mudança na maneira pela qual nos comunicamos explica em parte por que nós, “mórmons”, estamos mais em destaque do que nunca. Por outro lado, a Igreja está sempre crescendo e progredindo. Um número maior de pessoas tem membros da Igreja como vizinhos e amigos, e há membros preeminentes da Igreja no governo, nos negócios, na indústria de entretenimento, na educação e em tudo o mais, pelo que parece. Até aqueles que não são membros da Igreja notaram isso, e se perguntam o que está acontecendo. É maravilhoso que haja agora tantas pessoas cientes da Igreja e dos santos dos últimos dias.
    Embora a Igreja esteja tornando-se mais visível, ainda há muitas pessoas que não a compreendem. Alguns foram ensinados a suspeitar da Igreja e agem com base em estereótipos negativos sobre a Igreja, sem questionar sua fonte ou validade. Também há muita informação falsa e confusão a respeito da Igreja e do que ela prega. Isso tem acontecido desde a época do Profeta Joseph Smith.
    Joseph Smith escreveu sua história, em parte, “para elucidar a mente pública e apresentar, aos que buscam a verdade, os fatos tal como sucederam” (Joseph Smith—História 1:1). É verdade que sempre haverá aqueles que distorcem a verdade e deliberadamente deturpam os ensinamentos da Igreja. Mas, a maioria dos que têm perguntas sobre a Igreja simplesmente querem compreender. Essas pessoas de mente aberta têm genuína curiosidade a nosso respeito.
    A crescente visibilidade e reputação da Igreja oferecem uma extraordinária oportunidade para nós, membros. Podemos ajudar “a elucidar a mente pública” e corrigir informações incorretas quando somos retratados como algo que não somos. Mais importante, porém, é que podemos partilhar quem somos.
    Há uma série de coisas que podemos fazer — que vocês podem fazer — para melhorar o entendimento que as pessoas têm da Igreja. Se fizermos isso com o mesmo espírito e nos comportarmos da mesma forma que fazemos quando trabalhamos em uma visitação pública, nossos amigos e vizinhos vão passar a nos entender melhor. Suas suspeitas se desfarão, os estereótipos negativos desaparecerão, e eles começarão a compreender a Igreja como ela realmente é.
    Gostaria de sugerir algumas coisas que todos podemos fazer.
    Primeiro, precisamos ser destemidos em nossas declarações a respeito de Jesus Cristo. Queremos que as pessoas saibam que acreditamos que Ele é a figura central de toda a história humana. Sua vida e seus ensinamentos são o ponto central da Bíblia e de outros livros que consideramos escrituras sagradas. O Velho Testamento prepara o caminho para o ministério mortal de Cristo. O Novo Testamento descreve Seu ministério mortal. O Livro de Mórmon nos dá um segundo testemunho de Seu ministério mortal. Ele veio à Terra para declarar Seu evangelho como um fundamento para toda a humanidade, de modo que todos os filhos de Deus possam aprender a respeito Dele e seguir Seus ensinamentos. Depois, Ele deu a vida para ser nosso Salvador e Redentor. Somente por intermédio de Jesus Cristo é que nossa salvação é possível. É por isso que cremos que Ele é a figura central de toda a história da humanidade. Nosso destino eterno está sempre em Suas mãos. É uma coisa gloriosa acreditar Nele e aceitá-Lo como nosso Salvador, nosso Senhor e nosso Mestre.
    Também acreditamos que somente por intermédio de Cristo podemos encontrar a maior felicidade, esperança e alegria — tanto nesta vida quanto nas eternidades. Nossa doutrina, conforme ensinada no Livro de Mórmon, declara enfaticamente: “Deveis, pois, prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e perseverardes até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna” (2 Néfi 31:20).
    Declaramos nossa crença em Jesus Cristo e O aceitamos como nosso Salvador. Ele vai abençoar-nos e guiar-nos em todos os nossos esforços. Em nosso labor aqui na mortalidade, Ele vai fortalecer-nos e dar-nos paz nos momentos de provação. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivem pela fé Nele, a Quem esta Igreja pertence.
    Segundo, sejam um exemplo justo para as pessoas. Depois de declarar nossas crenças, precisamos seguir o conselho dado em I Timóteo 4:12: “Mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
    O Salvador ensinou a respeito da importância de sermos um exemplo de nossa fé ao dizer: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).
    Nossa vida deve ser um exemplo de bondade e virtude, ao procurarmos imitar Seu exemplo diante do mundo. As boas obras de cada um de nós dão crédito tanto ao Salvador quanto a Sua Igreja. Ao empenhar-nos em fazer o bem, em ser homens e mulheres honrados e íntegros, a Luz de Cristo se refletirá em nossa vida.
    Em seguida, falem a respeito da Igreja. No curso de nossa vida cotidiana, somos abençoados com muitas oportunidades de compartilhar nossas crenças com as pessoas. Quando nossos colegas e amigos fazem perguntas sobre nossas crenças religiosas, eles estão nos convidando a compartilhar quem somos e as coisas em que acreditamos. Eles podem ou não estar interessados na Igreja, mas estão interessados em conhecer-nos mais profundamente.
    Minha recomendação para vocês é que aceitem seu convite. Seus conhecidos não os estão convidando a ensinar, pregar, expor ou exortar. Dialoguem com eles — compartilhem algo sobre suas crenças religiosas, mas também perguntem a respeito das crenças deles. Avaliem o nível de interesse deles pelas perguntas que fazem. Se fizerem muitas perguntas, concentrem a conversa nas respostas às dúvidas que eles tiverem. Lembrem sempre, é melhor eles perguntarem do que vocês falarem.
    Alguns membros parecem que querem manter o fato de serem membros da Igreja em segredo. Eles têm seus motivos. Podem acreditar, por exemplo, que não lhes cabe compartilhar suas crenças. Talvez tenham medo de cometer um erro ou ouvir uma pergunta que não saibam responder. Se esse pensamento já lhes passou pela cabeça, tenho alguns conselhos para vocês. Simplesmente lembrem-se das palavras de João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18). Se simplesmente amarmos a Deus e a nossos semelhantes, foi-nos prometido que venceremos nosso temor.
    Se vocês visitaram recentemente o site Mormon.org , que é o site da Igreja para pessoas interessadas em conhecer a Igreja, verão membros que publicaram informações sobre eles mesmos. Eles criam perfis na Internet que explicam quem são e por que suas crenças religiosas são importantes para eles. Falam a respeito de sua fé.
    Devemos abordar essas conversas com um amor semelhante ao de Cristo. Nosso tom, seja falando ou escrevendo, deve ser respeitoso e educado, independentemente da resposta das pessoas. Devemos ser honestos e abertos e tentar ser claros no que dizemos. Não queremos ficar na defensiva nem ter desentendimentos de qualquer forma.
    O Apóstolo Pedro explicou: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pedro 1:15).
    A “maneira de conversar” de hoje parece envolver cada vez mais a Internet. Incentivamos as pessoas, jovens e idosos, a usar a Internet e a mídia social para estender a mão e compartilhar nossas crenças religiosas.
    Ao utilizarem a Internet vocês podem deparar-se com trocas de ideias a respeito da Igreja. Quando orientados pelo Espírito, não hesitem em participar dessas conversas.
    A mensagem do evangelho de Jesus Cristo é diferente de qualquer outra coisa que você vai compartilhar com as pessoas. Na era da informação, é a mais valiosa de todas as informações do mundo. Não há dúvida quanto a seu valor. É uma pérola de grande valor (ver Mateus 13:46).
    Ao falar sobre a Igreja, não procuramos fazê-la parecer melhor do que ela é. Não precisamos fazer propaganda de nossa mensagem. Precisamos comunicar a mensagem de modo honesto e direto. Se abrirmos os canais de comunicação, a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo por si só vai ser uma prova para os que estiverem preparados para recebê-la.
    Às vezes há uma grande diferença — um vácuo de compreensão — entre o modo como vivenciamos a Igreja estando dentro dela e o modo como as pessoas a veem estando fora dela. Esse é o principal motivo pelo qual realizamos uma visitação pública antes que cada novo templo seja dedicado. Os membros voluntários que trabalham na visitação pública simplesmente procuram ajudar as pessoas a ver a Igreja como eles a veem, estando dentro dela. Eles reconhecem que a Igreja é uma obra maravilhosa, e querem que as pessoas saibam disso também. Peço que cada um de vocês faça o mesmo.
    Prometo que se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante, porque “o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18).
    Esta é uma época de oportunidades cada vez maiores para compartilhar o evangelho de Jesus Cristo com as pessoas. Que nos preparemos para aproveitar as oportunidades que nos são dadas para compartilhar nossas crenças, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

    segunda-feira, 7 de novembro de 2011

    CONFIAR EM DEUS E ENTÃO, FAZER

    Henry B. Eyring
    Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


    Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.

     Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse. Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades. Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos! Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1 Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2 Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade. Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3 Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna. O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles. Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza. O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato: “Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4 Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio. O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5 Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele. Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7 Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta: “Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8 O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus. Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9 Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso. Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”. No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos. O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida. Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos. Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente. Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava. Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”. Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”. O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial. Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10 Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11 Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo. Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores. Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”. Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo. Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12 Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês. Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

    terça-feira, 18 de outubro de 2011

    Os Elementos Reuniram-se Para Ensinar-me uma Lição

    Márcio Antônio
    Membro da Ala Alvorada/RS

    Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de me assustar?


    No periodo de minhas férias do trabalho, comecei como de costume a entregar-me a alguns entretenimentos domésticos, como assistir filmes até tarde da noite no dvd, dormir mais do que o necessário no dia seguinte... e aos poucos fui perdendo o controle de minhas atividades. Muitos no trabalho diziam me para descansar bastante, pois logo acabariam as férias e eu teria que voltar para a correria do dia a dia. Tudo bem... pensei, nos primeiros dez dias foi uma maravilha, acordava tarde, dormia tarde, comia mau e sem horario definido, comecei a ganhar peso, tentava ficar acordado o máximo de horas do dia que antecedeu a noite em claro e cada vez mais sentia sobre os ombros o peso da desobediência. Estava literalmente quebrando um mandamento vindo diretamente de Deus para a manutenção física, mas isso nem me passava pela cabeça.

    No décimo Quinto dia de férias, mais uma vez não consegui dormir e sai de casa bem cedo para caminhar ao sol, fazer alguns exercicios com uma ideia inconsciente de desintoxixação alimentar. Sentei aos pés de uma palmeira que ficava na parte mais alta de meu bairro, um local em que era possível enxergar todo o vale que se apresenta aos pés do Morro Santana, para quem é de Porto Alegre, o conhece, pois é o mais elevado da região metropolitana. Estava observando o verde intenso dos campos, os passaros de variadas espécies que cantavam perto, voavam a minha frente e o azul intenso do céu. O sol da primavera tornavam as cores mais brilhantes e vibrantes num verdadeiro espetáculo da natureza. Embora cansado e com os olhos ardendo de sono, consegui até a agradecer a Deus poraquele belo dia. O Pai fez sua Parte nos dando este presente, mas será que eu estava fazendo? Esta pergunta não encontrou uma resposta afirmativa em minha consciencia, mas mesmo assim, contemplava aquele belo amanhecer.

    Em um determinado momento, em meio a minha meditação, percebi ao longe, bem acima do cume do morro, uma barreira de neblina que começava a avançar lentamente sobre os campos banhados de sol, de um branco intenso pela radiação, foi ficando acinzentado com o aumento de sua intensidade. Perdi completamente a visão dos 100 metros, dos 50, dos 10... até que fui envolvido pela forte cerração. Do cinza veio a escuridão, a camada de nevoeiro foi se intensificando até ao ponto do breu total. Fiquei alí, quieto, não me atrevendo nem mesmo pensar. A escuridão provocada pela neblina espessa era medonha, quase sufocante, senti até um leve cheiro de temporal se aproximando, mas este não veio. O sol desapareceu as 9:45 da manhã.

    Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de assustar?

    Enfim consegui compreender e aprender uma lição: A neblina representava, naquele momento, o pecado de quebrar a Palavra de sabedoria, que me impedia de vislumbrar a beleza da vida. Esta elucidação veio naquele momento mesmo em que esta na escuridão

    Quando comecei a raciocinar, tudo ficou claro para mim. A Palavra de sabedoria não se restringe apenas no que está registrado nas escrituras sagradas ou nas revelações modernas, mas sim, está também relacionado ao estilo de vida que adotamos, se for saudavel, a vida será bela, pois o dom vem pelo esforço e merecimento, se não for, as intensas neblinas te impediram de ver as bençãos que tornam a vida um espetáculo da existência. Deus está sempre conosco e as ferramentas do sucesso estão ao nosso alcance, basta fazer como o Mestre, que pela plena certeza e conhecimento de Deus, recolheu os elementos do ambiente e os juntou a água para fazer o melhor dos vinhos.

    Quando a neblina daquele dia desapareceu, o sol voltou a brilhar como antes. Ao retornar para casa totalmente revigorado pelo que aprendi, ouvi algumas pessoas na rua comentarem que na direção de onde eu vinha, tinha ido um bandido armado em fuga. Pela rua indicada, pude perceber que o meliante tinha passado a uns 10 metros de mim... Mais uma vez agradeci ao Pai pela união dos elementos que me ensinaram e me protegeram, pois se o dia estivesse claro, o bandido teria me visto.

    Esta história marcante, Eu compartilho em Nome de Jesus Cristo, Amém

    domingo, 9 de outubro de 2011

    Dois Princípios para Quaisquer Condições Econômicas

    Presidente Dieter F. Uchtdorf
    Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

    Frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.

    Nas viagens, quando visitamos membros da Igreja do mundo inteiro e também por meio dos canais do sacerdócio, somos informados em primeira mão das condições e dos problemas de nossos membros. Há muitos anos os membros vêm sendo atingidos em todo o mundo por catástrofes, tanto naturais como causadas pelo homem. Sabemos também que muitas famílias tiveram de apertar o cinto e estão preocupadas, sem saber se conseguirão suportar estes tempos difíceis.

    Irmãos, sentimo-nos muito próximos de vocês. Nós os amamos e oramos por vocês. Já vi muitos altos e baixos na vida e sei que o inverno sem dúvida dá lugar ao calor e à esperança de uma nova primavera. Vejo o futuro com otimismo. De nossa parte, irmãos, precisamos permanecer firmes na esperança, trabalhar com todo o vigor e confiar em Deus.

    Ultimamente, tenho pensado numa época de minha vida em que o peso das preocupações com um futuro incerto parecia sempre presente. Eu tinha onze anos e morava com minha família no sótão de uma casa de fazenda, perto de Frankfurt, Alemanha. Éramos refugiados pela segunda vez em um período de apenas alguns anos e estávamos tendo dificuldade para estabelecer-nos em um novo lugar bem distante de onde morávamos antes. Dizer que éramos pobres seria um eufemismo. Dormíamos todos em um quarto tão pequeno que mal tínhamos espaço para andar por entre as camas. Em outra salinha, havia alguns móveis simples e um fogão em que mamãe cozinhava. Para ir de um cômodo ao outro, tínhamos que passar por um depósito onde o dono da fazenda guardava equipamentos agrícolas e ferramentas, e também armazenava carnes e linguiças penduradas nas vigas. O aroma sempre me deixava com muita fome. Não tínhamos banheiro, mas havia uma casinha com latrina fora da casa, descendo as escadas, a uma distância de uns quinze metros, e que parecia ficar muito mais longe no inverno.

    Como eu era refugiado e por causa do meu sotaque da Alemanha Oriental, muitas vezes as outras crianças zombavam de mim e me colocavam apelidos que me magoavam profundamente. Em toda a minha juventude, creio que aquela foi a época mais desanimadora.

    Agora, décadas depois, posso rever aqueles dias através do filtro amenizador da experiência. Embora ainda me lembre da mágoa e do desespero, percebo agora o que não conseguia ver na época: foi uma época de grande crescimento pessoal. Durante aquele período, minha família tornou-se mais unida. Observei meus pais e aprendi com eles. Admirei sua determinação e seu otimismo. Com eles aprendi que a adversidade pode ser superada, se a enfrentarmos com fé, coragem e tenacidade.

    Sabendo que alguns de vocês estão passando por seu próprio período de ansiedade e desespero, quero falar hoje sobre dois princípios importantes que me ampararam durante aquela época de formação.
    O Primeiro Princípio: Trabalhar

    Até hoje, fico muito impressionado com o quanto minha família trabalhou depois de ter perdido tudo durante a Segunda Guerra Mundial! Lembro que meu pai — um funcionário público por formação e experiência — aceitou vários empregos difíceis, entre os quais o de minerador de carvão e de urânio, mecânico e motorista de caminhão. Para sustentar nossa família, ele saía bem cedo e geralmente voltava tarde da noite. Minha mãe abriu uma lavanderia e trabalhava inúmeras horas fazendo trabalho braçal. Ela colocou minha irmã e eu para trabalharmos com ela. Com minha bicicleta, tornei-me apanhador e entregador de roupas. Senti-me bem por poder ajudar um pouquinho a família e, embora não o soubesse na época, esse exercício físico foi excelente para minha saúde também.

    Não foi fácil, mas o trabalho nos impediu de pensar demais nas dificuldades que enfrentávamos. Embora nossa situação não tenha mudado da noite para o dia, ela acabou mudando. É assim que funciona o trabalho: se simplesmente continuarmos a trabalhar com firmeza e constância, as coisas certamente vão melhorar.

    Como admiro os homens, as mulheres e as crianças que sabem trabalhar! Como o Senhor ama o trabalhador! Ele disse: “No suor do teu rosto comerás o teu pão”1 e “o trabalhador é digno de seu salário”.2 Ele também prometeu: “Lança a foice com toda a tua alma e teus pecados te são perdoados”.3 Todos os que não têm medo de arregaçar as mangas e dedicar-se de corpo e alma a alcançar metas louváveis são uma bênção para a família, a comunidade, a nação e a Igreja.

    O Senhor não espera que trabalhemos mais do que somos capazes. Ele não compara (e tampouco devemos nós comparar) os nossos esforços com os de outras pessoas. O Pai Celestial pede apenas que façamos o melhor possível: que trabalhemos de acordo com nossa plena capacidade, por maior ou menor que ela seja.

    O trabalho é o antídoto para a ansiedade, um bálsamo para a tristeza e um portal para as possibilidades. Sejam quais forem nossas condições de vida, meus queridos irmãos, façamos tudo o que pudermos e cultivemos uma reputação de excelência em tudo o que fizermos. Vamos deixar a mente e o corpo prontos para a gloriosa oportunidade de trabalho que cada novo dia nos apresenta.

    Quando nosso carroção fica atolado na lama, é mais provável que Deus ajude o homem que desce e o empurra do que o homem que apenas ergue a voz em oração, por mais eloquente que seja. O Presidente Thomas S. Monson disse o seguinte: “Não basta termos o desejo de realizar o esforço e dizermos que o faremos. (…) É na prática, e não só nas palavras, que concretizamos nossas aspirações. Se adiarmos constantemente as nossas metas, nunca as veremos realizadas”.4

    O trabalho pode-nos enobrecer e dar um sentimento de realização, mas lembrem-se da advertência de Jacó: “Não despendais (…) vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer”.5 Se nos dedicarmos à busca de riquezas materiais e do brilho do reconhecimento público à custa de nossa família e de nosso crescimento espiritual, em breve descobriremos que bancamos os tolos. O trabalho honroso que fazemos em nossa própria casa é extremamente sagrado. Seus benefícios são eternos. Ele não pode ser delegado. É o alicerce de nosso trabalho como portadores do sacerdócio.

    Lembrem-se, somos apenas viajantes de passagem por este mundo. Não dediquemos os talentos e energias que recebemos de Deus só para forjar âncoras terrenas, mas passemos nossos dias desenvolvendo asas espirituais. Porque, como filhos do Deus Altíssimo, fomos criados para alçar voo para novos horizontes.

    Agora, uma palavra para nós que somos mais experientes: a aposentadoria não faz parte do plano de felicidade do Senhor. Não há licença-prêmio nem programa de aposentadoria das responsabilidades do sacerdócio, seja qual for a idade ou a capacidade física. Embora a frase “já fiz isso” ou “já passei dessa fase” possa servir de desculpa para não termos que andar de skate, para recusar um convite para andar de motocicleta ou para dispensar a pimenta ardida no restaurante, não é uma desculpa aceitável para fugirmos da responsabilidade que assumimos por convênio: a de consagrar nosso tempo, nossos talentos e recursos a serviço do reino de Deus.

    Pode haver aqueles que, após muitos anos de serviço na Igreja, acreditem ter direito a um período de descanso enquanto os outros carregam os fardos. Em termos bem claros e diretos, irmãos, esse tipo de pensamento não condiz com um discípulo de Cristo. Grande parte de nosso trabalho nesta Terra é perseverar até o fim, com alegria, todos os dias de nossa vida.

    Agora, uma palavra para nossos irmãos mais novos do Sacerdócio de Melquisedeque que estão procurando alcançar a meta justa de adquirir instrução e encontrar uma companheira eterna. Essas são boas metas, meus irmãos, mas lembrem-se: trabalhar diligentemente na vinha do Senhor melhora muito seu currículo e aumenta muito a probabilidade de sucesso nesses dois empreendimentos louváveis.

    Seja você o mais jovem diácono ou o mais idoso sumo sacerdote, há trabalho a ser feito!
    O Segundo Princípio: Aprender

    Nas difíceis condições econômicas da Alemanha do pós-guerra, as oportunidades de estudo não eram tão fartas quanto hoje, mas a despeito das opções limitadas, sempre tive avidez em aprender. Lembro-me que um dia, quando estava fazendo entregas na minha bicicleta, entrei na casa de um colega da escola. Em um dos cômodos, havia duas pequenas escrivaninhas encostadas na parede. Que visão maravilhosa foi aquela! Como aquelas crianças eram afortunadas por terem suas próprias escrivaninhas! Eu os imaginei ali sentados com os livros abertos, estudando as lições e fazendo os deveres de casa. Pareceu-me que ter a minha própria escrivaninha seria a coisa mais maravilhosa do mundo.

    Tive que esperar muito para que esse desejo se realizasse. Anos depois, consegui um emprego numa instituição de pesquisa que possuía uma grande biblioteca. Lembro-me de que passava grande parte de meu tempo livre naquela biblioteca. Ali, pude finalmente sentar-me em uma escrivaninha, sozinho, e banquetear-me com as informações e conhecimento que os livros proporcionavam. Como eu gostava de ler e aprender! Naqueles dias, compreendi por experiência própria uma antiga frase que diz: “a instrução não é como encher um balde, mas sim, como acender uma chama”.

    Para os membros da Igreja, a instrução não é apenas uma boa ideia: é um mandamento. Devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro”.6

    Joseph Smith adorava aprender, embora tenham sido poucas suas oportunidades de adquirir instrução formal. Em seus diários, ele falava com alegria dos dias que passava estudando e sempre expressava seu amor pelo aprendizado.7

    Joseph ensinou aos santos que o conhecimento era uma parte necessária de nossa jornada mortal, porque “o homem só pode ser salvo à medida que [adquire] conhecimento”,8 e “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.9 Nos momentos difíceis, é ainda mais importante aprender. O Profeta Joseph ensinou que “o conhecimento afasta as trevas, [a ansiedade] e a dúvida, porque essas coisas não podem existir onde há conhecimento”.10

    Irmãos, vocês têm o dever de aprender o máximo que puderem. Peço-lhes que incentivem sua família, os membros do seu quórum e todas as pessoas a aprender e adquirir mais instrução. Mesmo onde não houver como receber instrução formal, não permitam que isso os impeça de adquirir todo o conhecimento que puderem. Nessas circunstâncias, os melhores livros, de certa forma, podem tornar-se sua “universidade” — uma sala de aula que está sempre aberta e admite todos os interessados. Empenhem-se em aumentar seu conhecimento de tudo o que for “[virtuoso], amável, de boa fama ou louvável”.11 Busquem conhecimento “pelo estudo e também pela fé”.12 Busquem com humildade e com um coração contrito.13 Se aplicarem a dimensão espiritual de sua fé ao estudo, mesmo de coisas seculares, vocês conseguirão aumentar sua capacidade intelectual, porque “se vossos olhos estiverem fitos [na glória de Deus], todo o vosso corpo se encherá de luz e (…) [compreenderá] todas as coisas”.14

    Em nosso aprendizado, não negligenciemos a fonte da revelação. As escrituras e as palavras dos apóstolos e profetas modernos são fontes de sabedoria, conhecimento divino e revelação pessoal para ajudar-nos a encontrar resposta a todos os desafios da vida. Aprendamos com Cristo. Busquemos o conhecimento que nos conduz à paz, à verdade e aos sublimes mistérios da eternidade.15
    Conclusão

    Irmãos, lembro-me daquele menino de onze anos, em Frankfurt, Alemanha, que se preocupava com o futuro e sentia a dor pungente de comentários maldosos. Lembro-me daqueles dias com certa ternura e tristeza. Embora não esteja ávido para reviver aqueles dias de provações e problemas, não tenho dúvida de que as lições que aprendi foram uma preparação necessária para as oportunidades futuras. Agora, muitos anos depois, sei com certeza o seguinte: frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.

    Oro para que nos próximos meses e anos preenchamos nossas horas e dias com trabalho louvável. Oro para que busquemos aprender e refinar a mente e o coração, bebendo abundantemente das puras fontes da verdade. Deixo com vocês meu amor e minhas bênçãos, em nome de Jesus Cristo. Amém.

    sábado, 1 de outubro de 2011

    MODERAÇÃO EM TODAS AS COISAS

    Élder Kent D. Watson
    Dos Setenta

    A moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo

    Em resposta à pergunta do Profeta Joseph Smith, o Senhor instruiu: “E ninguém pode participar desta obra, a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas, em tudo o que lhe for confiado”.1

    A instrução de ter moderação em todas as coisas se aplica a cada um de nós. O que é moderação e por que o Senhor deseja que sejamos moderados? Uma definição restrita pode ser a de que devemos ser comedidos ao comer e ao beber. De fato, esse significado da moderação pode ser uma boa receita para o cumprimento da Palavra de Sabedoria. Às vezes, a moderação pode ser definida como abster-nos da ira, ou seja, não perder a paciência. Essas definições, contudo, são um subgrupo do uso dessa palavra nas escrituras.

    Num sentido espiritual, a moderação é um atributo divino de Jesus Cristo. Ele deseja que cada um de nós desenvolva esse atributo. Aprender a ter moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo.

    Quando o Apóstolo Paulo descreveu os frutos do Espírito em sua epístola aos gálatas, ele falou de “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão [e] temperança”.2

    Quando Paulo escreveu a Tito, descrevendo os atributos que seriam necessários a um bispo para auxiliar nessa obra, ele disse que o bispo não podia ser “soberbo, nem iracundo (…) [mas] temperante”.3 A temperança significa usar de moderação em todas as coisas ou exercer autocontrole.

    Quando Alma, o filho, ensinou na terra de Gideão, ele disse:

    “Espero que não estejais com o coração cheio de orgulho; sim, espero que não tenhais posto o coração nas riquezas e coisas vãs do mundo (…).

    Quisera que fôsseis humildes e submissos e mansos; fáceis de persuadir, cheios de paciência e longanimidade; sendo moderados em todas as coisas.”4

    Numa mensagem posterior, Alma instruiu seu filho, Siblom, e indiretamente cada um nós, a “não ser orgulhoso”,5 mas a ser “diligente e moderado em todas as coisas”.6 Ser moderado significa analisar cuidadosamente nossos desejos e expectativas para sermos diligentes e pacientes na busca de objetivos dignos.

    Há poucos anos, eu voltava de carro do trabalho para casa, quando uma grande caminhonete, que vinha em direção contrária, perdeu um de seus pneus duplos. O pneu voou por cima do canteiro que separava as pistas e veio pulando para o meu lado da via expressa. Havia carros desviando para todos os lados, porque os motoristas não sabiam para que direção o pneu pularia em seguida. Desviei para a esquerda, quando deveria ter desviado para a direita, e o pneu acabou acertando o canto direito do meu parabrisa.

    Um amigo ligou para minha mulher para informá-la do acidente. Ela me disse, depois, que a primeira coisa que lhe veio à mente foram os ferimentos causados pelo vidro estilhaçado. De fato, fiquei coberto de pedacinhos de vidro, mas não sofri um único arranhão. Isso absolutamente não se deu por causa das minhas grandes habilidades como motorista, mas sim, porque o parabrisa de meu carro era feito de vidro temperado.

    O vidro temperado, tal como o aço temperado, passa por um processo bem controlado de aquecimento que aumenta sua resistência. Por isso, quando o vidro temperado sofre pressão, não se quebra facilmente em estilhaços afiados que podem ferir.

    Da mesma forma, uma alma temperada, que é humilde e cheia de amor, também é uma pessoa com maior força espiritual. Com essa força, somos capazes de desenvolver o autocontrole e viver com moderação. Aprendemos a controlar ou moderar nossa raiva, nossa vaidade e nosso orgulho. Com maior força espiritual, podemos proteger-nos dos excessos perigosos e dos vícios destrutivos do mundo atual.

    Todos nós buscamos paz de consciência e desejamos segurança e felicidade para nossa família. Se procurarmos ver os pontos positivos da crise econômica do ano passado, talvez algumas provações que enfrentamos tenham-nos ensinado que a paz de consciência, a segurança e a felicidade não decorrem da compra de uma casa ou do acúmulo de posses cuja dívida seja maior do que o que podemos pagar com nossas economias ou nossa renda.

    Vivemos num mundo impaciente e sem moderação, cheio de incertezas e contendas. É como a comunidade de conversos de várias religiões na qual Joseph Smith vivia, quando era um rapaz de quatorze anos que buscava respostas para suas dúvidas. O jovem Joseph disse: “Todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões”.7

    A segurança para nossa família advém de aprendermos o autocontrole, de evitarmos os excessos deste mundo e de sermos moderados em todas as coisas. A paz de consciência advém de uma fé mais forte em Jesus Cristo. A felicidade advém de sermos diligentes no cumprimento dos convênios feitos no batismo e nos templos sagrados do Senhor.

    Que melhor exemplo de moderação podemos ter que o de nosso Salvador Jesus Cristo?

    O Salvador ensinou que, quando sentirmos o coração incitado à ira por disputas e contendas, devemos “arrepender-[nos] e tornar-[nos] como uma criancinha”.8 Devemos reconciliar-nos com nosso irmão e achegar-nos ao Salvador com pleno propósito de coração.9

    Quando as pessoas forem rudes, Jesus ensinou que “a minha benignidade não se desviará de ti”.10

    Quando enfrentarmos aflições, Ele disse: “Sê paciente nas aflições, não injuries os que te injuriarem. Governa tua casa com mansidão e sê firme”.11

    Quando formos oprimidos, podemos consolar-nos por saber que “Ele foi oprimido e ele foi afligido, mas não abriu a boca”.12 “Certamente ele tomou sobre si nossas dores e carregou nossos pesares.”13

    Quando Jesus Cristo, o maior de todos, sofreu por nós a ponto de sangrar por todos os poros, Ele não expressou raiva ou proferiu impropérios por causa de Seu sofrimento. Com insuperável autodomínio — ou moderação — não pensou em Si mesmo, mas em cada um de nós. E então, com humildade e imenso amor, Ele disse: “Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens”.14

    No ano passado, tive o privilégio de prestar testemunho da realidade de nosso Salvador e da Restauração do evangelho para os santos e amigos de toda a Ásia. A maioria é da primeira geração de santos dos últimos dias, que vivem em lugares onde a Igreja é muito nova. Esses santos modernos, em sua esfera, empreendem uma jornada que nos lembra as experiências dos primeiros santos dos últimos dias.

    No maravilhoso mundo de diversidade da Ásia, em que os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são uma mera fração de um por cento da imensa população, adquiri maior apreço pelo atributo cristão da moderação. Amo e honro esses santos que me ensinaram pelo exemplo o que significa ser humilde e cheio de amor, ser “temperante em todas as coisas, em tudo o que [nos] for confiado”.15 Graças a eles, compreendi melhor o amor que Deus tem por todos os Seus filhos.

    Deixo com vocês meu testemunho de que nosso Redentor vive e que Seu dom divino da moderação está ao alcance de todos os filhos de Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

    ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

    O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...