quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Considerar Sagrado


Élder Paul B. Pieper
As coisas sagradas devem ser tratadas com mais cuidado, receber mais deferência e ser apreciadas com mais reverência.
Aproximadamente 1.500 anos antes de Cristo, um pastor foi atraído para uma sarça ardente na encosta do monte Horebe. Aquele encontro com o divino deu início à transformação de Moisés, de pastor a profeta, e de seu trabalho de pastorear ovelhas ao de reunir Israel. Cerca de 1.300 anos depois, um jovem sacerdote privilegiado da corte de um rei foi cativado pelo testemunho de um profeta condenado. Aquele encontro deu início à evolução de Alma, de servo do rei para servo de Deus. Quase 2.000 anos depois, um menino de quatorze anos entrou num bosque, em busca de resposta para uma dúvida sincera. O encontro de Joseph Smith no bosque colocou-o no caminho de seu papel como profeta da restauração.
Moisés, Alma e Joseph Smith tiveram a vida mudada após o encontro com o divino. Aqueles acontecimentos os fortaleceram para que permanecessem fiéis ao Senhor e a Sua obra por toda a vida, a despeito de uma oposição avassaladora e das difíceis provações que se seguiram.
Nosso encontro com o divino talvez não seja tão direto ou drástico, tampouco nossos desafios serão tão assustadores. Contudo, tal como aconteceu com os profetas, nossa força para perseverar até o fim depende do fato de reconhecermos, lembrarmos e considerarmos sagrado aquilo que recebemos do alto.
Atualmente, a autoridade, as chaves e as ordenanças foram restauradas na Terra. Há também escrituras e testemunhas especiais. Aqueles que buscam a Deus podem receber o batismo para a remissão de pecados e a confirmação “pela imposição de mãos para o batismo de fogo e do Espírito Santo” (D&C 20:41). Com essas preciosas dádivas restauradas, nossos encontros com o divino, em sua maioria, envolverão o terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo.
“O Espírito Santo sussurra, com suave voz,
E testifica de Jesus que ama todos nós”
(“O Espírito Santo”, Músicas para Crianças, p. 56)
“Santo Espírito de Deus
Testifica de Jesus,
O caminho vem mostrar,
Que nos leva ao céu e à luz”
(“Santo Espírito de Deus”, Hinos, nº 80).
Ao buscarmos respostas de Deus, sentimos a voz mansa e delicada sussurrar a nosso espírito. Esses sentimentos — essas impressões — são tão naturais e sutis que podemos deixá-las passar despercebidas ou atribuí-las à razão ou intuição. Essas mensagens personalizadas testificam a respeito do amor e da preocupação que Deus tem individualmente por Seus filhos e pela missão mortal de cada um deles. A reflexão diária e o registro das impressões que vêm do Espírito têm o duplo propósito de ajudar-nos (1) a reconhecer nossos encontros pessoais com o divino e (2) a preservar um relato deles para nós mesmos e para nossa posteridade. O registro desses sentimentos também é um reconhecimento e uma demonstração formal de nossa gratidão a Deus, porque “em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas” (D&C 59:21).
No tocante ao que recebemos pelo Espírito, o Senhor disse: “Lembrai-vos de que aquilo que vem de cima é sagrado” (D&C 63:64). Sua declaração é mais que um lembrete: também é uma definição e uma explicação. Luz e conhecimento do céu são sagrados. São sagrados porque o céu é sua fonte.
Sagrado significa digno de veneração e respeito. Ao chamar algo de sagrado, o Senhor indica que esse algo tem maior valor e prioridade do que outras coisas. As coisas sagradas devem ser tratadas com mais cuidado, receber mais deferência e ser apreciadas com mais reverência. Sagrado significa elevado na hierarquia dos valores celestes.
Aquilo que é sagrado para Deus somente se torna sagrado para nós pelo exercício do arbítrio. Cada pessoa precisa aceitar e considerar sagrado aquilo que Deus definiu como sagrado. O Senhor envia luz e conhecimento do céu e convida-nos a receber o que Ele enviou e considerá-lo sagrado.
Mas “[há] uma oposição em todas as coisas” (2 Néfi 2:11). O oposto do sagrado é o profano ou secular: aquilo que é temporal ou mundano. As coisas mundanas sempre competem com as sagradas para atrair nossa atenção e prioridades. O conhecimento do secular é essencial para nossa vida temporal diária. O Senhor nos instrui a buscar conhecimento e sabedoria nos melhores livros, a estudar, aprender e a conhecer idiomas, línguas e povos (ver D&C 88:11890:15). Portanto, a decisão de colocar o sagrado acima do secular é uma questão de prioridade relativa e não de exclusividade. “É bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus” (2 Néfi 9:29; grifo do autor).
A batalha pela prioridade entre o sagrado e o secular no coração do homem pode ser ilustrada pelo que aconteceu com Moisés na sarça ardente. Ali, Moisés recebeu seu chamado sagrado de Jeová para que libertasse os filhos de Israel do cativeiro. Contudo, a princípio, seu conhecimento secular do poder do Egito e do faraó fez com que duvidasse. Por fim, Moisés exerceu fé na palavra do Senhor, sobrepujando seu conhecimento secular e confiando no sagrado. Essa confiança lhe deu poder para sobrepujar as provações temporais e conduzir Israel para fora do Egito.
Depois de escapar dos exércitos de Noé e, em seguida, ser submetido à escravidão sob as mãos de Amulom, Alma poderia ter duvidado do testemunho que recebeu ao ouvir Abinádi. Contudo, ele confiou no sagrado e recebeu forças para perseverar e escapar de suas tribulações temporais.
Joseph Smith enfrentou um dilema semelhante nos primeiros dias da tradução do Livro de Mórmon. Ele sabia da natureza sagrada das placas e do trabalho de tradução. Mas mesmo assim, foi persuadido por Martin Harris a dar prioridade às questões temporais da amizade e das finanças e contrariar as instruções sagradas. Consequentemente, o manuscrito da tradução se perdeu. O Senhor repreendeu Joseph por entregar “aquilo que era sagrado à iniquidade” (D&C 10:9) e tirou dele, por algum tempo, as placas e o dom de traduzir. Quando as prioridades de Joseph foram devidamente restabelecidas, as coisas sagradas foram-lhe devolvidas e o trabalho prosseguiu.
O Livro de Mórmon dá outros exemplos da batalha de dar prioridade ao sagrado. Ele fala sobre os fiéis cuja fé os conduziu à árvore da vida para partilhar de seu fruto sagrado, o amor de Deus. Depois, a zombaria dos que estavam no grande e espaçoso edifício fez com que os fiéis mudassem seu foco do sagrado para o secular (ver 1 Néfi 8:11, 24–28). Mais tarde, os nefitas escolheram o orgulho e negaram o espírito de profecia e revelação, “zombando de tudo quanto era sagrado” (Helamã 4:12). Até alguns que haviam testemunhado pessoalmente os sinais e milagres associados ao nascimento do Senhor rejeitaram as manifestações sagradas do céu em favor de explicações seculares (ver3 Néfi 2:1–3).
Hoje a batalha continua. As vozes seculares crescem em volume e intensidade. Elas instam cada vez mais os fiéis a abandonar crenças que o mundo considera irracionais. Como “agora vemos por espelho em enigma” (I Coríntios 13:12) e “não [conhecemos] o significado de todas as coisas” (1 Néfi 11:17), às vezes nos sentimos vulneráveis, tendo necessidade de maior certeza espiritual. O Senhor lembrou o seguinte a Oliver Cowdery:
“Se desejas mais um testemunho, volve tua mente para a noite em que clamaste a mim em teu coração a fim de saberes a respeito da veracidade destas coisas.
Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus?” (D&C 6:22–23).
O Senhor lembrou a Oliver e a nós que devemos confiar no testemunho sagrado que já recebemos quando nossa fé é desafiada. Tal como aconteceu com Moisés, Alma e Joseph, esses encontros divinos servem de âncora espiritual para manter-nos seguros e no rumo certo nos momentos de provação.
Não se pode capitular seletivamente o sagrado. Aqueles que decidem abandonar as coisas sagradas ficarão com a mente obscurecida (ver D&C 84:54) e, a menos que se arrependam, a luz que possuíam lhes será tirada (ver D&C 1:33). Sem o alicerce do sagrado, eles ficarão moralmente à deriva no mar do secular. Por outro lado, aqueles que consideram santas as coisas sagradas recebem promessas: “Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito” (D&C 50:24).
Que o Senhor nos abençoe para que sempre — e para sempre — reconheçamos, lembremos e consideremos sagrado aquilo que recebemos do alto. Testifico-lhes que, se assim fizermos, teremos poder para suportar as provações e vencer os desafios de nossos dias. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Corrida da Vida


Presidente Thomas S. Monson
De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos quando partirmos desta vida? Essas perguntas universais não precisam mais ficar sem respostas.
Amados irmãos e irmãs, nesta sessão desejo falar-lhes sobre verdades eternas; verdades que enriquecerão nossa vida e nos levarão em segurança ao nosso lar.
Em toda parte, as pessoas estão com pressa. Aviões a jato transportam sua preciosa carga humana através de imensos continentes e vastos oceanos para que reuniões de negócios sejam realizadas, obrigações sejam cumpridas, férias sejam desfrutadas ou parentes sejam visitados. Em toda parte há rodovias — vias expressas, autopistas e autoestradas — nas quais trafegam milhões de automóveis, levando milhões de pessoas num fluxo aparentemente interminável, por uma infinidade de motivos em nossa corrida diária.
Nesse ritmo frenético da vida, será que fazemos uma pausa para alguns momentos de meditação, sim, para pensar nas verdades eternas?
Comparadas às verdades eternas, a maioria das questões e preocupações cotidianas são realmente bem triviais. O que teremos para o jantar? Qual cor devemos usar para pintar a sala? Será que devemos inscrever o Joãozinho no futebol? Essas questões e muitas outras semelhantes perdem seu significado quando surge uma crise, quando nossos entes queridos são feridos ou magoados, quando a doença acomete os saudáveis, quando a chama da vida enfraquece e a escuridão nos ameaça. Nossos pensamentos se aguçam e conseguimos facilmente distinguir o que é realmente importante daquilo que é meramente trivial.
Conversei recentemente com uma mulher que vem lutando contra uma doença grave há dois anos. Ela disse que, antes da doença, seus dias eram cheios de atividades tais como limpar a casa com perfeição e enchê-la de móveis belos. Ia ao cabeleireiro duas vezes por semana e gastava dinheiro e tempo todo mês para adicionar novos vestidos a seu guarda-roupa. Os netos pouco eram convidados a visitá-la, porque sempre se preocupava achando que aquilo que considerava ser seus preciosos bens poderia quebrar-se ou estragar-se nas mãozinhas descuidadas deles.
Então, recebeu a chocante notícia de que sua vida corria risco e que talvez lhe restasse pouco tempo aqui. No momento em que ouviu o diagnóstico do médico, ela soube de imediato que passaria todo o tempo que lhe restasse de vida com a família e os amigos, tendo o evangelho no centro de sua vida, porque era isso que considerava mais precioso.
Esses momentos de clareza chegam na vida de todos, uma hora ou outra, embora nem sempre de modo tão drástico. Vemos com clareza o que realmente importa na vida e como deveríamos estar conduzindo nossa vida.
O Salvador disse:
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.1
Em nossos momentos de mais profunda reflexão ou de maior necessidade, a alma do homem se volta para o céu, buscando uma resposta divina para as maiores perguntas da vida: De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos quando partirmos desta vida?
A resposta a essas perguntas não se descobre folheando as páginas de livros acadêmicos ou pesquisando. Essas perguntas transcendem a mortalidade. Elas abrangem a eternidade.
De onde viemos? Essa é a dúvida inevitável, mesmo que não expressa, de todo ser humano que tem a consciência de ter existido antes desta vida mortal.
O Apóstolo Paulo disse aos atenienses, no Areópago, que somos “geração de Deus”.2 Sabendo que nosso corpo físico foi gerado por nossos pais mortais, temos de explorar o significado da declaração de Paulo. O Senhor declarou que “o espírito e o corpo são a alma do homem”.3 Portanto, o espírito é que foi gerado por Deus. O autor de Hebreus O chama de “Pai dos espíritos”.4 O espírito de cada homem e de cada mulher é literalmente um filho e uma filha “gerados para Deus”.5
Vemos que poetas inspirados, ao refletir sobre o assunto, deixaram mensagens tocantes e registraram pensamentos transcendentais. William Wordsworth escreveu esta verdade:
Nosso nascimento é apenas um sono e um esquecimento;
A alma que surge conosco, nossa Estrela da vida,
Teve outro lugar para habitar,
E veio de longe;
Não em total esquecimento
Nem em completa nudez,
Mas seguindo nuvens de glória, viemos
De Deus, que é nosso lar!
O céu nos circunda em nossa infância!6
Os pais ponderam sua responsabilidade de ensinar, inspirar e orientar os filhos e ser-lhes um exemplo. Enquanto isso, os filhos, particularmente os jovens, fazem a pungente pergunta: “Por que estamos aqui?” Geralmente, ela é feita em silêncio no fundo da alma e é formulada desta maneira: “Por que eu estou aqui?”
Quão gratos devemos ser por sabermos que um sábio Criador criou a Terra e nos colocou aqui, esquecidos de nossa existência pré-mortal, para que passássemos por um período de provação, uma oportunidade de provar-nos, a fim de nos qualificar para tudo o que Deus preparou para nós.
Está claro que o propósito primordial de nossa existência aqui na Terra é obter um corpo de carne e ossos. Também nos foi concedida a dádiva do arbítrio. De inúmeras maneiras, temos o privilégio de escolher por nós mesmos. Estamos aqui para aprender na árdua escola da experiência. Discernimos o bem do mal. Diferenciamos o amargo do doce. Descobrimos quais são as consequências associadas a nossas ações.
Pela obediência aos mandamentos de Deus, podemos qualificar-nos para a “casa” mencionada por Jesus, ao declarar: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. (…) Vou preparar-vos lugar (…) para que onde eu estiver estejais vós também”.7
Embora venhamos à imortalidade “seguindo nuvens de glória”, a vida segue, inexoravelmente, seu curso. A juventude vem após a infância e a maturidade chega quase imperceptivelmente. Adquirimos pela experiência a necessidade que temos de buscar a assistência dos céus ao seguirmos nosso caminho pela vida.
Deus, nosso Pai, e Jesus Cristo, nosso Senhor, demarcaram o caminho para a perfeição. Eles nos chamam para que escolhamos as verdades eternas e nos tornemos perfeitos como Eles são perfeitos.8
O Apóstolo Paulo comparou a vida a uma corrida com uma meta claramente definida. Exortou os hebreus, dizendo: “Deixemos (…) o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta”.9
Em nosso zelo, não esqueçamos o sábio conselho de Eclesiastes: “Não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha”.10 Na verdade, o prêmio pertence à pessoa que persevera até o fim.
Ao refletir sobre a corrida da vida, lembro-me de outra corrida dos meus tempos de criança. Meus amigos e eu esculpíamos a canivete pequenos barcos de brinquedo com a madeira macia de um salgueiro. Com uma vela triangular de pano, lançávamos nossas toscas embarcações em uma corrida nas águas relativamente turbulentas do Rio Provo aqui em Utah. Corríamos ao longo da margem do rio e víamos os barquinhos sendo, às vezes, sacudidos violentamente na rápida correnteza, e às vezes, navegando serenamente quando o rio ficava mais profundo.
Numa daquelas corridas, vimos que um barco liderava os demais na direção da linha de chegada. De repente, a correnteza o arrastou para muito perto de um grande redemoinho, e o barco adernou e emborcou. Ficou ali girando e girando, sem poder voltar à corrente principal. Por fim, foi parar no fundo do redemoinho, no meio de restos e destroços, preso pelos tentáculos ávidos do musgo verde.
Os barquinhos de brinquedo da minha infância não tinham quilha para estabilizá-los, leme para guiá-los, nem fonte de força. Seu destino inevitável era rio abaixo: a trilha com menor resistência.
Ao contrário dos barcos de brinquedo, fomos abençoados com atributos divinos para guiar nossa jornada. Não viemos à mortalidade para flutuar ao sabor das correntes da vida, mas com a capacidade de pensar, raciocinar e realizar.
Nosso Pai Celestial não nos lançou em nossa jornada eterna sem preparar meios pelos quais pudéssemos receber orientação para garantir nosso retorno seguro. Refiro-me à oração. Refiro-me também ao sussurro da voz mansa e delicada; sem esquecer as santas escrituras, que contêm a palavra do Senhor e as palavras dos profetas, dadas a nós para ajudar-nos a cruzar com sucesso a linha de chegada.
Em algum momento de nossa missão mortal, surge o passo vacilante, o sorriso abatido, as dores da doença, sim, o final do verão, a aproximação do outono, o frio do inverno e a transição que chamamos de morte.
Toda pessoa ponderada já se fez a pergunta tão bem expressa por Jó, no passado: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?”11 Por mais que tentemos afastar essa pergunta do pensamento, ela sempre volta. A morte chega para todos os seres humanos. Chega para os idosos que caminham com passos vacilantes. Seu chamado é ouvido por aqueles que mal venceram a metade da jornada da vida. Às vezes, silencia o riso de criancinhas.
E quanto à vida após a morte? Seria a morte o fim de tudo? Robert Blatchford, em seu livro God and My Neighbor [Deus e Meu Próximo], atacou vigorosamente crenças cristãs como Deus, Cristo, oração e, em especial, a imortalidade. Ele audaciosamente afirmou que a morte era o fim de nossa existência e que ninguém era capaz de provar o contrário. Foi então que algo surpreendente aconteceu. Sua muralha de ceticismo veio abaixo, deixando-o exposto e indefeso. Aos poucos ele começou a sentir seu retorno à fé que ridicularizara e abandonara. O que causou tamanha mudança em sua perspectiva? A morte de sua esposa. Com o coração partido ele entrou no aposento onde estava o que restara dela e olhou novamente para a face de quem ele tanto amou. Ao sair, disse a um amigo: “É ela, mas ao mesmo tempo, não é. Tudo mudou. Algo que antes havia ali foi levado. Ela não é a mesma. O que pode tê-la deixado senão sua alma?”
Mais tarde ele escreveu: “A morte não é o que alguns imaginam. É apenas como se alguém tivesse passado para outro aposento. Nesse outro aposento encontraremos (…) os amados homens e mulheres e as amáveis crianças que amávamos e perdemos”.12
Irmãos e irmãs, sabemos que a morte não é o fim. Essa verdade tem sido ensinada por profetas vivos em todas as épocas. Também se encontra nas sagradas escrituras. No Livro de Mórmon lemos estas palavras específicas e consoladoras:
“Ora, com relação ao estado da alma entre a morte e a ressurreição — eis que me foi dado saber por um anjo que o espírito de todos os homens, logo que deixa este corpo mortal, sim, o espírito de todos os homens, sejam eles bons ou maus, é levado de volta para aquele Deus que lhes deu vida.
E então acontecerá que o espírito daqueles que são justos será recebido num estado de felicidade, que é chamado paraíso, um estado de descanso, um estado de paz, onde descansará de todas as suas aflições e de todos os seus cuidados e tristezas”.13
Depois que o Salvador foi crucificado e após Seu corpo ter permanecido no sepulcro por três dias, o espírito voltou a entrar Nele. A pedra foi rolada e o Redentor ressuscitado dali saiu, revestido de um corpo imortal de carne e ossos.
A resposta à pergunta de Jó — “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” — foi dada quando Maria e outras mulheres se aproximaram do sepulcro e viram dois homens com roupas brilhantes, que lhes disseram: “Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou”.14
Graças à vitória de Cristo sobre a morte, todos seremos ressuscitados. Essa é a redenção da alma. Paulo escreveu: “E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres”.15
É a glória celestial que buscamos. É na presença de Deus que desejamos habitar. É de uma família eterna que queremos ser membros. Essas bênçãos são alcançadas por meio de uma vida de esforço, de busca, de arrependimento e de sucesso final.
De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos quando partirmos desta vida? Essas perguntas universais não precisam mais ficar sem respostas. Do mais profundo de minha alma e com toda a humildade, testifico que estas coisas de que falei são verdadeiras.
Nosso Pai Celestial Se alegra com aqueles que guardam Seus mandamentos. Também Se preocupa com o filho perdido, o adolescente indolente, o jovem rebelde, o pai ou a mãe delinquente. Na verdade, o Mestre lhes fala, com ternura, dizendo a todos: “Voltem. Subam. Entrem. Voltem para casa. Voltem para mim”.
Dentro de uma semana celebraremos a Páscoa. Nossos pensamentos se voltarão para a vida do Salvador, para Sua morte e Sua Ressurreição. Como Sua testemunha especial, testifico que Ele vive e que aguarda nosso retorno triunfante. Que possamos retornar, é minha humilde oração em Seu santo nome, sim, Jesus Cristo, nosso Salvador e nosso Redentor. Amém.

domingo, 12 de agosto de 2012

Seu Potencial, Seu Privilégio


Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

Ao lerem as escrituras e ouvirem as palavras dos profetas com toda mente e de todo coração, o Senhor lhes dirá como viver a plenitude de seus privilégios do sacerdócio.

Era uma vez um homem cujo sonho de sua vida era subir a bordo de um navio de cruzeiro e viajar pelo Mar Mediterrâneo. Ele sonhava em andar pelas ruas de Roma, Atenas e Istambul. Ele economizou cada centavo até juntar o suficiente para sua passagem. Como o dinheiro era escasso, levou consigo uma mala cheia de latas de feijão, caixas de biscoitos e saquinhos de limonada em pó, e era isso que ele consumia todos os dias.
Ele teria adorado participar das muitas atividades oferecidas no navio — exercitar-se na sala de ginástica, jogar mini-golfe e nadar na piscina. Invejava aqueles que iam ao cinema, aos shows e às apresentações culturais. E, oh, como ele ansiava por provar um pouco que fosse da comida incrível que viu no navio — cada refeição parecia um banquete! Mas o homem não queria gastar muito, por isso não participou de nenhuma daquelas coisas. Conseguiu ver as cidades que havia desejado visitar, mas durante a maior parte da viagem, ficou em sua cabine e só consumiu seu parco alimento.
No último dia do cruzeiro, um membro da tripulação perguntou-lhe em qual das festas de despedida ele estaria presente. Foi então que o homem ficou sabendo que não só a festa de despedida, mas quase tudo a bordo do navio de cruzeiro — a comida, o entretenimento, todas as atividades — já estava incluído no preço da sua passagem. O homem percebeu tarde demais que estivera vivendo bem abaixo de seus privilégios.
A questão levantada por essa parábola é: Será que, como portadores do sacerdócio, também estamos vivendo abaixo de nossos privilégios no tocante ao poder sagrado, às dádivas e bênçãos sagradas que são nosso privilégio e direito como portadores do sacerdócio de Deus?

A Glória e a Grandiosidade do Sacerdócio

Todos sabemos que o sacerdócio é muito mais do que somente um nome ou título. O Profeta Joseph Smith ensinou que “o sacerdócio é um princípio eterno e existiu com Deus desde a eternidade (…) por toda a eternidade, sem princípio de dias ou fim de anos”.1 Ele possui “a chave do conhecimento de Deus”.2 Na verdade, por meio do sacerdócio, “manifesta-se o [verdadeiro] poder da divindade”.3
As bênçãos do sacerdócio transcendem nossa capacidade de compreensão. Os fiéis portadores do Sacerdócio de Melquisedeque podem “[tornar-se] (…) os eleitos de Deus”.4 Eles são “santificados pelo Espírito para a renovação do corpo”5 e podem, no final, receber “tudo o que [o] Pai possui”.6 Isso pode ser difícil de compreender, mas é maravilhoso, e testifico que é verdade.
O fato de nosso Pai Celestial ter confiado esse poder e responsabilidade ao homem é uma prova de Seu grande amor por nós e um prenúncio de nosso potencial como filhos de Deus no futuro.
No entanto, muitas vezes nossas ações sugerem que vivemos bem aquém do nosso potencial. Quando questionados sobre o sacerdócio, muitos de nós podem recitar uma definição correta; mas, em nossa vida diária, talvez haja pouca evidência de que nosso entendimento se estenda além do nível de um roteiro ensaiado.
Irmãos, estamos diante de uma escolha. Podemos satisfazer-nos com uma experiência pobre como portadores do sacerdócio, e nos contentar com algo bem aquém de nossas prerrogativas, ou podemos participar de um farto banquete de oportunidades espirituais e de bênçãos abrangentes do sacerdócio.

O que podemos fazer para viver à altura do nosso potencial?

As palavras escritas nas escrituras e proferidas na conferência geral devem, sim, “aplicar-se a nossa vida”,7 e não ser apenas para ler ou ouvir.8 Muitas vezes, participamos de reuniões e fazemos que sim com a cabeça; podemos até sorrir com aprovação e concordar. Anotamos alguns pontos práticos, e podemos dizer a nós mesmos: “Isso é algo que vou fazer”. Mas em algum lugar entre o ato de ouvir, de anotar um lembrete em nosso celular e de realmente agir, o nosso seletor de ações passa da posição “fazer” para a posição “mais tarde”. Irmãos, certifiquemo-nos de girar nosso seletor de “fazer” para a posição “agora”!
Ao lerem as escrituras e ouvirem as palavras dos profetas, com toda mente e de todo coração, o Senhor lhes dirá como viver a plenitude de seus privilégios do sacerdócio. Não deixem passar um dia sequer sem fazer algo para colocar em prática os sussurros do Espírito.

Primeiro: Leiam o Manual do Proprietário

Se você tivesse o computador mais avançado e caro do mundo, será que o usaria apenas como enfeite de mesa? O computador pode parecer impressionante. Pode ter todo tipo de potencial. Mas, só quando estudar o manual do proprietário, aprender a usar os programas e o ligar à tomada é que poderá ter acesso a esse potencial.
O santo sacerdócio de Deus também tem um manual do proprietário. Comprometamo-nos a ler as escrituras e os manuais com mais propósito e mais concentração. Comecemos relendo as seções 20, 84, 107 e 121 de Doutrina e Convênios. Quanto mais estudarmos o propósito, o potencial e a utilização prática do sacerdócio, mais nos surpreenderemos com seu poder, e o Espírito vai-nos ensinar como acessar e usar esse poder para abençoar nossa família, nossa comunidade e a Igreja.
Como povo, justificadamente damos alta prioridade ao aprendizado secular e ao desenvolvimento profissional. Queremos e devemos destacar-nos nas aptidões profissionais e nos estudos. Cumprimento vocês que lutam arduamente para conseguir uma educação e se tornar peritos em seu campo. Convido-os também a tornarem-se especialistas nas doutrinas do evangelho, especialmente a doutrina do sacerdócio.
Vivemos em uma época em que as escrituras e as palavras dos profetas estão mais acessíveis do que em qualquer momento da história do mundo. No entanto, é nosso privilégio, dever e responsabilidade estudar e compreender seus ensinamentos. Os princípios e as doutrinas do sacerdócio são sublimes e grandiosos. Quanto mais estudarmos a doutrina e o potencial e aplicar o objetivo prático do sacerdócio, mais a nossa alma se ampliará, nossa compreensão aumentará, e veremos o que o Senhor reservou para nós.

Segundo: Buscar as Revelações do Espírito

Um testemunho firme de Jesus Cristo e de Seu evangelho restaurado exige mais do que conhecimento — exige revelação pessoal, confirmada pela aplicação sincera e dedicada dos princípios do evangelho. O Profeta Joseph Smith explicou que o sacerdócio é um canal para a revelação: “É o meio pelo qual o Todo-Poderoso começou a revelar Sua glória no princípio da criação desta Terra e o meio pelo qual continuará a revelar-Se aos filhos dos homens até o presente momento”.9
Se não estamos buscando fazer uso desse canal de revelação, estamos vivendo abaixo de nossos privilégios do sacerdócio. Por exemplo, há aqueles que acreditam, mas não sabem que acreditam. Receberam várias respostas por meio da voz mansa e delicada ao longo de muito tempo, mas como essa inspiração parece tão pequena e insignificante, não a reconhecem como realmente é. Como resultado, permitem que dúvidas os impeçam de atingir seu pleno potencial como portadores do sacerdócio.
A revelação e o testemunho nem sempre chegam com força esmagadora. Para muitos, o testemunho chega lentamente, um pouco de cada vez. Às vezes, chega de forma tão gradual que é difícil recordar o momento exato em que soubemos realmente que o evangelho era verdadeiro. O Senhor nos dá “linha sobre linha, preceito sobre preceito, um pouco aqui e um pouco ali”.10
De certa forma, nosso testemunho é como uma bola de neve que cresce a cada vez que rola. Começamos com uma pequena quantidade de luz, mesmo que seja apenas um desejo de acreditar. Gradualmente, “a luz se apega à luz”,11 e “aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito”,12quando, então, “no devido tempo, [receberemos] de sua plenitude”.13
Imaginem que coisa gloriosa seria ultrapassar nossas limitações terrenas, vendo abrir os olhos de nosso entendimento e recebendo luz e conhecimento das fontes celestiais! Temos o privilégio e a oportunidade, como portadores do sacerdócio, de buscar revelações pessoais e aprender a reconhecer a verdade por nós mesmos, por meio do testemunho seguro do Espírito Santo.
Busquemos sinceramente a luz da inspiração pessoal. Roguemos ao Senhor que conceda a nossa mente e alma aquela centelha de fé que nos permitirá receber e reconhecer a divina ministração do Espírito Santo, especificamente para a nossa situação na vida e por nossos desafios e deveres do sacerdócio.

Terceiro: Encontrar Alegria no Serviço do Sacerdócio

Durante minha carreira como piloto de avião, tive a oportunidade de ser oficial de verificação de proficiência e treinamento. Como parte desse trabalho, eu treinava e testava pilotos experientes para garantir que eles tivessem suficiente conhecimento e perícia para pilotar com segurança e eficácia aqueles grandes e magníficos jatos.
Descobri que havia pilotos que, mesmo após muitos anos de carreira profissional, nunca deixaram de sentir a emoção de subir para a atmosfera, “escapando dos laços mal-humorados da Terra para dançar pelos céus com sorridentes asas prateadas”.14 Adoravam o impetuoso sibilo do ar, o rosnar das potentes turbinas, a sensação de ser “um com o vento e um com o céu escuro e as estrelas à frente”.15 Seu entusiasmo era contagiante.
Também havia uns poucos que pareciam estar simplesmente cumprindo a rotina. Tinham aprendido a lidar com os sistemas e a manejar os jatos, mas em algum lugar ao longo do caminho tinham perdido a alegria de voar “onde nenhuma cotovia, ou mesmo uma águia, já voou”.16 Tinham perdido o sentimento de admiração diante de um reluzente nascer do sol e da beleza das criações de Deus ao atravessarem oceanos e continentes. Se cumprissem os requisitos oficiais, eu liberava sua licença, mas ao mesmo tempo sentia pena deles.
Vocês poderiam perguntar a si mesmos se estão apenas cumprindo a rotina como portadores do sacerdócio — fazendo o que é esperado, mas sem sentir a alegria que deveriam ter. O sacerdócio nos oferece muitas oportunidades de sentir a alegria descrita por Amon: “Não temos, portanto, motivo para regozijar-nos? (…) Fomos instrumentos [nas] mãos [do Senhor] para realizar esta grande e maravilhosa obra. Gloriemo-nos, portanto (…) no Senhor; sim, rejubilar-nos-emos”.17
Irmãos, nossa religião é cheia de alegria! Temos a grande bênção de sermos portadores do sacerdócio de Deus! No livro de Salmos, lemos: “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó Senhor, na luz da tua face”.18 Podemos sentir essa grande alegria: basta que a procuremos.
Muitas vezes deixamos de sentir a felicidade decorrente da prática diária do serviço do sacerdócio. Às vezes, nossos encargos podem parecer fardos. Irmãos, que não passemos a vida imersos em três As: afadigados, angustiados e cheios de autopiedade. Vivemos aquém de nossos privilégios quando permitimos que âncoras mundanas nos afastem da alegria abundante que advém do serviço dedicado e fiel no sacerdócio, especialmente dentro da nossa própria casa. Vivemos aquém de nossos privilégios quando deixamos de participar do banquete de felicidade, paz e alegria que Deus concede tão abundantemente aos fiéis servos do sacerdócio.
Rapazes, se o ato de chegar cedo à Igreja para ajudar a preparar o sacramento lhes parecer mais uma tarefa árdua do que uma bênção, convido vocês a pensarem no que essa ordenança sagrada pode significar para um membro da ala que talvez tenha tido uma semana difícil. Irmãos, se seus esforços no ensino familiar parecerem pouco eficazes, convido-os a ver com os olhos da fé o que uma visita de um servo do Senhor poderá fazer por uma família que tem problemas que ninguém vê. Quando compreenderem o divino potencial do seu serviço no sacerdócio, o Espírito de Deus vai encher-lhes o coração e a mente, e vai brilhar em seus olhos e em seu rosto.
Como portadores do sacerdócio, que jamais nos tornemos insensíveis às coisas maravilhosas e extraordinárias que o Senhor nos confiou.

Conclusão

Meus queridos irmãos, busquemos aprender a doutrina do santo sacerdócio; fortaleçamos nosso testemunho linha sobre linha, recebendo as revelações do Espírito, e encontremos a verdadeira alegria do serviço diário no sacerdócio. Se fizermos essas coisas, vamos começar a viver de acordo com nosso potencial e nossos privilégios como portadores do sacerdócio, e vamos ser capazes de fazer “todas as coisas em Cristo que [nos] fortalece”.19 Disso presto testemunho, como apóstolo do Senhor, e deixo-lhes minha bênção, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Permaneçam no Território do Senhor!

Elder Ulisses Soares
Dos Setenta

Nossa pergunta diária deve ser: “Será que minhas ações me colocam no território do Senhor ou do inimigo?”
O Presidente Thomas S. Monson disse certa vez: “Vou dar-lhes uma fórmula simples pela qual podem medir as escolhas com que se defrontam. É fácil recordá-la: ‘Não se pode estar certo fazendo o que é errado nem se pode estar errado, fazendo o que é certo’” (“O Caminho da Perfeição”, A Liahona, julho de 2002, p. 111). A fórmula do Presidente Monson é simples e direta. Funciona da mesma forma que a Liahona dada a Leí. Se exercermos fé e formos diligentes na obediência aos mandamentos do Senhor, encontraremos facilmente o rumo certo a seguir ao nos depararmos com as pequenas decisões cotidianas.
O Apóstolo Paulo nos exortou sobre a importância de semear no Espírito e de estar cientes de não semear na carne, ao dizer:
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.
E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:7–9).
Semear no Espírito significa que todos os nossos pensamentos, palavras e ações precisam elevar-nos ao nível da divindade de nossos pais celestes. Contudo, as escrituras se referem à carne como a natureza física ou carnal do homem natural, que permite às pessoas serem influenciadas por paixões, desejos, apetites e tendências da carne, em vez de buscar a inspiração do Espírito Santo. Se não tomarmos cuidado, essas influências combinadas com a pressão mundana do mal podem levar-nos a adotar uma conduta vulgar e leviana que pode tornar-se parte de nosso caráter. Para evitarmos essas más influências, devemos seguir o que o Senhor instruiu ao Profeta Joseph Smith sobre semear continuamente no Espírito: “Portanto não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande” (D&C 64:33).
Para edificarmos nosso espírito, é preciso que “toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre [nós]” (Efésios 4:31) e que “[sejamos] sábios nos dias de [nossa] provação; [despojando-nos] de todas as impurezas” (Mórmon 9:28).
Ao estudarmos as escrituras, aprendemos que as promessas que o Senhor fez para nós dependem de nossa obediência e incentivam o viver reto. Essas promessas devem nutrir-nos a alma, dando-nos esperança, incentivando-nos a não desistir, mesmo diante dos desafios diários de viver num mundo em que os valores éticos e morais se extinguem, motivando ainda mais as pessoas a semear na carne. No entanto, como podemos ter certeza de que nossas escolhas estão nos ajudando a semear no Espírito e não na carne?
O Presidente George Albert Smith, repetindo conselhos dados por seu avô, disse certa vez: “Há uma linha demarcatória bem definida entre o território do Senhor e o território do diabo. Se você vai ficar na linha no lado do Senhor estará sob Sua influência e não terá nenhum desejo de fazer coisas erradas, mas, se você cruzar para o lado do diabo, um centímetro que seja, estará em poder do tentador, e, se ele for bem-sucedido, você não será capaz de pensar nem raciocinar corretamente porque terá perdido o Espírito do Senhor” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: George Albert Smith, 2011, p. 193).
Portanto, nossa pergunta diária deve ser: “Será que minhas ações me colocam no território do Senhor ou no território do inimigo?”
O profeta Mórmon alertou seu povo sobre a importância da capacidade de distinguir o bem do mal:
“Portanto todas as coisas boas vêm de Deus; e o que é mau vem do diabo; porque o diabo é inimigo de Deus e luta constantemente contra ele e convida e incita a pecar e a fazer continuamente o mal.
Eis, porém, que aquilo que é de Deus convida e impele a fazer o bem continuamente” (Morôni 7:12–13).
A Luz de Cristo juntamente com a companhia do Espírito Santo devem ajudar-nos a determinar se nosso modo de vida nos coloca no território do Senhor ou não. Se nossas atitudes forem boas, elas são inspiradas por Deus, porque toda coisa boa vem de Deus. Contudo, se nossas atitudes forem más, estamos sendo influenciados pelo inimigo, porque ele persuade os homens a fazer o mal.
O povo africano aqueceu meu coração por sua determinação e diligência em permanecer no território do Senhor. Mesmo nas circunstâncias adversas da vida, aqueles que aceitam o convite de vir a Cristo se tornam uma luz para o mundo. Há poucas semanas, ao visitar uma das alas na África do Sul, tive o privilégio de acompanhar dois jovens sacerdotes, seu bispo e seu presidente de estaca em uma visita aos rapazes menos ativos de seu quórum. Fiquei muito impressionado com a coragem e a humildade que aqueles dois sacerdotes mostraram ao convidar os rapazes menos ativos a voltar para a Igreja. Enquanto conversavam com os rapazes menos ativos, observei que seu semblante refletia a luz do Salvador e, ao mesmo tempo, enchia de luz as pessoas a seu redor. Eles estavam cumprindo seu dever de “[socorrer] os fracos, [erguer] as mãos que pendem e [fortalecer] os joelhos enfraquecidos” (D&C 81:5). A atitude daqueles dois sacerdotes os colocou no território do Senhor, e eles serviram de instrumentos em Suas mãos, ao convidar outros a fazer o mesmo.
Em Doutrina e Convênios 20:37, o Senhor ensina o que significa semear no Espírito e o que realmente acontece no território do Senhor, da seguinte maneira: Humilhar-nos perante Deus, ter o coração quebrantado e o espírito contrito, testificar diante da Igreja que realmente nos arrependemos de todos os nossos pecados, tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, ter a determinação de servi-Lo até o fim, manifestar por nossas obras, que recebemos o Espírito de Cristo e fomos recebidos pelo batismo em Sua Igreja. Nossa disposição de cumprir esses convênios nos prepara para viver na presença de Deus como seres exaltados. A lembrança desses convênios deve guiar nossa conduta em relação a nossa família, a nossas interações sociais com outras pessoas e, especialmente, em nosso relacionamento com o Salvador.
Jesus Cristo estabeleceu o perfeito padrão de conduta pelo qual podemos edificar nossas atitudes, a fim de poder cumprir esses convênios sagrados. O Salvador baniu de Sua vida toda influência que pudesse desviar-Lhe a atenção de Sua missão divina, especialmente ao ser tentado pelo inimigo ou por seus seguidores, enquanto ministrava aqui na Terra. Embora jamais tenha pecado, Ele tinha um coração quebrantado e um espírito contrito, cheio de amor por nosso Pai Celestial e por todos os homens. Ele Se humilhou perante nosso Pai Celestial, negando Sua própria vontade para cumprir o que o Pai pedira Dele, em todas as coisas, até o fim. Mesmo naquele momento de extrema dor física e espiritual, carregando nos ombros o fardo dos pecados de toda a humanidade e vertendo sangue por todos os poros, Ele disse ao Pai: “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).
Minha oração, irmãos e irmãs, é que, ao pensarmos em nossos convênios, mantenhamo-nos fortes contra “os ardentes dardos do adversário” (1 Néfi 15:24), seguindo o exemplo do Salvador para semearmos no Espírito e habitarmos no território do Senhor. Lembremos a fórmula do Presidente Monson: “Não se pode estar certo fazendo o que é errado nem se pode estar errado, fazendo o que é certo”. Digo essas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...