segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Façamos Boas Escolhas

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Fevereiro/2009)

Élder Ulisses Soares

Jacó, irmão de Néfi, era conhecido como um homem que tinha muita fé no Senhor e que, a despeito das provas que recebeu, tinha uma reação positiva, constante e firme, e não podia ser abalado. Jacó nasceu no deserto, depois que sua família deixou Jerusalém, e desenvolveu fé no Senhor graças à influência de seus pais e de seu irmão Néfi. Por isso, recebeu muitas revelações em vida, recebeu a ministração de anjos e ouviu a voz do Senhor (ver Jacó 7:5).

Devido às escolhas que fez na vida, foi capaz de cumprir aquilo que lhe foi designado — registrar a história de seu povo para que todos aqueles que futuramente a lessem pudessem se beneficiar de sua fé e recebessem bênçãos.

Recentemente, durante uma conversa com um ex-missionário, ouvi-o contar a respeito de sua experiência. Ele disse que, durante sua missão, precisou exercitar a fé constantemente para fazer boas escolhas, ao longo de cada dia de sua missão, para poder atingir seu objetivo como missionário. “Sintome extremamente abençoado; sei que a missão foi um bom treinamento para a vida, pois à medida que exerço fé para escolher corretamente, posso determinar meu futuro e ter uma vida plena de felicidade”, acrescentou.

Por fazermos parte de uma geração especial, que vive no limiar dos tempos, enfrentamos escolhas difíceis em nosso dia-a-dia, especialmente neste mundo tão conturbado e com valores éticos sendo cada vez mais combatidos. Segundo os nossos profetas atuais, nossos problemas não são novos, mas hoje em dia são mais intensos do que o eram num passado muito recente.

Se nos lembrarmos da experiência de Jacó, quando seus valores e fé foram explicitamente atacados por Serém, podemos nos inspirar para escolher o que é correto diante dos desafios diários. Apesar de Serém ser instruído e conhecer a língua do povo, de ser perito em lisonjear as pessoas e ter muita habilidade no uso das palavras para persuadir, ele não acreditava em Deus e nem no futuro.

Serém fez suas escolhas influenciado pelo poder do mal, chegando mesmo a dizer que foi enganado pelo inimigo. Antes de sua morte, declarou: “Temo haver cometido o pecado imperdoável, porque menti a Deus; pois neguei o Cristo e disse que acreditava nas escrituras; e elas verdadeiramente testificam dele. E por haver assim mentido a Deus, tenho muito medo de que a minha situação seja terrível; mas a Deus confesso-me” (Jacó 7:19).

Nós representamos o futuro da Igreja em nosso país, e o inimigo quer prejudicar-nos, quer destruir nossa fé e levar-nos por caminhos ilusórios e atraentes, que na verdade são mortais e trarão muita miséria em nossa vida.

Falando sobre as névoas de escuridão no sonho de Leí, Néfi disse aos seus irmãos: “As névoas de escuridão são as tentações do diabo que cegam os olhos e endurecem o coração dos filhos dos homens, conduzindo-os a caminhos espaçosos para que pereçam e se percam” (1 Néfi 12:17).

Néfi estava tentando dizer que quando nos deixamos levar pelas tentações do inimigo, não fazendo o que é certo, ficamos cegos para as conseqüências de nossas decisões erradas e nos tornamos orgulhosos, e não somos ensináveis. Ai está o grande perigo, pois é nesse momento que tomamos as decisões erradas que podem nos levar até a morte espiritual.

O Presidente Monson disse, em 2 de junho de 2008, em Brasília, durante a reunião com os membros: “Nós nos tornamos o que nós escolhemos. Nossas escolhas determinam nosso destino.”

E acrescentou: “Confio que vamos escutar os conselhos de nossos líderes, que são inspirados para guiar-nos no caminho que devemos escolher. (…) Eu espero que escutem àqueles que os amam e que têm as melhores intenções no coração. (…) Que possamos escutar os sussurros do Espírito Santo. Prometo que, se escutarem o Espírito Santo, se houver um desejo de retidão em seu coração, se sua conduta refletir esse desejo, serão guiados pelo Santo Espírito”.

Que promessa maravilhosa ouvimos de um Profeta vivo em nossos dias! Podemos contar com essa ajuda preciosa ao fazer nossas escolhas diariamente.

O Élder W. Craig Zwick, dos Setenta, disse certa vez: “Ao fazermos escolhas corretas nas pequenas coisas diariamente, o Senhor nos fortalecerá e nos ajudará a escolher o certo durante os tempos de dificuldade”.

Em D&C 58:27-28 lemos o seguinte: “Em verdade eu digo: Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão. Pois neles está o poder e nisso são seus próprios árbitros. E se os homens fizerem o bem, de modo algum perderão sua recompensa”.

Presto meu testemunho de que, ao fazer boas escolhas hoje, estaremos construindo um futuro de plena alegria que fortalecerá nossa fé e retidão. Sei que, ao desfrutar daquela alegria, seremos fortalecidos para continuar a perseverar no caminho que nos levará de volta à presença de nosso Pai Celestial.

sábado, 28 de agosto de 2010

Coragem para Crer

Élder Walter F. Gonzáles - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Fevereiro/2007)

Élder Walter F. Gonzáles

A Família — Proclamação ao Mundo nos ensina que “a felicidade na vida familiar é mais provável de ser alcançada quando fundamentada nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo”. Essa proclamação apresenta princípios e ensinamentos que nos ajudam a fundamentar nossa vida no Salvador. Um desses princípios é a fé.

No Velho Testamento, vemos a história de Elias e a viúva de Sarepta. A história mostra a coragem da viúva ao crer nas palavras do profeta. Essa coragem é um exemplo de como podemos exercitar nossa fé. A escritura diz que o profeta foi para Sarepta e, na entrada da cidade, encontrou-se com a viúva que estava apanhando lenha. Elias “a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, num vaso um pouco de água que beba. E, indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me agora também um bocado de pão na tua mão”.

O pedido era demasiado para ela, que respondeu explicando a sua situação: “Vive o Senhor teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos”. O profeta respondeu com um pedido e uma promessa: “Não temais; vai, faze conforme à tua palavra; porém faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui; depois farás para ti e para teu filho.” Então ele fez a promessa: “Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra”.

Imaginem como nós reagiríamos, face a uma circunstância semelhante. Será que acreditaríamos nas palavras do profeta e nas promessas de Deus? Teríamos coragem para crer? A viúva teve. O relato bíblico diz que ela fez conforme fora instruída pelo profeta e, com isso, também aprendemos que as promessas se cumpriram. “E assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do Senhor, que ele falara pelo ministério de Elias” (I Reis 17:10-16).

Com a restauração do evangelho, temos o conhecimento da doutrina e dos princípios que os antigos também conheceram. Uma das coisas que conhecemos de Deus é que Ele não pode mentir. Mahonri Moriancumer conhecia esse atributo de Deus. Quando o Senhor lhe perguntou: “Crês nas palavras que eu direi? [E] ele respondeu: Sim, Senhor, eu sei que falas a verdade, porque és um Deus de verdade e não podes mentir”. Em Doutrina e Convênios, o próprio Senhor declarou: “Eu, o Senhor, prometo aos fiéis e não posso mentir” (D&C 62:6). Isso significa que quando o Senhor faz uma promessa, vai cumpri-la. Nós precisamos ter coragem para crer, tal como fez a viúva de Sarepta.

O temor muitas vezes priva o cumprimento de promessas feitas. Em D&C 67:3 aprendemos: “Esforçastes-vos para crer que receberíeis a bênção que vos fora oferecida; mas eis que em verdade vos digo que havia temores em vosso coração e, em verdade, esta é a razão por que não a recebestes”. Para vencer esses temores, temos de ter coragem para crer.

As ordenanças, a palavra de Deus proferida pelos profetas nas escrituras e pelos profetas vivos, bem como os convênios que fazemos estão cheios de promessas. Temos coragem para crer nessas promessas? Podemos demonstrar essa coragem pagando os dízimos integralmente, seguindo os conselhos do Presidente da Igreja e cumprindo muitos outros princípios. Por exemplo, os jovens acreditam na promessa de adquirir sabedoria buscando o maior grau de escolaridade possível. O Presidente Gordon B. Hinckley declarou: “Vocês pertencem a uma Igreja que prega a importância da educação. Vocês receberam o mandamento do Senhor de educar a mente, o coração e as mãos (…) Ele deseja que vocês treinem a mente e as mãos para que sejam uma influência positiva ao longo da vida. E ao fazerem isso, ao agirem com honradez e excelência”, o profeta de Deus promete, “trarão honra para a Igreja, pois serão respeitados como homens ou mulheres de integridade, capacidade e competência. Sejam inteligentes. Não sejam tolos. Vocês não podem enganar nem iludir as pessoas nem a si mesmos” (“Conselhos e Oração do Profeta para os Jovens”, A Liahona, abril de 2001, p. 34).

Finalmente, poderíamos evidenciar se temos coragem para crer nas promessas feitas pelo Salvador em Seu grande sacrifício expiatório. Muitas pessoas acham que já fizeram de tudo para serem perdoadas, mas de alguma forma ainda não sentem esse perdão. Alma, o filho, é um exemplo de como a Expiação é o meio pelo qual o peso do fardo é retirado de cada um de nós. Realmente temos coragem para crer na Expiação e em seus efeitos, em todos os dias de nossa vida? Alma sentiu que “estava sendo assim atormentado e (…) estava perturbado pela lembrança de tantos pecados”. Nesse momento, ele relata: “Eis que me lembrei também de ter ouvido meu pai profetizar ao povo sobre a vinda de um Jesus Cristo, o Filho de Deus, para expiar os pecados do mundo” (Alma 36:17).

Ao lembrar os ensinamentos que tinha recebido, Alma teve coragem para crer. Ele acreditou nos ensinamentos sobre a Expiação, fazendo dela uma coisa real em sua vida. “Ora, tendo fixado a mente nesse pensamento, clamei em meu coração: Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim que estou no fel da amargura e rodeado pelas eternas correntes da morte” (Alma 36:18).

Ao fazer da Expiação uma realidade em sua vida, Alma recebeu os benefícios das promessas contidas na doutrina de como o Salvador pode ajudar-nos, dia após dia. Ele contou a seu filho Helamã: “E então, eis que quando pensei isto, já não me lembrei de minhas dores; sim, já não fui atormentado pela lembrança de meus pecados”. E, então, a promessa aconteceu: “E oh! que alegria e que luz maravilhosa contemplei! Sim, minha alma encheu-se de tanta alegria quanta havia sido minha dor” (Alma 36:19–20).

Ter coragem para crer, tal como no episódio da viúva de Sarepta, pode fazer uma grande diferença em nossa vida. O Salvador ensinou-nos que ter coragem para crer é um mandamento, ao indicar ao principal da sinagoga: “Não temas, crê somente” (Marcos 5:36).

Eu sei que o Salvador é um Deus que não pode mentir, e que as Suas promessas sempre se cumprem, “seja pela [Sua própria] voz ou pela de [Seus] servos, é o mesmo” (D&C 1:37–38).

É uma grande benção termos o evangelho da esperança, que possibilita que nossa vida seja grandemente abençoada, para sermos cada vez melhores diante dos olhos do Senhor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Beleza de Ipoméia

Élder Paulo R. Grahl - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Março/2006)

Élder Paulo R. Grahl

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estabeleceu-se no Brasil de um modo singelo e, ao mesmo tempo, milagroso. Um breve resumo de sua história diz:

"O primeiro membro da Igreja conhecido no Brasil foi Max Richard Zapf, que foi batizado na Alemanha em agosto de 1908 e imigrou ao Brasil em 1913. após muitos anos sem contato com a Igreja, Max Zapf e sua família souberam que Augusta Kuhlmann Lippelt e seus quatro filhos, que também se haviam filiado à Igreja na Alemanha, antes de imigrarem para o Brasil em 1923, estavam vivendo na pequena cidade de Ipoméia, no sul do Brasil. Roberto, o marido de Augusta, embora não sendo membro quando se mudou com sua família para o Brasil, foi batizado vários anos mais tarde. A família Zapf logo mudou a sua residência para estar com os seus novos amigos, a família Lippelt. Essas duas famílias representaram o início da presença permanente da Igreja no Brasil" (2006 Church Almanac, p. 301).

A pequena comunidade mórmon de Ipoméia floresceu e prosperou, com a adesão de várias outras famílias, que representaram as raízes para o sólido estabelecimento da Igreja em nossa terra. Um dos descendentes daqueles primeiros pioneiros foi meu querido amigo Frederico Blind, falecido em 2005, enquanto servia como bispo da Ala Navegantes, Estaca Vale do Itajaí. A pequena capela de Ipoméia acaba de ser renovada e embelezada, tendo sido mantido o seu aspecto original. Ela representa um marco de fé e perseverança de muitos bons irmãos e irmãs daquela bela região catarinense.

Meses atrás, aprendi o significado do termo Ipoméia (ou Ipoméa). Trata-se de uma linda flor, de nome nativo indígena, de vegetação rasteira, que cresce à beira das estradas ou rios, possuindo uma beleza angelical, de cor branca, azul ou lilás.

Durante anos, apreciei a beleza dessa flor, sem conhecer-lhe o nome. Uma característica que me chamou a atenção em relação à flor é que, quando cortada a sua raiz, tanto as folhas como as flores imediatamente murcham e se fecham.

A partir dessa definição, Ipoméia passou a ser para mim mais que o berço da Igreja no Brasil, um símbolo, que alerta para a necessidade de criarmos e mantermos firmes e fortes raízes no evangelho, se desejarmos conservar a beleza de nossa família, de nossos filhos, de nosso lar e de nossa congregação.

Onde são plantadas e conservadas essas raízes? Com certeza, elas estão:
# No testemunho individual de cada membro da Igreja, seja criança, jovem ou adulto;
# Na preservação e no fortalecimento de nosso lar e de nossa família, por meio de coisas simples e eficazes como a noite familiar, o estudo das escrituras, a oração familiar, as tradições familiares;
# Na virtude e na castidade de nossos belos jovens, os quais se esmeram por ficar longe do pecado e da maldade;
# Na freqüência regular ao templo, onde solenizamos nosso casamento eterno e trabalhamos de maneira incansável para proporcionar as bênçãos das sagradas ordenanças aos nossos antepassados;
# Na pregação do evangelho, onde se unem a força e a fé dos valorosos missionários e dos dedicados membros da Igreja;
# No serviço fiel, voluntário e diligente dos membros e líderes, servindo com alegria nos mais diferentes chamados;
# Na fidelidade aos mandamentos do Senhor, inclusive a lei do dízimo, que é um dos maiores indicativos de nossa consagração ao Senhor e a Sua grandiosa causa.

A criação e a conservação de sólidas raízes deve merecer por parte de pais e líderes a melhor atenção, especialmente numa era a que chamamos "final dos tempos" e onde visualizamos o iminente cumprimento da severa advertência de Malaquias:

"Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos e todos os que cometem impiedade serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo" (Malaquias 4:1 - grifo do autor).

Temos, felizmente, o conforto de uma outra grande promessa do mesmo profeta Malaquias:

"Eis que eu vos envio o Profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição" (Malaquias 4:5-6).

Temos certeza de que Elias já veio e restaurou as chaves do sacerdócio, por meio das quais temos acesso às vitais ordenanças salvadoras, possibilitando-nos plantar firmes e fortes nossas raízes e mantermos a beleza de nossas... Ipoméias!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Identidade Ímpar de Nossa Alma

Élder Robert R. Steuer - Presidente da Área Brasil Norte (Abril/2006)

Élder Robert R. Steuer

Somente a revelação tem as respostas para algumas das mais difíceis perguntas feitas ao longo dos anos pelo homem comum e pelos teólogos. Eis algumas dessas perguntas: Continuarei a viver após a morte? Se viver, terei lembranças? Ou cairei no vazio, absorvido pelo universo insensível? Ainda serei eu mesmo? Será a morte apenas um sono, inconsciente e esquecido? Como a nossa visão é tão limitada e os caminhos e pensamentos de Deus tão vastos1, por mais que especulemos ou ouçamos opiniões alheias, nunca poderemos responder a essas perguntas.

Deus, em Sua graça, revela-nos a verdade de que a nossa vida é um único contínuo, preexistente a este mundo, que continua hoje e continuará por toda a eternidade. Aprendemos com Abraão que a alma de cada um de nós é ímpar e que somos "as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir".2 O Profeta Joseph Smith acrescentou: "A inteligência dos espíritos não teve início, nem terá fim. (...) Eles são semelhantes (coeternos) ao nosso Pai Celestial".3

Nosso corpo e nosso espírito, unidos até a morte, constituem a "alma vivente".4 Essa alma recebeu a capacidade de crescer em graça, conhecimento, poder e inteligência.5 Em relação a esse crescimento pessoal, o Profeta Joseph Smith observou que Deus, sendo mais inteligente do que todos, "achou próprio instituir leis para que os demais pudessem ter o privilégio de progredir como Ele".6

A morte ocorre quando o espírito deixa o corpo e vai para o mundo espiritual para aguardar o dia da ressurreição.7 Se tivermos vivido com dignidade, poderemos, em espírito, continuar a compartilhar o evangelho com aqueles que também já passaram para além do véu. Dessa maneira, participamos do grande trabalho iniciado pelo Salvador depois de ser crucificado, quando visitou os mortos e organizou a obra de pregação da doutrina redentora àqueles que "estão nas trevas".8 O Profeta Joseph deu-nos o conhecimento consolador desse mundo espiritual, descrevendo-o como "um lugar onde [os mortos] conversam uns com os outros, exatamente como fazemos na Terra".9

Nossa alma imortal será um personagem ressurreto-no qual o corpo e o espírito serão unidos para sempre,10 mantendo nossos próprios atributos, e "qualquer princípio de inteligência que [alcançarmos] nesta vida, ressurgirá [conosco] na ressurreição".11 Morôni nos assegura que não teremos um "interminável sono", mas que, de fato, somos redimidos da possibilidade desse sono infindo12 através do poder da Expiação de Cristo. Diferentemente do que ensinam algumas religiões orientais, o indivíduo não é absorvido em um Nirvana indistinto como uma gota d’água sendo sugada por um grande oceano, mas continuamos com nossa identidade independente. O testemunho que Enos, pouco antes de morrer, prestou do Salvador, foi muito claro: "E regozijo-me no dia em que meu corpo mortal revestir-se de imortalidade e apresentar-se diante dele; então verei a sua face com prazer e ele me dirá: Vem a mim, ó bendito; há um lugar preparado para ti nas mansões de meu Pai".13

O filósofo existencialista Bertrand Russell disse: "Nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma integridade de pensamento ou sentimento pode preservar a vida individual no além-túmulo".14 Ele está certo! Somente o poder da redenção e da ressurreição de Jesus Cristo pode preservar nossa identidade para sempre, e o faz. É esse poder que exige que a sepultura "[liberte] o corpo dos justos (...) e todos os homens [tornem-se] incorruptíveis e imortais [e tornem-se] almas viventes".15 (grifo do autor).

Por meio dessas verdades divinas reveladas podemos desfrutar de clareza, paz, certeza, segurança, além de termos a motivação de fazer o melhor a cada dia. Sabemos que "se nesta vida uma pessoa (...) adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro".16 De fato, essas verdades e doutrinas restauradas criam uma intensificação da nossa identidade e uma maior percepção e gratidão pelo poder redentor do Filho de Deus. Ele vive e nós também viveremos e continuaremos com a identidade peculiar que moldarmos.

Notas
1. Isaías 55:8
2. Abraão 3:22-23
3. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 345
4. Abraão 5:7
5. Moisés 7:32-33, McConkie, Mormon Doctrine, p. 748, 1996
6. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 346
7. Alma 40:11-14
8. D&C 138:52-57; I Pedro 3:18--19, 4:6
9. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 345
10. D&C 88:15, Alma 40:23, Morôni 10:34
11. D&C 130:18
12. Mórmon 9:13
13. Enos 1:27
14. Citado em W.N. Sullivan, The Limitations of Science [As Limitações da Ciência], p. 175
15. 2 Néfi 9:13
16. D&C 130:19

A Fim de Que Saibas

Élder Stanley G. Ellis - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Abril/2008)

Élder Stanley G. Ellis

Um dos maiores desejos do Salvador em relação a nós é que saibamos: que ganhemos um testemunho pessoal Dele, de Sua Igreja, e desta obra dos últimos dias. Um exemplo marcante disso foi Seu convite às pessoas que O receberam próximo ao templo em Abundância, logo que Ele apareceu nas Américas como o Senhor ressurreto. Ele disse: “Levantai-vos e aproximai-vos de mim, para que possais meter as mãos no meu lado e também apalpar as marcas dos cravos em minhas mãos e em meus pés, a fim de que saibais que eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a Terra e fui morto pelos pecados do mundo” (3 Néfi 11:14; grifo do autor).

De fato, “a multidão se adiantou e meteu as mãos no seu lado e apalpou as marcas dos cravos em suas mãos e seus pés; e isto fizeram, adiantando-se um por um, até que todos viram com os próprios olhos, apalparam com as mãos e souberam com toda a certeza, testemunhando que ele era aquele sobre quem os profetas escreveram que haveria de vir” (3 Néfi 11:15).

Mais tarde, fomos informados de que aquela multidão era formada por cerca de 2.500 pessoas (3 Néfi 17:25). Que esforço físico pessoal impressionante Ele fez para que eles pudessem saber!

Como podemos saber
Durante Seu ministério na Palestina, Ele nos ensinou várias maneiras pelas quais poderíamos saber. Ele convidou alguns discípulos para que viessem e vissem (João 1:39). Filipe repetiu o mesmo convite a Natanael quando este quis saber acerca de Jesus (João 1:47). O conselho do Senhor foi de que “pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20; 3 Néfi 14:20) (grifo do autor).

Ele nos aconselhou a não confiarmos simplesmente nas declarações feitas por Ele mesmo sobre Sua própria divindade, mas compartilhou outros testemunhos que podem-nos ajudar a saber:

“Vós mandastes mensageiros a João [Batista], e ele deu testemunho da verdade (…); porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim (…). Examinais as Escrituras (…) e são elas que de mim testificam” (João 5:31–39).

Mais tarde, o Salvador deu-nos um modo seguro de colocarmos Sua doutrina à prova: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo” (João 7:16–17; grifo do autor). Essa é a maneira pela qual adquiri a maior parte de meu testemunho. À medida que tento cumprir fielmente Seus mandamentos, tenho descoberto por mim mesmo que são verdadeiros.

Uma das melhores formas pelas quais podemos saber é usar a promessa que o Senhor nos deu por intermédio de Morôni a respeito do Livro de Mórmon. “Eis que desejo exortar-vos, quando lerdes estas coisas, caso Deus julgue prudente que as leiais, a vos lembrardes de quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filhos dos homens, desde a criação de Adão até a hora em que receberdes estas coisas, e a meditardes sobre isto em vosso coração. E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas” (Morôni 10:3–5; grifo do autor).

Ele nos oferece um modo seguro de conhecermos a veracidade do Livro de Mórmon. Depois, isso nos dará prova física do Senhor Jesus Cristo, de Seu Profeta Joseph Smith, da restauração de Sua Igreja, inclusive de um profeta vivo, Gordon B. Hinckley, e da veracidade do evangelho (grifo do autor).

Por que isso é tão importante?
Por que é tão importante para o Senhor que saibamos e que tenhamos nosso próprio testemunho pessoal?

Em primeiro lugar, toda Sua obra e glória consiste em levar a efeito nossa imortalidade e vida eterna (ver Moisés 1:39). As escrituras nos ensinam que uma parte fundamental da vida eterna é conhecer o “único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Um dos modos pelos quais o nosso testemunho pessoal nos ajuda a ganhar a vida eterna é que ele nos dá o conhecimento e a força para resistir às mentiras e tentações do diabo. Foi isso que aconteceu quando Moisés confiou em seu testemunho pessoal de Deus e em seu relacionamento com Ele para contrapor-se às repetidas sugestões e ataques de Satanás (ver Moisés 1:22).

Outra razão porque Ele quer que saibamos é para que possamos compartilhar esse testemunho com aqueles que nos rodeiam para ajudálos a saber. O povo em 3 Néfi que adquiriu esse conhecimento seguro sobre o Senhor ressurreto imediatamente “testemunhou” sobre isso (ver 3 Néfi 11:15). Depois de explicar com clareza Sua doutrina, Ele pediu que “[se dirigissem] [àquele] povo e [declarassem] as palavras que [Ele dissera], até os confins da Terra” (3 Néfi 11:41).

O Élder Neal A. Maxwell compartilhou conosco mais um motivo pelo qual devemos saber (ver Transmissão Mundial de Treinamento de Liderança, 11 de janeiro de 2003, pp. 4–5). Ele citou D&C 46:14: “A outros é dado crer nas palavras deles, para que tenham também vida eterna se permanecerem fiéis”. Depois explicou: “precisamos saber também por causa deles”. Mais tarde, acrescentou que, “quando sabemos, aqueles a quem servimos saberão que sabemos. E isso é incrivelmente importante” (Transmissão Mundial de Treinamento de Liderança, 21 de junho de 2003, p. 16). Eles podem assim começar a buscar seu próprio testemunho pessoal ao acreditarem que sabemos. Porém, ninguém deve permanecer mais que o necessário sob luz emprestada. Cada pessoa pode e deve, afinal, conhecer o Salvador pessoalmente.

Nosso testemunho pessoal de que Jesus é o Cristo, e que esta Igreja é verdadeira, dá-nos o desejo e a força para servirmos. Outras pessoas ficam admiradas com a disposição dos membros da Igreja em se sacrificarem e servirem em quaisquer circunstâncias e a qualquer momento em que forem necessários. Elas, muitas vezes, não compreendem isso. Porém, o Presidente Gordon B. Hinckley disse que “a força desta Igreja está no coração de seus membros, em seu testemunho e na certeza que cada um tem da veracidade desta obra” (Ensign, julho de 1993). O Senhor deseja que cada um de nós saiba, para que possamos ajudar a estabelecer Sua Igreja, aumentando a retidão em todas as nações.

Quando o Presidente Gordon B. Hinckley presidiu a rededicação do Templo de São Paulo em 2004, deunos uma importante promessa. Disse que se nós, membros da Igreja aqui no Brasil, vivêssemos como verdadeiros santos dos últimos dias, a obra dobraria ou mesmo triplicaria. Precisamos saber, para que possamos verdadeiramente viver nossa religião.

Que todos nós, na Área Brasil, possamos buscar saber, para que consigamos realizar a vontade do Senhor quanto a nós mesmos nesta grande nação.

domingo, 15 de agosto de 2010

A Mulher Ideal

Élder Pedro J. C. Penha - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Fevereiro/2006)

"O Senhor criou todas nós com personalidades, interesses e habilidades diferentes, mas a busca da excelência é uma constante para as mulheres, principalmente para aquelas que moldam sua vida pela força da fé. O mundo já tem muitas mulheres agressivas, precisamos de mulheres ternas. (...) Há muitas mulheres ríspidas, precisamos de mulheres refinadas. Existem muitas mulheres que têm fama e fortuna, precisamos de mulheres de fé. Já existe ambição bastante, precisamos de mais bondade. Existe orgulho suficiente, precisamos de mais virtude. Já temos popularidade demais, precisamos de mais pureza" (Margaret D. Nadauld, A Liahona, janeiro de 2001, p. 18).

As idéias seguintes são alguns princípios da busca desse ideal:

A Mulher Ideal como Filha do Pai Celestial. A mulher ideal compreende sua natureza divina como filha de Deus, tem testemunho de que Jesus Cristo é o nosso Salvador e Redentor, da Restauração do Evangelho, de um Profeta vivo e busca incessantemente basear sua vida nos princípios da oração, ponderação, do estudo das escrituras, arrependimento, perdão, jejum e da lei do dízimo.

Ela desenvolve profundo amor, grande fé e imensa gratidão por Jesus Cristo, pois sabe que, por meio da Expiação, terá a oportunidade de receber sua herança divina. Nutre o desejo de viver dignamente e conta com a ajuda do Espírito Santo para alcançar esses objetivos tão nobres.

Pratica a virtude, a pureza e a caridade. Mantém boa saúde, guardando a Palavra de Sabedoria, possui autocontrole e é um exemplo nos padrões de vestimenta; usa uma linguagem edificante e sabe separar o bom humor da hilaridade.

É altruísta e cultiva o respeito e a admiração das pessoas por meio de suas atitudes positivas, aplicando o exemplo do Salvador nas circunstâncias diárias, buscando também desenvolver os talentos recebidos do Pai.

Freqüenta regularmente o templo, lembrando-se sempre dos convênios feitos naquele lugar sagrado, e faz a pesquisa genealógica em favor dos seus entes queridos.

A Mulher Ideal na Igreja e na Sociedade. A mulher ideal serve ao Senhor procurando fazer o melhor em suas designações, cumprindo com honra qualquer chamado que lhe for designado. Seu exemplo abnegado motiva as pessoas a seguirem a Cristo, sendo obediente aos seus líderes, que a aconselham: "Busque a excelência em todos os seus empreendimentos justos e em todos os aspectos de sua vida" (Presidente Spencer W. Kimball, Manual do Curso Casamento Eterno, p. 351).

A mulher ideal entende seu papel como cidadã, é um exemplo onde vive, é solidária e amorosa com todos e tem um bom relacionamento com os vizinhos, os quais vêem nela alguém com quem podem contar.

A mulher ideal busca as bênçãos do Senhor, como expressou o Presidente Kimball: "Não se esqueçam , queridas irmãs, de que as bênçãos eternas às quais vocês fazem jus como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são muito, muito superiores a quaisquer outras bênçãos que poderiam receber. Vocês não poderiam receber maior reconhecimento neste mundo do que serem conhecidas como uma mulher de Deus, que sente a genuína irmandade e sabe o que é ser esposa e mãe, além de outras tarefas que influenciam a vida para o bem" (Presidente Spencer W. Kimball, Manual do Curso Casamento Eterno, p. 351).

A Mulher Ideal como Esposa. A mulher ideal é fiel ao seu companheiro, tem alegria em confortá-lo "com palavras consoladoras, com espírito de mansidão" (D&C 25:5). Ela é humilde ao reconhecer que sua vida é guiada e abençoada pelo Senhor e pelo sacerdócio de seu esposo, tratao com respeito e busca ressaltar suas qualidades, e em seu inter-relacionamento não existe dificuldade com as palavras "obrigada", "perdão" e "por favor".

Eles oram e estudam juntos, e muitas vezes envolvem-se em ternas conversas sobre metas e filhos; ela ouve seus conselhos e busca seu apoio, procurando fortalecer diariamente o amor que os conduziu ao altar.

A mulher ideal está disposta a sacrificar-se em prol do progresso profissional de seu esposo porque entende que ele é o provedor do lar e sente-se feliz com o estilo de vida que ele lhe proporciona.

Ela está ciente das responsabilidades de seu marido, sabe quais são as suas metas, motivao em seu trabalho profissional e apóia-o em seus chamados na Igreja.

Ela reconhece sua condição mortal de que não é perfeita, algumas vezes se magoa, sente-se cansada e desanimada, porém busca a perfeição como meta e, dessa forma, supera as dificuldades, crescendo por meio delas e recebendo o carinho e apreço dos líderes, como nas palavras do Presidente Gordon B. Hinckley: "(...) Saibam o quanto apreciamos vocês. Vocês nos completam e têm grande força. Com dignidade e extrema capacidade, vocês levam adiante os notáveis programas da Sociedade de Socorro, das Moças e da Primária. Vocês dão aula na Escola Dominical. Caminhamos a seu lado como seus companheiros e irmãos, com respeito e amor, honra e grande admiração" (Presidente Gordon B. Hinckley, Ensign, novembro 1996, p. 70).

A Mulher Ideal como Mãe: A mulher ideal tem consciência do seu sagrado chamado de mãe e sabe que "a maternidade está próxima da divindade. É a maior e mais sagrada colaboração que um ser humano pode dar" (James R. Clark , comp., Messages of the First Presidency of the Church of Jesus Christ of Latterday Saints, 6 vols., Salt Lake City: Bookcraft, 1965-1975). Dessa maneira, instrui os filhos sobre reverência, honestidade, arrependimento e perdão, por meio do exemplo do Salvador, com paciência, mansidão e palavras de incentivo e apoio; com isso pratica a compaixão, o desprendimento e a dedicação de sua vida em favor da felicidade dos seus.

É carinhosa com os filhos, abraçaos e brinca com eles e, apesar de suas inúmeras responsabilidades, está sempre disposta a ouvi-los, ajudá-los e orientá-los em suas necessidades individuais, na leitura das escrituras, na participação dos programas da Igreja, no serviço em uma missão honrosa e no casamento no templo.

Seu lar é modesto, mas limpo, planta no coração de seus filhos o desejo sincero de torná-lo "uma casa de ordem", assim como o templo; ela não esmorece em seus esforços , é econômica, vivendo dentro do orçamento familiar e resistindo ao impulso de adquirir algo de que não necessite. Ela cuida da alimentação da família e oferece refeições nutritivas e balanceadas, não se esquecendo do conselho do profeta de organizar e manter um armazenamento básico de alimentos.

Seguindo os conselhos do Presidente Gordon B. Hinckley, ela está em casa para promover um ambiente espiritual de paz e tranqüilidade. A seu respeito disse o profeta: "Não podemos medir ou calcular a influência das mulheres que, de modo individual, edificam uma vida familiar estável e nutrem gerações futuras para um bem duradouro. As decisões tomadas pelas mulheres desta geração terão conseqüências eternas. Poderia sugerir que as mães hoje não possuem oportunidade maior e desafio mais sério do que fazer tudo o que puderem para fortalecer o lar" (Presidente Gordon B. Hinckley, Standing for Something, p. 152).

sábado, 7 de agosto de 2010

Uma Vez Membros, Sempre Membros

Élder Charles Didier - Presidente da Área Brasil (Dezembro/2008)

Élder Charles Didier

Acabamos de assistir à Conferência Geral, no momento em que escrevo esta mensagem, e sei que algumas pessoas devem estar-se perguntando por que as Autoridades Gerais insistem em falar as mesmas coisas, de conferência em conferência. Mas a conferência geral é um lembrete ao mundo sobre o valor inestimável dos profetas e apóstolos vivos. Para os fiéis santos dos últimos dias espalhados em vários lugares, é a ocasião de, com humildade e firme propósito, deixar de lado as coisas do mundo e ouvir as novas escrituras que nos vêm do Senhor por meio de Seus ungidos.

Um dos profetas modernos, Spencer W. Kimball, disse: “Os profetas dizem as mesmas coisas porque nos defrontamos basicamente com os mesmos problemas. A solução para esses problemas não mudou. De que adiantaria um farol, se gerasse sinais diferentes para cada navio que se aproximasse do porto? Ou, de que adiantaria um guia que, nas montanhas, conhecendo a rota segura para descer, conduzisse aqueles sob sua responsabilidade por caminhos imprevisíveis e perigosos, dos quais nenhum viajante retornasse?” (CR, Spencer W. Kimball, abril de 1976.)

Meu tema de hoje começa com uma pergunta: “O que pode ajudar você a sempre gerar um sinal claro, a ser um bom guia nas montanhas, e a ser uma luz para o mundo, como membro da Igreja?”

A resposta, não uma resposta, mas a única resposta correta, a rocha sobre a qual posso edificar minha força como membro da Igreja de Jesus Cristo, é: as escrituras — antigas e modernas — que nos são dadas por profetas e apóstolos — antigos e modernos.

Escrituras: o que são? O que significam para mim? O que devo fazer com elas, e por que devo aceitálas? Essas são perguntas comuns feitas por diversos pesquisadores.

Quanto a mim, sou converso à Igreja. Só um fato me converteu. Claro, eu gostava muito da Palavra de Sabedoria, achava que era um bom princípio; também preferia a bênção do sacramento, se comparada ao que tínhamos na nossa antiga religião. Sentia-me atraído pelo princípio do casamento eterno. Mas, a despeito de todas essas preferências, não fui batizado.

Repito, um fato, um fato extraordinário modificou minha mente, meu coração e minha alma: as escrituras. Quais escrituras? O Livro de Mórmon.

Todos os princípios que mencionei tornaram-se repentinamente verdadeiros, porque o Livro de Mórmon era verdadeiro. E se o Livro de Mórmon era verdadeiro, Joseph Smith teve mesmo uma visão. E se ele teve uma visão, havia uma fonte de onde ele recebeu as placas. Essa fonte lhe deu poder para traduzir. Se Joseph Smith recebeu revelações -— revelações modernas, fundamentadas nas escrituras — ele era um profeta. E se ele era um profeta, então com toda a certeza e lógica, a igreja que ele restaurou era uma igreja divina.

Para alguém se converter, precisa sentir o Espírito do Senhor. Antes de se converter, contudo, precisa fazer algo por si mesmo. Precisa edificar um testemunho e apresentá-lo diante do Senhor. Um testemunho de quê?

1. De que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é nosso Salvador e Redentor;
2. De que Joseph Smith é um profeta;
3. De que a Igreja é divina;

Isso constitui a mensagem da Restauração do evangelho. Isso é o que declaramos às outras pessoas. Isso é positivo. Isso é um fato. Isso é comprovado. Os céticos dirão a vocês que não é possível comprovar a veracidade de uma religião. Sinto muitíssimo desapontar essas pessoas, mas verdadeiramente e praticamente, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apresenta a prova de que o Livro de Mórmon é verdadeiro e de que o Livro de Mórmon prova que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é um profeta, e que esta Igreja é divina.

Agora, sei por mim mesmo que é assim; testifico por mim mesmo a vocês que isso é verdade. Minha vida mudou devido a esse conhecimento, mas o conhecimento, por si só, não é o bastante. Minha vida continuaria mudando, se fosse um conhecimento adquirido de uma única vez, em apenas um momento? Nosso desafio, como membros, é: primeiro, saber por nós mesmos que a mensagem da Restauração é verdadeira e, segundo, prestar testemunho aos outros de que essa mensagem é verdadeira.

Como saber isso? Falei há pouco sobre a fonte do meu conhecimento, o Livro de Mórmon — as escrituras.

“Em todas as dispensações, homens santos foram ensinados e instruídos do alto a respeito do evangelho de Jesus Cristo. Esses ensinamentos e instruções foram preservados nas escrituras, para que todos pudessem aprender a Quem deviam adorar, como deviam adorar e como deviam viver para realizar o propósito da vida e, assim, receber a recompensa prometida” (Élder Marion G. Romney, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência).

Como saberei por mim mesmo que as escrituras são essenciais em minha vida? O Presidente David O. McKay, outro profeta, disse: “Uma vez missionário, sempre missionário”. Parafraseando-o, eu lhes digo: “Uma vez membro, sempre membro”.

Jesus ensinou-nos o valor das escrituras: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39).

Agora, que você sabem o valor e a importância das escrituras, o que farão com esse conhecimento? As escrituras vão ajudá-los a ir do conhecimento para a ação? As escrituras vão-se transformar em uma real motivação em sua vida?

Para estarem motivados, ou, em outras palavras, para agirem com base nas escrituras, certas coisas precisam ser feitas. Por exemplo:

1. Precisamos ler as escrituras;
2. Precisamos buscar as escrituras;
3. Precisamos viver pelas escrituras, pois elas são o meio de nos prepararmos para encontrar nosso Pai Celestial.

Nessa última conferência geral, o Élder Marcus A. Aidukaitis contou a história de seu pai, cujo título é “Porque Ele Leu o Livro de Mórmon”. Por que seu pai foi batizado? A resposta é simples, diz o Élder Aidukaitis: “Porque meu pai leu o Livro de Mórmon. Ao fazer isso, soube que a mensagem da Restauração era verdadeira. O Livro de Mórmon é uma prova de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é verdadeira”.

Aos que diriam que não há quem possa saber dessas coisas, ele disse: “Testifico que é possível, se formos humildes o bastante para fazer o que Deus, por meio de Seus profetas na Terra, disse que fizéssemos.”

Sou grato pelos missionários que um dia vieram bater à porta de minha casa e que testificaram a respeito da verdade, pois haviam lido e examinado minuciosamente as escrituras; mas acima de tudo, por viverem seus ensinamentos. Oro para que o Senhor os abençoe e os ajude a viver pelo mesmo testemunho.

As escrituras antigas, assim como as modernas, ajudarão vocês a desenvolver e preservar sua identidade genética como filhos de nosso Pai Celestial. No mundo de hoje, há tentativas cada vez mais freqüentes de despojar-nos de nossa identidade física e também espiritual. Por isso, não podemos ser membros superficiais. Nosso testemunho acerca de Jesus Cristo e de Sua Igreja deve estar firmemente edificado sobre o fundamento das escrituras, para que “uma vez membros, possamos continuar sempre sendo membros”.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...