segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje

Élder Henry B. Eyring
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Hoje,” Liahona, May 2007, 89

Todos nós necessitaremos da ajuda Dele para evitarmos a tragédia de adiar o que precisamos fazer aqui e agora para conquistar a vida eterna.

Há perigo na expressão “algum dia” quando pressupõe “hoje não”. “Um dia vou me arrepender.” “Um dia vou perdoá-lo.” “Um dia vou falar da Igreja para meu amigo.” “Um dia vou começar a pagar o dízimo.” “Um dia vou voltar ao templo.” “Um dia (…)”

As escrituras deixam bem claro o perigo da procrastinação, ou adiar: o de descobrirmos que nosso tempo se esgotou. Deus, que nos dá cada dia como um tesouro, pedirá que prestemos contas. Nós vamos chorar, e Ele vai chorar também, se tivermos planejado arrepender-nos e servi-Lo num futuro que nunca chegou, ou se tivermos ficado sonhando com um passado no qual a oportunidade de agir desvaneceu. Hoje é um dom precioso de Deus. O pensamento “Um dia vou (…)” pode ser o ladrão da oportunidade de aproveitar o tempo e receber as bênçãos da eternidade.

Há uma solene advertência e um conselho nas seguintes palavras do Livro de Mórmon:

“E agora, como vos disse antes, já que haveis tido tantos testemunhos, peço-vos, portanto, que não deixeis o dia do arrependimento para o fim; porque depois deste dia de vida que nos é dado a fim de nos prepararmos para a eternidade, eis que, se não fizermos melhor uso de nosso tempo nesta vida, virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado.

Não podereis dizer, quando fordes levados a essa terrível crise: Arrepender-me-ei para retornar a meu Deus. Não, não podereis dizer isso; porque o mesmo espírito que possuir vosso corpo quando deixardes esta vida, esse mesmo espírito terá poder para possuir vosso corpo naquele mundo eterno.”1

Então, Amuleque adverte que procrastinar o arrependimento e o serviço pode fazer o Espírito do Senhor afastar-se de nós.

Mas além dessa advertência, ele nos dá a seguinte esperança: “E isto eu sei, porque o Senhor disse que não habita em templos impuros, mas no coração dos justos ele habita; sim, e disse também que os justos se sentarão em seu reino para não mais sair; suas vestimentas, porém, deverão ser alvejadas pelo sangue do Cordeiro.”2

As escrituras estão cheias de exemplos de sábios servos de Deus que valorizaram o dia em que viviam e optaram por fazer todo o possível para se purificarem. Josué foi um deles: “(…) escolhei hoje a quem sirvais”, disse ele, “porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”3

O serviço ao Senhor convida o Espírito Santo a estar conosco. Por sua vez, o Espírito Santo nos purifica dos pecados.

Mesmo o Salvador, que não tinha pecados, deu o exemplo da necessidade de não procrastinar. Ele disse:

“Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.4

Como Salvador ressuscitado, Ele é hoje e sempre a Luz do Mundo. É Ele que nos convida a achegar-nos a Ele e a servi-Lo, sem demora. O incentivo Dele para mim e para vocês é este: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão.”5

Isso é verdade tanto para cada dia, quanto para toda a vida. A oração matinal e o estudo das escrituras logo cedo, para sabermos como servir ao Senhor, podem traçar o curso do dia. Podemos saber quais atividades, entre todas a serem escolhidas, são mais importantes para Deus e, portanto, para nós. Aprendi que tais orações são sempre respondidas, caso peçamos e ponderemos com a submissão de uma criança, e caso estejamos dispostos a agir sem tardar na realização mesmo do serviço mais humilde.

Haverá muitos dias em que não será fácil decidir sobre o que é mais importante, e nem estava previsto que fosse. O propósito de Deus na criação foi pôr-nos à prova. O plano foi-nos explicado no mundo espiritual, antes de nascermos. Ali, fomos valentes o bastante para termos a oportunidade de resistir à tentação aqui na Terra, a fim de nos prepararmos para a vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus. Rejubilamo-nos ao saber que a prova seria de obediência e fidelidade, mesmo que não fosse fácil: “E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhe ordenar.”6

Mesmo sabendo o quanto a prova seria difícil, sentimos alegria porque estávamos confiantes de que teríamos sucesso. Nossa confiança advinha de sabermos que Jesus Cristo viria ao mundo como nosso Salvador. Ele venceria a morte. Permitiria que fôssemos purificados de nossos pecados, se nos qualificássemos para que os efeitos de Sua Expiação agissem em nós.

Também conhecíamos alguns detalhes tranqüilizadores sobre o que teríamos de fazer para receber a purificação necessária. Para a purificação dos pecados, tudo o que precisaríamos fazer era ser batizados pela devida autoridade, receber o Espírito Santo pelas mãos de portadores do sacerdócio autorizados, recordar do Senhor e assim ter Seu Espírito conosco e, por fim, guardar Seus mandamentos. Tudo seria possível até para o mais humilde de nós. Não seria preciso uma inteligência excepcional nem riquezas ou vida longa. E sabíamos que o Salvador nos atrairia a Ele e teria o poder de nos ajudar, quando a prova fosse difícil demais e a tentação de procrastinar, forte demais. O grande profeta Alma descreveu como Cristo adquiriu essa capacidade:

“E ele seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações de toda espécie; e isto para que se cumpra a palavra que diz que ele tomará sobre si as dores e as enfermidades de seu povo.

E tomará sobre si a morte, para soltar as ligaduras da morte que prendem o seu povo; e tomará sobre si as suas enfermidades, para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades.”7

Todos nós necessitaremos da ajuda Dele para evitarmos a tragédia de adiar o que precisamos fazer aqui e agora para conquistar a vida eterna. Para a maioria de nós, a tentação de procrastinar virá de um ou dois sentimentos, diametralmente opostos: um é o sentimento de satisfação com o que já fizemos; o outro é o de desânimo diante do muito que ainda precisamos fazer.

A complacência é um perigo para todos nós. Pode atingir jovens ingênuos, que acham que terão muito tempo pela frente para voltar-se às coisas espirituais. Talvez suponham já ter feito muito, levando em conta o pouco tempo que viveram. Sei por experiência própria como o Senhor pode ajudar os jovens nessa situação a verem que já estão imersos em coisas espirituais, hoje. Ele pode ajudar vocês a ver que os colegas da escola os estão observando. Pode ajudá-los a ver que o futuro eterno desses colegas será afetado pelo que virem vocês fazendo ou deixando de fazer. Um simples “obrigado” pela influência positiva deles sobre vocês poderá inspirá-los mais do que vocês imaginam. Se pedirem a Deus, Ele pode e vai revelar-lhes oportunidades de ajudar as pessoas que Ele pôs a sua volta desde a infância a virem a Ele.

A complacência pode afetar até adultos experientes. Quanto melhor e mais tempo vocês servirem, mais fácil será para o tentador colocar na sua mente a seguinte mentira: “Agora você merece descansar”. Talvez você já tenha sido a presidente da Primária do seu ramo duas vezes. Ou talvez tenha trabalhado com afinco na missão e feito muitos sacrifícios para servir. Ou talvez tenha sido o pioneiro da Igreja na sua região. Pode ser que surja o pensamento: “Por que não deixar a obra para os mais novos? Já fiz minha parte”. A tentação será acreditar que vocês voltarão a servir, um dia.

O Senhor pode ajudá-los a enxergar o perigo de descansar por acharem que já fizeram o bastante. Ele me ajudou ao dar-me a oportunidade de conversar com um de Seus servos idosos. Ele estava fraco, com o corpo debilitado por décadas de trabalho fiel e enfermidades e tinha ordens médicas para não sair mais de casa. A seu pedido, relatei uma viagem que fizera a serviço do Senhor por vários países, com dezenas de reuniões e muitas entrevistas pessoais, nas quais ajudei pessoas e famílias. Falei-lhe da gratidão que as pessoas me tinham externado por ele e seus muitos anos de serviço. Ele perguntou se eu teria outra designação em breve. Mencionei outra longa viagem dentro em pouco. Ele me surpreendeu e me deu uma vacina contra a complacência — que espero que dure para sempre — quando me segurou pelo braço e pediu: “Ah, por favor, leve-me junto”.

é difícil saber quando já fizemos o bastante para que a Expiação transforme nossa natureza e, assim, nos torne merecedores da vida eterna. Não sabemos quantos dias teremos para prestar o serviço necessário para que essa mudança ocorra. Mas sabemos que teremos dias suficientes, basta que não os desperdicemos. Eis as boas novas:

“E os dias dos filhos dos homens foram prolongados de acordo com a vontade de Deus, para que se arrependessem enquanto estivessem na carne; portanto o seu estado se tornou um estado de provação e o seu tempo foi prolongado, de acordo com os mandamentos dados pelo Senhor Deus aos filhos dos homens.”8

Essa garantia do Mestre pode ajudar aqueles de nós que sentem desânimo devido a circunstâncias difíceis. Nas provas mais difíceis, contanto que tenhamos forças para orar, poderemos pedir a um Deus amoroso: “Por favor, deixa-me servir hoje. Pouco importa se sou capaz de fazer poucas coisas. Apenas mostre o que posso fazer. Obedecerei hoje. Sei que conseguirei, com o Teu auxílio”.

O Senhor pode inspirá-los serenamente a fazer algo simples como perdoar alguém que os ofendeu. Isso pode ser feito até numa cama de hospital. Pode orientá-los a ajudar alguém que esteja com fome. Talvez vocês já se sintam sobrecarregados pela sua própria falta de recursos ou pelos afazeres do dia, mas se decidirem não esperar até ter mais forças e mais dinheiro, e se orarem para terem o Espírito no cotidiano, saberão o que fazer e como ajudar alguém ainda mais necessitado que vocês. Assim, acabarão por descobrir que essas pessoas estavam orando e esperando a vinda de alguém como vocês em nome do Senhor.

Para aqueles que estiverem desanimados por suas circunstâncias e, por isso, tentados a achar que não podem servir ao Senhor hoje, faço duas promessas: por mais difíceis que as coisas pareçam hoje, elas irão melhorar amanhã, se vocês optarem hoje por servir ao Senhor de todo o coração. Talvez sua situação não melhore conforme seu desejo, mas receberão novo alento para levar seus fardos e uma confiança fortalecida de que, quando sua carga estiver pesada demais, o Senhor, a quem servem, suportará o peso que não suportarem. Ele sabe como fazê-lo; está preparado há muito tempo. Ele sofreu suas enfermidades e dores quando ainda na carne, a fim de saber como os socorrer.

A outra promessa que lhes faço é que, ao decidirem servi-Lo hoje, vocês sentirão o Seu amor e passarão a amá-Lo ainda mais. Talvez se lembrem da seguinte escritura:

“Digo-vos: quisera que vos lembrásseis de conservar sempre o nome escrito em vosso coração (…) para que ouçais e conheçais a voz pela qual sereis chamados e também o nome pelo qual ele vos chamará.

Pois como conhece um homem o mestre a quem não serviu e que lhe é estranho e que está longe dos pensamentos e desígnios de seu coração?”9

Ao servirem a Ele hoje, vocês O conhecerão melhor. Sentirão o amor e a gratidão que advêm Dele. Não creio que desejem adiar essa bênção e, sentir esse amor os levará de volta a servi-Lo, eliminando tanto a complacência quanto o desânimo.

Ao servirem-No, conhecerão melhor a voz pela qual serão chamados. Quando forem dormir ao fim do dia, as seguintes palavras talvez lhes voltem à mente: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel”.10 Oro por essa bênção hoje, no dia-a-dia e ao longo de toda a nossa vida.

Sei que o Pai Celestial vive e responde a nossas orações. Sei que Jesus é o Cristo vivo, o Salvador do mundo e que podemos optar por sentir alegria e paz em Seu serviço hoje. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Arrependimento e Conversão

Élder Russell M. Nelson
Do Quórum dos Doze Apóstolos

“Arrependimento e Conversão,” Liahona, May 2007, 102

Uma alma que se arrepende é uma alma que se converte, e uma alma que se converte é uma alma que se arrepende.

No ano passado, quando o élder David S. Baxter e eu estávamos a caminho de uma conferência de estaca, paramos num restaurante. Depois, ao voltarmos para o carro, uma mulher nos chamou e se aproximou. Sua aparência descuidada nos constrangeu. Era algo que eu chamaria educadamente de estilo “radical”. Ela perguntou se éramos Élderes da Igreja. Respondemos que sim. Sem pudores, ela começou a contar a trágica história de sua vida mergulhada no pecado. Naquele momento, com apenas 28 anos de idade, ela era muito infeliz. Sentia-se inútil, sem nenhuma perspectiva. Ao falar, seu espírito doce começou a aflorar. Com lágrimas nos olhos, perguntou se havia esperança para ela, alguma forma de sair daquele profundo poço e se reerguer.

“Há, sim”, respondemos, “há esperança, e ela está ligada ao arrependimento. Você pode mudar. Pode ‘[vir] a Cristo e [ser aperfeiçoada] Nele’”.1 Nós a exortamos a não procrastinar.2 Com humildade, ela soluçava ao nos agradecer com sinceridade.

Quando o Élder Baxter e eu continuamos a viagem, refletimos sobre essa experiência. Recordamos o conselho dado por Aarão a uma pessoa sem esperança: “Se te arrependeres de todos os teus pecados e te curvares diante de Deus e invocares o seu nome com fé, (…) então obterás a esperança que desejas”.3

Agora, nesta sessão de encerramento da conferência geral, eu também vou falar sobre o arrependimento. Faço isso porque o Senhor deu a Seus servos o mandamento de clamar arrependimento ao mundo.4 O Mestre restaurou Seu evangelho para trazer alegria a Seus filhos, e o arrependimento é uma parte crucial do evangelho.5

A doutrina do arrependimento é tão antiga quanto o próprio evangelho. Ensinamentos bíblicos dos livros de Gênesis6 a Apocalipse7 ensinam esse princípio. Lições de Jesus Cristo durante Seu ministério mortal incluem as seguintes advertências: “O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho”8 e “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis”.9

As referências ao arrependimento são ainda mais freqüentes no Livro de Mórmon.10 Ao povo da América antiga, o Senhor deu o seguinte mandamento: “E novamente vos digo que vos deveis arrepender e ser batizados em meu nome e tornar-vos como uma criancinha, ou não podereis, de modo algum, herdar o reino de Deus”.11

Com a Restauração do evangelho, nosso Salvador voltou a salientar essa doutrina. A palavra arrependimento, sob alguma de suas formas, aparece em 47 das 138 seções de Doutrina e Convênios!12
Arrepender-se dos Pecados

O que significa arrepender-se? Comecemos com uma definição do dicionário, que explica que ‘arrepender-se’ é “afastar-se do pecado (…) e sentir tristeza [e] pesar”.13 Arrepender-se dos pecados não é fácil. Contudo, vale o esforço. O arrependimento precisa acontecer passo a passo. A oração humilde facilitará cada uma das etapas essenciais. Como requisitos para o perdão, a pessoa primeiro deve reconhecer o erro, sentir remorso e depois confessá-lo.14 “Desta maneira sabereis se um homem se arrepende de seus pecados — eis que ele os confessará e abandonará”.15 A confissão deve ser feita à pessoa prejudicada. A confissão deve ser sincera e não meramente a admissão da culpa depois que as provas forem irrefutáveis. Se muitas pessoas tiverem sido ofendidas, a confissão deve ser feita a todas as partes afetadas. Os atos passíveis de comprometer a condição de membro da Igreja, ou o direito a seus privilégios, devem ser confessados prontamente ao bispo, a quem o Senhor chamou como juiz comum em Israel.16

O passo seguinte é a restituição: reparar, se possível, o dano causado. Então vem a etapa de comprometer-se a agir melhor e não ter recaídas — de arrepender-se “com todo o coração”.17 Graças ao resgate pago pela Expiação de Jesus Cristo, o perdão pleno é concedido ao pecador que se arrepende e se mantém livre do erro.18 Para a alma que se arrepende, Isaías prometeu: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”.19

A grande importância que o Senhor atribui ao arrependimento fica evidente ao lermos na seção 19 de Doutrina e Convênios: “Portanto ordeno que te arrependas — arrepende-te, para que eu não te fira com a vara de minha boca e com minha ira e com minha cólera e teus sofrimentos sejam dolorosos — quão dolorosos tu não sabes, sim, quão difíceis de suportar tu não sabes.

Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam;

Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri”.20

Embora o Senhor insista em nosso arrependimento, a maioria das pessoas não sente forte necessidade disso.21 Acham que podem ser contadas entre as que tentam ser boas. Consideram-se bem-intencionadas.22 Contudo, o Senhor foi claro ao proclamar que todos precisam arrepender-se — não só dos pecados cometidos, mas também dos pecados de omissão. é o caso de Sua advertência aos pais: “E também, se em Sião (…) houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo (…), sobre a cabeça dos pais seja o pecado”.23
O Significado Mais Amplo da Palavra Arrependimento

A doutrina do arrependimento é muito mais ampla do que a definição do dicionário. Quando Jesus usava o termo “arrepender-se”, Seus discípulos registravam essa ordem na língua grega com o verbo metanoeo.24 Essa palavra forte tem grande significado. No termo, o prefixo meta significa “mudar”.25 O sufixo está relacionado a quatro termos gregos importantes: nous, que significa “mente”26; gnosis, que significa “conhecimento”27; pneuma, que significa “espírito”28; e pnoe, que significa “sopro”, “fôlego”.29

Assim, quando Jesus nos exortou a “arrepender-nos”, pediu que mudássemos — que transformássemos nossa mente, conhecimento, espírito — e até nossa respiração. Um profeta explicou que tal mudança no alento significa respirar com gratidão por Aquele que concede cada sopro de vida. O rei Benjamim disse: “Se servirdes ao que vos criou (…) e vos está preservando dia a dia, dando-vos alento (…) de momento a momento — digo-vos que se o servirdes com a toda alma, ainda assim sereis servos inúteis”.30

Sim, o Senhor nos deu o mandamento de arrepender-nos, de mudar nossa conduta, de vir a Ele e ser mais semelhantes a Ele.31 Isso exige uma transformação total. Alma ensinou a seu filho: “Aprende sabedoria em tua mocidade”. E prosseguiu: “Aprende em tua mocidade a guardar os mandamentos de Deus! (…) Que todos os teus pensamentos sejam dirigidos ao Senhor, sim, que o afeto do teu coração seja posto no Senhor para sempre”.32

Arrepender-se plenamente implica converter-se completamente ao Senhor Jesus Cristo e a Sua obra sagrada. Alma ensinou esse conceito ao fazer as seguintes perguntas: “E agora, eis que vos pergunto, meus irmãos da igreja: haveis nascido espiritualmente de Deus? Haveis recebido sua imagem em vosso semblante? Haveis experimentado esta poderosa mudança em vosso coração?”33 Essa transformação ocorre quando “nascemos de novo”, nos convertemos e nos concentramos na jornada rumo ao reino de Deus.34
Os Frutos do Arrependimento

Os frutos do arrependimento são doces. Os conversos que se arrependem notam que as verdades do evangelho restaurado governam seus pensamentos e atos, moldam seus hábitos e forjam seu caráter. Tornam-se mais resistentes e capazes de negar-se a toda iniqüidade.35 Além do mais, os apetites36 descontrolados, a dependência da pornografia ou de drogas nocivas,37 as paixões desenfreadas38 , desejos carnais39 e o orgulho indevido40 diminuem, mediante a conversão completa ao Senhor e a determinação de servi-Lo e de seguir Seu exemplo.41 A virtude adorna seus pensamentos e a autoconfiança cresce.42 O dízimo é visto como uma bênção jubilosa e protetora, não como dever ou sacrifício.43 A verdade fica mais atraente e as coisas louváveis tornam-se mais convidativas.44

O arrependimento é o método do Senhor para o crescimento espiritual. O rei Benjamim explicou que “o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”.45 Irmãos e irmãs, isso significa conversão! O arrependimento é conversão! Uma alma que se arrepende é uma alma que se converte, e uma alma que se converte é uma alma que se arrepende.
O Arrependimento para os Mortos

Todas as pessoas vivas podem-se arrepender. Mas e as pessoas que já morreram? Elas também têm a oportunidade de se arrepender. As escrituras declaram que “os élderes fiéis desta dispensação, quando deixam a vida mortal, continuam seus labores na pregação do evangelho do arrependimento (…) entre aqueles que estão (…) sob a servidão do pecado no grande mundo dos espíritos dos mortos.

Os mortos que se arrependerem serão redimidos por meio da obediência às ordenanças da Casa de Deus,

E depois de terem cumprido a pena por suas transgressões e de serem purificados, receberão uma recompensa de acordo com suas obras”.46

O Profeta Joseph Smith revelou ainda que “a Terra será ferida com maldição, a menos que exista um elo (…) de um tipo ou de outro entre os pais e os filhos. (…) Pois nós, sem eles [nossos mortos] não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados. (…) É necessário (…) [nesta] dispensação (…) que está começando a introduzir-se, que uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações e chaves e poderes e glórias ocorram”.47

“Quero viver tão somente brilhando por Jesus?”48 Sim, quero! Da mesma forma, vocês querem! Ele quer também que criemos laços celestiais para interromper a tendência49 de desintegração familiar. A Terra foi criada e templos foram construídos para que as famílias possam ficar juntas para sempre.50 Muitos — se não a maioria de nós — podem arrepender-se e converter-se mais ao trabalho do templo e história da família para nossos antepassados. Assim, o nosso arrependimento é necessário e essencial para o arrependimento deles.

Para todos os nossos parentes falecidos, para a mulher de 28 anos atolada no pântano do pecado e para cada um de nós, declaro que a doce bênção do arrependimento é possível. Ela resulta da conversão completa ao Senhor e a Sua obra sagrada.

Sei que Deus vive. Jesus é o Cristo. Esta é Sua Igreja. Seu profeta hoje é o Presidente Gordon B. Hinckley. Disso testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Melhor Presente

Élder Stanley G. Ellis - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Dezembro/2007)

Em nossa família, temos o costume de fazer uma “lista de desejos”. Quando a data de aniversário de um dos filhos está próxima, pedimos ao futuro aniversariante que faça uma lista de coisas que ele (ou ela) gostaria de ganhar, ou precise ganhar, como presente de aniversário. Fazemos a mesma coisa por ocasião do Natal. A idéia não é que eles ganhem todas as coisas da lista, mas que, dessa forma, aqueles dentre nós que desejam dar-lhes um presente, possam ter uma idéia do que seria mais adequado, mais apreciado ou mais necessário. Assim, será bem provável que estaremos dando o melhor presente possível.

Deus Sabe o Que É Melhor
Na época do Natal, às vezes falamos em dar um presente para Deus, ou em dar um presente para o nosso Salvador, como fizeram os magos do oriente. Se quisermos fazer isso neste Natal, o que seria mais adequado dar a Ele? Qual seria o melhor presente? Se fôssemos perguntar-Lhe, que coisas Ele colocaria na Sua “lista de desejos”? Quais seriam as coisas que Ele gostaria que cada um de nós Lhe déssemos? Não só neste mês, mas sempre?

As escrituras nos revelam algumas das coisas que Ele mais deseja:
# Orai sempre (D&C 10:5); Pedi, buscai, batei (Mateus 7:7);
# Examinai as Escrituras (João 5:39);
# Vinde a mim (Mateus 11:28); Confiai no Senhor (Provérbios 3:5); Tende fé (Marcos 11:22);
# Amai o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração (Mateus 22:37); Amai uns aos outros (João 13:34);
# Guardai os meus mandamentos (João 14:15);
# Arrependei-vos (Mateus 4:17); Purificai-vos (3 Néfi 20:41; D&C 38:42).

Todas essas escolhas devem ser feitas quanto ao que queremos ser ou fazer. Resumindo: Ele quer que escolhamos! Que O escolhamos, que escolhamos Seu plano, que escolhamos Seu caminho. Cristo ensinou aos nefitas que Ele não aceitaria mais seus sacrifícios e holocaustos, mas, em vez disso, um “coração quebrantado e um espírito contrito” (3 Néfi 9:19–20). O Élder Neal A. Maxwell ensinou-nos que nossa vontade é a única coisa realmente nossa que podemos oferecer. (Tudo o mais que possamos pensar em dar são coisas que Ele já nos deu.) Se fizermos as coisas a Sua maneira, nós Lhe agradaremos. Se escolhermos ofertar ao Senhor uma vida justa, nós O faremos muito feliz. Toda a Sua obra e glória é levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem (ver Moisés 1:39). Ele verdadeiramente sabe, melhor que ninguém, qual é o “melhor presente” que podemos Lhe dar.

Tende Cuidado
Assim como nós, pais, queremos que nossos filhos sejam cuidadosos, a “lista de desejos” do Salvador para nós inclui, com certeza, algumas advertências. Ele sabe que Satanás “deseja ter-vos” (ver 3 Néfi 18:18). Ele está ciente das maldades e desígnios de homens conspiradores nos últimos dias (D&C 89:4). Está familiarizado com a tendência humana de procrastinar, inventar desculpas, racionalizar e nos “satisfazer com um desempenho medíocre” (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 21). Ele Se preocupa com o fato de que até os escolhidos podem ser enganados (Mateus 24:24). É evidente, para Jesus, que Satanás deseja que nos tornemos tão miseráveis quanto ele próprio (2 Néfi 2:27). Cristo Se entristece quando o mal é chamado de bem e o bem é chamado de mal (ver Isaías 5:20). Ele lamenta que alguns de nós sejamos “cegados pela astúcia sutil dos homens” (D&C 123:12).

O desejo de nosso Senhor para que sejamos cuidadosos inclui os seguintes conselhos:
# Vigiai e orai (Mateus 26:41);
# Sede diligentes (D&C 136:42; II Pedro 3:14);
# Abstende-vos de toda a aparência do mal (I Tessalonicenses 5:22);
# Fugi da prostituição (I Coríntios 6:18);
# Negai-vos a vós mesmos (Lucas 9:23; Morôni 10:32; 3 Néfi 12:30);
# Não corrais mais rapidamente do que as vossas forças o permitam (Mosias 4:27);
# Dominai todas as vossas paixões (Alma 38:12).

Os Seus servos também nos alertaram. O Presidente Hinckley nos advertiu: “Estejam atentos” (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 19 de junho de 2004, p. 27). O Presidente Faust nos admoestou que o adultério nunca é justificado, e que o flerte nunca é inocente (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 2). O Presidente Hinckley acrescentou: “Não podemos desistir. Não podemos desanimar. Não podemos jamais nos render às forças do mal. Precisamos e podemos manter os padrões. Há um caminho melhor do que o caminho que o mundo segue” (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 20). O Presidente Packer aconselhou os jovens: “Vocês nunca estão a salvo”. Referindo-se ao sonho de Leí, ele avisou: “É depois de ter comido do fruto que o nosso teste começa”. (Church News, 20 de janeiro de 2007, p. 5).

C. S. Lewis, autor cristão da Inglaterra, observou que não importa quão pequenos sejam os pecados, uma vez que seu efeito cumulativo é afastar-nos da luz e conduzir-nos às trevas.

As escrituras mostram claramente alguns resultados para aquele que se entrega à tentação e ao pecado obstinado: “amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem” (D&C 121:37); “Nada que é impuro pode habitar com Deus” (1 Néfi 10:21; ver também Moisés 6:57); “[O diabo] vos sela como seus” (Alma 34:35); Os prazeres do pecado permanecem por um curto período (ver Hebreus 11:25); O adversário prepara uma armadilha para pegar este povo “a fim de poder subjugarvos e amarrar-vos com suas correntes”, “agarrá-los-á com suas eternas correntes” (referindo-se às eternas correntes da morte, cadeias de trevas, grilhões do inferno) (Alma 12:6, 2 Néfi 28:19; Alma 26:14; 36:18, D&C 38:5); “Iniqüidade nunca foi felicidade” (Alma 41:10).

Até os Escolhidos Podem Ser Enganados
Ninguém está isento da tentação e do perigo. No princípio, Adão e Eva transgrediram (2 Néfi 2:17–25). Moisés foi confrontado e tentado por Satanás (Moisés 1:12–22). Pedro sucumbiu ao perigo e negou Cristo três vezes (Lucas 22:31–34, 54–62). No Bosque Sagrado, Joseph Smith esteve prestes a ser destruído pelo inimigo (Joseph Smith — História 1:15–17) e, mais tarde, cedeu à pressão dos homens, o que resultou na perda de 116 páginas do manuscrito do Livro de Mórmon (ver D&C 10).

Às vezes, achamos que, por ser batizados e confirmados na verdadeira Igreja de Jesus Cristo, não seremos mais testados. Ou que, por sermos líderes na Igreja, estamos a salvo. Na verdade, o Senhor ressaltou que mesmo os escolhidos podem ser enganados (Mateus 24:24). Vários líderes expressaram seu desejo de perseverar até o fim, mas o inimigo vai nos tentar em qualquer época de nossa vida, e em qualquer circunstância. Até os líderes podem racionalizar que alguma coisa errada é aceitável para eles, só por algum tempo. Somos, às vezes, tentados a pensar que determinada regra ou mandamento não é assim tão importante. Essas são mentiras e enganos criados pelo diabo para aprisionar-nos e destruir-nos.

Se já cometemos pecado, o Senhor nos oferece perdão, na condição de um arrependimento completo. Os filhos de Mosias escolheram esse caminho, mas os registros mostram seus sofrimentos e angústia por causa de suas iniqüidades (Mosias 28:4). Antes de Alma, o filho, arrepender-se, ele descreveu seu sofrimento como “muitas tribulações”, “fel da amargura e laços da iniqüidade”, “o mais escuro abismo”, “a alma atormentada com um suplício eterno”, e “dores de uma alma condenada” (Mosias 27:27-29; Alma 36:12-20). Infelizmente, o pecado traz pesar e dor não só para nós, mas também para os inocentes membros da família e entes queridos. É muito melhor evitar o pecado do que ter de se arrepender depois.

Nosso Porto Seguro
Nosso único porto seguro é servir ao Senhor de acordo com a vontade Dele, à maneira Dele e no momento certo. O Élder Maxwell ensinou-nos que a única maneira de fazer isso é por meio da revelação (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 11 de janeiro de 2003, p. 5). Felizmente, foi-nos concedido o Dom do Espírito Santo: o direito de ter o Espírito sempre conosco, “pois o Espírito fala a verdade e não mente. Portanto fala de coisas como realmente são e de coisas como realmente serão; assim, estas coisas nos são manifestadas claramente para a salvação de nossa alma” (Jacó 4:13).

Essa salvação é o que o Senhor Jesus Cristo realmente deseja para nós. Na verdade, Ele nos forneceu Sua “lista de desejos” para ajudar-nos a escolher Seu presente com sabedoria. Conhecendo os perigos com os quais nos defrontamos, Ele nos aconselhou com recomendações que nos protegerão, e também chamou apóstolos e profetas para nos guiar (ver D&C 1:17). Ele espera que escolhamos Seu plano e Seu caminho. Ao fazer isso, podemos evitar a dor do pecado. Ele nos deu o dom do Espírito Santo para guiarnos individualmente. Que possamos seguir o Seu conselho e Suas admoestações, e escolher Seu plano e Seu caminho. Dessa forma, nós Lhe daremos o melhor presente possível: viver em retidão.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perseverar na Fé

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Janeiro/2006)

Gosto muito de ler sobre a história da Igreja. Essas histórias nos ensinam a respeito da fé e da coragem para enfrentar desafios. Os primeiros santos da Igreja tiveram de demonstrar grande fé para seguir a Cristo. Depois que o Sacerdócio foi restaurado, os santos começaram a ser perseguidos de tal forma que foram expulsos de sua casa e perderam seus bens e até mesmo membros de sua família. Os que perseveraram na fé foram abençoados com o conforto de que por meio de provações o Senhor nos redime de nossos erros e somos grandemente abençoados.

Segundo Brigham Young, "somos um povo mais feliz quando temos o que chamamos de provações, pois o Espírito de Deus é mais abundantemente derramado sobre os fiéis". Ele ainda acrescenta: "Irmãos, quero dizer-lhes que temos passado por muitas tribulações, mas não creio que um homem ou uma mulher que desfruta do espírito de nossa religião realmente passe pelo que chamamos de provações; mas aqueles que tentam viver de acordo com o evangelho do Filho de Deus e ao mesmo tempo se apegam às coisas do mundo, sofrem provações e tristezas, agudas e insuportáveis, e isso continuamente. Lançai fora o jugo do inimigo e tomai sobre vós o de Cristo, e direis que seu fardo é leve e seu jugo é suave."

As dolorosas experiências pelas quais os pioneiros passaram desenvolveram neles uma fé inabalável em Deus. Além da herança de fé deixada por aqueles que atravessaram as planícies, também ficou um grande legado de amor: amor a Deus e à humanidade. É um legado de temperança, independência, trabalho árduo, padrões de Deus e lealdade àqueles a quem Deus chamou para guiar Seu povo. É um legado de abandono do pecado.

Queridos irmãos e irmãs, não posso deixar de imaginar por que esses intrépidos pioneiros precisaram pagar um preço tão terrível de agonia e sofrimento por sua fé. Acredito que a vida deles foi consagrada a um propósito superior, por meio do sofrimento. O amor que sentiam pelo Salvador ficou gravado profundamente em sua alma, na alma de seus filhos e na dos filhos de seus filhos. A motivação de sua vida era fruto de uma conversão real dentro de cada um.

O Presidente Gordon B. Hinckley disse, certa vez: "Quando pulsa no coração de um santo dos últimos dias um testemunho imenso e vital da veracidade deste trabalho, ele cumpre suas responsabilidades na Igreja". Na verdade, é assim que nos tornamos pioneiros modernos: fazendo e cumprindo aquilo a que somos designados na Igreja, dando a melhor oferta de nosso coração. Agimos como pioneiros quando tranqüila e humildemente mantemos a fé e perseveramos até o fim.

Perseverar na fé é uma evidência de nossa disposição de sacrificarmos tudo o que possuímos em prol do evangelho. Nos dias atuais, nossos líderes nos pedem que sejamos obedientes a suas instruções e cumpramos os mandamentos. Pedem-nos também que sejamos honestos, paguemos o dízimo integralmente, que sejamos dignos de uma recomendação para o templo, cumpramos nossas designações na Igreja, sejamos bons vizinhos e, acima de tudo, que amemos nosso próximo. À medida que seguirmos todas essas determinações, tornar-nos-emos semelhantes àqueles pioneiros do início da Restauração.

O nosso sofrimento não é corporal, mas é muito sutil. Quando passamos pelos testes sutis do dia-adia, perseverando em nossa fé, tornamo-nos verdadeiros santos dos últimos dias.

Certa ocasião, observei como um rio desemboca no mar. Normalmente, as águas do rio vêm com muita força e, ao encontraremse com as águas do mar, formam-se grandes ondas. Mas o rio segue seu curso e mistura-se com o mar, como determinado pela natureza. Assim como o rio segue seu curso, precisamos seguir o curso de nossa vida de tal maneira que voltemos à presença de nosso Pai Celestial. Muitas vezes, enfrentamos grandes ondas de desafios, mas ao manter o curso de nossa fé, seremos merecedores da coroa da salvação.

Em Doutrina e Convênios 58:2-3, lemos o seguinte: "Pois em verdade vos digo: Bem-aventurado é o que guarda meus mandamentos, seja na vida ou na morte; e o que é fiel nas tribulações recebe maior recompensa no reino do céu. Por agora não podeis, com vossos olhos naturais, ver o desígnio de vosso Deus com respeito às coisas que virão mais tarde nem a glória que se seguirá depois de muitas tribulações".

Oro para que Deus nos abençoe com fé para seguirmos o curso de nossa vida e sermos fiéis aos Seus mandamentos. Assim, Ele nos abençoará grandemente, e herdaremos a vida eterna que é o maior de todos os dons de Deus.

Lugar Mormon: APOIO MÓRMON AO BRASIL Todos os missionários da ...

Lugar Mormon: APOIO MÓRMON AO BRASIL
Todos os missionários da ...
: "APOIO MÓRMON AO BRASIL Todos os missionários da Igreja que servem na região afetada estão bem.125 membros da Igreja perderam as suas casas..."

sábado, 1 de janeiro de 2011

Na Direção Estabelecida pelo Senhor

Élder Ulisses Soares - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil Sul (Setembro/2006)

Certa ocasião, eu estava viajando de carro para cumprir uma designação. Durante a viagem, deparei-me com um nevoeiro muito forte. Fiquei um pouco apreensivo, pois as condições de visibilidade eram muito ruins. Quase não via nada, três metros à frente. Percebi então que o único meio de manterme na direção correta era seguir as linhas brancas do chão que continham marcadores luminosos, devido a constância dos nevoeiros naquela região. Dirigindo em baixa velocidade e atento às linhas brancas, consegui chegar ao meu destino final e cumprir minha designação. Senti-me grato por ter saído um pouco mais cedo de casa e, assim, a redução de velocidade não impediu que eu chegasse àquela cidade em segurança.

Nossa experiência mortal aqui na Terra também requer que nos mantenhamos na direção certa e sigamos as diretrizes estabelecidas pelo Senhor pois, dessa maneira, poderemos chegar ao nosso destino eterno e desfrutar a companhia de nossa família na presença de Deus e de Jesus Cristo.

O Senhor estabeleceu limites a fim de que possamos chegar em segurança, se não nos desviarmos dessa direção. O Salvador ensinou: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:13–14). Os ensinamentos do Salvador são claros, pois determinam o caminho que devemos seguir para não nos perder. Mas corremos o risco de nos desviar, quando seguimos nossos próprios pensamentos de homens naturais. No Guia para Estudo das Escrituras aprendemos que o homem natural deixa-se influenciar pelas paixões, pelos desejos, apetites e impulsos da carne, em vez de buscar a inspiração do Espírito Santo. Ele só compreende as coisas físicas, não as espirituais. Todo ser humano — homem ou mulher — é carnal, ou seja, mortal, em virtude da Queda de Adão e Eva, e tem de nascer de novo pela Expiação de Jesus Cristo para deixar de ser um ser natural.

Quando não controlamos o homem natural que existe dentro de nós, começamos a colocar o nosso coração nas coisas do mundo, e isso nos distancia ainda mais do caminho. Começamos a agir de acordo com o nosso próprio pensamento e, como conseqüência, podemos nos perder no nevoeiro que se encontra à nossa frente.

Como evitar que percamos a direção, e como manter uma velocidade constante em nossa vida, a fim de chegarmos em segurança ao nosso destino eterno? As escrituras contêm muitos ensinamentos que podem ajudar-nos a vencer o homem natural. Gostaria de compartilhar algumas escrituras que me inspiram e me ajudam a voltar meus pensamentos e ações na direção estabelecida pelo Senhor.

Primeiramente gostaria de me referir ao que Néfi, filho de Leí, ensinou a seus irmãos sobre o significado da barra de ferro que seu pai tinha visto no sonho. “E eu disselhes que era a palavra de Deus; e todos os que dessem ouvidos à palavra de Deus e a ela se apegassem, jamais pereceriam; nem as tentações nem os ardentes dardos do adversário poderiam dominá-los até a cegueira, para levá-los à destruição” (1 Néfi 15:24). Essas palavras deixam claro que, à medida que nos apegarmos ao evangelho e o vivermos intensamente, não pereceremos, pois estaremos protegidos e seremos capazes de vencer as tentações. É a nossa vivência do evangelho que determina a direção que estamos seguindo em nossa vida.

Outra escritura que sempre me impressiona é a que está registrada em Salmos 119:105. “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Trata-se de uma lembrança constante de que o conteúdo das escrituras nos guia no caminho que nos levará de volta à presença de Nosso Pai Celestial e ilumina a direção que devemos tomar nas decisões que tomamos durante esta vida mortal. Quando estudamos as escrituras, crendo que o Senhor está pessoalmente nos guiando e iluminando nosso caminho, estaremos bem mais dispostos a aplicá-las na vida, e progrediremos com mais rapidez.

Aprecio muito o que se encontra em D&C 112:10: “Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações”. Ao orarmos diariamente, buscando a ajuda do Senhor, demonstramos nossa humildade e, apesar dos desafios que enfrentarmos, o Senhor nos conduzirá pela mão na direção que devemos seguir. Dessa maneira, nunca vamos nos perder, e receberemos os frutos de nosso sacrifício na vida mortal.

Finalmente, gostaria de mencionar o que Morôni ensinou a respeito da fé: “Portanto, se um homem tem fé, ele tem que ter esperança; porque sem fé não pode haver qualquer esperança. E novamente, eis que vos digo que ele não pode ter fé nem esperança sem que seja manso e humilde de coração. Sem isso sua fé e esperança são vãs, porque ninguém é aceitável perante Deus, a não ser os humildes e brandos de coração; e se um homem é humilde e brando de coração e confessa, pelo poder do Espírito Santo, que Jesus é o Cristo, ele precisa ter caridade; pois se não tem caridade, nada é; portanto ele precisa ter caridade. (…) Mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem” (Morôni 7:42–44, 47).

De acordo com a escritura, a fé é determinante em nossa disposição de nos tornarmos mansos, humildes, e de abençoarmos a vida de nosso próximo por meio da caridade. O Salvador foi o exemplo máximo da caridade, e demonstrou isso pela maneira com que tratava e abençoava as pessoas. Ao seguir Seu exemplo, estaremos demonstrando nossa fé em Seus ensinamentos e certamente estaremos caminhando na direção correta.

Que todos possamos gozar dos frutos do evangelho em nossa vida. Sejamos fiéis e leais aos convênios que fizemos com o Senhor. Tenhamos sempre em mente que o caminho estreito e apertado exigirá algum sacrifício; mas se nos mantivermos no limite das linhas brancas estabelecidas pelo Senhor para seguirmos pela estrada da vida, mesmo em meio às tempestades, chegaremos em segurança na presença Dele. Esse é meu testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...