Élder Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos
O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor.
Senti-me impelido a falar a respeito do amor e dos mandamentos de Deus. Minha mensagem trata do amor universal e perfeito de Deus, demonstrado em todas as bênçãos de Seu plano do evangelho, incluindo-se o fato de que Suas bênçãos mais especiais estão reservadas àqueles que obedecem Suas leis.1 Esses são os princípios eternos que devem orientar os pais em seu amor a seus filhos e nos ensinamentos que lhes proporcionam.
I.
Começo com quatro exemplos que ilustram certa confusão crucial entre o amor e a lei.
• Um jovem adulto que vive maritalmente com outra pessoa diz a seus tristes pais: “Se vocês realmente me amassem, nos aceitariam da mesma forma que aceitam seus filhos casados”.
• Um jovem reage às ordens ou pressões dos pais, declarando: “Se vocês me amassem, não me forçariam a nada”.
Nesses exemplos, uma pessoa que está violando os mandamentos afirma que o amor dos pais deve passar por cima dos mandamentos da lei divina e dos ensinamentos paternos.
Os dois próximos exemplos demonstram como os mortais se confundem a respeito da eficácia do amor de Deus.
• Certa pessoa rejeita a doutrina de que um casal deva ser casado para a eternidade, para poder usufruir os relacionamentos familiares da vida futura, declarando: “Se Deus realmente nos ama, não posso acreditar que separaria o marido de sua esposa dessa forma”.
• Outra pessoa diz que sua fé foi abalada pelo sofrimento que Deus permite que seja infligido a uma pessoa ou raça, concluindo: “Se houvesse um Deus que nos amasse, Ele não permitiria que isso ocorresse”.
Essas pessoas não acreditam nas leis eternas que consideram contrárias aos seus conceitos da eficácia do amor de Deus. Aqueles que assumem essa posição não compreendem a natureza do amor Divino ou o propósito de Suas leis e Seus mandamentos. O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor. O mesmo deveria ser verdade no que diz respeito ao amor e às regras paternos.
II.
Considerem, primeiramente, o amor de Deus, como foi descrito tão significativamente pelo Presidente Dieter F. Uchtdorf. “Quem nos separará do amor de Cristo?” perguntou o Apóstolo Paulo. Nem a tribulação; nem a perseguição; nem o perigo ou a espada (ver Romanos 8:35). “Porque estou certo de que”, concluiu ele, “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, (...) nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus” (vv. 38–39).
Não existe maior evidência do poder e da perfeição infinitos do amor de Deus do que as palavras do Apóstolo João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). Outro Apóstolo escreveu que Deus “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32). Pensem em como deve ter afligido nosso Pai Celestial enviar Seu Filho para suportar por nossos pecados um sofrimento incompreensível. Essa é a maior evidência de Seu amor a cada um de nós!
O amor que Deus tem por Seus filhos é uma realidade eterna, mas, por que Ele nos ama tanto, e por que desejamos esse amor? A resposta é encontrada no relacionamento entre o amor de Deus e as Suas leis.
Alguns parecem dar valor ao amor de Deus por esperarem que esse amor seja tão grande e tão incondicional que os dispensará misericordiosamente de obedecer a Suas leis. Ao contrário, os que compreendem o plano de Deus para Seus filhos, sabem que as leis Dele são invariáveis, e essa realidade é outra grande evidência de Seu amor por nós. A misericórdia não pode roubar a justiça2, e aqueles que obtêm misericórdia são “os que guardaram o convênio e observaram o mandamento” (D&C 54:6).
Lemos repetidamente na Bíblia e nas escrituras modernas a respeito da “indignação” de Deus com os iníquos3 e de Sua ira4 contra os que violam Suas leis. Como a indignação e a ira evidenciam Seu amor? Joseph Smith ensinou que Deus instituiu “leis por meio das quais eles poderiam ter o privilégio de progredir como Ele próprio”.5 O amor de Deus é tão perfeito, que faz com que Ele exija amorosamente que obedeçamos aos Seus mandamentos, porque Ele sabe que somente por obediência a Suas leis podemos tornar-nos perfeitos como Ele é. Por essa razão, a ira de Deus e o ardor dessa ira não constituem uma contradição de Seu amor, mas uma evidência de Seu amor. Pais e mães sabem que se pode amar total e completamente a um filho e ao mesmo tempo demonstrar criativamente sua ira e decepção com o comportamento prejudicial desse filho contra si mesmo.
O amor de Deus é tão universal que Seu plano perfeito confere muitos dons a todos os Seus filhos, mesmo àqueles que desobedecem Suas leis. A mortalidade é um desses dons, concedida a todos os que se qualificaram na Guerra nos Céus.6 Outra dádiva incondicional é a Ressurreição universal. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22). Muitos outros dons mortais não estão condicionados a nossa obediência pessoal à lei. Como ensinou Jesus, nosso Pai Celestial “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).
Se simplesmente nos dispusermos a ouvir, poderemos conhecer o amor de Deus e senti-lo, mesmo quando somos desobedientes. Uma senhora que voltou recentemente à atividade na Igreja, deu esta descrição em um discurso na reunião sacramental: “Ele sempre estava lá para atender-me, mesmo quando eu O rejeitava. Ele sempre me guiava, confortando-me com Suas ternas misericórdias, mas eu [estava] tão revoltada, que não via nem aceitava o que me ocorria e os sentimentos que eu tinha como frutos dessas ternas misericórdias”.7
III.
As mais excelentes bênçãos de Deus estão claramente condicionadas à obediência às leis e aos mandamentos de Deus. O ensino-chave encontra-se na revelação moderna:
“Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam —
E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:20–21).
Esse grande princípio nos ajuda a entender o porquê de muitas coisas, tais como a justiça e a misericórdia compensadas pela Expiação. Explica também por que Deus não impedirá o exercício do livre-arbítrio por Seus filhos. O livre-arbítrio — nossa capacidade de escolher — é fundamental para o plano do evangelho que nos trouxe à Terra. Deus não intervém para impedir as consequências das escolhas de alguns, a fim de proteger o bem-estar de outros — mesmo quando matam, ferem ou oprimem uns aos outros — isso destruiria Seu plano para nosso progresso eterno.8 Ele nos abençoará, para que suportemos as consequências das escolhas dos outros, porém não impedirá essas escolhas.9
Se uma pessoa entender os ensinamentos de Jesus, não poderá concluir razoavelmente que nosso amantíssimo Pai Celestial ou Seu divino Filho crê que Seu amor suplante Seus mandamentos. Pensem nestes exemplos.
Quando Jesus iniciou Seu ministério, Sua primeira mensagem foi sobre o arrependimento.10
Quando Ele exerceu terna misericórdia, não condenando a mulher apanhada em adultério, disse-lhe, apesar disso: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).
Jesus ensinou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).
A finalidade dos mandamentos e das leis de Deus não muda para adaptar-se ao comportamento ou aos desejos dos outros. Se alguém acha que o amor de Deus ou dos pais por uma pessoa lhe concede a licença para desobedecer à lei, não entende nem o amor nem a lei. O Senhor declarou: “Aquilo que transgride uma lei e não obedece à lei, mas procura tornar-se uma lei para si mesmo e prefere permanecer no pecado, nele permanecendo inteiramente, não pode ser santificado por lei nem por misericórdia, justiça ou julgamento. Portanto permanece imundo ainda” (D&C 88:35).
Lemos na revelação moderna: “A todos os reinos se deu uma lei” (D&C 88:36). Por exemplo:
“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino terrestre não consegue suportar uma glória terrestre.
E aquele que não consegue viver a lei de um reino telestial não consegue suportar uma glória telestial” (D&C 88:22–24).
Em outras palavras, o reino de glória a que o Julgamento Final nos designar não é determinado pelo amor, mas pela lei que Deus invocou em Seu plano a fim de nos qualificar para a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7).
IV.
Ao ensinar e interagir com os filhos, os pais têm muitas oportunidades de aplicar esses princípios. Uma dessas circunstâncias tem a ver com os dons que os pais conferem aos filhos. Assim como Deus conferiu alguns dons a todos os Seus filhos mortais, sem lhes exigir obediência pessoal a Suas leis, os pais concedem muitos benefícios como teto e alimento, mesmo que seus filhos não estejam em total harmonia com todos os requisitos paternos. Mas, seguindo o exemplo de um Pai Celestial plenamente sábio e amoroso, que deu leis e mandamentos para o benefício de Seus filhos, os pais sábios condicionam alguns dons paternos à obediência.
Se os pais têm um filho rebelde — como um adolescente que use bebidas alcoólicas ou drogas — eles enfrentam um sério problema. Será que, por amor ao filho, os pais precisam permitir que ele guarde ou use tais substâncias em casa? Ou será que, por causa da lei civil, ou da gravidade dessa conduta, ou ainda para proteger os interesses dos outros filhos, isso tem que ser proibido?
Para apresentar uma questão ainda mais séria, se um filho adulto vive maritalmente com outra pessoa, será que a gravidade das relações sexuais fora dos laços do casamento exige que esse filho sinta todo o peso da desaprovação da família e seja excluído de quaisquer contatos com a família? Ou será que o amor paterno exige que se ignore esse fato? Já vi esses dois extremos e creio que ambos são impróprios.
Quais são os limites que os pais podem impor? Essa é uma questão de sabedoria dos pais, orientada pela inspiração do Senhor. Não existe área de ação paterna em que seja mais necessária a orientação Celestial ou em que ela seja mais propensa a acontecer do que nas decisões dos pais ao educarem seus filhos e governarem sua família. Esta é a obra da eternidade.
Ao se depararem com esses problemas, os pais precisam lembrar-se do ensinamento do Senhor, de que devemos deixar as noventa e nove ovelhas e irmos para o deserto, a fim de resgatar a que está perdida.11 O Presidente Thomas S. Monson conclamou: uma cruzada amorosa para resgatar nossos irmãos e irmãs que vagueiam no deserto da apatia ou ignorância.12 Esses ensinamentos exigem uma preocupação amorosa contínua, que certamente requer associações amorosas permanentes.
Os pais devem também lembrar-se do ensino frequente do Senhor de que “o Senhor corrige o que ama” (Hebreus 12:6).13 Em seu discurso “Ensinai-nos Tolerância e Amor”, na conferência de abril de 1994, o Élder Russell M. Nelson ensinou que “o verdadeiro amor pelo pecador pode exigir uma confrontação corajosa — em vez de condescendência! O amor verdadeiro não encoraja um comportamento de autodestruição”.14
Onde quer que seja traçada a linha divisória entre o poder do amor e a força da lei, a quebra dos mandamentos causará, certamente, um impacto sobre os relacionamentos de amor da família. Jesus ensinou:
“Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;
Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.
O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe” (Lucas 12:51–53).
Esse solene ensinamento nos lembra que, quando os familiares não estão unidos no esforço para guardar os mandamentos de Deus, haverá divisões. Fazemos tudo que podemos para evitar a quebra dos relacionamentos de amor, mas às vezes isso ocorre, apesar de tudo que podemos fazer.
No meio de tal pressão, precisamos suportar a realidade de que o afastamento de nossos entes queridos diminuirá nossa felicidade, contudo, não deve diminuir nosso amor mútuo ou nossos esforços pacientes para nos unirmos, a fim de entender o amor de Deus e as leis Dele.
Testifico-lhes quanto à veracidade dessas coisas que fazem parte do plano de salvação e da doutrina de Cristo, de Quem testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.
sábado, 21 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Receber Orientação Espiritual
Élder Richard G. Scott
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual.
Ao longo dos séculos, muitos conseguiram obter orientação útil para enfrentar os desafios da própria vida, ao seguir o exemplo de outras pessoas respeitáveis que resolveram problemas semelhantes. Hoje, as condições de vida mudam com tal rapidez que essa estratégia nem sempre se torna possível.
Pessoalmente, regozijo-me com essa realidade, porque ela cria uma condição na qual, necessariamente, ficamos mais dependentes do Espírito para nos guiar em meio às vicissitudes da vida. Dessa forma, somos levados a buscar inspiração pessoal para as decisões importantes da vida.
O que você pode fazer a fim de ampliar sua capacidade de ser orientado para tomar decisões corretas na vida? Quais são os princípios dos quais depende a comunicação espiritual? Quais são as barreiras em potencial que você deve evitar para obter essa comunicação?
O Presidente John Taylor escreveu: “Joseph Smith, há mais de quarenta anos, disse-me: ‘Irmão Taylor, você recebeu o Espírito Santo. Agora, siga a influência desse Espírito e Ele o guiará a toda verdade, até que, aos poucos, ela se tornará em você um princípio de revelação’. Em seguida, disse-me para nunca começar o dia sem curvar-me diante do Senhor e dedicar-me a Ele durante esse dia”.1
O Pai Celestial sabia que você enfrentaria desafios e que deveria tomar certas decisões cujas alternativas corretas estariam além da sua capacidade de discernir. Em Seu plano de felicidade, Ele incluiu o recurso que lhe permite receber ajuda em tais desafios e decisões durante sua vida mortal. Essa ajuda lhe chegará por meio do Espírito Santo, como orientação espiritual. É um poder além de sua capacidade, que o amoroso Pai Celestial deseja que você utilize de maneira consistente para ter paz e felicidade.
Tenho a convicção de que não existe uma fórmula ou técnica simples que, de imediato, permita-lhe dominar a capacidade de ser orientado pela voz do Espírito. Nosso Pai espera que você aprenda a obter essa ajuda divina pelo exercício da fé Nele e em Seu Santo Filho, Jesus Cristo. Se você recebesse orientação inspirada só por pedir, ficaria fraco e cada vez mais dependente Deles. Eles sabem que o crescimento pessoal essencial virá à medida que você aprenda a ser guiado pelo Espírito.
O que, a princípio, parece ser uma tarefa temerária, torna-se muito mais fácil com o tempo, se você se esforçar consistentemente para reconhecer e seguir os sentimentos propiciados pelo Espírito. Sua confiança na orientação recebida do Espírito Santo também se fortalecerá. Testifico-lhe que, à medida que ganhar experiência e for bem-sucedido ao ser orientado pelo Espírito, sua confiança nesses sussurros se tornará maior do que sua dependência daquilo que você vê ou ouve.
A espiritualidade gera dois frutos. O primeiro é a inspiração, saber o que fazer. O segundo é o poder, ou a capacidade de fazê-lo. Essas duas habilidades vêm juntas. É por isso que Néfi pôde dizer: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.2 Ele conhecia as leis espirituais nas quais se baseiam a inspiração e o poder. Sim, Deus responde às orações e dá-nos orientação espiritual quando somos obedientes e exercemos a necessária fé Nele.
Quero compartilhar uma experiência que me ensinou uma forma de receber orientação espiritual. Certo domingo, assisti à reunião do sacerdócio em um ramo hispânico na Cidade do México. Lembro-me claramente de como o humilde líder do sacerdócio, um mexicano, esforçava-se para comunicar as verdades do evangelho contidas na lição. Observei o desejo intenso que ele tinha de compartilhar com os membros de seu quórum aqueles princípios que ele valorizava tanto. Ele reconhecia que eram de grande valia para os irmãos presentes. Em seus modos havia uma evidência do puro amor do Salvador e do amor por aqueles a quem ensinava.
Sua sinceridade, pureza de propósito e amor permitiram que uma força espiritual envolvesse a classe. Fiquei profundamente comovido. Logo comecei a receber impressões pessoais como extensão dos princípios ensinados por aquele humilde instrutor. Era inspiração pessoal, relacionada a minhas responsabilidades na área. Era a resposta por meus esforços prolongados, em espírito de oração, para aprender.
À medida que cada impressão chegava, eu as anotava fielmente. Nesse processo, recebi verdades preciosas das quais eu muito necessitava para ser um servo mais eficaz do Senhor. Os detalhes dessa comunicação são sagrados e, como uma bênção patriarcal, foram para o meu próprio benefício. Recebi orientações e instruções específicas, além de promessas condicionais que alteraram o curso da minha vida para melhor.
Pouco tempo depois, assisti à aula da Escola Dominical de nossa ala, em que um visitante muito culto deu a aula. Essa experiência foi um contraste chocante com aquela que eu havia desfrutado na reunião do sacerdócio. Pareceu-me que o instrutor tinha, propositalmente, escolhido referências obscuras e exemplos incomuns para ilustrar os princípios da lição. Tive a nítida sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade de ensino para impressionar a classe com seu vasto acervo de conhecimento. De qualquer forma, ele não parecia ter a intenção de comunicar princípios, como havia feito o humilde líder do sacerdócio.
Naquelas circunstâncias, fortes impressões começaram a fluir para mim de novo. Eu as anotei. A mensagem incluía conselhos específicos sobre como me tornar um instrumento mais eficaz nas mãos do Senhor. Recebi tal influxo de impressões — tão pessoais — que senti não ser apropriado registrá-las em meio a uma aula da Escola Dominical. Procurei um lugar mais sossegado e continuei a anotar tão fielmente quanto possível os sentimentos que inundaram minha mente e meu coração. Depois de registrar cada vigorosa impressão, ponderei sobre os sentimentos que tivera, a fim de determinar se os tinha expressado por escrito com precisão. Depois de ponderar, fiz algumas pequenas alterações no que tinha escrito. Em seguida, estudei o significado e a aplicação delas em minha própria vida.
Orei, depois, repassando com o Senhor o que eu achava que me havia sido ensinado pelo Espírito. Quando me sobreveio um sentimento de paz, agradeci a Ele pela orientação dada. Senti então que devia perguntar-Lhe se ainda havia mais a caminho. Recebi outras impressões e repeti o processo de escrevê-las, de ponderar sobre elas e orar por confirmação. Mais uma vez fui levado a perguntar: “Há algo mais que eu deva saber?” E havia. Ao encerrar-se aquela última e sagrada experiência, eu havia recebido algumas das orientações mais preciosas, específicas e pessoais que alguém poderia esperar receber nesta vida. Se eu não tivesse dado ouvidos às primeiras impressões, se não as tivesse registrado, não teria recebido a última e mais preciosa orientação.
O que descrevi não é uma experiência isolada. Ela engloba vários princípios verdadeiros relacionados à comunicação entre o Senhor e Seus filhos aqui na Terra. Creio que você pode deixar de ouvir a orientação mais preciosa e pessoal do Espírito se não der ouvidos, se não registrar nem aplicar as inspirações que lhe vierem.
As impressões do Espírito podem vir em resposta a uma oração urgente ou até sem serem pedidas, quando há necessidade. Às vezes o Senhor lhe revela uma verdade, apesar de não a estar buscando ativamente, como quando você está em perigo sem o saber. No entanto, o Senhor não o forçará a aprender. Você deve exercer seu livre-arbítrio para autorizar o Espírito a lhe ensinar. Ao tornar isso um hábito na vida, você ficará mais perceptivo aos sentimentos que acompanham a orientação espiritual. Assim, quando a orientação chega — às vezes, quando você menos espera — você a reconhece com mais facilidade.
A influência inspiradora do Espírito Santo pode ser abafada ou mascarada por emoções fortes como a raiva, o ódio, a paixão, o medo ou o orgulho. Quando essas influências se apresentam, é o mesmo que procurar saborear o delicado sabor de uma uva tendo na boca uma forte pimenta. Ambos os sabores estão presentes, mas um se sobrepõe completamente ao outro. Semelhantemente, as emoções fortes sobrepõem-se aos delicados sussurros do Espírito Santo.
O pecado vicia, degenera e leva a outros tipos de corrupção, amortecendo a espiritualidade, a consciência e a razão, cegando-nos para a realidade. É contagioso, destrói a mente, o corpo e o espírito. O pecado é espiritualmente corrosivo. Se não for contido, ele nos consome. Ele é vencido pelo arrependimento e pela retidão.
Faço-lhe uma advertência. Satanás é perito em bloquear a comunicação espiritual. Ele induz as pessoas, por meio da tentação, a violar as leis sobre as quais se fundamenta a comunicação espiritual. Ele é capaz de convencer alguns de que são incapazes de receber tais orientações do Senhor.
Satanás tornou-se mestre no uso do poder viciante da pornografia a fim de limitar a capacidade de as pessoas serem guiadas pelo Espírito. O ataque da pornografia sob todas as suas formas doentias, malignas e corrosivas tem causado muito sofrimento, dor, angústia e tem destruído casamentos. Ela é uma das mais danosas influências na Terra. Tanto em páginas impressas, no cinema, na televisão, nas músicas com letras obscenas e nos serviços telefônicos, quanto nas telas do computador, a pornografia é incrivelmente viciante e terrivelmente destrutiva. Essa possante ferramenta de Lúcifer degrada a mente, o coração e a alma de qualquer um que a use. Todos os que caem em sua rede tentadora e tormentosa e ali permanecem acabarão viciados nessa influência imoral e destruidora. Muitos não conseguem livrar-se desse vício sem ajuda. A trágica sequência é conhecida. Começa com a curiosidade, incentivada pelo estímulo que apresenta, e se justifica pela falsa premissa de que, em particular, não prejudica mais ninguém. Para os que são atraídos por essa mentira, a experimentação avança, com estímulos mais fortes, até que a armadilha se fecha e um hábito terrivelmente imoral e viciante assume o controle.
A participação em pornografia, sob qualquer de suas formas sinistras, é demonstração de egoísmo sem limites. Como é possível que um homem, especialmente um portador do sacerdócio, não pense no dano emocional e espiritual causado às mulheres, principalmente à esposa, por esse hábito degradante?
Bem disse o inspirado Néfi: “E [o diabo os] (…) pacificará e acalentará com segurança carnal, (…) e assim [ele] engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”.3
Se você caiu na armadilha da pornografia, assuma integralmente o compromisso de abandoná-la. Encontre um lugar calmo e ore urgentemente pedindo auxílio e apoio. Seja paciente e obediente. Não desista.
Pais: saibam que o vício da pornografia pode começar bem cedo nos jovens. Tomem medidas preventivas para evitar essa tragédia. Presidentes de estaca e bispos, façam um alerta contra esse mal. Convidem todos os que vocês considerem presas desse mal a procurar ajuda com vocês.
A pessoa com padrões sedimentados e um comprometimento duradouro de obediência não será facilmente desviada. Aquele que, cada vez mais, repele o grave pecado e exerce autocontrole sem influência humana externa, possui firmeza de caráter. O arrependimento será mais efetivo para essa pessoa. O remorso após o erro é solo fértil em que o arrependimento pode florescer.
Seja paciente, à medida que aperfeiçoa sua capacidade de ser guiado pelo Espírito. Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual. Presto testemunho de que o Senhor, por meio do Espírito Santo, pode falar a nossa mente e ao nosso coração. Às vezes, essas impressões são apenas sentimentos genéricos. Outras vezes, o direcionamento vem com tal clareza e certeza que pode até ser escrito, como um ditado espiritual.4
Presto solene testemunho de que, ao orar com fervor na alma, com humildade e gratidão, você poderá aprender a ser guiado de maneira consistente pelo Espírito Santo em todos os aspectos da vida. Já confirmei a verdade desse princípio no momento mais difícil de minha vida. Testifico que você pode aprender a controlar pessoalmente os princípios que lhe permitem ser guiado pelo Espírito. Dessa maneira, o Salvador poderá guiá-lo para vencer os desafios da vida e desfrutar grande paz e felicidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas
1. John Taylor, The Gospel Kingdom, ed. G. Homer Durham (1943), pp. 43–44.
2. 1 Néfi 3:7.
3. 2 Néfi 28:21.
4. Ver D&C 8:2.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual.
Ao longo dos séculos, muitos conseguiram obter orientação útil para enfrentar os desafios da própria vida, ao seguir o exemplo de outras pessoas respeitáveis que resolveram problemas semelhantes. Hoje, as condições de vida mudam com tal rapidez que essa estratégia nem sempre se torna possível.
Pessoalmente, regozijo-me com essa realidade, porque ela cria uma condição na qual, necessariamente, ficamos mais dependentes do Espírito para nos guiar em meio às vicissitudes da vida. Dessa forma, somos levados a buscar inspiração pessoal para as decisões importantes da vida.
O que você pode fazer a fim de ampliar sua capacidade de ser orientado para tomar decisões corretas na vida? Quais são os princípios dos quais depende a comunicação espiritual? Quais são as barreiras em potencial que você deve evitar para obter essa comunicação?
O Presidente John Taylor escreveu: “Joseph Smith, há mais de quarenta anos, disse-me: ‘Irmão Taylor, você recebeu o Espírito Santo. Agora, siga a influência desse Espírito e Ele o guiará a toda verdade, até que, aos poucos, ela se tornará em você um princípio de revelação’. Em seguida, disse-me para nunca começar o dia sem curvar-me diante do Senhor e dedicar-me a Ele durante esse dia”.1
O Pai Celestial sabia que você enfrentaria desafios e que deveria tomar certas decisões cujas alternativas corretas estariam além da sua capacidade de discernir. Em Seu plano de felicidade, Ele incluiu o recurso que lhe permite receber ajuda em tais desafios e decisões durante sua vida mortal. Essa ajuda lhe chegará por meio do Espírito Santo, como orientação espiritual. É um poder além de sua capacidade, que o amoroso Pai Celestial deseja que você utilize de maneira consistente para ter paz e felicidade.
Tenho a convicção de que não existe uma fórmula ou técnica simples que, de imediato, permita-lhe dominar a capacidade de ser orientado pela voz do Espírito. Nosso Pai espera que você aprenda a obter essa ajuda divina pelo exercício da fé Nele e em Seu Santo Filho, Jesus Cristo. Se você recebesse orientação inspirada só por pedir, ficaria fraco e cada vez mais dependente Deles. Eles sabem que o crescimento pessoal essencial virá à medida que você aprenda a ser guiado pelo Espírito.
O que, a princípio, parece ser uma tarefa temerária, torna-se muito mais fácil com o tempo, se você se esforçar consistentemente para reconhecer e seguir os sentimentos propiciados pelo Espírito. Sua confiança na orientação recebida do Espírito Santo também se fortalecerá. Testifico-lhe que, à medida que ganhar experiência e for bem-sucedido ao ser orientado pelo Espírito, sua confiança nesses sussurros se tornará maior do que sua dependência daquilo que você vê ou ouve.
A espiritualidade gera dois frutos. O primeiro é a inspiração, saber o que fazer. O segundo é o poder, ou a capacidade de fazê-lo. Essas duas habilidades vêm juntas. É por isso que Néfi pôde dizer: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.2 Ele conhecia as leis espirituais nas quais se baseiam a inspiração e o poder. Sim, Deus responde às orações e dá-nos orientação espiritual quando somos obedientes e exercemos a necessária fé Nele.
Quero compartilhar uma experiência que me ensinou uma forma de receber orientação espiritual. Certo domingo, assisti à reunião do sacerdócio em um ramo hispânico na Cidade do México. Lembro-me claramente de como o humilde líder do sacerdócio, um mexicano, esforçava-se para comunicar as verdades do evangelho contidas na lição. Observei o desejo intenso que ele tinha de compartilhar com os membros de seu quórum aqueles princípios que ele valorizava tanto. Ele reconhecia que eram de grande valia para os irmãos presentes. Em seus modos havia uma evidência do puro amor do Salvador e do amor por aqueles a quem ensinava.
Sua sinceridade, pureza de propósito e amor permitiram que uma força espiritual envolvesse a classe. Fiquei profundamente comovido. Logo comecei a receber impressões pessoais como extensão dos princípios ensinados por aquele humilde instrutor. Era inspiração pessoal, relacionada a minhas responsabilidades na área. Era a resposta por meus esforços prolongados, em espírito de oração, para aprender.
À medida que cada impressão chegava, eu as anotava fielmente. Nesse processo, recebi verdades preciosas das quais eu muito necessitava para ser um servo mais eficaz do Senhor. Os detalhes dessa comunicação são sagrados e, como uma bênção patriarcal, foram para o meu próprio benefício. Recebi orientações e instruções específicas, além de promessas condicionais que alteraram o curso da minha vida para melhor.
Pouco tempo depois, assisti à aula da Escola Dominical de nossa ala, em que um visitante muito culto deu a aula. Essa experiência foi um contraste chocante com aquela que eu havia desfrutado na reunião do sacerdócio. Pareceu-me que o instrutor tinha, propositalmente, escolhido referências obscuras e exemplos incomuns para ilustrar os princípios da lição. Tive a nítida sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade de ensino para impressionar a classe com seu vasto acervo de conhecimento. De qualquer forma, ele não parecia ter a intenção de comunicar princípios, como havia feito o humilde líder do sacerdócio.
Naquelas circunstâncias, fortes impressões começaram a fluir para mim de novo. Eu as anotei. A mensagem incluía conselhos específicos sobre como me tornar um instrumento mais eficaz nas mãos do Senhor. Recebi tal influxo de impressões — tão pessoais — que senti não ser apropriado registrá-las em meio a uma aula da Escola Dominical. Procurei um lugar mais sossegado e continuei a anotar tão fielmente quanto possível os sentimentos que inundaram minha mente e meu coração. Depois de registrar cada vigorosa impressão, ponderei sobre os sentimentos que tivera, a fim de determinar se os tinha expressado por escrito com precisão. Depois de ponderar, fiz algumas pequenas alterações no que tinha escrito. Em seguida, estudei o significado e a aplicação delas em minha própria vida.
Orei, depois, repassando com o Senhor o que eu achava que me havia sido ensinado pelo Espírito. Quando me sobreveio um sentimento de paz, agradeci a Ele pela orientação dada. Senti então que devia perguntar-Lhe se ainda havia mais a caminho. Recebi outras impressões e repeti o processo de escrevê-las, de ponderar sobre elas e orar por confirmação. Mais uma vez fui levado a perguntar: “Há algo mais que eu deva saber?” E havia. Ao encerrar-se aquela última e sagrada experiência, eu havia recebido algumas das orientações mais preciosas, específicas e pessoais que alguém poderia esperar receber nesta vida. Se eu não tivesse dado ouvidos às primeiras impressões, se não as tivesse registrado, não teria recebido a última e mais preciosa orientação.
O que descrevi não é uma experiência isolada. Ela engloba vários princípios verdadeiros relacionados à comunicação entre o Senhor e Seus filhos aqui na Terra. Creio que você pode deixar de ouvir a orientação mais preciosa e pessoal do Espírito se não der ouvidos, se não registrar nem aplicar as inspirações que lhe vierem.
As impressões do Espírito podem vir em resposta a uma oração urgente ou até sem serem pedidas, quando há necessidade. Às vezes o Senhor lhe revela uma verdade, apesar de não a estar buscando ativamente, como quando você está em perigo sem o saber. No entanto, o Senhor não o forçará a aprender. Você deve exercer seu livre-arbítrio para autorizar o Espírito a lhe ensinar. Ao tornar isso um hábito na vida, você ficará mais perceptivo aos sentimentos que acompanham a orientação espiritual. Assim, quando a orientação chega — às vezes, quando você menos espera — você a reconhece com mais facilidade.
A influência inspiradora do Espírito Santo pode ser abafada ou mascarada por emoções fortes como a raiva, o ódio, a paixão, o medo ou o orgulho. Quando essas influências se apresentam, é o mesmo que procurar saborear o delicado sabor de uma uva tendo na boca uma forte pimenta. Ambos os sabores estão presentes, mas um se sobrepõe completamente ao outro. Semelhantemente, as emoções fortes sobrepõem-se aos delicados sussurros do Espírito Santo.
O pecado vicia, degenera e leva a outros tipos de corrupção, amortecendo a espiritualidade, a consciência e a razão, cegando-nos para a realidade. É contagioso, destrói a mente, o corpo e o espírito. O pecado é espiritualmente corrosivo. Se não for contido, ele nos consome. Ele é vencido pelo arrependimento e pela retidão.
Faço-lhe uma advertência. Satanás é perito em bloquear a comunicação espiritual. Ele induz as pessoas, por meio da tentação, a violar as leis sobre as quais se fundamenta a comunicação espiritual. Ele é capaz de convencer alguns de que são incapazes de receber tais orientações do Senhor.
Satanás tornou-se mestre no uso do poder viciante da pornografia a fim de limitar a capacidade de as pessoas serem guiadas pelo Espírito. O ataque da pornografia sob todas as suas formas doentias, malignas e corrosivas tem causado muito sofrimento, dor, angústia e tem destruído casamentos. Ela é uma das mais danosas influências na Terra. Tanto em páginas impressas, no cinema, na televisão, nas músicas com letras obscenas e nos serviços telefônicos, quanto nas telas do computador, a pornografia é incrivelmente viciante e terrivelmente destrutiva. Essa possante ferramenta de Lúcifer degrada a mente, o coração e a alma de qualquer um que a use. Todos os que caem em sua rede tentadora e tormentosa e ali permanecem acabarão viciados nessa influência imoral e destruidora. Muitos não conseguem livrar-se desse vício sem ajuda. A trágica sequência é conhecida. Começa com a curiosidade, incentivada pelo estímulo que apresenta, e se justifica pela falsa premissa de que, em particular, não prejudica mais ninguém. Para os que são atraídos por essa mentira, a experimentação avança, com estímulos mais fortes, até que a armadilha se fecha e um hábito terrivelmente imoral e viciante assume o controle.
A participação em pornografia, sob qualquer de suas formas sinistras, é demonstração de egoísmo sem limites. Como é possível que um homem, especialmente um portador do sacerdócio, não pense no dano emocional e espiritual causado às mulheres, principalmente à esposa, por esse hábito degradante?
Bem disse o inspirado Néfi: “E [o diabo os] (…) pacificará e acalentará com segurança carnal, (…) e assim [ele] engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”.3
Se você caiu na armadilha da pornografia, assuma integralmente o compromisso de abandoná-la. Encontre um lugar calmo e ore urgentemente pedindo auxílio e apoio. Seja paciente e obediente. Não desista.
Pais: saibam que o vício da pornografia pode começar bem cedo nos jovens. Tomem medidas preventivas para evitar essa tragédia. Presidentes de estaca e bispos, façam um alerta contra esse mal. Convidem todos os que vocês considerem presas desse mal a procurar ajuda com vocês.
A pessoa com padrões sedimentados e um comprometimento duradouro de obediência não será facilmente desviada. Aquele que, cada vez mais, repele o grave pecado e exerce autocontrole sem influência humana externa, possui firmeza de caráter. O arrependimento será mais efetivo para essa pessoa. O remorso após o erro é solo fértil em que o arrependimento pode florescer.
Seja paciente, à medida que aperfeiçoa sua capacidade de ser guiado pelo Espírito. Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual. Presto testemunho de que o Senhor, por meio do Espírito Santo, pode falar a nossa mente e ao nosso coração. Às vezes, essas impressões são apenas sentimentos genéricos. Outras vezes, o direcionamento vem com tal clareza e certeza que pode até ser escrito, como um ditado espiritual.4
Presto solene testemunho de que, ao orar com fervor na alma, com humildade e gratidão, você poderá aprender a ser guiado de maneira consistente pelo Espírito Santo em todos os aspectos da vida. Já confirmei a verdade desse princípio no momento mais difícil de minha vida. Testifico que você pode aprender a controlar pessoalmente os princípios que lhe permitem ser guiado pelo Espírito. Dessa maneira, o Salvador poderá guiá-lo para vencer os desafios da vida e desfrutar grande paz e felicidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas
1. John Taylor, The Gospel Kingdom, ed. G. Homer Durham (1943), pp. 43–44.
2. 1 Néfi 3:7.
3. 2 Néfi 28:21.
4. Ver D&C 8:2.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Duas Linhas de Comunicação
Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal.
O Senhor deu a Seus filhos duas linhas para comunicar-nos com Ele, que poderíamos chamar de linha pessoal e linha do sacerdócio. Todos nós devemos conhecer e ser guiados por essas duas linhas de comunicação essenciais.
I A Linha Pessoal
Na linha pessoal, oramos diretamente ao Pai Celestial, e Ele nos responde pelos canais que estabeleceu, sem nenhum intermediário mortal. Oramos a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, e Ele nos responde por intermédio de Seu Santo Espírito e de outras maneiras. A missão do Espírito Santo é prestar testemunho do Pai e do Filho (ver João 15:26; 2 Néfi 31:18; 3 Néfi 28:11), guiar-nos À verdade (ver João 14:26; 16:13), e mostrar-nos todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:5). Essa linha pessoal de comunicação com nosso Pai Celestial por intermédio de Seu Santo Espírito é a fonte de nosso testemunho da verdade, de nosso conhecimento e de nossa orientação pessoal pelo amoroso Pai Celestial. É um elemento essencial de Seu maravilhoso plano do evangelho, que permite a cada um de Seus filhos receber um testemunho pessoal de sua veracidade.
O canal pessoal e direto de comunicação com nosso Pai Celestial por meio do Espírito Santo baseia-se na dignidade, e é tão essencial que recebemos o mandamento de renovar nossos convênios tomando o sacramento a cada dia do Senhor. Desse modo, tornamo-nos dignos da promessa de ter sempre conosco Seu Espírito para guiar-nos.
E nessa linha pessoal de comunicação com o Senhor, nossas crenças e práticas são semelhantes às dos cristãos que pregam que não são necessários mediadores humanos entre Deus e o homem, porque todos temos acesso direto a Deus, segundo o princípio apoiado por Martinho Lutero, atualmente conhecido como “o sacerdócio de todos os crentes”. Falarei mais a esse respeito daqui a pouco.
A linha pessoal é de suprema importância nas decisões pessoais e no governo da família. Infelizmente, alguns membros de nossa Igreja subestimam a necessidade dessa linha direta e pessoal. Respondendo à indubitável importância da liderança profética — a linha do sacerdócio, que funciona principalmente para governar a comunicação celeste nos assuntos da Igreja — alguns procuram fazer com que seus líderes do sacerdócio tomem as decisões pessoais por eles, decisões essas que deveriam tomar por si mesmos por inspiração, por meio de sua linha pessoal. As decisões pessoais e o governo da família são primordialmente um assunto para a linha pessoal.
Sinto que devo acrescentar outros cuidados que devemos tomar em relação a essa preciosa linha direta de comunicação com o Pai Celestial.
Em primeiro lugar, em sua plenitude, a linha pessoal não funciona independentemente da linha do sacerdócio. O Dom do Espírito Santo — meio de comunicação entre Deus e o homem — é conferido pela autoridade do sacerdócio, quando autorizado por aqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Não vem simplesmente por desejo ou crença. E o direito da companhia constante do Espírito precisa ser confirmado a cada dia do Senhor, ao tomarmos dignamente o sacramento e renovarmos nossos convênios batismais de obediência e serviço.
Semelhantemente, não podemos comunicar-nos de modo confiável por meio da linha direta pessoal se formos desobedientes ou se estivermos em desarmonia com a linha do sacerdócio. O Senhor declarou que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão” (D&C 121:36). Infelizmente, é comum que pessoas que violam os mandamentos de Deus ou são desobedientes aos conselhos de seus líderes do sacerdócio declararem que Deus lhes revelou que não precisam obedecer a alguns mandamentos ou seguir certos conselhos. Essas pessoas podem receber revelação ou inspiração, mas não da fonte que supõem. O diabo é o pai das mentiras e está sempre ansioso por frustrar o trabalho de Deus com suas imitações astutas.
II. A Linha do Sacerdócio
Diferentemente da linha pessoal, na qual nosso Pai Celestial Se comunica conosco diretamente por meio do Espírito Santo, a linha de comunicação do sacerdócio tem como intermediários adicionais e necessários nosso Salvador Jesus Cristo, Sua Igreja e Seus líderes designados.
Devido ao que Ele realizou por meio de Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo tem o poder de determinar as condições que precisamos cumprir para qualificar-nos para as bênçãos de Sua Expiação. É por isso que temos mandamentos e ordenanças. É por isso que fazemos convênios. É assim que nos qualificamos para as bênçãos prometidas. Tudo isso vem por intermédio da misericórdia e graça do Santo de Israel “depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).
Durante Seu ministério terreno, Jesus Cristo conferiu a autoridade do sacerdócio que leva Seu nome e estabeleceu uma Igreja, que também leva o Seu nome. Nesta última dispensação, Sua autoridade do sacerdócio foi restaurada e Sua Igreja foi restabelecida por meio de ministração celeste ao Profeta Joseph Smith. Esse sacerdócio restaurado e essa Igreja restabelecida estão no cerne da linha do sacerdócio.
A linha do sacerdócio é o canal pelo qual Deus falou a Seus filhos por meio das escrituras no passado. E é essa linha pela qual Ele fala atualmente por meio dos ensinamentos e conselhos dos profetas e apóstolos vivos e de outros líderes inspirados. Esse é o meio pelo qual recebemos as ordenanças necessárias. Esse é o meio pelo qual recebemos chamados para servir em Sua Igreja. Sua Igreja é o meio e Seu sacerdócio é o poder por meio do qual temos o privilégio de participar de atividades cooperativas que são essenciais para a realização da obra do Senhor. Elas incluem a pregação do evangelho, a construção de templos e capelas, e o auxílio aos pobres.
No tocante a essa linha do sacerdócio, nossas crenças e práticas são semelhantes às de alguns cristãos que pregam que as ordenanças autorizadas (sacramentos) são essenciais e precisam ser realizadas por alguém que tenha sido autorizado e comissionado por Jesus Cristo (ver João 15:16). Também cremos nisso, mas evidentemente divergimos de outros cristãos em relação a como essa autoridade chega até nós.
Alguns membros e ex-membros de nossa Igreja não reconhecem a importância da linha do sacerdócio. Subestimam a importância da Igreja e de seus líderes e programas. Confiam inteiramente na linha pessoal, seguem seu próprio caminho, propondo-se a definir doutrinas e a dirigir organizações concorrentes que pregam coisas contrárias aos ensinamentos dos líderes–profetas. Nisso, espelham a atual hostilidade àquela que é depreciativamente chamada de “religião organizada”. Aqueles que rejeitam a necessidade de uma religião organizada rejeitam a obra do Mestre, que estabeleceu Sua Igreja e seus líderes no meridiano dos tempos e que os restabeleceu em tempos modernos.
A religião organizada, estabelecida por autoridade divina, é essencial, conforme ensinou o Apóstolo Paulo:
“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).
Todos devemos nos lembrar da declaração do Senhor na revelação moderna de que a voz dos servos do Senhor é a voz do Senhor (ver D&C 1:38; 21:5; 68:4).
Sinto que devo acrescentar duas advertências que devemos lembrar em relação à confiança na linha vital do sacerdócio.
Em primeiro lugar, a linha do sacerdócio não elimina a necessidade da linha pessoal. Todos nós precisamos de um testemunho pessoal da verdade. À medida que nossa fé se desenvolve, precisamos confiar na fé e nas palavras de outras pessoas, como nossos pais, professores ou líderes do sacerdócio (ver D&C 46:14). Mas, se dependermos unicamente de um determinado líder do sacerdócio ou de um professor para nosso testemunho pessoal da verdade, em vez de obtermos esse testemunho por meio da linha pessoal, estaremos sempre vulneráveis a desapontamentos causados pelas ações dessa pessoa. No tocante a um conhecimento amadurecido ou testemunho da verdade, não devemos depender de um mediador mortal que se interponha entre nós e o Pai Celestial.
Em segundo lugar, tal como na linha pessoal, a linha do sacerdócio não pode funcionar plena e devidamente em nosso benefício a não ser que sejamos dignos e obedientes. Muitas escrituras ensinam que, se alguém persistir na violação grave dos mandamentos de Deus, será “afastado de sua presença” (Alma 38:1). Quando isso acontece, o Senhor e Seus servos ficam grandemente limitados para dar-nos auxílio espiritual, e não podemos obtê-lo por nós mesmos.
A história nos fornece um exemplo vívido da importância de que os servos do Senhor estejam em sintonia com o Espírito. O jovem Profeta Joseph Smith não conseguia traduzir quando estava zangado ou perturbado.
David Whitmer relembrou: “Certa manhã, quando ele estava-se aprontando para continuar a tradução, houve um problema em sua casa que o deixou irritado. Foi algo que sua esposa Emma fizera. Oliver e eu subimos ao andar de cima, e Joseph logo chegou para continuar a tradução, mas não conseguiu fazer nada. Não conseguia traduzir uma única sílaba. Desceu as escadas, foi ao pomar e suplicou ao Senhor. Ficou ali por uma hora, voltou para casa, pediu perdão a Emma e, então, subiu as escadas para onde estávamos, e a tradução prosseguiu sem problemas. Ele não conseguia fazer nada, a menos que fosse humilde e fiel.”1
III. A Necessidade de Ambas as Linhas
Concluirei com mais alguns exemplos da necessidade que temos de ambas as linhas que o Pai Celestial estabeleceu para a comunicação com Seus filhos. Ambas são essenciais para o cumprimento de Seu propósito de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos. Um antigo relato das escrituras sobre essa necessidade é o conselho dado a Moisés por seu sogro, Jetro, de que não deveria fazer tantas coisas. As pessoas esperavam diante de seu líder do sacerdócio de manhã até a noite para “consultar a Deus” (Êxodo 18:15) e também para “[julgar] entre um e outro” (v. 16). Sempre mencionamos como Jetro aconselhou Moisés a nomear juízes para lidar com os conflitos das pessoas (ver vv. 21–22). Mas Jetro também deu a Moisés um conselho que ilustra a importância da linha pessoal: “E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que [eles] devem fazer” (v. 20; grifo do autor).
Em outras palavras, ele deveria ensinar os filhos de Israel a não levarem todas as questões ao seu líder do sacerdócio. Eles deveriam conhecer os mandamentos e buscar inspiração para resolver por si mesmos os seus problemas.
Acontecimentos recentes no Chile ilustram a necessidade das duas linhas. Houve um terremoto devastador no Chile. Muitos de nossos membros perderam a casa, alguns perderam familiares. Muitos perderam a confiança. Mas — como nossa Igreja está preparada para atender a esses desastres — rapidamente foram enviados suprimentos, abrigos e outros auxílios materiais. Os santos do Chile ouviram a voz do Senhor por meio de Sua Igreja e de seus líderes, e atenderam a suas necessidades materiais. Mas, por melhor que funcionasse a linha do sacerdócio, não era o suficiente. Cada membro precisou buscar o Senhor em oração e receber a mensagem direta de consolo e orientação que vem por intermédio do Santo Espírito aos que buscam e ouvem.
Nosso trabalho missionário é outro exemplo da necessidade das duas linhas. Os homens e as mulheres que são chamados como missionários são dignos e dispostos graças aos ensinamentos que receberam por meio da linha do sacerdócio e do testemunho que receberam por meio da linha pessoal. São chamados por meio da linha do sacerdócio. Então, como representantes do Senhor e sob a direção de Sua linha do sacerdócio, eles ensinam os pesquisadores. Aqueles que buscam sinceramente a verdade ouvem a mensagem, e os missionários os incentivam a orar para saber se é verdadeira, por eles mesmos, por meio da linha pessoal.
Um último exemplo aplica esses princípios à questão da autoridade do sacerdócio na família e na Igreja.2 Toda autoridade do sacerdócio na Igreja funciona sob a direção daquele que possui as devidas chaves do sacerdócio. Essa é a linha do sacerdócio. Mas a autoridade que preside na família — seja o pai, ou a mãe que cria os filhos sozinha — funciona nos assuntos familiares sem a necessidade da autorização de alguém que possua as chaves do sacerdócio. É como a linha pessoal. Ambas as linhas precisam funcionar em nossa vida familiar e em nossa vida pessoal, se quisermos crescer e alcançar o propósito explicado no plano de nosso Pai Celestial para Seus filhos.
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal. Se a prática religiosa pessoal depender unicamente da linha pessoal, o individualismo apaga a importância da autoridade divina. Se a prática religiosa pessoal depender demasiadamente da linha do sacerdócio, o crescimento individual fica prejudicado. Os filhos de Deus precisam de ambas as linhas para alcançar seu destino eterno. O evangelho restaurado ensina as duas, e a Igreja restaurada oferece as duas.
Testifico-lhes do profeta do Senhor, o Presidente Thomas S. Monson, que possui as chaves que governam a linha do sacerdócio. Testifico do Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence esta Igreja. E testifico do evangelho restaurado, cuja verdade está à disposição de cada um de nós por meio da preciosa ligação pessoal com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal.
O Senhor deu a Seus filhos duas linhas para comunicar-nos com Ele, que poderíamos chamar de linha pessoal e linha do sacerdócio. Todos nós devemos conhecer e ser guiados por essas duas linhas de comunicação essenciais.
I A Linha Pessoal
Na linha pessoal, oramos diretamente ao Pai Celestial, e Ele nos responde pelos canais que estabeleceu, sem nenhum intermediário mortal. Oramos a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, e Ele nos responde por intermédio de Seu Santo Espírito e de outras maneiras. A missão do Espírito Santo é prestar testemunho do Pai e do Filho (ver João 15:26; 2 Néfi 31:18; 3 Néfi 28:11), guiar-nos À verdade (ver João 14:26; 16:13), e mostrar-nos todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:5). Essa linha pessoal de comunicação com nosso Pai Celestial por intermédio de Seu Santo Espírito é a fonte de nosso testemunho da verdade, de nosso conhecimento e de nossa orientação pessoal pelo amoroso Pai Celestial. É um elemento essencial de Seu maravilhoso plano do evangelho, que permite a cada um de Seus filhos receber um testemunho pessoal de sua veracidade.
O canal pessoal e direto de comunicação com nosso Pai Celestial por meio do Espírito Santo baseia-se na dignidade, e é tão essencial que recebemos o mandamento de renovar nossos convênios tomando o sacramento a cada dia do Senhor. Desse modo, tornamo-nos dignos da promessa de ter sempre conosco Seu Espírito para guiar-nos.
E nessa linha pessoal de comunicação com o Senhor, nossas crenças e práticas são semelhantes às dos cristãos que pregam que não são necessários mediadores humanos entre Deus e o homem, porque todos temos acesso direto a Deus, segundo o princípio apoiado por Martinho Lutero, atualmente conhecido como “o sacerdócio de todos os crentes”. Falarei mais a esse respeito daqui a pouco.
A linha pessoal é de suprema importância nas decisões pessoais e no governo da família. Infelizmente, alguns membros de nossa Igreja subestimam a necessidade dessa linha direta e pessoal. Respondendo à indubitável importância da liderança profética — a linha do sacerdócio, que funciona principalmente para governar a comunicação celeste nos assuntos da Igreja — alguns procuram fazer com que seus líderes do sacerdócio tomem as decisões pessoais por eles, decisões essas que deveriam tomar por si mesmos por inspiração, por meio de sua linha pessoal. As decisões pessoais e o governo da família são primordialmente um assunto para a linha pessoal.
Sinto que devo acrescentar outros cuidados que devemos tomar em relação a essa preciosa linha direta de comunicação com o Pai Celestial.
Em primeiro lugar, em sua plenitude, a linha pessoal não funciona independentemente da linha do sacerdócio. O Dom do Espírito Santo — meio de comunicação entre Deus e o homem — é conferido pela autoridade do sacerdócio, quando autorizado por aqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Não vem simplesmente por desejo ou crença. E o direito da companhia constante do Espírito precisa ser confirmado a cada dia do Senhor, ao tomarmos dignamente o sacramento e renovarmos nossos convênios batismais de obediência e serviço.
Semelhantemente, não podemos comunicar-nos de modo confiável por meio da linha direta pessoal se formos desobedientes ou se estivermos em desarmonia com a linha do sacerdócio. O Senhor declarou que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão” (D&C 121:36). Infelizmente, é comum que pessoas que violam os mandamentos de Deus ou são desobedientes aos conselhos de seus líderes do sacerdócio declararem que Deus lhes revelou que não precisam obedecer a alguns mandamentos ou seguir certos conselhos. Essas pessoas podem receber revelação ou inspiração, mas não da fonte que supõem. O diabo é o pai das mentiras e está sempre ansioso por frustrar o trabalho de Deus com suas imitações astutas.
II. A Linha do Sacerdócio
Diferentemente da linha pessoal, na qual nosso Pai Celestial Se comunica conosco diretamente por meio do Espírito Santo, a linha de comunicação do sacerdócio tem como intermediários adicionais e necessários nosso Salvador Jesus Cristo, Sua Igreja e Seus líderes designados.
Devido ao que Ele realizou por meio de Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo tem o poder de determinar as condições que precisamos cumprir para qualificar-nos para as bênçãos de Sua Expiação. É por isso que temos mandamentos e ordenanças. É por isso que fazemos convênios. É assim que nos qualificamos para as bênçãos prometidas. Tudo isso vem por intermédio da misericórdia e graça do Santo de Israel “depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).
Durante Seu ministério terreno, Jesus Cristo conferiu a autoridade do sacerdócio que leva Seu nome e estabeleceu uma Igreja, que também leva o Seu nome. Nesta última dispensação, Sua autoridade do sacerdócio foi restaurada e Sua Igreja foi restabelecida por meio de ministração celeste ao Profeta Joseph Smith. Esse sacerdócio restaurado e essa Igreja restabelecida estão no cerne da linha do sacerdócio.
A linha do sacerdócio é o canal pelo qual Deus falou a Seus filhos por meio das escrituras no passado. E é essa linha pela qual Ele fala atualmente por meio dos ensinamentos e conselhos dos profetas e apóstolos vivos e de outros líderes inspirados. Esse é o meio pelo qual recebemos as ordenanças necessárias. Esse é o meio pelo qual recebemos chamados para servir em Sua Igreja. Sua Igreja é o meio e Seu sacerdócio é o poder por meio do qual temos o privilégio de participar de atividades cooperativas que são essenciais para a realização da obra do Senhor. Elas incluem a pregação do evangelho, a construção de templos e capelas, e o auxílio aos pobres.
No tocante a essa linha do sacerdócio, nossas crenças e práticas são semelhantes às de alguns cristãos que pregam que as ordenanças autorizadas (sacramentos) são essenciais e precisam ser realizadas por alguém que tenha sido autorizado e comissionado por Jesus Cristo (ver João 15:16). Também cremos nisso, mas evidentemente divergimos de outros cristãos em relação a como essa autoridade chega até nós.
Alguns membros e ex-membros de nossa Igreja não reconhecem a importância da linha do sacerdócio. Subestimam a importância da Igreja e de seus líderes e programas. Confiam inteiramente na linha pessoal, seguem seu próprio caminho, propondo-se a definir doutrinas e a dirigir organizações concorrentes que pregam coisas contrárias aos ensinamentos dos líderes–profetas. Nisso, espelham a atual hostilidade àquela que é depreciativamente chamada de “religião organizada”. Aqueles que rejeitam a necessidade de uma religião organizada rejeitam a obra do Mestre, que estabeleceu Sua Igreja e seus líderes no meridiano dos tempos e que os restabeleceu em tempos modernos.
A religião organizada, estabelecida por autoridade divina, é essencial, conforme ensinou o Apóstolo Paulo:
“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).
Todos devemos nos lembrar da declaração do Senhor na revelação moderna de que a voz dos servos do Senhor é a voz do Senhor (ver D&C 1:38; 21:5; 68:4).
Sinto que devo acrescentar duas advertências que devemos lembrar em relação à confiança na linha vital do sacerdócio.
Em primeiro lugar, a linha do sacerdócio não elimina a necessidade da linha pessoal. Todos nós precisamos de um testemunho pessoal da verdade. À medida que nossa fé se desenvolve, precisamos confiar na fé e nas palavras de outras pessoas, como nossos pais, professores ou líderes do sacerdócio (ver D&C 46:14). Mas, se dependermos unicamente de um determinado líder do sacerdócio ou de um professor para nosso testemunho pessoal da verdade, em vez de obtermos esse testemunho por meio da linha pessoal, estaremos sempre vulneráveis a desapontamentos causados pelas ações dessa pessoa. No tocante a um conhecimento amadurecido ou testemunho da verdade, não devemos depender de um mediador mortal que se interponha entre nós e o Pai Celestial.
Em segundo lugar, tal como na linha pessoal, a linha do sacerdócio não pode funcionar plena e devidamente em nosso benefício a não ser que sejamos dignos e obedientes. Muitas escrituras ensinam que, se alguém persistir na violação grave dos mandamentos de Deus, será “afastado de sua presença” (Alma 38:1). Quando isso acontece, o Senhor e Seus servos ficam grandemente limitados para dar-nos auxílio espiritual, e não podemos obtê-lo por nós mesmos.
A história nos fornece um exemplo vívido da importância de que os servos do Senhor estejam em sintonia com o Espírito. O jovem Profeta Joseph Smith não conseguia traduzir quando estava zangado ou perturbado.
David Whitmer relembrou: “Certa manhã, quando ele estava-se aprontando para continuar a tradução, houve um problema em sua casa que o deixou irritado. Foi algo que sua esposa Emma fizera. Oliver e eu subimos ao andar de cima, e Joseph logo chegou para continuar a tradução, mas não conseguiu fazer nada. Não conseguia traduzir uma única sílaba. Desceu as escadas, foi ao pomar e suplicou ao Senhor. Ficou ali por uma hora, voltou para casa, pediu perdão a Emma e, então, subiu as escadas para onde estávamos, e a tradução prosseguiu sem problemas. Ele não conseguia fazer nada, a menos que fosse humilde e fiel.”1
III. A Necessidade de Ambas as Linhas
Concluirei com mais alguns exemplos da necessidade que temos de ambas as linhas que o Pai Celestial estabeleceu para a comunicação com Seus filhos. Ambas são essenciais para o cumprimento de Seu propósito de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos. Um antigo relato das escrituras sobre essa necessidade é o conselho dado a Moisés por seu sogro, Jetro, de que não deveria fazer tantas coisas. As pessoas esperavam diante de seu líder do sacerdócio de manhã até a noite para “consultar a Deus” (Êxodo 18:15) e também para “[julgar] entre um e outro” (v. 16). Sempre mencionamos como Jetro aconselhou Moisés a nomear juízes para lidar com os conflitos das pessoas (ver vv. 21–22). Mas Jetro também deu a Moisés um conselho que ilustra a importância da linha pessoal: “E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que [eles] devem fazer” (v. 20; grifo do autor).
Em outras palavras, ele deveria ensinar os filhos de Israel a não levarem todas as questões ao seu líder do sacerdócio. Eles deveriam conhecer os mandamentos e buscar inspiração para resolver por si mesmos os seus problemas.
Acontecimentos recentes no Chile ilustram a necessidade das duas linhas. Houve um terremoto devastador no Chile. Muitos de nossos membros perderam a casa, alguns perderam familiares. Muitos perderam a confiança. Mas — como nossa Igreja está preparada para atender a esses desastres — rapidamente foram enviados suprimentos, abrigos e outros auxílios materiais. Os santos do Chile ouviram a voz do Senhor por meio de Sua Igreja e de seus líderes, e atenderam a suas necessidades materiais. Mas, por melhor que funcionasse a linha do sacerdócio, não era o suficiente. Cada membro precisou buscar o Senhor em oração e receber a mensagem direta de consolo e orientação que vem por intermédio do Santo Espírito aos que buscam e ouvem.
Nosso trabalho missionário é outro exemplo da necessidade das duas linhas. Os homens e as mulheres que são chamados como missionários são dignos e dispostos graças aos ensinamentos que receberam por meio da linha do sacerdócio e do testemunho que receberam por meio da linha pessoal. São chamados por meio da linha do sacerdócio. Então, como representantes do Senhor e sob a direção de Sua linha do sacerdócio, eles ensinam os pesquisadores. Aqueles que buscam sinceramente a verdade ouvem a mensagem, e os missionários os incentivam a orar para saber se é verdadeira, por eles mesmos, por meio da linha pessoal.
Um último exemplo aplica esses princípios à questão da autoridade do sacerdócio na família e na Igreja.2 Toda autoridade do sacerdócio na Igreja funciona sob a direção daquele que possui as devidas chaves do sacerdócio. Essa é a linha do sacerdócio. Mas a autoridade que preside na família — seja o pai, ou a mãe que cria os filhos sozinha — funciona nos assuntos familiares sem a necessidade da autorização de alguém que possua as chaves do sacerdócio. É como a linha pessoal. Ambas as linhas precisam funcionar em nossa vida familiar e em nossa vida pessoal, se quisermos crescer e alcançar o propósito explicado no plano de nosso Pai Celestial para Seus filhos.
Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal. Se a prática religiosa pessoal depender unicamente da linha pessoal, o individualismo apaga a importância da autoridade divina. Se a prática religiosa pessoal depender demasiadamente da linha do sacerdócio, o crescimento individual fica prejudicado. Os filhos de Deus precisam de ambas as linhas para alcançar seu destino eterno. O evangelho restaurado ensina as duas, e a Igreja restaurada oferece as duas.
Testifico-lhes do profeta do Senhor, o Presidente Thomas S. Monson, que possui as chaves que governam a linha do sacerdócio. Testifico do Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence esta Igreja. E testifico do evangelho restaurado, cuja verdade está à disposição de cada um de nós por meio da preciosa ligação pessoal com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 24 de abril de 2011
“Vinde a Mim com Toda a Sinceridade de Coração e Eu Irei Curá-los”
Patrick Kearon
Dos Setenta
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado.
Gostaria hoje de transmitir uma mensagem de consolo e cura para todos os que se sentem solitários e abandonados, que não têm paz na mente nem no coração, ou que sentem que jogaram fora sua última chance. A cura e a paz completas podem ser encontradas aos pés do Salvador.
Quando eu tinha sete anos de idade e morava na Península Arábica, meus pais me diziam constantemente para usar sapatos sempre, e eu sabia o motivo. Sabia que os sapatos protegeriam meus pés das ameaças que existiam no deserto: cobras, escorpiões, espinhos e outras coisas. Certa manhã, depois de acampar à noite, no deserto, eu quis explorar o local, mas não senti vontade de calçar os sapatos. Racionalizei, dizendo que seria só uma pequena caminhada e que ficaria perto do acampamento. Em vez de sapatos, calcei chinelos de dedo. Convenci a mim mesmo que os chinelos eram — afinal — uma espécie de sapato. De qualquer forma, o que poderia acontecer?
Ao caminhar pela areia fria, com meus chinelos de dedo, senti algo parecido com um espinho picar-me o pé. Olhei para baixo e não vi um espinho, mas sim, um escorpião. Quando minha mente registrou o escorpião e dei-me conta do que havia acontecido, a dor da picada começou a subir do pé para a perna. Apertei a parte de cima da perna tentando estancar a dor lancinante e gritei pedindo ajuda. Meus pais saíram correndo da tenda em minha direção.
Enquanto meu pai matava o escorpião com uma pá, um amigo adulto que estava acampado conosco tentou heroicamente sugar o veneno do meu pé. Naquele momento, achei que ia morrer. Eu soluçava quando meus pais me puseram no carro e partimos pelo deserto a toda velocidade, rumo ao hospital mais próximo, que ficava a duas horas de viagem. A dor na perna era excruciante e, durante toda a viagem, achei que estava morrendo.
Quando finalmente chegamos ao hospital, porém, o médico nos garantiu que apenas crianças muito pequenas e pessoas muito desnutridas correm o risco de morrer com a picada daquele tipo de escorpião. Ele me aplicou um anestésico, que me deixou a perna amortecida, eliminando a sensação de dor. Em 24 horas, eu já não sentia os efeitos da picada do escorpião. Mas aprendi uma grande lição.
Eu sabia que, quando meus pais me disseram para calçar sapatos, eles não queriam dizer chinelos de dedo. Eu tinha idade suficiente para saber que os chinelos não ofereceriam a mesma proteção que a de um par de sapatos. Mas naquela manhã no deserto, não dei importância ao que sabia ser certo. Ignorei o que meus pais me ensinaram muitas vezes. Fui preguiçoso e até um pouco rebelde, e paguei o preço por isso.
Ao dirigir-me a vocês, jovens valentes, seus pais, professores, líderes, amigos e eu prestamos tributo a todos os que estão-se esforçando diligentemente para tornar-se o que o Senhor necessita — e quer — que vocês se tornem. Mas testifico, por experiência própria, como menino e como homem que, se desprezarmos aquilo que sabemos ser o certo, por preguiça ou por rebelião, isso sempre trará consequências indesejáveis e espiritualmente prejudiciais. Não, o escorpião, afinal, não foi uma ameaça a minha vida, mas causou extrema dor e aflição, tanto para mim quanto para meus pais. No tocante ao modo como vivemos o evangelho, não podemos agir com preguiça ou rebelião.
Como membros da Igreja de Jesus Cristo e como portadores do sacerdócio, conhecemos os mandamentos e padrões que prometemos guardar por convênio. Quando escolhemos caminhos diferentes daquele que sabemos ser o certo, conforme nos foi ensinado por nossos pais e líderes e confirmado em nosso coração pelo Espírito Santo, é como se andássemos pelo deserto com chinelos de dedo, em vez de sapatos. Tentamos, então, justificar nosso comportamento preguiçoso ou rebelde. Dizemos a nós mesmos que não estamos fazendo nada de errado, que aquilo não importa realmente, e que nada de mal vai acontecer por largarmos só um pouquinho a barra de ferro. Talvez nos consolemos com o pensamento de que todos os outros estão fazendo isso — ou pior — e que não seremos afetados negativamente no final. De alguma forma, convencemo-nos de que somos uma exceção à regra e, portanto, somos imunes às consequências da violação. Recusamo-nos, às vezes deliberadamente, a ser “totalmente obediente[s]”1 — como diz o manual Pregar Meu Evangelho — e retemos parte do nosso coração [em vez de dedicá-lo] ao Senhor. Então, somos picados.
As escrituras ensinam que “o Senhor requer o coração”2, e recebemos o mandamento de amar e servir ao Senhor “de todo o [nosso] coração”.3 A promessa é que poderemos “[nos apresentar] sem culpa perante Deus no último dia” e retornar a Sua presença.4
Os ânti-néfi-leítas, no Livro de Mórmon, depuseram suas armas de guerra e as enterraram profundamente na terra, fazendo o convênio de jamais pegar em armas novamente contra seus irmãos. Mas fizeram mais que isso. “Tornaram-se um povo justo”, porque “depuseram as armas de sua rebelião, para não mais lutarem contra Deus”.5 Sua conversão foi tão completa e tão profunda que “nunca apostataram”.6
Mas antes dessa conversão, lembram-se de qual era sua condição? Eles viviam como as escrituras descrevem “[rebelando-se] abertamente contra Deus”.7 Seu coração rebelde os condenou a viver “num estado contrário à natureza da felicidade”, porque “seguiram caminhos contrários à natureza de Deus”.8
Quando depuseram suas armas de rebelião, tornaram-se dignos da cura e da paz do Senhor, que também podemos obter. O Salvador assegura: “Se não endurecerem o coração e não enrijecerem a cerviz contra mim, serão convertidos e curá-los-ei.”9 Você e eu podemos aceitar Seu convite de “voltar e [arrepender-nos] e vir a [Ele] com toda a sinceridade de coração e [Ele irá curar-nos]”.10
Comparem essa cura milagrosa com o que acontece “quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho [ou] nossa vã ambição. (…) Os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa” e ficamos sozinhos “para recalcitrar contra os aguilhões (…) e lutar contra Deus”.11
Irmãos, só encontramos cura e alívio quando nos colocamos aos pés do Grande Médico, nosso Salvador, Jesus Cristo. Precisamos depor nossas armas de rebelião (e cada um sabe quais são). Precisamos abandonar nosso pecado, nossa vaidade e nosso orgulho. Precisamos despojar-nos do desejo de seguir o mundo e de ser lisonjeados e louvados pelo mundo. Temos de parar de lutar contra Deus e, em vez disso, entregar todo nosso coração a Ele, sem reter nada. Só então, Ele poderá curar-nos; Ele poderá purificar-nos da picada venenosa do pecado.
“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”12
O Presidente James E. Faust ensinou:
“Quando fazemos da obediência a nossa meta, ela deixa de ser algo exasperante. Em vez de ser uma pedra de tropeço, ela se torna um tijolo de nosso edifício. (…)
A obediência conduz-nos à verdadeira liberdade. Quanto mais obedecemos à verdade revelada, mais livres seremos”.13
Conheci recentemente um homem de 92 anos de idade que participou de várias campanhas militares importantes na Segunda Guerra Mundial. Ele sobreviveu a três ferimentos, um dos quais foi causado pela explosão de uma mina que destruiu o jipe em que ele estava, matando o motorista. Ele descobriu que, para sobreviver em um campo minado, é preciso seguir exatamente a trilha deixada pelo veículo à frente. Qualquer desvio para a direita ou para a esquerda pode ser fatal — como realmente foi.
Nossos profetas e apóstolos, líderes e pais, apontam continuamente a trilha que precisamos seguir, se quisermos evitar um golpe destrutivo para nossa alma. Eles conhecem o caminho livre de minas (ou de escorpiões), e nos convidam incansavelmente a segui-los. Há muitas armadilhas devastadoras a nos tentar ao longo do caminho. Se nos desviarmos para as drogas, para as bebidas alcoólicas, para a pornografia ou o comportamento imoral, na Internet ou em um videogame, isso vai levar-nos diretamente para a explosão. Um desvio para a direita ou para a esquerda da trilha segura, seja por preguiça ou por rebeldia, pode ser fatal para nossa vida espiritual. Não há exceções para essa regra.
Se já nos desviamos do caminho, podemos mudar; podemos voltar; podemos reconquistar nossa alegria e nossa paz interior. Descobriremos que a volta ao caminho do qual as minas foram retiradas é um imenso alívio.
Ninguém tem paz num campo minado.
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado e do veneno do orgulho, e transformar nosso coração rebelde em um coração do convênio. Sua Expiação é infinita e abrange todos nós.
O convite feito aos nefitas quando Ele lhes ministrou como o Cristo ressuscitado ainda é válido para cada um de nós: “Tendes enfermos entre vós? Trazei-os aqui. Há entre vós coxos ou cegos ou aleijados ou mutilados ou leprosos ou atrofiados ou surdos ou pessoas que estejam aflitas de algum modo? Trazei-os aqui e eu os curarei.”14
Nenhum de vocês jogou fora suas chances. Vocês podem mudar, podem voltar, podem reivindicar Sua misericórdia. Venham para o Único que pode curar, e encontrarão paz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Dos Setenta
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado.
Gostaria hoje de transmitir uma mensagem de consolo e cura para todos os que se sentem solitários e abandonados, que não têm paz na mente nem no coração, ou que sentem que jogaram fora sua última chance. A cura e a paz completas podem ser encontradas aos pés do Salvador.
Quando eu tinha sete anos de idade e morava na Península Arábica, meus pais me diziam constantemente para usar sapatos sempre, e eu sabia o motivo. Sabia que os sapatos protegeriam meus pés das ameaças que existiam no deserto: cobras, escorpiões, espinhos e outras coisas. Certa manhã, depois de acampar à noite, no deserto, eu quis explorar o local, mas não senti vontade de calçar os sapatos. Racionalizei, dizendo que seria só uma pequena caminhada e que ficaria perto do acampamento. Em vez de sapatos, calcei chinelos de dedo. Convenci a mim mesmo que os chinelos eram — afinal — uma espécie de sapato. De qualquer forma, o que poderia acontecer?
Ao caminhar pela areia fria, com meus chinelos de dedo, senti algo parecido com um espinho picar-me o pé. Olhei para baixo e não vi um espinho, mas sim, um escorpião. Quando minha mente registrou o escorpião e dei-me conta do que havia acontecido, a dor da picada começou a subir do pé para a perna. Apertei a parte de cima da perna tentando estancar a dor lancinante e gritei pedindo ajuda. Meus pais saíram correndo da tenda em minha direção.
Enquanto meu pai matava o escorpião com uma pá, um amigo adulto que estava acampado conosco tentou heroicamente sugar o veneno do meu pé. Naquele momento, achei que ia morrer. Eu soluçava quando meus pais me puseram no carro e partimos pelo deserto a toda velocidade, rumo ao hospital mais próximo, que ficava a duas horas de viagem. A dor na perna era excruciante e, durante toda a viagem, achei que estava morrendo.
Quando finalmente chegamos ao hospital, porém, o médico nos garantiu que apenas crianças muito pequenas e pessoas muito desnutridas correm o risco de morrer com a picada daquele tipo de escorpião. Ele me aplicou um anestésico, que me deixou a perna amortecida, eliminando a sensação de dor. Em 24 horas, eu já não sentia os efeitos da picada do escorpião. Mas aprendi uma grande lição.
Eu sabia que, quando meus pais me disseram para calçar sapatos, eles não queriam dizer chinelos de dedo. Eu tinha idade suficiente para saber que os chinelos não ofereceriam a mesma proteção que a de um par de sapatos. Mas naquela manhã no deserto, não dei importância ao que sabia ser certo. Ignorei o que meus pais me ensinaram muitas vezes. Fui preguiçoso e até um pouco rebelde, e paguei o preço por isso.
Ao dirigir-me a vocês, jovens valentes, seus pais, professores, líderes, amigos e eu prestamos tributo a todos os que estão-se esforçando diligentemente para tornar-se o que o Senhor necessita — e quer — que vocês se tornem. Mas testifico, por experiência própria, como menino e como homem que, se desprezarmos aquilo que sabemos ser o certo, por preguiça ou por rebelião, isso sempre trará consequências indesejáveis e espiritualmente prejudiciais. Não, o escorpião, afinal, não foi uma ameaça a minha vida, mas causou extrema dor e aflição, tanto para mim quanto para meus pais. No tocante ao modo como vivemos o evangelho, não podemos agir com preguiça ou rebelião.
Como membros da Igreja de Jesus Cristo e como portadores do sacerdócio, conhecemos os mandamentos e padrões que prometemos guardar por convênio. Quando escolhemos caminhos diferentes daquele que sabemos ser o certo, conforme nos foi ensinado por nossos pais e líderes e confirmado em nosso coração pelo Espírito Santo, é como se andássemos pelo deserto com chinelos de dedo, em vez de sapatos. Tentamos, então, justificar nosso comportamento preguiçoso ou rebelde. Dizemos a nós mesmos que não estamos fazendo nada de errado, que aquilo não importa realmente, e que nada de mal vai acontecer por largarmos só um pouquinho a barra de ferro. Talvez nos consolemos com o pensamento de que todos os outros estão fazendo isso — ou pior — e que não seremos afetados negativamente no final. De alguma forma, convencemo-nos de que somos uma exceção à regra e, portanto, somos imunes às consequências da violação. Recusamo-nos, às vezes deliberadamente, a ser “totalmente obediente[s]”1 — como diz o manual Pregar Meu Evangelho — e retemos parte do nosso coração [em vez de dedicá-lo] ao Senhor. Então, somos picados.
As escrituras ensinam que “o Senhor requer o coração”2, e recebemos o mandamento de amar e servir ao Senhor “de todo o [nosso] coração”.3 A promessa é que poderemos “[nos apresentar] sem culpa perante Deus no último dia” e retornar a Sua presença.4
Os ânti-néfi-leítas, no Livro de Mórmon, depuseram suas armas de guerra e as enterraram profundamente na terra, fazendo o convênio de jamais pegar em armas novamente contra seus irmãos. Mas fizeram mais que isso. “Tornaram-se um povo justo”, porque “depuseram as armas de sua rebelião, para não mais lutarem contra Deus”.5 Sua conversão foi tão completa e tão profunda que “nunca apostataram”.6
Mas antes dessa conversão, lembram-se de qual era sua condição? Eles viviam como as escrituras descrevem “[rebelando-se] abertamente contra Deus”.7 Seu coração rebelde os condenou a viver “num estado contrário à natureza da felicidade”, porque “seguiram caminhos contrários à natureza de Deus”.8
Quando depuseram suas armas de rebelião, tornaram-se dignos da cura e da paz do Senhor, que também podemos obter. O Salvador assegura: “Se não endurecerem o coração e não enrijecerem a cerviz contra mim, serão convertidos e curá-los-ei.”9 Você e eu podemos aceitar Seu convite de “voltar e [arrepender-nos] e vir a [Ele] com toda a sinceridade de coração e [Ele irá curar-nos]”.10
Comparem essa cura milagrosa com o que acontece “quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho [ou] nossa vã ambição. (…) Os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa” e ficamos sozinhos “para recalcitrar contra os aguilhões (…) e lutar contra Deus”.11
Irmãos, só encontramos cura e alívio quando nos colocamos aos pés do Grande Médico, nosso Salvador, Jesus Cristo. Precisamos depor nossas armas de rebelião (e cada um sabe quais são). Precisamos abandonar nosso pecado, nossa vaidade e nosso orgulho. Precisamos despojar-nos do desejo de seguir o mundo e de ser lisonjeados e louvados pelo mundo. Temos de parar de lutar contra Deus e, em vez disso, entregar todo nosso coração a Ele, sem reter nada. Só então, Ele poderá curar-nos; Ele poderá purificar-nos da picada venenosa do pecado.
“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”12
O Presidente James E. Faust ensinou:
“Quando fazemos da obediência a nossa meta, ela deixa de ser algo exasperante. Em vez de ser uma pedra de tropeço, ela se torna um tijolo de nosso edifício. (…)
A obediência conduz-nos à verdadeira liberdade. Quanto mais obedecemos à verdade revelada, mais livres seremos”.13
Conheci recentemente um homem de 92 anos de idade que participou de várias campanhas militares importantes na Segunda Guerra Mundial. Ele sobreviveu a três ferimentos, um dos quais foi causado pela explosão de uma mina que destruiu o jipe em que ele estava, matando o motorista. Ele descobriu que, para sobreviver em um campo minado, é preciso seguir exatamente a trilha deixada pelo veículo à frente. Qualquer desvio para a direita ou para a esquerda pode ser fatal — como realmente foi.
Nossos profetas e apóstolos, líderes e pais, apontam continuamente a trilha que precisamos seguir, se quisermos evitar um golpe destrutivo para nossa alma. Eles conhecem o caminho livre de minas (ou de escorpiões), e nos convidam incansavelmente a segui-los. Há muitas armadilhas devastadoras a nos tentar ao longo do caminho. Se nos desviarmos para as drogas, para as bebidas alcoólicas, para a pornografia ou o comportamento imoral, na Internet ou em um videogame, isso vai levar-nos diretamente para a explosão. Um desvio para a direita ou para a esquerda da trilha segura, seja por preguiça ou por rebeldia, pode ser fatal para nossa vida espiritual. Não há exceções para essa regra.
Se já nos desviamos do caminho, podemos mudar; podemos voltar; podemos reconquistar nossa alegria e nossa paz interior. Descobriremos que a volta ao caminho do qual as minas foram retiradas é um imenso alívio.
Ninguém tem paz num campo minado.
Nosso Salvador é o Príncipe da Paz, o grande Médico, o Único que realmente pode purificar-nos da picada do pecado e do veneno do orgulho, e transformar nosso coração rebelde em um coração do convênio. Sua Expiação é infinita e abrange todos nós.
O convite feito aos nefitas quando Ele lhes ministrou como o Cristo ressuscitado ainda é válido para cada um de nós: “Tendes enfermos entre vós? Trazei-os aqui. Há entre vós coxos ou cegos ou aleijados ou mutilados ou leprosos ou atrofiados ou surdos ou pessoas que estejam aflitas de algum modo? Trazei-os aqui e eu os curarei.”14
Nenhum de vocês jogou fora suas chances. Vocês podem mudar, podem voltar, podem reivindicar Sua misericórdia. Venham para o Único que pode curar, e encontrarão paz. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 10 de abril de 2011
Um Coração Quebrantado e Mãos que Ajudam
Bispo H. David Burton
Bispado Presidente
A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão.
Ontem à noite a irmã Burton e eu saboreávamos uma comida chinesa. Dentro do meu biscoitinho da sorte li a mensagem: “O estresse que você sente muito em breve desaparecerá”. De fato.
Certo dia, um grupo de homens conversava com o Profeta Joseph Smith, quando chegou a notícia de que a casa de um pobre irmão que vivia a certa distância da cidade fora incendiada. Cada um expressou tristeza pelo que acontecera. O Profeta ouviu por um momento e, em seguida, enfiou a mão no bolso, pegou cinco dólares e disse: “Estou sentido pelo que houve com esse irmão pelo valor de cinco dólares. O quanto cada um de vocês (...) está sentido [por ele]?”1 A resposta imediata do Profeta é significativa. No ano passado, milhões de vocês demonstraram sua compaixão pelos outros, com seus recursos, corações quebrantados e mãos que ajudam. Muito obrigado pela maravilhosa medida de sua generosidade.
A compaixão pelos outros sempre foi uma característica fundamental dos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O profeta Alma disse:
“Desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves; sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo”.2
O Salvador nos pede que “[socorramos] os fracos, [ergamos] as mãos que pendem e [fortaleçamos] os joelhos enfraquecidos.”3
Tenho testemunhado em primeira mão o comprometimento dos santos dos últimos dias e de pessoas de outras denominações, que têm corações quebrantados e mãos que ajudam, que “levam as cargas uns dos outros.”4 Minha tristeza tem sido profunda ao ver grandes devastações e visitar vítimas desesperadas.
Nos últimos anos, a Mãe Natureza exibiu toda sua violência e supremacia de modo incomum e poderoso. Em dezembro de 2004, um terrível terremoto atingiu a costa da Indonésia e criou um tsunami gigantesco que matou milhares de pessoas e destruiu a vida dos que ficaram para trás. Sob a direção dos líderes locais do sacerdócio e de casais missionários, a ajuda mobilizou-se imediatamente, oferecendo assistência urgente a hospitais, socorristas e a comunidades na Indonésia, no Sri Lanka, na Índia e na Tailândia.
Em um curto espaço de tempo, vários membros da Igreja foram para uma das áreas mais atingidas — a região de Aseh, no norte da Sumatra. A irmã Bertha Suranto, presidente das Moças no Distrito de Jacarta, Indonésia, e algumas amigas dirigiram caminhões cheios de itens essenciais que salvaram vidas e proveram consolo àqueles que tanto perderam.
“Sempre que entrávamos em uma aldeia”, disse Bertha, “as pessoas nos rodeavam e ofereciam alimentos para distribuirmos — mesmo que eles próprios não tivessem mais que uma porção de arroz e alguns peixes que apanhavam no mar. Das mesquitas, os líderes comunitários anunciavam que outra doação da Igreja de Jesus havia chegado.”
Assim que as necessidades imediatas eram satisfeitas, iniciavam-se os projetos de prazos mais longos. Foram implementados os planos de assistência para a construção de mais de mil casas e a restauração de hospitais e escolas. Os moradores receberam ajuda para substituir barcos e redes de pesca. Teares e máquinas de costura foram distribuídos para as famílias recuperarem sua auto-suficiência.
A área do norte do Paquistão e da Índia sofreu o maior terremoto dos últimos cem anos, que ceifou milhares de vidas e deixou multidões desabrigadas. Devido à severidade do inverno naquela região, a preocupação não se limitava apenas aos feridos, mas estendia-se também aos desabrigados.
Quatro dias após o terremoto, a Agência Islâmica de Bem-Estar enviou-nos um Boeing 747 de carga que logo carregamos com cobertores, barracas, kits de higiene, suprimentos médicos, sacos de dormir, agasalhos e lonas, doados pelos armazéns dos bispos. Enviamos vários contêineres por ar, terra e mar com outros suprimentos e barracas de inverno suficientes para abrigar mais de 75 mil pessoas.
Quando enchentes se abateram sobre a América Central, as capelas foram abertas para servirem de abrigo provisório aos flagelados. Em áreas aonde os veículos não conseguiam chegar, os membros da Igreja amarravam suprimentos às costas e atravessavam terrenos alagados e perigosos para levar alívio aos que sofriam.
Depois de um período de agitação civil no Sudão, mais de um milhão de pessoas haviam abandonado seu lar e aldeia, em busca de segurança. Muitos refugiados caminharam centenas de milhas por terreno hostil para chegar aos campos de desabrigados, tentando reencontrar os parentes e recuperar a saúde.
O Atmit, composto alimentar vitamínico que já mostrou sua eficácia salvando a vida de crianças e idosos subnutridos, foi-lhes fornecido. Suprimentos médicos e milhares de kits de higiene e kits para recém-nascidos também foram enviados.
A Igreja uniu-se a outras importantes organizações de solidariedade não governamentais para ajudar a vacinar milhões de crianças na África, em uma campanha de erradicação do sarampo. Dois mil membros fiéis africanos da Igreja doaram muitas horas de trabalho voluntário para divulgar a campanha, reunir as crianças e ajudar durante a vacinação.
A temporada de furacões de 2005 no sul dos Estados Unidos e no Caribe ocidental foi a mais devastadora e a que causou mais prejuízo em toda a história. Tempestades se sucediam, destruindo lares e empresas de Honduras até a Flórida. Sempre que um furacão surgia, milhares de voluntários sob a direção do sacerdócio estavam presentes provendo o essencial para a preservação da vida. Kits de higiene e de limpeza, alimentos, água, panelas, roupas de cama e outros artigos ajudaram a limpar as moradias e organizar os abrigos temporários.
O irmão Michael Kagle levou um comboio de caminhões carregados de equipamentos de sua própria empresa para o Mississipi. Muitos funcionários, de outras denominações religiosas, ofereceram-se para ir com ele todos os fins de semana para levar ajuda às áreas atingidas pelas tempestades. No trajeto, comunicavam-se por rádio. O líder do grupo dos sumos sacerdotes de Mike, que dirigia uma pick-up no meio do comboio, conta que os nós dos dedos já estavam inchados pelo esforço de dirigir tão velozmente. Tentando diminuir a marcha do comboio, pegou o rádio e disse: “Senhores, percebem que estamos indo a 130 km por hora?” Um dos motoristas entrou no ar e replicou: “Bem, você deve entender que isso é o máximo que esses ‘donos de estrada’ podem dar. Não há como ir mais rápido!”
Recebemos centenas de cartas de agradecimento. Uma enfermeira no Mississipi escreveu: “Eu não tinha palavras. Teria Deus respondido a minhas orações tão rapidamente? Lágrimas rolaram por minha face quando vi homens de capacete e botas, munidos de serras elétricas de todos os tamanhos e formas, aparecerem por entre os escombros. Foi, sem dúvida, um dos maiores sacrifícios que já presenciei em toda minha vida”.
Quero agradecer pelos dedos ágeis que produziram milhares de belos cobertores, e um agradecimento especial pelos dedos não tão ágeis de nossas irmãs mais idosas que teceram aquelas belas colchas tão bem-vindas. Certa bisavó de 92 anos confeccionou várias centenas de cobertores. No caso dela, tanto a doadora quanto os beneficiários foram abençoados. Quando seu filho admirava seu trabalho, ela perguntou: “Será que alguém vai usar um dos meus cobertores?” A carta de uma jovem mãe da Louisiana responde a essa pergunta:
“Moro na Louisiana e levo meus filhos sempre ao centro de saúde local. Enquanto estava lá, deram-me algumas roupas, fraldas, lenços umedecidos e dois belos cobertores para bebê. Um deles tem o verso amarelo, com pés e mãos estampados na frente. O outro cobertor é dourado e tem zebras estampadas. São lindos. Meu filho de 4 anos adora o que tem zebras e, é claro, o de 7 meses não consegue dizer nada. Só queria agradecer a vocês e aos membros da sua Igreja por sua generosidade. Que Deus abençoe vocês e sua família.”
Em resposta aos recentes deslizamentos de terra nas Filipinas, os santos na área montaram kits de higiene e caixas de alimentos, distribuindo-os com cobertores aos necessitados.
Princípios de bem-estar como trabalho e auto-suficiência são mantidos e ensinados enquanto a ajuda é levada ao mundo inteiro. Durante 2005, muitas aldeias receberam água potável graças a poços novos. Os habitantes aprenderam a cavar poços, instalar as bombas e fazer reparos, se necessário.
O treinamento e os equipamentos levados pelos voluntários locais e os sempre devotados casais missionários permitem que as famílias suplementem sua dieta com alimentos nutritivos cultivados em casa.
Muitas cadeiras de rodas distribuídas devolveram a autonomia aos deficientes. Milhares de profissionais médicos foram treinados para salvar a vida de recém-nascidos. Oftalmologistas realizaram gratuitamente cirurgias de catarata, devolvendo a visão a muitos. No mundo inteiro, os Serviços às Famílias SUD aconselham quanto a assuntos delicados.
Pontes de compreensão e de respeito são edificadas em muitas nações, ao colaborarmos com órgãos já bem conhecidos e confiáveis.
O Dr. Simbi Mubako, ex-embaixador africano na ONU, declarou: “O trabalho da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é ainda mais significativo porque não se limita a atender aos membros da Igreja, mas estende-se a todos os seres humanos de diferentes culturas e religiões, porque [eles] vêem em cada pessoa a imagem de Jesus Cristo”.
Nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley tem trabalhado ativamente no desenvolvimento dessa grande obra humanitária. “Precisamos estender a mão para toda a humanidade”, disse ele. “Todos são filhos e filhas de Deus, nosso Pai Eterno, e Ele nos considerará responsáveis pelo que fizermos em relação a eles. (...) Que abençoemos a humanidade estendendo a mão para todos, erguendo os que estão abatidos e oprimidos, vestindo e alimentando o necessitado e o faminto, expressando amor e companheirismo para aqueles à nossa volta que porventura não façam parte desta Igreja.”5
Esse esforço humanitário moderno é uma manifestação maravilhosa da caridade que arde na alma de pessoas cujo coração é quebrantado e cujas mãos estão prontas para ajudar. Esse serviço altruísta demonstra realmente o puro amor de Cristo.
O Salvador promete grandes bênçãos aos que dão de si mesmos. “Dai, e ser-vos-á dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”6
O que falei hoje não é nem a centésima parte do que está acontecendo nas aldeias e nações do mundo todo. Aonde quer que eu vá, recebo expressões da mais profunda gratidão. Em nome da Primeira Presidência, do Quórum dos Doze e do Comitê Executivo de Bem-Estar da Igreja, cuja designação é dirigir esta obra, desejo expressar nosso sincero apreço e admiração.
É impossível encontrar palavras adequadas para exprimir os sagrados e cálidos sentimentos de minha alma. Um simples “obrigado” nunca será suficiente. A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão. Invoco sobre vocês e sua família as mais seletas bênçãos do Senhor, ao continuarem se lembrando daqueles cujo coração está aflito e cujas mãos pendem. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Bispado Presidente
A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão.
Ontem à noite a irmã Burton e eu saboreávamos uma comida chinesa. Dentro do meu biscoitinho da sorte li a mensagem: “O estresse que você sente muito em breve desaparecerá”. De fato.
Certo dia, um grupo de homens conversava com o Profeta Joseph Smith, quando chegou a notícia de que a casa de um pobre irmão que vivia a certa distância da cidade fora incendiada. Cada um expressou tristeza pelo que acontecera. O Profeta ouviu por um momento e, em seguida, enfiou a mão no bolso, pegou cinco dólares e disse: “Estou sentido pelo que houve com esse irmão pelo valor de cinco dólares. O quanto cada um de vocês (...) está sentido [por ele]?”1 A resposta imediata do Profeta é significativa. No ano passado, milhões de vocês demonstraram sua compaixão pelos outros, com seus recursos, corações quebrantados e mãos que ajudam. Muito obrigado pela maravilhosa medida de sua generosidade.
A compaixão pelos outros sempre foi uma característica fundamental dos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O profeta Alma disse:
“Desejais entrar no rebanho de Deus e ser chamados seu povo; e sendo que estais dispostos a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves; sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; sim, e consolar os que necessitam de consolo”.2
O Salvador nos pede que “[socorramos] os fracos, [ergamos] as mãos que pendem e [fortaleçamos] os joelhos enfraquecidos.”3
Tenho testemunhado em primeira mão o comprometimento dos santos dos últimos dias e de pessoas de outras denominações, que têm corações quebrantados e mãos que ajudam, que “levam as cargas uns dos outros.”4 Minha tristeza tem sido profunda ao ver grandes devastações e visitar vítimas desesperadas.
Nos últimos anos, a Mãe Natureza exibiu toda sua violência e supremacia de modo incomum e poderoso. Em dezembro de 2004, um terrível terremoto atingiu a costa da Indonésia e criou um tsunami gigantesco que matou milhares de pessoas e destruiu a vida dos que ficaram para trás. Sob a direção dos líderes locais do sacerdócio e de casais missionários, a ajuda mobilizou-se imediatamente, oferecendo assistência urgente a hospitais, socorristas e a comunidades na Indonésia, no Sri Lanka, na Índia e na Tailândia.
Em um curto espaço de tempo, vários membros da Igreja foram para uma das áreas mais atingidas — a região de Aseh, no norte da Sumatra. A irmã Bertha Suranto, presidente das Moças no Distrito de Jacarta, Indonésia, e algumas amigas dirigiram caminhões cheios de itens essenciais que salvaram vidas e proveram consolo àqueles que tanto perderam.
“Sempre que entrávamos em uma aldeia”, disse Bertha, “as pessoas nos rodeavam e ofereciam alimentos para distribuirmos — mesmo que eles próprios não tivessem mais que uma porção de arroz e alguns peixes que apanhavam no mar. Das mesquitas, os líderes comunitários anunciavam que outra doação da Igreja de Jesus havia chegado.”
Assim que as necessidades imediatas eram satisfeitas, iniciavam-se os projetos de prazos mais longos. Foram implementados os planos de assistência para a construção de mais de mil casas e a restauração de hospitais e escolas. Os moradores receberam ajuda para substituir barcos e redes de pesca. Teares e máquinas de costura foram distribuídos para as famílias recuperarem sua auto-suficiência.
A área do norte do Paquistão e da Índia sofreu o maior terremoto dos últimos cem anos, que ceifou milhares de vidas e deixou multidões desabrigadas. Devido à severidade do inverno naquela região, a preocupação não se limitava apenas aos feridos, mas estendia-se também aos desabrigados.
Quatro dias após o terremoto, a Agência Islâmica de Bem-Estar enviou-nos um Boeing 747 de carga que logo carregamos com cobertores, barracas, kits de higiene, suprimentos médicos, sacos de dormir, agasalhos e lonas, doados pelos armazéns dos bispos. Enviamos vários contêineres por ar, terra e mar com outros suprimentos e barracas de inverno suficientes para abrigar mais de 75 mil pessoas.
Quando enchentes se abateram sobre a América Central, as capelas foram abertas para servirem de abrigo provisório aos flagelados. Em áreas aonde os veículos não conseguiam chegar, os membros da Igreja amarravam suprimentos às costas e atravessavam terrenos alagados e perigosos para levar alívio aos que sofriam.
Depois de um período de agitação civil no Sudão, mais de um milhão de pessoas haviam abandonado seu lar e aldeia, em busca de segurança. Muitos refugiados caminharam centenas de milhas por terreno hostil para chegar aos campos de desabrigados, tentando reencontrar os parentes e recuperar a saúde.
O Atmit, composto alimentar vitamínico que já mostrou sua eficácia salvando a vida de crianças e idosos subnutridos, foi-lhes fornecido. Suprimentos médicos e milhares de kits de higiene e kits para recém-nascidos também foram enviados.
A Igreja uniu-se a outras importantes organizações de solidariedade não governamentais para ajudar a vacinar milhões de crianças na África, em uma campanha de erradicação do sarampo. Dois mil membros fiéis africanos da Igreja doaram muitas horas de trabalho voluntário para divulgar a campanha, reunir as crianças e ajudar durante a vacinação.
A temporada de furacões de 2005 no sul dos Estados Unidos e no Caribe ocidental foi a mais devastadora e a que causou mais prejuízo em toda a história. Tempestades se sucediam, destruindo lares e empresas de Honduras até a Flórida. Sempre que um furacão surgia, milhares de voluntários sob a direção do sacerdócio estavam presentes provendo o essencial para a preservação da vida. Kits de higiene e de limpeza, alimentos, água, panelas, roupas de cama e outros artigos ajudaram a limpar as moradias e organizar os abrigos temporários.
O irmão Michael Kagle levou um comboio de caminhões carregados de equipamentos de sua própria empresa para o Mississipi. Muitos funcionários, de outras denominações religiosas, ofereceram-se para ir com ele todos os fins de semana para levar ajuda às áreas atingidas pelas tempestades. No trajeto, comunicavam-se por rádio. O líder do grupo dos sumos sacerdotes de Mike, que dirigia uma pick-up no meio do comboio, conta que os nós dos dedos já estavam inchados pelo esforço de dirigir tão velozmente. Tentando diminuir a marcha do comboio, pegou o rádio e disse: “Senhores, percebem que estamos indo a 130 km por hora?” Um dos motoristas entrou no ar e replicou: “Bem, você deve entender que isso é o máximo que esses ‘donos de estrada’ podem dar. Não há como ir mais rápido!”
Recebemos centenas de cartas de agradecimento. Uma enfermeira no Mississipi escreveu: “Eu não tinha palavras. Teria Deus respondido a minhas orações tão rapidamente? Lágrimas rolaram por minha face quando vi homens de capacete e botas, munidos de serras elétricas de todos os tamanhos e formas, aparecerem por entre os escombros. Foi, sem dúvida, um dos maiores sacrifícios que já presenciei em toda minha vida”.
Quero agradecer pelos dedos ágeis que produziram milhares de belos cobertores, e um agradecimento especial pelos dedos não tão ágeis de nossas irmãs mais idosas que teceram aquelas belas colchas tão bem-vindas. Certa bisavó de 92 anos confeccionou várias centenas de cobertores. No caso dela, tanto a doadora quanto os beneficiários foram abençoados. Quando seu filho admirava seu trabalho, ela perguntou: “Será que alguém vai usar um dos meus cobertores?” A carta de uma jovem mãe da Louisiana responde a essa pergunta:
“Moro na Louisiana e levo meus filhos sempre ao centro de saúde local. Enquanto estava lá, deram-me algumas roupas, fraldas, lenços umedecidos e dois belos cobertores para bebê. Um deles tem o verso amarelo, com pés e mãos estampados na frente. O outro cobertor é dourado e tem zebras estampadas. São lindos. Meu filho de 4 anos adora o que tem zebras e, é claro, o de 7 meses não consegue dizer nada. Só queria agradecer a vocês e aos membros da sua Igreja por sua generosidade. Que Deus abençoe vocês e sua família.”
Em resposta aos recentes deslizamentos de terra nas Filipinas, os santos na área montaram kits de higiene e caixas de alimentos, distribuindo-os com cobertores aos necessitados.
Princípios de bem-estar como trabalho e auto-suficiência são mantidos e ensinados enquanto a ajuda é levada ao mundo inteiro. Durante 2005, muitas aldeias receberam água potável graças a poços novos. Os habitantes aprenderam a cavar poços, instalar as bombas e fazer reparos, se necessário.
O treinamento e os equipamentos levados pelos voluntários locais e os sempre devotados casais missionários permitem que as famílias suplementem sua dieta com alimentos nutritivos cultivados em casa.
Muitas cadeiras de rodas distribuídas devolveram a autonomia aos deficientes. Milhares de profissionais médicos foram treinados para salvar a vida de recém-nascidos. Oftalmologistas realizaram gratuitamente cirurgias de catarata, devolvendo a visão a muitos. No mundo inteiro, os Serviços às Famílias SUD aconselham quanto a assuntos delicados.
Pontes de compreensão e de respeito são edificadas em muitas nações, ao colaborarmos com órgãos já bem conhecidos e confiáveis.
O Dr. Simbi Mubako, ex-embaixador africano na ONU, declarou: “O trabalho da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é ainda mais significativo porque não se limita a atender aos membros da Igreja, mas estende-se a todos os seres humanos de diferentes culturas e religiões, porque [eles] vêem em cada pessoa a imagem de Jesus Cristo”.
Nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley tem trabalhado ativamente no desenvolvimento dessa grande obra humanitária. “Precisamos estender a mão para toda a humanidade”, disse ele. “Todos são filhos e filhas de Deus, nosso Pai Eterno, e Ele nos considerará responsáveis pelo que fizermos em relação a eles. (...) Que abençoemos a humanidade estendendo a mão para todos, erguendo os que estão abatidos e oprimidos, vestindo e alimentando o necessitado e o faminto, expressando amor e companheirismo para aqueles à nossa volta que porventura não façam parte desta Igreja.”5
Esse esforço humanitário moderno é uma manifestação maravilhosa da caridade que arde na alma de pessoas cujo coração é quebrantado e cujas mãos estão prontas para ajudar. Esse serviço altruísta demonstra realmente o puro amor de Cristo.
O Salvador promete grandes bênçãos aos que dão de si mesmos. “Dai, e ser-vos-á dado (...) porque, com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”6
O que falei hoje não é nem a centésima parte do que está acontecendo nas aldeias e nações do mundo todo. Aonde quer que eu vá, recebo expressões da mais profunda gratidão. Em nome da Primeira Presidência, do Quórum dos Doze e do Comitê Executivo de Bem-Estar da Igreja, cuja designação é dirigir esta obra, desejo expressar nosso sincero apreço e admiração.
É impossível encontrar palavras adequadas para exprimir os sagrados e cálidos sentimentos de minha alma. Um simples “obrigado” nunca será suficiente. A todos os que têm um coração quebrantado e mãos que ajudam e que aliviam o fardo de muitos, minha profunda gratidão. Invoco sobre vocês e sua família as mais seletas bênçãos do Senhor, ao continuarem se lembrando daqueles cujo coração está aflito e cujas mãos pendem. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
domingo, 27 de março de 2011
Confiar em Deus e, Então, Fazer
Henry B. Eyring
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência
Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.
Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse.
Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades.
Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon:
“Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!
Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra.
Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1
Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2
Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade.
Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3
Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna.
O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles.
Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza.
O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato:
“Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.
E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.
Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.
E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas.
E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!
E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4
Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio.
O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5
Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele.
Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7
Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta:
“Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim.
Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8
O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus.
Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9
Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso.
Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”.
No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos.
O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida.
Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos.
Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente.
Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava.
Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”.
Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”.
O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial.
Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10
Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11
Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo.
Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores.
Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”.
Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo.
Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12
Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês.
Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência
Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.
Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse.
Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades.
Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon:
“Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!
Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra.
Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1
Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2
Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade.
Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3
Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna.
O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles.
Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza.
O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato:
“Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.
E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.
Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.
E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas.
E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!
E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4
Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio.
O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5
Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele.
Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7
Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta:
“Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim.
Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8
O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus.
Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9
Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso.
Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”.
No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos.
O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida.
Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos.
Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente.
Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava.
Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”.
Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”.
O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial.
Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10
Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11
Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo.
Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores.
Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”.
Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo.
Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12
Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês.
Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Nossa Própria Sobrevivência
Kevin R. Duncan
Dos Setenta
Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho.
O inverno de 1848 foi difícil e desafiador para os pioneiros colonizadores, no vale do Lago Salgado. No verão de 1847, Brigham Young havia declarado que os santos haviam finalmente chegado a seu destino. “Este é o lugar certo”1, disse Brigham Young, que tivera uma visão em que lhe fora mostrado onde os santos deveriam se estabelecer. Os primeiros membros da Igreja haviam enfrentado imensas adversidades no desenrolar da Restauração do evangelho. Tinham sido expulsos de seus lares, perseguidos e caçados. Tinham sofrido dificuldades indescritíveis ao cruzarem as planícies. Finalmente, porém, estavam no “lugar certo”.
Mas o inverno de 1848 foi extremamente rigoroso. Fez tanto frio, que algumas pessoas tiveram problemas sérios de congelamento dos pés. Um espírito de inquietação começou a se espalhar entre os santos. Alguns membros da Igreja declararam que não iriam construir suas casas no vale. Eles queriam permanecer em seus carroções, pois não tinham certeza se a liderança da Igreja lhes anunciaria um lugar melhor para morar. Tinham trazido consigo sementes e árvores frutíferas, mas não queriam desperdiçá-las plantando-as naquele deserto árido. Jim Bridger, conhecido explorador da época, disse a Brigham Young que daria mil dólares pelo primeiro saco de milho cultivado no Vale do Lago Salgado, porque achava que aquilo seria impossível.2
Para complicar as coisas, havia sido descoberto ouro na Califórnia. Alguns membros da Igreja acharam que a vida seria mais simples e próspera se prosseguissem até a Califórnia, em busca de riquezas e de um clima melhor.
Em meio a essa onda de descontentamento, Brigham Young falou aos membros da Igreja, declarando:
“[Este vale] é o local que Deus indicou para Seu povo.
Fomos lançados da frigideira para o fogo, e do fogo para o chão; e aqui estamos, e aqui permaneceremos. Deus me mostrou que este é o lugar certo para estabelecermos Seu povo, e é aqui que prosperaremos. Ele vai amenizar o clima para benefício dos santos. Vai repreender a geada e a esterilidade do solo, e a terra vai-se tornar frutífera. Irmãos, vão agora, e plantem (…) suas (…) sementes”.
Além de prometer essas bênçãos, o Presidente Young declarou que o Vale do Lago Salgado se tornaria conhecido como uma estrada para as nações. Reis e imperadores visitariam aquela terra. E o melhor de tudo é que um templo do Senhor seria erguido ali.3
Aquelas foram promessas extraordinárias. Muitos membros da Igreja tiveram fé nas profecias de Brigham Young, ao passo que outros continuaram céticos e partiram para o que acharam que seria uma vida melhor. Mas a história mostrou que todas as profecias declaradas por Brigham Young foram cumpridas. O vale realmente floresceu e começou a produzir. Os santos prosperaram. O inverno de 1848 contribuiu muito para que o Senhor ensinasse uma valiosa lição a Seu povo. Eles aprenderam, como todos temos que aprender, que o único meio garantido e seguro de sermos protegidos nesta vida é confiar no conselho dos profetas de Deus e obedecer a ele.
Sem dúvida, uma das maiores bênçãos de sermos membros desta Igreja é a de sermos liderados por profetas vivos de Deus. O Senhor declarou: “Nunca há mais que um, na Terra, ao mesmo tempo, a quem esse poder e as chaves desse sacerdócio são conferidas”. 4 O profeta e Presidente atual da Igreja, Thomas S. Monson, recebe a palavra de Deus para todos os membros da Igreja e para o mundo. Além disso, apoiamos como profetas, videntes e reveladores os conselheiros na Primeira Presidência e os membros do Quórum dos Doze Apóstolos.
Com os pés congelados e um deserto árido, sem dúvida foi preciso fé para que aqueles antigos santos confiassem em seu profeta. Sua sobrevivência e sua vida estavam em jogo. Mas o Senhor recompensou sua obediência e abençoou e fez prosperar os que seguiram Seu porta-voz.
E o Senhor faz o mesmo hoje em dia para todos nós. Este mundo está cheio de livros de autoajuda, de pessoas que se dizem especialistas, de teóricos, de educadores e de filósofos que têm conselhos para dar sobre todo e qualquer assunto. Com a tecnologia atual, há informações sobre uma infinidade de assuntos acessíveis apenas com um clique ou toque. É fácil cairmos na armadilha de confiar nos conselhos do “braço de carne”5 sobre todas as coisas, desde a criação dos filhos até a busca da felicidade. Embora algumas informações tenham seu mérito, como membros da Igreja, temos acesso à fonte da pura verdade, que é Deus. Seria bem melhor que buscássemos as respostas para nossos problemas e dúvidas pesquisando o que o Senhor revelou por meio de Seus profetas. Com essa mesma tecnologia atual, temos ao alcance dos dedos as palavras dos profetas sobre quase todos os assuntos. O que Deus nos ensinou sobre o casamento e a família por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre educação e a vida previdente por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre a felicidade e a realização pessoais, por meio de Seus profetas?
O que os profetas ensinam pode parecer ultrapassado, impopular ou até impossível. Mas Deus é um Deus de ordem e estabeleceu um sistema pelo qual podemos conhecer Sua vontade. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.”6 No início desta que é a dispensação da plenitude dos tempos, o Senhor reafirmou que Se comunicaria conosco por meio de Seus profetas. Ele declarou: “Minha palavra (…) será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.7
A confiança nos profetas e a obediência a suas palavras são mais do que uma bênção e um privilégio. O Presidente Ezra Taft Benson declarou que “nossa [própria] salvação depende da obediência ao profeta”. Ele descreveu o que chamou de “Quatorze Princípios Fundamentais para Seguir o Profeta”. Na sessão desta manhã, o Élder Claudio Costa, da Presidência dos Setenta, instruiu-nos de modo muito eloquente a respeito desses Quatorze Princípios Fundamentais. Devido a sua grande importância para nossa própria salvação, vou repeti-los agora.
“Primeiro: O profeta é o único homem que fala pelo Senhor em todas as coisas.
Segundo: O profeta vivo é mais importante para nós do que as obras-padrão.
Terceiro: O profeta vivo é mais importante para nós do que um profeta morto.
Quarto: O profeta nunca fará a Igreja se desviar.
Quinto: O profeta não precisa de nenhum treinamento específico ou de credenciais terrenas para falar sobre qualquer assunto ou agir quanto a qualquer questão, a qualquer momento.
Sexto: O profeta não precisa dizer ‘Assim diz o Senhor’ para nos dar uma escritura.
Sétimo: O profeta nos diz o que precisamos saber, nem sempre o que queremos saber.
Oitavo: O profeta não se limita à razão humana.
Nono: O profeta pode receber revelação sobre qualquer assunto — temporal ou espiritual.
Décimo: O profeta pode envolver-se em questões cívicas.
Décimo primeiro: Os dois grupos de pessoas com maiores dificuldades de seguir o profeta são os orgulhosos que são doutos e os orgulhosos que são ricos.
Décimo segundo: O profeta não será necessariamente popular no mundo nem entre os que são do mundo.
Décimo terceiro: O profeta e seus conselheiros constituem a Primeira Presidência — o quórum mais elevado da Igreja.
Décimo quarto: [Siga] o profeta vivo e a Primeira Presidência e receba as bênçãos; rejeite-os e sofra”.8
Irmãos e irmãs, tal como os santos de 1848, podemos decidir que seguiremos o profeta ou podemos confiar no “braço de carne”. Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho. Sou testemunha da bondade deles e testifico que foram chamados por Deus. Testifico também que não há meio mais seguro de conduzir-nos na vida, de encontrar respostas para nossos problemas, de ter paz e felicidade neste mundo e de proteger nossa própria salvação do que obedecer às palavras deles. Presto esse testemunho no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.
Dos Setenta
Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho.
O inverno de 1848 foi difícil e desafiador para os pioneiros colonizadores, no vale do Lago Salgado. No verão de 1847, Brigham Young havia declarado que os santos haviam finalmente chegado a seu destino. “Este é o lugar certo”1, disse Brigham Young, que tivera uma visão em que lhe fora mostrado onde os santos deveriam se estabelecer. Os primeiros membros da Igreja haviam enfrentado imensas adversidades no desenrolar da Restauração do evangelho. Tinham sido expulsos de seus lares, perseguidos e caçados. Tinham sofrido dificuldades indescritíveis ao cruzarem as planícies. Finalmente, porém, estavam no “lugar certo”.
Mas o inverno de 1848 foi extremamente rigoroso. Fez tanto frio, que algumas pessoas tiveram problemas sérios de congelamento dos pés. Um espírito de inquietação começou a se espalhar entre os santos. Alguns membros da Igreja declararam que não iriam construir suas casas no vale. Eles queriam permanecer em seus carroções, pois não tinham certeza se a liderança da Igreja lhes anunciaria um lugar melhor para morar. Tinham trazido consigo sementes e árvores frutíferas, mas não queriam desperdiçá-las plantando-as naquele deserto árido. Jim Bridger, conhecido explorador da época, disse a Brigham Young que daria mil dólares pelo primeiro saco de milho cultivado no Vale do Lago Salgado, porque achava que aquilo seria impossível.2
Para complicar as coisas, havia sido descoberto ouro na Califórnia. Alguns membros da Igreja acharam que a vida seria mais simples e próspera se prosseguissem até a Califórnia, em busca de riquezas e de um clima melhor.
Em meio a essa onda de descontentamento, Brigham Young falou aos membros da Igreja, declarando:
“[Este vale] é o local que Deus indicou para Seu povo.
Fomos lançados da frigideira para o fogo, e do fogo para o chão; e aqui estamos, e aqui permaneceremos. Deus me mostrou que este é o lugar certo para estabelecermos Seu povo, e é aqui que prosperaremos. Ele vai amenizar o clima para benefício dos santos. Vai repreender a geada e a esterilidade do solo, e a terra vai-se tornar frutífera. Irmãos, vão agora, e plantem (…) suas (…) sementes”.
Além de prometer essas bênçãos, o Presidente Young declarou que o Vale do Lago Salgado se tornaria conhecido como uma estrada para as nações. Reis e imperadores visitariam aquela terra. E o melhor de tudo é que um templo do Senhor seria erguido ali.3
Aquelas foram promessas extraordinárias. Muitos membros da Igreja tiveram fé nas profecias de Brigham Young, ao passo que outros continuaram céticos e partiram para o que acharam que seria uma vida melhor. Mas a história mostrou que todas as profecias declaradas por Brigham Young foram cumpridas. O vale realmente floresceu e começou a produzir. Os santos prosperaram. O inverno de 1848 contribuiu muito para que o Senhor ensinasse uma valiosa lição a Seu povo. Eles aprenderam, como todos temos que aprender, que o único meio garantido e seguro de sermos protegidos nesta vida é confiar no conselho dos profetas de Deus e obedecer a ele.
Sem dúvida, uma das maiores bênçãos de sermos membros desta Igreja é a de sermos liderados por profetas vivos de Deus. O Senhor declarou: “Nunca há mais que um, na Terra, ao mesmo tempo, a quem esse poder e as chaves desse sacerdócio são conferidas”. 4 O profeta e Presidente atual da Igreja, Thomas S. Monson, recebe a palavra de Deus para todos os membros da Igreja e para o mundo. Além disso, apoiamos como profetas, videntes e reveladores os conselheiros na Primeira Presidência e os membros do Quórum dos Doze Apóstolos.
Com os pés congelados e um deserto árido, sem dúvida foi preciso fé para que aqueles antigos santos confiassem em seu profeta. Sua sobrevivência e sua vida estavam em jogo. Mas o Senhor recompensou sua obediência e abençoou e fez prosperar os que seguiram Seu porta-voz.
E o Senhor faz o mesmo hoje em dia para todos nós. Este mundo está cheio de livros de autoajuda, de pessoas que se dizem especialistas, de teóricos, de educadores e de filósofos que têm conselhos para dar sobre todo e qualquer assunto. Com a tecnologia atual, há informações sobre uma infinidade de assuntos acessíveis apenas com um clique ou toque. É fácil cairmos na armadilha de confiar nos conselhos do “braço de carne”5 sobre todas as coisas, desde a criação dos filhos até a busca da felicidade. Embora algumas informações tenham seu mérito, como membros da Igreja, temos acesso à fonte da pura verdade, que é Deus. Seria bem melhor que buscássemos as respostas para nossos problemas e dúvidas pesquisando o que o Senhor revelou por meio de Seus profetas. Com essa mesma tecnologia atual, temos ao alcance dos dedos as palavras dos profetas sobre quase todos os assuntos. O que Deus nos ensinou sobre o casamento e a família por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre educação e a vida previdente por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre a felicidade e a realização pessoais, por meio de Seus profetas?
O que os profetas ensinam pode parecer ultrapassado, impopular ou até impossível. Mas Deus é um Deus de ordem e estabeleceu um sistema pelo qual podemos conhecer Sua vontade. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.”6 No início desta que é a dispensação da plenitude dos tempos, o Senhor reafirmou que Se comunicaria conosco por meio de Seus profetas. Ele declarou: “Minha palavra (…) será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.7
A confiança nos profetas e a obediência a suas palavras são mais do que uma bênção e um privilégio. O Presidente Ezra Taft Benson declarou que “nossa [própria] salvação depende da obediência ao profeta”. Ele descreveu o que chamou de “Quatorze Princípios Fundamentais para Seguir o Profeta”. Na sessão desta manhã, o Élder Claudio Costa, da Presidência dos Setenta, instruiu-nos de modo muito eloquente a respeito desses Quatorze Princípios Fundamentais. Devido a sua grande importância para nossa própria salvação, vou repeti-los agora.
“Primeiro: O profeta é o único homem que fala pelo Senhor em todas as coisas.
Segundo: O profeta vivo é mais importante para nós do que as obras-padrão.
Terceiro: O profeta vivo é mais importante para nós do que um profeta morto.
Quarto: O profeta nunca fará a Igreja se desviar.
Quinto: O profeta não precisa de nenhum treinamento específico ou de credenciais terrenas para falar sobre qualquer assunto ou agir quanto a qualquer questão, a qualquer momento.
Sexto: O profeta não precisa dizer ‘Assim diz o Senhor’ para nos dar uma escritura.
Sétimo: O profeta nos diz o que precisamos saber, nem sempre o que queremos saber.
Oitavo: O profeta não se limita à razão humana.
Nono: O profeta pode receber revelação sobre qualquer assunto — temporal ou espiritual.
Décimo: O profeta pode envolver-se em questões cívicas.
Décimo primeiro: Os dois grupos de pessoas com maiores dificuldades de seguir o profeta são os orgulhosos que são doutos e os orgulhosos que são ricos.
Décimo segundo: O profeta não será necessariamente popular no mundo nem entre os que são do mundo.
Décimo terceiro: O profeta e seus conselheiros constituem a Primeira Presidência — o quórum mais elevado da Igreja.
Décimo quarto: [Siga] o profeta vivo e a Primeira Presidência e receba as bênçãos; rejeite-os e sofra”.8
Irmãos e irmãs, tal como os santos de 1848, podemos decidir que seguiremos o profeta ou podemos confiar no “braço de carne”. Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho. Sou testemunha da bondade deles e testifico que foram chamados por Deus. Testifico também que não há meio mais seguro de conduzir-nos na vida, de encontrar respostas para nossos problemas, de ter paz e felicidade neste mundo e de proteger nossa própria salvação do que obedecer às palavras deles. Presto esse testemunho no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.
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