sábado, 14 de janeiro de 2012

O Domingo Virá

Élder Joseph B. Wirthlin 
Do Quórum dos Doze Apóstolos


Graças à vida e ao sacrifício eterno do Salvador do mundo, seremos reunidos a nossos entes queridos.


Sinto-me grato por estar com vocês hoje e poder fortalecer-me com seu testemunho. Não posso expressar o quanto me sinto agradecido por suas bondosas palavras de apoio, suas manifestações de amor e suas orações.
Gostaria de relembrar hoje algumas coisas da minha história pessoal.
Nasci de bons pais. Com meu pai, Joseph L. Wirthlin, aprendi o valor do trabalho árduo e da compaixão. Ele foi bispo da nossa ala durante a Grande Depressão. Tinha genuína preocupação com os aflitos. Estendia a mão para os necessitados não por ser esse o seu dever, mas porque esse era o seu sincero desejo.
Cuidava incansavelmente de muitos e abençoava a vida dos que sofriam. Para mim, ele foi o bispo ideal.
Aqueles que conheceram meu pai sabiam como ele era ativo. Alguém me disse, certa vez, que ele podia fazer o trabalho de três homens. Raramente diminuía o ritmo. Em 1938, dirigia uma empresa muito bem-sucedida, quando recebeu um chamado do Presidente da Igreja, Heber J. Grant.
O Presidente Grant disse que iriam reorganizar o Bispado Presidente naquele dia e que ele queria que meu pai servisse como conselheiro de LeGrand Richards. Isso pegou meu pai de surpresa, e ele perguntou se, primeiro, poderia orar a respeito disso.
O Presidente Grant disse: “Irmão Wirthlin, só faltam 30 minutos para a próxima sessão da conferência, e eu gostaria de descansar um pouco. Qual é sua resposta?”
É claro que meu pai disse sim. Ele serviu por 23 anos, nove dos quais como Bispo Presidente da Igreja.
Meu pai tinha 69 anos quando faleceu. Eu estava com ele quando, de repente, desmaiou. Pouco depois, veio a falecer.
Penso muito em meu pai. Sinto saudades dele.
Minha mãe, Madeline Bitner, foi outra grande influência em minha vida. Em sua juventude, era uma excelente atleta e campeã de corridas. Sempre foi bondosa e amorosa, mas seu ritmo era exaustivo. Freqüentemente dizia: “Apressem-se”. E quando ela dizia isso, nós nos apressávamos. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais eu corria tanto quando jogava futebol americano.
Minha mãe tinha grandes expectativas em relação aos filhos e deles esperava sempre o melhor. Ainda me lembro de ouvi-la dizer: “Não seja relaxado — Você precisa fazer melhor que isso”. Relaxado era a palavra que ela usava para alguém preguiçoso que não atingia todo o seu potencial.
Minha mãe faleceu quando estava com 87 anos. Penso muito nela e sinto saudades dela, mais do que posso expressar.
Minha irmã caçula, Judith, era escritora, compositora e professora. Ela amava muitas coisas, inclusive o evangelho, a música e a arqueologia. O aniversário de Judith era poucos dias antes do meu. A cada ano, em seu aniversário, eu lhe dava uma nota novinha de um dólar como presente. Três dias depois, ela me dava cinqüenta centavos de dólar como presente de aniversário.
Judith faleceu há poucos anos. Tenho saudades dela e penso muito nela.
E isso me faz lembrar de minha esposa, Elisa. Lembro-me da primeira vez que a vi. Como favor para um amigo, fui à casa dela para dar carona à sua irmã, Frances. Elisa abriu a porta e, ao menos para mim, foi amor à primeira vista.
Creio que ela deve ter sentido algo também, porque as primeiras palavras que me lembro que ela disse foram: “Eu sabia que era tu”.
Elisa era especialista em inglês.
Até hoje, ainda considero aquelas cinco palavras como as mais belas do mundo.
Ela adorava jogar tênis e tinha um saque relâmpago. Tentei jogar tênis com ela, mas acabei desistindo depois de concluir que não poderia acertar numa bola que não conseguia ver, de tão rápida.
Ela era minha força e minha alegria. Graças a ela, sou um homem, marido e pai melhor. Casamos, tivemos oito filhos e caminhamos juntos por 65 anos de vida.
Devo à minha mulher mais do que posso expressar. Não sei se já houve algum casamento perfeito, mas do meu ponto de vista, acho que o nosso era.
Quando o Presidente Hinckley falou, durante o funeral da irmã Wirthlin, disse que era devastador e arrasador perder alguém amado. É algo que abala a alma.
Ele estava certo. Assim como Elisa foi a minha maior alegria, sua morte é hoje a minha maior tristeza.
Nas horas solitárias, passei muito tempo pensando nas coisas eternas. Meditei nas consoladoras doutrinas da vida eterna.
Durante minha vida, ouvi muitos sermões sobre a Ressurreição. Tal como vocês, sei de cor os eventos daquele primeiro domingo de Páscoa. Marquei em minhas escrituras as passagens referentes à Ressurreição e tenho à mão muitas declarações importantes proferidas pelos profetas modernos sobre esse assunto.
Sabemos o que é a Ressurreição — a reunião do espírito e do corpo em sua perfeita forma.1
O Presidente Joseph F. Smith disse: “Poderemos reencontrar e rever aqueles de quem tivemos que nos separar nesta vida. Encontraremos o mesmo ser idêntico com quem nos associamos aqui na carne”.2
O Presidente Spencer W. Kimball ampliou essa declaração dizendo: “Tenho a certeza de que se pudermos imaginar-nos em nossa melhor condição física, mental e espiritual, será assim que voltaremos”.3
Quando formos ressuscitados, “este corpo mortal será levantado num corpo imortal (…) para não mais [morrermos]”.4
Conseguem imaginar isso? As melhores condições de vida? Sem doença, sem dor, sem o fardo dos males que freqüentemente nos acometem na mortalidade?
A Ressurreição está no cerne de nossas crenças cristãs. Sem ela, nossa fé não teria sentido. Como disse o Apóstolo Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e também é vã a [nossa] fé”.5
Ao longo de toda a história do mundo sempre houve muitas almas grandes e sábias, muitas das quais afirmavam ter um conhecimento especial de Deus. Mas quando o Salvador levantou-Se do sepulcro, Ele fez algo que ninguém jamais fez. Fez algo que ninguém mais poderia fazer. Ele rompeu as cadeias da morte, não apenas para Si mesmo, mas para todos os que já viveram, tanto justos quanto injustos.6
Quando Cristo Se levantou do sepulcro, tornando-Se as primícias da Ressurreição, Ele tornou essa dádiva acessível a todos. E com esse ato sublime, Ele abrandou a tristeza devastadora e arrasadora que abala a alma dos que perderam preciosos entes queridos.
Como deve ter sido sombria a sexta-feira na qual Cristo foi pregado na cruz.
Naquela terrível sexta-feira, a terra tremeu e o dia escureceu. Terríveis tempestades fustigaram a Terra.
Os homens que maldosamente planejaram Sua morte regozijaram-se. Eliminando-se Jesus, com certeza Seus seguidores se dispersariam. Naquele dia, sentiram-se triunfantes.
Naquele dia, o véu do templo rasgou-se em dois.
Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus, estavam cheias de dor e desespero. O homem sublime que elas tinham amado e honrado pendia da cruz, sem vida.
Naquela sexta-feira, os Apóstolos estavam arrasados. Jesus, seu Salvador — o homem que tinha andado sobre as águas e revivido os mortos — Ele mesmo estava à mercê de homens iníquos. Eles O viram ser subjugado por Seus inimigos, sem que nada pudessem fazer.
Naquela sexta-feira, o Salvador da humanidade foi humilhado, ferido, maltratado e desprezado.
Foi uma sexta-feira cheia de tristeza devastadora e arrasadora que abalou a alma dos que amavam e honravam o Filho de Deus.
Creio que aquela sexta-feira foi o dia mais sombrio de todos, desde o princípio da história do mundo.
Mas a trágica situação daquele dia não durou muito tempo.
O desespero não se prolongou porque no domingo, o Senhor ressuscitado rompeu as cadeias da morte. Ergueu-Se do sepulcro e apareceu gloriosamente triunfante como o Salvador de toda a humanidade.
Então, num instante, os olhos que estavam cheios de copiosas lágrimas ficaram enxutos. Os lábios que tinham sussurrado orações de aflição e dor encheram o ar de maravilhoso louvor, porque Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, estava diante deles como as primícias da Ressurreição, a prova de que a morte era apenas o início de uma nova e maravilhosa existência.
Todos temos as nossas próprias sextas-feiras — aqueles dias em que o próprio universo parece esfacelar e vemos as ruínas de nosso mundo espalhadas a nossos pés. Todos passaremos por momentos assim, dos quais nos parecerá impossível recuperar-nos. Todos teremos nossas sextas-feiras.
Mas testifico a vocês, em nome Daquele que conquistou a morte, que o domingo virá. Em meio às trevas de seu sofrimento, o domingo virá.
Seja qual for o nosso desespero, seja qual for a nossa dor. O domingo virá. Nesta vida ou na próxima. O domingo virá.
Testifico-lhes que a Ressurreição não é uma fábula. Temos o testemunho pessoal daqueles que O viram. Milhares de pessoas do Velho e do Novo Mundo foram testemunhas do Salvador ressuscitado. Tocaram-Lhe as mãos, os pés e o lado. Derramaram lágrimas de incontida alegria ao abraçarem-No.
Depois da Ressurreição, os discípulos sentiram-se revigorados. Viajaram pelo mundo inteiro proclamando as gloriosas novas do evangelho. Se quisessem, poderiam ter fugido, desaparecido, e retornado à vida e à ocupação que tinham antes. Com o tempo, o relacionamento que tiveram com Ele teria sido esquecido. Poderiam facilmente ter negado a divindade do Cristo.
Mas não fizeram isso.
Mesmo em face do perigo, do escárnio e das ameaças de morte, adentraram palácios, templos e sinagogas, proclamando corajosamente Jesus, o Cristo, o Filho Ressuscitado do Deus vivo.
Muitos deles, como testemunho final, ofereceram a própria e valiosa vida. Morreram como mártires, tendo nos lábios o testemunho do Cristo Ressuscitado, ao perecer.
A Ressurreição transformou a vida dos que a testemunharam. Acaso não deveria transformar a nossa também?
Todos nos ergueremos do sepulcro. E naquele dia, meu pai abraçará a minha mãe. Naquele dia, mais uma vez tomarei em meus braços a minha amada Elisa.
Graças à vida e ao sacrifício eterno do Salvador do mundo, seremos reunidos a nossos entes queridos.
Naquele dia, conheceremos o amor de nosso Pai Celestial. Naquele dia, teremos grande regozijo pelo Messias ter vencido todas as coisas para que pudéssemos viver para sempre.
Devido às sagradas ordenanças que recebemos nos templos sagrados, nossa partida desta breve existência mortal não separa por muito tempo os relacionamentos estreitados por cordões tecidos de laços eternos.
É meu solene testemunho que a morte não é o fim da existência. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.7 Graças ao Cristo ressuscitado, “Tragada foi a morte na vitória”.8
Graças a nosso amado Redentor, podemos elevar a voz, mesmo estando em nossas mais sombrias sextas-feiras, e proclamar: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, [ó morte], a tua vitória?”9
Quando o Presidente Hinckley falou da terrível solidão que advém aos que perderam alguém amado, ele também prometeu que, na calada da noite, uma voz mansa e inaudível sussurrará paz à nossa alma, dizendo: “Tudo bem”.
Sinto-me imensamente grato pelas sublimes doutrinas verdadeiras do evangelho e pelo dom do Espírito Santo, que me sussurrou à alma as palavras de paz e consolo prometidas por nosso amado profeta.
Das profundezas do meu sofrimento, tenho-me regozijado na glória do evangelho. Regozijo-me pelo Profeta Joseph Smith ter sido escolhido para restaurar o evangelho na Terra nesta última dispensação. Regozijo-me por termos um profeta, o Presidente Gordon B. Hinckley, que dirige a Igreja do Senhor em nossos dias.
Que compreendamos e tenhamos gratidão pelas inestimáveis dádivas que recebemos como filhos e filhas de um Pai Celestial amoroso e pela promessa daquele dia radiante em que todos nos ergueremos triunfantes do sepulcro.
Que sempre saibamos, por mais sombria que seja a nossa sexta-feira, que o domingo virá. Essa é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Época de Oportunidades

Bispo H. David Burton
Bispo Presidente
 

É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas.

Recentemente, em uma reunião sacramental, uma bela jovem sugeriu que um bom discurso deveria começar com alguma coisa engraçada e de bom gosto ou com uma mentira óbvia. Meu talento humorístico é praticamente inexistente, mas digo com absoluta sinceridade que estou totalmente à vontade e não sinto medo nenhum diante deste púlpito.
Com o término da recente comemoração do sesquicentenário, nosso caro profeta redirecionou nossa atenção dizendo: "É chegada agora a hora de voltarmos os olhos para o futuro. Esta é uma época de imensas oportunidades. Podemos aproveitar essas oportunidades e seguir avante. Que época maravilhosa para cada um de nós fazer sua pequena contribuição para o avanço da obra do Senhor na direção de seu magnífico destino". [Gordon B. Hinckley, Conference Report (Relatório da Conferência Geral), outubro de 1997, pp. 90­91; ou A Liahona, janeiro de 1998, p. 77.]

Todos enfrentamos dificuldades na vida diária, mas é nas dificuldades que estão algumas de nossas melhores oportunidades. Quando reconhecemos e nos valemos de nossas oportunidades, o resultado é o progresso, felicidade e crescimento espiritual.
Precisamos envolver-nos ativamente em levar a obra do Senhor adiante. Ainda que nossas oportunidades sejam inúmeras, falarei somente de algumas. Diversas vezes, deste púlpito, lembraram-nos de guardar plenamente o Dia do Senhor. Se não estivermos santificando o Dia do Senhor, hoje é um ótimo dia para assumirmos o compromisso, aproveitarmos a oportunidade, para recebermos as bênçãos prometidas que advêm de guardar o Dia do Senhor.
Muitos acham que a expressão "Dia do Senhor" é sinônimo de "dia de diversão". Um amigo meu, que gerencia várias lojinhas em comunidades majoritariamente mórmons, disse-me que sabe o exato momento em que as reuniões de domingo terminam, pois o aumento no número de clientes é marcante. As diversas formas de recreação existentes tornaram-se o que há de mais importante no domingo.
Quando a irmã Burton e eu éramos recém-casados, morávamos no sudeste do Vale do Lago Salgado. Certa ocasião, quando estávamos fazendo compras em uma merceariazinha de bairro, vimos o Presidente Joseph Fielding Smith e a esposa fazendo compras ali. Depois de ver a mesma coisa acontecer diversas vezes, acabei criando coragem para perguntar ao Presidente Smith por que ele vinha do centro da cidade, passando por dúzias de mercearias, para fazer compras ali. Ele olhou por cima dos óculos e respondeu categoricamente: "Meu filho", dei-lhe atenção imediatamente, "a irmã Smith e eu apoiamos os estabelecimentos que santificam o Dia do Senhor".
Não há novidade no conselho de que é preciso reverenciar o Dia do Senhor. Hoje não estamos escutando nada que gerações passadas não tenham escutado dos profetas de sua época e que os profetas de nossos dias não tenham reafirmado inúmeras vezes. As escrituras modernas trazem a seguinte admoestação: "E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; porque em verdade este é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo". (D&C 59:9­10)
Sei que, principalmente para os jovens, é difícil resolver guardar o Dia do Senhor, considerando-se que os times em que eles mais querem jogar sempre marcam partidas para os domingos. Sei muito bem que para muitos parece irrelevante parar numa loja de conveniência aos domingos e comprar uma coisinha ou outra de que precisam. Entretanto, também sei que se lembrar de santificar o Dia do Senhor é um dos mandamentos mais importantes que devemos guardar para nos prepararmos para escutarmos os sussurros do Espírito.
Esta é uma época de oportunidades para as famílias viverem integramente para serem contadas com os fiéis que obedecem ao quarto grande mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus ( . . . )". (Êxodo 20:8­10)
Há alguns anos, o Presidente Hinckley respondeu a uma observação a respeito do número de dedicações e rededicações de templos dos quais tinha participado como Autoridade Geral. Disse que gostaria de continuar envolvido com a dedicação de templos até que tivéssemos, no mínimo, 100 templos em funcionamento. Quando ouvi o que disse, não pude deixar de fazer umas continhas e percebi que o total de templos em funcionamento mais o número de templos projetados ou em construção na época era muito inferior a 100. Como o Bispado Presidente é responsável por supervisionar a construção dos templos que são anunciados, lembro-me com toda clareza de ter dito ao profeta: "Presidente, peço ao Senhor que o abençoe com muita longevidade".
Eu nem imaginava que talvez, naquele momento, nosso Profeta estivesse recebendo inspiração dos céus para pensar em como proporcionar mais oportunidades de que as famílias fiéis da Igreja participassem das bênçãos relativas à adoração no templo. Chorei de alegria, como vocês, quando, na conferência geral de abril passado, ouvimos o Presidente Hinckley dizer: "( . . . ) Nos últimos meses estivemos viajando por lugares distantes para reunir-nos com os membros da Igreja. Estive com muitas pessoas que possuem bem poucos bens materiais. Mas elas têm no coração uma grande e ardorosa fé no trabalho destes últimos dias. Elas amam a Igreja. ( . . . ) Amam o Senhor e desejam cumprir a vontade Dele. Estão pagando o dízimo, por menor que seja. Estão fazendo sacrifícios enormes para ir ao templo. Viajam vários dias em ônibus desconfortáveis e barcos velhos. Economizam dinheiro e passam necessidade para que isso seja possível. Essas pessoas precisam de templos ( . . . ) próximos de onde moram. Tendo isso em vista, aproveito esta oportunidade para anunciar a toda a Igreja o projeto de construirmos imediatamente cerca de 30 templos pequenos. ( . . . ) Acrescentando-se os 17 edifícios que já estão em construção ( . . . ) teremos um total de 47 templos novos, além dos 51 que já se encontram em funcionamento. Acho melhor acrescentarmos mais dois para que tenhamos um número redondo de cem templos, no final deste século ( . . . )". [Conference Report (Relatório da Conferência Geral), abril de 1998, p. 115; ou A Liahona, julho de 1998, p. 98.]
No início desta dispensação, nossos antepassados foram abençoados com a oportunidade de fazerem grandes sacrifícios para construir templos. Eles doaram generosamente parte do pouco dinheiro que tinham, bem como o trabalho de suas próprias mãos. Quando o templo de Kirtland e, depois, o de Nauvoo ficaram prontos, os santos fizeram muito sacrifício. Foram abençoados de acordo com o que fizeram. Depois da migração dos santos para o alto das montanhas, começaram a aparecer templos em diversos lugares do oeste dos EUA. O projeto de cada templo implicava em muito sacrifício. As bênçãos prometidas por Deus aguardavam os que se valiam da oportunidade de tomarem parte na construção dos templos.
As oportunidades que o serviço no templo nos reserva atualmente são diferentes das que havia no passado. Não se espera que usemos o martelo, cortemos pedras, serremos tábuas, viremos concreto ou façamos o trabalho braçal da construção dos templos. Temos, porém, a excelente oportunidade de pagar o dízimo fielmente para que o trabalho de construção de templos e a obra do Senhor continuem a progredir. Temos também o desafio de ser dignos de oferecermo-nos para realizar as ordenanças salvadoras pelos falecidos. Em poucas palavras, a maior oportunidade das famílias da Igreja é fazer com que a luz de nossos templos fique acesa desde cedo até tarde. Poderíamos fazer com que fosse necessário que elas ficassem acesas a noite inteira, como acontece nos finais de semana em vários templos.
Há alguns anos, uma grande empresa de comunicação usou esta frase em uma propaganda: "Estenda a mão e toque alguém". O Presidente Hinckley lembrou-nos várias vezes das muitas oportunidades que temos de estender a mão e tocar alguém. Falando das pessoas que se juntaram a nós há pouco tempo, tratou da necessidade de estendermos a mão e tocá-las com amor e amizade; as pessoas que se sentem isoladas precisam de um toque de incentivo, amor incondicional e de muito perdão. É preciso que os vizinhos, conhecidos e amigos que não são de nossa fé sejam tocados pelo Espírito Santo graças ao que dizemos e fazemos.
Recentemente, em uma reunião de treinamento dos conselhos de estaca e ala, que era parte de uma conferência de estaca da qual participei, houve apresentações bem preparadas que tinham como tema as oportunidades de "incluirmos" em vez de "excluirmos", de estendermos a mão e tocarmos as pessoas novas e as menos ativas, bem como as que não são membros de nossa Igreja. A irmã Laura Chipman, presidente das Moças da estaca, sugeriu cinco passos para ajudar-nos a "incluirmos" quando entramos em contato com alguém. Eles são: (1) Introspecção: Será que, sem perceber, estamos passando uma atitude que faz as pessoas se sentirem excluídas? (2) Identificação: Conhecemos os recém-batizados, os menos ativos e os não-membros que moram em nosso bairro ou comunidade? 3. Sermos pessoais: Será que sabemos quais são os interesses, talentos e habilidades das pessoas a quem queremos integrar? 4. Convite: Incluímos os vizinhos e amigos em atividades adequadas? 5. Envolvimento: Haveria algum meio de aproveitarmos as habilidades e talentos das pessoas a quem queremos incluir?
Há pouco tempo, fui ao funeral de um amigo de infância. Esse irmão tinha uma deficiência genética congênita. Conseguia compreender conceitos muito bem, mas não sabia ler nem escrever. Sua fala era limitada a um número bem pequeno de palavras inteligíveis e a seu vocabulário particular. Algumas pessoas de nosso grupo conseguiam compreender algumas das palavras que ele dizia. Contudo, normalmente sabíamos pelo tom de voz se ele estava externando suas preocupações ou sua grande capacidade de amar. Lynn passou grande parte da infância em uma escola especial distante de casa. Passava o verão e muitos feriados em casa com a família. Nos últimos 17 anos, Lynn, que havia vivido mais do que todos os familiares, morava em uma clínica que podia atender melhor a suas muitas necessidades.
Quando Lynn morreu, um de seus melhores amigos tomou as providências para que o funeral fosse feito em uma capela que havíamos freqüentado na infância. Seus melhores amigos e funcionários da clínica compareceram ao funeral; estavam presentes também alguns membros da ala que o conheceram havia muitos anos e, talvez, uns doze amigos de infância com a família. Vários irmãos da Igreja, que permaneceram próximos a Lynn em sua longa e, muitas vezes, solitária permanência na clínica, fizeram ternos discursos.
Todos nós refrescamos a memória no decurso da cerimônia. Um amigo lembrou-se de uma ocasião em que o professor da Escola Dominical nos convidou a prestar o testemunho em aula. Chamou-nos um por um, mas pulou Lynn, talvez por achar que ele não tivesse entendimento para fazer o que se pedia. Com a maior manifestação de justa indignação de que era capaz, ele disse ao professor que esperava ter a oportunidade de se expressar. Apesar de não entendermos muito do que disse, sentimos seu amor e sentimos a profundidade de um espírito magnífico tragicamente preso a um corpo que não funcionava bem. Como foi intenso o espírito que sentimos na classe!
À medida que os funcionários e bons amigos da clínica expressavam o amor incondicional que tinham por Lynn, ficou claro que, modestamente, ele havia estendido a mão e tocado a vida dessas pessoas. No decurso do funeral, ficou patente que, pelo menos três ou quatro amigos de infância e a família haviam estendido a mão para cuidar de Lynn, fazendo coisas como visitá-lo sempre, dar longos passeios de carro, convidá-lo para jantar ou para ocasiões especiais como um aniversário ou uma festa.
Depois das histórias e lembranças, todos percebemos que nosso bondoso amigo deficiente tinha dado a nós e às famílias excelentes e compassivas que lhe estenderam a mão com amor algo muito mais valioso do que tudo o que havia recebido.
É verdade que esta é mesmo uma época de muitas oportunidades. É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas, para citar pouquíssimas coisas. Testifico que o Pai Celestial e Seu Filho, nosso Salvador e Redentor, vivem, amam-nos incondicionalmente e desejam ardentemente que agarremos as oportunidades que nos proporcionam. Reconheço e expresso o amor que tenho a nosso querido profeta, que, com muita devoção, empunha nossa bandeira com coragem e grandeza. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

“Morrendo o Homem, Porventura Tornará a Viver?”

Carlos E.Assay

 

A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motiva-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade.

 

Há alguns anos, visitei uma casa de repouso para idosos. Os residentes, na maioria, eram pessoas fisicamente debilitadas, cansadas e ansiosas por sair dali. Ao passar por um dos quartos ouvi um fraco pedido de ajuda. A porta estava entreaberta, de maneira que entrei com a esperança de ajudar alguém com problemas. Já no quarto, fui recebido pelo olhar suplicante de uma gentil velhinha em uma cadeira de rodas. Olhou-me fixamente por um instante e perguntou-me: “Posso morrer? Posso morrer?”
O olhar terno, a voz afável e as feições delicadas comoveram-me. Obviamente estava sofrendo muita dor física e queria ver-se livre de um corpo debilitado. Ela sentia falta da companhia dos entes queridos que partiram antes dela.
Não me recordo muito bem o que lhe disse na ocasião, mas tentei assegurar-lhe que poderia e iria morrer no devido tempo do Senhor. Procurei assegurar-lhe que viveria novamente, livre dos problemas que a afligiam no momento.


A QUESTÃO REAL

 

A questão real que cada um de nós deve enfrentar não é, “Posso morrer?” A morte é uma das certezas da vida. Ocorre regularmente e é observada nas notas de falecimento dos jornais e pelas cadeiras vazias em nossas mesas. Porque assim como o sol se põe ao findar de cada dia de acordo com o ritmo eterno da vida, também teremos a experiência da separação temporária do corpo e do espírito; quando nosso tabernáculo de carne será colocado “na fria e silenciosa sepultura” (2 Néfi 1:14) e nosso espírito será “levado para aquele Deus que lhes deu a vida”. (Alma 40:11.)
Na verdade, porém, a questão real é: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14:14). A sepultura selará nosso destino eterno? Ou há uma ressurreição e outra esfera de existência à espera de nossa alma?
Os que creêm ser o túmulo o destino final do homem, vivem sem a esperança de um mundo melhor e estão inclinados a adotar aquela atitude fatalista: “Comei, bebei e diverti-vos ( . . . ) porque amanhã morreremos”. (2 Né. 28:7; ver também I Cor. 15:32.) Esta atitude quase sempre leva a experiências devassas, à conduta imoral e a todos os outros comportamentos que resultam em angústia e remorso. (Ver Alma 29:5.)
Ao passo que, aqueles que acreditam em vida após a morte estão muito mais propensos a levar uma vida cheia de propósito. A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motivam-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependendimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade, tanto agora como no mundo vindouro. Logo, parece apropriado falarmos sobre a questão real, Tornarei a viver? na véspera da Páscoa—dia em que cristãos do mundo inteiro comemoram a ressurreição do Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


DUAS CATEGORIAS DE PROVAS

 

Um escritor conhecido referiu-se à ressurreição de Cristo como “o maior milagre e o mais glorioso fato da história”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1979, p. 676; grifo nosso.)
Os milagres são “manifestações de poder divino ou espiritual”. [Bible Dictionary, (Dicionário Bíblico), p. 732.] Eles não são truques ou ações arquitetados por homens espertos. São atos realizados por indivíduos com poderes superiores aos dos mortais. O que poderia ser mais grandioso do que deitar o corpo de alguém na morte e resgatá-lo em um estado ressurreto, como fez Jesus? Somente através do uso de poderes divinos e por meio da graça de Deus poderia esta maravilha ocorrer.
E o que acontece à afirmação de que a ressurreição foi o “acontecimento mais glorioso da história?” A realidade da Ressurreição pode ser dividida em duas categorias ou classes. Uma é a grande multidão de testemunhas que viram o Cristo ressurreto; a outra é um exército de pessoas que crêem, tanto do passado como do presente, que na força de testemunhos pessoais declaram com convicção: “A sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo” (Mosiah 16:8). Ambas as categorias são importantes e dignas de atenção.

Uma Multidão de Testemunhas

 

Está registrado em Atos dos Apóstolos: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao Reino de Deus”. (Atos 1:3; grifo nosso.)
Incluídos na multidão de testemunhas ou entre as “evidências infalíveis” estão as centenas de seguidores que viram o Senhor ressurreto em múltiplas ocasiões.
  • “Apareceu primeiramente a Maria Madalena”. (Marcos 16:9.) Ela o viu e ouviu-lhe a voz.
  • Apareceu a Joana, Maria (mãe de Tiago) “e outras que com elas estavam”. (Lucas 24:10.) Elas “abraçaram os seus pés, e o adoraram”. (Mateus 28:9.)
  • Apareceu a Pedro—aquele que o negou três vezes. (Ver Lucas 24:34.)
  • Apareceu a dois discípulos quando iam a caminho do campo. (Ver Lucas 24:13-32.)
  • Apareceu a seus amados apóstolos pelo menos quatro vezes.
  • Foi visto após a crucificação, “uma vez por mais de quinhentos irmãos” (I Cor. 15:6), segundo o registro de Paulo.
  • Além disso, “e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”. (Mateus 27:52-53.)
Além dessas testemunhas, ainda havia os céticos. Alguns referiram-se às palavras das mulheres “como desvario”. (Lucas 24:11.) Jesus repreendeu os dois discípulos, dizendo: “Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (Lucas 24:25.) E repreendeu alguns “por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado”. (Marcos 16:14.)
Imaginamos como é possível alguém duvidar da realidade da ressurreição após ter lido os vários relatos de Sua aparição às mulheres, aos discípulos e aos apóstolos. Que prova maior poderia alguém exigir do que a documentação do acontecido apresentada em escritos sagrados?
Há mais ainda, João escreveu: “O testemunho de dois homens é verdadeiro”. (João 8:17.) Se esta afirmação é válida, certamente o testemunho de Cristo haver escapado do túmulo, fornecido por uma segunda nação, não deve ser ignorado. Refiro-me, naturalmente, ao registro do Livro de Mórmon a respeito das aparições de Cristo, após Sua morte, no hemisfério ocidental.
Próximo ao templo, na terra de Abundância, cerca de 2.500 pessoas ouviram uma voz suave e penetrante declarar: “Eis aqui meu Filho Bem Amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome—A Ele deveis ouvir”. (3 Néfi 11:7.) Espantados, eles experimentaram uma mudança no coração ao ouvir Deus, o Pai Eterno, apresentar o Filho Unigênito—Sua maneira de transmitir os dons da imortalidade e vida eterna a todos os Seus filhos (João 3:16).
A multidão viu um homem descer dos céus. Ouviram-no anunciar, “Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas”. (3 Néfi 11:10.) Em seguida, convidou o povo a se aproximar um a um para ver com os próprios olhos e sentir com as próprias mãos as marcas dos cravos em Suas mãos e em Seus pés. (Ver 3 Néfi 11:14-17.)
Uma multidão de pessoas em dois continentes foi testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, pode-se dizer, a respeito deste glorioso acontecimento da história, que: “A ressurreição ( . . . ) é comprovada por evidência mais conclusiva que aquela sobre a qual repousa nossa aceitação dos fatos históricos em geral”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, p. 676.)

Testemunhos Pessoais

 

“Evidências infalíveis” de assuntos espirituais, como as da ressurreição de Cristo, não são feitas pela mão; são sentidas no coração. Não são vistas a olho nu; são vistas pelos “olhos da fé”. (Éter 12:19.) Tampouco são estabelecidas pelo toque de um dedo. A realidade dos assuntos espirituais é confirmada por sentimentos despertados pelas palavras de Deus, faladas ou escritas. (Ver 1 Néfi 17:45.) Digo isso porque “o Espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala das coisas como realmente são e como realmente serão”. (Jacó 4:13.) O Espírito Santo lida com a realidade, não com acontecimentos fantasiosos.
Lembrai-vos de que os dois discípulos que caminharam e conversaram com Cristo na estrada para Emaús não o reconheceram a princípio. Mais tarde, porém, “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram”, quando refletiram: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as escrituras?” (Lucas 24:31-32.)
Lembrai-vos também de que Jesus disse a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente ( . . . ) Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:27, 29.)
Nossos “olhos da fé” serão também abertos e saberemos com certeza que Ele vive e que viveremos com Ele novamente, se crermos e aceitarmos o convite divino: “Anda comigo”. (Ver Moisés 6:34.)
  • Sim, andamos com ele no deserto e sentimos sua presença ao jejuar, orar e resistir às tentações.
  • Andamos com ele até o poço de Jacó e nosso coração arde quando estudamos as escrituras e bebemos da água da vida.
  • Andamos com ele até a Galiléia, quando ensinamos e vivemos a verdade.
  • Andamos com ele até o Getsêmani, quando tomamos sobre nós as cargas de outros.
  • Caminhamos com ele até o Calvário, quando tomamos nossa cruz e renegamo-nos a tudo que não for divino e a todo desejo mundano. (Ver Mateus 16:26.)
  • Sofremos com ele no Gólgota quando sacrificamos tempo, talentos e meios para a edificação do reino de Deus.
  • Ressuscitamos com ele para uma nova vida ao procurarmos um renascimento espiritual e esforçarmo-nos por tornar-nos Seus filhos e filhas.
E, no processo de seguir Seus passos (ver I Pedro 2:21), obtemos a convicção pessoal ou a evidência infalível de que Ele vive, que é o Filho do Deus vivo e é nosso Redentor.

Conclusão

 

Não posso voltar àquela velhinha gentil na cadeira de rodas que implorava: “Posso morrer?” Ela já atravessou a ponte entre a terra e o céu—a ponte a que chamamos morte. Ela sabe agora, melhor que eu, que morrer e viver novamente são verdades estabelecidas e, certamente, sabe que: “A morte, não é um ponto final, mas uma vírgula na história da vida” (Amos John Traver), pois ela voltou para casa e está envolvida pelos braços do amor de Deus. (Ver 2 Néfi 1:15.)
Quer sejamos jovens ou velhos, não devemos ter “temor da morte, graças a [nossa] fé e esperança em Cristo e na ressurreição; portanto, para [nós] a morte foi tragada pela morte de Cristo sobre ela” (ver Alma 27:28). Ele é nosso Redentor; ele é: “a ressurreição e a vida”. (João 11:25.)
Presto solene testemunho de que viveremos novamente! Este testemunho está alicerçado nas palavras de testemunhas oculares e de profetas modernos que viram e ouviram o Deus vivo e o Cristo vivo (ver D&C 76:22-24; PGV 2:17) e em experiências pessoais e sagradas do Espírito acontecidas ao tentar andar com Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Poder Infinito da Esperança

Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
 

Presidente Dieter F. UchtdorfEsperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis.
Meus queridos irmãos e irmãs, que dia glorioso para nós ao testemunharmos o anúncio de cinco novos templos feito pelo nosso amado profeta. Que lindo dia para todos nós!
Quase no final da Segunda Guerra Mundial, meu pai foi convocado pelo exército alemão e enviado para o front ocidental, deixando minha mãe cuidando sozinha da família. Embora eu tivesse apenas três anos de idade, ainda me lembro daquela época de medo e fome. Morávamos na Tchecoslováquia e, a cada dia, a guerra se aproximava e o perigo aumentava.
Finalmente, durante o frio inverno de 1944, minha mãe decidiu fugir para a Alemanha, onde os pais dela moravam. Ela nos reuniu e conseguiu de alguma forma nos colocar em um dos últimos trens de refugiados rumo ao ocidente. Viajar naquela época era perigoso. Onde quer que fôssemos, o som das explosões, os rostos tensos e a fome onipresente nos lembravam de que estávamos em uma zona de guerra.
Ao longo da viagem, o trem parava de vez em quando para obter víveres. Certa noite, durante uma das paradas, mamãe saiu apressadamente do trem para procurar comida para seus quatro filhos. Quando voltou, constatou com horror que o trem e as crianças haviam partido!
Sufocada pela preocupação, ela encheu o coração de preces desesperadas. Procurou freneticamente na enorme e escura estação de trens, atravessando os numerosos trilhos, sem perder as esperanças de que o trem não tivesse partido, apesar das evidências.
Talvez eu nunca venha a saber tudo o que se passou no coração e na mente de minha mãe naquela escura noite enquanto ela procurava seus filhos em uma fria estação ferroviária. Não tenho dúvida de que ela estava aterrorizada. Com certeza lhe passou pela mente que, se não encontrasse o trem, talvez nunca mais visse os filhos novamente. Sei com certeza disto: sua fé sobrepujou o medo e sua esperança sobrepujou o desespero. Ela não era uma mulher que ficaria sentada lamentando a tragédia. Ela agiu. Colocou sua fé e esperança em ação.
Assim, ela correu de trilho em trilho e de trem em trem até finalmente encontrar o nosso. Ele havia sido removido para uma área remota da estação. Lá, finalmente, ela reencontrou os filhos.
Sempre penso naquela noite e no que minha mãe deve ter passado. Se o tempo pudesse retroceder e eu me sentasse ao lado dela, perguntaria como conseguiu ir em frente apesar de todos os temores. Indagaria sobre fé e esperança e como ela sobrepujou o desespero.
Sei que isso é impossível, então, talvez hoje eu possa sentar-me ao lado de vocês ou ao lado de alguém que esteja desanimado, preocupado ou solitário. Hoje, quero falar-lhes a respeito do infinito poder da esperança.

A Importância da Esperança

A esperança é uma das pernas de um banco de três pernas, ao lado da fé e da caridade. Essas três pernas estabilizam nossa vida, qualquer que seja a aspereza ou a irregularidade das superfícies que encontrarmos na ocasião. As escrituras são claras e diretas sobre a importância da esperança. O Apóstolo Paulo ensinou que as escrituras foram escritas para que “tenhamos esperança”.1
A esperança tem o poder de preencher nossa vida com felicidade.2 Sua ausência — quando esse desejo de nosso coração é adiado — pode fazer “[desfalecer] o coração”.3
A esperança é um dom do Espírito:4 esperança de que, por meio da Expiação de Cristo e pelo poder de Sua Ressurreição, seremos elevados à vida eterna, devido a nossa fé no Salvador.5 Esse tipo de esperança é tanto um princípio com promessa quanto um mandamento6 e, como com todos os mandamentos, temos a responsabilidade de torná-la uma parte ativa em nossa vida e vencer a tentação de perder a esperança. A esperança no misericordioso plano de felicidade de nosso Pai Celestial leva à paz,7 à misericórdia,8 ao regozijo9 e à alegria.10 A esperança na salvação é como um capacete11 protetor; é o fundamento de nossa fé12 e uma âncora para nossa alma.13
Morôni, em sua solidão — mesmo depois de testemunhar a completa destruição de seu povo — acreditava na esperança. No crepúsculo da nação nefita, Morôni escreveu que, sem esperança, não podemos receber uma herança no reino de Deus.14

Mas Por Que Então Existe o Desespero?

As escrituras dizem que deve haver “oposição em todas as coisas”.15 Assim é com a fé, a esperança e a caridade. A dúvida, o desespero e o fracasso em cuidar do próximo levam-nos à tentação que nos pode fazer perder bênçãos especiais e preciosas.
O adversário usa o desespero para enlaçar nosso coração e nossa mente em sufocante escuridão. O desespero suga de nós tudo o que é vibrante e alegre e deixa um rastro de restos vazios daquilo que deveria ser a vida. O desespero aniquila a ambição, traz doenças, polui a alma e faz desfalecer o coração. O desespero pode ser comparado a uma escada que leva sempre e somente para baixo.
A esperança, por outro lado, é como um raio de sol que se ergue acima do horizonte de nossas condições atuais. Ela penetra a escuridão e traz um brilhante amanhecer. Ela nos estimula e inspira a colocar nossa confiança nos ternos braços do eterno Pai Celestial, que preparou um caminho para aqueles que buscam a verdade eterna em um mundo de relativismo, confusão e medo.

O Que É, Então, a Esperança?

As complexidades dos idiomas oferecem muitas variações e intensidades para a palavra esperança. Por exemplo, o bebê que engatinha pode esperar ganhar um telefone de brinquedo; o adolescente, o telefonema de um amigo especial; e o adulto pode apenas esperar que o telefone pare de tocar.
Quero falar hoje sobre a esperança que transcende o trivial e se concentra na Esperança de Israel,16 a grande esperança da humanidade, o nosso Redentor, Jesus Cristo.
Esperança não é conhecimento,17 mas sim confiança imutável de que o Senhor cumprirá Suas promessas a nós; é a confiança de que, se vivermos de acordo com as leis de Deus e com a palavra de Seus profetas, agora, receberemos no futuro as bênçãos desejadas.18 É crer e esperar que nossas orações serão respondidas. Ela se manifesta na confiança, no otimismo, no entusiasmo e na paciente perseverança.
Na linguagem do evangelho, essa esperança é segura, inabalável e ativa. Os profetas antigos falam de uma “firme esperança”19 e de uma “viva esperança”.20 É uma esperança que glorifica a Deus por meio de boas obras. Com a esperança, vêm a alegria e a felicidade.21 Com a esperança, podemos “ter paciência e suportar todas as nossas aflições”.22

Coisas pelas quais Esperamos Após Esta Vida e Coisas pelas quais Esperamos Nesta Vida

As coisas pelas quais esperamos são, em geral, eventos futuros. Quem nos dera ver além do horizonte da mortalidade e enxergar o que nos aguarda após esta vida! É possível imaginar um futuro mais glorioso do que aquele preparado para nós por nosso Pai Celestial? Por causa do sacrifício de Jesus Cristo, não precisamos temer, pois viveremos para sempre, para nunca mais provar a morte.23 Por causa de Sua Expiação infinita, podemos ser limpos do pecado e ficar puros e santos diante do julgamento.24 O Salvador é o Autor da Salvação.25
E qual é o tipo de existência pela qual esperamos após esta vida? Os que vêm a Cristo, arrependem-se de seus pecados e têm fé, viverão para sempre em paz. Pensem no valor desse dom eterno: rodeados pelos que amamos, conheceremos o significado da alegria suprema enquanto progredimos em conhecimento e felicidade. Por mais frio que este capítulo de nossa vida pareça hoje, podemos, devido à vida e ao sacrifício de Jesus Cristo, ter esperança e certeza de que o final do livro de nossa vida excederá nossas mais ambiciosas expectativas. “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.26
As coisas que esperamos nesta vida nos sustêm na vida diária. Elas nos amparam em nossas provações, tentações e tristezas. Todos nós já enfrentamos desânimo e dificuldades. De fato, há momentos em que a escuridão parece insuportável. É nesses momentos que os princípios divinos do evangelho restaurado em que temos esperança podem nos suster e nos carregar até que, mais uma vez, andemos na luz.
Esperamos em Jesus Cristo, na bondade de Deus, nas manifestações do Espírito Santo, no conhecimento de que as orações são ouvidas e respondidas. Por Deus ter sido fiel e cumprido Suas promessas no passado, podemos esperar, confiantes, que Deus cumprirá Suas promessas também no presente e no futuro. Em épocas de aflição, podemos agarrar-nos firmemente à esperança de que as coisas “contribuirão para o [nosso] bem”27, se seguirmos o conselho dos profetas de Deus. Esse tipo de esperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis e dá força àqueles que se sentem ameaçados pelas terríveis correntes do medo, da dúvida e do desespero.

A Esperança Leva a Boas Obras

Aprendemos a cultivar a esperança da mesma maneira que aprendemos a caminhar: um passo de cada vez. Quando estudamos as escrituras, quando conversamos com o Pai Celestial diariamente, e quando nos comprometemos a cumprir os mandamentos de Deus, como a Palavra de Sabedoria e a pagar o dízimo integral, obtemos esperança.28 Desenvolvemos nossa habilidade de “[abundar] em esperança, pela virtude do Espírito Santo”29 ao viver o evangelho “mais perfeitamente”.
Pode haver ocasiões nas quais devemos tomar uma corajosa decisão de ter esperança, mesmo quando tudo ao nosso redor contradiz essa esperança. Como o Patriarca Abraão, teremos “esperança contra a esperança”.30 Ou, como expressou certo autor: “em meio ao pior inverno, [encontramos] dentro de [nós] um verão invencível”.31
Fé, esperança e caridade completam-se mutuamente e, quando uma cresce, as outras também se desenvolvem. A esperança vem da fé32, pois, sem fé não existe a esperança.33 Semelhantemente, a fé vem da esperança, pois a fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam”.34
A esperança é essencial tanto para a fé quanto para a caridade. Quando a desobediência, a frustração e a procrastinação corroem a fé, a esperança lá está para reerguê-la. Quando a frustração e a impaciência ameaçam a caridade, a esperança toma nossa resolução e insta conosco para cuidarmos do próximo, mesmo sem esperar recompensa. Quanto mais brilhante a nossa esperança, maior a nossa fé. Quanto mais forte a nossa esperança, mais pura a nossa caridade.
As coisas pelas quais esperamos após esta vida nos levam à fé, enquanto as coisas que esperamos nesta vida nos levam à caridade. As três qualidades — fé, esperança e caridade35 — em conjunto, alicerçadas na verdade e luz do evangelho restaurado de Jesus Cristo, levam-nos à abundância de boas obras.36

A Esperança com Base na Experiência Pessoal

Toda vez que a esperança se concretiza, surge a confiança que leva a maior esperança. Lembro-me de muitos exemplos em minha vida que me ensinaram o poder da esperança. Lembro-me bem os dias de minha infância, cercado pelos horrores e pelo desespero de uma guerra mundial, da falta de oportunidades educacionais, da vida ameaçada por doenças na juventude, e das experiências financeiras difíceis e desanimadoras como refugiado. O exemplo de nossa mãe, mesmo nas piores ocasiões, de ir em frente, colocando a fé e a esperança em ação – e não só lamentando e sonhando, susteve nossa família e a mim, e deu-nos confiança de que as circunstâncias do presente conduziriam a bênçãos futuras.
Sei, com base nessas experiências, que o evangelho de Jesus Cristo e o fato de ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fortalecem a nossa fé, oferecem uma viva esperança e levam à caridade.
A esperança nos sustém em épocas de desespero. A esperança nos ensina que há razões para regozijar-nos, mesmo quando tudo são trevas ao redor.
Como Jeremias, proclamo: “Bendito o homem (…) cuja confiança é o Senhor”.37
Como Joel, testifico que “o Senhor [é] o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel”.38
Como Néfi, declaro: “[prossegui] com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e [perseverando] até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna”.39
Essa é a qualidade da esperança que devemos acalentar e desenvolver. Uma esperança tão madura vem do Salvador Jesus Cristo e por meio Dele, pois todo aquele que tem essa esperança Nele purifica-se a si mesmo, mesmo como o Salvador é puro.40
O Senhor nos deu uma revigorante mensagem de esperança: “Não temais, pequeno rebanho”.41 Deus esperará de “braços abertos para receber”42 os que abandonarem seus pecados e continuarem em fé, esperança e caridade.
E a todos os que sofrem — os que se sentem desanimados, preocupados e solitários — digo com amor e profunda preocupação por vocês: nunca desistam.
Nunca se entreguem.
Nunca deixem que o desespero sobrepuje seu espírito.
Abracem a Esperança de Israel e Nele confiem, pois o amor do Filho de Deus vence a escuridão, suaviza a tristeza e alegra cada coração.
Disso eu testifico, e deixo-lhes minha bênção, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"O Coração e uma Mente Solícita"

Élder James M. Paramore
Dos Setenta

Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.

Cumprimento o sacerdócio da Igreja aqui na Terra. É uma honra estar em sua presença nesta noite. O sacerdócio que aqui se encontra e por toda a Terra é algo maravilhoso. Há poucos meses, eu estava no saguão principal do Edifício de Administração da Igreja, esperando o elevador, quando três homens entraram e perguntaram à recepcionista do balcão de entrada: "É aqui que trabalham os irmãos?" A recepcionista sorriu, e eu pensei: "Que grande cumprimento!"
Aonde quer que formos, somos irmãos. É algo imediato e reconfortante. Volto para casa depois de cada designação agradecendo a Deus pela fraternidade, amor e boas obras que posso testemunhar. Vocês são incríveis, meus amigos.
Portadores do sacerdócio, lembro-me de uma história a respeito de uma professora que perguntou à classe que voltava das férias o que o pai de cada um havia-lhe ensinado a respeito da auto-suficiência durante as férias de verão. Depois de vários relatos terem sido feitos, ela perguntou ao Joãozinho o que seu pai havia feito. E o Joãozinho respondeu: "Meu pai ensinou-me a nadar; ele levou-me para o meio do lago Utah, jogou-me dentro da água e mandou que eu voltasse para a margem nadando". "Puxa", disse a professora, "que coragem". E o Joãozinho respondeu: "Não foi muito difícil, depois que consegui sair de dentro do saco de pano em que meu pai havia-me colocado". Bem, meus jovens amigos, a vida será difícil, mas nosso Pai Celestial deu-nos os meios pelos quais conseguiremos seguir por ela em segurança. Quero falar um pouco a esse respeito.
O Senhor deseja que vocês tenham a maior das experiências ao realizarem a sua jornada aqui na Terra. Esta pode ser uma jornada magnífica, literalmente repleta de milhares de experiências incríveis e confirmações espirituais, se vocês encontrarem o caminho certo em meio às muitas escolhas que terão durante o percurso. A estrada que o Pai Celestial lhes deu está claramente indicada, mas os padrões e os caminhos do mundo podem enganá-los. Lembrem-se, porém: "( . . . ) Sois a geração eleita, o sacerdócio real ( . . . )". (I Pedro 2:9) Vocês são o meio pelo qual a verdade, a virtude e a vida eterna serão levadas ao conhecimento do mundo. Somos todos parte disso. Conforme o Senhor disse ao Profeta Joseph Smith em 1831, todos precisamos do "coração e uma mente solícita". (D&C 64:34)
Jovens, a vida é eterna. O Senhor Jesus Cristo e Seus servos dão esperança e testemunho ao mundo de que, nesta jornada, saímos da presença de nosso Pai para vir à Terra e voltaremos a nosso lar para viver eternamente com o Pai Celestial. Todos prestamos testemunho dessa boa nova ao mundo. É a mensagem divina sobre uma vida e um relacionamento eternos, sim o casamento e a família eternos. Nada supera seu significado, valor e promessa.
Com esse conhecimento e amor, podemos ajudar a transformar as esperanças e sonhos das pessoas e ajudá-las a encontrar verdades eternas e a paz interior e segurança que elas proporcionam.
Vejam o exemplo de meu amigo Bob e os cuidados e o zelo que dispensou a um élder que fumava. Quase todas as manhãs, ele se encontrava com um companheiro de seu quórum e orava com ele para que conseguisse vencer o vício do fumo e depois dava-lhe um pacote de balas ou goma de mascar para ajudá-lo durante o dia. Mais tarde, Bob veria aquele homem e a esposa de mãos dadas sobre o altar do templo, sendo selados para toda a eternidade. O que foi que ocasionou essa mudança e ajudou a realizar tudo isso? O evangelho e "o coração e uma mente solícita".
Meus jovens, gostaria de deixar-lhes alguns pensamentos que os ajudarão a ter "o coração e uma mente solícita". Em primeiro lugar, testificamos a este mundo que existe um Deus e Ele enviou Seu Filho Amado para ensinar a importância desta jornada para a Terra e de volta a Ele. Ele proporcionou um plano para que essa jornada seja bem-sucedida. Precisamos apenas do seguinte:"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento". (Provérbios 3:5) Sempre existirão as filosofias dos homens, mas elas não têm em si a promessa de vida eterna ou sequer de paz neste mundo. Depositem toda a sua confiança no Senhor. Suas escrituras e profetas testificam a respeito Dele e mostram o caminho.
Em segundo lugar, Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, estabeleceu limites, que são os mandamentos que Ele nos deu para ajudar-nos a fazer a jornada em segurança. Quando com "o coração e a mente solícita", obedecemos a esses mandamentos, passamos por um processo de transformação que altera nosso modo de pensar, nossos sentimentos, nosso modo de vestir, nosso estilo de vida, o que comemos e bebemos e o modo pelo qual servimos as outras pessoas. Conforme Alma, o filho, disse:"E tornam-se, assim, novas criaturas". (Mosias 27:26) Esses limites nos protegem. Eles são essenciais à segurança de nossa jornada.
Quando eu tinha cinco anos de idade, minha mãe ajudava-me a aprender a respeito desses limites, dizendo-me quase todos os dias: "Jimmy, não chegue perto da areia movediça", que ficava a algumas centenas de metros de nossa casa. Bem, advinhem o que Jimmy e seus amiguinhos fizeram? Foram até lá. Quando nos aproximamos da areia movediça, um de meus amigos caminhou até aquele trecho que parecia um pouco mais escuro e úmido. Quase não havia diferença do restante da areia. A princípio seus pés não se moveram, e todos rimos. Então, eles começaram a afundar na areia movediça, e ele entrou em pânico. Não conseguia sair da areia movediça e começou a gritar. Corremos o mais rápido que conseguimos até a casa de um vaqueiro, gritando o mais alto que podíamos. Ele imediatamente apanhou um laço e correu conosco de volta até onde estava o menino, já atolado até a cintura na areia movediça. Ele rapidamente laçou o menino, e nós seguramos a corda, enquanto o vaqueiro posicionava uma tora, na qual subiu para puxar o menino para fora da areia movediça.
Aprendemos que quando cruzamos os limites estabelecidos pelo Senhor, freqüentemente nos encontramos em um tipo de areia movediça. Os caminhos do mundo freqüentemente são semelhantes à areia movediça e podem ser destrutivos. Eles procuram desviar-nos dos limites do Senhor: os Seus mandamentos. Esses caminhos do mundo (drogas, bebidas, fumo, coabitação sem casamento, certas músicas, etc.):

  • parecem muito convidativos;
  • aparentam ser a maneira normal de fazer as coisas;
  • parecem ser aceitos por todos; e
  • são exaltados na televisão, no cinema, na Internet, nas fitas de vídeo, etc. Essas coisas levam-nos para além dos limites estabelecidos pelo Senhor. Se forem seguidas, causam desespero e devastadores problemas de saúde, financeiros e outros tipos de dificuldades.
    Os limites estabelecidos pelo Senhor estão explicados no folheto Para o Vigor da Juventude, são claros e constituem uma grande bênção para todos os que os seguem. Saímos pelo mundo, como missionários e membros, para ajudar as pessoas a encontrar e valorizar os mandamentos ou limites do Senhor. Se isso for feito com "o coração e uma mente solícita" ou, em outras palavras, com avidez, alegria e entusiasmo, da mesma forma que o Presidente Hinckley viaja por todo o mundo, irá tornar-nos diferentes e gratos por toda oportunidade que encontrarmos.
    Em terceiro lugar, os jovens, e também os mais velhos, devem começar com o resultado final em mente. Onde vocês querem estar quando tiverem 19 anos de idade ou quando se aposentarem? Na missão? Tomem a decisão hoje mesmo. Prometo que ela mudará sua vida e a de outros, à medida que Deus os conduzir em sua missão. Tudo o que Ele pede é "o coração e uma mente solícita". Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.
    Em uma reunião de testemunhos na Itália, podem imaginar minha surpresa quando um jovem levantou-se e disse: "Se não fosse pelo senhor, Élder Paramore, eu não estaria aqui hoje". Ele passou então a contar como sua mãe e seus avós tinham sido encontrados em Paris, França, pelos élderes Ben Walton e James Paramore, trinta anos antes. Depois de realizarem muitas reuniões, a família foi batizada. Hoje o filho está na missão. Posteriormente descobri que ao longo dos anos mais de 170 pessoas haviam sido batizadas por essa família. Eu tive o privilégio de servir uma missão e aqueles dois anos e meio foram fundamentais para o meu testemunho. Não tenho palavras para agradecer a Deus por isso.
    Testifico que Deus vive, que Seu Filho é o Redentor desta Terra, e que este evangelho abençoará toda a humanidade em todo o mundo. Que possamos todos:
  • Confiar em Deus e em Seu Filho;
  • Viver dentro dos limites que Eles estabeleceram para nós; e
  • Começar com o resultado final em mente, com "o coração e uma mente solícita". Lembrem-se de que o Senhor disse: "( . . . ) Porque aos que me honram honrarei ( . . . )". (I Samuel 2:30) Que essa seja nossa jornada, em nome de Jesus Cristo. Amém.

  •  

    sexta-feira, 18 de novembro de 2011

    O Perfeito Amor Lança Fora o Temor


    L.Tom Perry
    Do Quorum dos Doze Apóstolos

    Se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante

    Presidente Monson, ficamos felizes com a boa notícia desses novos templos. Em especial, para os muitos, muitos parentes que tenho no Estado do Wyoming.
    No mundo inteiro, quando um novo templo é construído, a Igreja faz algo que é uma tradição bastante comum nos Estados Unidos e no Canadá — uma visitação pública. Nas semanas que antecedem a dedicação de um novo templo, abrimos suas portas e convidamos os líderes governamentais e religiosos locais, os membros locais da Igreja e pessoas de outras religiões a virem e visitarem nosso templo recém-construído.
    São eventos maravilhosos que ajudam as pessoas que não conhecem a Igreja a saber um pouco mais a respeito dela. Quase todos os que visitam um templo novo se maravilham com sua beleza, tanto por dentro quanto por fora. Ficam impressionados com o esmero e a atenção dados a cada detalhe do templo. Além disso, muitos visitantes sentem algo especial ao visitar um templo antes da dedicação. Essas são reações comuns daqueles que participam da visitação pública, mas não é a mais comum. O que mais impressiona os visitantes, acima de tudo, são os membros da Igreja que eles encontram nessas visitações públicas. Eles saem dali com uma impressão indelével de seus anfitriões, os santos dos últimos dias.
    No mundo inteiro, a Igreja está recebendo, hoje, mais atenção do que jamais teve. A mídia escreve ou fala a respeito da Igreja todos os dias, relatando suas muitas atividades. Muitos dos canais de imprensa mais importantes dos Estados Unidos falam regularmente a respeito da Igreja ou de seus membros. Essa atenção se verifica igualmente no mundo inteiro.
    A Igreja também atrai a atenção das pessoas na Internet que, como sabem, mudou drasticamente o modo como essas pessoas compartilham informações. A qualquer hora do dia, no mundo inteiro, a Igreja e seus ensinamentos estão sendo discutidos na Internet, em blogs e redes sociais, por pessoas que nunca escreveram para um jornal ou revista. As pessoas fazem vídeos e os compartilham pela Internet. São pessoas comuns — tanto membros da Igreja quanto pessoas de outra religião — que falam sobre a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
    A mudança na maneira pela qual nos comunicamos explica em parte por que nós, “mórmons”, estamos mais em destaque do que nunca. Por outro lado, a Igreja está sempre crescendo e progredindo. Um número maior de pessoas tem membros da Igreja como vizinhos e amigos, e há membros preeminentes da Igreja no governo, nos negócios, na indústria de entretenimento, na educação e em tudo o mais, pelo que parece. Até aqueles que não são membros da Igreja notaram isso, e se perguntam o que está acontecendo. É maravilhoso que haja agora tantas pessoas cientes da Igreja e dos santos dos últimos dias.
    Embora a Igreja esteja tornando-se mais visível, ainda há muitas pessoas que não a compreendem. Alguns foram ensinados a suspeitar da Igreja e agem com base em estereótipos negativos sobre a Igreja, sem questionar sua fonte ou validade. Também há muita informação falsa e confusão a respeito da Igreja e do que ela prega. Isso tem acontecido desde a época do Profeta Joseph Smith.
    Joseph Smith escreveu sua história, em parte, “para elucidar a mente pública e apresentar, aos que buscam a verdade, os fatos tal como sucederam” (Joseph Smith—História 1:1). É verdade que sempre haverá aqueles que distorcem a verdade e deliberadamente deturpam os ensinamentos da Igreja. Mas, a maioria dos que têm perguntas sobre a Igreja simplesmente querem compreender. Essas pessoas de mente aberta têm genuína curiosidade a nosso respeito.
    A crescente visibilidade e reputação da Igreja oferecem uma extraordinária oportunidade para nós, membros. Podemos ajudar “a elucidar a mente pública” e corrigir informações incorretas quando somos retratados como algo que não somos. Mais importante, porém, é que podemos partilhar quem somos.
    Há uma série de coisas que podemos fazer — que vocês podem fazer — para melhorar o entendimento que as pessoas têm da Igreja. Se fizermos isso com o mesmo espírito e nos comportarmos da mesma forma que fazemos quando trabalhamos em uma visitação pública, nossos amigos e vizinhos vão passar a nos entender melhor. Suas suspeitas se desfarão, os estereótipos negativos desaparecerão, e eles começarão a compreender a Igreja como ela realmente é.
    Gostaria de sugerir algumas coisas que todos podemos fazer.
    Primeiro, precisamos ser destemidos em nossas declarações a respeito de Jesus Cristo. Queremos que as pessoas saibam que acreditamos que Ele é a figura central de toda a história humana. Sua vida e seus ensinamentos são o ponto central da Bíblia e de outros livros que consideramos escrituras sagradas. O Velho Testamento prepara o caminho para o ministério mortal de Cristo. O Novo Testamento descreve Seu ministério mortal. O Livro de Mórmon nos dá um segundo testemunho de Seu ministério mortal. Ele veio à Terra para declarar Seu evangelho como um fundamento para toda a humanidade, de modo que todos os filhos de Deus possam aprender a respeito Dele e seguir Seus ensinamentos. Depois, Ele deu a vida para ser nosso Salvador e Redentor. Somente por intermédio de Jesus Cristo é que nossa salvação é possível. É por isso que cremos que Ele é a figura central de toda a história da humanidade. Nosso destino eterno está sempre em Suas mãos. É uma coisa gloriosa acreditar Nele e aceitá-Lo como nosso Salvador, nosso Senhor e nosso Mestre.
    Também acreditamos que somente por intermédio de Cristo podemos encontrar a maior felicidade, esperança e alegria — tanto nesta vida quanto nas eternidades. Nossa doutrina, conforme ensinada no Livro de Mórmon, declara enfaticamente: “Deveis, pois, prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e perseverardes até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna” (2 Néfi 31:20).
    Declaramos nossa crença em Jesus Cristo e O aceitamos como nosso Salvador. Ele vai abençoar-nos e guiar-nos em todos os nossos esforços. Em nosso labor aqui na mortalidade, Ele vai fortalecer-nos e dar-nos paz nos momentos de provação. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivem pela fé Nele, a Quem esta Igreja pertence.
    Segundo, sejam um exemplo justo para as pessoas. Depois de declarar nossas crenças, precisamos seguir o conselho dado em I Timóteo 4:12: “Mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
    O Salvador ensinou a respeito da importância de sermos um exemplo de nossa fé ao dizer: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).
    Nossa vida deve ser um exemplo de bondade e virtude, ao procurarmos imitar Seu exemplo diante do mundo. As boas obras de cada um de nós dão crédito tanto ao Salvador quanto a Sua Igreja. Ao empenhar-nos em fazer o bem, em ser homens e mulheres honrados e íntegros, a Luz de Cristo se refletirá em nossa vida.
    Em seguida, falem a respeito da Igreja. No curso de nossa vida cotidiana, somos abençoados com muitas oportunidades de compartilhar nossas crenças com as pessoas. Quando nossos colegas e amigos fazem perguntas sobre nossas crenças religiosas, eles estão nos convidando a compartilhar quem somos e as coisas em que acreditamos. Eles podem ou não estar interessados na Igreja, mas estão interessados em conhecer-nos mais profundamente.
    Minha recomendação para vocês é que aceitem seu convite. Seus conhecidos não os estão convidando a ensinar, pregar, expor ou exortar. Dialoguem com eles — compartilhem algo sobre suas crenças religiosas, mas também perguntem a respeito das crenças deles. Avaliem o nível de interesse deles pelas perguntas que fazem. Se fizerem muitas perguntas, concentrem a conversa nas respostas às dúvidas que eles tiverem. Lembrem sempre, é melhor eles perguntarem do que vocês falarem.
    Alguns membros parecem que querem manter o fato de serem membros da Igreja em segredo. Eles têm seus motivos. Podem acreditar, por exemplo, que não lhes cabe compartilhar suas crenças. Talvez tenham medo de cometer um erro ou ouvir uma pergunta que não saibam responder. Se esse pensamento já lhes passou pela cabeça, tenho alguns conselhos para vocês. Simplesmente lembrem-se das palavras de João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18). Se simplesmente amarmos a Deus e a nossos semelhantes, foi-nos prometido que venceremos nosso temor.
    Se vocês visitaram recentemente o site Mormon.org , que é o site da Igreja para pessoas interessadas em conhecer a Igreja, verão membros que publicaram informações sobre eles mesmos. Eles criam perfis na Internet que explicam quem são e por que suas crenças religiosas são importantes para eles. Falam a respeito de sua fé.
    Devemos abordar essas conversas com um amor semelhante ao de Cristo. Nosso tom, seja falando ou escrevendo, deve ser respeitoso e educado, independentemente da resposta das pessoas. Devemos ser honestos e abertos e tentar ser claros no que dizemos. Não queremos ficar na defensiva nem ter desentendimentos de qualquer forma.
    O Apóstolo Pedro explicou: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pedro 1:15).
    A “maneira de conversar” de hoje parece envolver cada vez mais a Internet. Incentivamos as pessoas, jovens e idosos, a usar a Internet e a mídia social para estender a mão e compartilhar nossas crenças religiosas.
    Ao utilizarem a Internet vocês podem deparar-se com trocas de ideias a respeito da Igreja. Quando orientados pelo Espírito, não hesitem em participar dessas conversas.
    A mensagem do evangelho de Jesus Cristo é diferente de qualquer outra coisa que você vai compartilhar com as pessoas. Na era da informação, é a mais valiosa de todas as informações do mundo. Não há dúvida quanto a seu valor. É uma pérola de grande valor (ver Mateus 13:46).
    Ao falar sobre a Igreja, não procuramos fazê-la parecer melhor do que ela é. Não precisamos fazer propaganda de nossa mensagem. Precisamos comunicar a mensagem de modo honesto e direto. Se abrirmos os canais de comunicação, a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo por si só vai ser uma prova para os que estiverem preparados para recebê-la.
    Às vezes há uma grande diferença — um vácuo de compreensão — entre o modo como vivenciamos a Igreja estando dentro dela e o modo como as pessoas a veem estando fora dela. Esse é o principal motivo pelo qual realizamos uma visitação pública antes que cada novo templo seja dedicado. Os membros voluntários que trabalham na visitação pública simplesmente procuram ajudar as pessoas a ver a Igreja como eles a veem, estando dentro dela. Eles reconhecem que a Igreja é uma obra maravilhosa, e querem que as pessoas saibam disso também. Peço que cada um de vocês faça o mesmo.
    Prometo que se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante, porque “o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18).
    Esta é uma época de oportunidades cada vez maiores para compartilhar o evangelho de Jesus Cristo com as pessoas. Que nos preparemos para aproveitar as oportunidades que nos são dadas para compartilhar nossas crenças, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

    segunda-feira, 7 de novembro de 2011

    CONFIAR EM DEUS E ENTÃO, FAZER

    Henry B. Eyring
    Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


    Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.

     Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse. Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades. Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos! Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1 Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2 Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade. Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3 Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna. O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles. Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza. O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato: “Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4 Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio. O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5 Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele. Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7 Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta: “Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8 O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus. Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9 Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso. Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”. No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos. O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida. Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos. Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente. Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava. Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”. Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”. O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial. Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10 Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11 Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo. Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores. Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”. Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo. Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12 Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês. Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

    ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

    O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...