domingo, 12 de agosto de 2012

Seu Potencial, Seu Privilégio


Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

Ao lerem as escrituras e ouvirem as palavras dos profetas com toda mente e de todo coração, o Senhor lhes dirá como viver a plenitude de seus privilégios do sacerdócio.

Era uma vez um homem cujo sonho de sua vida era subir a bordo de um navio de cruzeiro e viajar pelo Mar Mediterrâneo. Ele sonhava em andar pelas ruas de Roma, Atenas e Istambul. Ele economizou cada centavo até juntar o suficiente para sua passagem. Como o dinheiro era escasso, levou consigo uma mala cheia de latas de feijão, caixas de biscoitos e saquinhos de limonada em pó, e era isso que ele consumia todos os dias.
Ele teria adorado participar das muitas atividades oferecidas no navio — exercitar-se na sala de ginástica, jogar mini-golfe e nadar na piscina. Invejava aqueles que iam ao cinema, aos shows e às apresentações culturais. E, oh, como ele ansiava por provar um pouco que fosse da comida incrível que viu no navio — cada refeição parecia um banquete! Mas o homem não queria gastar muito, por isso não participou de nenhuma daquelas coisas. Conseguiu ver as cidades que havia desejado visitar, mas durante a maior parte da viagem, ficou em sua cabine e só consumiu seu parco alimento.
No último dia do cruzeiro, um membro da tripulação perguntou-lhe em qual das festas de despedida ele estaria presente. Foi então que o homem ficou sabendo que não só a festa de despedida, mas quase tudo a bordo do navio de cruzeiro — a comida, o entretenimento, todas as atividades — já estava incluído no preço da sua passagem. O homem percebeu tarde demais que estivera vivendo bem abaixo de seus privilégios.
A questão levantada por essa parábola é: Será que, como portadores do sacerdócio, também estamos vivendo abaixo de nossos privilégios no tocante ao poder sagrado, às dádivas e bênçãos sagradas que são nosso privilégio e direito como portadores do sacerdócio de Deus?

A Glória e a Grandiosidade do Sacerdócio

Todos sabemos que o sacerdócio é muito mais do que somente um nome ou título. O Profeta Joseph Smith ensinou que “o sacerdócio é um princípio eterno e existiu com Deus desde a eternidade (…) por toda a eternidade, sem princípio de dias ou fim de anos”.1 Ele possui “a chave do conhecimento de Deus”.2 Na verdade, por meio do sacerdócio, “manifesta-se o [verdadeiro] poder da divindade”.3
As bênçãos do sacerdócio transcendem nossa capacidade de compreensão. Os fiéis portadores do Sacerdócio de Melquisedeque podem “[tornar-se] (…) os eleitos de Deus”.4 Eles são “santificados pelo Espírito para a renovação do corpo”5 e podem, no final, receber “tudo o que [o] Pai possui”.6 Isso pode ser difícil de compreender, mas é maravilhoso, e testifico que é verdade.
O fato de nosso Pai Celestial ter confiado esse poder e responsabilidade ao homem é uma prova de Seu grande amor por nós e um prenúncio de nosso potencial como filhos de Deus no futuro.
No entanto, muitas vezes nossas ações sugerem que vivemos bem aquém do nosso potencial. Quando questionados sobre o sacerdócio, muitos de nós podem recitar uma definição correta; mas, em nossa vida diária, talvez haja pouca evidência de que nosso entendimento se estenda além do nível de um roteiro ensaiado.
Irmãos, estamos diante de uma escolha. Podemos satisfazer-nos com uma experiência pobre como portadores do sacerdócio, e nos contentar com algo bem aquém de nossas prerrogativas, ou podemos participar de um farto banquete de oportunidades espirituais e de bênçãos abrangentes do sacerdócio.

O que podemos fazer para viver à altura do nosso potencial?

As palavras escritas nas escrituras e proferidas na conferência geral devem, sim, “aplicar-se a nossa vida”,7 e não ser apenas para ler ou ouvir.8 Muitas vezes, participamos de reuniões e fazemos que sim com a cabeça; podemos até sorrir com aprovação e concordar. Anotamos alguns pontos práticos, e podemos dizer a nós mesmos: “Isso é algo que vou fazer”. Mas em algum lugar entre o ato de ouvir, de anotar um lembrete em nosso celular e de realmente agir, o nosso seletor de ações passa da posição “fazer” para a posição “mais tarde”. Irmãos, certifiquemo-nos de girar nosso seletor de “fazer” para a posição “agora”!
Ao lerem as escrituras e ouvirem as palavras dos profetas, com toda mente e de todo coração, o Senhor lhes dirá como viver a plenitude de seus privilégios do sacerdócio. Não deixem passar um dia sequer sem fazer algo para colocar em prática os sussurros do Espírito.

Primeiro: Leiam o Manual do Proprietário

Se você tivesse o computador mais avançado e caro do mundo, será que o usaria apenas como enfeite de mesa? O computador pode parecer impressionante. Pode ter todo tipo de potencial. Mas, só quando estudar o manual do proprietário, aprender a usar os programas e o ligar à tomada é que poderá ter acesso a esse potencial.
O santo sacerdócio de Deus também tem um manual do proprietário. Comprometamo-nos a ler as escrituras e os manuais com mais propósito e mais concentração. Comecemos relendo as seções 20, 84, 107 e 121 de Doutrina e Convênios. Quanto mais estudarmos o propósito, o potencial e a utilização prática do sacerdócio, mais nos surpreenderemos com seu poder, e o Espírito vai-nos ensinar como acessar e usar esse poder para abençoar nossa família, nossa comunidade e a Igreja.
Como povo, justificadamente damos alta prioridade ao aprendizado secular e ao desenvolvimento profissional. Queremos e devemos destacar-nos nas aptidões profissionais e nos estudos. Cumprimento vocês que lutam arduamente para conseguir uma educação e se tornar peritos em seu campo. Convido-os também a tornarem-se especialistas nas doutrinas do evangelho, especialmente a doutrina do sacerdócio.
Vivemos em uma época em que as escrituras e as palavras dos profetas estão mais acessíveis do que em qualquer momento da história do mundo. No entanto, é nosso privilégio, dever e responsabilidade estudar e compreender seus ensinamentos. Os princípios e as doutrinas do sacerdócio são sublimes e grandiosos. Quanto mais estudarmos a doutrina e o potencial e aplicar o objetivo prático do sacerdócio, mais a nossa alma se ampliará, nossa compreensão aumentará, e veremos o que o Senhor reservou para nós.

Segundo: Buscar as Revelações do Espírito

Um testemunho firme de Jesus Cristo e de Seu evangelho restaurado exige mais do que conhecimento — exige revelação pessoal, confirmada pela aplicação sincera e dedicada dos princípios do evangelho. O Profeta Joseph Smith explicou que o sacerdócio é um canal para a revelação: “É o meio pelo qual o Todo-Poderoso começou a revelar Sua glória no princípio da criação desta Terra e o meio pelo qual continuará a revelar-Se aos filhos dos homens até o presente momento”.9
Se não estamos buscando fazer uso desse canal de revelação, estamos vivendo abaixo de nossos privilégios do sacerdócio. Por exemplo, há aqueles que acreditam, mas não sabem que acreditam. Receberam várias respostas por meio da voz mansa e delicada ao longo de muito tempo, mas como essa inspiração parece tão pequena e insignificante, não a reconhecem como realmente é. Como resultado, permitem que dúvidas os impeçam de atingir seu pleno potencial como portadores do sacerdócio.
A revelação e o testemunho nem sempre chegam com força esmagadora. Para muitos, o testemunho chega lentamente, um pouco de cada vez. Às vezes, chega de forma tão gradual que é difícil recordar o momento exato em que soubemos realmente que o evangelho era verdadeiro. O Senhor nos dá “linha sobre linha, preceito sobre preceito, um pouco aqui e um pouco ali”.10
De certa forma, nosso testemunho é como uma bola de neve que cresce a cada vez que rola. Começamos com uma pequena quantidade de luz, mesmo que seja apenas um desejo de acreditar. Gradualmente, “a luz se apega à luz”,11 e “aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito”,12quando, então, “no devido tempo, [receberemos] de sua plenitude”.13
Imaginem que coisa gloriosa seria ultrapassar nossas limitações terrenas, vendo abrir os olhos de nosso entendimento e recebendo luz e conhecimento das fontes celestiais! Temos o privilégio e a oportunidade, como portadores do sacerdócio, de buscar revelações pessoais e aprender a reconhecer a verdade por nós mesmos, por meio do testemunho seguro do Espírito Santo.
Busquemos sinceramente a luz da inspiração pessoal. Roguemos ao Senhor que conceda a nossa mente e alma aquela centelha de fé que nos permitirá receber e reconhecer a divina ministração do Espírito Santo, especificamente para a nossa situação na vida e por nossos desafios e deveres do sacerdócio.

Terceiro: Encontrar Alegria no Serviço do Sacerdócio

Durante minha carreira como piloto de avião, tive a oportunidade de ser oficial de verificação de proficiência e treinamento. Como parte desse trabalho, eu treinava e testava pilotos experientes para garantir que eles tivessem suficiente conhecimento e perícia para pilotar com segurança e eficácia aqueles grandes e magníficos jatos.
Descobri que havia pilotos que, mesmo após muitos anos de carreira profissional, nunca deixaram de sentir a emoção de subir para a atmosfera, “escapando dos laços mal-humorados da Terra para dançar pelos céus com sorridentes asas prateadas”.14 Adoravam o impetuoso sibilo do ar, o rosnar das potentes turbinas, a sensação de ser “um com o vento e um com o céu escuro e as estrelas à frente”.15 Seu entusiasmo era contagiante.
Também havia uns poucos que pareciam estar simplesmente cumprindo a rotina. Tinham aprendido a lidar com os sistemas e a manejar os jatos, mas em algum lugar ao longo do caminho tinham perdido a alegria de voar “onde nenhuma cotovia, ou mesmo uma águia, já voou”.16 Tinham perdido o sentimento de admiração diante de um reluzente nascer do sol e da beleza das criações de Deus ao atravessarem oceanos e continentes. Se cumprissem os requisitos oficiais, eu liberava sua licença, mas ao mesmo tempo sentia pena deles.
Vocês poderiam perguntar a si mesmos se estão apenas cumprindo a rotina como portadores do sacerdócio — fazendo o que é esperado, mas sem sentir a alegria que deveriam ter. O sacerdócio nos oferece muitas oportunidades de sentir a alegria descrita por Amon: “Não temos, portanto, motivo para regozijar-nos? (…) Fomos instrumentos [nas] mãos [do Senhor] para realizar esta grande e maravilhosa obra. Gloriemo-nos, portanto (…) no Senhor; sim, rejubilar-nos-emos”.17
Irmãos, nossa religião é cheia de alegria! Temos a grande bênção de sermos portadores do sacerdócio de Deus! No livro de Salmos, lemos: “Bem-aventurado o povo que conhece o som alegre; andará, ó Senhor, na luz da tua face”.18 Podemos sentir essa grande alegria: basta que a procuremos.
Muitas vezes deixamos de sentir a felicidade decorrente da prática diária do serviço do sacerdócio. Às vezes, nossos encargos podem parecer fardos. Irmãos, que não passemos a vida imersos em três As: afadigados, angustiados e cheios de autopiedade. Vivemos aquém de nossos privilégios quando permitimos que âncoras mundanas nos afastem da alegria abundante que advém do serviço dedicado e fiel no sacerdócio, especialmente dentro da nossa própria casa. Vivemos aquém de nossos privilégios quando deixamos de participar do banquete de felicidade, paz e alegria que Deus concede tão abundantemente aos fiéis servos do sacerdócio.
Rapazes, se o ato de chegar cedo à Igreja para ajudar a preparar o sacramento lhes parecer mais uma tarefa árdua do que uma bênção, convido vocês a pensarem no que essa ordenança sagrada pode significar para um membro da ala que talvez tenha tido uma semana difícil. Irmãos, se seus esforços no ensino familiar parecerem pouco eficazes, convido-os a ver com os olhos da fé o que uma visita de um servo do Senhor poderá fazer por uma família que tem problemas que ninguém vê. Quando compreenderem o divino potencial do seu serviço no sacerdócio, o Espírito de Deus vai encher-lhes o coração e a mente, e vai brilhar em seus olhos e em seu rosto.
Como portadores do sacerdócio, que jamais nos tornemos insensíveis às coisas maravilhosas e extraordinárias que o Senhor nos confiou.

Conclusão

Meus queridos irmãos, busquemos aprender a doutrina do santo sacerdócio; fortaleçamos nosso testemunho linha sobre linha, recebendo as revelações do Espírito, e encontremos a verdadeira alegria do serviço diário no sacerdócio. Se fizermos essas coisas, vamos começar a viver de acordo com nosso potencial e nossos privilégios como portadores do sacerdócio, e vamos ser capazes de fazer “todas as coisas em Cristo que [nos] fortalece”.19 Disso presto testemunho, como apóstolo do Senhor, e deixo-lhes minha bênção, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Permaneçam no Território do Senhor!

Elder Ulisses Soares
Dos Setenta

Nossa pergunta diária deve ser: “Será que minhas ações me colocam no território do Senhor ou do inimigo?”
O Presidente Thomas S. Monson disse certa vez: “Vou dar-lhes uma fórmula simples pela qual podem medir as escolhas com que se defrontam. É fácil recordá-la: ‘Não se pode estar certo fazendo o que é errado nem se pode estar errado, fazendo o que é certo’” (“O Caminho da Perfeição”, A Liahona, julho de 2002, p. 111). A fórmula do Presidente Monson é simples e direta. Funciona da mesma forma que a Liahona dada a Leí. Se exercermos fé e formos diligentes na obediência aos mandamentos do Senhor, encontraremos facilmente o rumo certo a seguir ao nos depararmos com as pequenas decisões cotidianas.
O Apóstolo Paulo nos exortou sobre a importância de semear no Espírito e de estar cientes de não semear na carne, ao dizer:
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.
E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:7–9).
Semear no Espírito significa que todos os nossos pensamentos, palavras e ações precisam elevar-nos ao nível da divindade de nossos pais celestes. Contudo, as escrituras se referem à carne como a natureza física ou carnal do homem natural, que permite às pessoas serem influenciadas por paixões, desejos, apetites e tendências da carne, em vez de buscar a inspiração do Espírito Santo. Se não tomarmos cuidado, essas influências combinadas com a pressão mundana do mal podem levar-nos a adotar uma conduta vulgar e leviana que pode tornar-se parte de nosso caráter. Para evitarmos essas más influências, devemos seguir o que o Senhor instruiu ao Profeta Joseph Smith sobre semear continuamente no Espírito: “Portanto não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande” (D&C 64:33).
Para edificarmos nosso espírito, é preciso que “toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre [nós]” (Efésios 4:31) e que “[sejamos] sábios nos dias de [nossa] provação; [despojando-nos] de todas as impurezas” (Mórmon 9:28).
Ao estudarmos as escrituras, aprendemos que as promessas que o Senhor fez para nós dependem de nossa obediência e incentivam o viver reto. Essas promessas devem nutrir-nos a alma, dando-nos esperança, incentivando-nos a não desistir, mesmo diante dos desafios diários de viver num mundo em que os valores éticos e morais se extinguem, motivando ainda mais as pessoas a semear na carne. No entanto, como podemos ter certeza de que nossas escolhas estão nos ajudando a semear no Espírito e não na carne?
O Presidente George Albert Smith, repetindo conselhos dados por seu avô, disse certa vez: “Há uma linha demarcatória bem definida entre o território do Senhor e o território do diabo. Se você vai ficar na linha no lado do Senhor estará sob Sua influência e não terá nenhum desejo de fazer coisas erradas, mas, se você cruzar para o lado do diabo, um centímetro que seja, estará em poder do tentador, e, se ele for bem-sucedido, você não será capaz de pensar nem raciocinar corretamente porque terá perdido o Espírito do Senhor” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: George Albert Smith, 2011, p. 193).
Portanto, nossa pergunta diária deve ser: “Será que minhas ações me colocam no território do Senhor ou no território do inimigo?”
O profeta Mórmon alertou seu povo sobre a importância da capacidade de distinguir o bem do mal:
“Portanto todas as coisas boas vêm de Deus; e o que é mau vem do diabo; porque o diabo é inimigo de Deus e luta constantemente contra ele e convida e incita a pecar e a fazer continuamente o mal.
Eis, porém, que aquilo que é de Deus convida e impele a fazer o bem continuamente” (Morôni 7:12–13).
A Luz de Cristo juntamente com a companhia do Espírito Santo devem ajudar-nos a determinar se nosso modo de vida nos coloca no território do Senhor ou não. Se nossas atitudes forem boas, elas são inspiradas por Deus, porque toda coisa boa vem de Deus. Contudo, se nossas atitudes forem más, estamos sendo influenciados pelo inimigo, porque ele persuade os homens a fazer o mal.
O povo africano aqueceu meu coração por sua determinação e diligência em permanecer no território do Senhor. Mesmo nas circunstâncias adversas da vida, aqueles que aceitam o convite de vir a Cristo se tornam uma luz para o mundo. Há poucas semanas, ao visitar uma das alas na África do Sul, tive o privilégio de acompanhar dois jovens sacerdotes, seu bispo e seu presidente de estaca em uma visita aos rapazes menos ativos de seu quórum. Fiquei muito impressionado com a coragem e a humildade que aqueles dois sacerdotes mostraram ao convidar os rapazes menos ativos a voltar para a Igreja. Enquanto conversavam com os rapazes menos ativos, observei que seu semblante refletia a luz do Salvador e, ao mesmo tempo, enchia de luz as pessoas a seu redor. Eles estavam cumprindo seu dever de “[socorrer] os fracos, [erguer] as mãos que pendem e [fortalecer] os joelhos enfraquecidos” (D&C 81:5). A atitude daqueles dois sacerdotes os colocou no território do Senhor, e eles serviram de instrumentos em Suas mãos, ao convidar outros a fazer o mesmo.
Em Doutrina e Convênios 20:37, o Senhor ensina o que significa semear no Espírito e o que realmente acontece no território do Senhor, da seguinte maneira: Humilhar-nos perante Deus, ter o coração quebrantado e o espírito contrito, testificar diante da Igreja que realmente nos arrependemos de todos os nossos pecados, tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, ter a determinação de servi-Lo até o fim, manifestar por nossas obras, que recebemos o Espírito de Cristo e fomos recebidos pelo batismo em Sua Igreja. Nossa disposição de cumprir esses convênios nos prepara para viver na presença de Deus como seres exaltados. A lembrança desses convênios deve guiar nossa conduta em relação a nossa família, a nossas interações sociais com outras pessoas e, especialmente, em nosso relacionamento com o Salvador.
Jesus Cristo estabeleceu o perfeito padrão de conduta pelo qual podemos edificar nossas atitudes, a fim de poder cumprir esses convênios sagrados. O Salvador baniu de Sua vida toda influência que pudesse desviar-Lhe a atenção de Sua missão divina, especialmente ao ser tentado pelo inimigo ou por seus seguidores, enquanto ministrava aqui na Terra. Embora jamais tenha pecado, Ele tinha um coração quebrantado e um espírito contrito, cheio de amor por nosso Pai Celestial e por todos os homens. Ele Se humilhou perante nosso Pai Celestial, negando Sua própria vontade para cumprir o que o Pai pedira Dele, em todas as coisas, até o fim. Mesmo naquele momento de extrema dor física e espiritual, carregando nos ombros o fardo dos pecados de toda a humanidade e vertendo sangue por todos os poros, Ele disse ao Pai: “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).
Minha oração, irmãos e irmãs, é que, ao pensarmos em nossos convênios, mantenhamo-nos fortes contra “os ardentes dardos do adversário” (1 Néfi 15:24), seguindo o exemplo do Salvador para semearmos no Espírito e habitarmos no território do Senhor. Lembremos a fórmula do Presidente Monson: “Não se pode estar certo fazendo o que é errado nem se pode estar errado, fazendo o que é certo”. Digo essas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Estabelecer Sião

Élder Claudio R. M. Costa - Presidente da Área Brasil (Fevereiro/2012)  
 
Élder Claudio R. M. Costa
Em agosto de 2011, convidei todos os membros do Brasil a buscarem estabelecer Sião, começando a partir de cada um de nós. Sei que os que buscarem isso com todo o fervor e fé receberão as promessas contidas em 1 Néfi 13:37: "E abençoados os que procurarem estabelecer a minha Sião naquele dia, pois terão o dom e o poder do Espírito Santo; e se perseverarem até o fim, serão levantados no último dia e serão salvos no reino eterno do Cordeiro; e aqueles que proclamarem a paz, sim, novas de grande alegria, quão belos serão sobre os montes!" Esses terão o poder do Espírito Santo e serão salvos no reino do Cordeiro.
Estabelecer Sião requer nossos esforços para ser mais do que ouvintes da palavra: para ser praticantes dela. Quais são algumas coisas simples que necessitamos fazer para iniciar a construção de nossa Sião?

  1. Ser unos de coração. Isso se refere a sermos um com Cristo e Seus profetas. Somos privilegiados por ter profetas vivos que nos guiam nestes tempos tumultuados e difíceis.
  2. Guardar os mandamentos de Deus. Que privilégio é conhecer os mandamentos e regras que o Senhor revelou para nos proteger e abençoar. Toda bênção se baseia no cumprimento das leis, dos mandamentos e das regras que recebemos de Deus.
  3. Fazer e guardar convênios sagrados. Somos um povo de convênios, e esses convênios sagrados nos possibilitam conhecer melhor a Deus e a Seu plano de salvação e de felicidade.
  4. Amar e proteger a família. O documento "A Família - Proclamação ao Mundo" nos ensina os princípios básicos que necessitamos cumprir para que a paz e o amor reinem em nossa família e em nosso lar. A prática constante da noite familiar, oração familiar e o estudo das escrituras em família nos dão a segurança e a proteção que o Presidente Faust ensinou na Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, em 10 de janeiro de 2004.
  5. Dízimos e ofertas generosas. O Senhor nos prometeu grandes bênçãos, se cumprirmos essa lei (ver Malaquias 3:8-10). Ele ensinou que Sua lei inclui dízimo e ofertas. Os dízimos dos santos são transformados em bênçãos imensas derramadas sobre sua cabeça. As ofertas generosas de jejum fazem com que os pobres recebam a porção necessária para manter a vida com dignidade. As ofertas generosas ao Fundo Missionário nos colocam como companheiros dos milhares de missionários que servem diligentemente a Deus, trazendo almas a Ele. Esses dízimos e ofertas nos preparam para fazer os grandes sacrifícios que nos farão achegarmo-nos mais a Cristo.
  6. Ir ao templo mais frequentemente. Esse simples ato de amor nos abençoará com conhecimento divino e abençoará a eternidade daqueles que estão do outro lado do véu.

Queridos irmãos e irmãs, jovens e crianças: essas são apenas algumas coisas que podemos fazer em preparação para viver em Sião - a Sião que começa dentro de cada um de nós. Viver em um mundo melhor começa comigo - e com vocês.!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Como Encontrar Certeza em meio à Incerteza

Élder Richard E. Turley Sr. 
Dos Setenta


Essa Restauração maravilhosa deu-nos o que precisamos para poder reconhecer filosofias e estilos de vida, que apesar de serem política ou socialmente aceitáveis, não o são perante o Pai Celestial.


Há mais ou menos 10 anos eu e minha esposa passamos a maior parte de um domingo com um estudante da Universidade de Harvard. Esse jovem tinha vindo a Salt Lake City para ver se a Igreja era "prá valer". Os pais dele, que moravam em New England, tinham recebido as palestras e estavam planejando ser batizados. O jovem pediu aos pais que esperassem até que ele fosse a Salt Lake City. Durante sua visita à Praça do Templo e aos escritórios da Igreja, ele disse que gostaria de conversar com um membro da Igreja que, como ele, tivesse conhecimentos técnicos e científicos. Sugeriram meu nome, e ele, me telefonou.
Como estávamos muito ocupados, o único dia que tínhamos para encontrar esse jovem era o domingo. Dissemos-lhe que se quisesse ver como era a vida de um mórmon, ele poderia passar o dia conosco. Passamos horas muito agradáveis e interessantes com esse jovem. Nós o levamos a duas reuniões sacramentais naquele dia. Numa delas, um de nossos filhos e a esposa seriam os oradores e na outra onde nós seríamos os oradores. Ao entrarmos na capela, encontramos o bispo que nos levou para sua sala para a reunião de oração. Todos, inclusive nosso jovem amigo, ajoelharam-se e o bispo fez uma oração humilde e espontânea.
Do escritório do bispo fomos diretamente para a capela. Apresentamos o rapaz a um jovem casal e ele sentou-se ao lado deles durante a reunião. Eu e minha esposa falamos, naquele dia, sobre o Livro de Mórmon. Achamos que esse tema seria ideal, especialmente para aquele jovem que tinha sido desafiado a ler o Livro de Mórmon.
Depois das reuniões, levamos o jovem para nossa casa e minha esposa serviu um jantar delicioso. Passamos a maior parte do tempo prestando testemunho acerca do Livro de Mórmon, de Jesus Cristo e da restauração de Sua Igreja. No dia seguinte o jovem voltou para Boston.
Algum tempo depois, tivemos a oportunidade de falar com os seus pais. Ele tinha relatado aos pais que a Igreja Mórmon era realmente "prá valer". Também disse a eles que o estudo do Livro de Mórmon esclareceu as dúvidas que tinha sobre Jesus Cristo.
Sabíamos que esse rapaz dizia ser agnóstico e dizia que não aceitaria a existência de Deus a não ser que tivesse uma comprovação direta. Felizmente, durante sua visita a Salt Lake City ele teve a oportunidade de ver de perto um dia de uma família que pertence à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Porém, ele não poderia ter chegado à conclusão que Jesus é o Cristo só pelas observações que fez.
Ao terminar de ler o Livro de Mórmon ele encontrou a chave mais importante para saber se o Livro de Mórmon é verdadeiro, se Jesus é o Cristo. Na verdade, a chave para saber a verdade de todas as coisas. No seu último capítulo Morôni afirmou:
"E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas." (Morôni 10:5)
Cheguei à conclusão, com o passar dos anos, que só pelo poder do Espírito Santo podemos encontrar certeza em meio a incerteza. Isso explica porque Jesus disse o que disse para Pedro em Cesaréia de Filipe. Jesus perguntou aos seus discípulos:
"E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mateus 16:15)
E Pedro respondeu:
"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." (Mateus 16:16)
E Jesus, respondendo disse-lhe:
"Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus." (Mateus 16:17)
Em outras palavras, da mesma maneira que o Pai revelou a Pedro, pode revelar a nós hoje, por meio do poder do Espírito Santo, que Jesus de Nazaré, Seu Filho mais amado e obediente, era e é realmente o tão esperado Messias sobre quem todos os Seus profetas desde o princípio do mundo haviam profetizado.
Ao refletir sobre esse jovem de Boston, pensei em muitos outros jovens que, como ele, estão procurando respostas para perguntas sobre a vida mas não sabem onde encontrá-las. Esses jovens são muito influenciados, como todos nós, e estão sujeitos ao que o Apóstolo Paulo chamou de "todo o vento de doutrina". Gostaria de ler a passagem na Epístola de Paulo aos Efésios onde ele explica porque o Senhor nos deu apóstolos, profetas, mestres e outros líderes inspirados:
"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudolosamente." (Efésios 4:14)
Sou extremamente grato pelos profetas modernos e os da antiguidade que nos advertem contra os que "enganam fraudolosamente".
O profeta Isaías viu os nossos dias numa visão, quando o Senhor:
"[Continuaria] a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." (Isaías 29:14)
Essa Restauração maravilhosa deu-nos o que precisamos para poder reconhecer filosofias e estilos de vida, que apesar de serem política ou socialmente aceitáveis, não o são perante o Pai Celestial. Se um agnóstico, ao seguir o conselho de Morôni, conseguiu crer, outros também poderão compreender qual o propósito da Terra. Nos registros restaurados de Moisés, o Senhor responde a nossas perguntas sobre o propósito desta Terra:
"Moisés clamou a Deus, dizendo: Dize-me, rogo-te, por que essas coisas são assim e por meio de que as fizeste?"
"Deus disse a Moisés: Fiz essas coisas para meu próprio intento ( . . . )."
"Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:30­31,39)
Existem muitas filosofias que diminuem a importância do homem. Moisés, no seu relato, depois de ter visto todas as criações de Deus, pensou que o homem não era nada, mas Deus disse-lhe claramente que o homem é tudo.
Um outro exemplo disso e algo a ser considerado é a proclamação da família, tornada pública pelas Autoridades Gerais em 1995, onde encontramos claramente delineados os propósitos e as expectativas de Deus para a humanidade.
As nações do mundo gastam bilhões todos os anos tentando descobrir mais sobre o propósito da Terra e das galáxias; todavia, a resposta está aqui mesmo. A Terra foi criada para o homem e para ajudar-nos a conseguir " imortalidade e vida eterna". Os detalhes sobre a Criação, sem dúvida nenhuma, são muito interessantes; porém, muito mais importante e necessário é aprender sobre o nosso Criador e aceitar o Seu convite para segui-Lo a fim de que também alcancemos todo o nosso potencial.
O Espírito irá ajudar-nos a encontrar certeza em meio a incerteza. Jesus é nossa luz. (Ver 3 Néfi 18:24.)
Sigamos essa luz radiante e convidemos os outros a fazerem o mesmo.
Em nome de Jesus Cristo. Amém.

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Domingo Virá

Élder Joseph B. Wirthlin 
Do Quórum dos Doze Apóstolos


Graças à vida e ao sacrifício eterno do Salvador do mundo, seremos reunidos a nossos entes queridos.


Sinto-me grato por estar com vocês hoje e poder fortalecer-me com seu testemunho. Não posso expressar o quanto me sinto agradecido por suas bondosas palavras de apoio, suas manifestações de amor e suas orações.
Gostaria de relembrar hoje algumas coisas da minha história pessoal.
Nasci de bons pais. Com meu pai, Joseph L. Wirthlin, aprendi o valor do trabalho árduo e da compaixão. Ele foi bispo da nossa ala durante a Grande Depressão. Tinha genuína preocupação com os aflitos. Estendia a mão para os necessitados não por ser esse o seu dever, mas porque esse era o seu sincero desejo.
Cuidava incansavelmente de muitos e abençoava a vida dos que sofriam. Para mim, ele foi o bispo ideal.
Aqueles que conheceram meu pai sabiam como ele era ativo. Alguém me disse, certa vez, que ele podia fazer o trabalho de três homens. Raramente diminuía o ritmo. Em 1938, dirigia uma empresa muito bem-sucedida, quando recebeu um chamado do Presidente da Igreja, Heber J. Grant.
O Presidente Grant disse que iriam reorganizar o Bispado Presidente naquele dia e que ele queria que meu pai servisse como conselheiro de LeGrand Richards. Isso pegou meu pai de surpresa, e ele perguntou se, primeiro, poderia orar a respeito disso.
O Presidente Grant disse: “Irmão Wirthlin, só faltam 30 minutos para a próxima sessão da conferência, e eu gostaria de descansar um pouco. Qual é sua resposta?”
É claro que meu pai disse sim. Ele serviu por 23 anos, nove dos quais como Bispo Presidente da Igreja.
Meu pai tinha 69 anos quando faleceu. Eu estava com ele quando, de repente, desmaiou. Pouco depois, veio a falecer.
Penso muito em meu pai. Sinto saudades dele.
Minha mãe, Madeline Bitner, foi outra grande influência em minha vida. Em sua juventude, era uma excelente atleta e campeã de corridas. Sempre foi bondosa e amorosa, mas seu ritmo era exaustivo. Freqüentemente dizia: “Apressem-se”. E quando ela dizia isso, nós nos apressávamos. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais eu corria tanto quando jogava futebol americano.
Minha mãe tinha grandes expectativas em relação aos filhos e deles esperava sempre o melhor. Ainda me lembro de ouvi-la dizer: “Não seja relaxado — Você precisa fazer melhor que isso”. Relaxado era a palavra que ela usava para alguém preguiçoso que não atingia todo o seu potencial.
Minha mãe faleceu quando estava com 87 anos. Penso muito nela e sinto saudades dela, mais do que posso expressar.
Minha irmã caçula, Judith, era escritora, compositora e professora. Ela amava muitas coisas, inclusive o evangelho, a música e a arqueologia. O aniversário de Judith era poucos dias antes do meu. A cada ano, em seu aniversário, eu lhe dava uma nota novinha de um dólar como presente. Três dias depois, ela me dava cinqüenta centavos de dólar como presente de aniversário.
Judith faleceu há poucos anos. Tenho saudades dela e penso muito nela.
E isso me faz lembrar de minha esposa, Elisa. Lembro-me da primeira vez que a vi. Como favor para um amigo, fui à casa dela para dar carona à sua irmã, Frances. Elisa abriu a porta e, ao menos para mim, foi amor à primeira vista.
Creio que ela deve ter sentido algo também, porque as primeiras palavras que me lembro que ela disse foram: “Eu sabia que era tu”.
Elisa era especialista em inglês.
Até hoje, ainda considero aquelas cinco palavras como as mais belas do mundo.
Ela adorava jogar tênis e tinha um saque relâmpago. Tentei jogar tênis com ela, mas acabei desistindo depois de concluir que não poderia acertar numa bola que não conseguia ver, de tão rápida.
Ela era minha força e minha alegria. Graças a ela, sou um homem, marido e pai melhor. Casamos, tivemos oito filhos e caminhamos juntos por 65 anos de vida.
Devo à minha mulher mais do que posso expressar. Não sei se já houve algum casamento perfeito, mas do meu ponto de vista, acho que o nosso era.
Quando o Presidente Hinckley falou, durante o funeral da irmã Wirthlin, disse que era devastador e arrasador perder alguém amado. É algo que abala a alma.
Ele estava certo. Assim como Elisa foi a minha maior alegria, sua morte é hoje a minha maior tristeza.
Nas horas solitárias, passei muito tempo pensando nas coisas eternas. Meditei nas consoladoras doutrinas da vida eterna.
Durante minha vida, ouvi muitos sermões sobre a Ressurreição. Tal como vocês, sei de cor os eventos daquele primeiro domingo de Páscoa. Marquei em minhas escrituras as passagens referentes à Ressurreição e tenho à mão muitas declarações importantes proferidas pelos profetas modernos sobre esse assunto.
Sabemos o que é a Ressurreição — a reunião do espírito e do corpo em sua perfeita forma.1
O Presidente Joseph F. Smith disse: “Poderemos reencontrar e rever aqueles de quem tivemos que nos separar nesta vida. Encontraremos o mesmo ser idêntico com quem nos associamos aqui na carne”.2
O Presidente Spencer W. Kimball ampliou essa declaração dizendo: “Tenho a certeza de que se pudermos imaginar-nos em nossa melhor condição física, mental e espiritual, será assim que voltaremos”.3
Quando formos ressuscitados, “este corpo mortal será levantado num corpo imortal (…) para não mais [morrermos]”.4
Conseguem imaginar isso? As melhores condições de vida? Sem doença, sem dor, sem o fardo dos males que freqüentemente nos acometem na mortalidade?
A Ressurreição está no cerne de nossas crenças cristãs. Sem ela, nossa fé não teria sentido. Como disse o Apóstolo Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e também é vã a [nossa] fé”.5
Ao longo de toda a história do mundo sempre houve muitas almas grandes e sábias, muitas das quais afirmavam ter um conhecimento especial de Deus. Mas quando o Salvador levantou-Se do sepulcro, Ele fez algo que ninguém jamais fez. Fez algo que ninguém mais poderia fazer. Ele rompeu as cadeias da morte, não apenas para Si mesmo, mas para todos os que já viveram, tanto justos quanto injustos.6
Quando Cristo Se levantou do sepulcro, tornando-Se as primícias da Ressurreição, Ele tornou essa dádiva acessível a todos. E com esse ato sublime, Ele abrandou a tristeza devastadora e arrasadora que abala a alma dos que perderam preciosos entes queridos.
Como deve ter sido sombria a sexta-feira na qual Cristo foi pregado na cruz.
Naquela terrível sexta-feira, a terra tremeu e o dia escureceu. Terríveis tempestades fustigaram a Terra.
Os homens que maldosamente planejaram Sua morte regozijaram-se. Eliminando-se Jesus, com certeza Seus seguidores se dispersariam. Naquele dia, sentiram-se triunfantes.
Naquele dia, o véu do templo rasgou-se em dois.
Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus, estavam cheias de dor e desespero. O homem sublime que elas tinham amado e honrado pendia da cruz, sem vida.
Naquela sexta-feira, os Apóstolos estavam arrasados. Jesus, seu Salvador — o homem que tinha andado sobre as águas e revivido os mortos — Ele mesmo estava à mercê de homens iníquos. Eles O viram ser subjugado por Seus inimigos, sem que nada pudessem fazer.
Naquela sexta-feira, o Salvador da humanidade foi humilhado, ferido, maltratado e desprezado.
Foi uma sexta-feira cheia de tristeza devastadora e arrasadora que abalou a alma dos que amavam e honravam o Filho de Deus.
Creio que aquela sexta-feira foi o dia mais sombrio de todos, desde o princípio da história do mundo.
Mas a trágica situação daquele dia não durou muito tempo.
O desespero não se prolongou porque no domingo, o Senhor ressuscitado rompeu as cadeias da morte. Ergueu-Se do sepulcro e apareceu gloriosamente triunfante como o Salvador de toda a humanidade.
Então, num instante, os olhos que estavam cheios de copiosas lágrimas ficaram enxutos. Os lábios que tinham sussurrado orações de aflição e dor encheram o ar de maravilhoso louvor, porque Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, estava diante deles como as primícias da Ressurreição, a prova de que a morte era apenas o início de uma nova e maravilhosa existência.
Todos temos as nossas próprias sextas-feiras — aqueles dias em que o próprio universo parece esfacelar e vemos as ruínas de nosso mundo espalhadas a nossos pés. Todos passaremos por momentos assim, dos quais nos parecerá impossível recuperar-nos. Todos teremos nossas sextas-feiras.
Mas testifico a vocês, em nome Daquele que conquistou a morte, que o domingo virá. Em meio às trevas de seu sofrimento, o domingo virá.
Seja qual for o nosso desespero, seja qual for a nossa dor. O domingo virá. Nesta vida ou na próxima. O domingo virá.
Testifico-lhes que a Ressurreição não é uma fábula. Temos o testemunho pessoal daqueles que O viram. Milhares de pessoas do Velho e do Novo Mundo foram testemunhas do Salvador ressuscitado. Tocaram-Lhe as mãos, os pés e o lado. Derramaram lágrimas de incontida alegria ao abraçarem-No.
Depois da Ressurreição, os discípulos sentiram-se revigorados. Viajaram pelo mundo inteiro proclamando as gloriosas novas do evangelho. Se quisessem, poderiam ter fugido, desaparecido, e retornado à vida e à ocupação que tinham antes. Com o tempo, o relacionamento que tiveram com Ele teria sido esquecido. Poderiam facilmente ter negado a divindade do Cristo.
Mas não fizeram isso.
Mesmo em face do perigo, do escárnio e das ameaças de morte, adentraram palácios, templos e sinagogas, proclamando corajosamente Jesus, o Cristo, o Filho Ressuscitado do Deus vivo.
Muitos deles, como testemunho final, ofereceram a própria e valiosa vida. Morreram como mártires, tendo nos lábios o testemunho do Cristo Ressuscitado, ao perecer.
A Ressurreição transformou a vida dos que a testemunharam. Acaso não deveria transformar a nossa também?
Todos nos ergueremos do sepulcro. E naquele dia, meu pai abraçará a minha mãe. Naquele dia, mais uma vez tomarei em meus braços a minha amada Elisa.
Graças à vida e ao sacrifício eterno do Salvador do mundo, seremos reunidos a nossos entes queridos.
Naquele dia, conheceremos o amor de nosso Pai Celestial. Naquele dia, teremos grande regozijo pelo Messias ter vencido todas as coisas para que pudéssemos viver para sempre.
Devido às sagradas ordenanças que recebemos nos templos sagrados, nossa partida desta breve existência mortal não separa por muito tempo os relacionamentos estreitados por cordões tecidos de laços eternos.
É meu solene testemunho que a morte não é o fim da existência. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.7 Graças ao Cristo ressuscitado, “Tragada foi a morte na vitória”.8
Graças a nosso amado Redentor, podemos elevar a voz, mesmo estando em nossas mais sombrias sextas-feiras, e proclamar: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, [ó morte], a tua vitória?”9
Quando o Presidente Hinckley falou da terrível solidão que advém aos que perderam alguém amado, ele também prometeu que, na calada da noite, uma voz mansa e inaudível sussurrará paz à nossa alma, dizendo: “Tudo bem”.
Sinto-me imensamente grato pelas sublimes doutrinas verdadeiras do evangelho e pelo dom do Espírito Santo, que me sussurrou à alma as palavras de paz e consolo prometidas por nosso amado profeta.
Das profundezas do meu sofrimento, tenho-me regozijado na glória do evangelho. Regozijo-me pelo Profeta Joseph Smith ter sido escolhido para restaurar o evangelho na Terra nesta última dispensação. Regozijo-me por termos um profeta, o Presidente Gordon B. Hinckley, que dirige a Igreja do Senhor em nossos dias.
Que compreendamos e tenhamos gratidão pelas inestimáveis dádivas que recebemos como filhos e filhas de um Pai Celestial amoroso e pela promessa daquele dia radiante em que todos nos ergueremos triunfantes do sepulcro.
Que sempre saibamos, por mais sombria que seja a nossa sexta-feira, que o domingo virá. Essa é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Época de Oportunidades

Bispo H. David Burton
Bispo Presidente
 

É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas.

Recentemente, em uma reunião sacramental, uma bela jovem sugeriu que um bom discurso deveria começar com alguma coisa engraçada e de bom gosto ou com uma mentira óbvia. Meu talento humorístico é praticamente inexistente, mas digo com absoluta sinceridade que estou totalmente à vontade e não sinto medo nenhum diante deste púlpito.
Com o término da recente comemoração do sesquicentenário, nosso caro profeta redirecionou nossa atenção dizendo: "É chegada agora a hora de voltarmos os olhos para o futuro. Esta é uma época de imensas oportunidades. Podemos aproveitar essas oportunidades e seguir avante. Que época maravilhosa para cada um de nós fazer sua pequena contribuição para o avanço da obra do Senhor na direção de seu magnífico destino". [Gordon B. Hinckley, Conference Report (Relatório da Conferência Geral), outubro de 1997, pp. 90­91; ou A Liahona, janeiro de 1998, p. 77.]

Todos enfrentamos dificuldades na vida diária, mas é nas dificuldades que estão algumas de nossas melhores oportunidades. Quando reconhecemos e nos valemos de nossas oportunidades, o resultado é o progresso, felicidade e crescimento espiritual.
Precisamos envolver-nos ativamente em levar a obra do Senhor adiante. Ainda que nossas oportunidades sejam inúmeras, falarei somente de algumas. Diversas vezes, deste púlpito, lembraram-nos de guardar plenamente o Dia do Senhor. Se não estivermos santificando o Dia do Senhor, hoje é um ótimo dia para assumirmos o compromisso, aproveitarmos a oportunidade, para recebermos as bênçãos prometidas que advêm de guardar o Dia do Senhor.
Muitos acham que a expressão "Dia do Senhor" é sinônimo de "dia de diversão". Um amigo meu, que gerencia várias lojinhas em comunidades majoritariamente mórmons, disse-me que sabe o exato momento em que as reuniões de domingo terminam, pois o aumento no número de clientes é marcante. As diversas formas de recreação existentes tornaram-se o que há de mais importante no domingo.
Quando a irmã Burton e eu éramos recém-casados, morávamos no sudeste do Vale do Lago Salgado. Certa ocasião, quando estávamos fazendo compras em uma merceariazinha de bairro, vimos o Presidente Joseph Fielding Smith e a esposa fazendo compras ali. Depois de ver a mesma coisa acontecer diversas vezes, acabei criando coragem para perguntar ao Presidente Smith por que ele vinha do centro da cidade, passando por dúzias de mercearias, para fazer compras ali. Ele olhou por cima dos óculos e respondeu categoricamente: "Meu filho", dei-lhe atenção imediatamente, "a irmã Smith e eu apoiamos os estabelecimentos que santificam o Dia do Senhor".
Não há novidade no conselho de que é preciso reverenciar o Dia do Senhor. Hoje não estamos escutando nada que gerações passadas não tenham escutado dos profetas de sua época e que os profetas de nossos dias não tenham reafirmado inúmeras vezes. As escrituras modernas trazem a seguinte admoestação: "E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; porque em verdade este é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo". (D&C 59:9­10)
Sei que, principalmente para os jovens, é difícil resolver guardar o Dia do Senhor, considerando-se que os times em que eles mais querem jogar sempre marcam partidas para os domingos. Sei muito bem que para muitos parece irrelevante parar numa loja de conveniência aos domingos e comprar uma coisinha ou outra de que precisam. Entretanto, também sei que se lembrar de santificar o Dia do Senhor é um dos mandamentos mais importantes que devemos guardar para nos prepararmos para escutarmos os sussurros do Espírito.
Esta é uma época de oportunidades para as famílias viverem integramente para serem contadas com os fiéis que obedecem ao quarto grande mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus ( . . . )". (Êxodo 20:8­10)
Há alguns anos, o Presidente Hinckley respondeu a uma observação a respeito do número de dedicações e rededicações de templos dos quais tinha participado como Autoridade Geral. Disse que gostaria de continuar envolvido com a dedicação de templos até que tivéssemos, no mínimo, 100 templos em funcionamento. Quando ouvi o que disse, não pude deixar de fazer umas continhas e percebi que o total de templos em funcionamento mais o número de templos projetados ou em construção na época era muito inferior a 100. Como o Bispado Presidente é responsável por supervisionar a construção dos templos que são anunciados, lembro-me com toda clareza de ter dito ao profeta: "Presidente, peço ao Senhor que o abençoe com muita longevidade".
Eu nem imaginava que talvez, naquele momento, nosso Profeta estivesse recebendo inspiração dos céus para pensar em como proporcionar mais oportunidades de que as famílias fiéis da Igreja participassem das bênçãos relativas à adoração no templo. Chorei de alegria, como vocês, quando, na conferência geral de abril passado, ouvimos o Presidente Hinckley dizer: "( . . . ) Nos últimos meses estivemos viajando por lugares distantes para reunir-nos com os membros da Igreja. Estive com muitas pessoas que possuem bem poucos bens materiais. Mas elas têm no coração uma grande e ardorosa fé no trabalho destes últimos dias. Elas amam a Igreja. ( . . . ) Amam o Senhor e desejam cumprir a vontade Dele. Estão pagando o dízimo, por menor que seja. Estão fazendo sacrifícios enormes para ir ao templo. Viajam vários dias em ônibus desconfortáveis e barcos velhos. Economizam dinheiro e passam necessidade para que isso seja possível. Essas pessoas precisam de templos ( . . . ) próximos de onde moram. Tendo isso em vista, aproveito esta oportunidade para anunciar a toda a Igreja o projeto de construirmos imediatamente cerca de 30 templos pequenos. ( . . . ) Acrescentando-se os 17 edifícios que já estão em construção ( . . . ) teremos um total de 47 templos novos, além dos 51 que já se encontram em funcionamento. Acho melhor acrescentarmos mais dois para que tenhamos um número redondo de cem templos, no final deste século ( . . . )". [Conference Report (Relatório da Conferência Geral), abril de 1998, p. 115; ou A Liahona, julho de 1998, p. 98.]
No início desta dispensação, nossos antepassados foram abençoados com a oportunidade de fazerem grandes sacrifícios para construir templos. Eles doaram generosamente parte do pouco dinheiro que tinham, bem como o trabalho de suas próprias mãos. Quando o templo de Kirtland e, depois, o de Nauvoo ficaram prontos, os santos fizeram muito sacrifício. Foram abençoados de acordo com o que fizeram. Depois da migração dos santos para o alto das montanhas, começaram a aparecer templos em diversos lugares do oeste dos EUA. O projeto de cada templo implicava em muito sacrifício. As bênçãos prometidas por Deus aguardavam os que se valiam da oportunidade de tomarem parte na construção dos templos.
As oportunidades que o serviço no templo nos reserva atualmente são diferentes das que havia no passado. Não se espera que usemos o martelo, cortemos pedras, serremos tábuas, viremos concreto ou façamos o trabalho braçal da construção dos templos. Temos, porém, a excelente oportunidade de pagar o dízimo fielmente para que o trabalho de construção de templos e a obra do Senhor continuem a progredir. Temos também o desafio de ser dignos de oferecermo-nos para realizar as ordenanças salvadoras pelos falecidos. Em poucas palavras, a maior oportunidade das famílias da Igreja é fazer com que a luz de nossos templos fique acesa desde cedo até tarde. Poderíamos fazer com que fosse necessário que elas ficassem acesas a noite inteira, como acontece nos finais de semana em vários templos.
Há alguns anos, uma grande empresa de comunicação usou esta frase em uma propaganda: "Estenda a mão e toque alguém". O Presidente Hinckley lembrou-nos várias vezes das muitas oportunidades que temos de estender a mão e tocar alguém. Falando das pessoas que se juntaram a nós há pouco tempo, tratou da necessidade de estendermos a mão e tocá-las com amor e amizade; as pessoas que se sentem isoladas precisam de um toque de incentivo, amor incondicional e de muito perdão. É preciso que os vizinhos, conhecidos e amigos que não são de nossa fé sejam tocados pelo Espírito Santo graças ao que dizemos e fazemos.
Recentemente, em uma reunião de treinamento dos conselhos de estaca e ala, que era parte de uma conferência de estaca da qual participei, houve apresentações bem preparadas que tinham como tema as oportunidades de "incluirmos" em vez de "excluirmos", de estendermos a mão e tocarmos as pessoas novas e as menos ativas, bem como as que não são membros de nossa Igreja. A irmã Laura Chipman, presidente das Moças da estaca, sugeriu cinco passos para ajudar-nos a "incluirmos" quando entramos em contato com alguém. Eles são: (1) Introspecção: Será que, sem perceber, estamos passando uma atitude que faz as pessoas se sentirem excluídas? (2) Identificação: Conhecemos os recém-batizados, os menos ativos e os não-membros que moram em nosso bairro ou comunidade? 3. Sermos pessoais: Será que sabemos quais são os interesses, talentos e habilidades das pessoas a quem queremos integrar? 4. Convite: Incluímos os vizinhos e amigos em atividades adequadas? 5. Envolvimento: Haveria algum meio de aproveitarmos as habilidades e talentos das pessoas a quem queremos incluir?
Há pouco tempo, fui ao funeral de um amigo de infância. Esse irmão tinha uma deficiência genética congênita. Conseguia compreender conceitos muito bem, mas não sabia ler nem escrever. Sua fala era limitada a um número bem pequeno de palavras inteligíveis e a seu vocabulário particular. Algumas pessoas de nosso grupo conseguiam compreender algumas das palavras que ele dizia. Contudo, normalmente sabíamos pelo tom de voz se ele estava externando suas preocupações ou sua grande capacidade de amar. Lynn passou grande parte da infância em uma escola especial distante de casa. Passava o verão e muitos feriados em casa com a família. Nos últimos 17 anos, Lynn, que havia vivido mais do que todos os familiares, morava em uma clínica que podia atender melhor a suas muitas necessidades.
Quando Lynn morreu, um de seus melhores amigos tomou as providências para que o funeral fosse feito em uma capela que havíamos freqüentado na infância. Seus melhores amigos e funcionários da clínica compareceram ao funeral; estavam presentes também alguns membros da ala que o conheceram havia muitos anos e, talvez, uns doze amigos de infância com a família. Vários irmãos da Igreja, que permaneceram próximos a Lynn em sua longa e, muitas vezes, solitária permanência na clínica, fizeram ternos discursos.
Todos nós refrescamos a memória no decurso da cerimônia. Um amigo lembrou-se de uma ocasião em que o professor da Escola Dominical nos convidou a prestar o testemunho em aula. Chamou-nos um por um, mas pulou Lynn, talvez por achar que ele não tivesse entendimento para fazer o que se pedia. Com a maior manifestação de justa indignação de que era capaz, ele disse ao professor que esperava ter a oportunidade de se expressar. Apesar de não entendermos muito do que disse, sentimos seu amor e sentimos a profundidade de um espírito magnífico tragicamente preso a um corpo que não funcionava bem. Como foi intenso o espírito que sentimos na classe!
À medida que os funcionários e bons amigos da clínica expressavam o amor incondicional que tinham por Lynn, ficou claro que, modestamente, ele havia estendido a mão e tocado a vida dessas pessoas. No decurso do funeral, ficou patente que, pelo menos três ou quatro amigos de infância e a família haviam estendido a mão para cuidar de Lynn, fazendo coisas como visitá-lo sempre, dar longos passeios de carro, convidá-lo para jantar ou para ocasiões especiais como um aniversário ou uma festa.
Depois das histórias e lembranças, todos percebemos que nosso bondoso amigo deficiente tinha dado a nós e às famílias excelentes e compassivas que lhe estenderam a mão com amor algo muito mais valioso do que tudo o que havia recebido.
É verdade que esta é mesmo uma época de muitas oportunidades. É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas, para citar pouquíssimas coisas. Testifico que o Pai Celestial e Seu Filho, nosso Salvador e Redentor, vivem, amam-nos incondicionalmente e desejam ardentemente que agarremos as oportunidades que nos proporcionam. Reconheço e expresso o amor que tenho a nosso querido profeta, que, com muita devoção, empunha nossa bandeira com coragem e grandeza. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

“Morrendo o Homem, Porventura Tornará a Viver?”

Carlos E.Assay

 

A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motiva-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade.

 

Há alguns anos, visitei uma casa de repouso para idosos. Os residentes, na maioria, eram pessoas fisicamente debilitadas, cansadas e ansiosas por sair dali. Ao passar por um dos quartos ouvi um fraco pedido de ajuda. A porta estava entreaberta, de maneira que entrei com a esperança de ajudar alguém com problemas. Já no quarto, fui recebido pelo olhar suplicante de uma gentil velhinha em uma cadeira de rodas. Olhou-me fixamente por um instante e perguntou-me: “Posso morrer? Posso morrer?”
O olhar terno, a voz afável e as feições delicadas comoveram-me. Obviamente estava sofrendo muita dor física e queria ver-se livre de um corpo debilitado. Ela sentia falta da companhia dos entes queridos que partiram antes dela.
Não me recordo muito bem o que lhe disse na ocasião, mas tentei assegurar-lhe que poderia e iria morrer no devido tempo do Senhor. Procurei assegurar-lhe que viveria novamente, livre dos problemas que a afligiam no momento.


A QUESTÃO REAL

 

A questão real que cada um de nós deve enfrentar não é, “Posso morrer?” A morte é uma das certezas da vida. Ocorre regularmente e é observada nas notas de falecimento dos jornais e pelas cadeiras vazias em nossas mesas. Porque assim como o sol se põe ao findar de cada dia de acordo com o ritmo eterno da vida, também teremos a experiência da separação temporária do corpo e do espírito; quando nosso tabernáculo de carne será colocado “na fria e silenciosa sepultura” (2 Néfi 1:14) e nosso espírito será “levado para aquele Deus que lhes deu a vida”. (Alma 40:11.)
Na verdade, porém, a questão real é: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14:14). A sepultura selará nosso destino eterno? Ou há uma ressurreição e outra esfera de existência à espera de nossa alma?
Os que creêm ser o túmulo o destino final do homem, vivem sem a esperança de um mundo melhor e estão inclinados a adotar aquela atitude fatalista: “Comei, bebei e diverti-vos ( . . . ) porque amanhã morreremos”. (2 Né. 28:7; ver também I Cor. 15:32.) Esta atitude quase sempre leva a experiências devassas, à conduta imoral e a todos os outros comportamentos que resultam em angústia e remorso. (Ver Alma 29:5.)
Ao passo que, aqueles que acreditam em vida após a morte estão muito mais propensos a levar uma vida cheia de propósito. A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motivam-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependendimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade, tanto agora como no mundo vindouro. Logo, parece apropriado falarmos sobre a questão real, Tornarei a viver? na véspera da Páscoa—dia em que cristãos do mundo inteiro comemoram a ressurreição do Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


DUAS CATEGORIAS DE PROVAS

 

Um escritor conhecido referiu-se à ressurreição de Cristo como “o maior milagre e o mais glorioso fato da história”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1979, p. 676; grifo nosso.)
Os milagres são “manifestações de poder divino ou espiritual”. [Bible Dictionary, (Dicionário Bíblico), p. 732.] Eles não são truques ou ações arquitetados por homens espertos. São atos realizados por indivíduos com poderes superiores aos dos mortais. O que poderia ser mais grandioso do que deitar o corpo de alguém na morte e resgatá-lo em um estado ressurreto, como fez Jesus? Somente através do uso de poderes divinos e por meio da graça de Deus poderia esta maravilha ocorrer.
E o que acontece à afirmação de que a ressurreição foi o “acontecimento mais glorioso da história?” A realidade da Ressurreição pode ser dividida em duas categorias ou classes. Uma é a grande multidão de testemunhas que viram o Cristo ressurreto; a outra é um exército de pessoas que crêem, tanto do passado como do presente, que na força de testemunhos pessoais declaram com convicção: “A sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo” (Mosiah 16:8). Ambas as categorias são importantes e dignas de atenção.

Uma Multidão de Testemunhas

 

Está registrado em Atos dos Apóstolos: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao Reino de Deus”. (Atos 1:3; grifo nosso.)
Incluídos na multidão de testemunhas ou entre as “evidências infalíveis” estão as centenas de seguidores que viram o Senhor ressurreto em múltiplas ocasiões.
  • “Apareceu primeiramente a Maria Madalena”. (Marcos 16:9.) Ela o viu e ouviu-lhe a voz.
  • Apareceu a Joana, Maria (mãe de Tiago) “e outras que com elas estavam”. (Lucas 24:10.) Elas “abraçaram os seus pés, e o adoraram”. (Mateus 28:9.)
  • Apareceu a Pedro—aquele que o negou três vezes. (Ver Lucas 24:34.)
  • Apareceu a dois discípulos quando iam a caminho do campo. (Ver Lucas 24:13-32.)
  • Apareceu a seus amados apóstolos pelo menos quatro vezes.
  • Foi visto após a crucificação, “uma vez por mais de quinhentos irmãos” (I Cor. 15:6), segundo o registro de Paulo.
  • Além disso, “e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”. (Mateus 27:52-53.)
Além dessas testemunhas, ainda havia os céticos. Alguns referiram-se às palavras das mulheres “como desvario”. (Lucas 24:11.) Jesus repreendeu os dois discípulos, dizendo: “Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (Lucas 24:25.) E repreendeu alguns “por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado”. (Marcos 16:14.)
Imaginamos como é possível alguém duvidar da realidade da ressurreição após ter lido os vários relatos de Sua aparição às mulheres, aos discípulos e aos apóstolos. Que prova maior poderia alguém exigir do que a documentação do acontecido apresentada em escritos sagrados?
Há mais ainda, João escreveu: “O testemunho de dois homens é verdadeiro”. (João 8:17.) Se esta afirmação é válida, certamente o testemunho de Cristo haver escapado do túmulo, fornecido por uma segunda nação, não deve ser ignorado. Refiro-me, naturalmente, ao registro do Livro de Mórmon a respeito das aparições de Cristo, após Sua morte, no hemisfério ocidental.
Próximo ao templo, na terra de Abundância, cerca de 2.500 pessoas ouviram uma voz suave e penetrante declarar: “Eis aqui meu Filho Bem Amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome—A Ele deveis ouvir”. (3 Néfi 11:7.) Espantados, eles experimentaram uma mudança no coração ao ouvir Deus, o Pai Eterno, apresentar o Filho Unigênito—Sua maneira de transmitir os dons da imortalidade e vida eterna a todos os Seus filhos (João 3:16).
A multidão viu um homem descer dos céus. Ouviram-no anunciar, “Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas”. (3 Néfi 11:10.) Em seguida, convidou o povo a se aproximar um a um para ver com os próprios olhos e sentir com as próprias mãos as marcas dos cravos em Suas mãos e em Seus pés. (Ver 3 Néfi 11:14-17.)
Uma multidão de pessoas em dois continentes foi testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, pode-se dizer, a respeito deste glorioso acontecimento da história, que: “A ressurreição ( . . . ) é comprovada por evidência mais conclusiva que aquela sobre a qual repousa nossa aceitação dos fatos históricos em geral”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, p. 676.)

Testemunhos Pessoais

 

“Evidências infalíveis” de assuntos espirituais, como as da ressurreição de Cristo, não são feitas pela mão; são sentidas no coração. Não são vistas a olho nu; são vistas pelos “olhos da fé”. (Éter 12:19.) Tampouco são estabelecidas pelo toque de um dedo. A realidade dos assuntos espirituais é confirmada por sentimentos despertados pelas palavras de Deus, faladas ou escritas. (Ver 1 Néfi 17:45.) Digo isso porque “o Espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala das coisas como realmente são e como realmente serão”. (Jacó 4:13.) O Espírito Santo lida com a realidade, não com acontecimentos fantasiosos.
Lembrai-vos de que os dois discípulos que caminharam e conversaram com Cristo na estrada para Emaús não o reconheceram a princípio. Mais tarde, porém, “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram”, quando refletiram: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as escrituras?” (Lucas 24:31-32.)
Lembrai-vos também de que Jesus disse a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente ( . . . ) Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:27, 29.)
Nossos “olhos da fé” serão também abertos e saberemos com certeza que Ele vive e que viveremos com Ele novamente, se crermos e aceitarmos o convite divino: “Anda comigo”. (Ver Moisés 6:34.)
  • Sim, andamos com ele no deserto e sentimos sua presença ao jejuar, orar e resistir às tentações.
  • Andamos com ele até o poço de Jacó e nosso coração arde quando estudamos as escrituras e bebemos da água da vida.
  • Andamos com ele até a Galiléia, quando ensinamos e vivemos a verdade.
  • Andamos com ele até o Getsêmani, quando tomamos sobre nós as cargas de outros.
  • Caminhamos com ele até o Calvário, quando tomamos nossa cruz e renegamo-nos a tudo que não for divino e a todo desejo mundano. (Ver Mateus 16:26.)
  • Sofremos com ele no Gólgota quando sacrificamos tempo, talentos e meios para a edificação do reino de Deus.
  • Ressuscitamos com ele para uma nova vida ao procurarmos um renascimento espiritual e esforçarmo-nos por tornar-nos Seus filhos e filhas.
E, no processo de seguir Seus passos (ver I Pedro 2:21), obtemos a convicção pessoal ou a evidência infalível de que Ele vive, que é o Filho do Deus vivo e é nosso Redentor.

Conclusão

 

Não posso voltar àquela velhinha gentil na cadeira de rodas que implorava: “Posso morrer?” Ela já atravessou a ponte entre a terra e o céu—a ponte a que chamamos morte. Ela sabe agora, melhor que eu, que morrer e viver novamente são verdades estabelecidas e, certamente, sabe que: “A morte, não é um ponto final, mas uma vírgula na história da vida” (Amos John Traver), pois ela voltou para casa e está envolvida pelos braços do amor de Deus. (Ver 2 Néfi 1:15.)
Quer sejamos jovens ou velhos, não devemos ter “temor da morte, graças a [nossa] fé e esperança em Cristo e na ressurreição; portanto, para [nós] a morte foi tragada pela morte de Cristo sobre ela” (ver Alma 27:28). Ele é nosso Redentor; ele é: “a ressurreição e a vida”. (João 11:25.)
Presto solene testemunho de que viveremos novamente! Este testemunho está alicerçado nas palavras de testemunhas oculares e de profetas modernos que viram e ouviram o Deus vivo e o Cristo vivo (ver D&C 76:22-24; PGV 2:17) e em experiências pessoais e sagradas do Espírito acontecidas ao tentar andar com Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 

ELA ME TROCOU POR UM ZUMBI

O ônibus comprido com várias portas havia chegado ao seu destino. sentia satisfação pelo sucesso da viagem. Desci pela porta dianteira e ela...